{"id":64490,"date":"2021-07-20T11:51:42","date_gmt":"2021-07-20T14:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64490"},"modified":"2021-07-20T11:51:42","modified_gmt":"2021-07-20T14:51:42","slug":"64490-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/20\/64490-2\/","title":{"rendered":"Argentina| A esquerda frente \u00e0s pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><em>O debate da forma\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as e listas est\u00e1 no centro do cen\u00e1rio do conjunto dos partidos em geral e dos de esquerda em particular. E com o in\u00edcio das elei\u00e7\u00f5es em algumas prov\u00edncias, como Jujuy, as pol\u00eamicas se reaquecem. Propostas de todo tipo e cor enchem os sites web e p\u00e1ginas das imprensas partid\u00e1rias, sem ir aos debates centrais que, em nossa opini\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o atual excepcional do mundo exige. Neste artigo apresentaremos nossa postura sobre as pol\u00eamicas desencadeadas e tamb\u00e9m as quest\u00f5es centrais que lamentavelmente est\u00e3o sendo omitidas.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Por: PSTU Argentina<\/em><\/p>\n<p>A quest\u00e3o da unidade da esquerda sempre faz parte da pr\u00e9via \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de listas, e sempre se repete a briga por quem permanece como mais unit\u00e1rio e consegue agradar \u00e0queles que simpatizam com a esquerda em geral. A forma\u00e7\u00e3o de listas para as elei\u00e7\u00f5es que ser\u00e3o realizadas em Salta em 15 de agosto prenuncia um poss\u00edvel cen\u00e1rio nacional com dois espa\u00e7os de esquerda que se reivindicam seguidores do trotskismo, a j\u00e1 instalada Frente de Esquerda dos Trabalhadores \u2013 Unidade (FIT-U) e a poss\u00edvel frente Tend\u00eancia Partido Oper\u00e1rio (TPO) \/ Novo MAS. Toda a discuss\u00e3o da unidade, neste caso, gira em torno destes espa\u00e7os, que tamb\u00e9m n\u00e3o tem uma postura comum.<\/p>\n<p>Dentro da FIT-U, o Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) e o Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST) assumem a ofensiva da bandeira da \u201cunidade\u201d propondo, com matizes nas formula\u00e7\u00f5es, uma grande elei\u00e7\u00e3o de Prim\u00e1rias, Abertas, Simult\u00e2neas e Obrigat\u00f3rias (PASO) de toda a esquerda. O Partido Oper\u00e1rio (PO) recha\u00e7a as PASO, prop\u00f5e um Congresso da FIT-U no qual seriam convidados todos os agrupamentos que defendem a independ\u00eancia de classe e se esquiva de dizer se admitiria um espa\u00e7o comum com sua recente ruptura (a TPO). Esquerda Socialista (IS) se localiza na defesa da FIT como conquista e chama para ampli\u00e1-la, por\u00e9m sem PASO.<\/p>\n<p>Por sua parte, a TPO tamb\u00e9m prop\u00f5e PASO, por\u00e9m diz \u201coper\u00e1rias e socialistas\u201d, onde cada partido dispute pelo seu programa, enquanto que o Novo MAS, que em 2019 reclamava com \u00e2nsias as internas abertas de toda a esquerda, agora diz que o necess\u00e1rio \u00e9 a unidade nas lutas, enquanto realiza colagem de cartazes eleitorais e uma proposta de debate p\u00fablico dirigida s\u00f3 ao PTS.<\/p>\n<p>A recente elei\u00e7\u00e3o de Jujuy, na qual a TPO chamou para votar em branco, tornou as pol\u00eamicas mais apimentadas, e os ep\u00edtetos e adjetivos est\u00e3o na ordem do dia. Entretanto, n\u00e3o deixam de ser discuss\u00f5es no marco do que ficaria melhor para cada uma das correntes para medir suas for\u00e7as ou conseguir um \u201cmelhor lugar\u201d e n\u00e3o de diferentes programas em conflito.<\/p>\n<p><strong>Elei\u00e7\u00f5es e programa<\/strong><\/p>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-64491\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Argentina.jpg\" alt=\"\" width=\"681\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Argentina.jpg 681w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Argentina-300x169.