{"id":65193,"date":"2021-10-26T18:05:29","date_gmt":"2021-10-26T21:05:29","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65193"},"modified":"2021-10-26T18:05:29","modified_gmt":"2021-10-26T21:05:29","slug":"cop26","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/10\/26\/cop26\/","title":{"rendered":"COP26: d\u00e9cadas de \u2018bl\u00e1, bl\u00e1 ,bl\u00e1\u2019 capitalista"},"content":{"rendered":"<p><em>A COP26 est\u00e1 convocada para acontecer entre 31 de outubro e 12 de novembro. Mas, antes dela, j\u00e1 aconteceram encontros preparat\u00f3rios onde o objetivo era discutir propostas a serem apresentadas na pr\u00f3pria confer\u00eancia. Greta Thunberg, a ativista do Fridays for Future, em seu discurso em um dos encontros disse que as autoridades n\u00e3o fazem mais que prometer bl\u00e1,bl\u00e1,bl\u00e1 e n\u00e3o fazer nada. Ent\u00e3o, para que servem esses encontros preparat\u00f3rios? As enrola\u00e7\u00f5es das COPs s\u00e3o de longa data&#8230;.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lena Souza<\/p>\n<p><strong>O que s\u00e3o as COPs e para que servem (ou deveriam servir)?<\/strong><\/p>\n<p>A COP \u00e9 a Confer\u00eancia das Partes, reuni\u00e3o anual entre os pa\u00edses que aderiram \u00e0\u00a0Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, ou UNFCCC (por sua sigla em ingl\u00eas), um tratado ambiental internacional adotado em 1992 para discutir as emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Mas antes desse tratado aconteceu a Confer\u00eancia de Estocolmo, realizada em 1972, que \u00e9 considerada a primeira confer\u00eancia ambiental no mundo. Essa primeira confer\u00eancia, em 1972, teve como base o estudo elaborado por um grupo de cientistas, denominado Clube de Roma, ao qual deram o nome de Limites do Crescimento. Nesse estudo a conclus\u00e3o a que se chegava era que se a humanidade continuasse a consumir os recursos naturais como na \u00e9poca, eles se esgotariam em menos de 100 anos. Na confer\u00eancia, a discuss\u00e3o se centrou na quest\u00e3o da redu\u00e7\u00e3o imediata do ritmo de industrializa\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses, o que obviamente n\u00e3o levou a nenhum acordo, pois apesar de tentar passar a ideia de preocupa\u00e7\u00e3o, tanto os governos como a classe dominante dos pa\u00edses desenvolvidos, assim como a dos pa\u00edses considerados em desenvolvimento, n\u00e3o tinham nenhuma inten\u00e7\u00e3o de diminuir o ritmo de devasta\u00e7\u00e3o dos recursos naturais e com isso o crescimento de seus lucros.<\/p>\n<p>Passados 20 anos, a confer\u00eancia denominada ECO-92 ou Rio-92 retomou os pontos abordados na Declara\u00e7\u00e3o de Estocolmo (1972) e com base no relat\u00f3rio Relat\u00f3rio Brundtland (1987), que trouxe novas informa\u00e7\u00f5es sobre o tema, reafirmou a mesma conclus\u00e3o, ou seja, constatou que esse modelo de desenvolvimento vigente na sociedade, que visa \u00e0 explora\u00e7\u00e3o m\u00e1xima dos recursos naturais para obten\u00e7\u00e3o de lucro n\u00e3o conseguiria sustentar-se no s\u00e9culo seguinte. Nessa Confer\u00eancia foi aprovado outro famoso documento denominado \u201cAgenda 21\u201d, que supostamente orientaria as a\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses para alcan\u00e7ar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e se abriu dois tratados multilaterais para assinatura: um sobre biodiversidade e outro sobre\u00a0mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que propunha metas para a redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa na atmosfera, mas n\u00e3o foi discutido prazos para a concretiza\u00e7\u00e3o das metas.