{"id":64860,"date":"2021-09-17T15:08:18","date_gmt":"2021-09-17T18:08:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64860"},"modified":"2021-09-17T15:08:18","modified_gmt":"2021-09-17T18:08:18","slug":"64860-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/09\/17\/64860-2\/","title":{"rendered":"\u00c9 necess\u00e1rio derrubar a ditadura do MPLA em Angola"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 30 de agosto, algumas centenas de jovens se dirigiram \u00e0 Assembleia Nacional de Angola, em Luanda, onde a ditadura do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) tenta manter a fachada de um regime democr\u00e1tico.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Ant\u00f4nio Tonga e An\u00edbal Silva<\/p>\n<p>Os manifestantes protestavam contra o que \u00e9 chamado \u201cdiploma eleitoral\u201d, um projeto que tenta criar regras e condi\u00e7\u00f5es para baralhar o eleitor e a manipular os resultados atrav\u00e9s, por exemplo, da imposi\u00e7\u00e3o da contagem dos votos num centro de escrut\u00ednio controlado pelo pr\u00f3prio MPLA. Os manifestantes exigiam condi\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas para participarem das elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas que deveriam se realizar em 2020, mas est\u00e3o adiadas sine die.<\/p>\n<p>Ao chegarem pr\u00f3ximo da Assembleia Nacional, os jovens se depararam com um enorme efetivo da pol\u00edcia nacional que montou um cord\u00e3o em todo o per\u00edmetro, com efetivos antidist\u00farbios, brigada de cavalaria e agentes \u00e0 paisana. Embora realizassem um protesto pac\u00edfico, os manifestantes foram duramente reprimidos com golpes de bast\u00f5es e cassetetes. Cerca de 42 jovens foram presos espalhados nas diversas delegacias de Luanda.<\/p>\n<p><strong>A repercuss\u00e3o dessa repress\u00e3o ditatorial do governo angolano foi imediata.<\/strong><\/p>\n<p>Dentro e fora do pa\u00eds, v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ativistas da juventude a repudiaram e prepararam uma grande campanha pela liberdade dos presos pol\u00edticos. Em Luanda se passou a convocar uma nova manifesta\u00e7\u00e3o, ainda maior, para frente da Assembleia Nacional. Frente \u00e0 repercuss\u00e3o nacional e internacional, a ditadura libertou todos os presos ainda no final do dia. E inclusive j\u00e1 pensa em elaborar uma nova lei eleitoral a ser enviada ao Congresso, mas isso n\u00e3o vai adiantar.<\/p>\n<p>Em Angola a juventude est\u00e1 cansada da mis\u00e9ria, do desemprego, do elevado custo de vida, da repress\u00e3o e do autoritarismo que tem aumentado mesmo em meio \u00e0 pandemia da COVID-19. Por isso, as manifesta\u00e7\u00f5es t\u00eam exigido a sa\u00edda do MPLA, elei\u00e7\u00f5es livres, e o fim da ditadura.<\/p>\n<p>N\u00f3s da Liga Internacional dos Trabalhadores da Quarta Internacional (LIT-QI) prestamos irrestrita solidariedade aos nossos irm\u00e3os angolanos na luta por liberdades democr\u00e1ticas em vosso pa\u00eds e pelo fim da ditadura do MPLA.<\/p>\n<p>E acreditamos que nossos irm\u00e3os angolanos necessitam tamb\u00e9m de mudan\u00e7as estruturais e revolucion\u00e1rias que coloquem o pa\u00eds no caminho do Socialismo. Por <strong>Socialismo<\/strong> nos referimos a um sistema econ\u00f4mico e pol\u00edtico onde os trabalhadores, agricultores e o povo pobre governam a sociedade controlando democraticamente um Estado Oper\u00e1rio e organizando a produ\u00e7\u00e3o, a circula\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o de riquezas de acordo com as necessidades sociais dos trabalhadores, agricultores e o povo pobre. Portanto, algo completamente distinto da ditadura capitalista do MPLA.