{"id":64729,"date":"2021-08-28T12:59:28","date_gmt":"2021-08-28T15:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64729"},"modified":"2021-08-28T12:59:28","modified_gmt":"2021-08-28T15:59:28","slug":"afeganistao-quais-sao-os-criterios-para-analisar-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/08\/28\/afeganistao-quais-sao-os-criterios-para-analisar-a-guerra\/","title":{"rendered":"Afeganist\u00e3o: Quais s\u00e3o os crit\u00e9rios para analisar a guerra?"},"content":{"rendered":"<p><em>A derrota dos EUA e a tomada do poder pelo Talib\u00e3 geraram um debate na esquerda internacional. Seu significado \u00e9 positivo ou negativo para os trabalhadores e as massas do mundo?<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Existe todo um setor da esquerda que toma como elemento central de sua defini\u00e7\u00e3o, o car\u00e1ter ideol\u00f3gico e pol\u00edtico do Talib\u00e3. A partir da\u00ed, tira a conclus\u00e3o que, dado que \u00e9 o Talib\u00e3 quem ganha a guerra e toma o poder, o significado do ocorrido \u00e9 negativo. Em um marco de di\u00e1logo com este setor, come\u00e7aremos expressando que temos muito definido o car\u00e1ter ideol\u00f3gico e pol\u00edtico do Talib\u00e3, desde o pr\u00f3prio in\u00edcio da guerra (2001), o defin\u00edamos como uma organiza\u00e7\u00e3o de programa burgu\u00eas, <em>\u201cprofundamente reacion\u00e1ria e inclusive com muitos tra\u00e7os fascistas\u201d<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><em><strong>[1]<\/strong><\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o \u00e9 correto considerar esse como o \u00fanico elemento da realidade porque leva a conclus\u00f5es equivocadas. Para n\u00f3s, para responder a esta pergunta, \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar considerando o car\u00e1ter desta guerra. Para fazer essa caracteriza\u00e7\u00e3o, iremos utilizar os crit\u00e9rios que foram elaborados pelo marxismo sobre este ponto. A refer\u00eancia mais evidente neste sentido \u00e9 o trabalho <em>O socialismo e a guerra<\/em> (1915), escrito por Lenin com o objetivo de orientar o partido bolchevique russo e a ala revolucion\u00e1ria da II Internacional frente \u00e0 Primeira Guerra Mundial<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Nesse trabalho, Lenin reivindica o conceito elaborado pelo general prussiano Carl von Clausewitz, em 1832:<em> &#8220;A guerra \u00e9 a prolonga\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica por outros meios&#8221;<\/em><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><em>.<\/em> Ou seja, para caracterizar qualquer guerra e fixar uma posi\u00e7\u00e3o frente a ela, n\u00f3s marxistas devemos primeiro estudar e compreender o <strong>car\u00e1ter pol\u00edtico <\/strong>de tal guerra.<\/p>\n<p>Lenin caracterizou corretamente que a Primeira Guerra Mundial era essencialmente uma guerra interimperialista e nela os socialistas <em>\u201cn\u00e3o tinham p\u00e1tria\u201d<\/em>. A partir da\u00ed, realizou uma cr\u00edtica feroz aos principais partidos da II Internacional (o alem\u00e3o e o franc\u00eas) que apoiavam suas respectivas burguesias.\u00a0 Para ele, a \u00fanica linha poss\u00edvel frente a este tipo de guerra era o <strong>derrotismo revolucion\u00e1rio <\/strong>(<em>\u201ca derrota do pr\u00f3prio imperialismo \u00e9 o mal menor\u201d.)<\/em> e orientou o partido bolchevique a <em>\u201ctransformar a guerra interimperialista em guerra revolucion\u00e1ria de classes\u201d<\/em>, algo que foi concretizado na Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro de 1917.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, analisou que h\u00e1 outro tipo de guerras, \u00e0s quais chamava de necess\u00e1rias e justas:<em> \u201cA hist\u00f3ria conheceu muitas guerras que, apesar dos horrores, das ferocidades, das calamidades e dos sofrimentos que toda guerra acarreta inevitavelmente, foram progressistas, isto \u00e9, \u00fateis para o progresso da humanidade\u2026\u201d<\/em><\/p>\n<p>Dentro deste \u00faltimo tipo de guerra, definia uma em especial: <em>\u201cOs socialistas admitiam e continuam admitindo o car\u00e1ter leg\u00edtimo, progressista e justo da \u2018defesa da p\u00e1tria\u2019 ou de uma guerra \u2018defensiva\u2019. Se, por exemplo, amanh\u00e3 o Marrocos declarar guerra \u00e0 Fran\u00e7a; a \u00cdndia \u00e0 Inglaterra; a P\u00e9rsia ou a China \u00e0 R\u00fassia, etc, essas guerras seriam guerras \u2018justas\u2019, \u2018defensivas\u2019, independentemente de quem atacasse primeiro, e todo socialista simpatizaria com a vit\u00f3ria dos Estados oprimidos, dependentes, menosprezados em seus direitos, sobre as \u2018grandes\u2019 pot\u00eancias opressoras, escravistas e espoliadoras\u201d.