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o come\u00e7aram a ocorrer as Confer\u00eancias das Partes, em 1995 a COP1 em Berlim, em 1996 a COP2 em Genebra; e em 1997 foi realizada em Kyoto, a COP-3, onde se elaborou o protocolo de Kyoto. O protocolo de Kyoto s\u00f3 come\u00e7ou a valer no dia 16 de fevereiro de 2005, quando foi assinado por 141 pa\u00edses, j\u00e1 que estabelecia que s\u00f3 entraria em vigor quando pelo menos 55% dos pa\u00edses signat\u00e1rios da conven\u00e7\u00e3o do clima, desde que respons\u00e1veis por 55% das emiss\u00f5es globais de gases de efeito estufa, ratificassem o acordo.<\/p>\n<p>No protocolo de Kyoto se estabelecia as primeiras metas de redu\u00e7\u00e3o de gases poluentes no planeta, mas somente 38 na\u00e7\u00f5es industrializadas estariam sujeitas \u00e0s metas, que variavam de um pa\u00eds para outro, e significava se comprometer em reduzir, at\u00e9 2012, suas emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono em 5,2% (em m\u00e9dia) em compara\u00e7\u00e3o com 1990. Os EUA nunca o ratificou e se retiraram das negocia\u00e7\u00f5es sobre o protocolo em 2001, alegando que a sua implementa\u00e7\u00e3o prejudicaria a economia do pa\u00eds. O Canad\u00e1 fez o mesmo em 2011.<\/p>\n<p>O resultado do protocolo de Kyoto foi um fracasso, pois o balan\u00e7o feito em 2012 constatou que <em>\u201cas emiss\u00f5es dos pa\u00edses industrializados ca\u00edram 20% em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis de 1990&#8230; <u>No mesmo per\u00edodo, contudo, as emiss\u00f5es globais aumentaram cerca de 38<\/u>%\u201d<\/em>.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> (grifo nosso). Tal resultado foi justificado pelo fato de que os pa\u00edses em desenvolvimento, como a China e \u00cdndia que tiveram nesse per\u00edodo uma acelera\u00e7\u00e3o da industrializa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estavam entre os pa\u00edses sujeitos \u00e0s metas.<\/p>\n<p>Durante todo esse per\u00edodo as COPs continuaram acontecendo e se mantiveram as negocia\u00e7\u00f5es em torno da proposta de um novo acordo do clima aplic\u00e1vel a todos os pa\u00edses, considerando que participam das Confer\u00eancias anuais os delegados governamentais representantes dos pa\u00edses signat\u00e1rios da Conven\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o os \u00fanicos que t\u00eam poder de voto e as delibera\u00e7\u00f5es s\u00e3o tomadas por consenso. Integrantes de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais (ONGs), entre outros, participam apenas como observadores.<\/p>\n<p>Sendo assim, somente na COP21, em 2015\u00a0que se chegou ao, ainda v\u00e1lido, Acordo de Paris, atualmente com 195 pa\u00edses signat\u00e1rios, e que entrou em vigor em 4 de novembro de 2016,\u00a0 no qual foi estabelecido um objetivo de limitar o aquecimento global abaixo de 2 \u00b0C neste s\u00e9culo, em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais, e fazer esfor\u00e7os para limit\u00e1-lo a 1,5 \u00b0C.<\/p>\n<p>Nesse acordo os pa\u00edses signat\u00e1rios deveriam criar suas Contribui\u00e7\u00f5es Nacionais Determinadas (NDC, na sigla em ingl\u00eas), ou seja, compromissos para colaborar com a meta global de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es. Em vez de obrigat\u00f3rias como no protocolo de Kyoto cada pa\u00eds apresentaria seu compromisso de metas, de acordo com as realidades nacionais e o acordo teria validade indefinida. Para avalia\u00e7\u00e3o dos objetivos colocados no Acordo de Paris, a cada cinco anos os governos devem comunicar, de forma volunt\u00e1ria, o andamento de suas metas e se j\u00e1 estiverem alcan\u00e7ando as metas previstas, devem criar mecanismos para elev\u00e1-las, tornando-as mais ambiciosas.<\/p>\n<p>A COP26 ser\u00e1 a vig\u00e9sima sexta reuni\u00e3o, que deveria ter acontecido em 2020, mas foi adiada devido \u00e0 pandemia. Acontecer\u00e1 neste ano de 2021, em Glasgow, na Esc\u00f3cia e tem gerado muita discuss\u00e3o, j\u00e1 que se passaram cinco anos desde a assinatura do acordo de Paris e, como determina o documento, est\u00e1 na hora de fazer um balan\u00e7o do que foi feito nos primeiros 5 anos de vig\u00eancia do acordo\u00a0.