{"id":65813,"date":"2022-01-10T17:42:28","date_gmt":"2022-01-10T20:42:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65813"},"modified":"2022-01-10T17:42:28","modified_gmt":"2022-01-10T20:42:28","slug":"golpes-contragolpes-insurreicoes-e-mobilizacoes-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2022\/01\/10\/golpes-contragolpes-insurreicoes-e-mobilizacoes-na-africa\/","title":{"rendered":"Golpes, contragolpes, insurrei\u00e7\u00f5es e mobiliza\u00e7\u00f5es na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p><em>O n\u00famero de golpes de Estado no mundo em 2021 foi o maior em duas d\u00e9cadas, foram 7 golpes. Destes, 4 se efetivaram, 2 foram derrotados e 1 segue ainda indefinido.<\/em><\/p>\n<p><em>Vale destacar que na \u00c1frica foi onde ocorreram 6 destes 7 golpes, ou tentativas de golpes. Somente Mianmar se localiza na \u00c1sia. Naquilo que o secret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ant\u00f3nio Guterres chamou de \u201ca epidemia \u2018putschista que varre a \u00c1frica\u201d.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Cesar Neto e Asdr\u00fabal Barboza<\/p>\n<p>Nesse continente, foram vitoriosos os golpes no Chade, Mali e Guin\u00e9 Conacri, derrotado a tentativa de golpe no Niger. No Sud\u00e3o, o pa\u00eds mais inst\u00e1vel, foram 2, o primeiro frustrado, e o segundo ainda indefinido. Este segundo, em outubro, segue em um grande impasse, por conta da rea\u00e7\u00e3o das massas. J\u00e1 s\u00e3o mais de 60 mortos.<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses onde os golpes se efetivaram militares golpistas tomaram o poder, asfixiando as liberdades democr\u00e1ticas e estabelecendo um calend\u00e1rio fantasma de transi\u00e7\u00e3o para a democracia.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m os casos, onde n\u00e3o houve golpes, mas o pr\u00f3prio presidente, ou seus governos manobraram a Constitui\u00e7\u00e3o com medidas bonapartistas, para ficarem no poder, como ocorreu na Tun\u00edsia. Uma pr\u00e1tica bastante utilizada no continente: Uganda, o Parlamento aboliu o limite de idade que for\u00e7aria o presidente Yoweri Museveni a sair depois de seu quinto mandato; em Ruanda, Paul Kagame mudou a Constitui\u00e7\u00e3o para ser candidato pela terceira vez; assim como Pierre Nkurunziza no Burundi e Alassane Ouattara na Costa do Marfim. H\u00e1 tamb\u00e9m fraudes eleitorais como de Uhuru Kenyatta no Qu\u00eania e a prov\u00e1vel fraude que Jo\u00e3o Louren\u00e7o e o MPLA preparam em Angola.<\/p>\n<p>Mas o que mais impressiona s\u00e3o as justificativas de analistas e jornalistas na imprensa burguesa para estes acontecimentos, que descrevem como: &#8220;falta de legitimidade dos l\u00edderes locais&#8221;; \u201cdisputas \u00e9tnicas\u201d; \u201cefeito da pandemia de Covid, que deixou a comunidade internacional menos proativa para responder a golpes\u201d; \u201csociedades militarizadas, onde as For\u00e7as Armadas h\u00e1 muito interferiam na pol\u00edtica\u201d; em um ambiente generalizado de \u201cCorrup\u00e7\u00e3o, mau governo, crise econ\u00f4mica e social e indiferen\u00e7a internacional\u201d.<\/p>\n<p>Todos esses elementos, total ou parcialmente s\u00e3o verdadeiros, mas n\u00e3o s\u00e3o fundamentais. Ningu\u00e9m fala, ou escreve, que por tr\u00e1s de todos estes golpes existe o interesse do imperialismo e de suas grandes companhias multinacionais que promovem golpes, massacres e genoc\u00eddio no continente africano, h\u00e1 s\u00e9culos, para defender seus pr\u00f3prios interesses financeiros. Que neste momento, de mudan\u00e7as nos processos de produ\u00e7\u00e3o, os min\u00e9rios encontrados no continente africano ganham um valor superior e, portanto, acirra-se a disputa por eles.