{"id":64345,"date":"2021-07-02T14:43:54","date_gmt":"2021-07-02T17:43:54","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64345"},"modified":"2021-07-02T14:43:54","modified_gmt":"2021-07-02T17:43:54","slug":"64345-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/02\/64345-2\/","title":{"rendered":"\u00c1frica dio sul|  A Na\u00e7\u00e3o do Arco Iris criada por Mandela pratica atos de barb\u00e1rie contra negros imigrantes"},"content":{"rendered":"<p><em>\u201cNenhum africano \u00e9 estrangeiro<\/em><\/p>\n<p><em>na\u00a0\u00c1frica \u2013 exceto estando<\/em><\/p>\n<p><em>na \u00c1frica do Sul!\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Achille Mbembe<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por:Ashura Nassor<\/p>\n<p>No ultimo dia 16 de junho, se efetivou a Opera\u00e7\u00e3o Dudula que vinha sendo preparada e convocada publicamente h\u00e1 v\u00e1rias semanas. A palavra dudula significa empurrar no idioma zulu. Empurrar para fora do pa\u00eds os imigrantes. Atos de selvageria e barb\u00e1rie foram praticados por hordas de lumpens a mando de pol\u00edticos locais contra fam\u00edlias indefesas. Casas invadidas e queimadas, pequenos neg\u00f3cios de bairro pertencentes a estrangeiros foram saqueados e incendiados.<\/p>\n<p>A escolha da data 16 de junho est\u00e1 relacionado ao Massacre de Soweto em 1976, durante o apartheid. Na ocasi\u00e3o uma manifesta\u00e7\u00e3o de estudantes foi violentamente reprimida pela tropa de choque, que usando de armas pesadas, matou pelos menos 95 jovens.<\/p>\n<p><strong>As ra\u00edzes profundas da Opera\u00e7\u00e3o Dudula:<\/strong><\/p>\n<p>A decadente economia sul africana vem batendo recordes de desemprego ano ap\u00f3s ano. A desnutri\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 imensa, estudos revelam que cerca de 30% das crian\u00e7as sofrem de nanismo. Tudo isso no gigante produtor de ouro e diamante.<\/p>\n<p>A decad\u00eancia da \u00c1frica do Sul come\u00e7ou nas negocia\u00e7\u00f5es de Nelson Mandela com o imperialismo no final do apartheid. O pa\u00eds estava convulsionado por mobiliza\u00e7\u00f5es barriais, greves localizadas e greves gerais. A situa\u00e7\u00e3o estava incontrol\u00e1vel e mesmo assim o imperialismo apoiou o fim do regime de apartheid em troca da abertura da economia. O resultado desse processo foi\u00a0 a desindustrializa\u00e7\u00e3o, fechamento de f\u00e1bricas e uma taxa de desemprego que vem crescendo ano ap\u00f3s ano. Ao mesmo tempo, Mandela comprometeu-se a pagar a divida externa e anistiar as d\u00edvidas das empresas de minera\u00e7\u00e3o que h\u00e1 anos n\u00e3o pagavam impostos.<\/p>\n<p>Como se tudo isso fosse pouco, ao longo dos 25 anos de governo do CNA (Congresso Nacional Africano), -COSATO (Congresso dos Sindicatos Sul Africanos) e -PCAF (Partido Comunista da \u00c1frica do Sul), a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista foi completamente destru\u00edda, os sindicatos esvaziados e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel fazer greve depois de ser aprovado por um organismo tripartite (patr\u00f5es-governo-trabalhadores). Greve sem aprova\u00e7\u00e3o do governo e patr\u00f5es \u00e9 greve ilegal.<\/p>\n<p><strong>Contra o desemprego: expulsar os imigrantes<\/strong><\/p>\n<p>Com os altos \u00edndices de desemprego, fica f\u00e1cil encontrar um bode expiat\u00f3rio para o problema. A burguesia e seus l\u00edderes, de distintas formas, afirmam que os imigrantes s\u00e3o os respons\u00e1veis pela falta de trabalho. At\u00e9 mesmo o sindicato dos caminhoneiros faz campanha e agride motoristas estrangeiros acusando-os de serem respons\u00e1veis pelo rebaixamento dos sal\u00e1rios. O sindicato que deveria unir os trabalhadores os divide entre nacionais e estrangeiros.