{"id":65947,"date":"2022-02-01T19:22:31","date_gmt":"2022-02-01T22:22:31","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65947"},"modified":"2022-02-01T19:22:31","modified_gmt":"2022-02-01T22:22:31","slug":"stalinismo-e-pan-africanismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/02\/01\/stalinismo-e-pan-africanismo\/","title":{"rendered":"Stalinismo e Pan-Africanismo"},"content":{"rendered":"<p><em>Este \u00e9 o primeiro de tr\u00eas artigos que vamos publicar para abordar a discuss\u00e3o sobre panafricanismo e stalinismo. O objetivo \u00e9 combater o discurso dos novos defensores do stalinismo de que marxismo e stalinismo seriam a mesma coisa e que teriam as mesmas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e bases te\u00f3ricas, particularmente sobre a quest\u00e3o negra e a luta pela independ\u00eancia dos pa\u00edses africanos. Tamb\u00e9m pretendemos combater a ideia de que stalinismo e panafricanismo seriam, em ess\u00eancia, baseados nos mesmos preceitos pol\u00edticos e te\u00f3ricos e que, ao longo da hist\u00f3ria, caminharam juntos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p>O que ocorreu foi o contr\u00e1rio: o que passou a ser chamado como \u201c<em>pan-africanismo moderno<\/em>\u201d \u2013 com seus equ\u00edvocos e debilidades \u2013 foi uma rea\u00e7\u00e3o ao stalinismo e sua pol\u00edtica de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d com os pa\u00edses imperialistas, considerados progressistas. Particularmente o V Congresso Pan Africano e suas delibera\u00e7\u00f5es caminharam no sentido oposto do que defendiam os partidos comunistas baseados nas delibera\u00e7\u00f5es da III Internacional (Comintern), depois da morte de Lenin, na \u00e9poca em que passou a ser dirigida por Stalin e Dimitrov.<\/p>\n<p><strong>Caminhos opostos<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, stalinistas e neo stalinistas, buscando fugir do isolamento pol\u00edtico, continuam a desenvolver falsifica\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, te\u00f3ricas e pol\u00edticas, para ver se estabelecem um di\u00e1logo com novos setores da vanguarda que est\u00e3o na primeira linha no combate aos governos capitalistas em todo mundo, e para encobrir as trai\u00e7\u00f5es desta corrente dentro do movimento da classe trabalhadora ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o negra e a luta contra o colonialismo na \u00c1frica tentam colocar um sinal de igual entre stalinismo e panafricanismo. Vemos isso nos esfor\u00e7os feitos por Jones Manoel que em seu Facebook afirma: \u201c<em>A hist\u00f3ria do pan-africanismo se confunde com a hist\u00f3ria do marxismo e do movimento comunista<\/em>\u201d. No livro que organizou com antologias sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Africana<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Manoel cria um am\u00e1lgama entre pan-africanismo, marxismo e a hist\u00f3ria e pol\u00edtica do movimento comunista da III Internacional da era stalinista. Por ser militante do PCB tenta justificar as posi\u00e7\u00f5es assumidas pelos Partidos Comunistas ao longo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Demonstraremos que existem coincid\u00eancias, mas tamb\u00e9m diferen\u00e7as importantes entre pan-africanismo e marxismo, principalmente no que diz respeito a seu car\u00e1ter de classe. Diferen\u00e7as essas que nunca foram omitidas pelos verdadeiros pan-africanistas e que consideramos que levaram aos maiores erros dos adeptos deste movimento.<\/p>\n<p>Mas, tamb\u00e9m demonstraremos que a pol\u00edtica de Stalin e da III Internacional a partir do V Congresso foi de priorizar a \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d e as alian\u00e7as com as na\u00e7\u00f5es imperialistas consideradas \u201cprogressistas\u201d em detrimento da luta emancipadora pela independ\u00eancia dos povos coloniais, em uma verdadeira trai\u00e7\u00e3o a estes lutadores. Uma pol\u00edtica implementada pelo conjunto dos Partidos Comunistas, em particular pelos partidos que estavam localizados nos pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p><strong>Lenin e a \u00abquest\u00e3o negra\u00bb e a luta colonial<\/strong><\/p>\n<p>Lenin foi o principal impulsionador de que os revolucion\u00e1rios deveriam apoiar e participar dos movimentos de autodetermina\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias, mesmo quando estes movimentos fossem liderados pelas burguesias nacionais. Mas, diferentemente do que fizera posteriormente St\u00e1lin, Lenin defendia a necessidade de diferencia\u00e7\u00e3o