{"id":64438,"date":"2021-07-13T16:09:03","date_gmt":"2021-07-13T19:09:03","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64438"},"modified":"2021-07-13T16:09:03","modified_gmt":"2021-07-13T19:09:03","slug":"eva-peron-e-os-direitos-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/13\/eva-peron-e-os-direitos-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Eva Per\u00f3n e os direitos das mulheres"},"content":{"rendered":"<p><strong>69 anos ap\u00f3s sua morte<\/strong><\/p>\n<p><em>Muito se tem falado nos \u00faltimos tempos sobre o &#8220;feminismo&#8221; de Eva Per\u00f3n e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de mulheres argentinas levantam suas bandeiras com a figura de &#8220;Evita&#8221; em cada luta. \u00c9 verdade que Eva lutou contra a opress\u00e3o machista? \u00c9 a justi\u00e7a social peronista que deve nortear as pr\u00f3ximas lutas?<\/em><!--more--><\/p>\n<p>Por: Secretaria de Mulheres &#8211; \u201cLucha Mujer\u201d, PSTU Argentina<\/p>\n<p>N\u00f3s, mulheres de todo o mundo, temos protagonizado lutas heroicas para conquistar ou defender nossos direitos contra os ataques do capitalismo, que usa o machismo contra n\u00f3s das formas mais brutais.<\/p>\n<p>A Argentina foi vanguarda desde 2015 e foi vista como refer\u00eancia por milhares de mulheres que hoje ocupam o seu lugar em cada luta para melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida e de seus companheiros de trabalho, participando das primeiras linhas de combate na Col\u00f4mbia ou no Chile, e sofrendo as repres\u00e1lias dos estados contra quem se atreve a lutar. Essas lutas obrigaram os partidos pol\u00edticos a se posicionarem sobre a quest\u00e3o das mulheres, reorganizando suas pr\u00e1ticas e at\u00e9 incorporando a defesa de seus direitos em seus discursos.<\/p>\n<p>Em v\u00e1rias mobiliza\u00e7\u00f5es ouvimos <em>\u201c\u00c0 companheira Evita \/ Queremos reivindicar \/ P\u00e1tria justa e soberana \/ feminista e popular \/ Eva Per\u00f3n, teu cora\u00e7\u00e3o \/ Nos acompanha sem cessar \/ Te prometemos com paix\u00e3o \/ N\u00e3o vamos parar de lutar \u201d[<\/em>1]. Por\u00e9m, hoje, a principal refer\u00eancia peronista \u00e9 a ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Fern\u00e1ndez. Durante 12 anos de kirchnerismo, a viol\u00eancia machista aumentou significativamente, sem quaisquer medidas de fundo para combat\u00ea-la, provocando o 3J em 2015. Os \u00edndices de pobreza e de precariza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino aumentaram enormemente, e ela declarou ser contra a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto.<\/p>\n<p>Mas na oposi\u00e7\u00e3o ao governo Macri, Cristina tomou o aborto legal como um cavalinho de batalha, colocando no bolso as lideran\u00e7as do movimento feminista, por exemplo, o coletivo \u201c<em>Ni Una a Menos<\/em>\u201d, que se referenciou na a ex-presidente e passou a levantar a bandeira de Eva paralelamente com essa identifica\u00e7\u00e3o com Cristina. De que bandeiras peronistas e feministas estamos falando?<\/p>\n<p><strong>Per\u00f3n no Governo, Evita para sustent\u00e1-lo<\/strong><\/p>\n<p>Muitas foram as conquistas alcan\u00e7adas durante o governo de Per\u00f3n (1946-1955), ap\u00f3s anos de luta dos trabalhadores e de suas organiza\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m de um contexto favor\u00e1vel para melhorar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social do povo trabalhador, Per\u00f3n tamb\u00e9m viu neste povo a oportunidade de construir uma base social e eleitoral pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Anteriormente, figuras como Julieta Lanteri ou Alicia Moreau trabalhavam para conseguir o voto feminino. Esta bandeira, bem como a da incorpora\u00e7\u00e3o da mulher \u00e0 pol\u00edtica \u00e9 acolhida por Eva Per\u00f3n, que se apoiou nas mulheres pobres e trabalhadoras, um setor exclu\u00eddo e sem direitos econ\u00f4micos, pol\u00edticos e sociais. A promulga\u00e7\u00e3o da Lei do Voto Feminino e a cria\u00e7\u00e3o do Partido Peronista Feminino (1949) responderam a estas quest\u00f5es. O peronismo promoveu avan\u00e7os muito importantes com o objetivo de conter esses setores exclu\u00eddos e para construir a base pol\u00edtica necess\u00e1ria para sustentar o peronismo no poder.<\/p>\n<p><strong>O papel da mulher segundo o Partido Peronista Feminino<\/strong><\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Eva rompeu o modelo do que deveria ser a esposa de um presidente, e \u00e9 por isso, que o Partido Peronista Feminino (PPF) passa a incorporar as mulheres \u00e0 vida pol\u00edtica. Este fato \u00e9 inovador, e nas elei\u00e7\u00f5es seguintes a base feminina \u00e9 fundamental para ganh\u00e1-las. Mas tamb\u00e9m a partir da\u00ed se reafirma a concep\u00e7\u00e3o predominante e conservadora da \u00e9poca em rela\u00e7\u00e3o ao papel das mulheres. Claro que seria um erro olhar para essas ideias apenas \u00e0 luz da atualidade, mas no mundo j\u00e1 existiam experi\u00eancias em que as mulheres come\u00e7avam a desempenhar outros pap\u00e9is sociais e econ\u00f4micos para tomar como exemplo.