{"id":65435,"date":"2021-11-25T20:16:15","date_gmt":"2021-11-25T23:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65435"},"modified":"2022-08-08T23:18:05","modified_gmt":"2022-08-08T23:18:05","slug":"15n-como-seguir-a-luta-contra-a-ditadura-cubana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/25\/15n-como-seguir-a-luta-contra-a-ditadura-cubana\/","title":{"rendered":"15N: como seguir a luta contra a ditadura cubana"},"content":{"rendered":"<p><em>Cuba passa por um momento de grande efervesc\u00eancia pol\u00edtica desde o 11J. N\u00f3s da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), que estamos desde o in\u00edcio das mobiliza\u00e7\u00f5es a favor da luta contra ditadura em Cuba, dando especial aten\u00e7\u00e3o aos presos pol\u00edticos e dando visibilidade \u00e0 brutal repress\u00e3o de D\u00edaz-Canel, queremos agora debater esse processo com o ativismo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ricardo Ayala e Asdr\u00fabal Barboza<\/p>\n<p>Nosso di\u00e1logo com os atores desse processo pretende ir a fundo na compreens\u00e3o sobre o que acontece na ilha, acertos e erros dos movimentos que surgiram no \u00faltimo per\u00edodo a fim de buscarmos o melhor caminho para seguir nessa luta.<\/p>\n<h6><strong>Uma repress\u00e3o brutal<\/strong><\/h6>\n<p>A Marcha C\u00edvica pela Mudan\u00e7a n\u00e3o saiu. A ditadura cubana demonstrou, uma vez mais, que n\u00e3o respeita nenhum direito \u00e0 liberdade de express\u00e3o, reuni\u00e3o ou manifesta\u00e7\u00e3o, ao contr\u00e1rio cercou, intimidou e criminalizou os manifestantes com uma campanha de terror que come\u00e7ou dias antes da manifesta\u00e7\u00e3o. O terror do Estado que j\u00e1 mantinha 650 presos pol\u00edticos h\u00e1 quatro meses, pelas manifesta\u00e7\u00f5es de 11 J, militarizou as ruas, sitiou ativistas, deteve manifestantes e desapareceu com coordenadores. No momento que fechamos esta mat\u00e9ria s\u00e3o 72 presos (alguns deles desaparecidos) relacionados ao 15N. Daniela Rojo, coordenadora de Arquip\u00e9lago, passou 5 dias desaparecida, sequestrada pelo Estado entre os dias 12 e 17 de novembro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi realizado o que chamaram de \u201catos de repudio\u201d (escraches incentivados pelos representantes do governo), cercando a casa de organizadores da manifesta\u00e7\u00e3o com verdadeiros grupos paramilitares, fieis ao regime, e dezenas de policiais. Atos que n\u00e3o contavam com gente do bairro onde se realizavam, mas sim com gente externa, parte do aparato do governo.<\/p>\n<p>O recrudescimento da repress\u00e3o foi o fator determinante para que o povo n\u00e3o sa\u00edsse para as ruas. Uns poucos tentaram romper o cerco da repress\u00e3o, outros se manifestaram de suas casas. Mas isso foi tudo o que conseguiram fazer.<\/p>\n<h6><strong>O que a ditadura teme<\/strong><\/h6>\n<p>A profunda crise econ\u00f4mica gerada pela restaura\u00e7\u00e3o capitalista e o bloqueio imperialista, potencializada pela pandemia da Covid-19 afeta a popula\u00e7\u00e3o mais pobre da ilha que foi ainda mais atingida pelo dr\u00e1stico pacote baixado em primeiro de janeiro de 2021, chamado \u201c<em>Tarea para el Ordenamiento<\/em>\u201d, nitidamente com car\u00e1ter neoliberal. Foram estes cubanos, pobres e negros, que foram \u00e0s ruas em 11 de julho. Este \u00e9 o setor que a ditadura mais teme.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o foi expressa em artigos de v\u00e1rios ativistas como <strong>Jessica Dominguez Delgado<\/strong><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>: <em>\u201cA prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica de um n\u00famero cada vez maior de pessoas, a dolariza\u00e7\u00e3o da economia e as dificuldades de acesso aos alimentos e necessidades b\u00e1sicas &#8211; comercializados desde o final de 2019 em moedas estrangeiras &#8211; aumentaram as desigualdades e \u00e9 uma das principais fontes de desconforto. (&#8230;) Um ano e meio depois, os alimentos e os principais produtos b\u00e1sicos encontram-se, quase que exclusivamente, em moedas estrangeiras e \u00e9 cada vez maior o n\u00famero de servi\u00e7os dispon\u00edveis apenas nesta moeda\u201d.