<\/em> Ou seja, para Lenin a posi\u00e7\u00e3o, frente \u00e0 guerra e seu resultado, n\u00e3o dependia do tipo de dire\u00e7\u00e3o que a luta imperialista tivesse no pa\u00eds oprimido, mas do car\u00e1ter dos pa\u00edses em conflito. Neste caso, os socialistas <em>\u201cdeviam defender a p\u00e1tria\u201d<\/em> do pa\u00eds oprimido e localizar-se em seu campo militar.<\/p>\n<p>Este posicionamento de Lenin obedecia a raz\u00f5es muito profundas: a partir do in\u00edcio do que ele chamou de a \u201c\u00e9poca imperialista\u201d, o principal inimigo a ser combatido e derrotado no mundo por parte dos trabalhadores e das massas era precisamente o imperialismo (ou se preferir, as burguesias imperialistas de um pequeno punhado de pa\u00edses). Esse era, para ele, o par\u00e2metro central e um fio condutor para a revolu\u00e7\u00e3o socialista: <em>\u201cOs socialistas n\u00e3o podem alcan\u00e7ar seu elevado objetivo sem lutar contra toda a opress\u00e3o das na\u00e7\u00f5es\u201d.<\/em><\/p>\n<p><strong>Trotsky<\/strong> <strong>e uma hipot\u00e9tica guerra entre a Inglaterra e o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Esse crit\u00e9rio de Lenin frente a este tipo de guerras (nosso apoio ao pa\u00eds oprimido n\u00e3o depende do car\u00e1ter da dire\u00e7\u00e3o desse campo militar) surge de modo impl\u00edcito no seu trabalho.\u00a0 Duas d\u00e9cadas mais tarde, Trotsky o formularia de modo expl\u00edcito em uma entrevista que manteve com o dirigente oper\u00e1rio argentino Mateo Fossa, em 1938, no M\u00e9xico<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Nela, na perspectiva da Segunda Guerra Mundial que se aproximava, ele considera a hip\u00f3tese de uma guerra entre a Inglaterra e o Brasil.<\/p>\n<p><em>\u201cTomemos o exemplo mais simples e \u00f3bvio. No Brasil reina atualmente um regime semifascista ao qual qualquer revolucion\u00e1rio s\u00f3 pode considerar com \u00f3dio. Suponhamos, contudo, que no dia de amanh\u00e3 a Inglaterra entre em um conflito militar com o Brasil. De que lado a classe oper\u00e1ria se localizaria neste conflito? Neste caso, eu pessoalmente estaria junto ao Brasil \u201cfascista\u201d contra a \u201cdemocr\u00e1tica\u201d Gr\u00e3 Bretanha. Por qu\u00ea? Porque n\u00e3o se trataria de um conflito entre a democracia e o fascismo. Se a Inglaterra ganhasse, colocaria outro fascista no Rio de Janeiro e prenderia o Brasil com correntes duplas. Se, pelo contr\u00e1rio, o Brasil sa\u00edsse triunfante, a consci\u00eancia nacional e democr\u00e1tica deste pa\u00eds teria um poderoso impulso que levaria \u00e0 derrubada da ditadura de [Get\u00falio] Vargas. Ao mesmo tempo, a derrota da Inglaterra, desfecharia um bom golpe no imperialismo brit\u00e2nico e daria um impulso ao movimento revolucion\u00e1rio do proletariado ingl\u00eas. Realmente, tem que ser muito cabe\u00e7a oca para reduzir os antagonismos e conflitos militares mundiais \u00e0 luta entre fascismo e democracia. \u00c9 preciso saber descobrir todos os exploradores, escravistas e ladr\u00f5es sob as m\u00e1scaras com as quais se ocultam! Em todos os pa\u00edses latino-americanos os problemas da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o intimamente ligados \u00e0 luta anti-imperialista\u201d.<\/em><\/p>\n<p>D\u00e9cadas mais tarde, esta \u201chip\u00f3tese de conflito\u201d se fez realidade, embora em um contexto mundial diferente, durante a guerra das Malvinas entre a Inglaterra e a Argentina (1982). Neste \u00faltimo pa\u00eds, existia uma sangrenta ditadura militar pr\u00f3-imperialista que havia sequestrado e assassinado milhares de lutadores oper\u00e1rios e populares. Esta ditadura, ent\u00e3o presidida pelo <em>general Leopoldo Galtieri, <\/em>invadiu e recuperou as Ilhas Malvinas, uma velha aspira\u00e7\u00e3o nacional j\u00e1 que estas ilhas estavam em poder da Inglaterra desde 1833.\u00a0 Analisar como se originou essa guerra e seu desenvolvimento excede o objetivo deste artigo. Quem tiver interesse, pode ver v\u00e1rios artigos publicados neste site<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>O que queremos analisar \u00e9 que a posi\u00e7\u00e3o adotada frente a essa guerra dividiu profundamente a esquerda argentina e de outras partes do mundo. De modo vergonhoso, um setor apostou no triunfo da Inglaterra; outro teve uma pol\u00edtica centrista de \u201cNem Inglaterra nem ditadura argentina\u201d. A organiza\u00e7\u00e3o morenista argentina daqueles anos, o PST (Partido Socialista dos Trabalhadores), e a rec\u00e9m-fundada LIT-QI, n\u00e3o tiveram d\u00favidas em seguir os ensinamentos de Lenin e Trotsky.