{"id":65535,"date":"2021-12-09T17:36:34","date_gmt":"2021-12-09T17:36:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65535"},"modified":"2021-12-09T17:36:34","modified_gmt":"2021-12-09T17:36:34","slug":"licoes-apos-30-anos-do-fim-da-urss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/12\/09\/licoes-apos-30-anos-do-fim-da-urss\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es ap\u00f3s 30 anos do fim da URSS"},"content":{"rendered":"<p>Em agosto de 1991, grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massas, em Moscou e em toda a antiga URSS, derrubaram o regime ditatorial do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (PCUS). O processo vinha de alguns anos antes. Come\u00e7a com a rebeli\u00e3o na Arm\u00eania em 1988; continua nas lutas populares das na\u00e7\u00f5es oprimidas na URSS, no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es de massas que levaram \u00e0 queda do muro de Berlim em 1989; passa pela revolu\u00e7\u00e3o que derrubou o Partido Comunista e prendeu e executou o tirano Ceau\u0219escu da Rom\u00eania, em 1989, e pelas demais que varreram a Europa Oriental submetida \u00e0s ditaduras dos partidos comunistas sob tutela de Moscou. A impot\u00eancia do regime do PCUS para impedir a queda dos regimes stalinistas em seus sat\u00e9lites da Europa Oriental j\u00e1 prenunciava uma crise aguda no regime da pr\u00f3pria R\u00fassia ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da chamada <em>Perestroika<\/em>, pol\u00edtica que restaurou o capitalismo e deixou a sociedade sovi\u00e9tica exposta a uma queda cada vez maior de seu n\u00edvel de vida.<!--more--><\/p>\n<p>Por: Reda\u00e7\u00e3o LIT-QI<\/p>\n<p>No ano de 1991, frente a uma tentativa de golpe de Estado da ala mais repressiva e ditatorial da burocracia encabe\u00e7ada por Yegor Ligachev, as massas o derrotaram nas ruas e derrubaram o aparato do PCUS abrindo um per\u00edodo de liberdades democr\u00e1ticas em toda a URSS. Quem dirigiu o processo na R\u00fassia foi Yeltsin, que poucos meses depois decreta o fim da URSS numa reuni\u00e3o dos tr\u00eas governantes, da R\u00fassia, Ucr\u00e2nia e Bielorr\u00fassia.<\/p>\n<p>Qual foi a natureza e o resultado desse movimento? A queda da URSS foi muito comemorada pelo imperialismo como a vit\u00f3ria do capitalismo e lamentada pelos stalinistas com o argumento de derrota do socialismo, fruto de uma \u201ccontrarrevolu\u00e7\u00e3o\u201d, por isso muita confus\u00e3o se mant\u00e9m at\u00e9 hoje na hora de avaliar os fatos.<\/p>\n<p>Significou uma vit\u00f3ria ou uma derrota para o movimento oper\u00e1rio? Retomar os fatos e ter uma posi\u00e7\u00e3o permanece sendo decisivo para que a milit\u00e2ncia tenha um programa adequado frente \u00e0 realidade mundial atual.<\/p>\n<p>A LIT-QI, depois de apresentar uma resposta inicial com erros importantes, a partir do ano de 1997 elaborou uma an\u00e1lise original frente aos fatos. Esta an\u00e1lise est\u00e1 expressa no livro Veredito da Hist\u00f3ria do camarada Martin Hernandez e nos armou, tanto para entender o processo de restaura\u00e7\u00e3o na URSS e Europa Oriental, como na China e em Cuba. Neste artigo vamos retomar essa elabora\u00e7\u00e3o e colocar algumas novas quest\u00f5es para entender mais precisamente a desintegra\u00e7\u00e3o da URSS.<\/p>\n<p><strong>I. O que era a URSS em 1991<\/strong><\/p>\n<p>Em 1917, a classe oper\u00e1ria havia tomado o poder sob a dire\u00e7\u00e3o do Partido Bolchevique e Lenin e Trotsky sempre disseram que a Revolu\u00e7\u00e3o Russa s\u00f3 poderia resistir ao cerco imperialista e alcan\u00e7ar o socialismo se o proletariado dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados tamb\u00e9m tomasse o poder. A Guerra Civil russa (1917-1923), que contou com a interven\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos russos brancos e com uma invas\u00e3o militar de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es imperialistas, sustentando tamb\u00e9m v\u00e1rios ex\u00e9rcitos mercen\u00e1rios, desferiram golpes poderosos sobre um pa\u00eds atrasado. Grande parte da vanguarda da classe oper\u00e1ria russa, que havia tomado o poder, perdeu a vida na luta militar. A fome e a mis\u00e9ria atingiram propor\u00e7\u00f5es catastr\u00f3ficas no jovem Estado oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>O atraso das massas russas, majoritariamente camponesas; a quase desapari\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria durante a guerra civil; o cansa\u00e7o das massas como consequ\u00eancia da pr\u00f3pria guerra; a derrota da revolu\u00e7\u00e3o alem\u00e3 (1918-1923), etc., permitiu base objetiva para o fortalecimento dos setores mais burocr\u00e1ticos e conservadores no Partido Bolchevique e no Estado. A revolu\u00e7\u00e3o sobreviveu, mas com contradi\u00e7\u00f5es graves: uma nova camada de funcion\u00e1rios, origin\u00e1ria de velhos membros do aparato czarista e refor\u00e7ada por novos burocratas e carreiristas tomou o controle do Estado oper\u00e1rio ap\u00f3s um processo duro e violento de luta pol\u00edtica. Surgiu, assim, a burocracia do Estado oper\u00e1rio. Um retrocesso que vai se materializar na ascens\u00e3o de Stalin \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do partido e do Estado ap\u00f3s a morte de Lenin em 1924<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p>A contrarrevolu\u00e7\u00e3o stalinista pavimentou o caminho com o sangue dos quadros que resistiram ao retrocesso. Como resultado de uma repress\u00e3o impiedosa, os trotskistas e demais oposicionistas foram povoar as pris\u00f5es do Estado<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. A partir da\u00ed, essa nova casta ataca duramente a concep\u00e7\u00e3o e o programa original de Lenin e do Partido Bolchevique que havia encabe\u00e7ado a revolu\u00e7\u00e3o. E elabora uma teoria justificativa para impor uma orienta\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 de Lenin, mas apresentada enganosamente em nome dele e do marxismo: O <strong><em>\u2018socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u2019<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p>A burocracia imp\u00f4s um retrocesso completo na quest\u00e3o da mulher, da fam\u00edlia, da homossexualidade. O mesmo aconteceu com as nacionalidades oprimidas e incluiu a volta do velho \u201cpatriotismo russo\u201d chauvinista e o antissemitismo, tra\u00e7os t\u00edpicos do czarismo.