<\/em> E em depoimentos, como o de um dos coordenadores de Arquip\u00e9lago, Fernando Almeyda: <em>\u201cque fez que o 11 de julho (ocorresse) (\u2026) foi \u00e0 p\u00e9ssima gest\u00e3o sanit\u00e1ria, a p\u00e9ssima gest\u00e3o social, a p\u00e9ssima gest\u00e3o econ\u00f4mica, a fome, a necessidade e, al\u00e9m disso, a obstina\u00e7\u00e3o de um povo que estava farto de n\u00e3o ser escutado, farto de pedir mudan\u00e7as, farto de exigir que Cuba necessitava de una abertura pol\u00edtica, farto de dizer que n\u00e3o funcionava o sistema, farto de tudo\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAnalisando a economia, a dolariza\u00e7\u00e3o tem destru\u00eddo o valor aquisitivo que restava ao peso cubano e nos transformou em dependentes de uma moeda estrangeira que n\u00e3o \u00e9 gerada em Cuba e que \u00e9 monopolizada pela banca cubana<\/em>. <em>Monopolizam os d\u00f3lares que vem dos Estados Unidos.<\/em> (\u2026)<em> Aqui se voc\u00ea \u00e9 pobre ou um trabalhador, a ningu\u00e9m lhe importa o que est\u00e1 sofrendo. Os efeitos da terr\u00edvel crise agora \u00e9 a classe trabalhadora que n\u00e3o tem onde cair morta e n\u00e3o tem ningu\u00e9m para defend\u00ea-la. Esses s\u00e3o os que est\u00e3o sofrendo todas as consequ\u00eancias\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Leonardo Manuel Fern\u00e1ndez Ota\u00f1o apresenta um cen\u00e1rio similar: \u201c<em>uma cidadania que est\u00e1 cansada porque n\u00e3o encontra comida, porque lhe vendem o b\u00e1sico em euros, em d\u00f3lares, em uma moeda com a qual n\u00e3o se trabalha, com a qual n\u00e3o recebe seus sal\u00e1rios. Isso limita uma vida digna \u00e0s pessoas. Estamos falando de uma cidadania que viveu um \u201cpacote\u201d neoliberal porque o reordenamento foi um \u201cpacote neoliberal\u201d sobre elas. Toda, em todo amplo sentido da palavra. Basta ver que a infla\u00e7\u00e3o \u00e9 de 6.900%, ou seja, as fam\u00edlias, os pais tem que comprar um par de sapatos a seus filhos por 2000 pesos. Estamos falando de metade do sal\u00e1rio. E como vai comer essa fam\u00edlia na semana? (.) No 11 de julho foram \u00e0s ruas milhares de pessoas que n\u00e3o aguentavam mais, que n\u00e3o sabiam o que fazer que n\u00e3o sabiam como chegar ao outro dia, que os cortes de eletricidade n\u00e3o lhes deixam nem dormir. Que n\u00e3o tem acesso a recursos econ\u00f4micos honrados e dignos para sustentar a seus filhos, fam\u00edlia, que tem visto inclusive os seus se lan\u00e7arem ao mar porque n\u00e3o sabem como sobreviver. (\u2026) as principais explos\u00f5es foram nos bairros mais pobres de La Habana, foram nos bairros mais pobres da cidade<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>\u201c<em>Quando o povo cubano foi \u00e0s ruas no 11 de julho, foi manipulado s\u00f3 pela fome e a frusta\u00e7\u00e3o que t\u00eam se acumulado durante d\u00e9cadas. N\u00e3o se necessita agregar mais hip\u00f3teses<\/em>.\u201d \u00b7\u00b7\u00b7.<\/p>\n<p>Enfim, a deteriora\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o social principalmente nos setores mais pobres com o aumento das enormes dificuldades de obten\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 a base de uma explosividade, principalmente de uma juventude negra das periferias de La Habana, que se v\u00ea sem perspectiva.<\/p>\n<p>O maior temor da ditadura s\u00e3o os protestos e as manifesta\u00e7\u00f5es feitas pelos mais explorados, criados pelo governo no verdadeiro apartheid econ\u00f4mico. S\u00e3o eles, os milhares de cubanos, que se manifestaram no cal\u00e7ad\u00e3o Malec\u00f3n de Havana para protestar contra a escassez de alimentos e os altos pre\u00e7os, em uma das maiores manifesta\u00e7\u00f5es antigovernamentais. Foram eles que quando veio a repress\u00e3o reagiram com pedras. Derrubaram carros da pol\u00edcia, quebraram vidros das lojas de moedas livremente convers\u00edveis e lutaram com policiais \u00e0 paisana e agentes dos grupos paramilitares, se enfrentando com o g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, e contra os quais ergueram paralelep\u00edpedos e os jogaram contra a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>\u201cA <em>cidadania