{"id":64902,"date":"2021-09-22T12:02:03","date_gmt":"2021-09-22T15:02:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64902"},"modified":"2021-09-22T12:02:03","modified_gmt":"2021-09-22T15:02:03","slug":"apresentacao-de-comunistas-contra-stalin-massacre-de-uma-geracao-o-legado-de-uma-geracao-heroica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/09\/22\/apresentacao-de-comunistas-contra-stalin-massacre-de-uma-geracao-o-legado-de-uma-geracao-heroica\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o de \u201cComunistas contra St\u00e1lin. Massacre de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d: O\u00a0legado de uma gera\u00e7\u00e3o heroica"},"content":{"rendered":"<p><em>Tr\u00e1gico. Brutal. Comovedor. Inspirador. Todos esses adjetivos, e muitos mais, se aplicam ao livro \u201cComunistas contra St\u00e1lin. Massacre de uma gera\u00e7\u00e3o\u201d que a Editora Sundermann publica pela primeira vez em l\u00edngua portuguesa.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Bernardo Cerdeira<\/p>\n<p>Em suas p\u00e1ginas, o historiador franc\u00eas Pierre Brou\u00e9 conta uma hist\u00f3ria ignorada ou minimizada at\u00e9 agora pelos historiadores, mesmo aqueles que se reivindicam marxistas: a resist\u00eancia her\u00f3ica dos comunistas, especialmente os da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda trotskysta, contra a ditadura stalinista,<\/p>\n<p>Brou\u00e9 diz que \u00e9 \u201cuma hist\u00f3ria que foi zelosamente ocultada durante mais de meio s\u00e9culo\u201d. Hoje, 18 anos depois do lan\u00e7amento desse livro em franc\u00eas (2003), essa opera\u00e7\u00e3o de ocultamento do massacre de centenas de milhares de comunistas de oposi\u00e7\u00e3o que se deu na d\u00e9cada de 30, continua e j\u00e1 dura mais de 8 d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mas, quem se ocupou com tanto zelo dessa opera\u00e7\u00e3o de ocultamento? \u00c9 claro que, acima de todos, o stalinismo, que sempre teve todo o interesse em ocultar a resist\u00eancia e o massacre, n\u00e3o s\u00f3 para encobrir seus crimes, mas principalmente para encobrir a for\u00e7a da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, que s\u00f3 desapareceu quando St\u00e1lin matou todos os seus militantes.<\/p>\n<p>Ao calar as vozes da Oposi\u00e7\u00e3o e ocultar o massacre, St\u00e1lin procurava realizar um aspecto essencial da sua tarefa contrarrevolucion\u00e1ria que consistia em apresentar-se ao proletariado de todo o mundo como o herdeiro das tradi\u00e7\u00f5es da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e \u00fanico representante do comunismo e assim, defender mais facilmente os privil\u00e9gios da casta burocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas, o stalinismo n\u00e3o era o \u00fanico interessado nessa opera\u00e7\u00e3o de ocultamento. O imperialismo e seus ide\u00f3logos tamb\u00e9m sempre tiveram um interesse especial em ocultar essa hist\u00f3ria. Assim, esperavam poder apresentar a contrarrevolu\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica stalinista como continuidade do regime sovi\u00e9tico dirigido pelo Partido Bolchevique de L\u00eanin e Trotsky e, ao mesmo tempo, assinalar a repugnante ditadura stalinista como se fosse o verdadeiro comunismo.<\/p>\n<p>Esses inimigos da revolu\u00e7\u00e3o acusaram o Partido Bolchevique, a Revolu\u00e7\u00e3o Russa e o socialismo de serem os respons\u00e1veis pelos crimes e as mazelas das ditaduras burocr\u00e1ticas do stalinismo, para assim desprestigiar mais facilmente o socialismo diante dos trabalhadores e povos do mundo inteiro.