<\/p>\n<p>Neste sentido, produzimos estes dois artigos (Artigo 2: <a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/64864-2\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/64864-2\/<\/a>) no intuito de dialogar com estes combativos jovens e trabalhadores que est\u00e3o na vanguarda das lutas contra a ditadura, e ajudar na organiza\u00e7\u00e3o deste processo dando total solidariedade e apoio.<\/p>\n<p><strong>A luta revolucionaria pela independ\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><em>H<\/em><em>\u00e1<\/em><em> mais de 45 anos se deu a luta pela independ\u00eancia de Angola, uma data que at\u00e9 hoje \u00e9 comemorada por milh\u00f5es de angolanos e angolanas, que lutaram pela autodetermina\u00e7\u00e3o contra o dom\u00ednio colonial e racista do fascismo portugu\u00eas. <\/em><\/p>\n<p>Agostinho Neto tomou o poder com o Movimento pela Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA), depois de 13 anos de guerra de independ\u00eancia (1961-1974). Que se seguiu a uma guerra civil em todo o pa\u00eds, que, de fato, durou at\u00e9 2002. Com tropas sul-africanas atacando a partir do Sul, aliadas \u00e0 Uni\u00e3o Nacional pela Independ\u00eancia Total de Angola (UNITA), comandadas por Jonas Savimbi e patrocinadas pelo imperialismo norte-americano, atrav\u00e9s de agentes da CIA. O ex\u00e9rcito zairense, comandado pelo ditador Mobutu Sese Seko, entrava pelo Norte, juntando-se aos guerrilheiros da Frente de Liberta\u00e7\u00e3o Nacional de Angola (FNLA), de Holden Roberto, que contava tamb\u00e9m com o apoio de mercen\u00e1rios portugueses, ingleses e norte-americanos. O MPLA recebeu armas da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e combatentes de Cuba.<\/p>\n<p>O MPLA quando proclamou a independ\u00eancia tinha um programa e uma refer\u00eancia socialistas, mas acabou implementando uma economia absolutamente capitalista, orientado pela burocracia sovi\u00e9tica e castrista, e levou ao regime que hoje est\u00e1 afundado em corrup\u00e7\u00e3o e privil\u00e9gios para os seus dirigentes de uma maneira degradante. Fruto desta orienta\u00e7\u00e3o o MPLA n\u00e3o expropriou os monop\u00f3lios, n\u00e3o nacionalizou, massacrou as oposi\u00e7\u00f5es internas, afogando em sangue qualquer possibilidade de revolu\u00e7\u00e3o social, com o massacre de pelo menos 17 mil pessoas em purgas internas, entre juventude, ex-combatentes e demais vanguarda da luta pela constru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds a 27 de maio 1977.<\/p>\n<p>O presidente Jos\u00e9 Eduardo dos Santos ficou no poder por quase 40 anos, usou e abusou do aparelho de Estado em proveito pr\u00f3prio e de sua fam\u00edlia, como o faz a \u201cboliburguesia\u201d venezuelana e a dirig\u00eancia castrista em Cuba. Combinando fraudes, corrup\u00e7\u00e3o e repress\u00e3o. Sua filha, Isabel dos Santos, tamb\u00e9m chamada de \u201cPrincesa Isabel\u201d, \u00e9 considerada a mulher mais rica da \u00c1frica, ligada \u00e0 ind\u00fastria petroleira, mineradoras e bancos, envolvida nos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o junto a Odebrecht brasileira e com banqueiros de Portugal.<\/p>\n<p>O atual presidente Jo\u00e3o Louren\u00e7o foi Ministro da Defesa<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ministro_da_Defesa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0<\/a>de Santos, e chegou ao poder em 2017, atrav\u00e9s de elei\u00e7\u00f5es totalmente controladas pelo MPLA, representou uma renova\u00e7\u00e3o dentro da elite dirigente depois das sistem\u00e1ticas den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e roubalheira contra Jose dos Santos, mas n\u00e3o significou nenhuma mudan\u00e7a substancial de regime.