{"id":65136,"date":"2021-10-19T17:25:26","date_gmt":"2021-10-19T20:25:26","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=65136"},"modified":"2021-10-19T17:25:26","modified_gmt":"2021-10-19T20:25:26","slug":"chile-2-anos-do-18-de-outubro-licoes-e-perspectivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/10\/19\/chile-2-anos-do-18-de-outubro-licoes-e-perspectivas\/","title":{"rendered":"Chile| 2 anos do 18 de outubro: li\u00e7\u00f5es e perspectivas"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 dois anos, milh\u00f5es de n\u00f3s sa\u00edmos \u00e0s ruas para dizer basta. A juventude novamente mostrou o caminho, com os estudantes pulando as catracas do metr\u00f4 contra o aumento do pre\u00e7o da passagem. A enorme viol\u00eancia do governo fez explodir o pa\u00eds de indigna\u00e7\u00e3o contra todos os abusos: a sa\u00fade prec\u00e1ria, as aposentadorias e sal\u00e1rios miser\u00e1veis, a educa\u00e7\u00e3o privatizada, o pre\u00e7o dos transportes e muito mais.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: MIT Chile<\/p>\n<p>A explos\u00e3o social chilena n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o. Dias antes, o Equador fervilhava de barricadas e duros confrontos entre os povos ind\u00edgenas e o governo de Lenin Moreno por causa do aumento dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. Um m\u00eas depois, a Col\u00f4mbia tamb\u00e9m explodiu, em uma grande greve nacional que culminou em uma rebeli\u00e3o social. Poucos meses depois, uma grande rebeli\u00e3o irrompeu nos Estados Unidos contra a viol\u00eancia racista. Todas essas explos\u00f5es sociais t\u00eam algo em comum: foram lideradas pelos pobres, pela juventude popular e pela classe trabalhadora. Isso porque o capitalismo gera enormes desigualdades e viol\u00eancia em todos os pa\u00edses do mundo, mesmo nos mais ricos, como os Estados Unidos.<\/p>\n<p>No Chile, o 18 de outubro foi a express\u00e3o de mais de 3 d\u00e9cadas de lutas contra o modelo capitalista neoliberal. As lutas regionais de Ays\u00e9n, Freirina, Punta Arenas, a luta estudantil pela educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, a luta dos trabalhadores contra a subcontrata\u00e7\u00e3o e por melhores sal\u00e1rios, a luta contra as AFPs e a luta das mulheres. Todas se uniram em uma \u00fanica luta depois do 18 de outubro.<\/p>\n<p><strong>Explos\u00e3o, revolta ou revolu\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-65137\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/chile_plebiscito-1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"395\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/chile_plebiscito-1.jpg 700w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/chile_plebiscito-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/chile_plebiscito-1-150x85.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/chile_plebiscito-1-696x393.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>Mas o que aconteceu em 18 de outubro e nas semanas seguintes? \u00c9 correto falar de uma explos\u00e3o ou revolta social? Em nossa opini\u00e3o, todos esses termos s\u00e3o insuficientes para descrever o processo que deu in\u00edcio nesse 18.<\/p>\n<p>Havia tr\u00eas caracter\u00edsticas muito importantes no movimento que come\u00e7ou no dia 18. A primeira foi a sua massividade. Foram milh\u00f5es de pessoas que sa\u00edram \u00e0s ruas a partir do dia 18. Essa massividade se expressou n\u00e3o s\u00f3 nas grandes manifesta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m em cada cidade, morro e bairro, com os panela\u00e7os, encontros, atividades, feiras. A segunda caracter\u00edstica importante foi a viol\u00eancia como m\u00e9todo de resist\u00eancia do povo.