<\/p>\n<p>Em seu livro &#8220;La Raz\u00f3n de mi Vida&#8221;, Eva descreve abertamente sua opini\u00e3o sobre &#8220;<em>feministas&#8221;: &#8220;mulheres ressentidas por n\u00e3o terem nascido homens&#8221;,&#8221; feias&#8221; e &#8220;solteironas&#8221;[2] e que negam a verdadeira miss\u00e3o das mulheres no mundo: \u201cLares verdadeiros, unidos e felizes! E todos os dias o mundo precisa na realidade de mais lares e, para isso, mais mulheres dispostas a cumprir bem seu destino e miss\u00e3o. \u00c9 por isso que o primeiro objetivo de um movimento de mulheres que quer fazer o bem \u00e0s mulheres &#8230; que n\u00e3o aspira transform\u00e1-las em homens, deve ser o lar<\/em> \u201d[3]. Para sustentar isso, ela prop\u00f5e dar \u00e0s mulheres um subs\u00eddio mensal e evitando assim que trabalhem fora de casa. Ou seja, reproduz e sustenta a ideia da mulher m\u00e3e e dona de casa, mantendo o lugar do p\u00fablico e do produtivo para os homens.<\/p>\n<p>Lendo \u201cLa Raz\u00f3n de mi Vida\u201d na \u00edntegra, a ideia que estrutura todo o texto, e cada uma de seus discursos e apontamentos, \u00e9 a de Per\u00f3n como um ser superior a ela e a todas, a quem deveria se submeter, fundamentalmente como chefe de um projeto pol\u00edtico que convoca a classe oper\u00e1ria, ao povo e \u00e0s suas mulheres a unir-se sob o conceito de falsa igualdade entre patr\u00f5es e trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>Unidade de ricos e pobres: utopia ao servi\u00e7o dos empres\u00e1rios e do Estado<\/strong><\/p>\n<p>A doutrina peronista chama a classe trabalhadora \u00e0 &#8220;unidade nacional&#8221; com aqueles que provocam suas desgra\u00e7as, os patr\u00f5es: todos n\u00f3s podemos lutar pela justi\u00e7a social, que seria a meta a ser alcan\u00e7ada. \u00c9 dif\u00edcil conciliar os interesses de Cristina, rodeada de luxos, falando com as mulheres de Guernica ou com os trabalhadores que n\u00e3o t\u00eam dinheiro nem mesmo t\u00eam um emprego para sobreviver. Alguma vez foi poss\u00edvel unir os interesses de todos sob a mesma bandeira pol\u00edtica, sem considerar que a vida de cada um e sua sobreviv\u00eancia eram totalmente opostas?<\/p>\n<p>\u00c9, portanto, um erro considerar que sob as supostas bandeiras da justi\u00e7a social e do &#8220;feminismo&#8221; de Eva Duarte as mulheres podem realmente mudar nossa situa\u00e7\u00e3o. Chamar as mulheres dos setores populares e trabalhadores a confiar cegamente em Per\u00f3n e nos patr\u00f5es e n\u00e3o nas suas for\u00e7as fez com que fosse perdido, em 1955, as tr\u00eas bandeiras levantadas pelo peronismo: soberania pol\u00edtica, independ\u00eancia econ\u00f4mica e ,justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel recuperar essas bandeiras sem uma revolu\u00e7\u00e3o que coloque os trabalhadores no poder. E vai ser na rua, mobilizadas, junto com eles, que podemos conseguir, n\u00e3o em casa e na ignor\u00e2ncia das tarefas dom\u00e9sticas e do machismo que nos mant\u00e9m isoladas do conjunto de nossos companheiros. Dentro do sistema capitalista n\u00e3o h\u00e1 uma vida melhor para os trabalhadores ou para n\u00f3s. \u00c9 necess\u00e1rio um mundo socialista onde as mulheres ocupem um lugar igualmente produtivo, nem \u00e0 sombra dos l\u00edderes, nem relegadas a uma vida que n\u00e3o vale a pena ser vivida.<\/p>\n<p>[1] https:\/\/feminacida.com.ar\/evita-y-la-construccion-de-poder\/<\/p>\n<p>[2] https:\/\/www.infobae.com\/sociedad\/2019\/07\/26\/el-texto-completo-de-la-razon-de-mi-vida-el-libro-<\/p>\n<p>legado-de-eva-peron \/<\/p>\n<p>[3] Idem.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Vitor Jambo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>69 anos ap\u00f3s sua morte Muito se tem falado nos \u00faltimos tempos sobre o &#8220;feminismo&#8221; de Eva Per\u00f3n e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de mulheres argentinas levantam suas bandeiras com a figura de &#8220;Evita&#8221; em cada luta. \u00c9 verdade que Eva lutou contra a opress\u00e3o machista? \u00c9 a justi\u00e7a social peronista que deve nortear as pr\u00f3ximas lutas?<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64439,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,3493],"tags":[4121,4122,4123,505,1626],"class_list":["post-64438","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-mulheres","tag-eva-peron","tag-eva-peron-e-feminismo","tag-la-razon-de-mi-vida","tag-lucha-mujer","tag-pstu-argentina"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Eva.jpg","categories_names":["Argentina","Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64438","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64438"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64438\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64439"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64438"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64438"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64438"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}