{"id":65409,"date":"2021-11-22T12:10:11","date_gmt":"2021-11-22T15:10:11","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65409"},"modified":"2021-11-22T12:10:11","modified_gmt":"2021-11-22T15:10:11","slug":"25n-nossas-vidas-importam-basta-de-violencia-machista-basta-de-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/22\/25n-nossas-vidas-importam-basta-de-violencia-machista-basta-de-capitalismo\/","title":{"rendered":"25N: Nossas vidas importam! Basta de viol\u00eancia machista! Basta de capitalismo!"},"content":{"rendered":"<p><em>Neste ano, voltaremos \u00e0s ruas no pr\u00f3ximo dia 25 de novembro, para denunciar a terr\u00edvel viol\u00eancia que as mulheres sofrem em todo o mundo. Nesse dia lembraremos das irm\u00e3s Mirabal que foram assassinadas pelo ditador Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana e em seu nome nos apropriamos desta data para gritar: Chega de viol\u00eancia machista!<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Secretaria de Mulheres da LIT-QI<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia no mundo<\/strong><\/p>\n<p>Estamos em uma pandemia h\u00e1 quase dois anos, a viol\u00eancia antes da crise sanit\u00e1ria da Covid-19 j\u00e1 era brutal contra as mulheres, mas piorou e deu saltos qualitativos nesses 19 meses.<\/p>\n<p>A OMS afirmou que: <em>\u201cCerca de 736 milh\u00f5es de mulheres (ou seja, uma em cada tr\u00eas) sofrem viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual de um parceiro \u00edntimo ou agress\u00f5es sexuais de outras pessoas, n\u00fameros que se mantiveram est\u00e1veis \u200b\u200bao longo da \u00faltima d\u00e9cada.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa viol\u00eancia come\u00e7a cedo: uma em cada quatro mulheres entre 15 e 24 anos que tiveram um relacionamento \u00edntimo ter\u00e1 sido submetida a comportamento violento de um parceiro \u00edntimo quando cheguem aos 25 anos &#8220;[1]<\/em><\/p>\n<p>As taxas de viol\u00eancia variam e aumentam \u00e0 medida que os pa\u00edses s\u00e3o mais pobres. As mais expostas s\u00e3o mulheres jovens, negras e ind\u00edgenas, al\u00e9m das mulheres diversas, que tamb\u00e9m recebem \u00f3dio lesbobitransf\u00f3bico.<\/p>\n<p>Soma-se a essa situa\u00e7\u00e3o a viol\u00eancia econ\u00f4mica que ultrapassou os n\u00edveis hist\u00f3ricos para as mulheres trabalhadoras. De acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio da ONU, <em>\u201ca pandemia colocar\u00e1 96 milh\u00f5es de pessoas na pobreza extrema em 2021, das quais 47 milh\u00f5es s\u00e3o mulheres e meninas\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cDesde o in\u00edcio da pandemia, na Europa e na \u00c1sia Central, 25% das mulheres trabalhadoras aut\u00f4nomas perderam seus empregos, em compara\u00e7\u00e3o com 21% dos homens, uma tend\u00eancia que deve continuar com o aumento do desemprego. De acordo com as previs\u00f5es da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, o equivalente a 140 milh\u00f5es de empregos em tempo integral podem ser perdidos como resultado do COVID-19, e as mulheres t\u00eam 19% mais probabilidade de perder seus empregos do que os homens.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cAs mulheres s\u00e3o predominantes em muitas das ind\u00fastrias mais atingidas pelo COVID-19, como as de servi\u00e7os de alimenta\u00e7\u00e3o, varejo e entretenimento. Por exemplo, 40% de todas as mulheres empregadas (510 milh\u00f5es de mulheres em todo o mundo) trabalham nos setores mais afetados\u201d.<\/em> [2]<\/p>\n<p>Embora venhamos de processos de vit\u00f3ria na obten\u00e7\u00e3o do aborto legal em v\u00e1rios pa\u00edses latino-americanos, a viol\u00eancia sexual e o impedimento ao planejamento familiar por parte dos governos continua sendo um fato ineg\u00e1vel da viol\u00eancia. As mortes por aborto clandestino, ou a pris\u00e3o e puni\u00e7\u00e3o para quem o pratica, ainda s\u00e3o muito altas.<\/p>\n<p>A mortalidade materna disparou no mundo, em alguns pa\u00edses dobrou &#8211; como no caso da Col\u00f4mbia &#8211; e em outros triplicou, devido \u00e0s mortes diretas por Covid, mas principalmente devido a gravidezes indesejadas pela queda abrupta dos servi\u00e7os de contracep\u00e7\u00e3o, o que levou ao aumento dos abortos inseguros e ao pr\u00e9-natal deficiente em decorr\u00eancia do fechamento de maternidades e do desvio de recursos para atendimento \u00e0 COVID. Essas mortes atingiram as mulheres mais pobres, rurais, racializadas e milhares de meninas.