<\/p>\n<p>Basta lembrar que: foi por isso que os governos da Fran\u00e7a e dos Estados Unidos promoveram o golpe, tortura e morte e Patrice Lumumba no Congo, em 1960; o genoc\u00eddio dos tutsis pelos hutus em 1994 teve por tr\u00e1s as disputas entre os imperialismos franc\u00eas e brit\u00e2nico depois da retirada dos belgas do pais; os franceses tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pela derrubada de Mamadou Tandja da presid\u00eancia do Niger, o pais mais pobre do mundo, em 2010, quando este tentou negociar com os chineses melhores condi\u00e7\u00f5es para a explora\u00e7\u00e3o de suas riquezas naturais. S\u00e3o estas multinacionais que lucraram imensamente com o apartheid e o governo racista na \u00c1frica do Sul, governo que fomentou guerras em toda a regi\u00e3o para a defesa dos interesses imperialistas, como a invas\u00e3o da Nam\u00edbia, Angola e Mo\u00e7ambique e o apoio ao regime racista na guerra civil do Zimbabwe. S\u00f3 para darmos alguns exemplos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o crescimento da pandemia do Covid 19 no continente, fruto da pol\u00edtica destes governos imperialistas de n\u00e3o quebrarem as patentes, para garantir o lucro das multinacionais farmac\u00eauticas, fez com que n\u00e3o se enviassem as vacinas necess\u00e1rias para conter a pandemia no continente, e fez crescer a pobreza e a mis\u00e9ria de maneira impressionante, com a destrui\u00e7\u00e3o das fr\u00e1geis economias.<\/p>\n<p>Uma em cada tr\u00eas pessoas est\u00e1 agora desempregada na Nig\u00e9ria, a maior economia da \u00c1frica Ocidental. O mesmo se aplica \u00e0 \u00c1frica do Sul, a na\u00e7\u00e3o africana mais industrializada.<\/p>\n<p>Estima-se que o n\u00famero de pessoas extremamente pobres na \u00c1frica Subsaariana ultrapassou a marca de 500 milh\u00f5es, metade da popula\u00e7\u00e3o. Quinze dos vinte pa\u00edses que lideram o \u00cdndice de \u201cEstados Fr\u00e1geis de 2021\u201d est\u00e3o na \u00c1frica, entre eles: Camar\u00f5es, Rep\u00fablica Centro-Africana, Som\u00e1lia, Sud\u00e3o do Sul, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Eti\u00f3pia e Nig\u00e9ria.<\/p>\n<p>Sem falar da absurda hipocrisia das Na\u00e7\u00f5es Unidas que sempre se calaram, foram c\u00famplices e ficaram do lado dos seus interesses, em cada um destes acontecimentos. Lembrando tamb\u00e9m que os jovens oficiais que realizaram os golpes, como no caso de Guine Conacri e Mali, receberem uma completa forma\u00e7\u00e3o militar com o apoio de pot\u00eancias como Estados Unidos, R\u00fassia ou inclusive a Uni\u00e3o Europeia, sob a justificativa da \u201cluta contra o terrorismo\u201d.<\/p>\n<p><strong>A superexplora\u00e7\u00e3o do continente<\/strong><\/p>\n<p>Uma das imagens erradas que muitas vezes se propaga do continente africano \u00e9 que \u00e9 um lugar que suga ajudas econ\u00f4micas dos pa\u00edses imperialistas com medidas assistenciais e filantr\u00f3picas e que seu crescimento \u00e9 subsidiado.<\/p>\n<p>Nada mais falso, pelos recursos naturais que tem na regi\u00e3o ele produz uma grande quantidade de mat\u00e9ria prima que \u00e9 utilizada pelas empresas multinacionais capitalistas. Se a China, e depois a \u00cdndia, s\u00e3o as fabricas do mundo, o continente africano \u00e9 o que apresenta os insumos para a produ\u00e7\u00e3o destas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>Atualmente a regi\u00e3o se integra na cadeia de produ\u00e7\u00e3o globalizada, com a crescente explora\u00e7\u00e3o de suas mat\u00e9rias primas e riquezas petroleiras e minerais. Ainda mais com os governos e as grandes burguesias internacionais voltando seus olhos para a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, que de acordo com a Ag\u00eancia Internacional de Energia, vai necessitar da multiplica\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios. Por exemplo o l\u00edtio deve ter sua produ\u00e7\u00e3o multiplicada em 42 vezes; a de grafite por 25; a de cobalto por 21; a de n\u00edquel por 19 e o cobre em 7 vezes.