{"id":66202,"date":"2022-02-28T12:42:29","date_gmt":"2022-02-28T15:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66202"},"modified":"2022-02-28T12:42:29","modified_gmt":"2022-02-28T15:42:29","slug":"absolutamente-ao-servico-da-ue-e-dos-patroes-o-novo-governo-de-costa-nao-traz-novidades-para-os-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/28\/absolutamente-ao-servico-da-ue-e-dos-patroes-o-novo-governo-de-costa-nao-traz-novidades-para-os-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Absolutamente ao servi\u00e7o da UE e dos patr\u00f5es: o novo governo de Costa n\u00e3o traz novidades para os trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><em>Depois de 6 anos de Geringon\u00e7a, as elei\u00e7\u00f5es de 30 de janeiro deram maioria absoluta ao PS para governar. O governo ser\u00e1 novo, mas a receita ser\u00e1 a mesma.<\/em><!--more--><\/p>\n<p>O PS ficou t\u00e3o desgastado com as pol\u00edticas anti-trabalhadores do governo S\u00f3crates que, em 2015, mesmo depois de 4 anos de troika, n\u00e3o consegue ganhar as elei\u00e7\u00f5es e tem de negociar a Geringon\u00e7a para poder governar.<\/p>\n<h3 id=\"a-geringonca-nao-serviu-os-trabalhadores\"><strong>A Geringon\u00e7a n\u00e3o serviu os trabalhadores\u2026<\/strong><\/h3>\n<p>Nestes 6 anos, o governo de Costa, apoiado no Parlamento pela esquerda, prometeu governar \u00e0 esquerda, mas apesar do crescimento econ\u00f3mico do per\u00edodo 2015-2019, foi incapaz de reverter a austeridade aplicada pela Troika: retirou medidas pontuais e marginais, mas manteve os aspetos centrais do projeto da Troika (que de facto \u00e9 o da Uni\u00e3o Europeia) para Portugal: um pa\u00eds perif\u00e9rico e dependente, centrado na subservi\u00eancia \u00e0s multinacionais, a quem fornece acima de tudo m\u00e3o-de-obra barata, com o centro da sua atividade no turismo e nos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>PCP e BE apoiaram v\u00e1rios or\u00e7amentos que mantiveram a austeridade para os trabalhadores. Alimentaram o discurso do mal menor e de que teriam conseguido conquistas, que nunca o foram. Apoiaram o Governo quando este reprimiu os trabalhadores em greve e quando aplicou estados de emerg\u00eancia que suspenderam o direito \u00e0 greve. Sustentaram, portanto, o projeto neoliberal e contra os trabalhadores do PS, propondo aos trabalhadores que seria na negocia\u00e7\u00e3o no Parlamento e com os patr\u00f5es que seria poss\u00edvel melhorar as suas vidas. Nunca questionaram a EU e os seus constrangimentos. Perante o desgaste da sua posi\u00e7\u00e3o, decidiram n\u00e3o votar mais os Or\u00e7amentos do PS, mas ficaram ref\u00e9ns do discurso do mal menor que tinham constru\u00eddo esses anos: salvaram o PS, que se alimentou deles para posar de esquerda, enquanto governa para os patr\u00f5es e para a EU como sempre fez.<\/p>\n<p>Perante a hip\u00f3tese de regresso da direita, a falta de alternativas n\u00edtidas \u00e0 esquerda e o crescimento da extrema-direita em Portugal, o peso do voto \u00fatil foi grande e a impens\u00e1vel maioria absoluta veio. O PS conseguiu a sua segunda maioria absoluta do p\u00f3s-25 de abril, no \u00e1pice do seu processo de reconstru\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a derrota de 2015. A responsabilidade da esquerda em ter falhado na defesa daqueles que diz defender \u00e9 incontorn\u00e1vel.<\/p>\n<h3 id=\"a-maioria-absoluta-tambem-nao-o-fara\"><strong>\u2026a maioria absoluta tamb\u00e9m n\u00e3o o far\u00e1<\/strong><\/h3>\n<p>As ag\u00eancias de rating internacional avaliaram positivamente a vit\u00f3ria do PS, pois consideram que traz estabilidade para o cumprimento dos compromissos no pagamento da d\u00edvida, no cumprimento do d\u00e9fice e na aplica\u00e7\u00e3o dos Fundos do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o e Resili\u00eancia (PRR). A rea\u00e7\u00e3o internacional \u00e0 maioria absoluta do PS, bem como a dos patr\u00f5es nacionais, mostra bem a quem servir\u00e1 este Governo.<\/p>\n<p>Se quando dependia do apoio da esquerda, e num contexto de crescimento econ\u00f3mico internacional, o Governo atacou os trabalhadores salvaguardando as multinacionais; se durante a crise da pandemia a receita do PS foi dar dinheiro \u00e0s grandes empresas, enquanto colocava sobre as costas dos trabalhadores os custos da \u201ccrise pand\u00e9mica\u201d, ent\u00e3o agora, num cen\u00e1rio de incerteza internacional sobre a evolu\u00e7\u00e3o da Covid, sobre as capacidades de recupera\u00e7\u00e3o da economia, nada de melhor devemos esperar.<\/p>\n<p>No seu programa eleitoral, o PS apresentava 12 prioridades para os pr\u00f3ximos 4 anos. As duas primeiras prioridades dizem tudo: conseguir um crescimento acima da m\u00e9dia da UE, manter o cumprimento do d\u00e9fice e reduzir a d\u00edvida p\u00fablica.<\/p>\n<h3 id=\"cumprir-as-regras-da-ue-ou-garantir-direitos-sociais\"><strong>Cumprir as regras da UE ou garantir direitos sociais?