{"id":66214,"date":"2022-03-03T10:23:37","date_gmt":"2022-03-03T13:23:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66214"},"modified":"2022-03-03T10:23:37","modified_gmt":"2022-03-03T13:23:37","slug":"pela-derrota-militar-da-russia-basta-de-racismo-aos-imigrantes-negros-na-ucrania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/03\/03\/pela-derrota-militar-da-russia-basta-de-racismo-aos-imigrantes-negros-na-ucrania\/","title":{"rendered":"Pela derrota militar da R\u00fassia. Basta de racismo aos imigrantes negros na Ucr\u00e2nia."},"content":{"rendered":"<p><em>A criminosa invas\u00e3o militar russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, no dia 24 de fevereiro deste ano, fez da Europa o palco de uma guerra com consequ\u00eancias ainda imprevis\u00edveis. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ucraniano, em quatro dias de conflitos 2.040 civis ficaram feridos em ataques da R\u00fassia ao pa\u00eds, sendo 45 delas crian\u00e7as<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Segundo o Alto Comissariado da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), em seis dias de guerra, o n\u00famero de refugiados da Ucr\u00e2nia ultrapassa a marca de 677 mil pessoas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por Wagner Miqu\u00e9ias F. Damasceno \u2013 Secretaria Nacional de Negras e Negros do PSTU (Brasil)<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortos, feridos e refugiados da Ucr\u00e2nia prova que estamos diante de uma grande crise humanit\u00e1ria, e n\u00e3o poderia ser de outra maneira, j\u00e1 que a segunda pot\u00eancia militar mundial agrediu covardemente uma na\u00e7\u00e3o independente e que n\u00e3o possui condi\u00e7\u00f5es materiais de fazer frente \u00e0s tropas inimigas.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00f3s da <strong>Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)<\/strong> estamos a favor da derrota militar da R\u00fassia de Vladimir Putin e defendemos uma Ucr\u00e2nia unificada e livre da opress\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Mas, como n\u00e3o poderia ser diferente sob o capitalismo, em meio a essa trag\u00e9dia humanit\u00e1ria na Ucr\u00e2nia, o racismo e a xenofobia atuam de forma escancarada e violenta impedindo que refugiados negros e \u00e1rabes consigam deixar o pa\u00eds em busca de ref\u00fagio pol\u00edtico nos pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>Dizemos que n\u00e3o poderia ser diferente porque as opress\u00f5es raciais e xenof\u00f3bicas n\u00e3o entram em suspens\u00e3o quando h\u00e1 pandemias ou guerras, ao contr\u00e1rio: elas aprofundam o drama da classe trabalhadora, dividindo o proletariado em campos hostis no momento em que a uni\u00e3o se torna ainda mais necess\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>A<em> via crucis<\/em> dos refugiados negros<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Segundo um estudante nigeriano que estava imigrado na Ucr\u00e2nia, h\u00e1 uma esp\u00e9cie de \u201chierarquia racial\u201d que coloca os homens e mulheres negras no fim da fila dos refugiados da guerra. Segundo reportagem da Folha de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 in\u00fameros relatos como este reunidos na hashtag #AfricansinUkraine (africanos na Ucr\u00e2nia), informando que africanos e outros imigrantes negros que vivem no pa\u00eds est\u00e3o sendo v\u00edtimas de racismo ao tentarem se deslocar e deixar o pa\u00eds, sendo barrados em trens, \u00f4nibus e nas fronteiras por guardas ou outros cidad\u00e3os ucranianos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Em sua conta no Instagram, Moreno Santiago, jogador