{"id":65292,"date":"2021-11-05T17:14:14","date_gmt":"2021-11-05T20:14:14","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65292"},"modified":"2021-11-05T17:14:14","modified_gmt":"2021-11-05T20:14:14","slug":"portugal-6","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/05\/portugal-6\/","title":{"rendered":"Portugal| 6 anos de Geringon\u00e7a mostraram que \u00e9 precisa uma alternativa\u00a0revolucion\u00e1ria!"},"content":{"rendered":"<p><em>O recente chumbo do Or\u00e7amento do Estado (OE) mostra o impasse em que se encontra o nosso pa\u00eds depois de 6 anos de Geringon\u00e7a e a incapacidade da burguesia, mas tamb\u00e9m da esquerda reformista de responder \u00e0s necessidades da classe trabalhadora, da juventude e dos setores mais oprimidos da popula\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Em Luta &#8211; Portugal<\/p>\n<p><strong>O falhan\u00e7o do projeto do PS de Costa<\/strong><\/p>\n<p>Nestes 6 anos, quatro de Geringon\u00e7a e dois de Governo Costa (com uma Geringon\u00e7a n\u00e3o oficial), o Partido Socialista (PS) procurou fingir que tinha revertido as op\u00e7\u00f5es neoliberais que h\u00e1 v\u00e1rios anos guiavam os rumos dos seus governos. Foram v\u00e1rias migalhas, pequenas medidas, para tentar dizer que se tinha mudado alguma coisa, para que tudo ficasse na mesma.<\/p>\n<p>De forma sint\u00e9tica, \u00e9 preciso dizer que 6 anos de Costa n\u00e3o reverteram o arraso de Passos\/Troika no pa\u00eds. N\u00e3o foram apenas as leis do C\u00f3digo do Trabalho, de que tanto se falou nestes \u00faltimos dias, que n\u00e3o foram revertidas. Foram pilares centrais como a venda de todas as grandes empresas estrat\u00e9gicas do pa\u00eds, como a EDP, a REN, os CTT, a ANA Aeroportos e mesmo a TAP, que tendo voltado \u00e0 esfera do Estado, voltou com uma pesada restrutura\u00e7\u00e3o contra os trabalhadores e sem questionar o projeto ao servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o, mas dos interesses privados e das companhias alem\u00e3s e francesas. Foi a lei das rendas da Assun\u00e7\u00e3o Cristas (CDS) que levou ao despejo de milhares de pessoas e ao disparar das rendas, que o PS de Costa levou ao extremo com a generaliza\u00e7\u00e3o do alojamento local e o crescimento exponencial das cidades dos ricos, de que a Lisboa de Medina \u00e9 express\u00e3o m\u00e1xima, mas n\u00e3o \u00fanica.<\/p>\n<p>Foram os ataques antidemocr\u00e1ticos contra as greves, como a requisi\u00e7\u00e3o civil contra Motoristas de Mat\u00e9rias Perigosas, Estivadores e Enfermeiros, mas tamb\u00e9m a m\u00e3o livre dada \u00e0 Pol\u00edcia durante a pandemia para, em nome da sa\u00fade, reprimir os trabalhadores, em particular nos bairros mais pobres e nas periferias negras das grandes cidades. Foram os lay-offs para pagar os lucros das grandes empresas com o dinheiro da Seguran\u00e7a Social (o dinheiro de todos n\u00f3s), enquanto os trabalhadores viram os seus rendimentos cortados e em tantos casos ro\u00e7ando a fome e o despejo. No pa\u00eds de Costa, voltaram a crescer os sem-abrigo, a juventude n\u00e3o tem horizonte melhor, e concilia\u00e7\u00e3o trabalho e fam\u00edlia \u00e9 uma miragem para ricos, pois no pa\u00eds real, o aumento dos ritmos de trabalho e a precariedade constante mal d\u00e3o para viver, quanto mais para ter filhos.<\/p>\n<p>Costa cai porque j\u00e1 nem as migalhas est\u00e1 disposto a dar, t\u00e3o preso que est\u00e1 a ser bom aluno da Uni\u00e3o Europeia (UE), que reserva para Portugal o lugar de fornecedor de m\u00e3o-de-obra barata, ao servi\u00e7o das grandes multinacionais europeias. Costa cai porque, em tempo de crise, os patr\u00f5es querem m\u00e3o ainda mais dura contra os trabalhadores e estes j\u00e1 n\u00e3o acreditam mais numa farsa que em nada mudou as suas vidas, de dia para dia mais dif\u00edceis.<\/p>\n<p><strong>A utopia do Estado Social do BE e PCP no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<p>Bloco de Esquerda (BE) e Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP) sustentaram a farsa de Costa, e dentro dos locais de trabalho e nos movimentos sociais foram os agentes da concilia\u00e7\u00e3o com patr\u00f5es e Governo, travando as lutas da classe trabalhadora. Quiseram fazer crer que era poss\u00edvel mudar o pa\u00eds atrav\u00e9s da vota\u00e7\u00e3o de pequenas medidas no Parlamento. Quiseram fazer crer que era poss\u00edvel mudar o pa\u00eds em favor dos trabalhadores, dentro das amarras da UE e do euro, quando todos os or\u00e7amentos mais do que or\u00e7amentos nacionais s\u00e3o os or\u00e7amentos permitidos pelos ditames da UE, cujos resultados j\u00e1 vimos que s\u00f3 t\u00eam significado a venda do pa\u00eds e dos direitos de quem trabalha. Quiseram fazer crer aos trabalhadores e setores oprimidos que a mudan\u00e7a viria sem mobiliza\u00e7\u00e3o, enquanto desgastavam as lutas em atos simb\u00f3licos, e n\u00e3o em jogar para ganhar, sem medo.