<\/p>\n<p>A ideia de Stalin de que a URSS, em forma isolada do resto do mundo j\u00e1 havia chegado ao socialismo, n\u00e3o s\u00f3 era ut\u00f3pica, como era reacion\u00e1ria. Sua outra cara era \u201ca coexist\u00eancia pac\u00edfica com o imperialismo\u201d. Afinal, se era poss\u00edvel chegar ao socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds isolado, n\u00e3o era necess\u00e1rio, ou pelo menos n\u00e3o era imperioso, ter como centro garantir todo apoio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o mundial. Isso justificou que a URSS, conduzida por Stalin, chegasse a acordos contrarrevolucion\u00e1rios com os distintos imperialismos.<\/p>\n<p>Desta forma, a URSS deixou de ser uma alavanca da revolu\u00e7\u00e3o mundial, que era a \u00fanica forma que tinha a pr\u00f3pria URSS de chegar ao socialismo. Transformou-se, atrav\u00e9s da Terceira Internacional estalinizada, no principal obst\u00e1culo para a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o internacional. O resultado foi que a URSS continuou isolada frente ao imperialismo e, depois, frente \u00e0 amea\u00e7a direta do nazifascismo. Entre 1938-40, Stalin concretizou o vergonhoso Pacto com Hitler, que dividiu a Pol\u00f4nia entre ambos os governos que ocuparam, cada um, uma parte desse pa\u00eds. O pacto foi escrito com o sangue dos trabalhadores e do povo polon\u00eas.<\/p>\n<p>A invas\u00e3o nazista \u00e0 URSS, em 1941, implicou uma ruptura unilateral, por parte de Hitler, desse pacto. O avan\u00e7o alem\u00e3o tomou Stalin e o alto mando sovi\u00e9tico completamente despreparados, apesar de terem sido informados com anteced\u00eancia, pela rede comunista de informa\u00e7\u00f5es Orquestra Vermelha de Leopold Trepper, que o ataque nazista era iminente. Para agravar ainda mais a situa\u00e7\u00e3o Stalin havia ordenado, em 1938, um expurgo que destruiu\u00a0todo o grupo dirigente\u00a0do Ex\u00e9rcito Vermelho e\u00a0comprometeu gravemente a capacidade de defesa da URSS. Todo o alto comando com Tukhachevsky, Yakir, dirigentes do Ex\u00e9rcito Vermelho e her\u00f3is da guerra civil foram fuzilados em segredo. Esse expurgo levou \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o de 90% de todos os generais, 80% de todos os coron\u00e9is, e 30 mil dos oficiais de patentes mais baixas e deixou o Ex\u00e9rcito Vermelho seriamente enfraquecido \u00e0s v\u00e9speras da 2\u00aa Guerra Mundial. Frente a uma razia desta magnitude no Ex\u00e9rcito Vermelho, Hitler se sentiu encorajado a atacar a URSS.<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria contra o nazifascismo, na verdade, coube \u00e0 classe oper\u00e1ria e o povo russos, n\u00e3o \u00e0 burocracia stalinista. A vit\u00f3ria do povo sovi\u00e9tico se produziu a pesar da camarilha governante. A resist\u00eancia heroica dos trabalhadores e camponeses russos consegue reverter o curso da guerra a partir de 1943, com a retumbante vit\u00f3ria dos trabalhadores russos em Stalingrado. Essa vit\u00f3ria abre o caminho para a derrota militar do nazismo e muda a situa\u00e7\u00e3o da Segunda Guerra, n\u00e3o s\u00f3 na URSS, mas em toda a Europa.<\/p>\n<p>Mas, ao inv\u00e9s de se apoiar nesse enorme triunfo dos trabalhadores para estimular a revolu\u00e7\u00e3o mundial, Stalin continuou a defender a submiss\u00e3o de todas as revolu\u00e7\u00f5es ao acordo com o imperialismo norte-americano e brit\u00e2nico, com os quais assinou os Pactos de Yalta e Potsdam. Nesses dois acordos, Stalin aceitou que, ap\u00f3s a derrota do nazismo, a Europa ocidental permaneceria capitalista. A partir de 1945, quando o ascenso revolucion\u00e1rio percorreu in\u00fameros pa\u00edses, inclusive os grandes centros capitalistas, a orienta\u00e7\u00e3o para os Partidos Comunistas (PCs) da Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Gr\u00e9cia, que encabe\u00e7avam a resist\u00eancia ao nazifascismo, foi no sentido de entregar o comando do pa\u00eds \u00e0s respectivas burguesias. Assim como na China fazer o PC chines apoiar um governo de coaliz\u00e3o com Chiang Kai Shek.<\/p>\n<p>Stalin saiu fortalecido pela vit\u00f3ria contra o nazismo. Mas a perman\u00eancia da burocracia no comando da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica ap\u00f3s a guerra e a desastrosa condu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica fizeram com que, j\u00e1 no final dos anos 1950, o crescimento econ\u00f4mico come\u00e7asse a diminuir. A economia continuava crescendo, por\u00e9m a um ritmo bastante inferior.<\/p>\n<p><strong>II. A Restaura\u00e7\u00e3o a partir da pr\u00f3pria burocracia<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma ideia difundida de que a burocracia governava a URSS com o apoio, ativo ou passivo, dos trabalhadores. Mais uma vez se oculta as in\u00fameras demonstra\u00e7\u00f5es de resist\u00eancia por parte da classe oper\u00e1ria durante todo o per\u00edodo de controle totalit\u00e1rio do PCUS. A queda do n\u00edvel de vida das massas encontrou resist\u00eancia por parte dos oper\u00e1rios de toda a URSS. S\u00f3 para citar uma dessas manifesta\u00e7\u00f5es, em 1962, sob o governo de Khrushchov explodiu uma greve dos mineiros de Novocherkask, com mais de 10.000 trabalhadores e que foi esmagada pela repress\u00e3o assassina do PCUS atrav\u00e9s da pol\u00edcia e da KGB<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>Entre os anos 1963 e 1968, em todo o Leste europeu, a burocracia tentou fazer reformas profundas para tentar superar a situa\u00e7\u00e3o. Essas reformas, que por um lado pretendiam modernizar a gest\u00e3o e por outro aumentar o com\u00e9rcio exterior para trazer novas tecnologias, terminaram em um fracasso. Tanto a URSS como o conjunto dos pa\u00edses do Leste europeu come\u00e7aram a entrar em uma crise econ\u00f4mica sem sa\u00edda. A invas\u00e3o do Afeganist\u00e3o, em 1979, trouxe novas contradi\u00e7\u00f5es explosivas que atingiu duramente o aparelho militar e a economia sovi\u00e9tica, pois envolveu uma guerra de ocupa\u00e7\u00e3o que durou muitos anos, fato que implicava gastos imensos e sem conseguir estabilizar minimamente o pa\u00eds ocupado.