{"id":65376,"date":"2021-11-17T08:39:26","date_gmt":"2021-11-17T11:39:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65376"},"modified":"2021-11-17T08:39:26","modified_gmt":"2021-11-17T11:39:26","slug":"65376-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/17\/65376-2\/","title":{"rendered":"Cuba| Depois do 15N, redobrar os esfor\u00e7os pela liberdade dos presos pol\u00edticos"},"content":{"rendered":"<p><em>A chamada Marcha C\u00edvica pela Mudan\u00e7a, chamada pela plataforma \u201cArchipi\u00e9lago\u201d, n\u00e3o se concretizou. Havana amanheceu completamente militarizada. Os principais organizadores do protesto foram presos, desaparecidos ou impedidos de sair de suas casas por cercos policiais acompanhados de atos de rep\u00fadio (escraches) de multid\u00f5es leais ao regime. Na v\u00e9spera, o pr\u00e9dio onde Mora Yunior Garc\u00eda, l\u00edder do \u201cArchipi\u00e9lago\u201d que havia anunciado uma &#8220;marcha solo&#8221;, foi cercado por dezenas de policiais e um militar pr\u00f3-governo.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT_QI)<\/p>\n<p>O regime tentou sempre passar uma imagem de normalidade, apesar das centenas de policiais e militares que percorreram os principais pontos da capital. O governo promoveu eventos por ocasi\u00e3o do rein\u00edcio do ano letivo, do 502\u00ba anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o de Havana e, sobretudo, das celebra\u00e7\u00f5es pela reabertura do turismo ap\u00f3s a pandemia, o principal neg\u00f3cio entre a alta hierarquia das for\u00e7as armadas e o imperialismo europeu. Enquanto Miguel D\u00edaz-Canel sorria para os fot\u00f3grafos do Granma, dezenas de opositores foram sitiados em suas casas, muitos deles foram presos e at\u00e9 desapareceram. A contagem preliminar indica que de 3 de novembro at\u00e9 o momento houve 56 pris\u00f5es, 27 delas ocorreram no dia da manifesta\u00e7\u00e3o. Dessa lista, oito pessoas continuam desaparecidas e 21 permanecem presas<a name=\"_ftnref1\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/cuba-luego-del-15n-redoblar-esfuerzos-por-la-libertad-de-todos-los-presos-politicos\/#_ftn1\">[1]. <\/a>\u00a0Esses ativistas se juntam aos mais de 650 presos pol\u00edticos que permanecem detidos ap\u00f3s os protestos hist\u00f3ricos de 11 de julho.[2] <a name=\"_ftnref2\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/cuba-luego-del-15n-redoblar-esfuerzos-por-la-libertad-de-todos-los-presos-politicos\/#_ftn2\">\u00a0\u00a0<\/a><\/p>\n<p>O regime conseguiu evitar o 15N, embora esteja longe de ter suprimido o descontentamento popular e evitado poss\u00edveis explos\u00f5es sociais semelhantes ao 11 de julho.<\/p>\n<p>Seu \u00fanico recurso para desativar o 15N foi a imposi\u00e7\u00e3o de um verdadeiro clima de terror. Como o \u201c<em>Archipi\u00e9lago<\/em>\u201d pediu autoriza\u00e7\u00e3o oficial, os l\u00edderes cubanos n\u00e3o s\u00f3 proibiram o protesto, como advertiram que todo o peso da lei cairia sobre seus organizadores. Eles intensificaram a sinistra campanha de cal\u00fanias e amea\u00e7as. Eles apertaram a porca da repress\u00e3o mais firmemente. Algumas semanas antes do 15N, o regime cubano deu senten\u00e7as sum\u00e1rias de at\u00e9 25 anos de pris\u00e3o aos manifestantes de 11 de julho. A inten\u00e7\u00e3o era mostrar &#8220;puni\u00e7\u00f5es exemplares&#8221;, para semear o medo. Houve demiss\u00f5es e todas as formas de intimida\u00e7\u00e3o. Na reta final, as opera\u00e7\u00f5es de g\u00e2ngsteres em frente \u00e0s casas dos opositores e a militariza\u00e7\u00e3o da capital acabaram impedindo a manifesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_65377\" style=\"width: 626px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-65377\" class=\"wp-image-65377 size-full\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cuba-2-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cuba-2-1-1.jpg 616w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cuba-2-1-1-300x205.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cuba-2-1-1-150x102.