{"id":65897,"date":"2022-01-25T09:54:09","date_gmt":"2022-01-25T12:54:09","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65897"},"modified":"2022-01-25T09:54:09","modified_gmt":"2022-01-25T12:54:09","slug":"na-africa-do-sul-trabalhadores-em-greve-contra-patrao-sionista-mostram-forca-das-campanhas-por-boicote","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/25\/na-africa-do-sul-trabalhadores-em-greve-contra-patrao-sionista-mostram-forca-das-campanhas-por-boicote\/","title":{"rendered":"Na \u00c1frica do Sul, trabalhadores em greve contra patr\u00e3o sionista mostram for\u00e7a das campanhas por boicote"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 22 de novembro os 5 mil trabalhadores de v\u00e1rias plantas e centros de distribui\u00e7\u00e3o da empresa de latic\u00ednios Clover se viram envolvidos em uma poderosa greve que poderia\u00a0ser mais uma forte paralisa\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es econ\u00f4micas, mas n\u00e3o \u00e9.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Cesar Neto (publicado em http:\/\/cspconlutas.org.br)<\/p>\n<p>Ela tem caracter\u00edsticas muitos especiais: \u00e9 uma greve que acontece em uma empresa desnacionalizada, adquirida por uma corpora\u00e7\u00e3o que engarrafa Coca-Cola nos territ\u00f3rios palestinos ocupados por Israel; \u00e9 contra a redu\u00e7\u00e3o de direitos que colocam os trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o; os dirigentes sindicais passaram da luta salarial \u00e0 luta pol\u00edtica pela nacionaliza\u00e7\u00e3o da empresa, sob o controle dos trabalhadores; o governo de Ramaphosa \u2013 uma coaliz\u00e3o ANC-COSATO-Partido Comunista \u2013 est\u00e1 contra a nacionaliza\u00e7\u00e3o; e h\u00e1 uma grande campanha de solidariedade a esta greve.<\/p>\n<p>Vamos conhecer melhor esta hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Clover: origem e atuais propriet\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>A Clover foi fundada na \u00c1frica do Sul em 1898, exporta para 10 pa\u00edses e tem subsidi\u00e1rias em outros 3 pa\u00edses. Em 2019, dentro do processo de desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia sul africana, ela foi vendida para a empresa israelense\u00a0CBC (Central Bottling Company).<\/p>\n<p>A\u00a0CBC, engarrafadora da Coca-Cola, \u00a0tem entre seus maiores acionistas os irm\u00e3os David e Drorit Wertheim. Segundo a revista Forbes, eles est\u00e3o entre os maiores bilion\u00e1rios do mundo. David entre os mil mais ricos e sua irm\u00e3 Drorit entre os dois mil mais ricos do mundo. Al\u00e9m da\u00a0Central Bottling Company,\u00a0eles s\u00e3o acionistas majorit\u00e1rios do banco\u00a0Mizrachi Bank,\u00a0o terceiro israelense maior na Palestina ocupada.<\/p>\n<p><strong>A CBC produz Coca-Cola em territ\u00f3rios ocupados da Palestina<\/strong><\/p>\n<p>A\u00a0Central Bottling Company\u00a0pode ser apresentada como uma das maiores instala\u00e7\u00f5es de engarrafamento de Coca-Cola em todo mundo, mas isso diz pouco, uma vez que a CBC tem uma f\u00e1brica deste famoso refrigerante no assentamento ilegal israelense de Atarot, ou seja essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em terras tomadas dos palestinos, com extrema viol\u00eancia, assassinatos, estupros, expuls\u00e3o, destrui\u00e7\u00e3o de vilarejos e genoc\u00eddio. Al\u00e9m de produzirem Coca-Cola em terras usurpadas dos palestinos, a CBC\u00a0 tem uma subsidi\u00e1ria, a vin\u00edcola\u00a0Tabor Winery,\u00a0que tamb\u00e9m se utiliza de terras ocupada nas colinas de Gol\u00e3, territ\u00f3rio s\u00edrio.