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o \u00e9 a pandemia, \u00e9 o capitalismo<\/strong><\/p>\n<p>Recentemente foi realizado o Women&#8217;s Economic Forum 2021 [3], onde as representantes femininas da ONU chegaram \u00e0 terr\u00edvel conclus\u00e3o de que <em>\u201ca pandemia provocou um retrocesso de mais de 18 anos na participa\u00e7\u00e3o laboral das mulheres na Am\u00e9rica Latina e no Caribe\u201d <\/em>. Mas \u00e9 importante dizer que n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a ou uma cat\u00e1strofe natural que nos faz regredir nossos direitos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o das mulheres j\u00e1 era terr\u00edvel antes da pandemia, porque este sistema de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o que est\u00e1 em decad\u00eancia s\u00f3 funciona para garantir lucros aos empres\u00e1rios e n\u00e3o para cuidar de n\u00f3s.<\/p>\n<p>A grande maioria dos governos reduziu os or\u00e7amentos em resposta \u00e0 viol\u00eancia machista, fechou programas e at\u00e9 negou aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica priorit\u00e1ria ao aborto. Os governos, mesmo que sejam progressistas, gastaram a maior parte do or\u00e7amento p\u00fablico para garantir os lucros das empresas e n\u00e3o para enfrentar a viol\u00eancia machista ou as necessidades sociais que foram agravadas pela pandemia. As den\u00fancias de viol\u00eancia aumentaram exponencialmente e criou um sinal com o punho, em n\u00edvel internacional, para identificar uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<\/p>\n<p>O desemprego, fome e os confinamentos sem subs\u00eddios e servi\u00e7os b\u00e1sicos dispon\u00edveis s\u00e3o responsabilidade dos governos burgueses, n\u00e3o do v\u00edrus. Que as mulheres tivessem que perder seus empregos, desistir de seus estudos para cuidar da fam\u00edlia e dos enfermos nesta pandemia \u00e9 responsabilidade de governos e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>As empregadas dom\u00e9sticas perderam quase70% de seus empregos e a carga maior do trabalho dom\u00e9stico e os cuidados aumentaram para n\u00edveis esmagadores. Da mesma forma, a prefer\u00eancia empresarial de direcionar o trabalho para a virtualidade, expulsou as mulheres mais pobres do mercado de trabalho por n\u00e3o possu\u00edrem ferramentas e nem acesso a servi\u00e7os de internet. Hoje, a brecha de g\u00eanero digital \u00e9 uma nova indica\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia machista.<\/p>\n<p>Diante de tal situa\u00e7\u00e3o mundial, a viol\u00eancia contra migrantes, refugiados e mulheres ind\u00edgenas se expressou de forma mais dura. A repress\u00e3o brutal na fronteira sul dos Estados Unidos, na Palestina sitiada sem acesso a vacinas, os estupros perpetrados pelas tropas de ocupa\u00e7\u00e3o no Haiti ou no Afeganist\u00e3o, onde agora as mulheres trocam de opressores nas m\u00e3os do terr\u00edvel Talib\u00e3.<\/p>\n<p>Precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista para acabar com este sistema assassino, que usa a opress\u00e3o que as mulheres sofrem para nos dividir como classe e nos explorar mais, nos pagar menos sal\u00e1rios que os homens, que soframos o desemprego em massa e que isso pressione para rebaixar as conquistas trabalhistas de toda a classe trabalhadora. Porque, al\u00e9m disso, o capitalismo ignora as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado que deveria garantir coletivamente, colocando-as nas costas das trabalhadoras e das mulheres pobres.<\/p>\n<p><strong>Basta de mentir com o empoderamento<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o terr\u00edveis, as hist\u00f3rias reais por tr\u00e1s deles s\u00e3o de partir o cora\u00e7\u00e3o, mas mesmo assim as l\u00edderes mundiais que se autodenominam feministas continuam insistindo que a sa\u00edda \u00e9 ter mais mulheres em posi\u00e7\u00f5es de poder.<\/p>\n<p>A p\u00e9ssima gest\u00e3o da pandemia por parte de governos e organismos internacionais n\u00e3o se deve ao fato de serem majoritariamente masculinos, \u00e9 porque respondem aos interesses das grandes empresas e que o lucro est\u00e1 acima da vida da humanidade. O apartheid de vacinas aplicadas no mundo responde \u00e0 voracidade dos laborat\u00f3rios e \u00e0 rapina imperialista e n\u00e3o \u00e0 composi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero de suas diretorias.<\/p>\n<p>Embora sejamos a favor da paridade e da igualdade de oportunidades, n\u00e3o acreditamos que a solu\u00e7\u00e3o individual, que a luta das &#8220;mulheres contra os homens&#8221; ou que as organiza\u00e7\u00f5es burguesas e os governos dirigidos por mulheres nos d\u00ea a liberta\u00e7\u00e3o que necessitamos. Como elas mesmas mostraram, s\u00e3o as mulheres trabalhadoras e mais pobres que sofrem as piores consequ\u00eancias e express\u00f5es da viol\u00eancia sexista e, onde as mulheres governam, as condi\u00e7\u00f5es de opress\u00e3o n\u00e3o mudaram qualitativamente.