<\/p>\n<p>Como uma pr\u00e9via da Confer\u00eancia, de acordo com informa\u00e7\u00f5es veiculadas na m\u00eddia<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, at\u00e9 o final de 2020, apenas 75 pa\u00edses signat\u00e1rios do acordo de Paris haviam apresentado \u00e0 ONU suas Contribui\u00e7\u00f5es Nacionalmente Determinadas, onde especificam as medidas e metas que ser\u00e3o adotadas a curto, m\u00e9dio e longo prazo para diminuir as emiss\u00f5es de gases. Isso significa menos da metade dos pa\u00edses signat\u00e1rios, ou seja, cerca de 38% apenas e, al\u00e9m disso, as propostas de metas e medidas n\u00e3o s\u00e3o nada animadoras. Na avalia\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio-geral da ONU, Ant\u00f3nio Guterres, em comunicado publicado no dia 26 de fevereiro de 2021 <em>\u201cOs governos est\u00e3o longe do n\u00edvel de ambi\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para limitar as\u00a0<\/em><em>mudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u00a0a 1,5 \u00b0C e cumprir os objetivos do Acordo de Paris\u201d.<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\"><strong>[3]<\/strong><\/a> <\/em>Os planos de redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa que as na\u00e7\u00f5es mant\u00eam levam a um aquecimento de cerca de 3 graus.<\/p>\n<h6><strong>A COP26 e seus encontros preparat\u00f3rios<\/strong><\/h6>\n<p>Como se pode concluir das informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 agora, a COP26 acontece em um contexto de agravamento da crise clim\u00e1tica. Em agosto desse ano (2021), o Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas\u201d (IPCC, na sigla em ingl\u00eas) emitiu um relat\u00f3rio onde revela que a temperatura m\u00e9dia do planeta pode exceder ao limite de 1,5\u00ba Celsius at\u00e9 2040, 2\u00ba em 2060 e at\u00e9 2100, mantidos o n\u00edvel de emiss\u00f5es atuais chegaria a 2,7\u00ba. Esse relat\u00f3rio aliado aos eventos clim\u00e1ticos extremos, que vem aumentando sua frequ\u00eancia e intensidade, tem obrigado a m\u00eddia a colocar a COP26 entre os principais notici\u00e1rios.<\/p>\n<p>E no \u00faltimo dia 25 de outubro, faltando poucos dias para o in\u00edcio da 26\u00aa Confer\u00eancia, a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) publicou um boletim onde comunica que em 2020 a concentra\u00e7\u00e3o de CO2 na atmosfera alcan\u00e7ou o pico de 413,2 ppm (partes por milh\u00e3o), o que significa um aumento de 0,6% em rela\u00e7\u00e3o a 2019 e de 149%, se comparado ao ano de 1750.<\/p>\n<p>De acordo com o site oficial<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> da COP26, a Confer\u00eancia trabalhar\u00e1 com 4 metas: Assegurar a \u201cRede Zero\u201d carbono (neutralidade em carbono) at\u00e9 meados do s\u00e9culo e manter a temperatura do planeta em 1,5 grau; Adaptar-se para proteger comunidades e\u00a0<em>habitats\u00a0<\/em>naturais; Mobilizar recursos financeiros; Trabalhar em conjunto para cumprir essas metas finalizando o Livro de Regras de Paris (regras detalhadas que tornam o Acordo de Paris operacional) e acelerando a a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Boris Johnson (primeiro ministro do reino Unido) que tem a presid\u00eancia da COP26, resumiu os quatro objetivos principais como \u201c<em>carv\u00e3o, carros, dinheiro e \u00e1rvores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Antes da COP26, j\u00e1 aconteceram encontros preparat\u00f3rios, um dos encontros reuniu 400 jovens ativistas ambientais (dois de cada um dos pa\u00edses da ONU), de 28 a 30 de setembro, em um f\u00f3rum chamado Youth4Climate Driving Ambition&#8221; (&#8220;Juventude pelo Clima: Estimulando a Ambi\u00e7\u00e3o&#8221;), em Mil\u00e3o, organizado pelo governo italiano e com a participa\u00e7\u00e3o de especialistas. E, em seguida, aconteceu a C\u00fapula Pr\u00e9-COP26 que reuniu ministros do meio ambiente e da energia, representantes dos organismos da ONU relacionados ao clima e tamb\u00e9m representantes da sociedade civil envolvidos com o tema, de 30 de setembro a 02 de outubro, tamb\u00e9m em Mil\u00e3o.