{"id":66082,"date":"2022-02-15T12:02:26","date_gmt":"2022-02-15T15:02:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=66082"},"modified":"2022-02-15T12:02:26","modified_gmt":"2022-02-15T15:02:26","slug":"stalinismo-e-pan-africanismo-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/15\/stalinismo-e-pan-africanismo-parte-ii\/","title":{"rendered":"Stalinismo e Pan-Africanismo \u00a0&#8211; Parte II"},"content":{"rendered":"<p><em>Este \u00e9 o segundo texto da s\u00e9rie de artigos que estamos publicando para combater a ideologia que busca colocar um sinal de igual entre stalinismo, marxismo e pan-africanismo, como est\u00e3o tentando fazer os neo stalinistas.<\/em><\/p>\n<p><em>Neste segundo artigo retomaremos o que levou \u00e0 ruptura de George Padmore com o stalinismo, a realiza\u00e7\u00e3o do V Congresso Pan-Africano, os pontos de acordo entre o pan-africanismo e o marxismo, suas diferen\u00e7as e o que consideramos seus maiores erros.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Asdrubal Barboza<\/p>\n<p><strong>Stalin leva a Comintern a abandonar a luta pela independ\u00eancia colonial<\/strong><\/p>\n<p>Ao romper com o stalinismo, George Padmore se transformou no mais importante representante de todo um setor da vanguarda negra mundial que rompeu com esta corrente em virtude de suas trai\u00e7\u00f5es, fruto do abandono da \u201cQuest\u00e3o Negra\u201d, na perspectiva que haviam sido constru\u00eddas por Marx, Engels e Lenin.<\/p>\n<p>Infelizmente ao realizar esta ruptura progressiva, Padmore se aproximou das ideias e propostas pan-africanistas que n\u00e3o faziam uma delimita\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica de classe e que mantinham expectativas na pol\u00edtica imperialista. Em seu livro \u201cPan-Africanism or Communism?\u201d, publicado em 1954, Padmore explicita estas posi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por um lado, seu objetivo foi demostrar a pol\u00edtica criminosa da Comintern, que, nesta \u00e9poca, tinha como principal dirigente Georgi Dimitrov, fiel disc\u00edpulo de Stalin. Assumiu uma posi\u00e7\u00e3o diferente de alguns escritores como Hakim Adi, que consideram que a diferen\u00e7as eram somente circunstanciais, particularmente com as organiza\u00e7\u00f5es que sofriam mais press\u00e3o do imperialismo, como os PCs franc\u00eas e brit\u00e2nico, e que foram criticados por inatividade e por n\u00e3o exigir abertamente a independ\u00eancia das col\u00f4nias<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Para Padmore a posi\u00e7\u00e3o destes partidos se enquadrava na pol\u00edtica geral stalinista de abandonar a luta colonial.<\/p>\n<p>Em seu livro Padmore come\u00e7a reivindicando as posi\u00e7\u00f5es leninistas aprovadas nos primeiros congressos da IIIa Internacional, inclusive cita como exemplo positivo as 21 condi\u00e7\u00f5es para a admiss\u00e3o dos partidos na Internacional, assim como a obra de Lenin: \u201cImperialismo, fase superior do capitalismo<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u201d. Principalmente com respeito \u00e0s caracteriza\u00e7\u00f5es sobre: a internacionaliza\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de capitais; a forma\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios; e a transforma\u00e7\u00e3o de pa\u00edses e continentes em economias dependentes dos pa\u00edses imperialistas;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> entre outros conceitos. Para ele, o marxismo era um aliado na \u201cQuest\u00e3o Nacional e Colonial\u201d, sendo esta uma \u201carma t\u00e1tica<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u201d fundamental para o crescimento do comunismo nos pa\u00edses \u201c<em>atrasados e pouco desenvolvidos, povoados em grande parte por ra\u00e7as de cor<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, criticou o giro feito pela Internacional e os partidos na d\u00e9cada de 1930, que configurou o abandono da luta pela independ\u00eancia colonial, em virtude da subordina\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica stalinista de \u201c<em>socialismo em um s\u00f3 pais\u201d<\/em>, e de \u201c<em>coexist\u00eancia pac\u00edfica<\/em>\u201d. Concretamente denunciou a deser\u00e7\u00e3o dos comunistas brit\u00e2nicos e indianos da luta pela liberta\u00e7\u00e3o nacional da \u00cdndia, que passou a ser liderada pelo Partido do Congresso, assim como n\u00e3o cumpriram um papel relevante na luta do Paquist\u00e3o e Ceil\u00e3o. Bem como a atitude dos comunistas franceses de enfraquecer a \u201cLiga Contra o Imperialismo\u201d, que tinham uma penetra\u00e7\u00e3o e uma organiza\u00e7\u00e3o muito maior que a brit\u00e2nica<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, o que teve como consequ\u00eancia a pouca atua\u00e7\u00e3o nos movimentos nacionalistas da: Arg\u00e9lia, Tun\u00edsia e Marrocos, que de maneira geral se desenvolveram de maneira aut\u00f4noma e entraram em conflito com a pol\u00edtica comunista subordinada ao partido franc\u00eas.