{"id":64507,"date":"2021-07-21T14:24:40","date_gmt":"2021-07-21T17:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64507"},"modified":"2021-07-21T14:24:40","modified_gmt":"2021-07-21T17:24:40","slug":"fome-virus-e-desemprego-a-situacao-da-mulher-negra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/21\/fome-virus-e-desemprego-a-situacao-da-mulher-negra-no-brasil\/","title":{"rendered":"Fome, v\u00edrus e desemprego: a situa\u00e7\u00e3o da mulher negra no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>Os n\u00fameros mostram que, quando se fala sobre fome ou viol\u00eancia contra as mulheres, as negras s\u00e3o as mais afetadas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div id=\"attachment_64508\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-64508\" class=\"wp-image-64508 size-thumbnail\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/veraluciapstu-671x420-1-150x150.gif\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><p id=\"caption-attachment-64508\" class=\"wp-caption-text\">Vera L\u00facia<\/p><\/div>\n<p>Esse quadro cr\u00f4nico do capitalismo foi agravado pela pandemia do novo coronav\u00edrus e pela pol\u00edtica do governo de ultradireita de Jair Bolsonaro. Transformando a vida das mulheres negras mais pobres num verdadeiro flagelo.<\/p>\n<p>Pela primeira vez na hist\u00f3ria, mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o tem comida em casa. S\u00e3o 116, 8 milh\u00f5es de pessoas que saem todos os dias em busca de qualquer coisa para fazer a fim de ganhar algum dinheiro e levar alguma comida para casa, \u00e9 a chamada inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Dentre essas pessoas, quase 20 milh\u00f5es n\u00e3o tem o que comer e dependem exclusivamente da solidariedade das pessoas e de algum aux\u00edlio do governo para se alimentar.<\/p>\n<p>Nessa agonia di\u00e1ria, se encontram principalmente as mulheres negras e seus filhos. Dados confirmam que 40% dos lares brasileiros s\u00e3o chefiados por mulheres, dentre esses, a maioria \u00e9 chefiada por mulheres negras, vitimadas pelo sistema capitalista, pelo racismo e machismo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>As imagens e not\u00edcias das periferias, comunidades e favelas s\u00e3o geralmente sobre suas trag\u00e9dias. Nas not\u00edcias sobre a fome, sempre tem a imagem e o depoimento de uma mulher negra. Sendo jovem, carrega nos bra\u00e7os ou segura a m\u00e3o de uma ou mais crian\u00e7as. Seus lares, quando mostrados, s\u00e3o pequenos com pouca mob\u00edlia, geralmente doadas por algu\u00e9m, e a geladeira vazia\u2026<\/p>\n<p>Quando a not\u00edcia \u00e9 sobre despejos, l\u00e1 est\u00e3o novamente as mulheres correndo com seus filhos fugindo da repress\u00e3o policial, vendo suas poucas coisas amealhadas sendo destro\u00e7adas, humilhadas, desnorteadas e em prantos. Quando a not\u00edcia \u00e9 de viol\u00eancia machista, feminic\u00eddios, s\u00e3o as mulheres negras que s\u00e3o espancadas e assassinadas pelos maridos, namorados, companheiros, ex-companheiros majoritariamente.<\/p>\n<p>Se a fome e a pobreza no Brasil tivessem um rosto, ele seria o de uma mulher negra.<\/p>\n<p>S\u00e3o essas mesmas mulheres que trabalham nos piores servi\u00e7os, recebem os menores sal\u00e1rios, nos trabalhos informais e no desemprego.<\/p>\n<p>Segundo dados da PNAD\/COVID-19, realizada pelo IBGE, entre os meses de maio a setembro de 2020, foram demitidas 1,7 milh\u00f5es de mulheres, sendo a maioria negras.<\/p>\n<p>Fora das periferias, as encontramos nas ruas vendendo de tudo. As encontramos nas f\u00e1bricas, principalmente nas fun\u00e7\u00f5es de alta rotatividade; nos servi\u00e7os de limpeza das empresas; como trabalhadoras dom\u00e9sticas; como professoras de ensino b\u00e1sico; e nos\u00a0call centers. Na verdade, encontramos as mulheres negras em qualquer trabalho que pague pouco, trabalhe muito e n\u00e3o exija o padr\u00e3o de beleza convencional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-64510\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1029\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1.jpg 1536w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-768x515.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-696x466.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/fome3-scaled-1-1536x1029-1-1068x715.