{"id":64363,"date":"2021-07-05T12:37:41","date_gmt":"2021-07-05T15:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64363"},"modified":"2021-07-05T12:37:41","modified_gmt":"2021-07-05T15:37:41","slug":"argentina-apos-52-anos-continuar-a-heroica-luta-de-stonewall","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/05\/argentina-apos-52-anos-continuar-a-heroica-luta-de-stonewall\/","title":{"rendered":"Argentina| Ap\u00f3s 52 anos, continuar a heroica luta de Stonewall!"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 28 de junho de 1969, os homossexuais que frequentavam um bar chamado StoneWall Inn, em Nova York, cansados \u200b\u200bda repress\u00e3o que sofriam nas constantes batidas policiais, entraram em confronto com a pol\u00edcia e tomaram as ruas por quatro dias, montando barricadas e resistindo \u00e0 viol\u00eancia do estado.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lucha Mujer \/ PSTU-Argentina<\/p>\n<p>Nessa luta, as que estiveram na linha de frente foram principalmente mulheres l\u00e9sbicas, as travestis negras e os gays imigrantes. Este \u00e9 um fato interessante que atualmente a burguesia tenta esconder. Mostra que a revolta de Stonewall, al\u00e9m de ser contra a viol\u00eancia policial, foi tamb\u00e9m contra toda a repress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que os pobres LGBTs, negros e imigrantes sofriam no dia a dia.<\/p>\n<p>A revolta de Stonewall teve um impacto t\u00e3o grande que causou efervesc\u00eancia em todo o mundo. No ano seguinte, em 28 de junho de 1970, foi organizada a primeira marcha LGBT, com mais de 10.000 pessoas nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o, 28 de junho passou a ser o dia do Orgulho Gay, e o exemplo foi seguido em v\u00e1rios pa\u00edses. Neste dia, os homossexuais afirmam sua hist\u00f3ria de resist\u00eancia e combate \u00e0 homofobia. Com isso, surgiram as famosas marchas e o movimento LGBT atual, que imp\u00f4s transforma\u00e7\u00f5es na sociedade, derrubou leis antihomossexuais e conquistou alguns direitos em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>A situa\u00e7\u00e3o em nosso pa\u00eds<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, neste ano, foram registradas pelo menos 40 mortes, 40 companheiras\/os desaparecidos por transvestic\u00eddios \/ transfemic\u00eddios e suic\u00eddios (segundo dados divulgados por MuMaLa 2021).<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agravou com a pandemia, \u00e0 medida que a crise econ\u00f4mica atinge ainda mais o coletivo LGTBI, em particular o coletivo TTNB (travestis, transexuais \/ transg\u00eaneros e n\u00e3o bin\u00e1rios).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, devemos falar sobre os transhomic\u00eddios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mortes de masculinidades trans e as constantes viol\u00eancias sofridas, como o desaparecimento de Tehuel de la Torre. Em alguns dias, vai completar quatro meses desde seu desaparecimento, enquanto os dois suspeitos se recusam a falar.<\/p>\n<p>A inefici\u00eancia do Estado, a sua ina\u00e7\u00e3o em casos como este, onde os direitos e as leis at\u00e9 agora obtidos (fruto das lutas do sector ao longo de todos estes anos) n\u00e3o s\u00e3o cumpridos ou aplicados. Apesar de muitas dessas leis ou programas estaduais s\u00e3o insuficientes, pois n\u00e3o atacam a raiz do problema: a impossibilidade de acesso \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sexista, moradia e emprego formal.<\/p>\n<p><strong>A pandemia e o coletivo<\/strong><\/p>\n<p>Como j\u00e1 sabemos, por viv\u00ea-la em primeira m\u00e3o, a pandemia COVID-19 aprofundou as desigualdades e a viol\u00eancia estrutural que alimentam o pr\u00f3prio Estado e o sistema capitalista. A falta de emprego formal fez com que nem todos pud\u00e9ssemos garantir a quarentena; aqueles\/as que n\u00e3o tinham ou n\u00e3o tinham teto para viver.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio de 2020 do Programa de Desenvolvimento das Na\u00e7\u00f5es Unidas indica que quase todas as pessoas trans no pa\u00eds vivem na pobreza e na mis\u00e9ria. Como consequ\u00eancia, 90% das mulheres trans vivem da prostitui\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o dos homens trans n\u00e3o \u00e9 muito diferente: eles geralmente s\u00e3o exclu\u00eddos dos sistemas de trabalho e at\u00e9 mesmo dos estabelecimentos de ensino.