{"id":64645,"date":"2021-08-16T11:14:43","date_gmt":"2021-08-16T14:14:43","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64645"},"modified":"2021-08-16T11:14:43","modified_gmt":"2021-08-16T14:14:43","slug":"que-politica-o-trotskismo-deve-ter-frente-ao-atual-processo-cubano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/08\/16\/que-politica-o-trotskismo-deve-ter-frente-ao-atual-processo-cubano\/","title":{"rendered":"Que pol\u00edtica o trotskismo deve ter frente ao atual processo cubano?"},"content":{"rendered":"<p><em>As recentes mobiliza\u00e7\u00f5es populares em Cuba geraram um debate muito polarizado na esquerda mundial.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Alejandro Iturbe<\/p>\n<p>Existem duas posi\u00e7\u00f5es opostas, e muita confus\u00e3o em amplos setores da vanguarda e dos lutadores honestos. Por um lado, um setor majorit\u00e1rio considera que o pa\u00eds \u00e9 \u201co \u00faltimo basti\u00e3o do socialismo\u201d, agredido e cercado pelo bloqueio imperialista. Por isso, as mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o em ess\u00eancia reacion\u00e1rias (ou acabam sendo, objetivamente) e, portanto, est\u00e1 justificado que o regime as reprima. Neste setor se localizam os partidos comunistas provenientes do estalinismo ortodoxo (como o argentino e o brasileiro), algumas organiza\u00e7\u00f5es de tradi\u00e7\u00e3o mao\u00edsta (como o PCdoB brasileiro) e outras do nacionalismo burgu\u00eas ou do \u201cprogressismo\u201d, como o kirchnerismo argentino ou o PT de Lula.<\/p>\n<p>Por outro lado, um setor onde a LIT-QI se localiza vem sustentando, h\u00e1 20 anos, que o capitalismo j\u00e1 foi restaurado na Ilha e que as recentes mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma resposta \u00e0 profunda deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e das massas cubanas, e \u00e0 absoluta falta de democracia que suportam<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn1\">[1]<\/a>. Portanto, com todas suas contradi\u00e7\u00f5es, s\u00e3o mobiliza\u00e7\u00f5es que devem ser apoiadas no marco da luta contra o regime castrista.<\/p>\n<p>H\u00e1 algum tempo temos mantido debates com este setor e, a partir de 11 de julho, estes retomaram a intensidade. Entretanto, nesta oportunidade queremos debater com aqueles que sustentam uma posi\u00e7\u00e3o aparentemente \u201cintermedi\u00e1ria\u201d que, no entanto, acaba claudicando \u00e0queles que defendem a ditadura castrista.<\/p>\n<p>Algumas das posi\u00e7\u00f5es intermedi\u00e1rias que se apresentam especialmente em correntes que se reivindicam trotskistas, com an\u00e1lises confusas e amb\u00edguas, que levam a pol\u00edticas equivocadas frente aos fatos recentes e ao processo em seu conjunto. \u00c9 o caso, por exemplo, da corrente internacional Fra\u00e7\u00e3o Trotskista (FT), cuja principal organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) da Argentina<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Para esta corrente, Cuba \u00e9 um\u00a0<em>\u201cEstado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico degenerado em processo de restaura\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>. Ao considerar esse processo,\u00a0<em>\u201cal\u00e9m do imperialismo e da burguesia cubana de Miami, as principais for\u00e7as da restaura\u00e7\u00e3o interna est\u00e3o no pr\u00f3prio Estado \u2013nos altos escal\u00f5es da burocracia do Partido Comunista e em particular na c\u00fapula das For\u00e7as Armadas\u2026\u201d<\/em>. Nesse marco, a principal tarefa \u00e9 enfrentar tal processo de restaura\u00e7\u00e3o e\u00a0<em>\u201cdefender as conquistas que restam da revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/em>; uma luta que deve ocorrer simultaneamente frente a ambos os inimigos, j\u00e1 que se trataria de perigos equivalentes.