<\/strong><\/h3>\n<p>O crescimento portugu\u00eas serve a quem? Os dinheiros do PRR v\u00e3o ser injetados nas grandes empresas, ao mesmo tempo que o modelo econ\u00f3mico do pa\u00eds est\u00e1 sustentado em baixos sal\u00e1rios. Os aumentos do sal\u00e1rio m\u00ednimo s\u00e3o comidos pelos pre\u00e7os exorbitantes da habita\u00e7\u00e3o, e agora pelo crescimento da infla\u00e7\u00e3o. A destrui\u00e7\u00e3o dos contratos coletivos ou a coloca\u00e7\u00e3o de sistemas de trav\u00e3o nas carreiras, alimentam uma generaliza\u00e7\u00e3o cada vez maior dos sal\u00e1rios baixos. Nada disso o PS prop\u00f5e mudar. Por isso, se a economia crescer, n\u00e3o se far\u00e1 sentir para quem trabalha.<\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 imposs\u00edvel cumprir com os limites do d\u00e9fice, alimentar o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e, ao mesmo tempo, implementar medidas sociais. Nesse sentido, \u00e9 incompat\u00edvel ser o bom aluno da UE e cumprir propostas que implicam investimento p\u00fablico, como a cobertura de 80% da popula\u00e7\u00e3o com Unidades de Sa\u00fade Familiar (m\u00e9dico de fam\u00edlia), que Costa j\u00e1 tinha prometido e n\u00e3o cumpriu. O mesmo para outras medidas relativas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou ao cuidado de idosos. Lembremos que Costa e Centeno foram os reis das cativa\u00e7\u00f5es, ou seja, n\u00e3o aplicar grande parte do or\u00e7amento dos servi\u00e7os p\u00fablicos aprovado em Parlamento. Agora n\u00e3o ser\u00e1 diferente.<\/p>\n<h3 id=\"as-farsas-da-agenda-do-trabalho-digno-e-do-combate-as-alteracoes-climaticas\"><strong>As farsas da \u201cAgenda do Trabalho Digno\u201d e do combate \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas<\/strong><\/h3>\n<p>Prop\u00f5e-se uma suposta redu\u00e7\u00e3o da precariedade, mas sem reverter as medidas do C\u00f3digo Laboral da Troika e ao mesmo tempo que se mant\u00eam as empresas de trabalho tempor\u00e1rio, os falsos recibos verdes e as falsas bolsas de estudo. A t\u00e3o badalada possibilidade de uma semana de quatro dias, nas m\u00e3os de um governo que imp\u00f4s a maior reestrutura\u00e7\u00e3o na TAP\/Groundforce ou promove a generaliza\u00e7\u00e3o do trabalho por turnos (como na AE), nada nos deve animar, e pelo contr\u00e1rio deixar alerta para as possibilidades de redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e precariza\u00e7\u00e3o que da\u00ed poder\u00e3o vir.<\/p>\n<p>Finalmente, o programa de Costa prop\u00f5e que 80% da eletricidade seja produzida com energias renov\u00e1veis. Todavia, os planos de explora\u00e7\u00e3o de l\u00edtio mostram bem como o Governo encara o tema clim\u00e1tico: arrasa sobre trabalhadores e popula\u00e7\u00f5es em nome dos interesses das multinacionais. A seca extrema que atinge o pa\u00eds mostra os problemas do recurso \u00e0s centrais hidroel\u00e9tricas, ao mesmo tempo que as propostas de fazer uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica sem enfrentar os interesses das multinacionais e \u00e0s custas do fecho de centrais sacrificando postos de trabalho n\u00e3o podem ser aceit\u00e1veis.<\/p>\n<h3 id=\"e-absolutamente-necessario-preparar-as-lutas\">\u00c9 absolutamente necess\u00e1rio\u2026 preparar as lutas!<\/h3>\n<p>O modelo da \u201cbazuca\u201d, vocacionado para alimentar as grandes empresas, mostra bem que a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica do pa\u00eds ser\u00e1 feita \u00e0s custas de grandes lucros para uma minoria e maiores sacrif\u00edcios para os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Com a maioria absoluta, o governo do PS est\u00e1 mais fortalecido para aplicar os seus planos ao servi\u00e7o da UE, das multinacionais e dos grandes patr\u00f5es, e ter\u00e1 ainda mais m\u00e3o dura.<\/p>\n<p>Os setores mais explorados e oprimidos n\u00e3o devem, por isso, esperar mais direitos e melhores tempos. Pelo contr\u00e1rio, devem saber que a prosperidade dos de cima ser\u00e1 roubada aos de baixo. Por isso, devemos preparar-nos para ter de arrancar com luta pelos nossos direitos e proteger-nos de ainda mais ataques. Nos querem fazer crer que vir\u00e3o tempos de ganhos para todos, no entanto o direito \u00e0 sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o trabalho e fam\u00edlia, entre tantos outros, ter\u00e1 de ser conquistado e n\u00e3o dado.<\/p>\n<h5 id=\"maria-silva\">Maria Silva<\/h5>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de 6 anos de Geringon\u00e7a, as elei\u00e7\u00f5es de 30 de janeiro deram maioria absoluta ao PS para governar. O governo ser\u00e1 novo, mas a receita ser\u00e1 a mesma.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":23789,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140],"tags":[4541,354],"class_list":["post-66202","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","tag-costa","tag-portugal-2"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/GettyImages-661775260-1160x773-1.jpg","categories_names":["Portugal"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66202\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/23789"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}