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca em que ocorreu venda e desnacionaliza\u00e7\u00e3o da Clover, em 2019, o sindicato Giwusa (General Industries Workers Union of South Africa) entrou com uma representa\u00e7\u00e3o ao\u00a0Competition Tribunal (tribunal de defesa independente, estabelecido em 1998, que trata tamb\u00e9m de concorr\u00eancia econ\u00f4mica),\u00a0se opondo \u00e0 desnacionaliza\u00e7\u00e3o da empresa e em especial pelo fato de a CBC produzir nos territ\u00f3rios palestinos ocupados e ser parte do Apartheid a que o povo palestino \u00e9 submetido.<\/p>\n<div id=\"attachment_65899\" style=\"width: 778px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65899\" class=\"wp-image-65899 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"768\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-1.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-1-696x696.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><p id=\"caption-attachment-65899\" class=\"wp-caption-text\">Arte de campanha da organiza\u00e7\u00e3o Friends of Al Aqsa. No r\u00f3tulo: Coca-Cola, sabor de Apartheid<\/p><\/div>\n<p>\u201cInfelizmente, [o Tribunal] rejeitou o pedido e afirmou que era um assunto fora de sua jurisdi\u00e7\u00e3o. Condenamos essa flagrante apatia demonstrada pelo Tribunal em uma quest\u00e3o de significativa preocupa\u00e7\u00e3o moral \u201d, disse a Alian\u00e7a de Solidariedade Palestina.<\/p>\n<p>\u201cAs medidas econ\u00f4micas internacionais foram imperativas para acabar com o Apartheid na \u00c1frica do Sul. Se nossos legisladores agissem com firmeza moral, tais medidas seriam fundamentais para acabar com o Apartheid tamb\u00e9m na Palestina \u201d , acrescentou o comunicado.<\/p>\n<p><strong>Greve contra trabalho em condi\u00e7\u00f5es de\u00a0semiescravid\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Quando a Clover foi vendida os compradores contra\u00edram um empr\u00e9stimo de US$ 6,61 milh\u00f5es. Passados dois anos, para pagar essa d\u00edvida a empresa buscou reduzir os gastos com sal\u00e1rios e economizou US$ 18,53 milh\u00f5es. Para tanto, a CBC tentou impor enormes redu\u00e7\u00f5es de direitos, entre eles o aumento de sal\u00e1rio abaixo da infla\u00e7\u00e3o, aumentos da jornada de trabalho em 2 horas, seis dias da semana de trabalho, redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de ajudantes nos caminh\u00f5es de entrega, passando de dois para apenas um, e demiss\u00e3o de 350 trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gia da CBC de importar latic\u00ednios e transformar os locais de produ\u00e7\u00e3o em dep\u00f3sitos<\/strong><\/p>\n<p>O processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o da \u00c1frica do Sul vem se aprofundando h\u00e1 alguns anos. O caso mais emblem\u00e1tico na \u00e1rea de alimentos \u00e9 o da produ\u00e7\u00e3o de frango e milho, que est\u00e3o em total decad\u00eancia com as importa\u00e7\u00f5es facilitadas pela pol\u00edticas neoliberais e, mais ainda, com os acordos de livre com\u00e9rcio, em especial dos BRICS.<\/p>\n<p>Para os sindicatos que representam os trabalhadores da Clover, h\u00e1 s\u00e9rios ind\u00edcios de que a empresa pretende fechar as f\u00e1bricas e importar produtos l\u00e1cteos produzidos nas \u00e1reas ocupadas da Palestina.<\/p>\n<p><strong>Repress\u00e3o aos moldes israelenses<\/strong><\/p>\n<p>Quando j\u00e1 na segunda semana de greve os sionistas propriet\u00e1rios da Clover perceberam que estavam perdendo o controle da situa\u00e7\u00e3o, fizeram aquilo que mais sabem fazer: impuseram suas vontades pelas armas.<\/p>\n<p>Um grande contingente de seguran\u00e7as particulares foi implantado na entrada da sede da Clover em\u00a0Constantia Kloof, Roodepoort, sub\u00farbio de Johanesburgo, na quinta-feira, 2 de dezembro. Vestidos com roupas de choque, os guardas armados se posicionaram para impedir os funcion\u00e1rios que protestavam. Dois ve\u00edculos blindados pretos estavam estacionados pr\u00f3ximos um do outro, um na entrada e outro a um metro de dist\u00e2ncia, com vista para o local.