{"id":65289,"date":"2021-11-05T16:33:34","date_gmt":"2021-11-05T19:33:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65289"},"modified":"2021-11-05T16:33:34","modified_gmt":"2021-11-05T19:33:34","slug":"dia-11-de-novembro-protestos-e-vigilia-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/11\/05\/dia-11-de-novembro-protestos-e-vigilia-em-angola\/","title":{"rendered":"Dia 11 de novembro: protestos e vig\u00edlia em Angola"},"content":{"rendered":"<p><em>Os 45 anos da independ\u00eancia em Angola, lembrados em 11 de novembro de 2020, foram marcados por atos de protestos com repress\u00e3o e deten\u00e7\u00f5es. Cerca de 400 pessoas foram anunciadas como desaparecidas naquele momento e, ap\u00f3s a dispers\u00e3o for\u00e7ada da manifesta\u00e7\u00e3o antigovernamental &#8211; ocorrida na v\u00e9spera &#8211; no dia 07-, a pol\u00edcia admitiu existir pelo menos 100 deten\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ant\u00f4nio Tonga e An\u00edbal Silva<\/p>\n<p>Os protestos exigiam o fim da ditadura e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para a popula\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de, concretamente, reivindicar uma data para as primeiras elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas.<\/p>\n<p>E como resultante dos protestos e das lutas destaca-se o fato mais grave que foi a morte do jovem Inoc\u00eancio de Matos, de 26 anos, por ferimentos na cabe\u00e7a, causados pela repress\u00e3o policial. Inoc\u00eancio foi atingido por disparo de arma de fogo enquanto estava ajoelhado, numa atitude de resist\u00eancia pac\u00edfica ao ataque policial que utilizava disparos de armas e lan\u00e7amento de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo, em uma das principais avenidas de Luanda: Avenida Brasil.<\/p>\n<p>Depois do assassinato a pol\u00edcia impediu os manifestantes de levarem o corpo de Inoc\u00eancio de Matos e nos dias seguintes tentou desqualificar as den\u00fancias sobre a agress\u00e3o sofrida por Inoc\u00eancio. O comandante provincial da Pol\u00edcia Nacional de Luanda, Eduardo Cerqueira, negou o fato de ter morrido algu\u00e9m na manifesta\u00e7\u00e3o e que o jovem Inoc\u00eancio tinha apenas se ferido, estava s\u00f3 inconsciente e havia sido levado para o hospital. Depois o m\u00e9dico do hospital alegou que, o jovem universit\u00e1rio, tinha sido morto pelo golpe de algum \u201cobjeto contundente\u201d que poderia ter sido \u201cum pau ou um peda\u00e7o de metal de ferro\u201d que supostamente poderia ter sido feito por qualquer um.<\/p>\n<p>No entanto, a morte de Inoc\u00eancio se enquadra no rol de viol\u00eancia constante do regime ditatorial angolano, que tenta disfar\u00e7ar sua repress\u00e3o, mas que explicitamente \u00e9 marcada por uma quantidade monumental de viola\u00e7\u00f5es aos direitos, liberdades e garantias individuais e coletivas dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Em virtude destas mentiras, das tentativas de manipula\u00e7\u00e3o do MPLA e do governo de Jo\u00e3o Louren\u00e7o, a fam\u00edlia de Inoc\u00eancio Matos exigiu uma segunda aut\u00f3psia. Como houve esta viola\u00e7\u00e3o o advogado da fam\u00edlia rejeitou participar da aut\u00f3psia do corpo, pois n\u00e3o foi autorizado a entrada de um fot\u00f3grafo e a fam\u00edlia Matos foi impedida de saber as verdadeiras causas da morte do estudante.<\/p>\n<p>Por isso, a fam\u00edlia encaminhou uma carta \u00e0 Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica de Angola (PGR) solicitando a autoriza\u00e7\u00e3o para que um m\u00e9dico legista independente e um fot\u00f3grafo acompanhassem a aut\u00f3psia. Para pressionar a autoriza\u00e7\u00e3o, o pai &#8211; Alfredo de Matos &#8211; realizou uma vig\u00edlia em frente ao Pal\u00e1cio da Justi\u00e7a para obter esta segunda autopsia.