e enfrentamento pol\u00edtico com estas mesmas burguesias nacionais, quando realizavam esta \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A base de partida e fundamento do programa constru\u00eddo por Lenin para a IIIa Internacional era uma continuidade direta do que havia elaborado Marx e Engels sobre o tema, em particular o reconhecimento da &#8220;<em>divis\u00e3o das na\u00e7\u00f5es em opressoras e oprimidas como um fato essencial, fundamental e inevit\u00e1vel sob o imperialismo<\/em>\u201d <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A partir da\u00ed entende-se que a luta pelo direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es oprimidas, o seu direito a independ\u00eancia, \u00e9 fundamental e essencialmente parte da luta por uma sociedade socialista mundial, isto \u00e9, a luta dos povos colonizados por sua independ\u00eancia \u00e9 um componente da revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial. E como lutadores internacionalistas era necess\u00e1rio colocar por cima de tudo os interesses de todas as na\u00e7\u00f5es \u00e0 liberdade e \u00e0 igualdade de direitos.<\/p>\n<p>Mas, ao mesmo tempo, Lenin estabelecia que a obriga\u00e7\u00e3o dos revolucion\u00e1rios era dar um car\u00e1ter e um conte\u00fado classista para esta reivindica\u00e7\u00e3o &#8211; como para todas as outras reivindica\u00e7\u00f5es fundamentais da democracia pol\u00edtica &#8211; e associ\u00e1-la \u00e0 luta revolucion\u00e1ria direta das massas pela derrocada dos governos burgueses. Para o revolucion\u00e1rio russo, a luta pelo direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o \u00e9 parte essencial da constru\u00e7\u00e3o da unidade da classe trabalhadora e a delimita\u00e7\u00e3o de classe fundamental, inclusive porque a burguesia das na\u00e7\u00f5es oprimidas sempre transforma as consignas de libera\u00e7\u00e3o nacional em engana\u00e7\u00e3o para os oper\u00e1rios utilizando esta luta para os acordos com os governos imperialistas.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Isso levou a que o IIo Congresso da IIIa Internacional inclu\u00edsse nas 21 Condi\u00e7\u00f5es de Admiss\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) <em>os Partidos de pa\u00edses cuja burguesia possui col\u00f4nias ou oprime na\u00e7\u00f5es devem ter uma linha de conduta particularmente aberta e n\u00edtida. Qualquer Partido que perten\u00e7a \u00e0 III Internacional tem como dever revelar impiedosamente as proezas dos \u00abseus\u00bb imperialistas nas col\u00f4nias, de apoiar, n\u00e3o por palavras, mas efetivamente, qualquer movimento de emancipa\u00e7\u00e3o nas col\u00f4nias, de exigir a expuls\u00e3o das col\u00f4nias dos imperialistas da metr\u00f3pole, de alimentar no cora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do pa\u00eds sentimentos verdadeiramente fraternos para com a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora das col\u00f4nias e das nacionalidades oprimidas e cultivar entre os grupos trabalhadores da metr\u00f3pole uma agita\u00e7\u00e3o cont\u00ednua contra qualquer opress\u00e3o dos povos coloniais<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><strong>St\u00e1lin contra o marxismo na quest\u00e3o nacional<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de muitas vezes reivindicar materiais de Lenin e do partido, Stalin desenvolveu uma pol\u00edtica inversa logo ap\u00f3s se consolidar no poder, e mesmo quando Lenin se encontrava no leito de morte. A primeira demonstra\u00e7\u00e3o concreta disto se deu, quando St\u00e1lin e Dzerzhinsky tratam sobre a quest\u00e3o da Ge\u00f3rgia, na qual sua pol\u00edtica \u00e9 a russifica\u00e7\u00e3o desta na\u00e7\u00e3o se utilizando de m\u00e9todos de intimida\u00e7\u00e3o e chegando, inclusive, \u00e0 agress\u00e3o f\u00edsica. Metodologia que depois foi aplicada em profundidade na Crimeia onde houve uma limpeza \u00e9tica do povo t\u00e1rtaro que habitava a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Lenin recha\u00e7ou categoricamente esses m\u00e9todos e essa pol\u00edtica de Stalin \u201co georgiano\u201d em seus \u00faltimos escritos, as notas ditadas \u00e0s suas secret\u00e1rias ao final de 1922, que depois foram publicados com o t\u00edtulo &#8220;<em>A respeito do problema das nacionalidades ou sobre a &#8216;autonomiza\u00e7\u00e3o<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>&#8220;<em>A atitude verdadeiramente prolet\u00e1ria exige de nossa parte extrema cautela, delicadeza e transig\u00eancia. O georgiano que despreza este aspecto do problema, que lan\u00e7a desdenhosamente acusa\u00e7\u00f5es de &#8220;social-nacionalismo&#8221; (quando ele mesmo n\u00e3o \u00e9 apenas um genu\u00edno e verdadeiro &#8216;social-nacionalista&#8217;, mas um rude capanga russo), esse georgiano fere, em ess\u00eancia, os interesses da solidariedade prolet\u00e1ria de classe<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Lenin prop\u00f4s castigo exemplar a todos os burocratas stalinistas respons\u00e1veis por defender a implanta\u00e7\u00e3o das normas mais severas em defesa do uso do idioma russo e contra o uso do idioma nacional das rep\u00fablicas.