<\/p>\n<p>O documento final apresentado pela Youth4Climate coloca propostas<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> relacionadas aos quatro eixos de discuss\u00f5es que foram definidos para o encontro e se centram em cobrar a inclus\u00e3o dos jovens nas decis\u00f5es, exigir, na recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica p\u00f3s-pandemia, uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica para 2030 com utiliza\u00e7\u00e3o de energias renov\u00e1veis, empregos decentes, respeito \u00e0s popula\u00e7\u00f5es locais e financiamento transparente para o clima. Que o setor privado estabele\u00e7a metas de emiss\u00f5es zero e que a ind\u00fastria de combust\u00edveis f\u00f3sseis seja fechada at\u00e9 2030. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m reivindica dos governos a que se comprometam com mais investimentos em um sistema educacional que incorpore as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e a incentivar e permitir maior engajamento da popula\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o clim\u00e1tica. O documento com todas as propostas foi apresentado na abertura da Pr\u00e9-COP26, que tem como objetivo fazer discuss\u00f5es, entre um grupo seleto de pa\u00edses, das principais propostas para serem levadas \u00e0 confer\u00eancia.<\/p>\n<p>As propostas discutidas nessa Pr\u00e9-c\u00fapula foram apresentadas em uma coletiva de imprensa do ministro da Transi\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da It\u00e1lia\u00a0Roberto Cingolani,\u00a0e o presidente designado da COP26,\u00a0Alok Sharma (Ministro do Gabinete de Governo do Reino Unido). Segundo as informa\u00e7\u00f5es veiculadas as propostas se centraram no abandono<em> do carv\u00e3o em 2030 para os estados do G7 e em 2040 para os outros, a necessidade imperativa de permanecer abaixo de 1,5 \u00b0 de aumento de temperatura, revis\u00e3o nacional das NDCs e alocar pelo menos US $ 100 bilh\u00f5es para evitar a desigualdade social.<\/em><\/p>\n<p>Al\u00e9m dos v\u00e1rios encontros pr\u00e9vios, tamb\u00e9m h\u00e1 v\u00e1rios documentos sendo dirigidos \u00e0 COP26 como, por exemplo, o documento assinado por religiosos e cientistas, organizado pelo Papa Francisco e entregue ao presidente da COP26 que pede para agir &#8220;com urg\u00eancia e\u00a0oferecer respostas eficazes \u00e0 crise ecol\u00f3gica sem precedentes&#8221;.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p><strong>Discursos, apelos e propostas &#8230; nenhum resultado <\/strong><\/p>\n<p>Greta Thunberg, a ativista sueca que ganhou notoriedade com a Fridays for Future, participou do Youth4Climate e fez v\u00e1rias cr\u00edticas \u00e0 postura dos governantes como que eventos como a Youth4Climate servem apenas para os l\u00edderes pol\u00edticos &#8220;fingirem&#8221; que est\u00e3o dando aten\u00e7\u00e3o aos jovens. Tamb\u00e9m disse que sobre a crise clim\u00e1tica, nos \u00faltimos 30 anos, s\u00f3 ouvimos palavras dos l\u00edderes mundiais &#8230; bl\u00e1 bl\u00e1 bl\u00e1s&#8230;.\u00a0 e que as emiss\u00f5es continuam aumentando.<\/p>\n<p>No dia 30 de setembro, como planejado, coincidiram os dois encontros e a juventude entregou aos ministros documento conclusivo do Youth4Climate. Algumas partes dos discurso das autoridades presentes foram:<\/p>\n<p>O primeiro ministro da It\u00e1liaMario Draghi disse \u201c<em>Esta gera\u00e7\u00e3o, a sua gera\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mais amea\u00e7ada pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Voc\u00ea tem raz\u00e3o em pedir responsabilidade, pedir mudan\u00e7a. A transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 uma escolha &#8211; \u00e9 uma necessidade\u201d.