brasileiro de futsal, relatou que ele e mais dois amigos foram expulsos pelo maquinista do trem que tomaram em Kiev ao tentarem sair da Ucr\u00e2nia: \u201cEle tinha aceitado nos levar, mas do nada nos colocou para fora. Ele empurrou o David para fora, o David se machucou. Ele n\u00e3o queria mais nos levar, quando viu que a gente \u00e9 moreno, que tinha preto junto, ficou falando besteira, ent\u00e3o n\u00e3o deu certo\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Num misto de racismo e xenofobia, for\u00e7as ucranianas e dos pa\u00edses europeus fronteiri\u00e7os, mostram que, para eles, h\u00e1 vidas que valem mais do que outras.<\/p>\n<p>A guerra em solo europeu tamb\u00e9m fez aflorar o racismo e a xenofobia de jornalistas e rep\u00f3rteres que, indiferentes com as guerras imperialistas no Oriente M\u00e9dio e na \u00c1frica, lamentam que a guerra dessa vez acometa \u201cna\u00e7\u00f5es civilizadas\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Um dos comentaristas europeus se mostra abalado por ver \u201cpessoas europeias, com cabelos loiros, olhos azuis sendo mortas\u201d, deixando transparecer o racismo e a indiferen\u00e7a com a vida de milhares de negros e pessoas n\u00e3o europeias mortas nas guerras imperialistas conduzidas h\u00e1 d\u00e9cadas pelos EUA, com o apoio de pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia, da ONU e da OTAN.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso repudiar fortemente toda a\u00e7\u00e3o racista e xen\u00f3foba, quer parta de agentes ucranianos, quer parta de agentes dos pa\u00edses fronteiri\u00e7os. E exigir o direito inalien\u00e1vel de todos os imigrantes que viviam na Ucr\u00e2nia de se refugiarem em seguran\u00e7a, recebendo tratamento igualit\u00e1rio no que diz respeito \u00e0 comida, transporte, atendimento m\u00e9dico, acesso \u00e0 direitos e o direito \u00e0 dupla cidadania no pa\u00eds em que decidam viver.<\/p>\n<p><strong>A mentira de uma Ucr\u00e2nia nazista<\/strong><\/p>\n<p>O racismo e a xenofobia com imigrantes negros na Ucr\u00e2nia, por outro lado, n\u00e3o confirmam o discurso vendido pela R\u00fassia \u2013 e reproduzido por organiza\u00e7\u00f5es stalinistas \u2013 de que a Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds nazista. Afinal, o racismo e a xenofobia n\u00e3o s\u00e3o monop\u00f3lios de um ou outro pa\u00eds, mas ideologias e pr\u00e1ticas presentes em todos os pa\u00edses sob o capitalismo. Basta lembrar o tratamento dispensado aos imigrantes africanos em solo brasileiro, como vimos no brutal assassinato do jovem congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>H\u00e1 setores de extrema-direita de car\u00e1ter nazi-fascista na Ucr\u00e2nia, como o batalh\u00e3o Azov. Mas representam uma \u00ednfima minoria pol\u00edtica no pa\u00eds. As mil\u00edcias nacionalistas ucranianas n\u00e3o s\u00e3o de ultradireita, mas grupos amorfos ideologicamente, que se organizaram para combater o agressor.<\/p>\n<p>As correntes de ultradireita ucranianas tentaram aproveitar o espa\u00e7o depois da Revolu\u00e7\u00e3o na Pra\u00e7a Maidan, em 2014, e receberam menos de 1% dos votos nas elei\u00e7\u00f5es gerais, numa mostra de que ideologias de extrema-direita t\u00eam um peso min\u00fasculo nas massas ucranianas, tanto eleitoralmente, como enquanto organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 setores de extrema-direita na Ucr\u00e2nia, como h\u00e1 no Brasil, e mais ainda, na R\u00fassia. Segundo informes, a R\u00fassia \u00e9 o pa\u00eds com a maior quantidade de forma\u00e7\u00f5es paramilitares de ultradireita. Grupos como o Rusich, que combatem no Donbass.