<\/p>\n<p>Quando Gorbachev assume o poder, em 1985, logo ap\u00f3s a morte de Tchernenko, a situa\u00e7\u00e3o era cada vez mais insustent\u00e1vel. Andropov, que havia sido chefe da KGB por muitos anos, foi o secret\u00e1rio geral do PCUS que sucedeu Brejnev e quem sustentou Gorbachev em sua ascens\u00e3o. Andropov j\u00e1 tinha um projeto restauracionista e tinha como objetivo abrir espa\u00e7o para Gorbachev, que vinha da agricultura, onde tinha se dado conta da perda de competitividade da agricultura da URSS frente aos pa\u00edses imperialistas e impactado por problemas decorrentes do aparelho burocr\u00e1tico, queria impor um novo curso para o mercado. Mas Andropov teve seu mandato abreviado devido a uma doen\u00e7a, e a ascens\u00e3o da nova camada de dirigentes dispostos a abrir caminho \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o ocorre ap\u00f3s a r\u00e1pida passagem de Tchernenko pela secretaria geral do PCUS.<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> Andropov havia modificado a composi\u00e7\u00e3o do comit\u00ea central do PCUS algum tempo antes para poder implementar as reformas pr\u00f3-capitalistas. Essa mudan\u00e7a deu base para a ascens\u00e3o de Gorbachev ao cargo m\u00e1ximo, o que define a domina\u00e7\u00e3o do PCUS pela ala Restauracionista.<\/p>\n<div id=\"attachment_65537\" style=\"width: 660px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65537\" class=\"size-full wp-image-65537\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Yuri-Andropov-and-Chernenko.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"433\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Yuri-Andropov-and-Chernenko.jpg 650w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Yuri-Andropov-and-Chernenko-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/Yuri-Andropov-and-Chernenko-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 650px) 100vw, 650px\" \/><p id=\"caption-attachment-65537\" class=\"wp-caption-text\">Andropov e Tchernenko<\/p><\/div>\n<p>O plano desse setor majorit\u00e1rio da burocracia era abrir a economia ao investimento externo e ao com\u00e9rcio exterior, acabar com o planejamento centralizado e estabelecer rela\u00e7\u00f5es diretas com o imperialismo norte-americano. E para isso ter uma pol\u00edtica externa de \u2018paz\u2019, de levar \u00e0 \u2018coexist\u00eancia pac\u00edfica\u2019, uma postura de aceita\u00e7\u00e3o e entrega, que se concretizou com a c\u00fapula Reagan-Gorbachev. N\u00e3o por acaso, poucos anos depois, Gorbachev recebeu o t\u00edtulo do Pr\u00eamio Nobel da Paz. E \u00e9 homenageado at\u00e9 hoje pelo imperialismo. Na R\u00fassia, ao contr\u00e1rio, seu nome ficou associado ao per\u00edodo de car\u00eancias de bens b\u00e1sicos, de infla\u00e7\u00e3o e mis\u00e9ria. S\u00f3 restou a Gorbachev se afastar da vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p><strong>A aplica\u00e7\u00e3o do projeto de restaura\u00e7\u00e3o de Gorbachev\u00a0 <\/strong><\/p>\n<p>Mas a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, iniciada concretamente em 1986, trouxe consigo ainda mais flagelos para a popula\u00e7\u00e3o e uma crise econ\u00f4mica e social ainda pior. A libera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os descarregou nas costas da popula\u00e7\u00e3o os custos da libera\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio. A guerra no Afeganist\u00e3o, para piorar o quadro, continuava a drenar os recursos.<\/p>\n<div id=\"attachment_65538\" style=\"width: 1716px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65538\" class=\"size-full wp-image-65538\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1706\" height=\"960\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1.jpg 1706w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-150x84.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-696x392.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/rusia-estados_unidos-misiles_418469287_131464357_1706x960-1-1068x601.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1706px) 100vw, 1706px\" \/><p id=\"caption-attachment-65538\" class=\"wp-caption-text\">Gorbachev e Reagan, em 1987<\/p><\/div>\n<p>O descontentamento cresceu em escala geom\u00e9trica. As nacionalidades oprimidas continuavam a ser marginalizadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 R\u00fassia. Nesse contexto, explodiu a rebeli\u00e3o na Arm\u00eania em 1988.<\/p>\n<p>Come\u00e7aram as manifesta\u00e7\u00f5es por democracia em todo o Leste europeu. Em 1989, a onda de revolu\u00e7\u00f5es na Europa oriental teve um grande impacto: a queda do Muro de Berlim e em seguida, a queda de v\u00e1rios partidos comunistas e a derrubada do ditador Ceau\u015fescu na Rom\u00eania, que acabou sendo fuzilado pelos insurretos.<\/p>\n<p>A crise se estende \u00e0 burocracia e ao regime ditatorial e opressor no pr\u00f3prio PCUS. Al\u00e9m disso, esta j\u00e1 havia mostrado sua debilidade quando ao contr\u00e1rio de 1956 na Hungria e de 1968 na Tchecoslov\u00e1quia, n\u00e3o p\u00f4de intervir para reprimir os levantes vitoriosos nos pa\u00edses sat\u00e9lites da Europa oriental, como na Alemanha Oriental em 1989.