foi pac\u00edfica todo o tempo. Mas quando come\u00e7aram os porretes, quando sa\u00edram as brigadas de resposta r\u00e1pida, quando sa\u00edram os tiros com balas contra a cidadania. A\u00ed foi que a cidadania respondeu. Inclusive houve epis\u00f3dios de pessoas que foram \u00e0s tendas de moeda livremente convers\u00edvel. Eu estou contra qualquer exerc\u00edcio de viol\u00eancia, mas desde um olhar social. Eu sinto que as tendas em Emelec s\u00e3o as \u201ccrian\u00e7as\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a> de Cuba de hoje. Ou seja, esses cidad\u00e3os foram com \u00f3dio contra um s\u00edmbolo, pois passam e veem os doces, &nbsp;passam e veem a roupa que seus filhos n\u00e3o t\u00eam, ou um peda\u00e7o de carne que n\u00e3o podem comprar<\/em>\u201d. As pessoas que expressaram sua raiva invadindo lojas s\u00e3o as que n\u00e3o t\u00eam acesso a esses bens ou espa\u00e7os, pois tampouco tem acesso aos cubanos que fazem remessas do sul da Fl\u00f3rida.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m |&nbsp;<a title=\"Cuba| Depois do 15N, redobrar os esfor\u00e7os pela liberdade dos presos pol\u00edticos\" href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/65376-2\/\" rel=\"bookmark\">Cuba: Depois do 15N, redobrar os esfor\u00e7os pela liberdade dos presos pol\u00edticos<\/a><\/p>\n<h6><strong>O imperialismo tem pol\u00edtica e disputa o movimento com suas organiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h6>\n<p>Cuba \u00e9 um pa\u00eds capitalista, mas um capitalismo d\u00e9bil, conduzido pela principal institui\u00e7\u00e3o do Estado \u2013 as For\u00e7as Armadas\u2013 concentrada no GAESA<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, e n\u00e3o \u00e9 por outro motivo que isso se expressa na sociedade sob a forma de uma ditadura, pois tem que conter pela for\u00e7a as mazelas sociais do capitalismo. A ditadura capitalista revela as contradi\u00e7\u00f5es da restaura\u00e7\u00e3o, a debilidade de uma burguesia que necessita do Estado para se desenvolver \u2013 em alian\u00e7a com o imperialismo europeu \u2013 a que est\u00e1 associada, para resistir \u00e0 investida da burguesia cubano-americana. Mas ambos t\u00eam a mesma estrat\u00e9gia para Cuba, manter e aprofundar o capitalismo.<\/p>\n<p>Mas, a burguesia cubana-americana quer romper as atuais regras que definem como o capital se acumula na ilha. Ent\u00e3o, o pano de fundo da luta pelas liberdades democr\u00e1ticas, \u00e9 a forma que aparece na Cuba capitalista a luta pol\u00edtica pelo controle do aparato estatal, em outras palavras, a disputa sobre as condi\u00e7\u00f5es em que o capital seguir\u00e1 se acumulando na ilha.<\/p>\n<p>Isso se expressa no rec\u00e9m-criado &#8220;Conselho para uma Transi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica em Cuba&#8221;, (CTDC) que defende um programa democr\u00e1tico burgu\u00eas contra a ditadura cubana. Junto com isso, defende a devolu\u00e7\u00e3o das propriedades confiscadas da burguesia de Miami e interven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica imperialista. O que n\u00e3o \u00e9 de surpreender j\u00e1 que \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o burguesa, submissa \u00e0 pol\u00edtica imperialista, tanto norte-americana como europeia e pretende transformar Cuba em uma col\u00f4nia. Faz parte da mesma base social que apoiava Batista, mas que agora tentam aparecer como verdadeiros democratas que lutam contra uma ditadura.<\/p>\n<p>Eles t\u00eam pol\u00edtica para conquistar os ativistas que surgiram no 11 J: os muitos jovens que est\u00e3o indo \u00e0s ruas, utilizando diversos modos de resist\u00eancia, contra a ditadura do PCC (Partido Comunista Cubano), indignados por d\u00e9cadas de repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o. Se a milit\u00e2ncia revolucion\u00e1ria n\u00e3o for a vanguarda para derrubar a ditadura, deixaremos esse processo em m\u00e3os do imperialismo.