<\/p>\n<p>At\u00e9 2014, Moscou era conhecida pela grande quantidade de <em>skinheads<\/em> fascistas nas ruas, era perigoso para imigrantes e n\u00e3o-brancos de qualquer nacionalidade andarem pelas ruas a noite. Este perigo desapareceu. N\u00e3o existem mais skinheads e grupos fascistas atuantes em Moscou porque todos foram combater no Donbass, constituindo a base das tais \u201crep\u00fablicas de Donetsk e Lugansk\u201d.<\/p>\n<p>Estes grupos de extrema-direita paramilitares russos s\u00e3o diretamente ligados e financiados por setores do governo russo, como Ragozin, chefe da Roskosmos. \u00c9 tamb\u00e9m sabido que Putin financia grupos da extrema-direita europeia, usa seus instrumentos de comunica\u00e7\u00e3o para divulgar <em>fakenews<\/em>, campanhas antivacina etc.<\/p>\n<p>Os t\u00e1rtaros da Crimeia, expulsos de sua terra por Stalin e hoje novamente oprimidos por se negarem a reconhecer a anexa\u00e7\u00e3o russa da Crimeia, s\u00e3o alvos de persegui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da parte da R\u00fassia. Estes t\u00e1rtaros, de origem mu\u00e7ulmana e peles escuras, s\u00e3o defendidos pelos nacionalistas ucranianos, que Putin acusa de fascistas. Suas lideran\u00e7as est\u00e3o mortas ou presas, com a onda de repress\u00e3o desencadeada ap\u00f3s a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia.<\/p>\n<p>Por fim, n\u00e3o \u00e9 algo menor a posi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro diante deste conflito. Pressionado internacionalmente, seu governo votou a favor de san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia. Por\u00e9m, se dirigindo diretamente \u2013 e privadamente \u2013 a sua base de apoio, Bolsonaro disse que &#8220;O comunismo se transmutou, voltou para o seu ber\u00e7o europeu, agora n\u00e3o prega mais lutas de classes e sim, pautas, como as do preconceito, minorias, sexuais, machismo (&#8230;) O comunismo tem outro nome, se chama Progressismo e seu ber\u00e7o \u00e9 a Europa&#8221;. Assim, segundo Bolsonaro, Putin seria \u201cgente nossa\u201d<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O nacionalismo russo: racismo e xenofobia<\/strong><\/p>\n<p>Para entender a perenidade do racismo e da xenofobia numa Ucr\u00e2nia acoada e agredida pela guerra \u00e9 preciso falar do papel desempenhado pelo stalinismo no fomento dos preconceitos raciais e \u00e9tnicos contra os povos e pa\u00edses oprimidos pela R\u00fassia ao longo do s\u00e9culo XX. Uma clara afronta \u00e0 defesa de Lenin do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas e da necessidade de se combater os preconceitos nacionais e chauvinistas.<\/p>\n<p>Lenin tinha a n\u00edtida compreens\u00e3o de que a R\u00fassia exercia um papel opressivo sobre os diferentes povos que a circundavam e que mesmo ap\u00f3s a tomada do poder essa opress\u00e3o nacional n\u00e3o desaparecia por m\u00e1gica, cabendo aos revolucion\u00e1rios russos defenderem o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas. Em <em>O proletariado e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o<\/em>, escrito em 1915, assim dizia:<\/p>\n<p>A R\u00fassia \u00e9 uma pris\u00e3o de povos n\u00e3o apenas em consequ\u00eancia do car\u00e1ter militar-feudal do tsarismo, n\u00e3o apenas porque a burguesia gr\u00e3-russa apoia o tsarismo, mas tamb\u00e9m porque a burguesia polaca, etc., sacrificou aos interesses da expans\u00e3o capitalista a liberdade das na\u00e7\u00f5es, do mesmo modo que a democracia em geral. O proletariado da R\u00fassia n\u00e3o pode nem marchar \u00e0 frente do povo para a revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica vitoriosa (esta \u00e9 a sua tarefa mais imediata) nem lutar juntamente com os seus irm\u00e3os prolet\u00e1rios da Europa pela revolu\u00e7\u00e3o socialista sem reivindicar desde j\u00e1 completa, e sem reservas, a liberdade para todas as na\u00e7\u00f5es oprimidas pelo tsarismo, de se separarem da R\u00fassia (1981, p. 277-278).