<\/p>\n<p>A luta comum por uma revolu\u00e7\u00e3o socialista com a classe trabalhadora, com os setores oprimidos e todos aqueles que sofrem a viol\u00eancia deste sistema \u00e9 a \u00fanica que pode nos aproximar de uma situa\u00e7\u00e3o melhor.<\/p>\n<p><strong>Unidade de classe contra opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s sofremos a carga, aumento das tarefas, cuidados das crian\u00e7as, dos idosos, dos enfermos, o isolamento com nossos agressores, continuaram a nos estuprar, matar ou espancar por causa da nossa identidade de g\u00eanero. Mas dizemos: Basta! Sa\u00edmos para a rua e continuamos a lutar.<\/p>\n<p>Neste 25N vamos \u00e0s ruas com as mulheres polonesas que continuam reivindicando o direito ao aborto, com as mulheres cubanas que querem os direitos democr\u00e1ticos e a liberdade das presas\/os pol\u00edticos, resistimos com os afeg\u00e3s e as palestinas. Vamos \u00e0s ruas e devemos continuar indo com a nossa classe, com os milh\u00f5es de trabalhadores que j\u00e1 n\u00e3o suportam mais o peso que os ricos querem fazer com que carreguem.<\/p>\n<p>N\u00e3o confiamos nos rostos femininos que colocam nos governos, nem nas armadilhas eleitorais que s\u00f3 favorecem os poderosos. Confiamos na nossa for\u00e7a, em saber que para acabar definitivamente com a viol\u00eancia machista e a opress\u00e3o devemos lutar contra este sistema que nos explora e oprime.<\/p>\n<p>Mas na luta contra o machismo e a opress\u00e3o, queremos e precisamos do apoio dos homens trabalhadores, porque o machismo que oprime, humilha e superexplora as mulheres serve tanto para dividir e enfraquecer a classe, quanto para aumentar a explora\u00e7\u00e3o de todos os trabalhadores. Nesse sentido, somos contra todas as vis\u00f5es sexistas contr\u00e1rias \u00e0 batalha para que os homens rompam com seu pr\u00f3prio machismo e venham lutar conosco.<\/p>\n<p>A luta por nossos direitos tem que ser de toda a classe trabalhadora, para que nossos companheiros tamb\u00e9m deixem de reproduzir o machismo e que nossas organiza\u00e7\u00f5es combatam esse flagelo em nosso interior para que tenhamos um lugar na luta comum. A luta n\u00e3o \u00e9 separada, \u00e9 de forma comum combatendo ao machismo dentro de nossa classe. N\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para acabar com a opress\u00e3o sem derrubar este sistema capitalista que nos oprime e destr\u00f3i.<\/p>\n<p>Para conseguir um plano de emerg\u00eancia contra a viol\u00eancia machista, devemos lutar contra os planos de ajuste e os governos que os empregam. Esse 25N vamos para a rua, com medidas de cuidado, mas n\u00e3o deixaremos de exigir o direito de viver.<\/p>\n<ul>\n<li>Chega de viol\u00eancia machista!<\/li>\n<li>Contraceptivos para n\u00e3o abortar, aborto legal para n\u00e3o morrer! Cuidado pr\u00e9-natal de qualidade!<\/li>\n<li>Basta de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o!<\/li>\n<li>Plano de emerg\u00eancia para combater covid-19 e viol\u00eancia sexista!<\/li>\n<li>Aumento dr\u00e1stico de recursos e or\u00e7amento para Servi\u00e7os de Preven\u00e7\u00e3o, Aten\u00e7\u00e3o e Prote\u00e7\u00e3o \u00e0s V\u00edtimas! N\u00e3o ao pagamento da d\u00edvida!<\/li>\n<\/ul>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>[1] https:\/\/www.who.int\/es\/news\/item\/09-03-2021-devastatingly-pervasive-1-in-3-women-globally-experience-violence<\/p>\n<p>[2] A pandemia COVID-19 e seus efeitos econ\u00f4micos nas mulheres: a hist\u00f3ria por tr\u00e1s dos n\u00fameros | ONU Mulheres (unfomen.org)<\/p>\n<p>[3] O coronav\u00edrus gerou um retrocesso de mais de 18 anos na participa\u00e7\u00e3o laboral das mulheres (latinoamericapiensa.com)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste ano, voltaremos \u00e0s ruas no pr\u00f3ximo dia 25 de novembro, para denunciar a terr\u00edvel viol\u00eancia que as mulheres sofrem em todo o mundo. Nesse dia lembraremos das irm\u00e3s Mirabal que foram assassinadas pelo ditador Trujillo na Rep\u00fablica Dominicana e em seu nome nos apropriamos desta data para gritar: Chega de viol\u00eancia machista!<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65410,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3493],"tags":[4381,4382,4383],"class_list":["post-65409","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulheres","tag-25n-mulheres","tag-combate-a-violencia-de-genero","tag-secretaria-de-mulheres-da-lit-qi"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Violencia.jpg","categories_names":["Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65409"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65409\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65410"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}