<\/p>\n<p>No entanto com a morte de Lenin<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> as concep\u00e7\u00f5es stalinistas se efetivaram com o controle de Stalin sobre o aparato do Estado russo e da Comintern e tiveram imediatamente consequ\u00eancias desastrosas e sangrentas para a classe oper\u00e1ria chinesa, em 1927, quando foi aplicada a pol\u00edtica frente populista, isto \u00e9, de alian\u00e7a com as burguesias nacionalistas.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica de forma\u00e7\u00e3o de \u201cFrentes Populares\u201d, elaborada por St\u00e1lin, impediu que a classe oper\u00e1ria tivesse uma posi\u00e7\u00e3o independente da burguesia sob a alega\u00e7\u00e3o de uma suposta impossibilidade de tomar o poder nos pa\u00edses coloniais, pois estes pa\u00edses \u201c<em>n\u00e3o estavam maduros<\/em>\u201d. Com isso, de fato, o objetivo era a subordina\u00e7\u00e3o dos interesses e a luta dos setores mais explorados da sociedade e da classe trabalhadora \u00e0s burguesias nacionais que queriam se apresentar como \u201canti-imperialistas&#8221;. Um dos aspectos se concretizou na teoria da \u201crevolu\u00e7\u00e3o por etapas\u201d, acompanhante insepar\u00e1vel da \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d com o imperialismo e da constru\u00e7\u00e3o do &#8220;socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds&#8221;. Teorias que afastaram a IIIa Internacional das revolu\u00e7\u00f5es coloniais no continente africano e em todo mundo.<\/p>\n<p><strong>Trotsky e a Revolu\u00e7\u00e3o Permanente<\/strong><\/p>\n<p>Trotsky tinha uma posi\u00e7\u00e3o completamente contr\u00e1ria \u00e0 de St\u00e1lin. Para o comandante do Ex\u00e9rcito Vermelho, as condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas para o Socialismo \u201cn\u00e3o apenas amadureceram, como j\u00e1 come\u00e7avam a apodrecer\u201d em todo mundo, incluindo a\u00ed os pa\u00edses coloniais.<\/p>\n<p>Os contornos finais da sua teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente foram baseados na grav\u00edssima derrota da revolu\u00e7\u00e3o chinesa de 1927, as partir dela ele generalizou suas conclus\u00f5es te\u00f3ricas para os pa\u00edses coloniais e semicoloniais na perspectiva da teoria mundial da revolu\u00e7\u00e3o. Assim, Trotsky deu continuidade \u00e0 estrat\u00e9gia leninista-marxista sobre as nacionalidades, apresentadas nas teses do II Congresso da IIIa Internacional.<\/p>\n<p>Trotsky sintetiza as conclus\u00f5es em suas teses finais, por exemplo, na:<\/p>\n<p>\u201c<em>2\u00aa. em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses de desenvolvimento burgu\u00eas tardio, particularmente os pa\u00edses coloniais e semicoloniais, a teoria da revolu\u00e7\u00e3o permanente significa que a resolu\u00e7\u00e3o completa e genu\u00edna de suas tarefas democr\u00e1ticas e de emancipa\u00e7\u00e3o nacional s\u00f3 \u00e9 conceb\u00edvel atrav\u00e9s da ditadura do proletariado como o l\u00edder da na\u00e7\u00e3o oprimida, principalmente de suas massas camponesas.<\/em>&#8220;<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>; e &#8220;<em>11\u00aa. (&#8230;) O capitalismo, ao criar um mercado mundial, uma divis\u00e3o mundial do trabalho e as for\u00e7as produtivas mundiais, se encarrega por si s\u00f3 de preparar a economia mundial em seu conjunto para a transforma\u00e7\u00e3o socialista. Este processo de transforma\u00e7\u00e3o se realizar\u00e1 com diferente ritmo segundo os diferentes pa\u00edses. Em determinadas condi\u00e7\u00f5es, os pa\u00edses atrasados podem chegar \u00e0 ditadura do proletariado antes que os avan\u00e7ados, mas mais tarde ao socialismo\u2026\u201d<\/em><a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o importam quais forem as primeiras fases de um processo revolucion\u00e1rio em diferentes pa\u00edses, isto \u00e9, como e com que setores se iniciar\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o. Para a vit\u00f3ria deste processo revolucion\u00e1rio \u00e9 imperativa a realiza\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a revolucion\u00e1ria entre o proletariado e os setores mais explorados da classe e a forma\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica baseada na vanguarda prolet\u00e1ria, organizada em um partido revolucion\u00e1rio. Com isso a tomada do poder pela classe trabalhadora estar\u00e1 destinada, em primeiro lugar, a realizar as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Estas posi\u00e7\u00f5es foram resumidas no Programa de Transi\u00e7\u00e3o, no cap\u00edtulo \u201c<em>Os pa\u00edses atrasados e o programa de reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias<\/em>\u201d:<\/p>\n<p>\u201c<em>Os pa\u00edses coloniais e semicoloniais s\u00e3o por sua pr\u00f3pria natureza pa\u00edses atrasados. Mas estes pa\u00edses atrasados vivem nas condi\u00e7\u00f5es da domina\u00e7\u00e3o mundial do imperialismo. \u00c9 por isso que seu desenvolvimento tem um car\u00e1ter combinado: re\u00fanem ao mesmo tempo as formas econ\u00f4micas mais primitivas e a \u00faltima palavra da t\u00e9cnica e da civiliza\u00e7\u00e3o capitalista. Isto \u00e9 o que determina a pol\u00edtica do proletariado dos pa\u00edses atrasados: est\u00e1 obrigado a combinar a luta pelas tarefas mais elementares da independ\u00eancia nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial&#8221;. (&#8230;) \u201cO peso relativo de cada uma das reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas e transit\u00f3rias na luta do proletariado, sua liga\u00e7\u00e3o rec\u00edproca e sua ordem de sucess\u00e3o est\u00e3o determinadas pelas particularidades e condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias de cada pa\u00eds atrasado, em uma medida consider\u00e1vel, por seu grau de atraso. No entanto, a tend\u00eancia geral do desenvolvimento revolucion\u00e1rio em todos os pa\u00edses atrasados pode ser determinada pela f\u00f3rmula da revolu\u00e7\u00e3o permanente no sentido que definitivamente lhe deram as tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es da R\u00fassia (1905, fevereiro de 1917 e outubro de 1917)\u201d<\/em>.<\/p>\n<p><strong>A coexist\u00eancia pac\u00edfica de St\u00e1lin e Dimitrov <\/strong><\/p>\n<p>Jones Manoel busca se basear nos estudos de Hakin Adi autor de \u201cPan African History\u201d para tentar passar a ideia de que: 1) a III Internacional, quando dirigida por Stalin e Greorgi Dimitrov, manteve uma linha de defesa da independ\u00eancia colonial ao inv\u00e9s de priorizar a alian\u00e7a com os governos dos pa\u00edses imperialistas que julgavam progressistas contra o nazismo; 2) que somente existiam algumas pequenas diverg\u00eancias com os partidos comunistas ingleses e franceses sobre a quest\u00e3o das lutas pela independ\u00eancia das col\u00f4nias &#8211; n\u00e3o por acaso nos principais pa\u00edses imperialistas.<\/p>\n<p>Por isso n\u00e3o nos surpreende que, como j\u00e1 citamos em artigos anteriores<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, em seu livro de antologias sobre as revolu\u00e7\u00f5es africanas n\u00e3o inclua George Padmore e nem mesmo CLR James, conhecidos marxistas que deram importantes contribui\u00e7\u00f5es para a revolu\u00e7\u00e3o negra na \u00c1frica.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Adi \u00e9 obrigado a admitir que a dissolu\u00e7\u00e3o da <em>International Trade Union Committee of Negro Workers<\/em> (Comit\u00ea Sindical Internacional de Trabalhadores Negros ITUCNW) tinha a ver com uma mudan\u00e7a em toda atua\u00e7\u00e3o da III Internacional a partir das delibera\u00e7\u00f5es do VII Congresso, de 1935<\/p>\n<p>Tanto assim que a Internacional Sindical foi dissolvida em 1937, e o Comintern se dissolveu, por ordem de St\u00e1lin, em 1943, durante a Segunda Guerra mundial. Uma pol\u00edtica que vinha sendo implementada desde a entrada da URSS na Liga das Na\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, em 1934, e com o Pacto Franco-Sovi\u00e9tico, em 1935. \u201c<em>O surgimento do fascismo e o perigo da guerra tinham igualmente levado o Comintern a reavaliar a sua aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 II Internacional e a procurar formar uma frente \u00fanica de todas as organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias assim como uma frente anti-imperialista nas col\u00f3nias. Isso levou tamb\u00e9m a uma reavalia\u00e7\u00e3o da necessidade da ISR, que acabar\u00e1 por ser dissolvida<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>Mas foi a invas\u00e3o da Eti\u00f3pia pela It\u00e1lia fascista em 1935, o grande delimitador de campo e diferenciador do movimento negro e do pan-africanismo com o stalinismo.