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px\" \/><\/p>\n<p><strong>O capitalismo \u00e9 irracional e nos condena a fome<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo quando trabalham, isso n\u00e3o significa que consigam alimentar bem a si e sua fam\u00edlia. Dia 14 de julho, o G1 transmitiu a mat\u00e9ria da TV Gazeta de Alagoas aonde uma mulher negra idosa \u2013 aposentada, mas que continua trabalhando \u2013 chora no supermercado porque o dinheiro que recebe, diante da infla\u00e7\u00e3o galopante dos pre\u00e7os dos alimentos, n\u00e3o d\u00e1 para comprar o que ela precisa levar para casa.<\/p>\n<blockquote class=\"twitter-tweet\" data-width=\"500\" data-dnt=\"true\">\n<p lang=\"pt\" dir=\"ltr\">Idosa chora em supermercado ao comentar alta nos pre\u00e7os: &#39;&quot;a gente n\u00e3o consegue comprar mais carne&quot; <a href=\"https:\/\/t.co\/w71RkVC4M6\">pic.twitter.com\/w71RkVC4M6<\/a><\/p>\n<p>&mdash; bnewsvideos (@bnewsvideos) <a href=\"https:\/\/twitter.com\/bnewsvideos\/status\/1415687865015623682?ref_src=twsrc%5Etfw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">July 15, 2021<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><script async src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/widgets.js\" charset=\"utf-8\"><\/script><\/p>\n<p>Essa imagem da mulher chorando no meio da fartura de alimentos que ela n\u00e3o pode levar para alimentar a sua fam\u00edlia \u00e9 o quadro que demonstra bem a natureza do sistema capitalista: a fome que ronda e que mata lentamente milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o \u00e9 por falta de comida, mas sim porque as pessoas n\u00e3o t\u00eam nenhum dinheiro ou t\u00eam pouco para trocar (comprar) por comida. Isso porque os alimentos, assim como tudo que \u00e9 produzido no capitalismo, est\u00e3o destinados \u00e0 venda para obten\u00e7\u00e3o de lucro.<\/p>\n<p>Exatamente por isso, no Brasil, enquanto o povo \u2013 sobretudo os mais pobres \u2013 passam fome, s\u00e3o criados 214,7 milh\u00f5es de bovinos; das 16,3 milh\u00f5es de vacas ordenhadas, resultaram em 34,8 bilh\u00f5es de litros de leite. 4,6 bilh\u00f5es de d\u00fazias de ovos. 249,1 milh\u00f5es de galinhas e frangos, 40, 6 milh\u00f5es de cabe\u00e7as de su\u00ednos. A popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 de 212 milh\u00f5es de pessoas (dados IBGE\/2020). Ou seja, tem carne de sobra no pa\u00eds, h\u00e1 mais gado e frango do que gente, e tem leite que d\u00e1 at\u00e9 para tomar banho. Toda essa abund\u00e2ncia de um lado, enquanto metade da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem o que comer. Isso \u00e9 o capitalismo.<\/p>\n<p>Em maio desse ano, dois jovens negros (tio e sobrinho) foram assassinados com requintes de crueldades, em Salvador, por furto de carne num supermercado. A m\u00e3e de um deles declarou aos prantos que o seu filho morreu com fome e que s\u00f3 conseguiu identific\u00e1-lo pelas m\u00e3os porque o seu rosto ficou totalmente desfigurado. Assim s\u00e3o tratados os que sentem fome e n\u00e3o t\u00eam dinheiro para comprar alimentos.<\/p>\n<p>Os alimentos expostos \u00e0 venda s\u00e3o propriedade privada das redes de supermercados, assim como a cria\u00e7\u00e3o de animais em larga escala \u00e9 propriedade privada dos produtores destinados \u00e0 venda, prioritariamente para o mercado exterior, porque seus propriet\u00e1rios recebem em d\u00f3lar, moeda mais valorizadas do que o real.<\/p>\n<p>O abastecimento do mercado interno \u00e9 secundarizado. Isso significa que, para acabar com a fome, \u00e9 necess\u00e1rio acabar com a propriedade privada sobre os alimentos para que eles cumpram a fun\u00e7\u00e3o social de alimentar a fome, e n\u00e3o de alimentar o lucro de um punhado de burgueses.<\/p>\n<p>Numa sociedade onde a propriedade e o lucro v\u00eam antes das necessidades humanas n\u00e3o serve para a imensa maioria da humanidade, mas apenas favorece um punhado de propriet\u00e1rios endinheirados que tem acesso a tudo e s\u00e3o privilegiados acima de todos, passando por cima da vida e das necessidades da classe trabalhadora e dos mais pobres, onde se encontram a maioria das mulheres negras.<\/p>\n<p><strong>O machismo mata<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com mais de 1\/3 dos estados brasileiros n\u00e3o tendo divulgado a cor e a ra\u00e7a das mulheres, 75% das mulheres assassinadas no Brasil s\u00e3o negras, segundo o Monitor da Viol\u00eancia. 