<\/p>\n<p>De forma semelhante tamb\u00e9m pensava Trotsky, como vemos nesta instrutiva compara\u00e7\u00e3o com o direito das mulheres ao aborto:<\/p>\n<p>A burocracia do Kremlin diz \u00e0 mulher sovi\u00e9tica: como no nosso pa\u00eds h\u00e1 socialismo voc\u00ea deve ser feliz e n\u00e3o abortar (ou sofrer o castigo consequente). Aos ucranianos lhes diz: como a revolu\u00e7\u00e3o socialista resolveu a quest\u00e3o nacional \u00e9 seu dever ser feliz na URSS e renunciar \u00e0 toda ideia de separa\u00e7\u00e3o (ou aceitar o esquadr\u00e3o de fuzilamento)<\/p>\n<p>O que diz o revolucion\u00e1rio \u00e0 mulher? \u201cDeve ser voc\u00ea a decidir se quer um filho; eu defenderei o seu direito ao aborto contra pol\u00edcia do Kremlin\u201d. Ao povo ucraniano lhe diz: \u201cO que a mim me importa \u00e9 a sua atitude sobre o seu destino nacional e n\u00e3o os sofismas \u2018socialistas\u2019 da pol\u00edcia do Kremlin; apoiarei a sua luta pela independ\u00eancia com todas as minhas for\u00e7as!\u201d. (1939).<\/p>\n<p>Observem que o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o \u2013 tal qual o direito ao aborto \u2013 n\u00e3o significa uma exig\u00eancia \u00e0 \u201csepara\u00e7\u00e3o\u201d, mas sim o reconhecimento e o apoio ao direito de uma na\u00e7\u00e3o oprimida se independentizar.<\/p>\n<p>Por isso Putin chamou de loucura essa pol\u00edtica defendida por Lenin: demos a eles o direito de deixar a URSS sem termos ou condi\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 uma loucura\u201d. E enalteceu Stalin, que suprimiu com sangue todas as aspira\u00e7\u00f5es nacionais dos povos sovi\u00e9ticos e imp\u00f4s uma opress\u00e3o brutal do nacionalismo gr\u00e3o russo, em continuidade direta com a pol\u00edtica czarista que Lenin combateu frontalmente.<\/p>\n<p>Os preconceitos gr\u00e3o russos contra chechenos, georgianos e cazaquistaneses, alimentados por d\u00e9cadas pela burocracia stalinista, s\u00e3o partes do preconceito racial e xenof\u00f3bico fomentado dentro da pr\u00f3pria R\u00fassia contra imigrantes negros, \u00e1rabes, asi\u00e1ticos e latinos. Como dissemos em texto anterior<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, a R\u00fassia chegou a ser o terceiro pa\u00eds que mais recebia imigrantes no mundo, utilizando amplamente da for\u00e7a de trabalho barata de imigrantes vindos das ex-rep\u00fablicas sovi\u00e9ticas, em especial da \u00c1sia Central e do C\u00e1ucaso.<\/p>\n<p>Para termos uma ideia, segundo dados do Comit\u00ea Organizador da Copa do Mundo da R\u00fassia, em 2018, cerca de 50% dos oper\u00e1rios que trabalharam na constru\u00e7\u00e3o das obras do Mundial eram imigrantes, majoritariamente vindos das na\u00e7\u00f5es que constitu\u00edam a URSS.<\/p>\n<p>Imigrantes que ocupam os piores postos de trabalho e recebem os piores sal\u00e1rios:<\/p>\n<p>Boa parte dos taxistas, gar\u00e7onetes, faxineiras, oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o civil, entre outros, tem algo em comum em Moscou &#8211; s\u00e3o imigrantes de pa\u00edses que compunham a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS). S\u00e3o homens e mulheres que deixaram Casaquist\u00e3o, Quirguist\u00e3o, Tajiquist\u00e3o, Turcomenist\u00e3o, Usbequist\u00e3o, pa\u00edses da \u00c1sia Central para tentar uma vida melhor em Moscou e em outras grandes cidades do pa\u00eds, mas se sentem discriminados por parte da sociedade russa<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>Por seu turno, esse preconceito racial e xenof\u00f3bico fomentado pelo stalinismo contra as na\u00e7\u00f5es oprimidas que compunham \u00e0 for\u00e7a a Uni\u00e3o das Rep\u00fablicas Socialistas Sovi\u00e9ticas (URSS) reproduziu-se e ganhou forma tamb\u00e9m em cada um desses pa\u00edses, como a Ucr\u00e2nia, especialmente com negros e \u00e1rabes.