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Argentina-150x84.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s do PSTU frequentemente debatemos com as diferentes correntes de esquerda pelo seu eleitoralismo e adapta\u00e7\u00e3o ao regime democr\u00e1tico burgu\u00eas. Entretanto, isto n\u00e3o quer dizer que, para n\u00f3s, como marxistas que somos, as elei\u00e7\u00f5es n\u00e3o sejam importantes: mesmo sendo o terreno do inimigo, com regras impostas por este, s\u00e3o uma oportunidade muito importante para difundir o programa revolucion\u00e1rio para amplas camadas da popula\u00e7\u00e3o, de propor outro modelo de pa\u00eds e como conseguir e, nesse marco, disputar o voto dos trabalhadores para que n\u00e3o apoiem variantes patronais.<\/p>\n<p>Isto em uma situa\u00e7\u00e3o mundial como a atual, onde os efeitos da fase imperialista do capitalismo mostram toda sua crueza em forma de genoc\u00eddio contra o povo trabalhador. E em uma situa\u00e7\u00e3o nacional onde o mecanismo eleitoral n\u00e3o \u00e9 recha\u00e7ado por amplos setores do povo trabalhador, adquire uma maior transcend\u00eancia porque apresenta o desafio e a oportunidade de apresentar a amplos setores um programa revolucion\u00e1rio, de sa\u00edda oper\u00e1ria e socialista, como \u00fanica op\u00e7\u00e3o real para evitar a continuidade do genoc\u00eddio capitalista.<\/p>\n<p>O fracasso do capitalismo est\u00e1 na ordem do dia e a bandeira da rebeldia antissistema n\u00e3o pode ser dada aos setores da ultradireita ou liberais, fen\u00f4meno que se verifica em v\u00e1rios lugares do mundo, ao qual nosso pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 completamente alheio, ainda que seja muito minorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em nossa opini\u00e3o, para isso \u00e9 necess\u00e1rio dizer as coisas como s\u00e3o, sem eufemismos. Dizer que n\u00e3o \u00e9 no parlamento que os problemas dos trabalhadores ser\u00e3o resolvidos. Ter deputados e apresentar projetos de lei \u00e9 \u00fatil se forem em fun\u00e7\u00e3o de desmascarar o regime e os partidos patronais. Por\u00e9m para conseguir o que precisamos, temos que fazer uma revolu\u00e7\u00e3o, que n\u00f3s trabalhadores e trabalhadoras tomemos os destinos do pa\u00eds em nossas m\u00e3os, passando por cima das atuais dire\u00e7\u00f5es e impulsionando a a\u00e7\u00e3o direta, organizando a autodefesa, n\u00e3o com a perspectiva de obter s\u00f3 tal ou qual conquista, mas construir as ferramentas necess\u00e1rias para a tomada do poder como objetivo.<\/p>\n<p>Dizer tamb\u00e9m que, embora circunstancialmente mulheres de diferentes classes sociais possam estar em unidade de a\u00e7\u00e3o por alguma demanda concreta, nisso n\u00e3o h\u00e1 nenhuma \u201csororidade\u201d nem irmandade com as mulheres da burguesia, porque elas s\u00e3o parte das que tamb\u00e9m nos exploram todos os dias e aumentam seus lucros com nossa opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Certamente \u00e9 necess\u00e1rio fazer todas as propostas da melhor forma realista e o mais compreens\u00edvel poss\u00edvel, por\u00e9m isso n\u00e3o pode ser confundido com \u201clavar\u201d o programa, para ser mais aceit\u00e1vel e manter e\/ou aumentar eleitores, como o conjunto das for\u00e7as de esquerda que hoje debatem a unidade vem fazendo. Por isso, se o PSTU tivesse legalidade, seguindo os ensinamentos de Lenin, provavelmente nos apresentar\u00edamos sozinhos com o perfil que desenvolvemos aqui.