{"id":65918,"date":"2022-01-26T15:50:41","date_gmt":"2022-01-26T18:50:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65918"},"modified":"2022-01-26T15:50:41","modified_gmt":"2022-01-26T18:50:41","slug":"linn-da-quebrada-um-show-contra-o-apartheid-israelense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/26\/linn-da-quebrada-um-show-contra-o-apartheid-israelense\/","title":{"rendered":"Linn da Quebrada, um show contra o apartheid israelense"},"content":{"rendered":"<p><em>O reality Big Brother Brasil (BBB 2022) conta com uma participante que deu um show contra o apartheid israelense: a rapper\u00a0<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/linndaquebrada\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Linn da Quebrada<\/a>. Como uma mulher negra, travesti, da periferia, que conhece bem a opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o, a cantora se somou ao boicote cultural, em\u00a0<a href=\"https:\/\/m.facebook.com\/mclinndaquebrada\/photos\/a.1693287327576499.1073741828.1693283717576860\/2063352867236608\/?type=3&amp;theater\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">suas pr\u00f3prias palavras<\/a>, \u201ccomo forma de protesto contra Israel e suas pol\u00edticas genocidas sobre a Palestina\u201d. Em maio de 2018, ela se recusou a participar de um festival em Tel-Aviv, o TLVFest, usado pela ocupa\u00e7\u00e3o como estrat\u00e9gia de pinkwashing.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Soraya Misleh (\u00a0Texto originalmente publicado no site\u00a0<a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Monitor do Oriente M\u00e9dio)<\/a><\/p>\n<p>A atitude, que lhe rendeu ataques, mas tamb\u00e9m apoios importantes como o da ativista Angela Davis, revelou a coragem e a coer\u00eancia da rapper.<\/p>\n<p>Agora sob os holofotes na Globo, houve quem expressasse apoio a quem n\u00e3o se permitiu ser usada para normalizar o apartheid e encobrir seus crimes contra a humanidade. Em uma tentativa de \u2018limpar\u2019 suas viola\u00e7\u00f5es dos direitos humanos e internacional, Israel tenta se remarcar ou se apresentar como normal \u2013 mesmo \u2018iluminado\u2019 \u2013 por meio de um conjunto intrincado de rela\u00e7\u00f5es e atividades que abrangem atividades de alta tecnologia, culturais, legal, LGBT e outras. Um princ\u00edpio-chave que sublinha o termo normaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 que ele \u00e9 inteiramente baseado em considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas (\u2026) e est\u00e1, portanto, em perfeita harmonia com a rejei\u00e7\u00e3o do movimento BDS de todas as formas de racismo e discrimina\u00e7\u00e3o racial. Combater a normaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um meio de resistir \u00e0 opress\u00e3o, seus mecanismos e estruturas [\u2026]\u201d, explica artigo divulgado no site da campanha de boicote cultural. Essa compreens\u00e3o est\u00e1 presente em afirma\u00e7\u00e3o de Linn \u00e0 \u00e9poca: \u201cuma postura cada vez mais interseccional em nossas cria\u00e7\u00f5es e lutas di\u00e1rias\u201d.<\/p>\n<p><strong>Antissionismo n\u00e3o \u00e9 antissemitismo<\/strong><\/p>\n<p>A ofensiva \u00e0 artista traz a j\u00e1 desgastada fal\u00e1cia de que antissionismo \u00e9 antissemitismo, principal instrumento do Estado de Israel para tentar silenciar as cr\u00edticas leg\u00edtimas ao apartheid e propaganda para atacar o BDS (boicote, desinvestimento e san\u00e7\u00f5es).<\/p>\n<p>O falso argumento n\u00e3o sobrevive a uma m\u00ednima an\u00e1lise da realidade. Sionismo \u00e9 um projeto pol\u00edtico colonial e opor-se \u00e9 se posicionar contra a limpeza \u00e9tnica, o apartheid, a ocupa\u00e7\u00e3o, os crimes contra a humanidade. Antissemitismo \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o contra semitas, entre os quais judeus. Uma coisa n\u00e3o tem nada a ver com a outra.