<\/p>\n<p><strong>Lutar contra o racismo e a xenofobia para unir o proletariado<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Os odiosos casos de racismo e xenofobia contra refugiados negros t\u00eam sido usados por setores pr\u00f3-R\u00fassia como justificativa para a agress\u00e3o militar contra a Ucr\u00e2nia. Com justi\u00e7a, organiza\u00e7\u00f5es e ativistas do movimento negro t\u00eam denunciado o racismo contra refugiados, por\u00e9m chegando a conclus\u00f5es de que a Ucr\u00e2nia \u00e9 um pa\u00eds irrecuperavelmente racista (ou at\u00e9 mesmo nazista) e que por isso dever\u00edamos apoiar as tropas russas.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m aqueles que concluem que \u2013 diante da como\u00e7\u00e3o desigual com refugiados brancos europeus e refugiados negros vindos da \u00c1frica, de \u00e1rabes da S\u00edria, e de latino americanos \u2013 j\u00e1 temos problemas internos demais no Brasil para se preocupar com o que acontece no Leste Europeu, num conflito que, supostamente, s\u00f3 envolveria brancos.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, toda essa postura de desconfian\u00e7a e at\u00e9 indiferen\u00e7a \u00e9 compreens\u00edvel pois tem uma base na realidade: os abundantes casos de racismo contra negros refugiados e, por outro lado, o racismo deslavado que n\u00e3o d\u00e1 a m\u00ednima quando a guerra e seus horrores acometem pa\u00edses da periferia do capitalismo e sua popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o branca.<\/p>\n<p>No entanto, o racismo contra nossos irm\u00e3os imigrantes negros n\u00e3o pode nos fazer perder de vista por nenhum instante que a resist\u00eancia do povo ucraniano \u00e9 a resist\u00eancia contra a opress\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o muit\u00edssimo mais poderosa, a R\u00fassia. \u00c9 a luta de um povo oprimido pelo direito \u00e0 sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Para n\u00f3s, socialistas, \u00e9 preciso lutar contra todas as opress\u00f5es para unirmos a classe trabalhadora, condi\u00e7\u00e3o fundamental para que ela consiga vencer seus grandes inimigos: os governos burgueses, a burguesia e o imperialismo.<\/p>\n<p>Por isso, devemos exigir o direito inalien\u00e1vel e em iguais condi\u00e7\u00f5es dos imigrantes negros e \u00e1rabes que viviam na Ucr\u00e2nia de se refugiarem e com direito \u00e0 dupla cidadania no pa\u00eds em que decidam viver. E denunciaremos implacavelmente qualquer forma de racismo e xenofobia.<\/p>\n<p>Por \u00faltimo, acreditamos que \u00e9 tarefa de todo o movimento negro e prolet\u00e1rio, em n\u00edvel internacional, se posicionar firmemente contra a invas\u00e3o militar russa e em defesa do povo ucraniano.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>L\u00c9NINE, V.I. O proletariado e o direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. In: <strong>Obras Escolhidas em Seis Tomos 2. <\/strong>Lisboa: Avante!; Moscou: Progresso, 1984.<\/p>\n<p>TROTSKY, Leon. A Independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia e a Confus\u00e3o Sect\u00e1ria. <strong>Arquivo Marxista na Internet<\/strong>, M\u00e9xico, 30 jul. 1939. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1939\/07\/30.htm&gt;. Acesso em: 30 abr. 2020.