<\/p>\n<p>Como escreveu o ativista Hitler Samussuku em sua p\u00e1gina de Facebook: \u201c<em>Em 46 anos de independ\u00eancia, o Estado angolano realizou cerca de 4 elei\u00e7\u00f5es fraudulentas (1992, 2008, 2012 e 2017), das quais a de 1992 foram as mais competitivas. O MPLA havia vencido claramente a UNITA, mas Jose\u0301 Eduardo dos Santos n\u00e3o obteve votos suficientes para vencer Jonas Savimbi pelo facto de nenhum entre eles conseguir os desejados 50+1 % dos votos. Em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, aprendemos que no sistema Majorit\u00e1rio quando nenhum dos candidatos obt\u00e9m 50+1 %, os mais votados s\u00e3o obrigados a uma segunda volta. Para o MPLA n\u00e3o houve segunda volta das elei\u00e7\u00f5es porque a UNITA retomou a guerra e para a UNITA o retorno aos conflitos armados surgiram na sequ\u00eancia do massacre da sua dire\u00e7\u00e3o que tinha a miss\u00e3o de negociar os resultados eleitorais. Em 1996 o mandato conseguido em 1992 tinha chegado ao fim. Jose\u0301 Eduardo dos Santos usou suas artimanhas, alterou o sistema e exonerou o Primeiro Ministro e chefe do governo Marcolino Moco e mais tarde criou um governo de acomoda\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o que ficou conhecido por GURN- Governo de Unidade e Reconcilia\u00e7\u00e3o Nacional, mas este governo era leg\u00edtimo e anticonstitucional, apesar de tudo, terminou em 2008 com a realiza\u00e7\u00e3o das segundas elei\u00e7\u00f5es que foram mega fraudulentas e permitiu a\u0300 redu\u00e7\u00e3o significativa da oposi\u00e7\u00e3o, sobretudo, a UNITA que detinha 71 lugares no parlamento para 16. Nestas condi\u00e7\u00f5es, o MPLA aprovou uma Constitui\u00e7\u00e3o na qual os poderes ficaram centralizados no Presidente que e\u0301 eleito ao reboque do partido. A Constitui\u00e7\u00e3o aprovada em 2010 foi criada a\u0300 medida de Jose\u0301 Eduardo dos Santos e Jo\u00e3o Louren\u00e7o aproveitou 11 anos depois ajustar a\u0300 sua medida. Vale lembrar que em cada pleito eleitoral o MPLA mexe na divisada geografia do pa\u00eds, ou seja, altera a configura\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios e das prov\u00edncias, baralha os eleitores e cria um conjunto de fatores que desmotivam as pessoas a participar ativamente no processo de vota\u00e7\u00e3o. Assim sendo, a popula\u00e7\u00e3o de Angola ronda os 30 milh\u00f5es de acordo com os dados do Censo, mas o n\u00famero de eleitores decresce a cada pleito eleitoral, ou seja, em 2012 eram perto de 9 milh\u00f5es e em 2017 apenas 6 milh\u00f5es de Angolanos tiveram o prazer de votar nos seus representantes. O MPLA tem usado em seu favor a Casa Militar, os Tribunais, a Comiss\u00e3o Nacional Eleitoral, a Comunica\u00e7\u00e3o Social, sobretudo, os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, incluindo alguns supostamente privados, bem como uma comiss\u00e3o interministerial destinada a interferir no processo. Outrossim, as elei\u00e7\u00f5es em Angola s\u00e3o fiscalizadas pelos amigos do MPLA da SADC, PALOP\u2019s e Uni\u00e3o Africana. Para os observadores da Uni\u00e3o Europeia, o minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores cria uma s\u00e9rie de burocracia com vista a dificultar a ced\u00eancia de visto no tempo desejado. Assim sendo, os observadores europeus aparecem apenas como 5 \u201cperitos\u201d para um pa\u00eds com mais de um milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados. As elei\u00e7\u00f5es em Angola dependem em grande medida da comunidade internacional e est\u00e1 olha com desd\u00e9m a oposi\u00e7\u00e3o, salvo exce\u00e7\u00f5es com a subida de Adalberto Costa Junior, mas at\u00e9\u0301 ent\u00e3o a comunidade internacional foi silenciada com os lucros do petr\u00f3leo pelo MPLA, atualmente tem havido algumas retic\u00eancias, mas o Banco Mundial e o FMI v\u00e3o cedendo cr\u00e9ditos para o governo de Jo\u00e3o Louren\u00e7o contrair mais d\u00edvidas p\u00fablicas do que j\u00e1\u0301 se herdou de Jose\u0301 Eduardo dos Santos. Enquanto isso, a fome e a pobreza assolam cada vez mais as fam\u00edlias angolanas, o desemprego cresce de forma galopante, o elevado custo de vida cada vez mais gritante. O estrategista Hor\u00e1cio dizia \u201c\u00e0 forca sem discernimento sob o seu pr\u00f3prio peso colapsa\u201d. O MPLA caminha para o colapso<\/em>\u201d.