<\/p>\n<p>PCP e BE afogaram as for\u00e7as da classe trabalhadora na concilia\u00e7\u00e3o de classes. Agora PCP e BE decidiram n\u00e3o apoiar mais as migalhas de Costa. Depois de Costa, PCP e BE v\u00e3o apresentar-nos o projeto de um pa\u00eds que com outro governo de esquerda, com outras medidas no Parlamento, pode recuperar o Estado social: direito ao trabalho, direito \u00e0 sa\u00fade, direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Mas recuperar o Estado Social dentro do capitalismo globalizado de hoje \u00e9 uma utopia. Particularmente \u00e9 imposs\u00edvel defender o direito \u00e0 sa\u00fade, ou \u00e0 educa\u00e7\u00e3o ou ao trabalho, sem dominar o Or\u00e7amento, que hoje \u00e9 decidido em Bruxelas e n\u00e3o em Portugal, sem ter uma moeda pr\u00f3pria, sem ter o controlo sobre os principais setores da economia (que a UE n\u00e3o permite). Por tudo isso, o projeto de PCP e BE, que se prop\u00f5e a conseguir reformas dentro do capitalismo, n\u00e3o trar\u00e1 mudan\u00e7a para os trabalhadores. O exemplo da aposta na Geringon\u00e7a \u2013 ou outros exemplos como o da Gr\u00e9cia, onde o Syrisa governou contra os trabalhadores gregos, ou da alian\u00e7a de Podemos com o Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol (PSOE) no Estado Espanhol \u2013 mostra que, dentro da UE e deste sistema, n\u00e3o h\u00e1 um projeto de pa\u00eds (nem de Europa, nem de mundo) que sirva os trabalhadores, a juventude mais pobre e todos os setores oprimidos.<\/p>\n<p><strong>A Geringon\u00e7a demonstra que a mudan\u00e7a s\u00f3 vir\u00e1 de uma nova revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Depois de 6 anos de Geringon\u00e7a, fica claro que as mudan\u00e7as n\u00e3o vir\u00e3o dos acordos no Parlamento, mas da mobiliza\u00e7\u00e3o forte e organizada dos trabalhadores. Por isso dizemos que \u00e9 preciso uma nova revolu\u00e7\u00e3o. Uma revolu\u00e7\u00e3o que garanta o direito ao trabalho, o direito \u00e0 concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e fam\u00edlia! Que fa\u00e7a com que os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos permitam \u00e0 Humanidade trabalhar menos e n\u00e3o ser mais escrava das m\u00e1quinas e do seu ritmo alucinante! Que permita aos mais velhos reformar-se dignamente e aos mais novos trabalhar com direitos e perspectivas de futuro! Que garanta o direito \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, de qualidade e a tempo e horas, e n\u00e3o um SNS que n\u00e3o responde em v\u00e1rias especialidades e que se mantem de p\u00e9 sobre as costas da exaust\u00e3o dos seus trabalhadores. Uma revolu\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a com que o direito \u00e0 igualdade de g\u00e9nero, racial e sexual saia do papel e seja uma realidade. Que garanta o direito \u00e0 habita\u00e7\u00e3o digna para todos, com um projeto de habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica integrado em cidades pensadas para as pessoas e a sua viv\u00eancia coletiva, humana e ecologicamente sustent\u00e1vel, e n\u00e3o para o financiamento dos lucros imobili\u00e1rios privados. Uma revolu\u00e7\u00e3o que proteja o meio ambiente (como \u00e9 o caso das florestas) e atue para travar as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, que saia da UE e do Euro para recuperar instrumentos de soberania e controle dos destinos do pa\u00eds, mas assente na perspectiva de construir uma Europa dos trabalhadores e dos povos.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso uma nova revolu\u00e7\u00e3o, porque dentro do sistema capitalista n\u00e3o h\u00e1 sa\u00edda para a classe trabalhadora. E as v\u00e1rias faces dos governos capitalistas e a destrui\u00e7\u00e3o humana e ambiental por eles causados mostram isso mesmo. Por isso, dizemos que \u00e9 preciso uma nova revolu\u00e7\u00e3o que rompa com este sistema, uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. A direita hoje diz que vivemos sobre o socialismo, mas na verdade o \u201csocialismo de Costa\u201d \u00e9 mais uma das vers\u00f5es do capitalismo selvagem que toda a direita defende, mas ainda com menos \u201ccaridade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s trabalhadores e trabalhadoras, mulheres, negros, LGBTI e jovens temos direito a outro futuro neste planeta e neste pa\u00eds. Mas isso implica lutar por uma sociedade socialista, sem explora\u00e7\u00e3o e sem opress\u00e3o. Para isso \u00e9 precisa uma nova revolu\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso construir uma alternativa revolucion\u00e1ria que lute por isso!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O recente chumbo do Or\u00e7amento do Estado (OE) mostra o impasse em que se encontra o nosso pa\u00eds depois de 6 anos de Geringon\u00e7a e a incapacidade da burguesia, mas tamb\u00e9m da esquerda reformista de responder \u00e0s necessidades da classe trabalhadora, da juventude e dos setores mais oprimidos da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65293,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[140],"tags":[4075,4267,137,1949,351,4356,4357],"class_list":["post-65292","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugal","tag-antonio-costa","tag-be-portugal","tag-em-luta","tag-em-luta-portugal","tag-geringonca","tag-pcp-portugal","tag-ps-portugal"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/Geringonca.jpeg","categories_names":["Portugal"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65292","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65292\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}