<\/p>\n<p>A explos\u00e3o social foi acompanhada por um grau significativo de viol\u00eancia contra a pol\u00edcia, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e tamb\u00e9m alguns s\u00edmbolos do consumo. Assim, em poucos dias dezenas de esta\u00e7\u00f5es de metr\u00f4 foram incendiadas, grandes lojas de varejo foram saqueadas, igrejas, universidades privadas, etc. foram incendiadas. Al\u00e9m dessa f\u00faria incendi\u00e1ria, uma importante autodefesa popular tamb\u00e9m foi organizada para defender as manifesta\u00e7\u00f5es: a Primeira Linha. Centenas ou milhares de jovens e adultos que perderam completamente o medo de enfrentar a pol\u00edcia e o Ex\u00e9rcito e come\u00e7aram a se reunir para defender as manifesta\u00e7\u00f5es. A terceira caracter\u00edstica importante \u00e9 a profundidade do questionamento. N\u00e3o estamos falando de uma revolta espont\u00e2nea contra qualquer pol\u00edtica espec\u00edfica. O 18 de outubro unificou todas as reivindica\u00e7\u00f5es populares contra o modelo econ\u00f4mico e o regime pol\u00edtico. Tudo isso foi sintetizado nas consignas de Fora Pi\u00f1era e da Assembleia Constituinte, que questionam o conjunto do regime e suas bases econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Assim, devido a essas 3 caracter\u00edsticas, dizemos que o que come\u00e7ou no Chile foi uma revolu\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas uma revolta ou uma explos\u00e3o. Muitas vezes temos a falsa ideia de que uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo de mobiliza\u00e7\u00f5es ininterruptas que rapidamente leva \u00e0 queda de um governo ou regime. Pode ser, como aconteceu no Egito, Tun\u00edsia ou L\u00edbia h\u00e1 dez anos. No entanto, as revolu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o todas iguais. Revolu\u00e7\u00f5es s\u00e3o processos de ruptura da ordem estabelecida que podem durar anos, com idas e vindas, altos e baixos das mobiliza\u00e7\u00f5es. Muitos fatores v\u00e3o determinar se essas revolu\u00e7\u00f5es ser\u00e3o vitoriosas ou n\u00e3o e quais transforma\u00e7\u00f5es sociais alcan\u00e7ar\u00e3o. Algumas revolu\u00e7\u00f5es derrubam governos, mas n\u00e3o alcan\u00e7am conquistas sociais. Outros derrubam regimes inteiros e v\u00e3o mais longe em suas conquistas. Algumas retrocedem, s\u00e3o massacradas ou desviadas. As revolu\u00e7\u00f5es mais profundas s\u00e3o aquelas que questionam as bases do sistema capitalista &#8211; propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o, como a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana ou a Chinesa. Foram revolu\u00e7\u00f5es sociais, que conseguiram ir muito mais longe na constru\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade, embora posteriormente tenham regredido devido \u00e0 pol\u00edtica de suas dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No Chile, nossa revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 impulsionada pela classe trabalhadora, aliada a setores da prec\u00e1ria classe m\u00e9dia e povos ind\u00edgenas. Na vanguarda est\u00e1 a juventude trabalhadora, precarizada e estudantil. \u00c9 uma revolu\u00e7\u00e3o que p\u00f5e em causa todo o modelo econ\u00f4mico capitalista chileno. A solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais n\u00e3o ser\u00e1 realizada apenas com mudan\u00e7as no regime pol\u00edtico (uma Constitui\u00e7\u00e3o mais ou menos democr\u00e1tica, um Congresso unicameral ou uma pol\u00edcia mais \u201cdemocr\u00e1tica\u201d).<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as econ\u00f4micas profundas ser\u00e3o necess\u00e1rias para que as demandas sociais sejam resolvidas. Em nossa opini\u00e3o, s\u00f3 a ruptura com as grandes transnacionais imperialistas e a burguesia chilena poder\u00e1 come\u00e7ar a resolver os problemas do povo. Por isso, falamos de uma revolu\u00e7\u00e3o inconscientemente socialista, pois carrega em seu germe o questionamento da grande propriedade privada da burguesia nacional e estrangeira, que s\u00f3 pode se concretizar quando os trabalhadores tomarem o poder em suas m\u00e3os e reorganizarem completamente o economia e sociedade. Enquanto se continue negociando com o grande empresariado e que a camisa de for\u00e7a n\u00e3o seja rompida, todas as conquistas ser\u00e3o parciais e podem retroceder em algum tempo se n\u00e3o se acabar com o sistema capitalista e a l\u00f3gica do lucro, que condena a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 pobreza e destr\u00f3i a natureza.