<\/p>\n<p>Em virtude disso, Inoc\u00eancio somente foi enterrado dezessete dias depois da sua morte, quando ocorreram novamente grandes manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo angolano.<\/p>\n<p>Na Universidade Agostinho Neto, onde Inoc\u00eancio estudava, os agentes do Servi\u00e7o de Intelig\u00eancia e de Seguran\u00e7a do Estado (SINSE) entraram para barrar qualquer protesto, proibindo a entrada de estudantes que usavam roupa preta simbolizando o luto pelo colega morto.<\/p>\n<p>Inoc\u00eancio se transformou em um \u00edcone da luta contra a ditadura do MPLA. O retrato de um jovem estudante de uma fam\u00edlia humilde que foi para as ruas para lutar e conquistar um futuro para sua vida.<\/p>\n<p>Neste pr\u00f3ximo dia 11 de novembro est\u00e1 programado a realiza\u00e7\u00e3o de vig\u00edlias e atos em Angola e no exterior, em mem\u00f3ria de Inoc\u00eancio Matos, lembrando a sua luta e a necessidade de colocar para fora o governo burgu\u00eas e corrupto de Jo\u00e3o Louren\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Abaixo a ditadura do MPLA<\/strong><\/p>\n<p>Angola est\u00e1 situada na parte austral da \u00c1frica Ocidental. \u00c9 um dos pa\u00edses mais ricos do continente, devido aos seus recursos minerais e naturais, mas a maioria de sua popula\u00e7\u00e3o vive na mis\u00e9ria. Angola e seu povo foram saqueados pelo dom\u00ednio portugu\u00eas, desde 1482, sofrendo com explora\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o do imp\u00e9rio colonial.<\/p>\n<p>Tr\u00eas partidos\/movimentos se engajaram na luta anticolonial em Angola, nos anos 1960-70, s\u00e3o eles: o MPLA, (Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola); a Unita (Uni\u00e3o Nacional Para a Independ\u00eancia Total de Angola) e a FNLA (Frente Nacional de Liberta\u00e7\u00e3o do Leste). E a independ\u00eancia do pa\u00eds foi proclamada em 11 de novembro de 1975.<\/p>\n<p>Fruto das mobiliza\u00e7\u00f5es populares o MPLA conquistou o poder, mas ainda teve que enfrentar uma guerra civil para derrotar as demais organiza\u00e7\u00f5es guerrilheiras que recebiam o apoio do imperialismo, fundamentalmente, tais organiza\u00e7\u00f5es contavam com o suporte norte-americano e do governo do apartheid, da \u00c1frica do Sul. Contudo, foi um per\u00edodo bastante dif\u00edcil para a popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, pois as estimativas do n\u00famero de mortos, nesta guerra civil, variam entre 500 mil e 2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Depois da guerra o MPLA passou a controlar o aparato estatal seguindo as diretrizes stalinistas, ditadas pela burocracia da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e pelo governo castrista de Cuba. E sob esta orienta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o expropriaram nem o imperialismo norte-americano e nem o europeu que continuaram explorando o petr\u00f3leo e o min\u00e9rio do pa\u00eds atrav\u00e9s das grandes multinacionais e, para al\u00e9m disso, passaram a reprimir e eliminar fisicamente seus oponentes. Dito isso, ressalta-se o massacre mais marcante ocorrido em maio de 1977, onde os opositores foram perseguidos, sequestrados e mortos. Assim, o MPLA se aproveitou da ocasi\u00e3o para eliminar toda uma vanguarda que se construiu no processo do poder popular, como nas brigadas femininas, os intelectuais, artistas e dentre outros que tinham uma perspectiva revolucionaria. E at\u00e9 hoje o governo n\u00e3o se responsabiliza e nem entrega os cad\u00e1veres aos familiares.<\/p>\n<p>Atualmente, o MPLA a partir do Estado e de seus tribunais realiza mais um ataque antidemocr\u00e1tico intervindo diretamente dentro da UNITA destituindo seu presidente. Desta maneira, o governo busca evitar que o representante da UNITA possa concorrer \u00e0s elei\u00e7\u00f5es presidenciais, de 2022, e tenha a possibilidade de ganh\u00e1-las. Isso porque o grau de insatisfa\u00e7\u00e3o do povo com o governo de Jo\u00e3o Louren\u00e7o \u00e9 muito grande. Assim, esta interven\u00e7\u00e3o deve ser repudiada por todo o movimento social, dentro de Angola e internacionalmente, por interferir nos tr\u00e2mites do processo eleitoral ao impedir a candidatura.