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2022\/02\/28\/guerra-ucrania-russia-feridos-mortos.htm?cmpid=copiaecola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">h<\/a><a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2022\/02\/28\/guerra-ucrania-russia-feridos-mortos.htm?cmpid=copiaecola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ttps:\/\/noticias.uol.com.br\/internacional\/ultimas-noticias\/2022\/02\/28\/guerra-ucrania-russia-feridos-mortos.htm?cmpid=copiaecola<\/a>. Acesso em 01 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2022\/03\/1113052\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/news.un.org\/en\/story\/2022\/03\/1113052<\/a>. Acesso em 01 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2022\/02\/pessoas-negras-na-ucrania-dizem-ser-alvo-de-racismo-e-barradas-em-trens-ao-tentar-fugir.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2022\/02\/pessoas-negras-na-ucrania-dizem-ser-alvo-de-racismo-e-barradas-em-trens-ao-tentar-fugir.shtml<\/a>. Acesso 01 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2022\/02\/pessoas-negras-na-ucrania-dizem-ser-alvo-de-racismo-e-barradas-em-trens-ao-tentar-fugir.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mundo\/2022\/02\/pessoas-negras-na-ucrania-dizem-ser-alvo-de-racismo-e-barradas-em-trens-ao-tentar-fugir.shtml<\/a>. Acesso 01 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/verapstu\/status\/1498674320658288652\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/twitter.com\/verapstu\/status\/1498674320658288652<\/a>. Acesso em 01 mar. 2022; ver tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/twitter.com\/redfishstream\/status\/1497969331484909570\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/twitter.com\/redfishstream\/status\/1497969331484909570<\/a>. Acesso em 01 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/declaracao-conjunta-justica-para-moise-kabagambe-basta-de-violencia-racista-e-xenofoba\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/declaracao-conjunta-justica-para-moise-kabagambe-basta-de-violencia-racista-e-xenofoba\/<\/a>. Acesso em 03 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/thais-oyama\/2022\/03\/02\/whatsapp-mostra-que-apego-de-bolsonaro-a-putin-vai-alem-dos-negocios.htm?cmpid=copiaecola\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/noticias.uol.com.br\/colunas\/thais-oyama\/2022\/03\/02\/whatsapp-mostra-que-apego-de-bolsonaro-a-putin-vai-alem-dos-negocios.htm?cmpid=copiaecola<\/a>. Acesso em 03 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/a-russia-sob-putin\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/a-russia-sob-putin\/<\/a>. Acesso em 02 mar. 2022.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Ver: <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/amp\/esportes\/futebol\/copa-do-mundo\/ta-russo-50-dos-operarios-sao-da-ex-urss-e-o-preconceito-e-grande,330cc22bc12e704ddca06b82582c65cbmxhybt67.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.terra.com.br\/amp\/esportes\/futebol\/copa-do-mundo\/ta-russo-50-dos-operarios-sao-da-ex-urss-e-o-preconceito-e-grande,330cc22bc12e704ddca06b82582c65cbmxhybt67.html<\/a>. Acesso em 03 mar. 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A criminosa invas\u00e3o militar russa \u00e0 Ucr\u00e2nia, no dia 24 de fevereiro deste ano, fez da Europa o palco de uma guerra com consequ\u00eancias ainda imprevis\u00edveis. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ucraniano, em quatro dias de conflitos 2.040 civis ficaram feridos em ataques da R\u00fassia ao pa\u00eds, sendo 45 delas crian\u00e7as[1]. 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