<\/p>\n<p><strong>A derrota de Pi\u00f1era, em 12N e 15N<\/strong><\/p>\n<p>De volta aos fatos. As massas conquistaram v\u00e1rias vit\u00f3rias depois de 18 de outubro. A primeira delas foi o congelamento do pre\u00e7o do transporte, uma das primeiras medidas exigidas pelas manifesta\u00e7\u00f5es. Dias depois, com a maior manifesta\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria (25 de outubro de 2019), obrigamos o governo a retirar os militares das ruas e mand\u00e1-los de volta aos quarteis. Derrotamos a pol\u00edtica do governo de acabar com as manifesta\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da viol\u00eancia militar. Os protestos continuaram e chegaram ao auge no dia 12 de novembro, com a organiza\u00e7\u00e3o de uma greve geral que paralisou parte importante do pa\u00eds. Essa greve, que paralisou setores de transporte, minera\u00e7\u00e3o, trabalhadores p\u00fablicos, servi\u00e7os, oper\u00e1rios de diversos ramos, foi combinada com fortes mobiliza\u00e7\u00f5es e enfrentamentos da juventude popular em v\u00e1rias cidades. Antofagasta, Santiago, Valpara\u00edso, Concepci\u00f3n e v\u00e1rios outros foram transformados em cen\u00e1rios de guerra. O governo ficou por um fio e amea\u00e7ou colocar os militares de volta \u00e0s ruas. No entanto, n\u00e3o teve for\u00e7as para isso, pois a c\u00fapula das For\u00e7as Armadas sabia que se voltassem \u00e0s ruas seria para realizar um massacre, o que poderia levar o pa\u00eds a uma guerra civil.<\/p>\n<p>Assim, Pi\u00f1era foi for\u00e7ado a recuar e clamar por um grande acordo nacional com os partidos do regime. Em 15 de novembro, foi assinado o Acordo pela Paz, que abriu o atual Processo Constituinte e salvou o governo de Pi\u00f1era.<\/p>\n<p><strong>A Frente Ampla e o Partido Comunista salvam o governo<\/strong><\/p>\n<p>O Acordo de Paz deu origem ao atual Processo Constituinte. Em primeiro lugar, devemos reconhecer que a abertura de um Processo Constituinte foi uma grande vit\u00f3ria para o movimento de massas. Nem o governo nem a &#8220;oposi\u00e7\u00e3o&#8221; queriam conceder um Processo Constituinte com as caracter\u00edsticas atuais. Este Processo Constituinte \u00e9 uma conquista da nossa luta. Por\u00e9m, como foi o resultado de uma enorme \u201cconcerta\u00e7\u00e3o\u201d, o atual Processo Constituinte nasce deformado, com muitos obst\u00e1culos impostos pelos partidos do atual regime: o qu\u00f3rum de \u2154, a impossibilidade de destituir autoridades (e assim realizar o julgamento e puni\u00e7\u00e3o contra Pi\u00f1era e seu governo), a impossibilidade de alterar os Tratados de Livre Com\u00e9rcio (que est\u00e3o na base do modelo econ\u00f4mico atual), etc.<\/p>\n<p>Este grande acordo foi assinado por quase todos os partidos pol\u00edticos do regime, da UDI \u00e0 Frente Ampla. Assim, todos eles s\u00e3o respons\u00e1veis \u200b\u200bpela manuten\u00e7\u00e3o de Pi\u00f1era no governo, pela enorme repress\u00e3o cometida ap\u00f3s o Acordo e tamb\u00e9m pelos entraves impostos ao Processo Constituinte. O Partido Comunista, embora n\u00e3o tenha assinado o Acordo, saiu no dia seguinte a reconhec\u00ea-lo, fazendo cr\u00edticas espec\u00edficas sobre alguns aspectos (como o qu\u00f3rum ou a falta de representantes ind\u00edgenas). O PC, que liderava a Mesa da Unidade Social, retrocedeu com as mobiliza\u00e7\u00f5es e entrou de cabe\u00e7a na disputa eleitoral. No momento em que o governo estava mais fraco e o movimento de massas tinha mais for\u00e7a, o PC decidiu entrar na disputa eleitoral e n\u00e3o usar seu peso nos sindicatos e territ\u00f3rios para manter o Fora Pi\u00f1era. Assim, acabou sendo c\u00famplice do Acordo de Paz e tamb\u00e9m um dos respons\u00e1veis \u200b\u200bpela manuten\u00e7\u00e3o de Pi\u00f1era, ainda que meses depois (quando o movimento de massas j\u00e1 havia diminu\u00eddo), junto com a Frente Ampla, apresentasse uma Acusa\u00e7\u00e3o Constitucional contra Pi\u00f1era, que foi derrotada no Congresso.<\/p>\n<p>Assim, abre-se o Processo Constituinte, mas com sabor amargo. N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a ou puni\u00e7\u00e3o para os respons\u00e1veis \u200b\u200bpela guerra contra o povo. N\u00e3o h\u00e1 repara\u00e7\u00e3o para as centenas de fam\u00edlias e v\u00edtimas da repress\u00e3o e muitos de nossos companheiros ainda est\u00e3o presos. Todas essas tarefas ainda est\u00e3o pendentes.