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica contra o regime ditatorial do PCUS \u00e0 frente de um Estado burgu\u00eas. <\/strong><\/p>\n<p>Esse ac\u00famulo de crises e derrotas vai se concentrar na URSS entre 1989 e 1991. E se d\u00e1 contra uma ex-URSS com um Estado burgu\u00eas j\u00e1 em transi\u00e7\u00e3o ao capitalismo. Gorbachev tinha o plano de ir fazendo uma abertura econ\u00f4mica controlada para chegar ao capitalismo, assim como certas medidas de abertura pol\u00edtica limitada, mas a crise profunda que cruzava o pa\u00eds deflagrou um processo que essa dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o conseguiu controlar.<\/p>\n<p>Nesse processo surgem lideran\u00e7as como Boris Yeltsin. Vindo do aparelho do pr\u00f3prio PCUS, abre uma dissid\u00eancia para ir mais fundo que o pr\u00f3prio Gorbachev no caminho da abertura ao mercado e ao imperialismo, e, para isso, assume algumas bandeiras democr\u00e1ticas como elei\u00e7\u00f5es livres imediatas para as autoridades regionais. Com isso, se torna popular e assume a dire\u00e7\u00e3o do processo de luta contra a burocracia, quando assume como presidente da Federa\u00e7\u00e3o Russa. A partir da\u00ed, Yeltsin desafia o poder central do PCUS e prop\u00f5e acelerar mais a abertura pol\u00edtica e econ\u00f4mica para o mercado. Nesse processo, uma ala da burocracia, que contava com dirigentes como Ligachev, queria manter o controle pol\u00edtico total desse processo com repress\u00e3o dura (como fizera a burocracia chinesa de Deng Hsiao Ping nas <em>4 moderniza\u00e7\u00f5es<\/em>) e por isso exigia um fim das aberturas pol\u00edticas controladas de Gorbachev (conhecidas pelo nome de <em>glasnost<\/em>) e a pris\u00e3o de dissidentes como Yeltsin e outras figuras semelhantes.<\/p>\n<p>No dia 19 de agosto de 1991, tanques e carros blindados invadiram o centro de Moscou. Os militares tomaram o controle dos edif\u00edcios estatais, da torre de televis\u00e3o e da sede dos correios. Um grupo de altos dirigentes do PCUS, encabe\u00e7ados por Ligachev, anunciou a passagem do poder ao <em>Comit\u00e9<\/em> <em>Estatal de Emerg\u00eancia<\/em> por causa de uma \u201cgrave e repentina enfermidade\u201d do ent\u00e3o presidente sovi\u00e9tico, Mikhail Gorbachev. Era um golpe de Estado contra a linha de Gorbachev.<\/p>\n<div id=\"attachment_65539\" style=\"width: 1610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65539\" class=\"size-full wp-image-65539\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1600\" height=\"1112\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1.jpg 1600w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-300x209.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-1024x712.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-768x534.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-1536x1068.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-150x104.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-696x484.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/fall_of_soviet_union_19-1-1068x742.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><p id=\"caption-attachment-65539\" class=\"wp-caption-text\">As massas sovi\u00e9ticas derrotam o golpe militar de agosto de 1991<\/p><\/div>\n<p>Quando esse grupo de burocratas do PCUS tenta esse golpe de Estado para fechar o regime, desperta uma rea\u00e7\u00e3o imediata de massas, que tomam a cidade de Moscou, e fazem com que as for\u00e7as armadas se dividam no momento de reprimir. O ex\u00e9rcito se recusa a reprimir as massas agrupadas junto ao Parlamento russo e assim o golpe \u00e9 derrotado e os golpistas obrigados a renunciar. Foram detidos e presos. Mas o poder n\u00e3o ser\u00e1 mais devolvido a Gorbachev. Cai o regime de partido \u00fanico e suas institui\u00e7\u00f5es repressivas. O pr\u00f3prio PCUS \u00e9 apeado do poder. A luta de conjunto por liberdades democr\u00e1ticas das massas russas e das nacionalidades acabara derrubando o regime.<\/p>\n<p><strong>A derrota do Stalinismo foi uma vit\u00f3ria dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>O stalinismo era um aparato mundial que, como vimos, foi o maior obst\u00e1culo para as revolu\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo XX. Por isso, a derrota do PCUS pela a\u00e7\u00e3o das massas sovi\u00e9ticas foi uma vit\u00f3ria de car\u00e1ter internacional, pois colocou em xeque o stalinismo, todo o aparato internacional dos PCs, p\u00f4s abaixo o maior obst\u00e1culo at\u00e9 ent\u00e3o existente ao avan\u00e7o da classe oper\u00e1ria e de sua organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. A partir da\u00ed, se deu uma ruptura no mundo inteiro com os partidos comunistas, liberando for\u00e7as para a constru\u00e7\u00e3o de partidos leninistas, e da Internacional, e melhores condi\u00e7\u00f5es para a retomada do m\u00e9todo e do programa marxista no movimento oper\u00e1rio, se abriu um espa\u00e7o imenso para esse combate. N\u00e3o resolveu a crise de dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas colocou essa tarefa em melhores condi\u00e7\u00f5es objetivas.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o elimina os aparatos nem destr\u00f3i as ideologias existentes. A burguesia continua mantendo sua guerra ideol\u00f3gica associando o stalinismo e as burocracias ao \u2018marxismo\u2019 e ao socialismo para combat\u00ea-los. E a prova disso s\u00e3o as campanhas contra o \u2018comunismo\u2019, feitas a partir da leitura da queda da URSS como uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o <em>pr\u00f3-capitalismo<\/em>, que derrotou o socialismo\u201d. Cabe aos revolucion\u00e1rios dar uma batalha contra essa interpreta\u00e7\u00e3o. A constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios necessita de uma luta permanente ligada aos processos da luta de classes e um combate ideol\u00f3gico contra as alternativas burguesas, reformistas e aos neo-stalinistas.