<\/p>\n<p>Por isso, at\u00e9 podemos coincidir em algum chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o pelas liberdades democr\u00e1ticas, com ativistas vinculados ao CTDC, mas denunciaremos em todo momento sua estrat\u00e9gia burguesa, a servi\u00e7o da burguesia cubano-americana, localizada em Miami e o imperialismo. Desta disputa depende o sentido pol\u00edtico da luta contra a ditadura e pelas liberdades democr\u00e1ticas que impedem a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e sofrem as consequ\u00eancias do capitalismo.<\/p>\n<p>Em uma situa\u00e7\u00e3o distinta, as lutas democr\u00e1ticas contra as ditaduras stalinistas na Hungria em 1956, na Tchecoslov\u00e1quia em 1968, e mais similar hoje nas lutas contra as ditaduras do MPLA em Angola e a FRELIMO em Mo\u00e7ambique, o discurso stalinista para manter a ditadura contra o povo, que amarga o deterioro das condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia se concentra na luta contra o imperialismo. Mas em Angola, os bilion\u00e1rios angolanos do MPLA est\u00e3o junto com o imperialismo para saquear os recursos naturais do pa\u00eds que os enriquece. E em Cuba, os militares da GAESA escondem o fato de que eles est\u00e3o de m\u00e3os dadas com outros setores imperialistas explorando o povo cubano.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que tampouco o imperialismo tem hoje o objetivo real de conquistar liberdades democr\u00e1ticas at\u00e9 o fim ou melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o mais pobre em Cuba. N\u00e3o precisamos explicar o apoio e o financiamento a muitas ditaduras mundo afora e at\u00e9 mesmo interven\u00e7\u00e3o militar. N\u00e3o pensaram duas vezes em apoiar a ditadura na China depois do massacre das manifesta\u00e7\u00f5es na Plaza de la Paz Celestial (Tianamen), quando isso garantia o seus investimentos na China.<\/p>\n<p>Setores do imperialismo norte-americano, como Obama, defendem uma parceria com o governo cubano, pegar um peda\u00e7o do bolo sem questionar o regime. Mas a pol\u00edtica norte-americana segue ref\u00e9m da burguesia cubana e sua ala mais dura. Por isso estaremos junto ao povo cubano contra a ditadura e o imperialismo, pois ambos querem manter e aprofundar a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9n | <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/cuba-todo-apoio-e-solidariedade-com-a-mobilizacao-do-15n\/\">Cuba| Todo apoio e solidariedade com a mobiliza\u00e7\u00e3o do 15N! Rep\u00fadio a qualquer tentativa de inger\u00eancia imperialista!<\/a><\/p>\n<h6><strong>A rea\u00e7\u00e3o stalinista e das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda<\/strong><\/h6>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es stalinistas pelo mundo foram t\u00edmidas, isso tem a ver com a pr\u00f3pria decad\u00eancia de sua corrente e o rep\u00fadio que os regimes ditatoriais t\u00eam entre a classe trabalhadora. Os neostalinistas foram mais cautelosos, j\u00e1 que \u00e9 muito mal visto defender uma ditadura que ataca os trabalhadores e a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. Infelizmente algumas organiza\u00e7\u00f5es que dizem combater o stalinismo n\u00e3o se alinharam com os manifestantes e, inconscientemente, serviram de justificativa ao governo.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, artigos como o que publicou Frank Garc\u00eda, previamente ao 15N, que definiam a manifesta\u00e7\u00e3o como pr\u00f3-imperialista, serviram para justificar as a\u00e7\u00f5es dos governos contra os manifestantes, iniciada 3 dias antes da pr\u00f3pria Manifesta\u00e7\u00e3o. Fora de Cuba, setores que apoiam o castrismo utilizaram esses mesmos textos para defender que n\u00e3o havia legitimidade para se manifestar. O mesmo fez as organiza\u00e7\u00f5es que se reivindicam de esquerda, ligadas \u00e0 classe trabalhadora e que defendem um socialismo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Um erro importante, j\u00e1 que neste momento \u00e9 fundamental unir for\u00e7as para derrubar uma ditadura. N\u00e3o se pode deixar a luta pelas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas nas m\u00e3os da burguesia e do imperialismo. \u00c9 um grande equ\u00edvoco n\u00e3o chamar a mobilizar contra a ditadura, sem deixar de denunciar, sempre, o imperialismo e as organiza\u00e7\u00f5es da burguesia.<\/p>\n<p>Nossa proposta \u00e9 lutar contra a ditadura cubana como parte de uma estrat\u00e9gia socialista e anti-imperialista.