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, segundo a Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Lojistas, de 100% das travestis, 93,8% n\u00e3o podiam pagar o aluguel, pois deixaram de receber renda, somadas \u00e0s complica\u00e7\u00f5es para ter acesso ao sistema de sa\u00fade. Sem falar que a viol\u00eancia policial n\u00e3o para e menos ainda nos setores populares, violando e humilhando identidades.<\/p>\n<p>A expectativa de vida das travestis, transexuais e transg\u00eanero em nosso pa\u00eds \u00e9 de 35 a 40 anos e as \u201cop\u00e7\u00f5es\u201d mais comuns de sobreviv\u00eancia acabam sendo a prostitui\u00e7\u00e3o, o narcotr\u00e1fico e o trabalho informal, este \u00faltimo se tornando uma constante.<\/p>\n<p>\u00c9 um dos setores mais oprimidos, sem falar que dentro do grupo LGTBI encontramos imigrantes, afrodescendentes, membros de povos ind\u00edgenas, raz\u00e3o pela qual a exclus\u00e3o social se torna mais aguda. Al\u00e9m disso, n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que deem conta das condi\u00e7\u00f5es de vida do coletivo. Somente em 2012 o INDEC lan\u00e7ou um teste piloto, uma pesquisa nacional sobre a popula\u00e7\u00e3o trans, travestis, transexuais, transg\u00eanero e homens trans mostrou que pouco mais da metade da popula\u00e7\u00e3o passou do ensino fundamental, que apenas 20% concluiu o ensino m\u00e9dio e que mais de 80 % n\u00e3o tem cobertura de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na prov\u00edncia de Buenos Aires foram entregues em 2020 10 casas para o setor, fruto de um trabalho realizado pela Associa\u00e7\u00e3o Travestis Transexual e Transg\u00eanero Argentina com o Minist\u00e9rio de Habita\u00e7\u00e3o e Urbaniza\u00e7\u00e3o, quando a demanda segundo ATTTA ultrapassa 300. Mais de 80% do setor precisa de uma casa ou melhoria onde moram, embora esse n\u00famero seja certamente maior, pois n\u00e3o h\u00e1 levantamento oficial.<\/p>\n<p>Ou seja, para esta popula\u00e7\u00e3o l s direitos mais b\u00e1sicos s\u00e3o vulnerados, uma demonstra\u00e7\u00e3o da exclus\u00e3o hist\u00f3rica que est\u00e3o experimentando. Em parte, isso se deve ao fato de n\u00e3o se &#8220;enquadrarem&#8221; na heteronorma e tentarem desenvolver seu desejo, sua sexualidade e identidade como cada um se defina.<\/p>\n<p><strong>Inf\u00e2ncias e adolescentes. Coexist\u00eancia em tempos de COVID -19<\/strong><\/p>\n<p>Os adolescentes LGBTI est\u00e3o expostos a maiores situa\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade, bullying, viol\u00eancia dom\u00e9stica, discrimina\u00e7\u00e3o, somados \u00e0 sua crise de reconhecimento. A grande maioria se reconhece como trans na primeira inf\u00e2ncia, mas uma minoria pode se expressar nessa fase.<\/p>\n<p>De acordo com a Funda\u00e7\u00e3o <em>Todo Mejora<\/em>, 1 em cada 4 pessoas trans j\u00e1 tentou suic\u00eddio na vida e o n\u00famero dobra quando h\u00e1 rejei\u00e7\u00e3o por parte de um familiar. Al\u00e9m disso, 7 em cada 10 escolas na Argentina n\u00e3o reconhecem a Lei de Identidade de G\u00eanero. Ser ou pertencer a LGBTI ocupa o segundo lugar como motivo de discrimina\u00e7\u00e3o na escola. Isso sem falar da discrimina\u00e7\u00e3o no sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<p>De acordo com dados do Relat\u00f3rio Anual sobre Direitos Humanos, Diversidade Sexual e de G\u00eanero elaborado pelo Movimento pela Integra\u00e7\u00e3o e Liberta\u00e7\u00e3o Homossexual, 2019 foi o ano mais violento para l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, transexuais e intersexuais, registrando o maior n\u00famero de den\u00fancias de discrimina\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 orienta\u00e7\u00e3o sexual e estas foram estendidas pela primeira vez a todas as regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Muitas vezes os\/as jovens, quando decidem expressar sua identidade percebida para sua fam\u00edlia, acabam sendo rejeitados\/as, violentados\/as, at\u00e9 mesmo expulsos\/as de sua pr\u00f3pria casa ou a conviv\u00eancia torna-se tortuoso e a pr\u00f3pria fam\u00edlia busca impor pela for\u00e7a que mude de &#8220;ideia&#8221; ou &#8220;opini\u00e3o&#8221;. Os preconceitos e a falta de pol\u00edticas espec\u00edficas obrigam a abandonar a escola e procurar um emprego que lhes d\u00ea as ferramentas para sair de casa e resolver as necessidades que surgem, como o tratamento hormonal ou a cirurgia.