<\/p>\n<p>Esta caracteriza\u00e7\u00e3o da FT sobre o car\u00e1ter social do Estado cubano est\u00e1 equivocada e abandona os crit\u00e9rios que Trotsky utiliza em seu livro\u00a0<em>A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda<a name=\"_ftnref3\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn3\"><strong>[3]<\/strong><\/a>.\u00a0<\/em>Ele afirma que o car\u00e1ter de classe de um Estado deve ser definido pelo tipo de propriedade que defende. Sua conclus\u00e3o \u00e9 n\u00edtida:\u00a0<em>\u201co predom\u00ednio das tend\u00eancias socialistas sobre as tend\u00eancias pequeno burguesas\u00a0<\/em>[capitalistas]<em>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 garantido pelo automatismo econ\u00f4mico \u2013ainda estamos longe disso\u2013, mas pelo poder pol\u00edtico da ditadura\u00a0<\/em>[do proletariado]<em>. Dessa forma o car\u00e1ter da economia depende completamente do poder\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Em outras palavras, as bases econ\u00f4mico sociais que v\u00e3o sendo constru\u00eddas [objetivas] dependem de um fator que podemos considerar \u201csubjetivo\u201d: a vontade do \u201cpoder\u201d (o Estado e o regime pol\u00edtico que o controla) de promover e defender essas bases econ\u00f4mico sociais. Se deixar de faz\u00ea-lo, se come\u00e7ar uma pol\u00edtica de quebr\u00e1-las em seus pilares fundamentais e a impulsionar um funcionamento capitalista da economia, deixou de ser um Estado oper\u00e1rio e passou a ser um Estado capitalista.<\/p>\n<p>Sobre esta base, Trotsky conclui dando um progn\u00f3stico alternativo realmente genial: ou a classe oper\u00e1ria derrubava a burocracia stalinista do poder (ou seja, realizava uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica) e reconstru\u00eda uma superestrutura estatal sadia, sem contradi\u00e7\u00f5es com as bases econ\u00f4mico sociais desse Estado, ou a burocracia acabaria restaurando o capitalismo. Foi o que aconteceu na China com a dire\u00e7\u00e3o de Deng Xiaoping, a partir de 1979<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn4\">[4]<\/a> e na ex -Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica com a dire\u00e7\u00e3o de Mikhail Gorbachov, na segunda metade da d\u00e9cada de 1980<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Consideramos que foi o que aconteceu em Cuba na d\u00e9cada de 1990, e se aprofundou desde ent\u00e3o com novos ataques. Isso significou a perda ou a deteriora\u00e7\u00e3o das conquistas alcan\u00e7adas com a revolu\u00e7\u00e3o e um decl\u00ednio constante do n\u00edvel de vida dos trabalhadores e das massas cubanas. Por isso, para n\u00f3s, as atuais mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma resposta a essa realidade que se combina com a absoluta falta de democracia que o regime castrista imp\u00f5e. Ao abandonar os crit\u00e9rios de Trotsky, a FT n\u00e3o compreende a atual realidade cubana.<\/p>\n<p>Sobre esta quest\u00e3o do car\u00e1ter de classe do Estado cubano (como em outras quest\u00f5es), as posi\u00e7\u00f5es desta corrente tendem \u00e0 confus\u00e3o, inclusive em \u201cper\u00edodos de calma\u201d. Mas quando a luta de classes coloca a urg\u00eancia na necessidade de responder com uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para intervir na realidade, acabam em um centrismo claudicante.<\/p>\n<p><span class=\"td_btn td_btn_md td_square_btn\"><strong>Um erro que se multiplica<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Entretanto, esta n\u00e3o \u00e9 a pol\u00eamica atual que queremos desenvolver neste artigo: expusemos esses conceitos em v\u00e1rios materiais publicados neste site, e inclusive debatemos com representantes da dire\u00e7\u00e3o cubana no F\u00f3rum Social Mundial (FSM), em 2001<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Os erros da FT aumentam porque, inclusive se aceit\u00e1ssemos a caracteriza\u00e7\u00e3o que prop\u00f5em (<em>\u201cEstado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico degradado em processo de restaura\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><em>), sua pol\u00edtica estaria equivocada e, novamente, abandona os crit\u00e9rios trotskistas.