<\/p>\n<p>Apesar do PST estar sob a mais dura clandestinidade, combatia heroicamente contra a ditadura e apesar de ter tido mais de 100 mortos pela repress\u00e3o, ocupou seu lugar no campo militar anti-imperialista e, junto com a grande maioria do povo argentino, colocou todas suas for\u00e7as pelo triunfo nessa guerra. Cabe agregar que, depois da derrota argentina, esteve nas ruas do pa\u00eds impulsionando as mobiliza\u00e7\u00f5es que derrubaram a ditadura.<\/p>\n<p><strong>Um debate que se repete<\/strong><\/p>\n<p>Este debate que se d\u00e1 agora sobre o car\u00e1ter progressivo ou reacion\u00e1rio do triunfo do Talib\u00e3, na realidade repete aquele que se deu na esquerda mundial no in\u00edcio da guerra (2001). Do lado do imperialismo estadunidense, o governo do republicano George Bush filho, aproveitou o efeito pol\u00edtico que os atentados contra as Torres G\u00eameas de Nova York produziram em 11 de setembro, para come\u00e7ar a \u201cguerra contra o terror\u201d, dirigida ao que chamou de \u201co eixo do mal\u201d (entre outros, os governos do Afeganist\u00e3o, Iraque, S\u00edria, Cor\u00e9ia do Norte e Ir\u00e3). A invas\u00e3o ao Afeganist\u00e3o e a derrubada do regime do Talib\u00e3 foi o primeiro epis\u00f3dio dessa guerra.<\/p>\n<p>No caso do Afeganist\u00e3o, hav\u00edamos caracterizado o regime do Talib\u00e3 como uma \u201cditadura teocr\u00e1tica\u201d, com leis baseadas em uma interpreta\u00e7\u00e3o extrema e intolerante da sharia isl\u00e2mica.\u00a0 Estas leis s\u00e3o duramente opressivas e repressivas, especialmente contra as mulheres e os homossexuais, e contra diversas minorias \u00e9tnicas, religiosas e lingu\u00edsticas. Era precisamente o car\u00e1ter deste regime o que levava muitos a duvidar sobre apoiar a guerra \u201cdefensiva\u201d que se iniciou contra o invasor e que o Talib\u00e3 encabe\u00e7ava.<\/p>\n<p>\u00c9 neste marco que, para expressar a posi\u00e7\u00e3o da LIT-QI, foi publicado o artigo \u201cQue guerra \u00e9 esta?\u201d de Mart\u00edn Hern\u00e1ndez<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Nesse artigo, se tomam os crit\u00e9rios de Lenin e Trotsky para analisar o car\u00e1ter da guerra e a posi\u00e7\u00e3o que os revolucion\u00e1rios deviam tomar frente a ela. Diante da pergunta <em>de que lado devem estar os socialistas?<\/em> o artigo responde:<\/p>\n<p><em>\u201cSe deixarmos de lado o que ambos os lados dizem; \u2018defendemos a liberdade (Bush) ou \u2018guerra aos infi\u00e9is\u2019 (Talib\u00e3), o perfil desta guerra nos aparece <\/em>[de modo]<em> quase caricaturesco. De um lado, os EUA respaldados por todas as pot\u00eancias militares do mundo. Do outro, um pa\u00eds com um atraso milenar\u2026dirigido por uma corrente (o Talib\u00e3) que, depois de ter sido formado pela CIA hoje se nega a aceitar as ordens do imperialismo. Se fizermos este exerc\u00edcio&#8230; estaremos nos encontrando com o mais t\u00edpico conflito de nossa \u00e9poca: uma guerra pela conquista de uma nova col\u00f4nia em uma regi\u00e3o estrat\u00e9gica do planeta\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O artigo assinala que a discuss\u00e3o sobre as \u201cnovas col\u00f4nias\u201d n\u00e3o era anacr\u00f4nica, j\u00e1 que as tend\u00eancias mais profundas do imperialismo levam \u00e0 coloniza\u00e7\u00e3o ou \u00e0 recoloniza\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses n\u00e3o imperialistas. Esse era o conte\u00fado do projeto do \u201cNovo S\u00e9culo Americano\u201d promovido por Bush. Frente a essa ofensiva recolonizadora:<\/p>\n<p><em>\u201cNo momento atual, a maioria das burguesias dos pa\u00edses dependentes est\u00e3o t\u00e3o submetidas e integradas ao imperialismo que n\u00e3o ensaiam a menor resist\u00eancia.