<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\"><strong>[7]<\/strong><\/a><\/em>\u00a0Roberto Cingolani, ministro da Transi\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da It\u00e1lia disse: <em>\u201cRecebemos de <\/em><em>Youth4Climate muitos contributos importantes. Vamos pegar essas sugest\u00f5es dos jovens e lev\u00e1-las \u00e0 Cop26. Essa ser\u00e1 a primeira resposta \u00e0s suas propostas\u201d&#8230;\u201d Espero que o Youth4Climate em Mil\u00e3o seja o primeiro de uma s\u00e9rie de eventos semelhantes com os jovens <a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\"><strong>[8]<\/strong><\/a>. <\/em>E continuando o mesmo ministro disse <em>\u201cProtestos de jovens contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o \u00fateis, mas precisamos trabalhar juntos para encontrar uma solu\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a><\/em> enquanto Boris Jhonson disse <em>&#8220;Os jovens em todo o mundo j\u00e1 est\u00e3o pagando o pre\u00e7o pelas a\u00e7\u00f5es imprudentes dos maiores.&#8221;<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\"><strong>[10]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco tamb\u00e9m se manifestou atrav\u00e9s de um tweet, dizendo: <em>\u201cDar respostas concretas ao grave fen\u00f4meno do aquecimento global \u00e9 um imperativo moral. A falta de a\u00e7\u00e3o ter\u00e1 efeitos secund\u00e1rios, especialmente entre os mais pobres, que s\u00e3o tamb\u00e9m os mais vulner\u00e1veis\u201d.<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\"><strong>[11]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>O ganhador do pr\u00eamio Nobel de f\u00edsica (2021), Giorgio Parisi presente na Pr\u00e9-COP declarou: <em>&#8220;Infelizmente, as a\u00e7\u00f5es tomadas pelos governos n\u00e3o est\u00e3o \u00e0 altura desse desafio e os resultados at\u00e9 agora t\u00eam sido extremamente modestos&#8221; &#8230; \u201cA humanidade deve fazer escolhas essenciais, deve combater fortemente as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Durante d\u00e9cadas, a ci\u00eancia nos advertiu que o comportamento humano estava lan\u00e7ando as bases para um aumento vertiginoso da temperatura de nosso planeta\u201d.<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Nesse mesmo evento, durante o discurso do primeiro-ministro da It\u00e1lia alguns jovens credenciados para a confer\u00eancia Youth4Climate come\u00e7aram a gritar \u201cO povo unido jamais ser\u00e1 vencido\u201d, e foram imediatamente afastados pelos seguran\u00e7as presentes. E do lado de fora do centro de conven\u00e7\u00f5es outros jovens tamb\u00e9m organizaram um protesto que igualmente foi reprimido pela pol\u00edcia italiana.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso a organiza\u00e7\u00e3o e luta independente dos trabalhadores e a juventude<\/strong><\/p>\n<p>Como se pode deduzir do hist\u00f3rico das Confer\u00eancias ambientais e seus resultados, e dos encontros preparat\u00f3rios para a COP26, essa ser\u00e1 mais uma reuni\u00e3o dos representantes dos ricos do planeta para novamente permanecer tudo como est\u00e1 e a crise clim\u00e1tica se agravando. Enquanto se fazem discursos e apelos, o pr\u00f3prio presidente da COP26 conclui que de acordo com os compromissos (NDCs) feitos pelos pa\u00edses at\u00e9 o momento, ao inv\u00e9s de reduzir at\u00e9 2030, em 45% as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em rela\u00e7\u00e3o a 2010, o que vai acontecer, em n\u00edvel global, \u00e9 um aumento de 16%.