<\/p>\n<p><strong>III. As interpreta\u00e7\u00f5es sobre 1991, vinte anos depois<\/strong><\/p>\n<p>Podemos sintetizar as duas interpreta\u00e7\u00f5es existentes em dois grandes blocos:<\/p>\n<p>a) A explica\u00e7\u00e3o que foi e continua sendo pelo pr\u00f3prio stalinismo: segundo eles, haveria problemas econ\u00f4micos na URSS e no bloco do COMECON<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> pelo bloqueio do imperialismo e uma campanha ideol\u00f3gica ocidental que teve impacto nas mentes dos trabalhadores da URSS e da Europa Oriental, onde tamb\u00e9m haveria renegados e infiltrados que faziam o jogo do imperialismo. O Ocidente e sua publicidade teria ganhado a cabe\u00e7a dos oper\u00e1rios. Tal vers\u00e3o \u00e9 uma ofensa para toda a classe oper\u00e1ria russa, que foi capaz de enfrentar e derrotar o invasor nazista em 1943, e defender as bases sociais do Estado oper\u00e1rio, apesar de sua dire\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica. Assim como para as classes oper\u00e1rias da Hungria em 56, Pol\u00f4nia em 56 e 80-81, a Tchecoslov\u00e1quia de 68 que poderiam abrir um novo caminho para o socialismo com democracia oper\u00e1ria livrando os povos desses pa\u00edses dessa burocracia, mas foram esmagadas com a repress\u00e3o e invas\u00e3o das tropas russas, sob o pretexto que seriam agentes do imperialismo. Assim como para os trabalhadores que lutaram com manifesta\u00e7\u00f5es e greves na pr\u00f3pria URSS, e as centenas de milhares de opositores internos que foram reprimidos e assassinados nos campos de concentra\u00e7\u00e3o stalinistas, come\u00e7ando pelos dirigentes bolcheviques que Stalin liquidou sem exce\u00e7\u00e3o no final dos anos 30.<\/p>\n<p>Os informes sobre a exist\u00eancia da oposi\u00e7\u00e3o nas cadeias de Stalin nos anos 30-39, revelados pelos pr\u00f3prios arquivos da KGB e pela pesquisa de Pierre Brou\u00e9<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, mostram a luta pela defesa da retomada do caminho socialista atrav\u00e9s de uma revolu\u00e7\u00e3o antiburocr\u00e1tica, e por isso sofreram os horrores de uma mec\u00e2nica de torturas e repress\u00e3o igual ou pior que a do czarismo russo e do nazi-fascismo em campos de concentra\u00e7\u00e3o como o de Vorkuta na Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p>Essa vers\u00e3o neo-stalinista de que os trabalhadores foram iludidos pelo discurso imperialista \u00e9 um intento desesperado de tirar a culpa da burocracia contrarrevolucion\u00e1ria desde Stalin, passando por Kruschev, Brejnev at\u00e9 Gorbachev, aos R\u00e1kosi da Hungria, Gomulka da Pol\u00f4nia e Ceausescu da Rom\u00eania. Esses foram os algozes da vanguarda da classe oper\u00e1ria de seus pa\u00edses e das oposi\u00e7\u00f5es que tentaram enfrentar seus planos contrarrevolucion\u00e1rios e foram esses mesmos dirigentes burocr\u00e1ticos que prepararam o caminho e levaram \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o a partir de 1985-6 na antiga URSS e em todo o leste europeu sob sua domina\u00e7\u00e3o ditatorial.<\/p>\n<p>Por outro lado, alguns stalinistas ou neo-stalinistas acusam a Gorbachev, como antes acusaram Kruschev nos anos 50-60 de ter vacilado frente a essas press\u00f5es e as agress\u00f5es imperialistas. Kruschev havia assumido a dire\u00e7\u00e3o da URSS e denunciado os crimes de Stalin em 1956. Nos anos 60, tanto os mao\u00edstas como o PC da Alb\u00e2nia, e seus seguidores como o PCdoB do Brasil, tinham o discurso de que Kruschev era um \u2018revisionista\u2019 pr\u00f3 capitalista e eram defensores da heran\u00e7a de Stalin frente \u00e0 \u2018revis\u00e3o\u2019 de Kruschev, j\u00e1 que tinha sido Kruschev quem havia revelado os crimes de Stalin a partir de sua morte em 1953.<\/p>\n<p>Impactadas pelo fortalecimento do stalinismo logo ap\u00f3s a segunda guerra mundial, na esteira da revolu\u00e7\u00e3o iugoslava e a vit\u00f3ria de Tito, ainda mais com a vit\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o chinesa com Mao Tse Tung em 1949 e mais adiante a indochinesa, esse tipo de posi\u00e7\u00e3o se estendeu com a revolu\u00e7\u00e3o cubana de 1959 e a t\u00e1tica guerrilheira de Fidel Castro e Che Guevara. Embora esses mesmos processos tenham dividido o pr\u00f3prio stalinismo, levavam a posi\u00e7\u00f5es diferentes, mas que n\u00e3o deixavam de ser stalinistas. Alguns como o castrismo e os vietnamitas acabaram por se alinhar com a burocracia russa, e outros como o PC chin\u00eas e o PC da Alb\u00e2nia de Enver Hoxha tiveram uma ruptura e constru\u00edram outra corrente internacional<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. Na \u00e9poca os mao\u00edstas chamavam a burocracia russa de defensores do \u2018social-imperialismo\u2019.<\/p>\n<p>Hoje essa posi\u00e7\u00e3o voltou a ganhar for\u00e7a com os que tentam resgatar Stalin como um verdadeiro defensor do socialismo. Esses setores afirmam que houve algumas injusti\u00e7as e que at\u00e9 mesmo os Tribunais de Moscou dos anos 30 teriam sido apenas erros de um dirigente comunista com uma orienta\u00e7\u00e3o geral correta, mas com alguns \u2018m\u00e9todos equivocados\u2019, e que caso triunfassem naquele momento, seus opositores teriam levado a URSS ao desastre.<\/p>\n<p>Trotsky fez uma analogia hist\u00f3rica importante, quando demonstrou que esses m\u00e9todos eram uma necessidade da burocracia contra revolucion\u00e1ria para garantir seu dom\u00ednio. Que o exterm\u00ednio da oposi\u00e7\u00e3o foi uma necessidade da burocracia contrarrevolucion\u00e1ria para perpetuar-se no poder e garantir seus privil\u00e9gios, assim como o Termidor de Napole\u00e3o Bonaparte fora necess\u00e1rio para terminar com o processo revolucion\u00e1rio na Fran\u00e7a aberto em 1789.