<\/p>\n<p>Materiais absolutamente necess\u00e1rios para a produ\u00e7\u00e3o de novos carros e baterias, redes el\u00e9tricas, pain\u00e9is solares, modernos moinhos de vento e novas usinas fotovoltaicas; sem falar dos celulares, computadores, smartphones, carros el\u00e9tricos, avi\u00f5es, foguetes, usinas nucleares, turbinas, ferramentas de corte etc.<\/p>\n<p>Por isso empresas como Apple, que chegou a um valor de mercado de 3 trilh\u00f5es; a Microsoft (ambas valem mais do que PIB brasileiro); e a Tesla, fabricante e distribuidora de carros el\u00e9tricos, s\u00e3o acusadas em a\u00e7\u00f5es judiciais nos Estados Unidos de &#8220;ter conhecimento&#8221; de que o cobalto usado em seus produtos est\u00e1 relacionado \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do trabalho infantil. A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo produz 60% do suprimento mundial de cobalto.<\/p>\n<p><strong>Corrup\u00e7\u00e3o e fome<\/strong><\/p>\n<p>Estas multinacionais compram e praticam a corrup\u00e7\u00e3o ativa em conluio com os corruptos governos do continente, como reconhecidamente o de Angola, Zimb\u00e1bue e Senegal.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada entre 2019 e 2020 pelo Afrobarometer, em 18 pa\u00edses da \u00c1frica Subsaariana, 59% dos entrevistados percebiam que a corrup\u00e7\u00e3o havia aumentado em seu pa\u00eds e 64% acreditavam que nada estava sendo feito para impedir isso.<\/p>\n<p>Cen\u00e1rios que criam condi\u00e7\u00f5es f\u00e9rteis para golpes, pois os jovens africanos est\u00e3o cada vez mais desesperados, n\u00e3o suportam mais seus governos corruptos. Ent\u00e3o aceitam as mentiras de militares golpistas que prometem mudan\u00e7as radicais, como foi testemunhado nas ruas da Guin\u00e9 Conacri. Onde ap\u00f3s a tomada do poder, alguns guineenses exultantes se confraternizaram com os soldados. Os militares constroem declara\u00e7\u00f5es, como os do Mali, sobre \u201croubo e m\u00e1 governan\u00e7a\u201d, para justificar suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas, como aconteceu com os golpes passados, as cenas de alegria v\u00e3o durar pouco, na medida em que estes governos se demonstrem t\u00e3o corruptos e pro-imperialistas como os anteriores<\/p>\n<p><strong>Golpes e contragolpes<\/strong><\/p>\n<p>No Chade<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, em abril, pela sexta vez foi eleito Idriss Deby Itno que estava no poder h\u00e1 trinta anos, e foi reeleito com 79% dos votos. As elei\u00e7\u00f5es foram marcadas por pris\u00f5es, espancamentos e mortes de opositores. Antes de assumir o sexto mandado Idriss foi assassinado em um controverso enfrentamento com grupos guerrilheiros. Segundo a Constitui\u00e7\u00e3o deveria assumir o Presidente do Congresso Nacional, mas os militares deram um golpe e criaram um tal de Conselho Militar de Transi\u00e7\u00e3o (CMT) que indicou e empossou Manamy \u201cKaka\u201d D\u00e9by, filho do falecido Idriss D\u00e9by<\/p>\n<p>O Chade \u00e9 um grande aliado da Fran\u00e7a que impulsiona a alian\u00e7a militar GS5 (Grupo Sahel Cinco) que re\u00fane Chade, Mali, Niger, Burkina Faso e Maurit\u00e2nia. Cabendo