<\/em><\/p>\n<p><em>No livro j\u00e1 citado, Trotsky prop\u00f5e que a tarefa central para os trabalhadores e as massas dentro de um Estado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico ou degenerado \u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra a burocracia. Ou seja, o combate contra a burocracia estalinista era o eixo principal para defender o car\u00e1ter oper\u00e1rio do Estado sovi\u00e9tico. Alguns anos mais tarde, no Programa de Transi\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(no cap\u00edtulo dedicado \u00e0 Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica), depois de resumir os conceitos de <em>A Revolu\u00e7\u00e3o Tra\u00edda<\/em> reafirma a necessidade de que <em>\u201ca classe oper\u00e1ria esmague a burocracia e abra o caminho para o socialismo\u201d <a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn7\"><strong>[7]<\/strong><\/a>.<\/em><\/p>\n<p><span class=\"td_btn td_btn_md td_square_btn\"><strong>O imperialismo efetivamente existe<\/strong><\/span><\/p>\n<p><em>A FT poder\u00e1 argumentar que eles coincidem com esta an\u00e1lise e esta pol\u00edtica de Trotsky mas que incorporam \u00e0 an\u00e1lise, \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o e \u00e0 pol\u00edtica outra for\u00e7a restauracionista que deve ser combatida: \u201co imperialismo e a burguesia cubana de Miami\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Antes de entrar neste ponto de forma espec\u00edfica, \u00e9 necess\u00e1rio salientar uma omiss\u00e3o gigantesca da FT: os imperialismos europeus (em especial Espanha) e o canadense j\u00e1 aproveitaram a Lei de Investimentos Estrangeiros da d\u00e9cada de 1990 e realizaram grandes investimentos em Cuba, em especial no setor do turismo internacional, no qual tem um peso determinante, em muitos casos associados com a GAESA (o conglomerado de empresas estatais controlado pela For\u00e7as Armadas cubanas). \u00c9 muito conhecida e not\u00f3ria a presen\u00e7a dos hot\u00e9is da cadeia espanhola Meli\u00e1.\u00a0 Esses investimentos foram feitos sem questionar o regime castrista, e sim em pleno acordo com ele. Ou seja, n\u00e3o existe nenhum embargo nem boicote por parte deles.<\/p>\n<p>Em outras palavras, estes imperialismos s\u00e3o claramente uma \u201cfor\u00e7a restauracionista\u201d (para utilizar o conceito da FT) que j\u00e1 opera ativamente de dentro da economia da ilha em plena colabora\u00e7\u00e3o com o regime castrista. Entretanto, incrivelmente, a FT n\u00e3o inclui esta \u201cfor\u00e7a\u201d em sua an\u00e1lise e, pior ainda, nem sequer dedica uma consigna espec\u00edfica em seu programa. Por exemplo, expropria\u00e7\u00e3o das empresas imperialistas europeias e canadenses. Estranha forma de combater a restaura\u00e7\u00e3o capitalista que a FT denuncia.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s, no marco de caracterizar que o capitalismo j\u00e1 foi restaurado em Cuba, existe uma disputa entre diversas burguesias imperialistas e a nova burguesia nacional sobre o controle e a participa\u00e7\u00e3o nesse desenvolvimento capitalista<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn8\">[8]<\/a>. O problema mais grave da FT \u00e9 que, para al\u00e9m de fazer uma lista das \u201cfor\u00e7as restauracionistas\u201d, a restaura\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorreu e quem a levou adiante foi o pr\u00f3prio regime castrista.<\/p>\n<p><span class=\"td_btn td_btn_md td_square_btn\"><strong>Agora sim, o imperialismo estadunidense<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Passemos agora \u00e0 quest\u00e3o da a\u00e7\u00e3o do imperialismo estadunidense e da burguesia cubana de Miami, que tanto peso tem nas an\u00e1lises da FT e em sua pol\u00edtica de combater o processo de restaura\u00e7\u00e3o. No caso das correntes que defendem o regime castrista esse passa a ser o \u00fanico inimigo a ser combatido.