<\/p>\n<p>b) Ao longo dos 60 anos de domina\u00e7\u00e3o da burocracia no Estado oper\u00e1rio russo, houve outro grupo de correntes na esquerda socialista que fizeram cr\u00edticas duras ao stalinismo e \u00e0 burocracia da URSS, mas sempre depositaram esperan\u00e7as numa reforma do regime interno e na modifica\u00e7\u00e3o gradual dessa burocracia pelo surgimento de for\u00e7as renovadoras no seu interior que poderiam regenerar a URSS. Quando havia polariza\u00e7\u00f5es, esses setores assumiam uma posi\u00e7\u00e3o centrista, colocando a \u2018defesa da URSS\u2019 \u00e0 frente de qualquer outra quest\u00e3o pol\u00edtica. Confundiam a defesa das conquistas da revolu\u00e7\u00e3o russa e do Estado oper\u00e1rio com a defesa da burocracia stalinista<\/p>\n<p>Nas for\u00e7as que compunham a IV Internacional no p\u00f3s guerra e nas que se reivindicaram do trotskismo, esse mesmo tipo de interpreta\u00e7\u00e3o foi predominante ao longo de todo o p\u00f3s guerra e at\u00e9 1991. Inclusive os trotskistas, em sua maioria, se puseram do lado dos que lamentaram a queda da ditadura da burocracia da URSS. Para eles, as massas russas tinham sido ganhas para a restaura\u00e7\u00e3o e eram as respons\u00e1veis pela volta do capitalismo, porque o apoiaram.<\/p>\n<p>Houve correntes sect\u00e1rias como o SWP ingl\u00eas que n\u00e3o assumiam a defesa do Estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico, frente a um ataque do imperialismo. Classificavam a URSS como capitalismo de Estado. Sua posi\u00e7\u00e3o frente a eventos como a Guerra da Cor\u00e9ia, era \u201cnem EUA, nem URSS\u201d. E houve setores como o lambertismo da Fran\u00e7a e o healysmo ingl\u00eas que n\u00e3o reconheciam os novos Estados oper\u00e1rios burocr\u00e1ticos do p\u00f3s guerra e mantiveram essa carateriza\u00e7\u00e3o por todo um per\u00edodo de 1952 a 1980.<\/p>\n<p>Mas o setor que assumiu a dire\u00e7\u00e3o da IV e causou sua dispers\u00e3o no p\u00f3s-guerra foi o \u2018pablismo\u2019 que afirmava declaradamente sua aposta na regenera\u00e7\u00e3o da burocracia sovi\u00e9tica. Confundia a proposta de Trotsky de \u201cdefesa da URSS\u201d com a defesa da burocracia da URSS. Recusou-se a apoiar a revolta de Berlim Oriental em 1953, porque ia contra a URSS e, portanto, beneficiaria o imperialismo. Embora Pablo tenha rompido com o trotskismo, seus aliados da \u00e9poca ainda mantiveram posi\u00e7\u00f5es que capitulavam ao stalinismo. Quando se reorganizou o SU em 1963, os partidos europeus, com Mandel, Pierre Frank e Maitan \u00e0 cabe\u00e7a passaram a seguir em particular ao castrismo. Foram guerrilheiristas nos anos 60-70, e mantiveram essa capitula\u00e7\u00e3o, mesmo depois da ades\u00e3o do PC cubano ao aparato stalinista.<\/p>\n<p><strong>Mandel e a <em>Perestroika<\/em><\/strong><\/p>\n<p>O pano de fundo dessa posi\u00e7\u00e3o de Mandel, e que fora antes de Pablo era uma an\u00e1lise equivocada da natureza da burocracia. Sua an\u00e1lise era que havia uma dupla natureza na burocracia: se por um lado era contra os trabalhadores, por outro, ela necessitaria defender o Estado oper\u00e1rio, pois este era a fonte de seus privil\u00e9gios como burocracia. Por isso, o te\u00f3rico mais importante do Secretariado Unificado, Ernest Mandel dizia que era um erro grave pensar que a burocracia poderia levar \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> Por isso, ele acompanhou com expectativa a Perestroika, levantou a possibilidade de \u2018Autorreforma\u2019 e viu Gorbachev como um setor \u2018l\u00facido\u2019 da burocracia. Essas ilus\u00f5es na ala Restauracionista levaram a uma confus\u00e3o enorme nas fileiras do SU, que os deixou descolocados frente \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es do Leste europeu e a queda do regime do PCUS e de Gorbachev.<\/p>\n<p>Tal confus\u00e3o levou a que o SU lamentasse o fim da burocracia, confundindo a domina\u00e7\u00e3o da burocracia com a manuten\u00e7\u00e3o do Estado oper\u00e1rio e considerando a queda dos regimes e do stalinismo entre 1989 e 1991 como uma derrota hist\u00f3rica do socialismo e do proletariado. Tal avalia\u00e7\u00e3o levou Bensaid, que foi o principal te\u00f3rico do SU ap\u00f3s a morte de Mandel, a teorizar sobre uma \u201cNova \u00e9poca\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, aberta por essa suposta derrota hist\u00f3rica do movimento oper\u00e1rio, que assim, haveria retrocedido ao per\u00edodo anterior \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o classista do proletariado devido a uma vit\u00f3ria ideol\u00f3gica do capitalismo. Para ele, a revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o estaria colocada por todo um per\u00edodo.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de Trotsky, que sempre deixou claro que se a burocracia continuasse a frente da URSS, a restaura\u00e7\u00e3o acabaria se impondo, esse setor do trotskismo acabou aparecendo como uma \u2018colateral do stalinismo\u2019, ou seja, se sentia derrotado junto com a burocracia e atribu\u00eda essas derrotas a uma vit\u00f3ria ideol\u00f3gica do imperialismo. Essas posi\u00e7\u00f5es s\u00e3o um eco da pr\u00f3pria campanha imperialista da rejei\u00e7\u00e3o ao socialismo e do \u2018<em>Fim da hist\u00f3ria<\/em>\u2019 no capitalismo. Qual \u00e9 seu grande equ\u00edvoco? Primeiro fazem uma reivindica\u00e7\u00e3o do \u2018socialismo realmente existente\u2019, que \u00e9 inintelig\u00edvel para as massas russas, ucranianas, ou romenas, tchecas, polacas. Dizem \u201cmal com Stalin e a burocracia, pior sem eles\u201d. E abstraem do papel contrarrevolucion\u00e1rio- e no final restauracionista da burocracia sovi\u00e9tica, de Kruschev a Brejnev, de Andropov a Tchernenko e a Gorbachev.<\/p>\n<p>Como escreveu Trotsky para a revolu\u00e7\u00e3o espanhola, as massas fizeram o poss\u00edvel sem uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria \u00e0 cabe\u00e7a. N\u00e3o foram elas, mas sim a burocracia que levou a R\u00fassia de volta ao capitalismo. As massas n\u00e3o puderam improvisar uma dire\u00e7\u00e3o nesses anos de repress\u00e3o e submiss\u00e3o do stalinismo. Cada um dos intentos de organizar a oposi\u00e7\u00e3o marxista contra a burocracia foi perseguido e seus integrantes, torturados e caluniados como \u2018pr\u00f3-imperialistas\u2019.