ao Chade ser o pa\u00eds mais envolvido nesse operativo e o falecido Idriss D\u00e9by o garantidor do fornecimento de 1.200 soldados chadianos ao GS5. Esses se articulam com as tropas da Miss\u00e3o Multidimensional Integrada de Estabiliza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas no Mali (MINUSMA), onde os Estados Unidos e a Fran\u00e7a, com cinco mil soldados, desenvolvem a Opera\u00e7\u00e3o Barkhane, cuja base se encontra em N\u2019Djamena, capital do Chade<\/p>\n<p>No Mali na \u00faltima d\u00e9cada houveram tr\u00eas golpes bem-sucedidos. Em 2012 os militares derrubaram o regime de Amadou Toumani Tour\u00e9 e instauraram um &#8220;Comit\u00ea Nacional para a Recupera\u00e7\u00e3o da Democracia e a Restaura\u00e7\u00e3o do Estado&#8221; que dissolveu as institui\u00e7\u00f5es. Em 2020 protestos pediram a derrubada do presidente Ibrahim Boubacar Keita, que estava \u00e0 frente do governo golpista. Ele foi deposto e preso, com o primeiro-ministro, pelo vice-presidente, Assimi Goita, com a justificativa de uma \u201cremodela\u00e7\u00e3o do governo\u201d. Goita foi empossado em junho como presidente de transi\u00e7\u00e3o. A Rep\u00fablica do Mali, com sua localiza\u00e7\u00e3o sem sa\u00edda para o mar, mas rodeada por pa\u00edses produtores de ouro, petr\u00f3leo e ur\u00e2nio, \u00e9 um importante ponto da geopol\u00edtica africana. A regi\u00e3o norte, onde est\u00e1 a faixa do Sahel, \u00e9 pouco habitada, por\u00e9m \u00e9 rica em ouro e ur\u00e2nio<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Na Guin\u00e9 Conacri, Alpha Cond\u00e9 foi eleito em 2010, para a Presid\u00eancia, nas primeiras elei\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas desde a independ\u00eancia. Foi reeleito em 2015, mas em 2020, quando uma trava na Constitui\u00e7\u00e3o o impedia de disputar o terceiro mandato, costurou uma reforma e reelegeu-se em outubro. O coronel Mamady Doumbouya, l\u00edder do Grupo de For\u00e7as Especiais, liderou um golpe em 5 de setembro e sequestrou o presidente. Doumbouya, recebeu treinamento na Fran\u00e7a, j\u00e1 serviu em miss\u00f5es no Afeganist\u00e3o, \u00e9 homem de confian\u00e7a do imperialismo e formou um novo governo com Mohamed Beavogui, ex-subsecret\u00e1rio-geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, como premi\u00ea. A Guin\u00e9 tem o maior dep\u00f3sito de bauxita do mundo e vastas reservas de ferro, por detr\u00e1s destes golpes e contragolpes est\u00e1 a explora\u00e7\u00e3o da cordilheira de Simandou pelo conglomerado anglo australiano Rio Tinto, os chineses da Chinalco, onde h\u00e1 capacidade de produzir mais de 100 milh\u00f5es de toneladas por ano de min\u00e9rio da mais alta qualidade. A disputa \u00e9 com a BSGR, do multimilion\u00e1rio israelense Beny Steinmetz, associado \u00e0 De Beers, Dan Gertler da Nikanor e a Gleencore.<\/p>\n<p>O Sud\u00e3o \u00e9 o mais tr\u00e1gico exemplo, pois h\u00e1 tr\u00eas anos, em dezembro de 2018, os sudaneses come\u00e7aram a sair \u00e0s ruas para protestar contra as condi\u00e7\u00f5es de vida sob o regime de Omar al-Bashir, que estava no poder havia tr\u00eas d\u00e9cadas. Conseguiram derrub\u00e1-lo, mas as For\u00e7as Armadas assumiram o poder afirmando que tinham o compromisso de entregar o poder em pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas em outubro de 2021<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>,\u00a0 os militares destitu\u00edram o primeiro-ministro, o civil Abdalla Hamdok, decretaram estado de emerg\u00eancia e bloquearam as telecomunica\u00e7\u00f5es. Manifestantes sudaneses voltaram \u00e0s ruas, mesmo diante de uma repress\u00e3o brutal, que j\u00e1 deixou ao menos 60 mortos. Sob press\u00e3o, os militares negociaram a restitui\u00e7\u00e3o do premi\u00ea que havia sido derrubado pelo Golpe de Estado, mas as massas seguiram nas ruas, afinal com um desemprego nas nuvens e infla\u00e7\u00e3o de 400% ao ano, os trabalhadores est\u00e3o dispostos a lutar n\u00e3o s\u00f3 por um primeiro-ministro civil, querem resolver o problema do desemprego e da infla\u00e7\u00e3o e para isso exigem o fim do governo encabe\u00e7ado pelo general Abdel-Fattah Burhan.