<\/p>\n<div id=\"attachment_65900\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65900\" class=\"wp-image-65900 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-2.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"344\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-2.jpg 600w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-2-300x172.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-2-150x86.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><p id=\"caption-attachment-65900\" class=\"wp-caption-text\">\u201cComprar produtos israelenses financia o Apartheid\u201d Campanha por boicotes \u00e9 essencial para a causa palestina | Charge: Carlos Latuff<\/p><\/div>\n<p>\u201cAs armas s\u00e3o para prote\u00e7\u00e3o caso algo d\u00ea errado, mas n\u00e3o temos a inten\u00e7\u00e3o de us\u00e1-las\u201d, disse um encarregado da seguran\u00e7a que n\u00e3o estava usando uniforme e segurava um rifle.<\/p>\n<p>O dia come\u00e7ou com intimida\u00e7\u00e3o, mas quando come\u00e7aram a chegar os \u00f4nibus, com trabalhadores vestindo as camisetas vermelhas dos dois sindicatos que os representam, com homens e mulheres dan\u00e7ando e cantando can\u00e7\u00f5es de luta, como \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o sul africana, os sionistas recuaram.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade e BDS: ato p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>Nenhuma luta pode ser vitoriosa se lutamos sozinhos. Precisamos de aliados. Os trabalhadores da Clover est\u00e3o aprendendo essa preciosa li\u00e7\u00e3o muito rapidamente. Em 8 de janeiro, centenas de trabalhadores se reuniram em Johanesburgo e na Cidade do Cabo para um ato de solidariedade aos trabalhadores da Clover.<\/p>\n<p>Entre os presentes estavam os sindicatos GIWUSA (General Industries Workers Union of South Africa) e FAWU (Food and Allied Workers Union) e um aliado muito especial que s\u00e3o as organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos palestinos:\u00a0Palestine Solidarity Alliance\u00a0e\u00a0BDS (Boycott, Divestment and Sanctions). Al\u00e9m de outras organiza\u00e7\u00f5es como\u00a0WASP, Media Review Network, One Voice Of All Hawkers Association, etc.<\/p>\n<p><strong>Nacionaliza\u00e7\u00e3o, estatiza\u00e7\u00e3o e controle dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>O secret\u00e1rio-geral de Giwusa (Sindicato dos Trabalhadores das Ind\u00fastrias Gerais da \u00c1frica do Sul ), John Appolis, afirma que a CBC est\u00e1 \u00a0\u201cusando o mercado sul-africano apenas para extrair lucros r\u00e1pidos e de curto prazo e importar seus pr\u00f3prios produtos para a \u00c1frica do Sul\u201d. Os atuais acordos de Livre Comercio interafricano e a constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura para circula\u00e7\u00e3o de mercadorias no continente, transformam a \u00c1frica do Sul em um entreposto comercial importante para CBC e j\u00e1 n\u00e3o valeria a pena \u2013 economicamente falando\u00a0 \u2013 a produ\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>Segundo o presidente do Giwusa, Mametlwe Sebei, \u201cdesde a venda e desnacionaliza\u00e7\u00e3o da Clover em 2019, a capacidade de produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo destru\u00edda para garantir o mercado sul-africano de l\u00e1cteos para produtos importados de Israel\u201d.<\/p>\n<p>No acordo de desnacionaliza\u00e7\u00e3o da Clover assinado com os \u00f3rg\u00e3os de regula\u00e7\u00e3o do Estado sul africano, haveria uma morat\u00f3ria de tr\u00eas anos, que terminar\u00e1 em Outubro de 2022, onde n\u00e3o poderia haver demiss\u00f5es em massa, ao contr\u00e1rio, se desenvolveria um projeto de gera\u00e7\u00e3o de novos empregos. Mesmo com essa imposi\u00e7\u00e3o, mais de 800 trabalhadores foram for\u00e7ados a aceitar os pactos de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria.<\/p>\n<div id=\"attachment_65901\" style=\"width: 271px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65901\" class=\"wp-image-65901 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-3.png\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"261\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-3.png 261w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP-3-150x150.png 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 261px) 100vw, 261px\" \/><p id=\"caption-attachment-65901\" class=\"wp-caption-text\">Ato p\u00fablico dos trabalhadores da Clover com cartazes em apoio \u00e1 causa palestina | Foto: Giwusa<\/p><\/div>\n<p>Mas Sebei afirma que \u201cn\u00e3o havia nada de volunt\u00e1rio nisso. Porque as mudan\u00e7as nas condi\u00e7\u00f5es de emprego inclu\u00edram a mudan\u00e7a dos locais de trabalho para centenas de quil\u00f4metros de suas casas nas regi\u00f5es do interior para as cidades costeiras, onde n\u00e3o teriam como viver com o sal\u00e1rio que ganham \u201d, e conclui: \u201ca empresa est\u00e1 fechando suas filiais no interior e se mudando para \u00e1reas costeiras, como Durban, uma megacidade. Os trabalhadores do interior vivem em terras tribais de propriedade comunit\u00e1ria, o que n\u00e3o lhes custa aluguel. Em Durban, nem mesmo um barraco pode ser alugado por menos de R$ 1000 (US $ 61), valor que eles n\u00e3o podem pagar. Assim, esses trabalhadores foram for\u00e7ados a aceitar os chamados VSPs\u201d<\/p>\n<p>Os trabalhadores atrav\u00e9s dos dois sindicatos que os representam conclu\u00edram que o\u00a0 governo tem que nacionalizar a gigante de latic\u00ednios Clover, para evitar que ela se torne potencialmente uma ag\u00eancia de distribui\u00e7\u00e3o de produtos l\u00e1cteos importados de Israel. Mas, segundo os dirigentes sindicais, n\u00e3o basta nacionalizar. \u00c9 preciso que a empresa seja estatizada e controlada democraticamente pelos seus trabalhadores.<\/p>\n<p>Sebei mostra os muitos casos de pilhagem das empresas estatais e prop\u00f5e que o \u201ccontrole e a gest\u00e3o da empresa ap\u00f3s sua nacionaliza\u00e7\u00e3o devem ser atribu\u00eddos aos trabalhadores que estejam preparados para administr\u00e1-la como uma cooperativa, e n\u00e3o deixados nas m\u00e3os dos burocratas do governo\u201d.<\/p>\n<p><strong>CNA e PC do outro lado da cal\u00e7ada<\/strong><\/p>\n<p>Ao saber que a CBC vive em territ\u00f3rios ocupados palestinos e promove o Apartheid israelense na Palestina, qualquer pessoa minimante informada esperaria que Cyril Ramaphosa, que esteve ao lado de Nelson Mandela na luta contra o Apartheid Sul Africano, estaria incondicionalmente ao lado dos trabalhadores sul africanos e contra os sionistas. Ao ver o curr\u00edculo do Ministro do Com\u00e9rcio, Ind\u00fastria e Concorr\u00eancia, Ebrahim Patel, um ex-dirigente sindical dos trabalhadores t\u00eaxteis, tamb\u00e9m esperava-se apoio.<\/p>\n<p>Mas os trabalhadores, dia a dia, v\u00e3o descobrindo o real papel do governo da ANC. Em uma carta pedindo apoio e solidariedade, os grevistas afirmam: \u201cO governo do ANC acolheu a aquisi\u00e7\u00e3o da Clover por Milco SA e fez vista grossa \u00e0 viola\u00e7\u00e3o do direito internacional pela CBC (Central Bottling Company )\u00a0com sua opera\u00e7\u00e3o nos territ\u00f3rios ocupados da Palestina. Isso n\u00e3o nos surpreende, pois o governo do ANC tem sido o agente ativo tanto para o capital nacional quanto internacional. Com suas pol\u00edticas neoliberais, o governo do ANC colocou os interesses do capital no centro do desenvolvimento do pa\u00eds. Em vez de desenvolvimento e avan\u00e7o da vida das massas, vimos e experimentamos o fortalecimento das posi\u00e7\u00f5es e da riqueza da classe dominante do velho apartheid. A m\u00e3o-de-obra negra barata ainda<a href=\"https:\/\/docs.google.com\/forms\/d\/e\/1FAIpQLSe4H3FGmOu8-Pn5zNSaUkoAn-8komiSwtfzmXRKyZKxabW6iw\/viewform\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0\u00e9 a base do capitalismo sul-africano e o governo do ANC \u00e9 o facilitador do fornecimento de m\u00e3o-de-obra negra barata<\/a>\u201c.