<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>Em n\u00edvel internacional tamb\u00e9m n\u00e3o viram alguma refer\u00eancia de peso que lhes desse uma alternativa. O PC chin\u00eas tinha passado de ser uma nova esperan\u00e7a, ao derrotar o imperialismo e seu fantoche Chiang Kai Shek em 1949, a construir uma nova burocracia. Ainda por cima entraram em choque com a burocracia russa para se aliar com os EUA. Mao aceitou a proposta de Nixon para compor uma frente contra a URSS e, inclusive, entraram em guerra com o Vietn\u00e3 rec\u00e9m-vitorioso e libertado do dom\u00ednio dos EUA a servi\u00e7o dessa pol\u00edtica. Foi nesse per\u00edodo que os mao\u00edstas chamavam a URSS de \u2018social-imperialismo\u2019. Sob essa justificativa, apoiaram at\u00e9 mesmo a ditadura de Pinochet. E enquanto faziam isso, j\u00e1 encaminhavam a restaura\u00e7\u00e3o a partir de 1978, antes mesmo da pr\u00f3pria burocracia russa.<\/p>\n<p>O PC cubano que havia tido um per\u00edodo de certa independ\u00eancia nos primeiros anos da revolu\u00e7\u00e3o cubana, quando promoveu a Organiza\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Solidariedade (OLAS), a partir dos anos 1970 passou a se submeter \u00e0 burocracia russa, apoiou toda sua pol\u00edtica internacional e foi seu instrumento na \u00c1frica Negra, como em Angola, respaldando o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) e sua pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classe e repress\u00e3o aos dissidentes; na Am\u00e9rica central orientando a Frente Sandinista de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional (FSLN) contra a ruptura com a burguesia e contra a expropria\u00e7\u00e3o da burguesia na Nicar\u00e1gua; e apoiando a repress\u00e3o das massas da Tchecoslov\u00e1quia em 68 e na Pol\u00f4nia em 1981. Passou a fazer parte do aparato stalinista como qualquer Partido Comunista de linha \u2018sovi\u00e9tica\u2019.<\/p>\n<p>Por outro lado, a ampla maioria da esquerda dos anos 70 aos anos 90 se dividia entre o apoio \u00e0 burocracia russa ou \u00e0 chinesa. Ou ainda \u00e0 burocracia cubana, o que por sua vez significava apoiar a linha internacional do PCUS.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Ou seja, n\u00e3o havia uma refer\u00eancia para que os trabalhadores e intelectuais descontentes com a burocracia e o stalinismo visse uma alternativa socialista antiburocr\u00e1tica que defendesse a necessidade de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que aprofundasse e impusesse a democracia oper\u00e1ria, o socialismo com democracia oper\u00e1ria. Mesmo as correntes que se reivindicavam trotskistas, em sua maioria capitulavam ao stalinismo, seja o russo, seja o chin\u00eas, ou o cubano.<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>IV) Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A realidade dura e crua do mundo sob o capitalismo \u2018triunfante\u2019, \u00e9 de crise econ\u00f4mica e social profunda, mis\u00e9ria, fome para bilh\u00f5es de seres humanos, da opress\u00e3o permanente e violenta das mulheres, do racismo contra os povos n\u00e3o brancos, a persegui\u00e7\u00e3o das minorias e a xenofobia contra os imigrantes. E como uma s\u00edntese do que o capitalismo reserva para a humanidade, estamos em pleno genoc\u00eddio com a atual pandemia, em especial nas camadas das popula\u00e7\u00f5es e das na\u00e7\u00f5es mais pobres. O descalabro do sistema capitalista com o meio ambiente faz o planeta atingir n\u00edveis de destrui\u00e7\u00e3o ambiental de tal magnitude, que o futuro das novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e1 sob amea\u00e7a. A n\u00e3o ser que o capitalismo seja eliminado da face da terra, n\u00e3o haver\u00e1 futuro para a civiliza\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Numa situa\u00e7\u00e3o dessa envergadura, contraditoriamente a ampla maioria, da assim chamada esquerda, passou a defender que j\u00e1 n\u00e3o se pode pensar no socialismo e no comunismo como sa\u00edda, ou que isso seria uma utopia. Dentre esses que advogam por outro tipo de sa\u00edda alternativa, est\u00e3o os que defendem o \u2018socialismo de mercado\u2019 no estilo do modelo chin\u00eas, que devemos estar no seu \u2018campo\u2019, saber reconhecer os supostos \u2018avan\u00e7os\u2019 dos governantes chineses e que seria necess\u00e1rio apoi\u00e1-los porque eles seriam os \u00fanicos a se contrapor ao Estados Unidos como \u201csocialismo de mercado\u201d (continuidade do Estado oper\u00e1rio surgido a partir de 1949) ou como um \u201cEstado h\u00edbrido\u201d cujo regime jogaria um \u201cpapel progressivo\u201d frente ao imperialismo. \u00c9 a reedi\u00e7\u00e3o do \u2018socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u2019, mas agora ainda pior: se trata de defender que uma ditadura capitalista que explora seus trabalhadores e camponeses \u00e9 a refer\u00eancia que todos os ativistas e socialistas do mundo devem seguir. E defender todas as atrocidades da ditadura chinesa como um \u2018mal menor\u2019, enfim como a \u2018sa\u00edda poss\u00edvel\u2019 nos dias de hoje.<\/p>\n<p>Todo outro setor afirma que o socialismo n\u00e3o est\u00e1 colocado na realidade, que se trata de uma proposta \u2018totalit\u00e1ria\u2019 em si mesma e que o horizonte poss\u00edvel seria a \u2018democratiza\u00e7\u00e3o radical\u2019 da sociedade atual (portanto da sociedade capitalista). Confundem o socialismo e o comunismo de Marx e Engels com a ditadura stalinista. Talvez aqui valha a pena citar o diretor de cinema Damien Szifron de Relatos selvagens: \u201cse voc\u00ea vai um teatro e passam Hamlet de Shakespeare e ocorre que o diretor da pe\u00e7a e os atores s\u00e3o horr\u00edveis, voc\u00ea n\u00e3o pode colocar a culpa em Shakespeare sem entender como esse elenco atentou contra o pr\u00f3prio Shakespeare e transformou uma pe\u00e7a genial em uma trama de quinta categoria.