<\/p>\n<p>De acordo com um estudo, a \u00c1frica Subsaariana experimentou 80 golpes bem-sucedidos e 108 tentativas de golpe fracassadas, entre 1956 e 2001, uma m\u00e9dia de quatro por ano. Esse n\u00famero caiu pela metade de 2001 a 2019, per\u00edodo em que a maioria das na\u00e7\u00f5es africanas se voltaram para a democracia. Mas agora est\u00e1 novamente em ascens\u00e3o<\/p>\n<p><strong>Mudan\u00e7as nos pal\u00e1cios para conter o revolta das popula\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Como o desgaste dos governos \u00e9 monstruoso, em virtude da situa\u00e7\u00e3o de mis\u00e9ria da popula\u00e7\u00e3o, da crise econ\u00f4mica e da corrup\u00e7\u00e3o nas classes dirigentes, muitos deles se enfrentam com mobiliza\u00e7\u00f5es e revoltas, entram em crise e buscam fazer mudan\u00e7as dentro do pr\u00f3prio regime, mediante estes golpes militares e palacianos ou acertos entre as camarilhas dirigentes.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Angola, com a sa\u00edda de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos (no poder desde 1979) contra sua vontade; do Zimb\u00e1bue, onde Robert Mugabe (desde 1980) seguiu o mesmo caminho com prest\u00edgio abaixo de zero; e do Senegal, onde Abdoulaye Wade retirou sua proposta de altera\u00e7\u00e3o da lei eleitoral, que garantiria sua reelei\u00e7\u00e3o, depois de violentos protestos.<\/p>\n<p>Estas mudan\u00e7as \u201cnos pal\u00e1cios\u201d visam evitar que as mobiliza\u00e7\u00f5es cres\u00e7am e efetivamente derrubem governos e mudem os regimes.<\/p>\n<p>Durante a pandemia a \u00c1frica viu acontecer v\u00e1rias rebeli\u00f5es. Podemos citar: Zimb\u00e1bue, Nig\u00e9ria, Senegal, Angola, Suazil\u00e2ndia e \u00c1frica do Sul. Todas de car\u00e1ter popular e juvenil. Agora, aparentemente, pode estar come\u00e7ando um novo ciclo, de lutas com a entrada em cena dos setores organizados da classe trabalhadora. Se esse novo ciclo se desenvolver poder\u00e1 estar abrindo uma nova situa\u00e7\u00e3o na correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as no continente.<\/p>\n<p><strong>Rebeli\u00f5es populares e juvenis<\/strong><\/p>\n<p>As rebeli\u00f5es populares e juvenis na \u00c1frica e as tentativas de golpe de Estado s\u00e3o os aspectos mais vis\u00edveis da conjuntura de polariza\u00e7\u00e3o social que vive o continente durante a pandemia.<\/p>\n<p>No Zimb\u00e1bue as massas se levantaram contra a ditadura de Mnangagwa; na Nig\u00e9ria contra a repress\u00e3o policial; mesmo em Mali contra a primeira tentativa de golpe de Estado; no Senegal foi fundamentalmente contra o imperialismo franc\u00eas e seu aliado Macky Sall; Angola contra ditadura do MPLA; Suazil\u00e2ndia contra monarquia absolutista do Rei Mswati III e na \u00c1frica do Sul, as massas famintas saquearam supermercados, shopping centers e outros com\u00e9rcios com um saldo de 374 mortos.<\/p>\n<p>Com o crescimento da polariza\u00e7\u00e3o e do enfrentamento entre as classes, formam-se dois polos contrapostos. De um lado as burguesias nacionais, aliadas ao imperialismo, tentando sair da crise aprofundando a mis\u00e9ria das massas, aumentando a explora\u00e7\u00e3o das riquezas naturais e acabando com a muito pouca soberania nacional que ainda existe.