<\/p>\n<p><strong>O abandono da Eti\u00f3pia e a ruptura de Padmore<\/strong><\/p>\n<p>George Padmore foi, por muitos, chamado com um dos \u201c<em>pais do panafricanismo<\/em>\u201d junto com Marcus Garvey e WEB Du Bois, ou pelo menos pai do \u201c<em>panafricanismo moderno<\/em>\u201d. Antes disso militou no Partido Comunista dos Estados Unidos, em 1927, quando o partido defendia a igualdade racial. Sua frente de atua\u00e7\u00e3o era o movimento negro americano, em particular o Congresso Trabalhista Negro Americano.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 1929 foi delegado (mas sem direito a voto) na 6\u00aa Conven\u00e7\u00e3o Nacional do CPUSA, e enviado \u00e0 URSS, destacado para militar no (Comit\u00ea Sindical Internacional de Trabalhadores Negros &#8211; ITUCNW) e membro do Profintern (a Red International of Labor Sindicatos) no Bureau Negro. No ITUCNW, ele foi respons\u00e1vel por editar o jornal <em>Negro Worker,<\/em> produzia panfletos e artigos para o jornal de l\u00edngua inglesa de <em>Moscou<\/em>, al\u00e9m de ser \u201cmensageiro de fundos\u201d de Moscou para v\u00e1rios partidos comunistas estrangeiros. Em julho de 1930 foi enviado para a Alemanha, onde organizou a confer\u00eancia internacional da ITUCNW em Hamburgo,\u00a0a primeira confer\u00eancia de trabalhadores negros.<\/p>\n<p>Foi quando escreveu \u201c<em>A vida e as lutas dos trabalhadores negros<\/em><strong>\u201d,<\/strong> publicado em 1931, em Londres, pela editora da Internacional Sindical Vermelha. Neste livro apresenta de maneira dial\u00e9tica a rela\u00e7\u00e3o entre ra\u00e7a e classe, e, entre explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o, tanto nos Estados Unidos como do ponto de vista internacional. Critica duramente os sindicalistas reformistas brancos da Federa\u00e7\u00e3o Americana dos Trabalhadores (AFL), da Internacional de Amsterdam e os reformistas negros, como Marcus Garvey (a quem chama de \u201c<em>demagogo e desonesto<\/em>\u201d e afirma que \u201c<em>a luta contra o garveyismo \u00e9 a maior tarefa dos trabalhadores negros<\/em>\u201d). Com um relato detalhado e impressionante da situa\u00e7\u00e3o dos negros e suas lutas na \u00c1frica, Padmore aponta as tarefas do proletariado nos pa\u00edses avan\u00e7ados, no sentido de unir for\u00e7as com seus irm\u00e3os brancos contra o inimigo comum: o capitalismo mundial. E termina repudiando a forma\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica Negra na \u00c1frica que n\u00e3o tenha um car\u00e1ter de classe e que sirva para \u201c<em>explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores por sua pr\u00f3pria ra\u00e7a<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>.<\/p>\n<p>Frente ao crescimento do nazismo, a pol\u00edtica de Stalin foi priorizar as alian\u00e7as diplom\u00e1ticas com as pot\u00eancias coloniais, como a Fran\u00e7a e a Inglaterra. George Orwell, autor do afamado \u201c<em>A revolu\u00e7\u00e3o dos bichos<\/em>\u201d, em seu artigo \u201c<em>Not Counting Niggers<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, denunciou que \u2013 por detr\u00e1s do discurso \u201cantifascista\u201d &#8211; a pol\u00edtica dos stalinistas-comunistas na Inglaterra era defender os lucros brit\u00e2nicos, apresentando Winston Churchill como um democrata, e se posicionando contra a luta pela independ\u00eancia da \u00cdndia (alegando que este pa\u00eds ainda n\u00e3o tinha capacidade para um autogoverno), de maneira semelhante \u00e0 pol\u00edtica para a \u00c1frica: \u201c<em>A cl\u00e1usula t\u00e1cita \u00e9 sempre &#8216;sem contar os negros&#8217;. Pois como podemos fazer uma &#8216;posi\u00e7\u00e3o firme&#8217; contra Hitler se estamos simultaneamente nos enfraquecendo em casa?<\/em> <em>Em outras palavras, como podemos &#8216;lutar contra o fascismo&#8217;, exceto refor\u00e7ando uma injusti\u00e7a muito mais ampla?