<\/p>\n<p>Deixemos de lado as profundas contradi\u00e7\u00f5es e debates gerados pela pol\u00edtica para Cuba e que marcaram as oscila\u00e7\u00f5es dos governos Obama, Trump e Biden<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn9\">[9]<\/a>. Para efeito de debate consideremos que este imperialismo de conjunto e a burguesia de origem cubana em Miami agem como um bloco.<\/p>\n<p>Se a defini\u00e7\u00e3o da FT (<em>\u201cEstado oper\u00e1rio burocr\u00e1tico degenerado em processo de restaura\u00e7\u00e3o\u201d<\/em><em>) fosse correta, n\u00e3o ter\u00edamos nenhuma d\u00favida de que esse bloco promoveria a restaura\u00e7\u00e3o capitalista em Cuba. Por que, ent\u00e3o, n\u00e3o faz como os imperialismos europeus e canadense: concordar com o regime castrista e aproveitar a <\/em>\u201cmesa posta\u201d para investimentos estrangeiros que este lhe oferece?<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas caracter\u00edsticas da burguesia cubana de Miami que tem velhas contas n\u00e3o resolvidas com o regime desde que suas propriedades foram expropriadas depois da revolu\u00e7\u00e3o de 1959. Para ela, n\u00e3o se trata de promover a restaura\u00e7\u00e3o capitalista em geral, mas de uma restaura\u00e7\u00e3o que devolva suas propriedades. Relacionado a isto, exigem que, nesse processo, tamb\u00e9m caia o regime castrista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, esse setor integrou-se como parte da burguesia imperialista estadunidense e ganhou um peso eleitoral dominante no Estado da Fl\u00f3rida que, muitas vezes, acaba definindo o resultado final das elei\u00e7\u00f5es nos EUA. Com isso, tem uma grande capacidade de press\u00e3o no sistema pol\u00edtico burgu\u00eas estadunidense, especialmente sobre o Partido Republicano, ainda que tamb\u00e9m sobre o Democrata.<\/p>\n<p><span class=\"td_btn td_btn_md td_square_btn\"><strong>Do que falamos quando falamos de bloqueio?<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Certamente, neste \u00faltimo ponto n\u00e3o temos diferen\u00e7as com a FT. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio especificar v\u00e1rias quest\u00f5es. A primeira \u00e9 que o imperialismo estadunidense s\u00f3 pode agir \u201cde fora\u201d, como uma for\u00e7a externa com pouca capacidade de interven\u00e7\u00e3o \u201cde dentro\u201d nos processos econ\u00f4micos, sociais e pol\u00edticos internos de Cuba.<\/p>\n<p>Ao ter deixado de lado o \u201ccaminho Obama\u201d, pelo menos por enquanto, age essencialmente atrav\u00e9s da manuten\u00e7\u00e3o do bloqueio\/embargo vigente h\u00e1 seis d\u00e9cadas e que o governo de Trump fortaleceu. Dessa forma, busca estrangular a economia cubana e gerar mal estar econ\u00f4mico e pol\u00edtico da popula\u00e7\u00e3o cubana contra o regime castrista.<\/p>\n<p>Neste marco, a segunda quest\u00e3o a especificar \u00e9 que, considerando o mundo em seu conjunto, trata-se de um bloqueio parcial j\u00e1 que, como vimos, diversos pa\u00edses imperialistas investem e comercializam com Cuba, e o mesmo fazem muitos outros pa\u00edses no mundo. Por exemplo, o projeto da Zona Especial de Desenvolvimento do Porto Mariel (realizado pelo regime cubano para atrair investimentos estrangeiros aos quais concede excelentes condi\u00e7\u00f5es) foi constru\u00edda pela empresa brasileira Odebrecht com financiamento do Estado brasileiro atrav\u00e9s do BNDES<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p>Por isso, quando denunciamos o bloqueio estadunidense e chamamos a combat\u00ea-lo, \u00e9 necess\u00e1rio especificar o que estamos exigindo e como essa luta pode ser levada adiante. \u00c9 evidente que n\u00e3o podemos nos juntar ao lamento subjacente