&nbsp;Queremos uma nova revolu\u00e7\u00e3o socialista, renacionalizando as empresas privatizadas, inclusive as que est\u00e3o nas m\u00e3os do imperialismo europeu e dos governantes castristas. A partir da\u00ed montar um planejamento econ\u00f4mico com controle da classe trabalhadora. Isso sim \u00e9 a democracia oper\u00e1ria que poder\u00e1 levar Cuba em uma transi\u00e7\u00e3o ao socialismo, com participa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em todas as decis\u00f5es fundamentais e estrat\u00e9gicas.<\/p>\n<p>A ditadura cubana n\u00e3o est\u00e1 defendendo as conquistas da Revolu\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 n\u00e3o existem, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o os que est\u00e3o levando adiante a restaura\u00e7\u00e3o capitalista, um regime capitalista onde seus dirigentes ganham muito e garantem seus privil\u00e9gios, ao estarem associados \u00e0s grandes empresas multinacionais europeias.&nbsp; .<\/p>\n<p>Apoiar a ditadura stalinista \u00e9 fortalecer aquela vis\u00e3o dos \u201ccampos progressistas\u201d no qual incluem Ortega na Nicar\u00e1gua, Maduro na Venezuela e Jo\u00e3o Louren\u00e7o em Angola.<\/p>\n<p>O governo D\u00edaz-Canel n\u00e3o \u00e9 um governo socialista ou de \u201cesquerda\u201d \u00e9 um governo castrense b\u00e9lico, com uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de direita, capitalista que aplica um plano neoliberal.<\/p>\n<h6><strong>As divis\u00f5es do arquip\u00e9lago <\/strong><\/h6>\n<p>O Arquip\u00e9lago teve o m\u00e9rito de manter a luta contra a ditadura na continuidade do 11 J, mas setores pr\u00f3-imperialistas em seu interior tentam dar uma din\u00e2mica que levar\u00e1 o movimento \u00e0 derrota, defendendo interesses que n\u00e3o s\u00e3o da classe trabalhadora e da maioria da popula\u00e7\u00e3o pobre de Cuba.<\/p>\n<p>Frente aos golpes da repress\u00e3o alguns de seus principais porta vozes assumiram um discurso ainda mais pacifista, como a \u201cmanifesta\u00e7\u00e3o en solit\u00e1ria\u201d de Yunior Garc\u00eda. Sinalizando em dire\u00e7\u00e3o a um retrocesso e servindo para enfraquecer a Manifesta\u00e7\u00e3o do 15 N.<\/p>\n<p>A atual fuga de Garcia para Espanha, sem discutir com ningu\u00e9m da coordena\u00e7\u00e3o do movimento, mas com, no m\u00ednimo, o consentimento da ditadura governamental, tamb\u00e9m desmoralizou uma parte dos lutadores que ficaram na ilha.<\/p>\n<p>Yunior colocou em evid\u00eancia tanto a sua localiza\u00e7\u00e3o social, que frente aos enfrentamentos mais duros retrocede, como suas alian\u00e7as com setores burgueses, que de conte\u00fado, t\u00eam o mesmo projeto econ\u00f4mico dos restauracionistas do governo e os burgueses da CTDC. Sua participa\u00e7\u00e3o no \u201cCentro de Estudos sobre o Estado de Direito\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, e sua fuga, e encontro com pol\u00edticos de extrema direita do Estado Espanhol, como o dirigente do PP \u00e9 um fim tr\u00e1gico para este dirigente que o povo cubano tem que superar.<\/p>\n<p>Acreditamos que o combate que o povo cubano tem pela frente \u00e9 contra uma ditadura feroz, disposta a todo tipo de viol\u00eancia, como j\u00e1 foi demonstrado. Portanto \u00e9 fundamental preparar os ativistas para esta situa\u00e7\u00e3o, e isso somente ser\u00e1 conseguido se construirmos uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o baseada nos setores mais explorados do proletariado, se apoiando na autorganiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora para a luta.<\/p>\n<h6><strong>Nossa atua\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h6>\n<p>A LIT-QI apoiou o 15N e seguir\u00e1 solidarizando-se com todas as manifesta\u00e7\u00f5es de enfrentamento com a ditadura em defesa de liberdades democr\u00e1ticas e melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora, na perspectiva de uma verdadeira Revolu\u00e7\u00e3o Socialista.<\/p>\n<p>Nossa atua\u00e7\u00e3o e de nossas se\u00e7\u00f5es deram um apoio ativo. Nossa trajet\u00f3ria de luta contra as ditaduras e contra os governos patronais de todos os matizes foram demonstradas em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica e da Europa. Tivemos e temos presos pol\u00edticos por estarem \u00e0 frente destas lutas, assim como em greves oper\u00e1rias de grade impacto.