<\/p>\n<p>Os discursos e a pr\u00e1tica dos poderosos n\u00e3o deixam d\u00favidas que o objetivo \u00e9 dissimular a realidade e buscar cooptar a juventude, que saiu \u00e0s ruas para protestar, buscando envolv\u00ea-la em um engano que a fa\u00e7a acreditar que est\u00e1 sendo ouvida. E n\u00e3o somente sendo ouvida, mas que \u00e9 respons\u00e1vel por ajudar a resolver o problema. N\u00e3o \u00e9 uma novidade, pois a classe dominante procura calar as vozes das ruas h\u00e1 muito tempo atrav\u00e9s dessa pr\u00e1tica, como faz com os movimentos contra a opress\u00e3o como de mulheres, LGBTI e negros\/as.<\/p>\n<p>Trata-se de envolver aqueles que come\u00e7am a lutar e orient\u00e1-los para as sa\u00eddas institucionais, buscando convenc\u00ea-los que a quest\u00e3o ambiental \u00e9 de responsabilidade de toda a popula\u00e7\u00e3o do planeta, de forma igualit\u00e1ria, e que \u00e9 necess\u00e1rio travar uma luta \u00fanica e unificada entre todo\/as para resolver o problema. Como parte desse convencimento, em geral, se localiza as principais refer\u00eancias de luta em cargos nas organiza\u00e7\u00f5es governamentais e governos e desencadeiam uma forte campanha ideol\u00f3gica para o convencimento de que \u00e9 necess\u00e1rio que cheguem a cargos pol\u00edticos (parlamentos, governos, etc..) para que possam mudar a realidade.<\/p>\n<p>Por enquanto ainda \u00e9 poss\u00edvel perceber alguma desconfian\u00e7a e consci\u00eancia no discurso de Greta Tunbherg, quando diz que precisamos de \u201csolu\u00e7\u00f5es radicais\u201d e que \u201cnossos l\u00edderes, deliberadamente, n\u00e3o est\u00e3o agindo\u201d ou no discurso da ativista pelo clima Vanessa Nakate, da Uganda, quando diz que aqueles que menos t\u00eam responsabilidade nas emiss\u00f5es globais, como a \u00c1frica s\u00e3o os que mais sofrem as consequ\u00eancias. Mas \u00e9 necess\u00e1rio que a juventude que luta pela sobreviv\u00eancia do planeta e das novas gera\u00e7\u00f5es conclua que, estamos em um mundo dividido em classes sociais, em que os ricos, al\u00e9m de serem os respons\u00e1veis pelo aquecimento do planeta, s\u00e3o aqueles que n\u00e3o ir\u00e3o garantir medidas para impedir o colapso, pois n\u00e3o querem abrir m\u00e3o de seus lucros obtidos com a destrui\u00e7\u00e3o do planeta. E, por outro lado, que as consequ\u00eancias somente recair\u00e3o nos pobres, pois s\u00e3o os povos ind\u00edgenas, a popula\u00e7\u00e3o negra marginalizada, os imigrantes, os\/as trabalhadores\/as e a juventude pobre do planeta que j\u00e1 sofrem com os eventos clim\u00e1ticos extremos, que n\u00e3o s\u00f3 destroem diretamente seus poucos bens, mas est\u00e1 levando a destrui\u00e7\u00e3o dos recursos necess\u00e1rios para ter alimenta\u00e7\u00e3o, moradia e todas as necessidades b\u00e1sicas para garantir a vida. Al\u00e9m disso, sofrem tamb\u00e9m com as pandemias, como a Covid19 que j\u00e1 tirou a vida de quase 5 milh\u00f5es de pessoas no mundo, na sua grande maioria pobres.<\/p>\n<p>Por isso somente a luta conjunta da juventude e os\/as trabalhadores\/as poder\u00e1 garantir um planeta em condi\u00e7\u00f5es de vida para o futuro. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio elaborar propostas para resolver o caos em que os ricos est\u00e3o colocando o planeta, no entanto, para que essas medidas sejam colocadas em pr\u00e1tica vai ser necess\u00e1rio que derrotemos a classe que hoje domina e dirige esse mesmo planeta. \u00a0\u00c9 uma ilus\u00e3o achar que os ricos v\u00e3o resolver essa quest\u00e3o, pois eles s\u00e3o os que mant\u00eam e usufruem do sistema capitalista, verdadeiro respons\u00e1vel pela cat\u00e1strofe ambiental.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que a juventude e os\/as trabalhadores\/as lutem pelo fim da explora\u00e7\u00e3o de uma classe pela outra que s\u00f3 permite que os ricos fiquem mais ricos enquanto os pobres ficam cada vez mais pobres, e construam uma nova sociedade que permita o fim dessa explora\u00e7\u00e3o e uma rela\u00e7\u00e3o ecologicamente equilibrada do ser humano com a natureza. N\u00f3s afirmamos que essa sociedade s\u00f3 poder\u00e1 ser constru\u00edda em bases socialistas e chamamos a juventude e os\/as trabalhadores e trabalhadoras a que venham lutar pela constru\u00e7\u00e3o dessa sociedade junto conosco.