{"id":65550,"date":"2021-12-08T10:48:30","date_gmt":"2021-12-08T13:48:30","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65550"},"modified":"2021-12-08T10:48:30","modified_gmt":"2021-12-08T13:48:30","slug":"65550-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/12\/08\/65550-2\/","title":{"rendered":"Argentina| O que as elei\u00e7\u00f5es nos deixaram e as pr\u00f3ximas batalhas"},"content":{"rendered":"<p><em>Os resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es confirmaram em seus tra\u00e7os mais grosseiros, as tend\u00eancias anunciadas nas PASO (Prim\u00e1rias, Abertas, Obrigat\u00f3rias e Simult\u00e2neas). O Governo saiu novamente \u00a0derrotado a n\u00edvel nacional ficando quase 8 pontos abaixo de Juntos por el Cambio (JxC) e perdeu o qu\u00f3rum pr\u00f3prio no Senado. A oposi\u00e7\u00e3o patronal se consolidou como alternativa de direita embora sem dar o \u201ctomba\u00e7o\u201d que esperavam. Os ultraliberais Milei e Espert cresceram em seus distritos e o FIT-U fez sua melhor elei\u00e7\u00e3o desde 2011 quanto aos cargos obtidos. A participa\u00e7\u00e3o aumentou levemente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s PASO mas foi a menor desde 1983 por fora dessas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Argentina<\/p>\n<p><strong>Uma derrota com festejos<\/strong><\/p>\n<p>A derrota da Frente de Todos (FTD) n\u00e3o surpreendeu ningu\u00e9m. \u00c9 a consequ\u00eancia l\u00f3gica de priorizar os pagamentos da D\u00edvida Externa, os acordos com o FMI e os grandes empres\u00e1rios acima das necessidades populares, ao contr\u00e1rio do que Alberto havia prometido. E isso em meio \u00e0s dram\u00e1ticas condi\u00e7\u00f5es da pandemia, que para os setores populares significou dezenas de milhares de mortes e agravou terrivelmente a fome, a mis\u00e9ria, o desemprego e a precariedade. Por isso, apesar do plano \u201c<em>platita<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> com sua bateria de medidas paliativas e as promessas de emprego e obra p\u00fablica, o Governo recuperou somente 600 mil dos 2,5 milh\u00f5es de votos perdidos desde 2019.<\/p>\n<p>Apesar disto, a Frente de Todos festejou como se tivesse ganhado. Sobretudo a retomada na prov\u00edncia de Buenos Aires que\u00a0 permitiu a Tolosa Paz diminuir a diferen\u00e7a com Santilli em menos de um ponto e meio e tamb\u00e9m assegurar a Kicillo uma paridade com JxC no Legislativo, onde estava em minoria. \u00c9 que temiam um resultado muito pior e a n\u00edvel nacional, onde conseguiram recuperar Chaco e Tierra del Fuego, embora tenham sofrido uma derrota significativa em Santa Cruz e novamente em La Pampa e Chubut (prov\u00edncias historicamente peronistas). Seu cen\u00e1rio mais temido era uma derrota igual ou pior que a das PASO, o que teria significado um salto na crise do Governo e teria aberto uma perspectiva incerta. Esta derrota matizada com algumas conquistas d\u00e1 ao Governo um pouco de margem, expectativa de recompor-se e lhe permite evitar no momento a explos\u00e3o de uma interna feroz para 2023. Tamb\u00e9m deixou uma mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o interna de for\u00e7as. Fortaleceu-se o peso de alguns governadores e intendentes dos sub\u00farbios e do aparato do PJ, e se enfraqueceu o kirchnerismo que aprofunda sua perda de base eleitoral.<\/p>\n<p><strong>Consolida-se uma alternativa patronal de direita <\/strong><\/p>\n<p>Mais que o triunfo de JxC (que se explica mais pela derrocada da FdT) o mais significativo de seu resultado eleitoral \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um piso superior a 40% em todas as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es. Junto a isso ressalta seu triunfo em todos os principais distritos eleitorais. Al\u00e9m de seu basti\u00e3o CABA (Cidade Aut\u00f4noma de Buenos Aires), ganhou Buenos Aires e Santa F\u00e9 (governadas pela FdT), em C\u00f3rdoba superou a lista de Schiaretti por mais diferen\u00e7a e aumentou sua vota\u00e7\u00e3o em Mendonza. Apesar disto perdeu 500 mil votos em compara\u00e7\u00e3o a 2019 e n\u00e3o conseguiu ampliar a diferen\u00e7a em CABA como esperava. Isso e os resultados gerais inferiores \u00e0s expectativas deixaram um gosto amargo e impediram que se afirmasse a lideran\u00e7a de Larreta. Por outro lado, o macrismo continua em disputa permanente e empurrando para uma alian\u00e7a com Milei e Espert e os radicais se fortaleceram e querem rediscutir os termos da sociedade para 2023. Veremos como acabar\u00e1 resultando tudo isso, mas a verdade \u00e9 que a burguesia conta com uma reestrutura\u00e7\u00e3o com peso de massas, sobretudo na classe m\u00e9dia, e isso d\u00e1 certa perspectiva de estabilidade ao regime.