<\/p>\n<p>Por isso hoje em Cuba se sabe que h\u00e1 sim organiza\u00e7\u00f5es da esquerda revolucion\u00e1ria que apoia este movimento e h\u00e1 uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o do lado dos trabalhadores.<\/p>\n<h6><strong>Construir uma dire\u00e7\u00e3o revolucionaria<\/strong><\/h6>\n<p>Derrubar o governo de Dias Canel e conquistar liberdades democr\u00e1ticas, mesmo que limitadas, representar\u00e3o um importante passo \u00e0 frente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura que governa o pa\u00eds h\u00e1 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, os problemas estruturais do povo pobre e da classe trabalhadora n\u00e3o ser\u00e3o resolvidos s\u00f3 com isso. Cuba precisa retomar o caminho da revolu\u00e7\u00e3o e do socialismo, de verdade, a partir de uma vis\u00e3o internacionalista da revolu\u00e7\u00e3o. Retomar os grandes meios de produ\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do povo.<\/p>\n<p>S\u00f3 quem poder\u00e1 levar esta luta implac\u00e1vel, contra a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o, por condi\u00e7\u00f5es dignas de vida, contra a profunda desigualdade que existe no pa\u00eds s\u00e3o os trabalhadores e a juventude.<\/p>\n<p>Est\u00e1 se construindo uma nova vanguarda, que ganhou novo f\u00f4lego com as mobiliza\u00e7\u00f5es do 11J e 15 N extraindo as li\u00e7\u00f5es das lutas e das derrotas. S\u00e3o estes jovens junto a setores mais explorados como os oper\u00e1rios, mulheres, negros e LGBTI e todos os setores das periferias da cidade que devem construir uma verdadeira alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Estaremos firmes no apoio \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o destes valentes jovens e trabalhadores de Cuba<\/p>\n<p>A LUTA REC\u00c9M COME\u00c7A<\/p>\n<p><strong>\u00a1Liberdade aos presos pol\u00edticos em Cuba!! Basta de Repress\u00e3o!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a1Nenhuma inger\u00eancia imperialista!<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a1Abaixo a ditadura capitalista de D\u00edaz-Canel!<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Por que&nbsp;<strong>eclodiram<\/strong>&nbsp;os&nbsp;<strong>protestos em Cuba<\/strong>? <a href=\"https:\/\/www.ladobe.com.mx\/2021\/07\/por-que-estallaron-las-protestas-en-cuba\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ladobe.com.mx\/2021\/07\/por-que-estallaron-las-protestas-en-cuba\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Xod\u00f3<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Consorcio empresarial dos militares cubanos em Cuba<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a><a href=\"https:\/\/www.cubaproxima.org\/nosotros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.cubaproxima.org\/nosotros<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cuba passa por um momento de grande efervesc\u00eancia pol\u00edtica desde o 11J. N\u00f3s da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT), que estamos desde o in\u00edcio das mobiliza\u00e7\u00f5es a favor da luta contra ditadura em Cuba, dando especial aten\u00e7\u00e3o aos presos pol\u00edticos e dando visibilidade \u00e0 brutal repress\u00e3o de D\u00edaz-Canel, queremos agora debater esse processo com o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":74446,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1182],"tags":[4227,3029,406,4388,4389,690],"class_list":["post-65435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cuba","tag-11j-cuba","tag-15ncuba","tag-asdrubal-barbosa","tag-miguel-diaz-canel","tag-pc-cuba","tag-ricardo-ayala"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/15N-Cuba-1.jpg","categories_names":["Cuba"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65435"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74447,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65435\/revisions\/74447"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/74446"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}