<\/p>\n<p>Angola \u00e9 um pa\u00eds com muitas riquezas: o segundo pa\u00eds africano em produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e o quinto produtor mundial de diamantes, com 8% desta produ\u00e7\u00e3o. Ainda assim, quase 36% da popula\u00e7\u00e3o vive abaixo da linha da pobreza. Registrou em 2015 a maior taxa de mortalidade infantil do mundo e a segunda pior taxa de expectativa de vida, de acordo com o relat\u00f3rio de 2016 da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Apenas 30% da popula\u00e7\u00e3o tem acesso \u00e0 eletricidade.<\/p>\n<p>\u201c<em>O pa\u00eds deu um passo em frente e dois passos atr\u00e1s. Para algumas pessoas o pa\u00eds est\u00e1 melhor e para outros o pa\u00eds retrocedeu consideravelmente e eu fa\u00e7o parte deste segundo grupo. Pois acredito que estamos cada vez mais a adiar o desenvolvimento de Angola com caprichos ditatoriais que visam unicamente a manuten\u00e7\u00e3o do Poder Pol\u00edtico. A d\u00edvida p\u00fablica cresce de forma galopante, a pobreza atinge propor\u00e7\u00f5es alarmantes e o pior de tudo \u00e9 que h\u00e1 registos de angolanos a morrerem de fome e outros a comerem nos contentores de lixo, o desemprego assola cada vez mais os jovens e muita gente atinge a terceira idade sem nunca ter um \u00fanico emprego formal na vida. Para o MPLA o que interessa \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o do Poder e para isso todas as estrat\u00e9gias s\u00e3o necess\u00e1rias nem que para isto custe sangue, suor e l\u00e1grimas. O azar dos angolanos reside na abund\u00e2ncia de recursos naturais, a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica, a vasta orla mar\u00edtima e dirigentes pol\u00edticos totalmente desinteressado ao povo<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p><strong>O MPLA: a nova burguesia angolana<\/strong><\/p>\n<p>Agostinho Neto morreu em Moscou em 1979, deixando um pa\u00eds dividido, n\u00e3o s\u00f3 pela guerra civil, mas porque o MPLA tamb\u00e9m tinha muitas divis\u00f5es internas. Se encontravam na cadeia de S\u00e3o Paulo, em Luanda, e em campos de concentra\u00e7\u00e3o, antigos militantes e dirigentes do MPLA, como os simpatizantes de Nito Alves e intelectuais da Revolta Ativa, presos com os jovens da Organiza\u00e7\u00e3o Comunista de Angola (OCA), juntamente com os mercen\u00e1rios portugueses, ingleses e norte-americanos, militares congoleses e sul-africanos e gente da UNITA e da FNLA.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Eduardo dos Santos assumiu para centralizar o poder nas m\u00e3os do MPLA. Reprimiu as dissid\u00eancias internas e negociou com a UNITA. Depois de 16 anos de guerra de guerrilha entre o MPLA e a UNITA (1975 a 1991), os dois movimentos foram as negocia\u00e7\u00f5es em 1991, o que permitiu a institucionaliza\u00e7\u00e3o de um regime que foi adotado na nova Constitui\u00e7\u00e3o de 1992, que permitiu um pluralismo de fachada e assumiu totalmente a economia de mercado.<\/p>\n<p>Em setembro de 1992, foram realizadas elei\u00e7\u00f5es. Jos\u00e9 Eduardo teve 49,57% dos votos, contra 40,07% de Jonas Savimbi, como nenhum dos dois candidatos conseguiu obter 50+1% dos votos mergulharam o pa\u00eds novamente ao conflito armado que durou at\u00e9 2002. Em 1993, os Estados Unidos retiraram seu apoio \u00e0 UNITA e reconheceram o governo do MPLA. A Guerra Civil terminou em 2002. Com a morte de Jonas Savimbi, a UNITA desistiu da luta armada, concordando com a sua integra\u00e7\u00e3o \u00e0s For\u00e7as Armadas Angolanas.