<\/p>\n<p><strong>O processo ainda est\u00e1 aberto<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a assinatura do Acordo de Paz, vieram muitas mobiliza\u00e7\u00f5es. Com o in\u00edcio da pandemia, o governo e grandes empres\u00e1rios foram for\u00e7ados a ceder no primeiro saque<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> das AFPs, por medo de um nova explos\u00e3o social. Em seguida, vieram novos saques e ajudas para amortecer o impacto da pandemia. Todas essas concess\u00f5es econ\u00f4micas \u00e0 classe trabalhadora devem-se ao medo. Eles entregam os an\u00e9is para tentar manter os dedos. A pandemia foi um duro golpe para a classe trabalhadora. A maioria dos mortos \u00e9 da nossa classe, pois somos n\u00f3s que continuamos trabalhando e correndo risco de cont\u00e1gio. A Lei de Prote\u00e7\u00e3o ao Emprego tamb\u00e9m foi outro golpe, pois permitiu que os empregadores \u201ccongelassem\u201d os contratos de milh\u00f5es de trabalhadores e que os mesmos fossem obrigados a usar seu pr\u00f3prio seguro-desemprego para se sustentar. Mais uma vez a solidariedade popular foi fundamental, os panelas comunit\u00e1rias reapareceram.<\/p>\n<p>As elei\u00e7\u00f5es constituintes foram mais uma dura derrota para os partidos de 30 anos, com a entrada de um grande n\u00famero de independentes ligados \u00e0s lutas sociais e tamb\u00e9m uma grande vota\u00e7\u00e3o nas for\u00e7as de &#8220;esquerda&#8221;, que dizem apoiar o movimento popular, como a Frente Ampla e o PC (embora j\u00e1 tenhamos afirmado a sua responsabilidade na situa\u00e7\u00e3o atual).<\/p>\n<p>A Conven\u00e7\u00e3o Constitucional at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiu romper os obst\u00e1culos do Acordo pela Paz e permanece ref\u00e9m das institui\u00e7\u00f5es do atual regime &#8211; Congresso, Executivo, Supremo Tribunal, etc.<\/p>\n<p>Na classe trabalhadora, a expectativa \u00e9 grande nas mudan\u00e7as que podem ocorrer com a Assembleia Constituinte e tamb\u00e9m com as elei\u00e7\u00f5es presidenciais. Em nossa opini\u00e3o, essas mudan\u00e7as v\u00e3o depender da mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos\/as trabalhadores\/as e da juventude. A Frente Ampla, que hoje dirige a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional e se postula para dirigir o pa\u00eds (com o apoio do PC), j\u00e1 mostrou que seu caminho \u00e9 o da negocia\u00e7\u00e3o com o grande empres\u00e1rio e n\u00e3o o da mobiliza\u00e7\u00e3o popular para impor as mudan\u00e7as que a maioria da popula\u00e7\u00e3o exigiu e continua exigindo nas ruas.<\/p>\n<p>Embora nos \u00faltimos meses n\u00e3o tenha havido grandes mobiliza\u00e7\u00f5es nas ruas, n\u00e3o podemos afirmar que o processo aberto em 18 de outubro esteja encerrado. Sem d\u00favida, estamos num momento de expectativa e de certa &#8220;estabilidade&#8221;, mas isso pode n\u00e3o durar muito, porque nenhum dos problemas sociais at\u00e9 agora foi resolvido.<\/p>\n<p><strong>Por uma campanha pela recupera\u00e7\u00e3o do cobre, do l\u00edtio e da \u00e1gua<\/strong><\/p>\n<p>Como o MIT, estivemos presentes nas mais importantes mobiliza\u00e7\u00f5es sociais desde o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o. Nosso estandarte ficou conhecido na Plaza Dignidad e nossas bandeiras foram hasteadas por muitos\/as companheiros\/as em diferentes cidades do pa\u00eds, como Valpara\u00edso, Punta Arenas, Rancagua e outras. Como uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria comprometida com a luta social, apresentamos uma candidatura \u00e0 Conven\u00e7\u00e3o Constitucional, nossa companheira Mar\u00eda Rivera, que esteve sexta-feira ap\u00f3s sexta-feira na Plaza Dignidad e est\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas lutando em defesa dos presos pol\u00edticos e perseguidos pelo Estado. Nossa companheira foi eleita com mais de 19.000 votos pelo Distrito 8, um dos mais populares e oper\u00e1rios do pa\u00eds. Hoje, com nossa companheira na Conven\u00e7\u00e3o e centenas