[Entretanto,] existem governos e\/ou setores burgueses que, de uma forma ou outra, quase sempre desesperada, tentam resistir \u00e0 ofensiva recolonizadora e para isso tamb\u00e9m buscam se apoiar no movimento de massas. Este enfrentamento entre as massas dos pa\u00edses dependentes e o imperialismo, enfrentamento do qual participam setores burgueses de variados tipos<\/em>[e muitas vezes dirigem, acrescentar\u00edamos]<em> \u00e9 o que est\u00e1 por detr\u00e1s desta guerra\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O artigo conclu\u00eda que, quando se trata da luta de um pa\u00eds dependente e agredido pelo imperialismo, sim <em>\u201ctemos p\u00e1tria\u201d<\/em>, como dizia Lenin. Ou seja, t\u00ednhamos um campo militar claro, o que implicava que, na medida de nossas possibilidades, promov\u00edamos essa unidade de a\u00e7\u00e3o militar com o Talib\u00e3.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel fazer unidade de a\u00e7\u00e3o com uma corrente como o Talib\u00e3?<\/strong><\/p>\n<p>A partir dessa orienta\u00e7\u00e3o, se apresentava um risco muito concreto: <em>\u201cExiste a possibilidade de que o Talib\u00e3 em um determinado momento persiga os revolucion\u00e1rios e tente mat\u00e1-los. Eles s\u00e3o uma corrente profundamente reacion\u00e1ria e inclusive com muitos tra\u00e7os fascistas\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Este risco, evidentemente existia. Mas essa possibilidade (o ataque da dire\u00e7\u00e3o militar de uma luta progressiva aos dissidentes ou opositores de seu pr\u00f3prio campo militar) se apresentou n\u00e3o apenas com o Talib\u00e3, mas tamb\u00e9m com diversas dire\u00e7\u00f5es burguesas ou estalinistas.<\/p>\n<p>Por exemplo, na China, no contexto da unidade de a\u00e7\u00e3o contra a invas\u00e3o japonesa, as for\u00e7as do ex\u00e9rcito burgu\u00eas de Chiang Kai-shek atacavam, toda vez que podiam, o ex\u00e9rcito campon\u00eas comunista liderado por Mao. Na Guerra Civil Espanhola, no marco da luta comum contra Franco, os estalinistas mataram muitos militantes do POUM, anarquistas e trotskistas. No Vietn\u00e3, no per\u00edodo de resist\u00eancia contra o imperialismo japon\u00eas, os trotskistas sofreram tanto a repress\u00e3o japonesa como a da dire\u00e7\u00e3o estalinista. Por exemplo, o dirigente trotskista Ta Thu Thau esteve detido primeiro em um campo de concentra\u00e7\u00e3o japon\u00eas e depois foi assassinado por ordem de Ho Chi Minh, em1945<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>S\u00e3o apenas alguns exemplos hist\u00f3ricos. Ou seja, desenvolvemos essa unidade em condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, enfrentando um duplo perigo: o do combate contra o inimigo imperialista ou fascista, por um lado, e a poss\u00edvel repress\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o de nosso campo militar.<\/p>\n<p>No entanto, inclusive nestas condi\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis \u00e9 imprescind\u00edvel que levemos adiante essa unidade de a\u00e7\u00e3o militar, por duas raz\u00f5es. A primeira \u00e9 que essas s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es concretas nas quais se desenvolve a luta contra o inimigo principal (o imperialismo ou o fascismo). N\u00f3s revolucion\u00e1rios n\u00e3o somos \u201cdeclamadores\u201d que nos contentamos em ter uma posi\u00e7\u00e3o correta frente \u00e0 luta de classes: uma vez que fixamos essa posi\u00e7\u00e3o, tentamos (na medida de nossas possibilidades) lev\u00e1-la \u00e0 pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><em>A segunda raz\u00e3o \u00e9 que essa participa\u00e7\u00e3o nesta a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria \u00e9 a \u00fanica que nos d\u00e1 a possibilidade real de impulsionar nosso programa e disputar a dire\u00e7\u00e3o do processo. Por exemplo, Trotsky, durante a Guerra Civil Espanhola orientava desta forma os trotskistas desse pa\u00eds a intervir no campo republicano, com uma dire\u00e7\u00e3o de setores burgueses que sustentava o estalinismo: <\/em><em>\u201cParticipamos na luta contra Franco como os melhores soldados\u2026\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><em>.<\/em> <em>Em outro artigo, acrescentava: <\/em><em>\u201cEnquanto n\u00e3o formos suficientemente fortes\u2026combateremos sob sua bandeira <\/em><em>[a do governo<\/em> <em>republicano].<\/em> <em>Por\u00e9m em todas as ocasi\u00f5es manisfestaremos nossa desconfian\u00e7a nele<\/em><em>\u2026\u201d<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\"><strong>[9]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em>Ou seja, nessas condi\u00e7\u00f5es concretas, a t\u00e1tica de unidade de a\u00e7\u00e3o militar \u00e9 uma necessidade que muitas vezes a realidade nos imp\u00f5e para levar adiante duas quest\u00f5es de princ\u00edpios: a participa\u00e7\u00e3o na luta contra o imperialismo (ou o fascismo) e a apresenta\u00e7\u00e3o de nosso programa para disputar e tentar ganhar a dire\u00e7\u00e3o do processo de luta. Dito em outras palavras, estamos no mesmo campo militar que essas dire\u00e7\u00f5es burguesas ou burocr\u00e1ticas que encabe\u00e7am a luta (neste sentido, devemos muitas vezes aceitar sua dire\u00e7\u00e3o militar) enquanto as condi\u00e7\u00f5es objetivas nos impuserem. Mas n\u00e3o estamos no mesmo campo pol\u00edtico que elas e, de modo permanente, as combatemos politicamente.