<\/p>\n<p>O governo de Santos ficou conhecido por ser corrupto, nepotista e ditatorial. Seu cl\u00e3, que inclui nove filhos de cinco esposas diferentes, constitui uma das fam\u00edlias mais poderosas da \u00c1frica, mas tamb\u00e9m inclui dezenas de militares provenientes dos quadros do MPLA que a exemplo de Venezuela e Cuba se apropriaram das empresas e produ\u00e7\u00e3o estatal.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds onde 70% da popula\u00e7\u00e3o vive com menos de dois d\u00f3lares por dia, a fam\u00edlia Santos tem uma fortuna imensa, com participa\u00e7\u00f5es nas principais empresas estatais e em multinacionais.<\/p>\n<p>Sua filha Isabel dos Santos \u00e9 considerada a mulher mais rica da \u00c1frica, e a \u201cmais importante em Portugal\u201d, foi casada com o magnata e colecionador de arte congol\u00eas Sindika Dokolo. Foi presidente do conselho de administra\u00e7\u00e3o da petrol\u00edfera estatal Sonangol; controlou a Urbana 2000, empresa de coleta de res\u00edduos; a UNITEL, empresa de telecomunica\u00e7\u00f5es e os bancos BFA, BIC Angola (Banco Internacional de Cr\u00e9dito) e o EuroBic (que tem como acionista Fernando Teles, ex-ministro das finan\u00e7as de Portugal); foi administradora da ZAP (a maior operadora de TV por sat\u00e9lite em Angola)<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, parceira da portuguesa NOS (grupo de comunica\u00e7\u00f5es e entretenimento) associada \u00e0 Rede Globo<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>; do CONTIDIS, que gere a rede de hipermercados Candando; SODIBA, de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de bebidas; domina parte do neg\u00f3cio dos diamantes por meio da Trans Africa Investment Services (TAIS), constitu\u00edda em Gibraltar que atua em parceria com o Goldberg Group e Leviev Wrellox, associados \u00e0 Ascorp; a empresa de comunica\u00e7\u00e3o Kento e a de energia Esperanza, ambas com sede na Holanda. Al\u00e9m disso, os investimentos da empres\u00e1ria angolana em Portugal rondam os 3 bilh\u00f5es de euros.<\/p>\n<p>Seu irm\u00e3o Eduane Danilo dos Santos, de 23 anos, ganhou de anivers\u00e1rio um banco, o Banco Postal de Angola, com capital social composto por empresas nacionais p\u00fablicas e privadas. Tamb\u00e9m s\u00e3o banqueiros os filhos Zen\u00fa dos Santos, Tchiz\u00e9 dos Santos e Jos\u00e9 Paulino dos Santos \u201cCoreon D\u00fa\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O roubo no petr\u00f3leo para a fam\u00edlia Santos<\/strong><\/p>\n<p>O peso do petr\u00f3leo na economia angolana \u00e9 de 45% do PIB e 75% das receitas. A pesca e a ind\u00fastria diamant\u00edfera s\u00e3o importantes, mas o petr\u00f3leo \u00e9 a principal fonte de recursos. Na \u00faltima d\u00e9cada, quando o pre\u00e7o do barril do petr\u00f3leo chegou a US$77,45, as receitas provenientes da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera chegaram a representar cerca de 85% do or\u00e7amento geral de Angola.<\/p>\n<p>Nove das dez maiores empresas exportadoras de Angola s\u00e3o petrol\u00edferas, com vendas que chegam a 1,6 bilh\u00e3o de euros. A \u00fanica empresa fora do setor petrol\u00edfero a figurar entre as 10 maiores exportadoras de Angola foi a estatal Sociedade de Comercializa\u00e7\u00e3o de Diamantes de Angola (Sodiam).