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Na \u00c1frica negra, isso se refletiu na pouca atua\u00e7\u00e3o nos processos independentistas do Sud\u00e3o, Costa do Ouro e Nig\u00e9ria. Na \u00c1frica do Sul, Padmore acreditava que se o Comitern \u201c<em>tivesse permitido ao partido sul-africano mais liberdade, afirmasse sua iniciativa e se desenvolvesse de acordo com as condi\u00e7\u00f5es locais, teria se tornado uma verdadeira for\u00e7a entre os Bantus<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Padmore concluiu que a pol\u00edtica stalinista \u201c<em>que, at\u00e9 a liquida\u00e7\u00e3o da internacional comunista em 1943, ditava as pol\u00edticas dos partidos estrangeiros\u201d <\/em>colocando seus interesses \u201c<em>em primeiro lugar e em \u00faltimo lugar os do pr\u00f3prio pa\u00eds <\/em>(coloniais)\u201d.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Uma vis\u00e3o bastante distinta apresentada no livro de Hakim Adi de que \u201c<em>a perspectiva pan-africanista do Comintern criou condi\u00e7\u00f5es para o novo pan-africanismo de influ\u00eancia marxista durante a d\u00e9cada de 1930 e talvez tenha atingido seu apogeu com a convoca\u00e7\u00e3o do Congresso Pan-Africano de Manchester em 1945 (\u2026) Mais importante, talvez, o Comintern refor\u00e7ou poderosamente a vis\u00e3o internacionalista e a perspectiva revolucion\u00e1ria no movimento Pan-Africano (<\/em>\u2026)\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Por outro lado, ao estabelecer esta ruptura, Padmore passou a propagar a ideia de que se os movimentos de independ\u00eancia africanos n\u00e3o estivessem vinculados \u00e0 URSS e tamb\u00e9m n\u00e3o tivessem uma estrat\u00e9gia comunista, ele poderia arregimentar apoio e aliados para a causa independentista negra entre os setores \u201cprogressistas\u201d dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>Ao final, Padmore passou a defender que a pol\u00edtica stalinista s\u00f3 poderia ser combatida pelo pan-africanismo, assim como tribalismo, apesar de considerar que o comunismo n\u00e3o era uma amea\u00e7a imediata:<\/p>\n<p>\u201c<em>A \u00fanica for\u00e7a que pode combater este perigo de forma eficaz \u00e9 o pan-africanismo que defende a forma\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos nacionais de base democr\u00e1tica com bases n\u00e3o tribais e n\u00e3o regionais. O melhor exemplo de uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o regional e n\u00e3o tribal na \u00c1frica hoje \u00e9 a Conven\u00e7\u00e3o do Povo em Costa do Ouro (&#8230;) em nossa luta pela liberdade nacional, pela dignidade humana e pela reden\u00e7\u00e3o social, o pan-africanismo oferece uma alternativa ideol\u00f3gica ao comunismo de um lado e ao tribalismo do outro. Rejeita tanto o racismo branco quanto o chauvinismo negro. Ela defende a coexist\u00eancia racial, com base na igualdade absoluta e respeito pela personalidade humana. O pan-africanismo olha acima dos estreitos limites de classe, ra\u00e7a, tribo e religi\u00e3o. Em outras palavras, ele quer oportunidades iguais para todos. (&#8230;) A sua perspectiva abrange a federa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses aut\u00f3nomos regionais e o seu am\u00e1lgama final em um Estado Unido da \u00c1frica\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p><strong>O V\u00ba Congresso Pan-Africano<\/strong><\/p>\n<p>Ao entender que \u201c<em>os negros foram jogados aos lobos<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>, Padmore evoluiu em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s posi\u00e7\u00f5es policlassistas do pan-africanismo, abandonando o crit\u00e9rio de classe, que ele mesmo havia defendido at\u00e9 a d\u00e9cada de 1930<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. O centro de sua pol\u00edtica passou a ser a luta pela constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cfrente anti-imperialista dos povos\u201d, com nacionalistas e reformistas<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Participou da funda\u00e7\u00e3o da Pan Afric Federation (PAF) em 1944, em Manchester e organizou o V\u00ba Congresso Pan Africano, em 1945.<\/p>\n<p>Este Congresso representou uma mudan\u00e7a pol\u00edtica profunda no movimento Pan-Africano, considerado o mais significativo de todos os congressos desde a Confer\u00eancia de Londres em 1900. Diferente tanto pela composi\u00e7\u00e3o social, como pelas resolu\u00e7\u00f5es adotadas.