<\/p>\n<p>Nesse quadro, o crescimento de 17% de Milei em CABA e em menor medida de Espert na prov\u00edncia de Buenos Aires, lhes permite ter quatro deputados e projetarem-se nacionalmente. N\u00e3o \u00e9 um dado menor tendo em conta seu programa ultraliberal e suas posi\u00e7\u00f5es extremamente reacion\u00e1rias e antioper\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>O acordo com o FMI no centro do debate pol\u00edtico<\/strong><\/p>\n<p>Para a maioria do povo trabalhador as preocupa\u00e7\u00f5es centrais continuam sendo a infla\u00e7\u00e3o incessante (apesar do \u201ccongelamento\u201d de pre\u00e7os de Felletti) que devora os sal\u00e1rios e aposentadorias, a falta de emprego e a precariza\u00e7\u00e3o dos poucos que conseguem. Ou a mis\u00e9ria e a fome diretamente em mais de 40% da popula\u00e7\u00e3o. Para n\u00e3o falar do crescimento lento de casos de COVID-19 e a preocupa\u00e7\u00e3o pela nova variante \u00d4micron. Mas a verdade \u00e9 que este panorama pode piorar no ano que vem, se avan\u00e7ar o acordo que o governo est\u00e1 tentando com o FMI.<\/p>\n<p>Na mesma noite das elei\u00e7\u00f5es, Alberto voltou \u00e0 carga com a proposta de um acordo com a oposi\u00e7\u00e3o com vistas \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o com o Fundo. Como parte do combo, tamb\u00e9m continua insistindo com um \u201cPacto Social\u201d para o qual conta com os sempre prontos dirigentes traidores da unificada Central Geral dos trabalhadores (CGT) que dirigiram o ato de 17\/11 em apoio ao Governo, e tamb\u00e9m com a Central de trabalhadores da Argentina (CTA) e os movimentos sociais oficialistas. \u00c9 que o FMI endureceu suas posi\u00e7\u00f5es e vendo a fragilidade do Governo exige que o acordo seja respaldado pela maioria das principais organiza\u00e7\u00f5es patronais e burocr\u00e1ticas. Sabe que o inevit\u00e1vel ajuste que implica ter\u00e1 resist\u00eancia do povo trabalhador e que para conseguir imp\u00f4-lo os Fern\u00e1ndez devem contar com todo esse apoio.<\/p>\n<p>\u00c9 revelador que o \u201cPrograma Plurianual\u201d que Guzm\u00e1n apresentar\u00e1 ao Congresso em dezembro esteja sendo elaborado em conjunto com os funcion\u00e1rios do FMI, como certamente o or\u00e7amento de 2022. Segundo os especialistas em troca de aliviar os pagamentos imediatos o Governo se comprometeria a reduzir o d\u00e9ficit fiscal, eliminar subs\u00eddios e aumentar tarifas, al\u00e9m de acelerar a desvaloriza\u00e7\u00e3o com seu consequente impacto nos pre\u00e7os. Ou seja, um duro ajuste para a popula\u00e7\u00e3o trabalhadora e os setores m\u00e9dios. O outro dado fundamental \u00e9 que Cristina em sua nova carta apoia este plano de ajuste ao lembrar a trajet\u00f3ria de \u201cpagadores seriais\u201d (como disse na sua \u00e9poca) dos anteriores governos kirchneristas. Veremos como isto repercutir\u00e1 na base mais radicalizada do kirchnerismo que seguramente esperava outra coisa.<\/p>\n<p><strong>A grande elei\u00e7\u00e3o da FIT-U e as lutas que vem<\/strong><\/p>\n<p>A FIT-U fez uma elei\u00e7\u00e3o muito boa. \u00c9 um fato muito importante que uma faixa do povo trabalhador e pobre tenha rompido eleitoralmente com os candidatos e partidos patronais e apoie um programa de independ\u00eancia de classe. Sobretudo tendo em conta todos os condicionamentos e vantagens que o poder dos capitalistas e seus meios de comunica\u00e7\u00e3o imp\u00f5em nas elei\u00e7\u00f5es, a favor de seus representantes.<\/p>\n<p>O grande desafio que n\u00f3s lutadores\/as oper\u00e1rios\/as e populares temos proposto, \u00e9 traduzir esse avan\u00e7o na consci\u00eancia de um setor da classe oper\u00e1ria em mobiliza\u00e7\u00e3o e auto-organiza\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica por baixo. Para enfrentar o Pacto Social do ajuste e do FMI que tanto o Governo e as condu\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas traidoras, como a oposi\u00e7\u00e3o patronal, buscar\u00e3o nos impor. Seria um grande passo tamb\u00e9m para come\u00e7ar a construir uma nova dire\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora que possa n\u00e3o apenas derrotar o ajuste, mas lutar por um plano de emerg\u00eancia oper\u00e1rio e popular como o que precisamos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Medidas econ\u00f3micas do governo que foram apelidadas pela imprensa de &#8220;plan platita&#8221;<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os resultados das \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es confirmaram em seus tra\u00e7os mais grosseiros, as tend\u00eancias anunciadas nas PASO (Prim\u00e1rias, Abertas, Obrigat\u00f3rias e Simult\u00e2neas). 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