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 o que o marxismo chamou de t\u00e1tica de unidade e enfrentamento. Porque uma parte da t\u00e1tica \u00e9 a unidade na luta contra o imperialismo e o fascismo, mas a outra \u00e9 que, no marco dessa unidade, permanentemente combatemos politicamente contra o programa dessas dire\u00e7\u00f5es, exigimos deles e impulsionamos as medidas que sejam necess\u00e1rias para ganhar a luta e, finalmente, lutamos contra o fato que, sob a desculpa da necess\u00e1ria disciplina militar, buscam impor essa disciplina no terreno pol\u00edtico e impedem (e inclusive reprimem) a democracia dos trabalhadores e das massas. Ou seja, neste caso concreto, no contexto da a\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria, nunca deixamos de denunciar o car\u00e1ter do Talib\u00e3.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00c9 bom ou ruim que o imperialismo tenha sido derrotado?<\/strong><\/p>\n<p>Depois de percorrer pelos crit\u00e9rios que o marxismo revolucion\u00e1rio elaborou ante as guerras deste tipo e de recordar como os aplicamos frente ao caso concreto da guerra do Afeganist\u00e3o, voltemos \u00e0 pregunta inicial: \u00e9 bom ou ruim que o imperialismo tenha sido derrotado?<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, por tudo o que j\u00e1 analisamos, \u00e9 muito positivo. Por duas raz\u00f5es, a primeira \u00e9 que o imperialismo sai debilitado, muito mais na defensiva do que se tivesse triunfado, com crises e profundas contradi\u00e7\u00f5es sobre como defender seus interesses no mundo e levar adiante a pol\u00edtica de recoloniza\u00e7\u00e3o \u00e0 qual nos referimos.<\/p>\n<p>Aqui n\u00e3o entraremos no debate sobre se esta derrota \u00e9 equivalente \u00e0 do Vietn\u00e3 na d\u00e9cada de 1970 ou \u00e9 menor.\u00a0 Ambas foram derrotas e t\u00eam, nesse sentido, um impacto na mesma dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o casualmente, naquela \u00e9poca, os analistas pol\u00edticos do imperialismo cunharam o termo \u201cs\u00edndrome do Vietn\u00e3\u201d para referirem-se ao giro pol\u00edtico que representou deixar de lado (pelo menos, por todo um per\u00edodo) a pol\u00edtica agressiva e intervencionista contra os trabalhadores e os povos, que se aplicava desde in\u00edcios dos anos 1950, e que se encobria sob o manto da \u201cguerra ao comunismo\u201d.<\/p>\n<p>A partir do governo de Jimmy Carter (1977), passaram a aplicar a t\u00e1tica que denominamos de \u201crea\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica\u201d, elaborada pelo seu conselheiro de Seguran\u00e7a, Zbigniew\u00a0Brzezinski (de origem polaca). Ele era muito consciente das condi\u00e7\u00f5es mais desfavor\u00e1veis no mundo depois do Vietn\u00e3 e que, por isso, o aspecto militar devia passar para um segundo plano e colocar-se a servi\u00e7o de uma nova t\u00e1tica central. Segundo sua vis\u00e3o: <em>\u201cVencer n\u00e3o significa mais a capacidade de derrotar militarmente um advers\u00e1rio\u2026mas sim a capacidade de prevalecer contra esse advers\u00e1rio em uma paciente luta de longo prazo\u201d<\/em><a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Bush, com sua \u201cguerra contra o terror\u201d vira o leme e retorna \u00e0 pol\u00edtica iniciada na d\u00e9cada de 1950. Por\u00e9m seu projeto \u00e9 derrotado no Iraque e no Afeganist\u00e3o. N\u00e3o casualmente, algumas d\u00e9cadas depois, quando a din\u00e2mica desta derrota em ambas \u201cguerras paralelas\u201d j\u00e1 se mostrava objetivamente inevit\u00e1vel, os analistas pol\u00edticos come\u00e7aram a utilizar o conceito de \u201cs\u00edndrome do Iraque\u201d. O que foi expresso no giro da pol\u00edtica internacional aplicada por Barack Obama<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p><em>Inclusive o pr\u00f3prio Donald Trump, que por voca\u00e7\u00e3o e personalidade teria querido \u201csair atropelando\u201d, ficou aprisionado nessa realidade. N\u00e3o pode bombardear a Coreia do Norte e teve que optar pelo \u201ccaminho chin\u00eas\u201d da negocia\u00e7\u00e3o; fracassou notoriamente em suas amea\u00e7as de invadir a Venezuela e, no final de seu governo, foi ele que come\u00e7ou a promover a sa\u00edda definitiva dos soldados estadunidenses, expressando: <\/em><em>\u201cDepois de todos estes anos, \u00e9 hora de trazer nossa gente de volta para casa\u201d<\/em><a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><em>.