<\/p>\n<p>No entanto, \u00e9 fundamental analisar com profundidade o que realmente s\u00e3o, na atualidade, a UNITA e o MPLA que se transformaram em grandes partidos pol\u00edticos burgueses. O MPLA est\u00e1 se garantindo no poder aplicando uma pol\u00edtica burguesa e em total alian\u00e7a com o imperialismo. Por isso, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a primeira tarefa dos movimentos sociais \u00e9 o de derrubar a ditadura constitu\u00edda pelo MPLA, conquistar um regime com liberdades democr\u00e1ticas no qual a classe trabalhadora deixe de ser perseguida e presa pela ditadura. E ainda, trabalhadores, movimentos populares, mulheres e dentre outras minorias conquistem direitos em que possam organizar suas entidades de classe e o movimento sem a interfer\u00eancia da burocracia do Estado e sua pol\u00edcia pol\u00edtica. Contudo, ap\u00f3s caracterizar o MPLA passamos a UNITA a seguir.<\/p>\n<p><strong>A UNITA n\u00e3o \u00e9 uma alternativa para a classe trabalhadora e a juventude<\/strong><\/p>\n<p>Hoje muitos jovens revolucion\u00e1rios est\u00e3o indo \u00e0s ruas contra a ditadura do MPLA, indignados por d\u00e9cadas de repress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o. Neste momento, est\u00e3o particularmente indignados com a manobra e o golpe que o governo de Jo\u00e3o Louren\u00e7o est\u00e1 dando na democracia quanto interv\u00e9m na UNITA e tira seu presidente, Adalberto Costa J\u00fanior, o principal l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o. Adalberto Costa \u00e9 apontado em pesquisas (como da AngoBar\u00f3metro) com 40% da inten\u00e7\u00e3o de votos para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, superando em 2% Jo\u00e3o Louren\u00e7o. Com o objetivo de tir\u00e1-lo da disputa presidencial, de 2022, na qual muitos acreditam que possa se dar a altern\u00e2ncia do poder.<\/p>\n<p>Mas com isso s\u00e3o geradas expectativas e esperan\u00e7as em Adalberto Costa e na UNITA. No entanto, quer\u00edamos lembrar aos nossos irm\u00e3os de luta (com todo respeito e reconhecimento a sua combatividade), que nem a UNITA ou qualquer outro partido burgu\u00eas, que hoje formam a Frente Patri\u00f3tica, v\u00e3o levar a luta para derrubar o MPLA e conquistar liberdades democr\u00e1ticas at\u00e9 o fim. O que seria absolutamente necess\u00e1rio, pois como escreveu Nahuel Moreno \u201cNenhum setor privilegiado aceita perder seus privil\u00e9gios (&#8230;) Pelo contr\u00e1rio, todo setor privilegiado tende a aument\u00e1-los<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u201d<\/p>\n<p>A UNITA \u00e9 o segundo maior partido do pa\u00eds, se apresenta como oposi\u00e7\u00e3o, mas est\u00e1 totalmente adaptado ao regime e na verdade \u00e9 parceira do MPLA nele. Tal afirmativa pode ser confirmada por diversos fatos, um deles ocorrido antes da reuni\u00e3o do Conselho da Rep\u00fablica da qual faz parte o presidente, Jo\u00e3o Louren\u00e7o, quando deu posse a Isa\u00edas Samakuva como membro deste comit\u00ea, por ser presidente da UNITA (a UNITA tem vaga cativa no Comit\u00ea da Rep\u00fablica), destacou suas qualidades como dirigente. Samakuva respondeu ressaltando a alian\u00e7a do trabalho conjunto: &#8220;Essa responsabilidade leva-nos a trabalhar para a unidade nacional, leva-nos a estar mais pr\u00f3ximos do senhor Presidente com o nosso saber, a nossa experi\u00eancia para podermos ajudar naquilo que for necess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Reafirmamos que hoje a prioridade \u00e9 tirar o MPLA do poder e para isso podemos e devemos realizar \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d com setores da UNITA para conseguir isso, mas lembramos: a UNITA n\u00e3o tem a estrat\u00e9gia de realizar grandes mudan\u00e7as. Isso est\u00e1 explicito no seu pr\u00f3prio manifesto onde defende que, no m\u00e1ximo, pretende \u201ca altern\u00e2ncia de poder\u201d defendendo uma \u201creconcilia\u00e7\u00e3o entre [&#8230;]todos\u201d, uma \u201cconviv\u00eancia harm\u00f4nica\u201d. Por isso, a UNITA tamb\u00e9m se coloca em \u201ctotal disponibilidade\u201d para estabelecer um entendimento com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o eleitoral para as autarquias.