<\/p>\n<p>A Sonangol \u00e9 a empresa estatal concession\u00e1ria da explora\u00e7\u00e3o e respons\u00e1vel por todas as pesquisas no setor. Um total de 90% de seu lucro bruto \u00e9 remetido aos cofres p\u00fablicos. Os 10% restantes s\u00e3o respons\u00e1veis por manter toda a estrutura de controle sobre a explora\u00e7\u00e3o e sua expans\u00e3o. Concentra boa parte da m\u00e3o de obra altamente especializada, mas, apesar de suas propor\u00e7\u00f5es, n\u00e3o mobiliza mais que 0,5% da for\u00e7a total de trabalho de Angola. E trata-se de uma ind\u00fastria de elevado custo ambiental, trazendo graves problemas de sa\u00fade para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal riqueza leva a um Estado rentista, um governo corrupto e uma popula\u00e7\u00e3o empobrecida. Com Isabel dos Santos na presid\u00eancia do Conselho da Sonangol, a imprensa econ\u00f4mica da Europa relata o desaparecimento de 32 a 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares dos cofres da empresa.<\/p>\n<p>A Exxon-Mobil \u00e9 uma das associadas da Sonangol para explora\u00e7\u00e3o das reservas em \u00e1guas profundas do litoral angolano. \u00c9 tamb\u00e9m associada \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, com poucos competidores no mundo. Quase todos os dois milh\u00f5es de barris\/dia v\u00e3o para os EUA, sendo Angola um fornecedor importante e confi\u00e1vel. \u00c9 f\u00e1cil entender por que os EUA abandonaram a UNITA, financiada pela CIA, e agora apoiam o governo do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA).<\/p>\n<p>A Petrobras pagou cerca de 500 milh\u00f5es de d\u00f3lares e gastou mais 200 milh\u00f5es para explorar quatro blocos de petr\u00f3leo em Angola. A empresa perfurou po\u00e7os secos e teve um preju\u00edzo gigantesco com a opera\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, mas, de acordo com o depoimento do delator na Lava Jato Nestor Cerver\u00f3, isso pouco importou, pois, o objetivo era cozinhar os n\u00fameros e arrancar propinas para financiar a campanha presidencial de Lula.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 Hitler Samussuku, JLO E OS PARADOXOS DA NOVA ERA, na sua p\u00e1gina de face book.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Recentemente rompeu com os canais portugueses SIC-Not\u00edcias e SIC-Internacional que denunciavam esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, agress\u00f5es praticadas pela Pol\u00edcia Nacional contra o povo e outros abusos de poder.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A Globo est\u00e1 em Angola desde a d\u00e9cada de 1980, com as primeiras novelas. A partir de 1 de julho 2021 a emissora brasileira passou a transmitir, em Angola e Mo\u00e7ambique, exclusivamente pela ZAP por sat\u00e9lite. <\/em>A Globo Internacional produziu o programa <em>Revista \u00c1frica<\/em>, associada \u00e0 produtora angolana Promoangol, <em>holding <\/em>do grupo angolano VMD, pertencente ao brasileiro Valdomiro Minoru Dondo, um dos homens mais ricos e poderosos de Angola, alvo da Opera\u00e7\u00e3o <em>Le Coq<\/em>, da Pol\u00edcia Federal (PF) no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 30 de agosto, algumas centenas de jovens se dirigiram \u00e0 Assembleia Nacional de Angola, em Luanda, onde a ditadura do Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA) tenta manter a fachada de um regime democr\u00e1tico.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64862,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1415],"tags":[3068,2842,4255],"class_list":["post-64860","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-angola","tag-anibal-silva","tag-antonio-tonga","tag-movimento-popular-de-libertacao-de-angola-mpla"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/Foto-6-Angola.jpg","categories_names":["Angola"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64860","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64860"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64860\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64862"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}