do regime castrista porque n\u00e3o entram os investimentos do imperialismo estadunidense, apesar de toda a legisla\u00e7\u00e3o lhes oferecer uma \u201cmesa posta\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1, sim, duas medidas que realmente afetam a economia cubana e o n\u00edvel de vida de seus trabalhadores. A primeira s\u00e3o as restri\u00e7\u00f5es \u00e0s viagens dos estadunidenses a Cuba. O turismo internacional \u00e9 um dos eixos da economia cubana atual e sua principal fonte de divisas estrangeiras. Ent\u00e3o, esta medida afeta as possibilidades de maior entrada de d\u00f3lares para a ilha, e seu efeito negativo foi acentuado com a diminui\u00e7\u00e3o de turistas provenientes da Europa e de outros pa\u00edses do mundo provocada pela pandemia.<\/p>\n<p>A segunda medida de alto impacto s\u00e3o os entraves legais \u00e0s remessas em d\u00f3lares que os cubanos residentes no pa\u00eds do Norte enviam \u00e0s suas fam\u00edlias na Ilha. Vejamos a magnitude desta quest\u00e3o. Calcula-se que nos EUA haja atualmente quase 2.400.000 residentes nascidos em Cuba: uma parte j\u00e1 tem nacionalidade estadunidense e outros receberam permiss\u00e3o para residir e trabalhar. A imigra\u00e7\u00e3o aumentou muito desde 2000, ano em que se estimava um milh\u00e3o de residentes. Ou seja, n\u00e3o se trata da velha grande e pequena burguesia gusana, mas de trabalhadores que tiveram que sair de Cuba pelas condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio econ\u00f4micas do pa\u00eds. S\u00e3o setores majoritariamente jovens e com n\u00edveis de educa\u00e7\u00e3o superiores \u00e0 m\u00e9dia de outras comunidades latinas<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>Estes novos imigrantes enviam dinheiro todos os meses \u00e0s suas fam\u00edlias: <em>\u201cWestern Union disse que envia 2,4milh\u00f5es de d\u00f3lares diariamente a Cuba e estima que transfere anualmente de \u2018900 milh\u00f5es de d\u00f3lares a 1.5 bilh\u00f5es\u2019. As entradas [total] em 2019 foram de aproximadamente 5.3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo divulgado pelo Conselho Econ\u00f4mico e Comercial EUA-Cuba\u201d<\/em><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftn12\">[12]<\/a>. Para ter uma ideia do significado desse acumulado, lembremos que as exporta\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do pa\u00eds foram de 2.1 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2020 e que a renda para o Estado pelos servi\u00e7os dos 15.000 m\u00e9dicos cubanos no exterior representa cerca de 800 milh\u00f5es. V\u00e1rias das medidas tomadas por Donald Trump dificultam, encarecem e, muitas vezes, impossibilitam esses envios de d\u00f3lares para Cuba, diminuindo muito seu volume total.<\/p>\n<p>Ambas as medidas afetam a economia cubana e seu povo. Por isso, quando falamos em combater o bloqueio, acreditamos que devemos nos concentrar na exig\u00eancia ao governo dos EUA de que os estadunidenses possam viajar livremente a Cuba e que os trabalhadores cubanos residentes nos EUA possam enviar suas remessas sem restri\u00e7\u00f5es, para suas fam\u00edlias na Ilha. Al\u00e9m da campanha internacional para isso, \u00e9 essencial chamar os trabalhadores e o povo estadunidense para que assumam essa exig\u00eancia.<\/p>\n<p>Destacado isto, acreditamos ser necess\u00e1rio fazer duas considera\u00e7\u00f5es. A primeira \u00e9 que se analisarmos as quest\u00f5es de fundo (a depend\u00eancia econ\u00f4mica do turismo estrangeiro e, sobretudo, das remessas enviadas por aqueles que se viram obrigados a emigrar para viver e ajudar suas fam\u00edlias) \u00e9 evidente que s\u00e3o muito similares \u00e0 de outros pa\u00edses capitalistas semicolonizados e com sua economia dolarizada, como El Salvador e Equador.