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o se colocam com o objetivo de acabar com o caos econ\u00f4mico em que vive o pa\u00eds, tampouco pretendem p\u00f4r fim a mis\u00e9ria dos trabalhadores, da juventude e da popula\u00e7\u00e3o mais carente. Isso est\u00e1 evidenciado, tamb\u00e9m, no seu \u201cPrograma de Emerg\u00eancia Nacional\u201d em que defende uma interven\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica imperialista. Diante disso, \u00e9 que pode-se afirmar que a UNITA \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o burguesa, submissa \u00e0 pol\u00edtica imperialista, tanto norte-americana como europeia.<\/p>\n<p>A afirmativa de que a UNITA \u00e9 um partido burgu\u00eas pode ser constatada tamb\u00e9m na participa\u00e7\u00e3o na Internacional Democr\u00e1tica do Centro (IDC). Que \u00e9 atualmente presidida por Andr\u00e9s Pestrana que, quando foi presidente da Col\u00f4mbia, reprimiu os trabalhadores e foi respons\u00e1vel por opera\u00e7\u00f5es militares que causaram viola\u00e7\u00f5es aos direitos humanos e ao Direito Internacional Humanit\u00e1rio (DIH).<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a> NA IDC tamb\u00e9m faz parte o partido \u201cDemocratas\u201d, o DEM no Brasil, que apoia o governo Bolsonaro. E, o pior de tudo, faz parte o Fidesz (Uni\u00e3o C\u00edvica H\u00fangara) do qual o atual presidente, Viktor Orban da Hungria, mant\u00e9m \u201catitudes xenof\u00f3bicas, [de] medo e \u00f3dio\u201d e seus discursos apresenta-se como anti-imigra\u00e7\u00e3o e rejeitam veementemente o multiculturalismo, uma concep\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para imigrantes mu\u00e7ulmanos e tampouco africanos.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Por ser um partido burgu\u00eas, a UNITA representa \u2013 e \u00e9 constitu\u00edda \u2013 por parte das classes sociais abastadas, e que vivem muito bem, enquanto a maioria do povo angolano vive na inseguran\u00e7a de n\u00e3o saber como vai ser o dia de amanh\u00e3. Se op\u00f5em ao MPLA de fachada, pois se beneficia do atual regime ditatorial, recebendo uma fatia menor do \u201cbolo\u201d e o que quer \u00e9 ganhar uma fatia maior e para isso aposta em uma vit\u00f3ria nas elei\u00e7\u00f5es de 2022.<\/p>\n<p><strong>Construir uma nova dire\u00e7\u00e3o da juventude, dos trabalhadores e pobres<\/strong><\/p>\n<p>Derrubar o MPLA e conquistar liberdades democr\u00e1ticas, mesmo que limitadas, representar\u00e3o um importante passo \u00e0 frente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura que governa o pa\u00eds h\u00e1 d\u00e9cadas. Por\u00e9m, os problemas estruturais do povo pobre e da classe trabalhadora n\u00e3o ser\u00e3o resolvidos s\u00f3 com isso. Angola precisa de uma revolu\u00e7\u00e3o que socialize, de verdade, os grandes meios de produ\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio do povo, como o petr\u00f3leo e o min\u00e9rio. S\u00f3 quem poder\u00e1 levar isso cabo s\u00e3o os trabalhadores e a juventude.