\u201d<\/p>\n<p>Mas a realidade de nosso planeta, da desigualdade cada vez mais gigantesca, onde 1% da popula\u00e7\u00e3o tem 50% da riqueza mundial em suas m\u00e3os, onde vamos de crise em crise econ\u00f4mica, onde nem sequer se garante o emprego para bilh\u00f5es de seres humanos, confirma as palavras do Manifesto Comunista: \u201cQue as classes dominantes tremam diante da ideia de uma revolu\u00e7\u00e3o comunista. Os prolet\u00e1rios n\u00e3o t\u00eam nada a perder exceto as correntes que os prendem. Eles t\u00eam um mundo a ganhar. <em>Prolet\u00e1rios do mundo inteiro, uni-vos<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Lenin na funda\u00e7\u00e3o da III Internacional afirmava \u201cA import\u00e2ncia hist\u00f3rica universal da III Internacional, a Internacional Comunista, reside em que come\u00e7ou a levar \u00e0 pr\u00e1tica a consigna mais importante de Marx, a consigna que resume o desenvolvimento do socialismo e do movimento oper\u00e1rio, durante um s\u00e9culo, a consigna expressada neste conceito: ditadura do proletariado.<\/p>\n<p>Esta previs\u00e3o genial, esta teoria genial est\u00e1 se transformando em realidade [&#8230;.] Iniciou-se uma nova \u00e9poca na hist\u00f3ria universal. A humanidade se livra da \u00faltima forma de escravid\u00e3o: a escravid\u00e3o capitalista, ou seja, a escravid\u00e3o assalariada.<\/p>\n<p>Ao libertar-se da escravid\u00e3o, a humanidade adquire pela primeira vez a verdadeira liberdade.\u201d<\/p>\n<p>Estamos na mesma \u00e9poca descrita por Lenin. A \u00fanica sa\u00edda continua sendo a revolu\u00e7\u00e3o socialista com a classe oper\u00e1ria \u00e0 frente, que expropria a burguesia e implanta a democracia oper\u00e1ria, e segue a luta pela revolu\u00e7\u00e3o e pelo socialismo em escala mundial. Esse \u00e9 o caminho realmente de transforma\u00e7\u00e3o do mundo. Esse \u00e9 a \u00fanica alternativa real de futuro a ser constru\u00eddo nas lutas e na organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O \u00faltimo combate de Lenin, j\u00e1 enfermo, foi justamente contra a burocracia em ascens\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Esse processo est\u00e1 bem descrito no livro Comunistas contra Stalin, de Pierre Brou\u00e9, recentemente editado pela <a href=\"https:\/\/editorasundermann.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Editora Sundermann.<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Na revista Lutte de Classes 219, novembro 2021, da organiza\u00e7\u00e3o Lutte Ouvri\u00e8re da Fran\u00e7a, h\u00e1 um artigo contando essa greve.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> No cap\u00edtulo 10 de seu livro Minha Vida, Gorbachev conta todo o epis\u00f3dio entre a sua indica\u00e7\u00e3o por Andropov, que morre apenas um ano depois, sua sucess\u00e3o por Tchernenko e, finalmente, ap\u00f3s a morte deste em pouco mais de um ano, sua elei\u00e7\u00e3o no CC j\u00e1 modificado para o cargo mais importante da URSS.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Esse era o nome do bloco econ\u00f4mico que ligava a URSS aos pa\u00edses da Europa oriental, sob o comando da burocracia sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Essas informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o no livro Comunistas contra Stalin.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Mais tarde, logo depois da visita de Nixon a Mao e o reatamento de rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas entre China Popular e EUA, o PC chin\u00eas e o da Alb\u00e2nia romperam rela\u00e7\u00f5es, e ambas as burocracias se dirigiram para a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Essas posi\u00e7\u00f5es est\u00e3o bem explicadas no livro O veredito da Hist\u00f3ria de Martin Hernandez<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Esta vis\u00e3o est\u00e1 muito clara no texto de 1995 <em>Uma nova \u00e9poca<\/em> de Daniel Ben Said.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> O livro de Pierre Brou\u00e9, \u201ccomunistas contra Stalin\u201d faz uma rica descri\u00e7\u00e3o do trabalho heroico dessa oposi\u00e7\u00e3o. A abertura dos arquivos da KGB permitiu descobrir inclusive a exist\u00eancia de uma organiza\u00e7\u00e3o nas terr\u00edveis pris\u00f5es stalinistas nos anos 30, com pelo menos 8.000 integrantes, que foram condenados a longas penas e \u00e0 morte pelo regime stalinista.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Uma hist\u00f3ria que expressa bem essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 que em 1989, numa escola de quadros da antiga Alemanha Oriental, participavam dirigentes importantes do PT brasileiro e outras for\u00e7as de esquerda latino-americanas na cidade de Berlim na noite em que as massas derrubaram o Muro de Berlim. Esses quadros ficaram completamente confusos sobre o que estava acontecendo na Alemanha Oriental, afinal como era poss\u00edvel uma insurrei\u00e7\u00e3o de massas em um pa\u00eds \u201csocialista\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto de 1991, grandes manifesta\u00e7\u00f5es de massas, em Moscou e em toda a antiga URSS, derrubaram o regime ditatorial do Partido Comunista da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (PCUS). O processo vinha de alguns anos antes. Come\u00e7a com a rebeli\u00e3o na Arm\u00eania em 1988; continua nas lutas populares das na\u00e7\u00f5es oprimidas na URSS, no contexto das manifesta\u00e7\u00f5es [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65572,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3072],"tags":[4413,4414,4415],"class_list":["post-65535","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-especial-urss","tag-fim-da-urss","tag-licoes","tag-restauracao"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/12\/guardiaRDA.jpg","categories_names":["Especial URSS"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65535","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65535"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65535\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65535"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65535"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65535"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}