<\/em><em> Uma pol\u00edtica que o governo de Joe Biden acabaria por concretizar. <\/em><\/p>\n<p><em>A crise derivada da s\u00edndrome Iraque-Afeganist\u00e3o se reaviva com a culmina\u00e7\u00e3o da derrota (embora possivelmente atenuada pelos anos transcorridos desde que seu curso j\u00e1 era objetivamente inevit\u00e1vel). Basta ver o profundo debate que se d\u00e1 na m\u00eddia imperialista e nos n\u00facleos de intelig\u00eancia e elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edtica como o <\/em><em>Atlantic Council<\/em><a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Um debate que se estende \u00e0 m\u00eddia de outros pa\u00edses imperialistas que tamb\u00e9m sofreram com a derrota, como a <em>BBC brit\u00e2nica<\/em><em> ou El Pa\u00eds<\/em><em> da Espanha. Nesses artigos se misturam tentativas s\u00e9rias de fazer um balan\u00e7o sobre as causas da derrota com \u201crepasses de fatura\u201d sobre as responsabilidades<\/em><a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p><em>O pr\u00f3prio governo Biden sai debilitado embora, como dissemos, de modo atenuado porque, em \u00faltima inst\u00e2ncia, s\u00f3 \u201ccolocou a cereja no bolo\u201d. Inclusive declarou <\/em><em>\u201ca responsabilidade \u00e9 minha\u201d<\/em><em> sobre a volta do Talib\u00e3 ao poder, ainda que tenha defendido a retirada das tropas<\/em><a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><em>.<\/em><\/p>\n<p>Existe outro aspecto de enfraquecimento do imperialismo: a desmoraliza\u00e7\u00e3o da base de suas for\u00e7as armadas, em especial daqueles soldados que acreditaram realmente que lutavam pela \u201cliberdade e democracia\u201d. Por exemplo, <em>Jack Cumming (um ex &#8211; integrante das for\u00e7as brit\u00e2nicas no Afeganist\u00e3o que perdeu ambas as pernas em combate) declarou, depois de saber do final da guerra:<\/em><em> \u201cParece que perdi minhas pernas por nada e que meus companheiros morreram em v\u00e3o\u201d<\/em><a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a><em>. <\/em><em>Um sentimento similar expressam os soldados veteranos estadunidenses. Por exemplo, Anthony Valdez (que combateu durante 20 anos tanto no Iraque como no Afeganist\u00e3o) declarou: <\/em><em>\u201cTodo o trabalho que fizemos para tentar nos basear em coisas que ajudem o Afeganist\u00e3o a se converter em um pa\u00eds melhor, senti de alguma maneira que as coisas est\u00e3o erradas. <\/em><em>\u00c9 perturbador\u2026e parte meu cora\u00e7\u00e3o<\/em><em>\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\"><strong>[17]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p><em><strong>O impacto no movimento de massas<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>O conceito de \u201cs\u00edndrome\u201d (seja do Vietn\u00e3 ou do Iraque -Afeganist\u00e3o) se refere centralmente ao impacto de suas derrotas sobre o pr\u00f3prio imperialismo . Por\u00e9m este aspecto sempre se combina com outro: h\u00e1 um triunfo do movimento de massas que tem um \u201cefeito demonstra\u00e7\u00e3o\u201d a partir de exemplos vivos de que, mesmo atrav\u00e9s de duras lutas, \u00e9 poss\u00edvel derrotar este inimigo.<\/em><\/p>\n<p>Por exemplo, tal como assinala a recente declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI, \u00e9 imposs\u00edvel entender o grande ascenso revolucion\u00e1rio no mundo \u00e1rabe e mu\u00e7ulmano a partir de 2011, sem ver que ele foi, em grande medida, impulsionado pela derrota que objetivamente o imperialismo j\u00e1 sofria.