{"id":65965,"date":"2022-02-02T11:53:27","date_gmt":"2022-02-02T14:53:27","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65965"},"modified":"2022-02-02T11:53:27","modified_gmt":"2022-02-02T14:53:27","slug":"tres-anos-de-terror-da-vale-impunidade-e-mais-destruicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/02\/tres-anos-de-terror-da-vale-impunidade-e-mais-destruicao\/","title":{"rendered":"Tr\u00eas anos de terror da Vale, impunidade e mais destrui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Tudo era previsto: relat\u00f3rios, estudos, proje\u00e7\u00f5es de pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es\u2026 e de n\u00famero de mortes. Constru\u00edram galp\u00f5es, vesti\u00e1rios, refeit\u00f3rio na rota da lama. Alertas foram emitidos. Mas a diretoria da Vale seguiu seus planos, tal qual fizeram em Mariana em 2015. E a barragem rompeu. 272 mortes de oper\u00e1rios e oper\u00e1rias, homens e mulheres, pais, m\u00e3es, amigos e vizinhos. Os corpos destes foram misturados na lama t\u00f3xica da Vale e correram rio abaixo. A lama arrastou pontilh\u00e3o, casas, pousadas, mais vidas, \u00e1rvores, peixes, animais dom\u00e9sticos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU minas Gerais &#8211; Brasil<\/p>\n<p>Uma como\u00e7\u00e3o correu o mundo. Um sentimento combinado de consterna\u00e7\u00e3o e indigna\u00e7\u00e3o nos deixou sem ar, chorando por nossos companheiros trabalhadores e pelo sofrimento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Mas nem todos choraram. O governador Romeu Zema chamou de \u201cincidente\u201d. N\u00f3s chamamos de assassinatos. A justi\u00e7a burguesa, at\u00e9 hoje, n\u00e3o puniu nenhum dos altos executivos da empresa. Ao contr\u00e1rio. Um acordo judicial, aprovado na Assembl\u00e9ia Legislativa, distribui dinheiro para obras, comprando a consci\u00eancia (se \u00e9 que existe) de prefeitos, do judici\u00e1rio e deputados. Enfim, todos aqueles comprometidos com os interesses das mineradoras se esbanjaram com a morte de centenas de trabalhadores.<\/p>\n<p>E a trilha da destrui\u00e7\u00e3o segue. Segundo reportagem no jornal nacional de 18 de janeiro \u201cA atividade de minera\u00e7\u00e3o ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos anos, junto a um faturamento crescente.\u00a0O setor acumulou receita de R$ 209 bilh\u00f5es em 2020. Em 2021, a receita subiu para R$ 339 bilh\u00f5es.\u201d Tudo isso foi acompanhado pela flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o ambiental que facilita a abertura de novas \u00e1reas. Essa amplia\u00e7\u00e3o tem a ver com a transi\u00e7\u00e3o de uma economia semi-industrializada para uma economia prim\u00e1ria, baseada na exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios e alimentos, retirados da mesa dos trabalhadores.<\/p>\n<p>A flexibiliza\u00e7\u00e3o das legisla\u00e7\u00f5es ambientais, assim como das fiscaliza\u00e7\u00f5es, tem consequ\u00eancias nefastas. Assim se explica porque nada fizeram para evitar o rompimento da barragem de Fund\u00e3o, em Mariana, e de C\u00f3rrego-Feij\u00e3o, em Brumadinho. Ou mesmo porque permitiram a amplia\u00e7\u00e3o da Mina de Pau Branco, em Nova Lima, concedida em tempo recorde, onde ocorreu recentemente o rompimento do dique de conten\u00e7\u00e3o. Nesse caso recente, concess\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o foi aprovada a toque de caixa pelo Governo Estadual e a maioria do conselho estadual de meio ambiente.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as ambientais em curso, largamente denunciadas por especialistas, t\u00eam muito a ver com a destrui\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria de nossas montanhas, com as queimadas da Amaz\u00f4nia, a destrui\u00e7\u00e3o do cerrado, com o assoreamento dos rios. Em suma, est\u00e3o associadas aos objetivos de implementar cada vez mais um modelo predat\u00f3rio de extrair a renda da terra, com a minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A constante falta de \u00e1gua em dezenas de bairros de cidades em todo o Estado, as enchentes que colocaram quase a metade de munic\u00edpios em estado de emerg\u00eancia, mas tamb\u00e9m as secas e temperaturas extremas s\u00e3o consequ\u00eancias diretas. Agora, com as chuvas de dezembro e janeiro e com a cheia do Rio Paraopebas, toneladas de rejeitos depositadas no leito tr\u00eas anos atr\u00e1s foram para dentro das casas, dos mesmos familiares que perderam seus entes queridos. Destruiu centenas de pequenos propriet\u00e1rios rurais que viram a lama ser depositada em pastos e planta\u00e7\u00f5es, esterilizando terras f\u00e9rteis.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de centenas de barragens, sendo algumas com peso acima da capacidade, sem fiscaliza\u00e7\u00e3o e em vias de rompimento, trazem como consequ\u00eancia esses crimes como os de Brumadinho e Mariana. Produzem trag\u00e9dias constantes envolvendo as mineradoras e escancaram as consequ\u00eancias das privatiza\u00e7\u00f5es no Brasil. Importante lembrar que a Vale do Rio Doce \u00e9 tida como um exemplo de privatiza\u00e7\u00e3o, exemplo esse exaltado por Bolsonaro e seu ministro da economia Paulo Guedes. Uma privatiza\u00e7\u00e3o feita com argumento de pagar a d\u00edvida interna. Como vemos hoje, a d\u00edvida continua nas alturas e a privatiza\u00e7\u00e3o s\u00f3 gerou morte e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa realidade pode ser entendida dentro de um contexto em que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds exportador de comodities, o que remonta ao nosso passado colonial. Passado que ainda est\u00e1 impregnado na lama que hoje invade nossas casas, nossos bairros e rios, destruindo toda a vida que ainda resta. Exportam nossa mat\u00e9ria prima, destroem nossas florestas, assassinam nossos companheiros e companheiras e levam toda a nossa riqueza para engordar os bolsos de acionistas e banqueiros. Esse modelo ainda permanece com o apoio de todos os governos capitalistas, tanto o Governo Bolsonaro quanto os Governos Lula e Dilma.