<\/p>\n<p>Pela primeira vez os delegados eram representantes de organiza\u00e7\u00f5es sindicais internacionais, como a Federa\u00e7\u00e3o Sindical Mundial, e dirigentes sindicais do Caribe e \u00c1frica. Al\u00e9m da presen\u00e7a de quadros africanos como: Azikiwe Nandi<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, Jomo Kenyatta e Kwame Nkrumah, DuBois era o \u00fanico afro-americano presente.<\/p>\n<p>Podemos dizer que o Congresso estabeleceu um \u201cnovo tipo\u201d de Pan-Africanismo, anti-imperialista e internacionalista, com uma perspectiva anticapitalista, mas de conte\u00fado com posi\u00e7\u00f5es social-democratas e reformistas. Buscando basear-se nas massas populares das col\u00f4nias, vendo-as como a principal for\u00e7a na luta anticolonial, apesar de n\u00e3o dar uma delimita\u00e7\u00e3o de classe, e adotando um entendimento policlassista na perspectiva da tomada do poder. Antes primavam as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de Garvey e DuBois, que davam mais peso ao conte\u00fado racial do que ao car\u00e1ter pol\u00edtico e anti-imperialista das reivindica\u00e7\u00f5es. Os elementos progressivos das delibera\u00e7\u00f5es do V\u00ba Congresso foram adotados a partir das interven\u00e7\u00f5es de Padmore e Nkrumah.<\/p>\n<p>O manifesto final saiu com a determina\u00e7\u00e3o dos povos africanos lutarem por sua independ\u00eancia e liberdade, denunciando os monop\u00f3lios capitalistas. Concretamente reclamando a imediata independ\u00eancia das col\u00f4nias francesas e brit\u00e2nicas do Oeste da \u00c1frica, Sud\u00e3o, Norte da \u00c1frica (Arg\u00e9lia, Tun\u00edsia e Marrocos) e da L\u00edbia com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 It\u00e1lia. Defendia ainda reformas constitucionais em todos os pa\u00edses, direitos civis para todos os ind\u00edgenas, aboli\u00e7\u00e3o das discrimina\u00e7\u00f5es raciais.<\/p>\n<p>Assim como se pronunciou pela retirada das tropas brit\u00e2nicas do Egito e pelo fim da discrimina\u00e7\u00e3o racista na \u00c1frica do Sule e tamb\u00e9m apoiou a luta pelos direitos civis dos afrodescendentes norte-americanos nos Estados Unidos. Exigindo o cumprimento da \u201cCarta do Atl\u00e2ntico\u201d para a \u00c1frica. Tamb\u00e9m incorporou a luta pelo sufr\u00e1gio universal e a conquista da democracia com: pluripartidarismo e a liberdade de imprensa e o fim da repress\u00e3o contra os movimentos sociais.<\/p>\n<p>O V\u00ba Congresso tamb\u00e9m rompe com o pacifismo e admite a utiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a e da autodefesa para a conquista da independ\u00eancia colonial. Finalmente transferindo o foco para a atua\u00e7\u00e3o da luta anticolonial para o continente africano e n\u00e3o somente no continente europeu.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o Congresso, Nkrumah lan\u00e7a seu livro \u201cTowards Colonial Freedom\u201d que recha\u00e7a a \u201cmiss\u00e3o civilizadora\u201d do imperialismo brit\u00e2nico\u201d e retoma a Costa do Ouro (Gana), em 1947, onde foi preso. Em 1957, o pais conquista sua independ\u00eancia com Nkrumah sendo seu primeiro-ministro, Padmore junta-se novamente a ele neste ano para desde Acra organizar a luta panafricanista.<\/p>\n<p><strong>Erros e diferen\u00e7as do Pan-Africanismo<\/strong><\/p>\n<p>Alguns autores consideram dif\u00edcil fornecer uma defini\u00e7\u00e3o clara e precisa do Pan-africanismo. Mas isso pode servir para todas as correntes de pensamento, inclusive o \u201cmarxismo\u201d, por todas as diferen\u00e7as de abordagem e interpreta\u00e7\u00f5es que v\u00e1rios autores e correntes pol\u00edticas apresentam.<\/p>\n<p>Mas podemos estabelecer que a ess\u00eancia deste pensamento pol\u00edtico come\u00e7a com a luta pela unidade e liberta\u00e7\u00e3o da \u00c1frica, contra o colonialismo, contra a escraviza\u00e7\u00e3o e a luta pela necessidade de unidade africana. Ai tamb\u00e9m reside sua grande debilidade, pois considera que todos os africanos, do continente ou da di\u00e1spora, est\u00e3o unidos na luta ao lado de todos os povos oprimidos e explorados. Este, a bem da verdade \u00e9 o ponto de encontro entre o pan-africanismo e stalinismo, que por caminhos diferentes conclu\u00edram pelo abandono da pol\u00edtica de independ\u00eancia da classe trabalhadora frente a setores da burguesia e descartaram a centralidade da classe oper\u00e1ria como sujeito social da revolu\u00e7\u00e3o, acreditando numa comunidade \u201cpan-negra\u201d, sintetizada na formula\u00e7\u00e3o \u201c<em>uma ra\u00e7a, um povo<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Seu outro equ\u00edvoco \u00e9 criar expectativas que as pot\u00eancias imperialistas podem ter algum tipo de atitude progressiva frente \u00e0 luta independentista, quando \u00e9 justamente o contr\u00e1rio, s\u00e3o seus maiores e mais perigosos inimigos, pois sobrevivem gra\u00e7as a esta explora\u00e7\u00e3o colonial.