<\/p>\n<p>Retomemos ent\u00e3o, a lucidez imperialista de Zbigniew Brzezinski que, em uma entrevista realizada em 2014, expressou: <em>\u201cVivemos um per\u00edodo de instabilidade sem precedentes. H\u00e1 enormes faixas do territ\u00f3rio mundial dominadas pela agita\u00e7\u00e3o, revolu\u00e7\u00f5es, raiva e perda de controle do Estado\u2026\u00c9 um despertar pol\u00edtico global baseado em uma tomada de consci\u00eancia sobre as injusti\u00e7as, as desigualdades e a explora\u00e7\u00e3o\u2026Os Estados Unidos ainda s\u00e3o dominantes mas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o capazes de exercer poder hegem\u00f4nico\u2026A\u00a0 fragilidade americana fica evidente em sua incapacidade de dar estabilidade \u00e0 pol\u00edtica din\u00e2mica e imprevis\u00edvel do Oriente M\u00e9dio\u2026\u201d<\/em><a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>\u00c9 verdade que, desde ent\u00e3o, \u201cmuita \u00e1gua passou debaixo da ponte\u201d, n\u00e3o apenas na din\u00e2mica dos processos de luta nessa regi\u00e3o como no conjunto do mundo. Outras lutas passaram a estar no centro da cena (algumas no cora\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio imperialismo estadunidense, como as rebeli\u00f5es antirracistas de 2020) e o imperialismo elaborou diversas respostas frente a elas. Entretanto, estamos seguros de que a consuma\u00e7\u00e3o de sua derrota no Afeganist\u00e3o, com todas as contradi\u00e7\u00f5es e atenua\u00e7\u00f5es que possam haver, servir\u00e1 de impulso \u00e0 luta dos trabalhadores e das massas do mundo.<\/p>\n<p>Resta um \u00faltimo ponto que ser\u00e1 desenvolvido em outros artigos. Somos conscientes de que quem tomou o poder no Afeganist\u00e3o foi o Talib\u00e3, uma corrente que, como vimos, caracterizamos como <em>\u201cprofundamente reacion\u00e1ria e inclusive com muitos tra\u00e7os fascistas\u201d<\/em>, que tentar\u00e1 instalar uma ditadura teocr\u00e1tica a servi\u00e7o de se consolidar como a dire\u00e7\u00e3o burguesa de um pa\u00eds capitalista<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Portanto, \u00e9 quase certo que tentar\u00e1 deter \u00a0a luta contra o imperialismo.<\/p>\n<p>Por ambos os fatores, a t\u00e1tica de unidade de a\u00e7\u00e3o militar com o Talib\u00e3 (a unidade e enfrentamento que analisamos) acabou no momento em que derrotou o imperialismo e tomou o poder. Por um lado, tal como a recente declara\u00e7\u00e3o da LIT-QI afirma expressamente: <em>\u201cacreditamos que a tarefa que agora se apresenta para as massas afeg\u00e3s (em especial para as mulheres e as minorias oprimidas) \u00e9 a luta contra essa ditadura\u201d<\/em><a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Por isso, apoiamos e defendemos as incipientes mobiliza\u00e7\u00f5es das mulheres em defesa de seus direitos, que come\u00e7aram a ocorrer em Cabul<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Por outro lado, exigimos do Talib\u00e3 que continue e aprofunde sua luta contra o imperialismo que, como toda experi\u00eancia hist\u00f3rica o demonstra (inclusive a do pr\u00f3prio Talib\u00e3), se ficar limitada a um s\u00f3 pa\u00eds (ainda mais do tipo do Afeganist\u00e3o) est\u00e1 condenada \u00e0 derrota ou \u00e0 capitula\u00e7\u00e3o ao imperialismo das dire\u00e7\u00f5es que a \u201cencerraram\u201d nas fronteiras nacionais.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Ver revista <em>Marxismo Vivo<\/em> n.<sup>o<\/sup> 4, S\u00e3o Paulo, Brasil, dezembro de 2001.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/lenin\/obras\/1910s\/1915sogu.htm<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ver Carl von Clausewitz, <em>Sobre la guerra<\/em>, t. I, art. I, cap. I, sec. XXIV.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Ver, entre outras vers\u00f5es: <a href=\"https:\/\/elporteno.cl\/leon-trotsky-la-lucha-antiimperialista-es-la-clave-de-la-liberacion-una-entrevista-con-mateo-fossa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/elporteno.cl\/leon-trotsky-la-lucha-antiimperialista-es-la-clave-de-la-liberacion-una-entrevista-con-mateo-fossa\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Entre outros: https:\/\/litci.org\/pt\/36-anos-apos-o-inicio-da-guerra-das-malvinas\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ver revista <em>Marxismo Vivo<\/em> n<sup>o<\/sup> 4, S\u00e3o Paulo, Brasil, dezembro de 2001.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ver\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/ta-thu-thau-lider-trotskista-vietnamita\/er\">https:\/\/litci.org\/pt\/teoria\/ta-thu-thau-lider-trotskista-vietnamita\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> TROTSKY, Le\u00f3n. \u201cLa lucha contra el derrotismo en Espa\u00f1a\u201d,\u00a0<em>Escritos<\/em>, 14\/9\/1937<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> TROTSKY, Le\u00f3n. <em>La revoluci\u00f3n espa\u00f1ola<\/em>, T. II, p. 104<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Sobre esta quest\u00e3o, ver: https:\/\/litci.org\/pt\/a-reacao-democratica-da-sindrome-do-vietna-a-sindrome-do-iraque\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Sobre a situa\u00e7\u00e3o existente j\u00e1 em 2009, recomendamos ler os artigos de Bernardo Cerdeira no dossi\u00ea \u201cOriente M\u00e9dio. Um novo e imenso Vietn\u00e3 para o imperialismo\u201d. Publicados na revista\u00a0<em>Marxismo Vivo<\/em>\u00a0n.