\u201d<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Padmore estava contra virar as costas aos africanos colonizados em nome do antifascismo, com o discurso pol\u00edtico de que os inimigos dos explorados das col\u00f4nias n\u00e3o eram os imperialistas, mas apenas o movimento fascista. \u00a0Em suas palavras, \u201c<em>os negros foram jogados aos lobos<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p>Como escreveu CLR James, autor do livro cl\u00e1ssico sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Haitiana, <em>Os jacobinos Negros, <\/em><\/p>\n<p>\u201c[Padmore] u<em>ma vez na Am\u00e9rica, tornou-se um comunista ativo. Ele foi transferido para Moscou para assumir a lideran\u00e7a do escrit\u00f3rio de propaganda e organiza\u00e7\u00e3o do povo negro e l\u00e1 ele se tornou o mais conhecido e o mais confi\u00e1vel dos agitadores pela independ\u00eancia africana. Em 1935, o Kremlin, em busca de alian\u00e7as, separou a Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a, como &#8220;imperialismos democr\u00e1ticos&#8221;, da Alemanha e do Jap\u00e3o, ou seja, &#8220;os imperialismos fascistas&#8221;, alvo principal da propaganda russa e comunista. Essa distin\u00e7\u00e3o reduzia a atividade de emancipa\u00e7\u00e3o africana a uma farsa: a Alemanha e o Jap\u00e3o, de fato, n\u00e3o tinham col\u00f4nias na \u00c1frica. Padmore imediatamente rompeu todas as rela\u00e7\u00f5es com o Kremlin<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>Por isso Padmore foi vilipendiado e perseguido pelos comunistas\/stalinistas em todo o mundo, assim como pelos fascistas, vivendo sob vigil\u00e2ncia do servi\u00e7o secreto brit\u00e2nico. Na Inglaterra, em 1935, trabalhou como jornalista para jornais negros. Retornando a trabalhar com C.L.R. James; Wallace-Johson, sindicalista de Serra Leoa; Amy Ashwood Garvey e Jomo Kenyatta na <em>International African Opinion<\/em>. Formaram a International African Friends of Abyssinia (Eti\u00f3pia) neste ano, para a campanha contra a invas\u00e3o italiana fascista, um dos \u00fanicos pa\u00edses africanos independentes na \u00e9poca, e visto como o representante do ideal de liberdade e resist\u00eancia ao imperialismo. Para se ter uma ideia dos Estados Unidos, \u00e0 \u00e9poca, dois pilotos de avi\u00e3o, negros, foram combater contra os fascistas italianos, um deles Hubert Julian passou a ser conhecido como a \u201c\u00c1guia Negra do Harlem\u201d, o outro John C Robinson \u201co Condor Negro\u201d, respons\u00e1veis pela funda\u00e7\u00e3o da For\u00e7a A\u00e9rea et\u00edope.<\/p>\n<p>No entanto, a IIIa Internacional se abstinha at\u00e9 de comentar o assunto, Stalin apostava na coopera\u00e7\u00e3o entre URSS, Inglaterra e Fran\u00e7a atrav\u00e9s de uma \u201cFrente \u00danica\u201d para conter o expansionismo nazista<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Por isso desenvolvia uma postura de neutralidade diante da expl\u00edcita pol\u00edtica agressiva da Alemanha hitlerista. Para se cobrirem, denunciavam que na Eti\u00f3pia havia uma \u201cmonarquia feudal\u201d e que o rei Haile Selassie tinha liga\u00e7\u00f5es com o Imp\u00e9rio japon\u00eas.<\/p>\n<p>A Liga das Na\u00e7\u00f5es votou san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas contra a Italia, e condenou a guerra ilegal de agress\u00e3o, os stalinistas da URSS apoiaram as san\u00e7oes. Mas extra-oficialmente, os governos brit\u00e2nico e franc\u00eas n\u00e3o tomaram qualquer a\u00e7\u00e3o seria contra a Italia, os Estados Unidos continuou exportando, inclusive materiais de guerra, e os stalinistas continuaram vendendo petr\u00f3leo para a It\u00e1lia fascista, que o usava para abastecer seus avi\u00f5es e tanques na Eti\u00f3pia.<\/p>\n<p>Tentando negar estes fatos, Jones Manoel<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> se apoia em Domenico Losurdo<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> para dizer que Stalin n\u00e3o teve responsabilidade nos avan\u00e7os nazistas como a invas\u00e3o da Tchecoslov\u00e1quia, e tampouco a derrota na Eti\u00f3pia, pois, as responsabilidades \u00fanicas e exclusivas eram das \u201cpot\u00eancias ocidentais\u201d<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Avan\u00e7o das Pessoas de Cor (NAACP) nos Estados Unidos questionou o sil\u00eancio de Moscou<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Padmore fez um artigo violento contra ITUCNW, \u201cEthiopi and World Politics\u201d, na publica\u00e7\u00e3o oficial da NAACP<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>: The Crisis. A seguir denunciou a hipocrisia sovi\u00e9tica-stalinista que vendia trigo, petr\u00f3leo e carv\u00e3o para a It\u00e1lia, utilizados na guerra contra a Eti\u00f3pia<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Neste conflito, Mussolini utilizou armas qu\u00edmicas contra os africanos e estima-se que foram mortos 500 mil et\u00edopes!<\/p>\n<p>Em 1936, a Liga das Na\u00e7\u00f5es &#8211; com os votos contr\u00e1rios da URSS e dos Estados Unidos &#8211; mas com o apoio dos supostos governos progressistas da Inglaterra e da Fran\u00e7a &#8211; reconheceu o controle da It\u00e1lia sobre a Eti\u00f3pia, domina\u00e7\u00e3o que se manteve at\u00e9 1941.