de companheiros nos territ\u00f3rios e locais de trabalho, continuamos alertando a classe trabalhadora e a juventude sobre os limites do Processo Atual e tentando construir juntos um caminho para obter a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>No contexto de continuar lutando pelo julgamento e puni\u00e7\u00e3o de Pi\u00f1era, pela liberdade dos presos e pela repara\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas da repress\u00e3o, queremos levantar junto aos trabalhadores, sindicatos, organiza\u00e7\u00f5es sociais e juvenis a necessidade de organizar um grande campanha para recuperar o que as 10 fam\u00edlias mais ricas do Chile e as transnacionais nos saquearam. Por meio de nossa companheira constituinte Mar\u00eda Rivera, queremos promover uma campanha exigindo que a Conven\u00e7\u00e3o Constitucional <strong>nacionalize, sob o controle dos trabalhadores e das comunidades, o cobre, o l\u00edtio e a \u00e1gua<\/strong>.<\/p>\n<p>Sabemos que o cobre hoje \u00e9 a principal riqueza que nosso pa\u00eds possui e que grande parte dessa riqueza hoje acaba nos bolsos de grandes capitalistas internacionais e de algumas fam\u00edlias chilenas, como a fam\u00edlia Luksic. Por sua vez, o l\u00edtio j\u00e1 \u00e9 conhecido como o \u201couro branco\u201d, devido ao seu uso em novas tecnologias para autom\u00f3veis, telefones, etc. O l\u00edtio come\u00e7a a ser cada vez mais explorado pelo setor privado: grandes empresas transnacionais associadas a empres\u00e1rios nacionais, como o ex-genro de Pinochet, Ponce Lerou, dono da SQM. Este enorme saque de ativos minerais tamb\u00e9m destr\u00f3i e polui comunidades inteiras, com enormes consequ\u00eancias para os ecossistemas e a popula\u00e7\u00e3o humana. Por este motivo, acreditamos ser fundamental que a discuss\u00e3o sobre a explora\u00e7\u00e3o do cobre, l\u00edtio e outros produtos minerais ou agr\u00edcolas esteja conectada \u00e0 necessidade de fazer um uso racional da \u00e1gua, al\u00e9m de recuperar e proteger os ecossistemas. Especificamente, propomos que a Nova Constitui\u00e7\u00e3o exproprie, sem indeniza\u00e7\u00e3o, todas as grandes mineradoras e os direitos de uso da \u00e1gua. N\u00e3o pode haver indeniza\u00e7\u00e3o para aqueles que lucraram d\u00e9cadas com a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho e a pilhagem de bens naturais.<\/p>\n<p>Por isso, queremos iniciar esta grande campanha pela nacionaliza\u00e7\u00e3o desses bens. Isso nos permitiria controlar essas riquezas para coloc\u00e1-las a servi\u00e7o da solu\u00e7\u00e3o dos problemas do povo (moradia, sa\u00fade, aposentadorias, educa\u00e7\u00e3o) e impedir a destrui\u00e7\u00e3o da natureza. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com o controle oper\u00e1rio e da comunidade sobre grandes empresas de minera\u00e7\u00e3o e \u00e1gua. Seria in\u00fatil se tudo isto estivesse nas m\u00e3os do Estado, pois sabemos que este Estado est\u00e1 ao servi\u00e7o dos grandes capitalistas. A maior prova disso \u00e9 a Codelco, empresa estatal que funciona como uma empresa privada, com a l\u00f3gica da competi\u00e7\u00e3o e do lucro, com trabalhadores de primeira e segunda categorias (subcontratados), que polui popula\u00e7\u00f5es, destr\u00f3i a natureza e gera recursos que v\u00e3o para o m\u00e3os das For\u00e7as Armadas. Por isso, dizemos que n\u00e3o basta \u201cnacionalizar\u201d esses bens, \u00e9 preciso que a classe trabalhadora e as comunidades os controlem para definir como us\u00e1-los. Esse controle deve ser um passo no sentido de que a classe trabalhadora avance para a tomada do poder, para a constru\u00e7\u00e3o de um verdadeiro poder oper\u00e1rio e popular, que permita que toda a economia se organize de forma planejada, uma l\u00f3gica contr\u00e1ria \u00e0 irracionalidade capitalista.<\/p>\n<p>Sabemos que a nacionaliza\u00e7\u00e3o desses recursos n\u00e3o resolve todos os problemas. Precisamos que todas as empresas estrat\u00e9gicas do pa\u00eds sejam controladas pela classe trabalhadora e pelo povo, assim, ser\u00e1 poss\u00edvel come\u00e7ar a mudar nossa matriz produtiva para depender menos de mat\u00e9ria-prima e resolver demandas hist\u00f3ricas como a devolu\u00e7\u00e3o de terras para o povo Mapuche.