{"id":64918,"date":"2021-09-23T11:10:47","date_gmt":"2021-09-23T14:10:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64918"},"modified":"2021-09-23T11:10:47","modified_gmt":"2021-09-23T14:10:47","slug":"a-vacinacao-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/09\/23\/a-vacinacao-da-desigualdade\/","title":{"rendered":"A vacina\u00e7\u00e3o da\u00a0desigualdade"},"content":{"rendered":"<p><em>Nove meses ap\u00f3s o arranque da vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, 40,3% da popula\u00e7\u00e3o mundial tinha recebido pelo menos uma dose e 27,57% as duas doses. Na Uni\u00e3o Europeia, as percentagens eram bastante superiores, respetivamente, 65% e 59%. Enquanto em \u00c1frica, 5,2% e 2,9%.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Cristina Portella \u2013 Em Luta (Portugal)<\/p>\n<p>A efic\u00e1cia das vacinas para reduzir a incid\u00eancia e as mortes por covid-19 est\u00e1 sendo comprovada na pr\u00e1tica. Os Estados Unidos, pa\u00eds que lidera o\u00a0ranking\u00a0de casos e \u00f3bitos no mundo, tinham no in\u00edcio deste m\u00eas de setembro 61% do n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es atingido no pico de janeiro deste ano e 38% do n\u00famero de mortes. Pode n\u00e3o parecer muito, mas \u00e9 preciso levar em considera\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds, apesar de ter sido dos primeiros a iniciar a vacina\u00e7\u00e3o e a alojar algumas das principais farmac\u00eauticas produtoras das vacinas, como a Pfizer e a Moderna, enfrenta um movimento antivacina de peso. At\u00e9 agora, est\u00e3o completamente vacinados apenas 52,32% dos norte-americanos.<\/p>\n<p>Para constatar a relativa pequenez desse percentual basta compar\u00e1-lo com os n\u00fameros de vacinados em Portugal, igualmente no in\u00edcio de setembro, um pa\u00eds que n\u00e3o enfrenta nenhum movimento negacionista importante: 84,84% tinham a primeira dose, enquanto 73,87% j\u00e1 estavam completamente vacinados.<\/p>\n<p><strong>Dois tipos de negacionismo<\/strong><\/p>\n<p>O negacionismo enquanto movimento ou atitude que nega a doen\u00e7a e\/ou os recursos cientificamente comprovados para combat\u00ea-la, como a vacina\u00e7\u00e3o, o distanciamento f\u00edsico e as m\u00e1scaras, \u00e9 muito forte em v\u00e1rios pa\u00edses, como Fran\u00e7a, Alemanha ou Israel. \u00c9 o que explica porque apresentam percentagens de vacinados inferiores \u00e0s de Portugal ou Espanha, por exemplo. Mas n\u00e3o \u00e9 este o negacionismo mais cruel e perigoso para a Humanidade. Bastante pior \u00e9 o negacionismo do capitalismo, que nega vacinas \u00e0 grande maioria da popula\u00e7\u00e3o, a viver em regi\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam recursos para compr\u00e1-las, como \u00c1frica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>Apesar do apelo da OMS para que se quebrassem as patentes das vacinas ou mesmo para que se prescindisse de uma terceira dose para que todos pudessem ser vacinados, nenhum pa\u00eds rico concordou com isso. O pr\u00f3prio presidente Joe Biden manifestou-se favor\u00e1vel \u00e0 quebra das patentes, mas n\u00e3o passou de um suspiro piedoso, sem qualquer consequ\u00eancia pr\u00e1tica. As farmac\u00eauticas continuaram, alegremente, a exibir os seus lucros formid\u00e1veis.<\/p>\n<p>Basta vermos os \u00edndices de vacina\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos que fazem parte da CPLP (Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa) para concluirmos que nela n\u00e3o h\u00e1 comunidade: Angola, 3,4% (1 dose) e 2,7% (2 doses); Guin\u00e9-Bissau, 1,40% (1 dose) e 0,15% (2 doses);\u00a0 Mo\u00e7ambique, 5,1% (1 dose) e 2% (2 doses); Cabo Verde, 42% (1 dose) e 13% (2 doses); e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, 15% (1 dose) e\u00a0 5,3% (2 doses).<\/p>\n<p>A quase aus\u00eancia de vacina\u00e7\u00e3o em \u00c1frica impele o crescimento do n\u00famero de casos e mortes no continente: quase 8 milh\u00f5es de africanos infetados e 199.500 mortos, de acordo com dados do Centro de Controlo e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as da Uni\u00e3o Africana. Esta \u00e9 mais uma fatura a ser cobrada \u00e0s farmac\u00eauticas e ao imperialismo.<\/p>\n<p><strong>Nem tudo o que brilha \u00e9 ouro<\/strong><\/p>\n<p>Apesar do sucesso obtido pela vacina\u00e7\u00e3o, os portugueses n\u00e3o t\u00eam motivos para comemorar. Como resultado da pandemia, pelo menos 110 mil trabalhadores ficaram desempregados, um aumento de 37%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as divulgou o valor do rombo causado pela pandemia na d\u00edvida p\u00fablica, que pode chegar aos 40 mil milh\u00f5es at\u00e9 o final do pr\u00f3ximo ano. Como \u00e9 habitual, os governantes ter\u00e3o a tend\u00eancia de empurrar essa fatura para os debaixo.<\/p>\n<p>Por fim, a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que \u00e0s vezes a pr\u00e1tica e as vacila\u00e7\u00f5es do Governo d\u00e3o a entender, a pandemia n\u00e3o acabou, e as vacinas, por mais eficientes que sejam, n\u00e3o protegem 100% e t\u00eam de ser acompanhadas por outras medidas, como distanciamento f\u00edsico e m\u00e1scaras. Variantes como a Delta e outras que possam surgir comprovam que ainda \u00e9 cedo demais para comemorar, tamb\u00e9m no terreno sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nove meses ap\u00f3s o arranque da vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19, 40,3% da popula\u00e7\u00e3o mundial tinha recebido pelo menos uma dose e 27,57% as duas doses. Na Uni\u00e3o Europeia, as percentagens eram bastante superiores, respetivamente, 65% e 59%. 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