<\/p>\n<p><strong>A batalha pela frente<\/strong><\/p>\n<p>Os gays, l\u00e9sbicas e travestis de Stonewall, assinalaram um marco na hist\u00f3ria que mostra o caminho da uni\u00e3o e luta nas ruas. Nesse sentido, acontecer\u00e1 no pr\u00f3ximo dia 28 de junho, a 6\u00aa Marcha Contra os Trans-Travestic\u00eddios, uma a\u00e7\u00e3o que tenta assumir o significado da revolta de Stonewall.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio disseminar com todos os tipos de a\u00e7\u00f5es a situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em que se encontra esse setor em nosso pa\u00eds. As medidas tomadas at\u00e9 hoje n\u00e3o s\u00e3o suficientes, s\u00e3o pequenos remendos para enormes buracos. S\u00e3o criados minist\u00e9rios e secret\u00e1rios, s\u00e3o votadas leis (como a recente cota de empregos para Trans e Travestis) que n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o s\u00e3o aplicadas integralmente por discrimina\u00e7\u00e3o cultural e press\u00f5es religiosas, mas tamb\u00e9m e principalmente por falta de verba para sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nossa tarefa \u00e9 nos mantermos organizados, para conseguirmos a real aplica\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das leis votadas, indissoci\u00e1veis \u200b\u200bde um urgente aumento or\u00e7ament\u00e1rio. Devemos alcan\u00e7ar uma Lei Integral de Inclus\u00e3o que leve em conta todos os aspectos da vida, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o e trabalho.<\/p>\n<p>Dos menores aos maiores avan\u00e7os alcan\u00e7ados, s\u00e3o gra\u00e7as \u00e0s lutas de milhares de companheiros\/as que durante anos sustentaram as reivindica\u00e7\u00f5es do coletivo LGTBI.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o podemos alcan\u00e7ar sozinhos, ou que seja conquistado apenas pelo coletivo. Devemos exigir que as centrais sindicais e as organiza\u00e7\u00f5es feministas o tomem em suas m\u00e3os, pois s\u00f3 com a maior uni\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel vencer esta batalha. O capitalismo nos separa porque nos explora melhor dessa forma. No caminho dessa batalha, devemos tamb\u00e9m combater as opress\u00f5es dentro das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e de bairro, de nossa pr\u00f3pria classe, e conquist\u00e1-las para nossa luta.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que somente com a destrui\u00e7\u00e3o do capitalismo e a implementa\u00e7\u00e3o de um governo dos trabalhadores podemos alcan\u00e7ar direitos plenos para todos\/as. Essa \u00e9 a tarefa que propomos ao partir do PSTU e da Lucha Mujer e convidamos voc\u00ea a se juntar a n\u00f3s porque estamos convencidos de que \u00e9 a \u00fanica forma de acabar com a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 28 de junho de 1969, os homossexuais que frequentavam um bar chamado StoneWall Inn, em Nova York, cansados \u200b\u200bda repress\u00e3o que sofriam nas constantes batidas policiais, entraram em confronto com a pol\u00edcia e tomaram as ruas por quatro dias, montando barricadas e resistindo \u00e0 viol\u00eancia do estado.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64365,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[94,238],"tags":[4071,4088,1097,505,3577,4074],"class_list":["post-64363","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-lgbt","tag-28-de-junho","tag-52-anos-de-stonewal","tag-lgbts","tag-lucha-mujer","tag-pstu-argenitna","tag-revolta-de-stonewall"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/BA-1.jpg","categories_names":["Argentina","LGBT"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64363","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}