<\/p>\n<p>O livro de Brou\u00e9 desmente tudo isso. Mostra com n\u00fameros, apoiando-se em dados dos arquivos sovi\u00e9ticos e em especialistas como o professor Vadim Rogovin, que n\u00e3o houve continuidade entre o Partido Bolchevique de L\u00eanin e o Partido Comunista de St\u00e1lin, mas sim uma ruptura brutal provocada pela burocracia stalinista que exterminou a maioria da vanguarda revolucion\u00e1ria que dirigiu a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e lutou a guerra civil.<\/p>\n<p>De acordo com os arquivos sovi\u00e9ticos, durante 1937 e 1938, a pol\u00edcia secreta (chamada NKVD)\u00a0deteve 1.548.366 pessoas, das quais 681.692 foram executadas. Mas historiadores calculam que mais de 800 mil pessoas foram oficialmente executadas, a maioria comunistas. Isso sem contar centenas de milhares que morreram de fome, frio e doen\u00e7as nos campos de concentra\u00e7\u00e3o na Sib\u00e9ria, chamados de gulags, e que desapareceram sem registro.<\/p>\n<p>Entre o partido dirigido por L\u00eanin e o aparelho burocr\u00e1tico de St\u00e1lin h\u00e1, na express\u00e3o usada por Trotsky, \u201cum rio de sangue\u201d derramado por essas centenas de milhares de revolucion\u00e1rios assassinados. O stalinismo \u00e9 o contr\u00e1rio do bolchevismo.<\/p>\n<p>Mas, o livro de Brou\u00e9 vai muito al\u00e9m da den\u00fancia. Mostra que mesmo derrotados e confinados nos campos de concentra\u00e7\u00e3o da Sib\u00e9ria, mais de 30 mil trotskistas, segundo admitiu o pr\u00f3prio Stalin, continuaram resistindo e defendendo seu programa at\u00e9 o fim. Como puderam suportar essas terr\u00edveis prova\u00e7\u00f5es e manter seus princ\u00edpios?<\/p>\n<p>Brou\u00e9 mostra que Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda tinha uma estrat\u00e9gia e um programa alternativo global ao stalinismo, baseado na experi\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e que se apoiava no marxismo e na confian\u00e7a no proletariado mundial. Era um programa oposto pelo v\u00e9rtice ao programa da burocracia.<\/p>\n<p>Esse programa partia da an\u00e1lise do processo de burocratiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista e do Estado sovi\u00e9tico, provocado pela derrota das revolu\u00e7\u00f5es europeias e pelo retrocesso da onda revolucion\u00e1ria mundial, com o consequente isolamento da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Al\u00e9m disso, o pa\u00eds estava devastado pela Guerra civil e pelas invas\u00f5es imperialistas, assolado pela fome e atolado em seu atraso hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Esses elementos combinados com o florescimento de uma classe propriet\u00e1ria, produto das concess\u00f5es capitalistas da Nova Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, permitiram a surgimento de uma casta burocr\u00e1tica de funcion\u00e1rios que foi adquirindo privil\u00e9gios diante da pen\u00faria do pa\u00eds. O stalinismo foi a express\u00e3o pol\u00edtica dessa burocracia no Partido Comunista e no Estado.<\/p>\n<p>Mas, apesar das dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es objetivas de isolamento e pen\u00faria do pa\u00eds, a degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica do Estado sovi\u00e9tico poderia ter sido evitada. A compreens\u00e3o do processo de degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e a estrat\u00e9gia e o programa para combat\u00ea-la foi o que possibilitou ao n\u00facleo da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda resistir, apesar das capitula\u00e7\u00f5es dos vacilantes. Mas, em que consistiam os eixos desse programa?<\/p>\n<p>A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda defendia que o \u00fanico futuro poss\u00edvel para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica era o desenvolvimento da Revolu\u00e7\u00e3o Mundial. Por isso, combateu duramente a falsa teoria do \u201cSocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d que criou a fal\u00e1cia de que a R\u00fassia por suas peculiaridades (extens\u00e3o territorial e riquezas nacionais) podia alcan\u00e7ar o socialismo isoladamente.