<\/p>\n<p>Do outro, as massas, o proletariado e a classe trabalhadora pobre, que v\u00e3o se radicalizando e defendendo-se como podem, com os instrumentos que tenham em suas m\u00e3os. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de muita instabilidade provocado por essa situa\u00e7\u00e3o do chamado \u201csalve-se quem puder\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, frente a esse quadro de polariza\u00e7\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o surgimento de a\u00e7\u00f5es pela direita e pela esquerda. Golpes e contragolpes, forma\u00e7\u00e3o de governos direitistas e pr\u00f3-imperialistas e tamb\u00e9m mobiliza\u00e7\u00f5es e insurrei\u00e7\u00f5es, e agora as primeiras a\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora organizada.<\/p>\n<p>Nesse caldeir\u00e3o efervescente \u00e9 fundamental come\u00e7ar a construir organiza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora, mesmo que embrion\u00e1rias, que comecem a dar conte\u00fado revolucion\u00e1rio e socialista a estas mobiliza\u00e7\u00f5es, que a partir da luta contra muitas destas ditaduras, e regime bonapartistas, v\u00e3o apresentando, junto com as reivindica\u00e7\u00f5es por liberdades democr\u00e1ticas a perspectiva de uma transforma\u00e7\u00e3o social que vise uma revolu\u00e7\u00e3o que coloque no poder governos realmente da classe trabalhadora e da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que rompam com os imperialismos, nacionalizem a explora\u00e7\u00e3o das riquezas, de maneira que sejam colocadas a satisfazer as necessidades da popula\u00e7\u00e3o mais carente e sofrida.<\/p>\n<p>Somente com estas revolu\u00e7\u00f5es nacionais que coloquem governos realmente baseados na classe trabalhadora poderemos caminhar para uma Federa\u00e7\u00e3o Socialista dos Povos Africanos que extinga a superexplora\u00e7\u00e3o e a mis\u00e9ria do continente.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.pstu.org.br\/chade-crise-politica-e-social-e-a-responsabilidade-do-imperialismo-frances\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/mali-golpe-de-estado-pro-imperialista-fora-ja-as-tropas-francesas-do-mali\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/65256-2\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de golpes de Estado no mundo em 2021 foi o maior em duas d\u00e9cadas, foram 7 golpes. Destes, 4 se efetivaram, 2 foram derrotados e 1 segue ainda indefinido. Vale destacar que na \u00c1frica foi onde ocorreram 6 destes 7 golpes, ou tentativas de golpes. Somente Mianmar se localiza na \u00c1sia. Naquilo que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65814,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[208,3984,3170,4266,1586,414,4406,4344],"tags":[713,213,4448,4449],"class_list":["post-65813","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","category-chade","category-etiopia","category-guine-bissau","category-mali","category-nigeria","category-republica-democratica-do-congo","category-sudao","tag-asdrubal-barboza","tag-cesar-neto","tag-conjuntura-africa","tag-golpes-da-africa"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/Sudao-1.jpg","categories_names":["\u00c1frica","Chade","Eti\u00f3pia","Guin\u00e9-Bissau","Mal\u00ed","Nig\u00e9ria","Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo","Sud\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65813","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65813\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}