1.890 mulheres foram assassinadas nos primeiros seis meses de 2020, sendo 631 feminic\u00eddios. Os registros de espancamentos e estupros diminu\u00edram nesse mesmo per\u00edodo por causa da pandemia. Per\u00edodo em que as v\u00edtimas estavam muito tempo pr\u00f3ximas de seus agressores em raz\u00e3o do isolamento social, mesmo que parcial.<\/p>\n<p>Os dados e as not\u00edcias apenas evidenciam a viol\u00eancia di\u00e1ria em que as mulheres negras s\u00e3o submetidas.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia machista se manifesta nas agress\u00f5es, na falta de divis\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas e no abandono dos filhos. Enquanto a sociedade cobra das mulheres o cuidado com os filhos, criminaliza o aborto, n\u00e3o disponibiliza condi\u00e7\u00f5es para protegerem as mulheres de seus agressores devidamente. Por ser uma sociedade machista, protege a viol\u00eancia praticada, desde a mais corriqueira at\u00e9 as mais b\u00e1rbaras, como os assassinatos e estupros praticados contra as mulheres.<\/p>\n<p>Mesmo o homem negro trabalhador, pobre, v\u00edtima do mesmo racismo e explora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m carrega consigo a ideologia machista, que oprime e mata as mulheres. Essa ideologia no interior da classe trabalhadora precisa ser combatida com rigor para que tenhamos uma rela\u00e7\u00e3o fraterna e de solidariedade, e n\u00e3o de medo e submiss\u00e3o entre n\u00f3s. Essa unidade entre os explorados \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o para sua unidade e fortalecimento dos la\u00e7os no combate \u00e0 classe dominante por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de uma sociedade livre de explora\u00e7\u00e3o e opress\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso da mulher negra, tem um agravante maior pelo fato de carregar as consequ\u00eancias de mais de tr\u00eas s\u00e9culos de escravid\u00e3o e de uma aboli\u00e7\u00e3o sem repara\u00e7\u00e3o. V\u00edtima do racismo e do machismo, essa mulher concorre em condi\u00e7\u00f5es desiguais no mercado capitalista onde \u201ca carne mais barata do mercado \u00e9 a carne\u201d da mulher negra.<\/p>\n<p>Numa sociedade assim, as mulheres negras t\u00eam muito mais dificuldade de organiza\u00e7\u00e3o, mas s\u00e3o tamb\u00e9m as que mais precisam se organizar. Exatamente por essa realidade, as encontramos com presen\u00e7a marcante nas ocupa\u00e7\u00f5es por moradia, nas greves das f\u00e1bricas de maioria de mulheres, nas manifesta\u00e7\u00f5es que tem a presen\u00e7as das periferias e favelas. S\u00e3o tamb\u00e9m as mais valentes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de serem cortejadas para a coopta\u00e7\u00e3o, seja por empresas ou pelo reformismo, com suas promessas e vasta propaganda de empreendedorismo individual e com as velhas frases do liberalismo\u00a0 capitalista do tipo \u201cbasta ter for\u00e7a de vontade, muito esfor\u00e7o, talento,\u00a0 s\u00f3 com educa\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel resolver o problema da desigualdade\u201d etc. Quando todos os pobres sabem, principalmente as mulheres, que \u00e9 na solidariedade e na coletividade que tudo se resolve.<\/p>\n<p>Mais do que educa\u00e7\u00e3o ou qualquer outra coisa, mediante necessidades t\u00e3o profundas e t\u00e3o b\u00e1sicas, o Brasil precisa de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista que se espalhe pela Am\u00e9rica Latina e envolva o mundo inteiro. O trabalho e a alimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es humana irrenunci\u00e1veis. Como dissera o revolucion\u00e1rio russo, Leon Trotsky, \u201cse o capitalismo \u00e9 incapaz de satisfazer as reivindica\u00e7\u00f5es que surgem infalivelmente dos males que ele mesmo engendrou, que morra!\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros mostram que, quando se fala sobre fome ou viol\u00eancia contra as mulheres, as negras s\u00e3o as mais afetadas.<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":64509,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[121,3493,3501],"tags":[4144,4145,4146,1238],"class_list":["post-64507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil","category-mulheres","category-negras-os","tag-julho-das-pretas","tag-mulher-negra","tag-opressao-mulher-negra","tag-vera-lucia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/FF_Desocupacao-terreno-favela-Mangueira-Rio-de-Janeiro_01006052016-696x464-1.jpg","categories_names":["Brasil","Mulheres","Negras\/os"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64509"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}