<sup>o<\/sup>\u00a022 (dezembro de 2009).<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-57762858\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-57762858<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> Ver o dossi\u00ea publicado pela p\u00e1gina\u00a0<a href=\"https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/blogs\/new-atlanticist\/experts-react-the-taliban-has-taken-kabul-now-what\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.atlanticcouncil.org\/blogs\/new-atlanticist\/experts-react-the-taliban-has-taken-kabul-now-what\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ver, por exemplo, as cr\u00edticas do ex primeiro ministro brit\u00e2nico Tony Blair em <a href=\"https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-blair-critica-imbecil-decision-biden-haber-retirado-tropas-afganistan-202108221309_noticia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-blair-critica-imbecil-decision-biden-haber-retirado-tropas-afganistan-202108221309_noticia.html<\/a>\u00a0 e o artigo de <em>El Pa\u00eds<\/em> em <a href=\"https:\/\/elpais.com\/internacional\/2021-08-22\/las-criticas-por-la-gestion-de-la-retirada-de-afganistan-acorralan-al-presidente-biden.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/elpais.com\/internacional\/2021-08-22\/las-criticas-por-la-gestion-de-la-retirada-de-afganistan-acorralan-al-presidente-biden.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> <em><a href=\"https:\/\/apnews.com\/article\/c8d5cc134a308057d6e50e068285f811\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/apnews.com\/article\/c8d5cc134a308057d6e50e068285f811<\/a>\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> <em><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-58264699\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.bbc.com\/mundo\/noticias-internacional-58264699<\/a><\/em><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> https:\/\/www.wtvm.com\/2021\/08\/25\/military-matters-veterans-upset-about-afghanistan-aftermath-getting-help-with-coffee-camaraderie\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Revista\u00a0<em>\u00c9poca<\/em>, edi\u00e7\u00e3o 863, 15 de dezembro de 2014.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Sobre esta quest\u00e3o, ver, por exemplo, o arto <a href=\"https:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/mundo\/riqueza-mineral-do-afeganistao-pode-dar-ao-taleba-trilhoes-de-dolares-da-luta-contra-o-aquecimento-global,7339136a427860eb3d935496f8cd74f0jnvhlz47.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ig:\/\/www.terra.com.br\/noticias\/mundo\/riqueza-mineral-do-afeganistao-pode-dar-ao-taleba-trilhoes-de-dolares-da-luta-contra-o-aquecimento-global,7339136a427860eb3d935496f8cd74f0jnvhlz47.html<\/a><\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/afeganistao-a-consumacao-da-derrota-do-imperialismo\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> <em><a href=\"https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-mujeres-afganas-salen-calles-kabul-y-protestan-publicamente-derechos-202108181108_noticia.html?fbclid=IwAR11ui1x6w4-jpZS8P6Xx9oGlSDHJTdmNHoDx40uKvfvdiEhsCxm4P8mcIc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-mujeres-afganas-salen-calles-kabul-y-protestan-publicamente-derechos-202108181108_noticia.html?fbclid=IwAR11ui1x6w4-jpZS8P6Xx9oGlSDHJTdmNHoDx40uKvfvdiEhsCxm4P8mcIc<\/a><\/em><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A derrota dos EUA e a tomada do poder pelo Talib\u00e3 geraram um debate na esquerda internacional. Seu significado \u00e9 positivo ou negativo para os trabalhadores e as massas do mundo?<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64730,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4202,49],"tags":[1551,4204,4206],"class_list":["post-64729","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-afeganistao","category-polemica","tag-alejandro-iturbe","tag-eua-e-afeganistao","tag-taliba"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/afeganistao-guerra.jpg","categories_names":["Afeganist\u00e3o","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64729\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}