<\/p>\n<p>Padmore e CRL James criticaram duramente a pol\u00edtica de Stalin por abandonar a Abiss\u00ednia (Eti\u00f3pia). Padmore passou a defender o que seria depois conhecido como \u201c<em>Pan africanismo de luta de classes<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. Em seu livro World Revolution, James, denunciou Stalin e a III Internacional, reivindicando \u201c<em>fundamentalmente ideias do marxismo<\/em>\u201d demonstrando que a pol\u00edtica para a Eti\u00f3pia tinha tudo a ver com a pol\u00edtica de \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d e de \u201csocialismo em um s\u00f3 pais\u201d, que se refletia nas lutas anticoloniais, um exemplo do abandono da pol\u00edtica revolucionaria leninista de defesa do direito \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. No pen\u00faltimo cap\u00edtulo, \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Abandonada\u201d, afirma que era necess\u00e1rio a mobiliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, associando a luta antifascista com a anticolonial.<\/p>\n<p>Dando o exemplo que os trabalhadores sovi\u00e9ticos poderiam ter realizado o embargo de petr\u00f3leo para a It\u00e1lia em base ao sentimento generalizado dos trabalhadores em todo mundo de rep\u00fadio a Mussolini. Como as a\u00e7\u00f5es realizadas por marinheiros em Trinidad Tobago e Gr\u00e9cia: uma greve contra o envio de materiais de guerra para as tropas italianas; ou de marinheiros do Egito, \u00c1frica do Sul e Fran\u00e7a que se recusavam a carregar os navios italianos; boicotes semelhantes organizados em portos como San Pedro (EUA), Cardiff (Reino Unido), Marselha (Fran\u00e7a), Bone (Arg\u00e9lia) e Luderitz (Namibia). Se a III Internacional apoiasse a luta do povo et\u00edope colocaria num patamar mais avan\u00e7ado a constru\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas em todo continente africano, com vistas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p>Padmore passou a propor formar uma \u201cInternacional Negra\u201d que se opusesse ao Imperialismo, ao Fascismo, ao capitalismo \u201cprogressista\u201d e ao que chamava de \u201ccomunismo sovi\u00e9tico\u201d. Relacionou a luta antinazista e a luta anticolonial da seguinte maneira \u201c<em>Para derrotar o nazismo devemos ser livres do colonialismo<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a>. Defendia o direito \u00e0 independ\u00eancia dos povos africanos como um elemento fundamental para derrotar os nazistas, associando as duas lutas.<\/p>\n<p>Em 1941, para ganhar apoio dos trabalhadores na luta antinazista, Theodore Roosevelt e Winston Churchill assinaram a \u201cCarta do Atl\u00e2ntico\u201d que defendia a autodetermina\u00e7\u00e3o dos povos e o direito de decidirem o governo que teriam. Mas, confrontado na Europa, Churchill declarou que os termos da \u201cCarta do Atl\u00e2ntico\u201d n\u00e3o se aplicavam \u00e0s col\u00f4nias e somente aos povos da Europa que viviam sob o dom\u00ednio nazista<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, infelizmente Padmore passou a assumir posi\u00e7\u00f5es puramente panafricanistas abandonando o crit\u00e9rio de classe que havia defendido na d\u00e9cada de 1930. Participou da funda\u00e7\u00e3o da Pan Afric Federation (PAF) em 1944, em Manchester, e passou a organizar o V<sup>o<\/sup> Congresso Pan Africano, em 1945.<\/p>\n<blockquote class=\"td_quote_box td_box_center\"><p>Nos pr\u00f3ximos artigos desenvolveremos o que consideramos as bases te\u00f3ricas e program\u00e1ticas equivocadas do pan-africanismo, a organiza\u00e7\u00e3o do V Congresso, mas tamb\u00e9m a atua\u00e7\u00e3o dos partidos comunistas stalinistas nas lutas coloniais no p\u00f3s-guerra, como em Arg\u00e9lia e col\u00f4nias portuguesas, e sua pol\u00edtica de \u201czigue-zagues\u201d frente a Roosevelt nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Finalizaremos esta s\u00e9rie apontando as consequ\u00eancias de ambas as pol\u00edticas para o continente africano e sua luta emancipat\u00f3ria e explicaremos porque \u00e9 necess\u00e1rio construirmos uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria no continente para levar a cabo a Revolu\u00e7\u00e3o Negra na \u00c1frica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>Revolu\u00e7\u00e3o Africana, uma antologia do pensamento marxista, Autonomia Liter\u00e1ria<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Lenin, A revolu\u00e7\u00e3o socialista e o direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o (Teses). Fev. 1916<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Lenin, A revolu\u00e7\u00e3o socialista e o direito das na\u00e7\u00f5es \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o (Teses). Fev. 1916<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>Janeiro de 1924.