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Cuba-2-1-1-218x150.jpg 218w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><p id=\"caption-attachment-65377\" class=\"wp-caption-text\">Yamil Lage (AFP)<\/p><\/div>\n<p>No entanto, como colocamos, nada est\u00e1 perdido. 11 de julho marca um antes e depois na vida pol\u00edtica cubana. As dificuldades materiais e a opress\u00e3o da bota ditatorial est\u00e3o se tornando mais insuport\u00e1veis a cada dia. Ningu\u00e9m pode descartar novas explos\u00f5es, novos protestos, espont\u00e2neos ou n\u00e3o, porque a situa\u00e7\u00e3o objetiva permanece desesperadora e porque o povo cubano, corajoso, sabia e saber\u00e1 como romper com sua liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A plataforma \u201c<em>Archipi\u00e9lago<\/em>\u201d, que tem o m\u00e9rito de tentar dar continuidade nas ruas \u00e0 explos\u00e3o popular de 11 de julho, evidenciou o golpe de intimida\u00e7\u00e3o e o terr\u00edvel cerco imposto pela ditadura. Nos dias anteriores foi not\u00e1vel, especialmente nos principais porta-vozes do grupo, uma \u00eanfase no discurso pacifista. O an\u00fancio da &#8220;marcha solo&#8221; de Yunior Garc\u00eda segurando uma rosa branca, uma a\u00e7\u00e3o individual que teria tido um efeito meramente simb\u00f3lico, causou confus\u00e3o. Foi interpretada como uma &#8220;mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia&#8221;, que provavelmente deu espa\u00e7o para uma sensa\u00e7\u00e3o de recuo e desmobiliza\u00e7\u00e3o. O debate sobre como enfrentar uma ditadura feroz, pronta para todos os tipos de viol\u00eancia contra qualquer oposi\u00e7\u00e3o, deve ser refor\u00e7ado entre ativistas cubanos \u00e0 luz do balan\u00e7o de 15N.<\/p>\n<p>A LIT-QI apoiou o 15N e continuar\u00e1 a se solidarizar com iniciativas que confrontam a ditadura capitalista cubana, que promovem a organiza\u00e7\u00e3o independente e a mobiliza\u00e7\u00e3o popular para conquistar as liberdades democr\u00e1ticas e melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora. Fazemos isso e o faremos com a perspectiva de dar a essas lutas um perfil n\u00e3o s\u00f3 antiditadura, mas abertamente socialista e anti-imperialista. Por esta raz\u00e3o, reiteramos nossa rejei\u00e7\u00e3o a qualquer interfer\u00eancia imperialista no processo e alertamos nossos irm\u00e3os de classe em Cuba para os interesses nefastos de Washington e Miami. N\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a no imperialismo e seus agentes. Nossa perspectiva de luta antiditadura faz parte da estrat\u00e9gia de uma nova revolu\u00e7\u00e3o socialista na ilha, que recupera todas as conquistas de 1959.<\/p>\n<p>A tarefa imediata, al\u00e9m do equil\u00edbrio pol\u00edtico dos muitos fatores que influenciaram o 15N, \u00e9 redobrar os esfor\u00e7os, dentro e fora de Cuba, para a liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos pol\u00edticos; a garantia total da liberdade de express\u00e3o, reuni\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o; o fim de todos os atos de rep\u00fadio contra os opositores do regime. A luta est\u00e1 apenas come\u00e7ando. Toda experi\u00eancia, democraticamente debatida, deve fortalecer o movimento que acordou em 11 de julho.<\/p>\n<p><strong>Pelo direito do povo cubano de se expressar, reunir, se organizar de modo independente e se manifestar!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liberdade aos presos pol\u00edticos em Cuba!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nenhuma interfer\u00eancia imperialista na ilha!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Abaixo a ditadura capitalista de D\u00edaz-Canel!<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chamada Marcha C\u00edvica pela Mudan\u00e7a, chamada pela plataforma \u201cArchipi\u00e9lago\u201d, n\u00e3o se concretizou. Havana amanheceu completamente militarizada. Os principais organizadores do protesto foram presos, desaparecidos ou impedidos de sair de suas casas por cercos policiais acompanhados de atos de rep\u00fadio (escraches) de multid\u00f5es leais ao regime. 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