<\/p>\n<p>_____________________________<\/p>\n<p>Leia a edi\u00e7\u00e3o especial da revista Correio Internacional que apresenta artigos que aprofundam sobre todos os problemas que o sistema capitalista est\u00e1 produzindo para a vida no planeta, faz um resgate da vis\u00e3o marxista sobre a quest\u00e3o ambiental e da elabora\u00e7\u00e3o de Marx e Engels.<\/p>\n<p>Baixe a revista aqui: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/colapso-ambiental-o-capitalismo-e-o-responsavel\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/colapso-ambiental-o-capitalismo-e-o-responsavel\/<\/a><\/p>\n<p>Assista a plen\u00e1ria sobre o colapso ambiental no nosso canal do youtube: <a href=\"https:\/\/youtu.be\/XG131qxuVts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/youtu.be\/XG131qxuVts<\/a><\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/protocolo-de-kyoto-foi-marco-na-prote%C3%A7%C3%A3o-clim%C3%A1tica-mas-insuficiente\/a-52399555\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/protocolo-de-kyoto-foi-marco-na-prote%C3%A7%C3%A3o-clim%C3%A1tica-mas-insuficiente\/a-52399555<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Um-So-Planeta\/noticia\/2021\/04\/por-que-2021-e-um-ano-decisivo-para-o-cumprimento-do-acordo-de-paris.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Um-So-Planeta\/noticia\/2021\/04\/por-que-2021-e-um-ano-decisivo-para-o-cumprimento-do-acordo-de-paris.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Um-So-Planeta\/noticia\/2021\/04\/por-que-2021-e-um-ano-decisivo-para-o-cumprimento-do-acordo-de-paris.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/revistagalileu.globo.com\/Um-So-Planeta\/noticia\/2021\/04\/por-que-2021-e-um-ano-decisivo-para-o-cumprimento-do-acordo-de-paris.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> <a href=\"https:\/\/ukcop26.org\/cop26-goals\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/ukcop26.org\/cop26-goals\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.greenme.it\/informarsi\/ambiente\/chiudete-le-industrie-basate-su-fonti-fossili-entro-il-2030-la-proposta-dei-giovani-di-youth4climate\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.greenme.it\/informarsi\/ambiente\/chiudete-le-industrie-basate-su-fonti-fossili-entro-il-2030-la-proposta-dei-giovani-di-youth4climate\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2021-10\/papa-lideres-religiosos-e-cientistas-fazem-apelo-urgente-cop26\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2021-10\/papa-lideres-religiosos-e-cientistas-fazem-apelo-urgente-cop26<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Crisi-clima-Mattarella-e-Draghi-alla-pre-Cop26-di-Milano-b25fddb3-1b9b-4a2d-aec9-3509c05f6c2b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Crisi-clima-Mattarella-e-Draghi-alla-pre-Cop26-di-Milano-b25fddb3-1b9b-4a2d-aec9-3509c05f6c2b.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Si-apre-a-Milano-la-Youth4Climate-conferenza-del-giovani-sul-clima-f8cec33a-3689-4f0d-9bad-876f90f48b93.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Si-apre-a-Milano-la-Youth4Climate-conferenza-del-giovani-sul-clima-f8cec33a-3689-4f0d-9bad-876f90f48b93.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Crisi-clima-Mattarella-e-Draghi-alla-pre-Cop26-di-Milano-b25fddb3-1b9b-4a2d-aec9-3509c05f6c2b.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.rainews.it\/dl\/rainews\/articoli\/Crisi-clima-Mattarella-e-Draghi-alla-pre-Cop26-di-Milano-b25fddb3-1b9b-4a2d-aec9-3509c05f6c2b.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Idem<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Idem<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A COP26 est\u00e1 convocada para acontecer entre 31 de outubro e 12 de novembro. 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