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> \u201cO que \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o permanente? (Teses fundamentais)\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> \u201cO que \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o permanente? (Teses fundamentais)\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Tese 4<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Pan-africanismo e a perspectiva revolucion\u00e1ria, https:\/\/www.pstu.org.br\/pan-africanismo-e-a-perspectiva-revolucionaria\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u00a0Pan-africanismo e a perspectiva revolucion\u00e1ria. https:\/\/www.pstu.org.br\/pan-africanismo-e-a-perspectiva-revolucionaria\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Para Lenin uma \u201cCova de ladr\u00f5es\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Hakin Adi<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> A vida e a luta dos trabalhadores negros.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Julho de 1939. First Published: Adelphi.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> George Orwell, \u201cNot Counting Niggers,\u201d\u00a0<a href=\"http:\/\/orwell.ru\/library\/articles\/niggers\/english\/e_ncn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/orwell.ru\/library\/articles\/niggers\/english\/e_ncn<\/a>\u00a0(acessado em 21 de junho de 2015).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> \u00a0Hakim Adi,\u00a0<a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Pan-africanism and Communism<\/em><\/a><a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0:\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/africaworldpressbooks.com\/pan-africanism-and-communismthe-communist-international-africa-and-the-diaspora-1919-1939hakim-adi\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>The Communist International, Africa and the Diaspora, 1919-1939<\/em><\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a><em> C. L. R. James, <\/em><em>I Giacobini Neri. La prima rivolta contro l\u2019uomo bianco <\/em>[1963]. https:\/\/b-ok.lat\/book\/17155439\/0f13ca<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> \u00a0Isso n\u00e3o nos pode surpreender depois de sabermos que Stalin fez o acordo Molotov-Ribertrop, segundo ele para conter o avan\u00e7o nazista, em 1939. Na verdade, fez esse acordo como aliados e em cima da divis\u00e3o da Pol\u00f4nia entre os dois pa\u00edses, com uma total confian\u00e7a na palavra de Hitler. E por isso, desdenhou o aviso de Leopold Trepper quando este denunciou a data da Opera\u00e7\u00e3o Barbarosa de Hitler para invadir a URSS, e ap\u00f3s a II guerra, mandou Trepper para a cadeia quando retornou \u00e0 URSS.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Contra o revisionismo hist\u00f3rico: o pacto de n\u00e3o agress\u00e3o germano sovi\u00e9tico e a Segunda Guerra Mundial. Blog Boitempo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Stalin uma hist\u00f3ria cr\u00edtica de uma lenda negra, Editora Revan.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Stalin e Hitler: irm\u00e3os g\u00eameos ou inimigos mortais? 100 anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, 2017 Acervo Online Le Monde Diplomatique.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Holger Weiss, Against Japanese and Itaian Imperialism: The Anti-War Campaigns of Communist International Trade Union Organizations, 1931-1936.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Fundada em 1910 por WEB DuBois<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Soiviet Russia Aids Italy, in: The Crisis 42 (octubre 1935)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Cristian Hogsbjerg, CLR James in Imperial Britain<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> New Leader, Londres 1940<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Debates na C\u00e2mara dos Comuns em 1941, Mauricio Parada e outros, Hist\u00f3ria da \u00c1frica Contempor\u00e2nea, Editora PUC do Rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este \u00e9 o primeiro de tr\u00eas artigos que vamos publicar para abordar a discuss\u00e3o sobre panafricanismo e stalinismo. 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