<\/p>\n<p>Queremos levar essa discuss\u00e3o a cada espa\u00e7o territorial, assembleia, conselho e a cada local de trabalho, sindicatos e federa\u00e7\u00f5es. A \u00fanica possibilidade de recuperar tudo o que nos foi saqueado \u00e9 com a organiza\u00e7\u00e3o e mobiliza\u00e7\u00e3o popular. A greve geral de 12 de novembro mostra o caminho, o caminho da unidade da classe trabalhadora e da juventude. Este \u00e9 o caminho que devemos trilhar, mas com um programa definido que nos leve \u00e0 supera\u00e7\u00e3o do capitalismo neoliberal chileno e resolva as demandas populares.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 preciso construir um novo partido da classe trabalhadora e do povo<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-65138\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Chile-mit.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"454\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Chile-mit.jpg 681w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Chile-mit-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/Chile-mit-150x100.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/p>\n<p>A classe trabalhadora e o povo hoje n\u00e3o t\u00eam um partido para levar suas reivindica\u00e7\u00f5es at\u00e9 o fim. Por isso, as enormes mobiliza\u00e7\u00f5es terminam sob a lideran\u00e7a dos partidos tradicionais, que conseguem impor suas negocia\u00e7\u00f5es e seu programa. Nem Boric nem o Partido Comunista representam o enorme descontentamento social que se manifestou desde 18 de outubro. Nem a Frente Ampla nem o PC foram protagonistas do processo atual. Por\u00e9m, por falta de uma lideran\u00e7a alternativa, eles acabam direcionando o processo, amparados por seus aparatos, dirigentes e intelectuais.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora, a juventude popular, os trabalhadores precisam construir um novo partido. Um partido que nas\u00e7a da luta social, das ruas, das lutas oper\u00e1rias e territoriais. Um partido revolucion\u00e1rio que lutar\u00e1 pela independ\u00eancia nacional, pela recupera\u00e7\u00e3o de tudo o que nos foi saqueado. Um partido revolucion\u00e1rio que tenha como objetivo acabar com o capitalismo no Chile e no mundo, para conquistar uma sociedade racionalmente organizada, onde os interesses humanos e da natureza estejam em primeiro lugar.<\/p>\n<p>O MIT est\u00e1 determinado a construir esse partido. Fazemos parte de uma organiza\u00e7\u00e3o internacional, a Liga Internacional dos Trabalhadores, que tem partidos e organiza\u00e7\u00f5es em diferentes pa\u00edses do mundo lutando pelo mesmo objetivo: a supera\u00e7\u00e3o do capitalismo.<\/p>\n<p>Convidamos voc\u00ea a construir o MIT, para lan\u00e7ar as bases para a constru\u00e7\u00e3o de um partido revolucion\u00e1rio da classe trabalhadora e dos povos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O saque dos recursos da AFP (Fundos de Pens\u00e3o e Aposentadorias) contempla leis que permitem o saque excepcional, em at\u00e9 tr\u00eas vezes, de parte dos recursos das respectivas contas individuais de capitaliza\u00e7\u00e3o de contribui\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 dois anos, milh\u00f5es de n\u00f3s sa\u00edmos \u00e0s ruas para dizer basta. A juventude novamente mostrou o caminho, com os estudantes pulando as catracas do metr\u00f4 contra o aumento do pre\u00e7o da passagem. A enorme viol\u00eancia do governo fez explodir o pa\u00eds de indigna\u00e7\u00e3o contra todos os abusos: a sa\u00fade prec\u00e1ria, as aposentadorias e sal\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":65139,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[145],"tags":[3961,4321,2400,3539],"class_list":["post-65136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-chile","tag-18-de-outubro-chile","tag-2-anos-do-18o-chile","tag-mit-chile","tag-revolucao-no-chile"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/10\/MIT.jpg","categories_names":["Chile"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65136\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}