<\/p>\n<p>Como escreveram Shajar Goldwaser,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20210407-um-resposta-dos-judeus-progressistas-a-definicao-de-antissemitismo-da-ihra\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bruno Huberman<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20210610-memo-conversa-com-bruno-huberman-e-tali-feld-gleiser\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Iara Haasz<\/a>, de uma rede global judaica por justi\u00e7a em Palestina\/Israel e no mundo, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2018\/05\/shajar-goldwaser-bruno-huberman-e-iara-haasz-solidariedade-nao-e-antissemitismo.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo para a Folha de S. Paulo<\/a>\u00a0no ano de 2018, \u201c\u00e9 preciso questionar e condenar o uso do antissemitismo como ferramenta pol\u00edtica para silenciar cr\u00edticas ao regime israelense, assim como demandar precis\u00e3o na linguagem e responsabilidade nessas cr\u00edticas. Urge diferenciar o juda\u00edsmo do regime de discrimina\u00e7\u00e3o e controle imposto pelo Estado de Israel ao povo palestino. Afinal, o juda\u00edsmo n\u00e3o tem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com os sistemas de leis distintos por crit\u00e9rios \u00e9tnico-raciais adotados por Israel, tampouco com os ataques militares israelenses a civis desarmados, demoli\u00e7\u00f5es de casas palestinas, restri\u00e7\u00e3o de movimento e acesso a \u00e1gua a n\u00e3o judeus; ou com a constante expuls\u00e3o de palestinos e palestinas de suas terras desde 1948\u201d.<\/p>\n<p>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.monitordooriente.com\/20200421-movimento-de-bds-busca-acabar-com-a-opressao-de-israel-contra-o-povo-palestino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BDS<\/a>\u00a0tem se posicionado repetidamente contra todas as formas de opress\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o, inclusive antissemitismo, islamofobia e xenofobia. Boicote \u00e9 leg\u00edtimo em situa\u00e7\u00f5es como a que os palestinos est\u00e3o submetidos. Um regime institucionalizado de apartheid, uma ocupa\u00e7\u00e3o desumana, a Nakba (cat\u00e1strofe) cont\u00ednua. Ou algu\u00e9m condenaria hoje um artista por aderir \u00e0 campanha internacional de boicote que ajudou a p\u00f4r fim ao apartheid na \u00c1frica do Sul nos anos 1990? Esse \u00e9 o modelo. O t\u00edtulo do artigo de Shajar, Bruno e Yara sintetiza: \u201cSolidariedade n\u00e3o \u00e9 antissemitismo.\u201d<\/p>\n<p>Linn da Quebrada deveria servir de exemplo a outros artistas. Assim como abra\u00e7ou os palestinos e palestinas, agora todos os que defendem direitos humanos e lutam contra a opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o devem cerc\u00e1-la de solidariedade. \u201cDas favelas brasileiras \u00e0 Faixa de Gaza, da luta de negros e negras nos EUA ao movimento antiapartheid da \u00c1frica do Sul, estamos juntas lutando pela liberdade, igualdade e justi\u00e7a de nossos corpos\u201d, escreveu Angela Davis \u00e0 rapper em 2018. E continuou: \u201cVoc\u00ea ajudar\u00e1 a ecoar as vozes dos palestinos e palestinas, n\u00f3s ecoaremos a sua e, juntas, faremos mais barulho do que qualquer esfor\u00e7o de propaganda opressiva possa parar.\u201d<\/p>\n<p>A Linn da Quebrada, os versos do poeta nacional da Palestina, Mahmud Darwish: \u201cN\u00f3s sofremos de um mal incur\u00e1vel que se chama esperan\u00e7a. Esperan\u00e7a de liberta\u00e7\u00e3o e de independ\u00eancia. Esperan\u00e7a de uma vida normal, na qual n\u00e3o seremos nem her\u00f3is nem v\u00edtimas. Esperan\u00e7a de ver nossas crian\u00e7as irem \u00e0 escola sem riscos. Para uma mulher gr\u00e1vida, esperan\u00e7a de dar \u00e0 luz um beb\u00ea vivo, num hospital, e n\u00e3o uma crian\u00e7a morta diante um posto de controle militar. Esperan\u00e7a de que nossos poetas ver\u00e3o a beleza da cor vermelha nas rosas e n\u00e3o no sangue. Esperan\u00e7a de que esta terra reencontrar\u00e1 seu nome original: terra de amor e de paz. Obrigado por carregar conosco o fardo dessa esperan\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O reality Big Brother Brasil (BBB 2022) conta com uma participante que deu um show contra o apartheid israelense: a rapper\u00a0Linn da Quebrada. 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