<\/p>\n<p>A pretensa \u201cteoria\u201d do Socialismo em um s\u00f3 pa\u00eds tamb\u00e9m defendia que era poss\u00edvel a \u201cneutraliza\u00e7\u00e3o\u201d da burguesia mundial\u201d e conduziu, mais tarde, \u00e0 pol\u00edtica da \u201ccoexist\u00eancia pac\u00edfica\u201d com o imperialismo, ao Pacto St\u00e1lin-Hitler e aos acordos contrarrevolucion\u00e1rios de Yalta e Potsdam que cristalizaram \u00e1reas de influ\u00eancia dos EUA e da URSS.<\/p>\n<p>Trotsky e a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda tamb\u00e9m se opuseram \u00e0 pol\u00edtica da revolu\u00e7\u00e3o por etapas e o apoio pol\u00edtico \u00e0 burguesia nacional que a Internacional Comunista stalinizada aplicou na Revolu\u00e7\u00e3o chinesa de 1927. Trotsky chamou essa pol\u00edtica de apoio ao partido burgu\u00eas Kuomintang de uma \u201ccaricatura do menchevismo\u201d. Essa orienta\u00e7\u00e3o levou \u00e0 derrota de Revolu\u00e7\u00e3o na China e ao massacre do proletariado chin\u00eas, provocando um isolamento ainda maior da URSS.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o por etapas depois foi elevada pelo stalinismo \u00e0 categoria de estrat\u00e9gia mundial de alian\u00e7a com a burguesia, plasmada na pol\u00edtica da Frente Popular para todo o mundo baseada na \u201cteoria dos campos\u201d e a colabora\u00e7\u00e3o de classes com o campo burgu\u00eas \u201cprogressista\u201d.<\/p>\n<p>A teoria da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente em todo o mundo, incluindo a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica que expulsasse a burocracia, era e \u00e9 a \u00fanica teoria que se op\u00f5e a ideologia do \u201cSocialismo em um s\u00f3 pa\u00eds\u201d e constitui, ao mesmo tempo, uma estrat\u00e9gia e um programa coerente que poderiam impedir a degenera\u00e7\u00e3o do Estado Sovi\u00e9tico.<\/p>\n<p>Desde que foi lan\u00e7ada a Plataforma dos 46, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda em 1923, o programa da Oposi\u00e7\u00e3o defendeu uma pol\u00edtica de industrializa\u00e7\u00e3o da URSS que abastecesse os camponeses com bens de consumo. Defendia tamb\u00e9m que o Estado sovi\u00e9tico enfrentasse e limitasse o poder dos camponeses ricos, os chamados \u201ckulaks\u201d, com impostos para impedir que esses se fortalecessem como classe exploradora.<\/p>\n<p>Mas, a Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda n\u00e3o defendia \u00e0 coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada do campo, adotada pela burocracia sovi\u00e9tica anos depois, em 1929. Quando isso ocorreu, a Oposi\u00e7\u00e3o denunciou que a burocracia fora levada a essa decis\u00e3o porque os \u201ckulaks\u201d, fortalecidos por anos de concess\u00f5es, come\u00e7aram a boicotar o abastecimento das cidades.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o pela coletiviza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, foi uma rea\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica desesperada que provocou milh\u00f5es de mortos e fome generalizada. A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda, defendia, desde o princ\u00edpio, uma pol\u00edtica de coletiviza\u00e7\u00e3o gradativa e cuidadosa com os camponeses, incluindo os kulaks e os camponeses pequenos e m\u00e9dios<\/p>\n<p>Mas, o ponto mais importante do programa da Oposi\u00e7\u00e3o era o retorno da plena democracia no partido, na Internacional e nos Sovietes que levasse a um debate aberto das alternativas para a URSS e provocasse a regenera\u00e7\u00e3o do partido e da Internacional, permitindo encontrar uma linha correta para a revolu\u00e7\u00e3o Internacional.