<\/p>\n<p>Inoc\u00eancio de Matos era parte desta juventude prolet\u00e1ria lutadora, assim como os 17 jovens, presos, agredidos e torturados, em 2015 porque queriam a derrubada de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos. Jovens conhecidos como os \u201c15+2\u201d, acusados dos \u201catos preparat\u00f3rios para a pr\u00e1tica de rebeli\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Jovens que, tendo a participa\u00e7\u00e3o de homens e mulheres, est\u00e3o \u00e0 frente da organiza\u00e7\u00e3o de atos p\u00fablicos e manifesta\u00e7\u00f5es em defesa da liberdade e contra o governo do MPLA, sendo a refer\u00eancia e exemplo para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>S\u00e3o eles, junto com os setores mais explorados da sociedade, os oper\u00e1rios, como os petroleiros ou os trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o, que devem construir a verdadeira alian\u00e7a para construir uma alternativa de dire\u00e7\u00e3o ao processo de transforma\u00e7\u00e3o social que Angola e os demais pa\u00edses africanos precisam: uma verdadeira Revolu\u00e7\u00e3o Socialista com a classe trabalhadora e a juventude na sua vanguarda.<\/p>\n<p>Ainda que para derrubar o MPLA se possa organizar \u201cunidade de a\u00e7\u00e3o\u201d a sa\u00edda para esta luta n\u00e3o ser\u00e1 com uma pol\u00edtica policlassista. Pois os interesses da classe burguesa, hoje dona do pa\u00eds, de explorar os mais pobres e entregar as riquezas da na\u00e7\u00e3o \u00e0s multinacionais, n\u00e3o pode se associar aos interesses dos de baixo, os mais pobres, de conquistar uma vida digna. S\u00e3o interesses opostos e antag\u00f4nicos. Buscar uma pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classe levar\u00e1 inevitavelmente a que os trabalhadores sejam prejudicados pelos mais ricos.<\/p>\n<p>Deve ser levada uma luta combinada, pelas quest\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d com a de realizar uma revolu\u00e7\u00e3o social. Nas palavras de Leon Trotsky \u201cas tarefas democr\u00e1ticas se entrela\u00e7am com as socialistas\u201d<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>A luta por liberdades democr\u00e1ticas deve caminhar passo a passo com a luta pelo verdadeiro socialismo. No qual exista o respeito ao direito \u00e0 vida, \u00e0 liberdade e \u00e0s necessidades dos trabalhadores e do povo pobre.<\/p>\n<p>Processos revolucion\u00e1rios continuam a ocorrer em todos os continentes, como tamb\u00e9m na \u00c1frica, com a luta de nossos irm\u00e3os no Sud\u00e3o. Nossa tarefa \u00e9 superar as dire\u00e7\u00f5es burguesas, reformistas e n\u00e3o revolucion\u00e1rias, e construir uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria para estar \u00e0 frente das massas nesta luta.<\/p>\n<p>Em Angola os \u201crev\u00fas\u201d podem ser o embri\u00e3o desta organiza\u00e7\u00e3o do qual nascer\u00e3o os n\u00facleos das organiza\u00e7\u00f5es revolucionarias.<\/p>\n<p><strong>Solidariedade internacional ao dia 11<\/strong><\/p>\n<p>Os manifestantes que v\u00e3o as ruas, no dia 11, v\u00e3o precisar da solidariedade da classe trabalhadora e da juventude internacional, principalmente a portuguesa e brasileira. Isso ser\u00e1 fundamental para que a luta contra a ditadura seja vitoriosa. Por isso, estaremos juntos nestas manifesta\u00e7\u00f5es, expressando nossa solidariedade internacional a nossos irm\u00e3os que est\u00e3o em Angola.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Teses de Atualiza\u00e7\u00e3o do Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Martha Cecilia Garc\u00eda Velandia , LAS LUCHAS SOCIALES EN COLOMBIA: RESISTENCIA FRENTE A LA GUERRA, https:\/\/www.redalyc.org\/pdf\/177\/17710109.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/veja.abril.com.br\/mundo\/conselho-europeu-denuncia-violacao-de-direitos-humanos-na-hungria\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> A independ\u00eancia da Ucr\u00e2nia e a confus\u00e3o sect\u00e1ria, Escritos, 1939<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os 45 anos da independ\u00eancia em Angola, lembrados em 11 de novembro de 2020, foram marcados por atos de protestos com repress\u00e3o e deten\u00e7\u00f5es. 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