<\/p>\n<p>A coaliz\u00e3o que h\u00e1 anos controla a \u00c1frica do Sul, composta pelo ANC, Cosatu e o Partido Comunista, como governo tem feito todos os esfor\u00e7os para n\u00e3o intervir em conflitos. Mas este n\u00e3o \u00e9 um conflito qualquer pois se d\u00e1 entre estrangeiros sionistas, defensores do Apartheid contra os palestinos e que est\u00e3o atacando os trabalhadores sul africanos.<\/p>\n<p>Desde que a greve come\u00e7ou, os grevistas buscam contatos com o governo do ANC-COSATU-Partido Comunista e n\u00e3o obt\u00eam sucesso. Em 14 de janeiro, quase dois meses depois de iniciada a greve, o secret\u00e1rio provincial do Giwusa no Cabo Ocidental, Abeedah Adams, disse que eles est\u00e3o tentando entrar em contato com o ministro do Com\u00e9rcio e Ind\u00fastria, mas sem sucesso.\u00a0\u201cO EP [Ebrahim Patel] est\u00e1 desaparecido desde dezembro e tem evitado se encontrar conosco. Nossas demandas s\u00e3o claras, pois queremos que a Clover seja nacionalizada sob o controle dos trabalhadores e da comunidade. Apelamos \u00e0 reintegra\u00e7\u00e3o incondicional de todos os trabalhadores demitidos. N\u00e3o queremos trabalhar sob medidas de austeridade de corte salarial de 20%. Os trabalhadores j\u00e1 est\u00e3o ganhando sal\u00e1rios de escravos. Tamb\u00e9m sabemos que Milco\/CBC tem apoiado a For\u00e7a de Defesa de Israel\u201d.<\/p>\n<p><strong>TODA A SOLIDARIEDADE \u00c0 LUTA DOS TRABALHADORES DA CLOVER<\/strong><\/p>\n<p>A alian\u00e7a entre os sindicatos GIWUSA, FAWU, a central sindical SAFTU e as organiza\u00e7\u00f5es palestinas de luta em defesa da palestina, BDS e Palestine Solidarity Alliance, j\u00e1 organizaram dois importantes atos em Johanesburgo e na Cidade do Cabo, al\u00e9m de uma manifesta\u00e7\u00e3o em frente ao pr\u00e9dio da Embaixada de Israel.<\/p>\n<p>Para o dia 25 de janeiro, essas organiza\u00e7\u00f5es realizar\u00e3o atividades de solidariedade com os trabalhadores sul-africanos e tamb\u00e9m de apoio \u00e0 luta dos palestinos contra a ocupa\u00e7\u00e3o de seu territ\u00f3rio, em especial, neste momento pela engarrafadora da Coca-Cola, em Israel, e propriet\u00e1ria da Clover.<\/p>\n<p><strong>Vamos participar, vamos apoiar.<\/strong><\/p>\n<p>#NotInMyFridge<\/p>\n<p>#BDS<\/p>\n<p>#FreePalestina<\/p>\n<p>#PalestinaLivre<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 22 de novembro os 5 mil trabalhadores de v\u00e1rias plantas e centros de distribui\u00e7\u00e3o da empresa de latic\u00ednios Clover se viram envolvidos em uma poderosa greve que poderia\u00a0ser mais uma forte paralisa\u00e7\u00e3o por raz\u00f5es econ\u00f4micas, mas n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65898,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4053],"tags":[4469,213,149],"class_list":["post-65897","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa-do-sul","tag-bds","tag-cesar-neto","tag-csp-conlutas"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/CSP.jpg","categories_names":["\u00c1frica do Sul"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65897","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65897"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65897\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65898"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65897"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65897"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65897"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}