<\/p>\n<p><strong>Terror da Vale e terror capitalista!\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo decadente \u00e9 o que produz esse tipo de desastre. Assim como produz a pandemia e governos genocidas de Bolsonaro e Zema. Mariana e Brumadinho s\u00e3o exemplos de uma verdadeira guerra contra os povos, que em nome do lucro deixa que seres humanos sejam assassinados sem que haja uma puni\u00e7\u00e3o aos assassinos. \u00c9 o mesmo sistema respons\u00e1vel pela fome ao mesmo tempo em que gera lucros estratosf\u00e9ricos aos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio. O mesmo que destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia, o Pantanal e assassina pequenos agricultores, quilombolas e povos origin\u00e1rios em todo pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na outra face da mesma moeda est\u00e3o estampados os lucros de banqueiros, nacionais e internacionais, dos acionistas da Vale e dos bilion\u00e1rios que lucram com a fome e destrui\u00e7\u00e3o de nosso povo.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora nada tem a esperar desse capitalismo decadente, a n\u00e3o ser mais dor, terror e destrui\u00e7\u00e3o. Os governos, o judici\u00e1rio e o legislativo garantem a continuidade desse modelo em troca de algumas verbas parlamentares para alimentar os seus currais eleitorais.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso uma solu\u00e7\u00e3o definitiva: a expropria\u00e7\u00e3o imediata da minera\u00e7\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio daqueles que dizem n\u00e3o haver o que fazer, n\u00f3s dizemos que existe solu\u00e7\u00e3o. E ela est\u00e1 nas m\u00e3os dos que produzem toda essa riqueza: os trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o os que mais sofrem com o aumento da explora\u00e7\u00e3o e os baixos sal\u00e1rios.\u00a0 Suas casas e bairros est\u00e3o submetidos ao mesmo terror das barragens ou a enchentes que entram destruindo os poucos m\u00f3veis acumulados em d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Uma solu\u00e7\u00e3o definitiva deve mobilizar todos os atingidos. Desde os oper\u00e1rios e oper\u00e1rias da minera\u00e7\u00e3o, os pequenos e m\u00e9dios agricultores, os pequenos e m\u00e9dios comerciantes e toda a popula\u00e7\u00e3o das regi\u00f5es mineradoras. O conceito de atingido da minera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 o mesmo de anos atr\u00e1s. Agora somos todos atingidos pela minera\u00e7\u00e3o. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a destrui\u00e7\u00e3o das nascentes, as enchentes e as barragens em vias de ruptura deixam o conjunto da popula\u00e7\u00e3o mineira ref\u00e9m do capitalismo decadente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso expropriar toda a minera\u00e7\u00e3o e os bens dos principais acionistas. Basta de acordos entre governantes e mineradoras. Todos os recursos devem ser usados racionalmente para garantir a reconstru\u00e7\u00e3o dessas regi\u00f5es. Os bilh\u00f5es destinados aos acionistas devem ser usados para garantir um modelo sustent\u00e1vel de minera\u00e7\u00e3o, que respeite as comunidades e esteja a servi\u00e7o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Isso significa que precisamos enterrar definitivamente esse defunto malcheiroso chamado capitalismo. Substituir por um sistema socialista, capaz de trazer paz, emprego e garantir uma vida de qualidade da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora.<\/p>\n<p>A classe oper\u00e1ria precisa ser a primeira a se mobilizar e juntar-se a todos os atingidos, construindo comit\u00eas populares de defesa dos direitos e da vida. Essa n\u00e3o \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil, pois, enfrentaremos todo tipo de traidores e bajuladores das mineradoras. Mas \u00e9 uma tarefa necess\u00e1ria para evitar mais desastres, dor e sofrimento de nossa classe e da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora de todo o Estado.<\/p>\n<p><strong>Pela reestatiza\u00e7\u00e3o da Minera\u00e7\u00e3o sob o controle dos trabalhadores e das comunidades!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Pris\u00e3o para Schvartsman e todos os respons\u00e1veis por todos esses crimes!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Indeniza\u00e7\u00f5es Justas para todas e todos os atingidos!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora Bolsonaro e Mour\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fora Zema!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tudo era previsto: relat\u00f3rios, estudos, proje\u00e7\u00f5es de pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es\u2026 e de n\u00famero de mortes. Constru\u00edram galp\u00f5es, vesti\u00e1rios, refeit\u00f3rio na rota da lama. Alertas foram emitidos. Mas a diretoria da Vale seguiu seus planos, tal qual fizeram em Mariana em 2015. 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