<\/p>\n<p><strong>Um polo de independ\u00eancia de classe<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, ainda que com limita\u00e7\u00f5es no perfil e na apresenta\u00e7\u00e3o do programa que o conjunto dos partidos legais de esquerda tem hoje, \u00e9 muito importante que diante das variantes patronais haja uma alternativa de independ\u00eancia de classe para os trabalhadores e trabalhadoras . E nesse sentido, seria muito melhor para disputar esse voto pela independ\u00eancia de classe que se concentre em uma s\u00f3 alternativa. Mais ainda, n\u00e3o havendo diferen\u00e7as de fundo entre as for\u00e7as que hoje tem legalidade no programa a ser levantado, como se v\u00ea no centro dos debates que est\u00e3o sendo realizados, nos quais o conte\u00fado do programa n\u00e3o aparece como um debate central e tudo \u00e9 reduzido \u00e0s propostas que mais conv\u00e9m a cada for\u00e7a para manter ou aumentar seus lugares.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s a disputa de aparato n\u00e3o justifica a divis\u00e3o e por isso seria melhor que ao inv\u00e9s de gastar energia e p\u00e1ginas e mais p\u00e1ginas nestes debates e depois em \u201cmedir\u201d as for\u00e7as de esquerda, apresentar uma lista unificada que inclua o conjunto das for\u00e7as, as legais e as que n\u00e3o t\u00eam legalidade ainda, a partir de pontos de acordo e com independ\u00eancia total de cada for\u00e7a para realizar sua campanha com seu pr\u00f3prio programa.<\/p>\n<p><strong>As PASO n\u00e3o s\u00e3o admiss\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>Para a forma\u00e7\u00e3o de tal lista unit\u00e1ria nos parece inaceit\u00e1vel a utiliza\u00e7\u00e3o das PASO que hoje o PTS, o MTS e a TPO prop\u00f5em, e essa discuss\u00e3o \u00e9 uma prova a mais das limita\u00e7\u00f5es dos espa\u00e7os que podem ser formados. De nossa perspectiva utilizar como ferramenta as PASO estabelecidas e feitas a servi\u00e7o da recomposi\u00e7\u00e3o do regime democr\u00e1tico burgu\u00eas em nosso pa\u00eds, \u00e9 uma mostra da adapta\u00e7\u00e3o a tal regime e seria um erro muito grande, como foi em 2015, utilizar tal mecanismo ao inv\u00e9s de utilizar os mecanismos da democracia oper\u00e1ria para a montagem de listas.<\/p>\n<p><strong>O que propomos<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s do PSTU sustentamos, como temos feito em elei\u00e7\u00f5es anteriores, que a lista de uma alternativa de independ\u00eancia de classe deveria ser formada com os m\u00e9todos da mesma: assembleias por zona ou setor e um crit\u00e9rio de representatividade. N\u00e3o com os mecanismos da democracia burguesa ou do aparato.<\/p>\n<p>O protagonismo deveria ser das lutas recentes ou em curso, como por exemplo, os \u201celefantes\u201d da Sa\u00fade de Neuqu\u00e9n, da luta de Guernica, das f\u00e1bricas que est\u00e3o em conflito. O perfil dos candidatos e candidatas deveria ser bem oper\u00e1rio, aproveitando as refer\u00eancias da classe que fazem parte dos partidos de esquerda, como \u00e0s vezes se expressa em algumas listas provinciais, como a recente de Jujuy, mas n\u00e3o nas principais refer\u00eancias nacionais. As lutas das mulheres, da juventude e do conjunto dos setores oprimidos tem que se expressar com for\u00e7a, a partir de uma perspectiva de classe bem n\u00edtida.<\/p>\n<p>Nesse sentido, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio que os lutadores e lutadoras perseguidos pelo Estado burgu\u00eas como forma de defesa, tenham um lugar de destaque, por isso propomos nossos companheiros Sebasti\u00e1n Romero e Daniel Ruiz para lugares importantes nas listas, como tamb\u00e9m deveriam ter Cesar Arakaki e Dimas Ponce, e outros lutadores perseguidos, para dar continuidade na campanha eleitoral \u00e0s reivindica\u00e7\u00f5es unit\u00e1rias por liberdade e absolvi\u00e7\u00e3o em que s\u00e3o protagonistas e que a campanha eleitoral esteja a servi\u00e7o das lutas em curso, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate da forma\u00e7\u00e3o de alian\u00e7as e listas est\u00e1 no centro do cen\u00e1rio do conjunto dos partidos em geral e dos de esquerda em particular. E com o in\u00edcio das elei\u00e7\u00f5es em algumas prov\u00edncias, como Jujuy, as pol\u00eamicas se reaquecem. 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