<\/p>\n<p>Certamente h\u00e1 pontos de contato e conflu\u00eancias entre o marxismo e o pan-africanismo, como a condena\u00e7\u00e3o ao racismo e \u00e0 escravid\u00e3o negra; a necessidade de libertar a \u00c1frica do colonialismo imperialista e de construir autogovernos africanos nas na\u00e7\u00f5es africanas. Mas, para os marxistas revolucion\u00e1rios estes governos deveriam ser constitu\u00eddos por membros da classe trabalhadora negra independente dos setores burgueses africanos negros e de qualquer alian\u00e7a ou expectativa de concess\u00f5es dos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>Do ponto de vista pr\u00e1tico, a cren\u00e7a na possibilidade destas alian\u00e7as policlassistas e a subestima\u00e7\u00e3o da possibilidade de uma interven\u00e7\u00e3o imperialista<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a> na defesa de seus interesses levaram Nkrumah<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> a ser derrubado do governo em 1966, pelas mesmas for\u00e7as sociais que promoveram os assassinatos de Patrice Lumumba em 1961 e Thomas Sankara em 1987.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a atua\u00e7\u00e3o do stalinismo e do governo de Moscou, foi fundamental para impulsionar a degenera\u00e7\u00e3o, e transforma\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es que de in\u00edcio cumpriram um papel progressivo ou revolucion\u00e1rio, e se transformaram em organiza\u00e7\u00f5es burguesas pr\u00f3-imperialistas, associadas a tudo que a de pior h\u00e1 em pol\u00edtica mundial. \u00c9 o caso do MPLA em Angola, a Frelimo em Mo\u00e7ambique, o PC e o CNA na \u00c1frica do Sul, o PAIGC na Guin\u00e9, a SWAPO na Nam\u00edbia e o Zanu-PF no Zimb\u00e1bue. Que tocaremos mais adiante.<\/p>\n<p>BOX<\/p>\n<p>No pr\u00f3ximo artigo abordaremos os zig zags stalinistas em sua pol\u00edtica nos Estados Unidos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Pan-Africanism, a History, cap\u00edtulo 4.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Global Editor a<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Pan-Africanism or Communism ?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u201cAs a tactical weapon of capital importance\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u201cThis neo-marxism was allied with the National and Colonial Question as a tatical weapon of capital importance in the advancement of Communism in backward and undeveloped countries populated largely by coloured race\u201d (p. 301)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>George Padmore, \u201cPan-Africanism or Communisn ?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> George Padmore, \u201cPan-Africanism or Communisn ?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>George Padmore, \u201cPan-Africanism or Communisn ?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Pan-Africanism, a history.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>George Padmore, \u201cPan-Africanism or Communisn ?<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> \u00a0Hakim Adi,\u00a0<a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Pan-africanism and Communism<\/em><\/a><a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0:\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The Communist International, Africa and the Diaspora, 1919-1939<\/em><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Vide, George Padmore, A vida e a luta dos trabalhadores negros.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Berber Jin, George Padmore&#8217;s african revolution: reviving marxist-leninism in the pan-african tradition.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>Primeiro presidente da Nig\u00e9ria, entre 1963 e 1966<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0 Os pa\u00edses imperialistas n\u00e3o poderiam sobreviver sem a explora\u00e7\u00e3o colonial e para isso precisavam de governos fantoches e corruptos, seus aliados, nestes pa\u00edses e assim atuaram no Zaire (antigo Congo Belga) para derrubar Patrice Lumumba.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Antes havia implantado uma ditadura em Gana em 1964 que passou a atacar os direitos dos trabalhadores e perdeu totalmente sua base popular<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o segundo texto da s\u00e9rie de artigos que estamos publicando para combater a ideologia que busca colocar um sinal de igual entre stalinismo, marxismo e pan-africanismo, como est\u00e3o tentando fazer os neo stalinistas. 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