<\/p>\n<p><span class=\"td_btn td_btn_md td_square_btn\"><strong>Um beco sem sa\u00edda <\/strong><\/span><\/p>\n<p>A segunda considera\u00e7\u00e3o \u00e9 localizar em sua justa medida o peso do bloqueio estadunidense na atual situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico social e pol\u00edtica cubana. Para n\u00f3s, \u00e9 um elemento real, por\u00e9m complementar, da restaura\u00e7\u00e3o capitalista realizada pelo regime e seus efeitos sobre o n\u00edvel de vida dos trabalhadores e das massas cubanas e a falta de liberdades democr\u00e1ticas que sofrem, as que geraram as recentes mobiliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m mesmo no marco da caracteriza\u00e7\u00e3o que defende, a an\u00e1lise da FT e sua pol\u00edtica frente a elas est\u00e3o equivocadas. Porque tal como Trotsky aponta, frente a um Estado oper\u00e1rio burocratizado (ainda mais se j\u00e1 existe em curso um processo de restaura\u00e7\u00e3o promovido pelo regime) a tarefa central \u00e9 a luta contra a burocracia, na perspectiva de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que expulse essa burocracia do poder. A pr\u00f3pria FT expressa que a principal for\u00e7a restauracionista interna \u00e9 o pr\u00f3prio regime castrista, que deve ser combatido como o inimigo central no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na realidade, \u00e9 um erro falar de \u201cfor\u00e7a restauracionista\u201d porque n\u00e3o \u00e9 um processo em curso, como diz a FT: agora dever\u00edamos definir o regime castrista como uma \u201cfor\u00e7a capitalista\u201d interna respons\u00e1vel pelos planos de austeridade e do avan\u00e7o cada vez maior do processo de coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>Entretanto, ao colocar um sinal equivalente em sua a\u00e7\u00e3o e efeito entre ambas as \u201cfor\u00e7as restauracionistas\u201d (a externa e a interna), a FT entra em um beco sem sa\u00edda em sua caracteriza\u00e7\u00e3o sobre as recentes mobiliza\u00e7\u00f5es. Diz que \u201cas mobiliza\u00e7\u00f5es tiveram um car\u00e1ter contradit\u00f3rio\u201d<\/em><em>: por um lado, \u201cse originaram nos bairros oper\u00e1rios e populares que padecem as car\u00eancias mais urgentes e est\u00e3o esgotando sua engenhosidade para a sobreviv\u00eancia\u201d<\/em><em> (ao mesmo tempo em que os setores m\u00e9dios e altos da burocracia vivem muito melhor). Ou seja, teriam raz\u00f5es mais do que justas para se mobilizarem. Por outro lado, e ao mesmo tempo, \u201cN\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que foram utilizadas pela m\u00eddia e redes sociais financiadas pelos Estados Unidos\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A FT acredita realmente que pode colocar um sinal igual entre as necessidades urgentes dos trabalhadores e das massas (que os levaram a desafiar uma dura repress\u00e3o) e a influ\u00eancia medi\u00e1tica do imperialismo? Isto nos mostra uma alarmante falta de sensibilidade da FT frente a essas necessidades.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o mais importante \u00e9 que, a partir do abandono do que Trotsky expressou, n\u00e3o entende as etapas que podem ocorrer em um processo de revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que dizem defender e promover. Porque em suas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es, \u00e9 inevit\u00e1vel que haja confus\u00e3o pol\u00edtica entre os trabalhadores e as massas. O fator b\u00e1sico dessa confus\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a influ\u00eancia medi\u00e1tica do imperialismo, mas o fato de que o regime burocr\u00e1tico apresenta a dura realidade cubana atual (as car\u00eancias urgentes, o fato de que para muitos trabalhadores a \u00fanica sa\u00edda \u00e9 emigrar para os EUA, a falta de liberdades, o n\u00edvel de vida dos burocratas\u2026) como \u201csocialismo\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, inevitavelmente, nessas primeiras manifesta\u00e7\u00f5es de uma revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica haver\u00e1 confus\u00e3o e \u201ccontradi\u00e7\u00f5es\u201d, e a propaganda hip\u00f3crita e repugnante do imperialismo pode encontrar base. Mas um trotskista n\u00e3o pode se confundir nesta situa\u00e7\u00e3o que caracteriza a FT . Em meio a essa confus\u00e3o inicial e a essas \u201ccontradi\u00e7\u00f5es\u201d das massas, deve compreender a ess\u00eancia do processo e, como Trotsky indicava, defender e impulsionar a revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica como a tarefa principal que propomos aos trabalhadores e \u00e0s massas cubanas.<\/p>\n<p>Mas a FT entrou num beco sem sa\u00edda: como se localizar frente \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es que s\u00e3o justas e combatem um dos inimigos (o regime castrista) mas, ao mesmo tempo, s\u00e3o reacion\u00e1rias e servem ao outro inimigo (o imperialismo estadunidense e a burguesia gusana de Miami)?\u00a0 Diante disso, a FT adota uma posi\u00e7\u00e3o abstencionista. Lemos e relemos os artigos recentes sobre Cuba e n\u00e3o encontramos uma s\u00f3 orienta\u00e7\u00e3o concreta sobre o que um militante da FT deveria fazer diante destas mobiliza\u00e7\u00f5es (ou o que propor aos lutadores independentes). Deveriam impulsionar e participar delas, e nesse marco disputar seu programa ou, pelo contr\u00e1rio, combat\u00ea-las e chamar a n\u00e3o participar?<\/p>\n<p><em>Uma pol\u00edtica trotskista frente a Cuba (no marco da caracteriza\u00e7\u00e3o que faz a FT) deve partir do apoio claro \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es e da perspectiva estrat\u00e9gica de \u201cesmagar a burocracia\u201d<\/em><em>. Ao inv\u00e9s disso, e para evitar esta defini\u00e7\u00e3o, a FT nos apresenta uma proposta ultra propagandista: \u201c\u00e9 preciso levantar um programa que parta da luta contra o bloqueio e das demandas mais sentidas e urgentes das amplas massas\u2026\u201d<\/em><em>.<\/em><\/p>\n<p>Como dissemos, \u00e9 um abandono da pol\u00edtica levantada por Trotsky, e essa posi\u00e7\u00e3o abstencionista da FT (e suas omiss\u00f5es) frente \u00e0s mobiliza\u00e7\u00f5es reais que ocorreram, acaba sendo uma pol\u00edtica que favorece o regime castrista.<\/p>\n<p>Por\u00e9m h\u00e1 algo pior, que j\u00e1 se localiza no terreno dos princ\u00edpios: a FT n\u00e3o apenas n\u00e3o apoia as mobiliza\u00e7\u00f5es, mas quase que n\u00e3o denuncia a repress\u00e3o presente do regime castrista. De modo especial, n\u00e3o est\u00e1 impulsionando (ou aderindo) a uma campanha internacional pela liberdade de muitos presos que foram detidos pela repress\u00e3o do regime, na mobiliza\u00e7\u00e3o e depois dela. Por exemplo, n\u00e3o o faz na Argentina, onde tem sua principal for\u00e7a (o PTS) e seus parlamentares n\u00e3o impulsionaram um pronunciamento nos diferentes \u00e2mbitos legislativos em que participam. Em plena campanha eleitoral no pa\u00eds, com espa\u00e7o na m\u00eddia, seus candidatos nem sequer mencionam a quest\u00e3o. \u00c9 necess\u00e1rio que mudem esta atitude.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a name=\"_ftn1\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0Sobre esta quest\u00e3o, recomendamos ler, entre outros artigos publicados neste site:\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/debate-com-os-dirigentes-cubanos-no-forum-social-mundial\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/debate-com-os-dirigentes-cubanos-no-forum-social-mundial\/<\/a>\u00a0e a declara\u00e7\u00e3o da LIT-CI em\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/todo-apoio-a-luta-do-povo-cubano\/<\/p>\n<p>[2] Ver: https:\/\/www.laizquierdadiario.com\/Cuba-causas-y-consecuencias-del-11-de-julio, e outros artigos sobre Cuba publicados nessa p\u00e1gina.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn3\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0Sobre este livro, em especial seu cap\u00edtulo IX (\u201cO que \u00e9 a URSS?