<\/p>\n<p>A Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda reuniu a maior parte dos melhores quadros que haviam dirigido a Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro e lutado na guerra civil. Tinha grande peso no partido, principalmente entre a classe oper\u00e1ria. Quando se uniu a outras fac\u00e7\u00f5es, como a fra\u00e7\u00e3o de Zinoviev e Kamenev, na Oposi\u00e7\u00e3o Unida agrupou praticamente todas as alas cr\u00edticas \u00e0 burocracia.<\/p>\n<p>No entanto, o retrocesso da revolu\u00e7\u00e3o mundial, especialmente da Alemanha, e o cansa\u00e7o das massas, depois de oito anos de guerras e lutas, permitiram que a forte repress\u00e3o do aparato burocr\u00e1tico triunfasse, usando todo tipo de m\u00e9todos: fraudes, cal\u00fanias, persegui\u00e7\u00f5es, agress\u00f5es policiais, expuls\u00f5es do partido, pris\u00f5es dos oposicionistas, deporta\u00e7\u00f5es \u00e0 Sib\u00e9ria de todos os seus dirigentes e principais quadros, torturas e finalmente execu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Trotsky dizia, na d\u00e9cada de 30, que \u201ca luta contra a feroz repress\u00e3o sobre a oposi\u00e7\u00e3o marxista na URSS \u00e9 insepar\u00e1vel da luta para a liberta\u00e7\u00e3o da vanguarda prolet\u00e1ria mundial da influ\u00eancia exercida pelos agentes stalinistas e os m\u00e9todos stalinistas\u201d.<\/p>\n<p>Brou\u00e9 cita uma passagem do livro O grande jogo de Leopold Trepper, um ex stalinista, chefe da extraordin\u00e1ria equipe de espionagem sovi\u00e9tica que atuava na Alemanha nazista, a chamada Orquestra Vermelha, para atestar a luta dos trotskistas e para mostrar como o seu programa alternativo ao stalinismo foi a base de sua resist\u00eancia. Em tom autocr\u00edtico, Trepper escreve o seguinte:<\/p>\n<p>\u201cA revolu\u00e7\u00e3o havia degenerado num sistema de terror e de horror; os ideais do socialismo estavam ridicularizados por um dogma fossilizado que os verdugos tinham a desfa\u00e7atez de chamar de marxismo. Todos os que n\u00e3o se sublevaram contra a m\u00e1quina stalinista s\u00e3o respons\u00e1veis por isso, coletivamente respons\u00e1veis. N\u00e3o fa\u00e7o exce\u00e7\u00f5es e n\u00e3o escapo deste veredito.<\/p>\n<p>Mas, quem protestou? Quem elevou sua voz contra o ultraje? Os trotskistas puderam reivindicar essa honra (\u2026) Nos tempos dos grandes expurgos, s\u00f3 podiam clamar sua rebeli\u00e3o nos vastos desertos gelados para onde haviam sido enviados para serem exterminados. Nos campos sua conduta foi admir\u00e1vel, mas suas vozes se perderam na tundra.<\/p>\n<p>Hoje os trotskistas t\u00eam o direito de acusar os que ent\u00e3o uivavam com os lobos. Que n\u00e3o esque\u00e7am, por\u00e9m, que possu\u00edam sobre n\u00f3s a imensa vantagem de dispor de um sistema pol\u00edtico coerente, suscet\u00edvel para derrubar o stalinismo, e ao qual podiam agarrar-se no meio da profunda mis\u00e9ria da revolu\u00e7\u00e3o tra\u00edda. \u201d<\/p>\n<p>Essa bela homenagem \u00e9 verdadeira. Mas, a coer\u00eancia de uma alternativa pol\u00edtica, te\u00f3rica, program\u00e1tica e de a\u00e7\u00e3o, ainda que tenha sido, sem d\u00favida, fundamental, n\u00e3o explica tudo. Por que os militantes trotskistas resistiram at\u00e9 o fim sem capitular, mesmo sofrendo terr\u00edveis priva\u00e7\u00f5es e torturas nos \u201cdesertos gelados\u201d da Sib\u00e9ria e sabendo que seu destino quase certo era o exterm\u00ednio?<\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m uma moral revolucion\u00e1ria, uma disposi\u00e7\u00e3o militante e uma convic\u00e7\u00e3o na revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial e no futuro do comunismo que tinha sua base na experi\u00eancia da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro.<\/p>\n<p>Brou\u00e9 mostra, com exemplos vivos como a Oposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixou de lutar nunca. Seus integrantes se organizaram na clandestinidade: primeiro nas f\u00e1bricas e nos locais de trabalho e, depois, nos locais de deporta\u00e7\u00e3o, nas pris\u00f5es e nos campos de concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos acompanhar em \u201cComunistas contra Stalin\u201d as diferentes formas com que os militantes da Oposi\u00e7\u00e3o divulgavam suas ideias. Com panfletos e publica\u00e7\u00f5es clandestinas, mas que chegavam aos oper\u00e1rios aos milhares e depois, quando a repress\u00e3o se intensificou, com publica\u00e7\u00f5es que circulavam de m\u00e3o em m\u00e3o.<\/p>\n<p>O Boletim da Oposi\u00e7\u00e3o, editado por Leon Sedov e por Trotsky, foi publicado de 1929 at\u00e9 1941 em Berlin, Paris e outras cidades e introduzido na URSS por marinheiros, funcion\u00e1rios do servi\u00e7o diplom\u00e1tico, viajantes sovi\u00e9ticos em miss\u00f5es comerciais e cient\u00edfica, etc. Foram publicados um total de 65 n\u00fameros.<\/p>\n<p>Nas pris\u00f5es e nos campos, os trotskistas lutaram organizadamente contra os maus-tratos com o \u00fanico meio de que dispunham: as greves de fome de centenas de prisioneiros. Foram muitas, desde a greve do centro de isolamento de Tomsk, em 1927, passando pelas greves na pris\u00e3o de Verkh-Neuralsk, em 1931 e em 1933 e terminando com as \u00faltimas greves de fome nos campos de prisioneiros de Vorkuta e Magadan em 1937-39, onde foram fuzilados milhares de militantes trotskistas. Comit\u00eas de greve eleitos e reconhecidos por todos, organizavam as reivindica\u00e7\u00f5es, escreviam os manifestos pol\u00edticos e cartas dos grevistas ao governo e conduziam essas lutas.<\/p>\n<p>Brou\u00e9 tamb\u00e9m descreve em cores vivas como os militantes trotskistas discutiam nas pris\u00f5es e dos campos, com diferentes posi\u00e7\u00f5es, escreviam sobre os mais variados temas e inclusive produziam publica\u00e7\u00f5es clandestinas dentro das pris\u00f5es e dos campos. Um pequeno exemplo, cita Brou\u00e9, \u00e9 uma modesta revista chamada \u201cRecopila\u00e7\u00f5es sobre o per\u00edodo atual\u201d.<\/p>\n<p>Em 2018, uma descoberta extraordin\u00e1ria ampliou as informa\u00e7\u00f5es do livro de Brou\u00e9. Durante uma reforma na pris\u00e3o de Verkh-Neuralsk, foram descobertos sob um piso de madeira da Cela 312, 30 cadernos com documentos e publica\u00e7\u00f5es da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda de 1932-33. A voz dos trotskistas sovi\u00e9ticos voltou a se fazer ouvir 85 anos depois.<\/p>\n<p>Esses verdadeiros bolcheviques-leninistas, como eles mesmos se chamavam, n\u00e3o escreviam s\u00f3 para manter a moral de suas fileiras. Esperavam que as futuras gera\u00e7\u00f5es resgatassem sua hist\u00f3ria e seu exemplo. Lutaram para preservar o marxismo revolucion\u00e1rio diante da monstruosa degenera\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica e para que sua luta inspirasse futuras gera\u00e7\u00f5es de revolucion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Trotsky impediu que o stalinismo cortasse o fio de continuidade do marxismo revolucion\u00e1rio ao fundar a IV Internacional, mesmo pagando com sua vida. Hoje podemos dizer que os sacrif\u00edcios de Trotsky e da Oposi\u00e7\u00e3o de Esquerda sovi\u00e9tica n\u00e3o foram em v\u00e3o. Procuramos transmitir \u00e0s novas gera\u00e7\u00f5es os seus ensinamentos e honramos esses exemplos de vidas dedicadas \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o socialista mundial. E proclamamos que n\u00f3s, os trotskistas de hoje, somos os herdeiros orgulhosos dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tr\u00e1gico. Brutal. Comovedor. Inspirador. Todos esses adjetivos, e muitos mais, se aplicam ao livro \u201cComunistas contra St\u00e1lin. 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