\u201d), tomamos a vers\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fundacionfedericoengels.net\/images\/PDF\/La%20revolucion%20traicionada.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.fundacionfedericoengels.net\/images\/PDF\/La%20revolucion%20traicionada.pdf<\/a><\/p>\n<p>[4] Ver, entre outros artigos publicados neste site, \u201cCentenario del Partido Comunista Chino: de la revoluci\u00f3n a la dictadura capitalista\u201d en https:\/\/litci.org\/es\/66396-2\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn5\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0Ver, entre outros artigos publicados neste site:\u00a0 https:\/\/litci.org\/es\/el-veredicto-de-la-historia\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn6\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Ver artigo da nota 1.<\/p>\n<p><a name=\"_ftn7\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref7\">[7]<\/a>\u00a0Tomado de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1938\/prog-trans.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marxists.org\/espanol\/trotsky\/1938\/prog-trans.htm<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn8\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0Sobre esta quest\u00e3o ver o artigo \u201cCuba \u2013 O bloqueio e a restaura\u00e7\u00e3o capitalista. Um debate\u201d en\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/64633-2\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn9\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref9\">[9]<\/a>\u00a0Sobre esta quest\u00e3o, recomendamos ler os artigos:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/sobre-a-visita-de-obama-a-cuba\/\u00a0e \u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/cuba-o-significado-do-dia-zero\/<\/p>\n<p><a name=\"_ftn10\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref10\">[10]<\/a>\u00a0Sobre esta quest\u00e3o ver:\u00a0<a href=\"http:\/\/www.zedmariel.com\/es\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.zedmariel.com\/es<\/a>\u00a0y\u00a0<a href=\"https:\/\/diariodecuba.com\/internacional\/1577055460_7967.html?__cf_chl_jschl_tk__=pmd_153f8059117aac8ccff6190cce734ab9c6eedf25-1628532318-0-gqNtZGzNAfijcnBszQjO\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/diariodecuba.com\/internacional\/1577055460_7967.html?__cf_chl_jschl_tk__=pmd_153f8059117aac8ccff6190cce734ab9c6eedf25-1628532318-0-gqNtZGzNAfijcnBszQjO<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn11\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.radiotelevisionmarti.com\/a\/lo-que-se-sabe-de-la-poblaci%C3%B3n-cubana-en-estados-unidos\/247886.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.radiotelevisionmarti.com\/a\/lo-que-se-sabe-de-la-poblaci%C3%B3n-cubana-en-estados-unidos\/247886.html<\/a><\/p>\n<p><a name=\"_ftn12\"><\/a><a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/66633-2\/#_ftnref12\">[12]<\/a>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/article\/cuba-eeuu-remesas-idESKBN2832PF\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.reuters.com\/article\/cuba-eeuu-remesas-idESKBN2832PF<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As recentes mobiliza\u00e7\u00f5es populares em Cuba geraram um debate muito polarizado na esquerda mundial.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64648,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1182,49],"tags":[1551,4192,4193,4131,3869],"class_list":["post-64645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cuba","category-polemica","tag-alejandro-iturbe","tag-dia-de-lutas-e-protestos","tag-francao-trotskista","tag-protestos-cuba","tag-pts-argentina"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/Cuba-3-1.jpg","categories_names":["Cuba","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64645\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}