<\/p>\n<p><strong>Alguns casos da barb\u00e1rie xenof\u00f3bica<\/strong><\/p>\n<p>As hist\u00f3rias de xenofobia contadas por imigrantes s\u00e3o revoltantes. Crian\u00e7as imigrantes atacadas dentro da escola; vendedores ambulantes tem sua mercadoria aprendida por hordas e em caso de resist\u00eancia h\u00e1 risco de vida; passageiros lan\u00e7ados para fora de trens urbanos em movimento; durante a pandemia por conta do lockdown o Departamento de Migra\u00e7\u00f5es est\u00e1 fechado e, portanto os documentos n\u00e3o podem ser renovados semestralmente e aqueles com documentos vencidos s\u00e3o presos e deportados. H\u00e1 um sem n\u00famero de abusos contra negros africanos.<\/p>\n<p><strong>Grupos Xenof\u00f3bicos e a impunidade:<\/strong><\/p>\n<p>A convoca\u00e7\u00e3o publica, com cartazes, apari\u00e7\u00e3o na m\u00eddia, mostra a total impunidade dos grupos xenof\u00f3bicos. Nos casos de viol\u00eancia citados acima nenhum dos praticantes desses atos foram penalizados.\u00a0 No local de concentra\u00e7\u00e3o dos membros da Opera\u00e7\u00e3o Dudula havia aproximadamente mil pessoas. O porta-voz da policia de Diepkloof, Matlou Mteto, disse que a\u00a0 pol\u00edcia estava protegendo os donos dos pequenos com\u00e9rcios e impedindo aglomera\u00e7\u00f5es. \u00a0\u201cTemos feito patrulhas em todo o Soweto para garantir que n\u00e3o haja aglomera\u00e7\u00f5es ilegais e impedir qualquer a\u00e7\u00e3o contra os pequenos com\u00e9rcios\u201d E arrematou dizendo que n\u00e3o foi necess\u00e1rio prender ningu\u00e9m<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Governo Ramaphosa coloca lenha na fogueira<\/strong><\/p>\n<p>O Presidente da Republica Cyril Ramaphosa, \u00e9 um ex-dirigente do sindicato dos trabalhadores da minera\u00e7\u00e3o, \u00a0que sempre aparecia ao lado de Nelson Mandela nas manifesta\u00e7\u00f5es importantes. Mais tarde, tentou ser candidato a presidente e perdeu as pr\u00e9vias do CNA. Retirou-se momentaneamente da pol\u00edtica e virou diretor da empresa multinacional de minera\u00e7\u00e3o London Miners (Lonmin). Em agosto de 2012, durante uma greve, a pol\u00edcia abriu fogo contra os grevistas e o resultado foi de 34 mortos. O fato gerou como\u00e7\u00e3o nacional, foi criada uma \u00a0Comiss\u00e3o de Investiga\u00e7\u00e3o e esta localizou v\u00e1rios e-mails de Ramaphosa para as autoridades e, em um deles, o ent\u00e3o diretor da Lonmin afirma: \u201cOs terr\u00edveis acontecimentos que ocorreram n\u00e3o podem ser descritos como uma disputa trabalhista.\u00a0Eles s\u00e3o claramente criminosos e devem ser caracterizados como tal &#8230;\u201d<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. Ao final do e-mail recomenda que a pol\u00edcia intervenha com for\u00e7a para acabar com a greve. Por esse epis\u00f3dio Ramaphosa ficou conhecido como &#8220;a\u00e7ougueiro de Marikana&#8221;<\/p>\n<p>Durante a semana pr\u00e9via a Opera\u00e7\u00e3o Dudula, Cyril Ramaphosa apareceu v\u00e1rias vezes nos meios de comunica\u00e7\u00e3o falando do desemprego. Tratou \u00a0o desemprego como uma trag\u00e9dia, mas sem nomear os respons\u00e1veis. Assim, o A\u00e7ougueiro de Marikana colocou mais lenha na fogueira da xenofobia.<\/p>\n<p><strong>\u00c1frica do Sul: um Estado xenof\u00f3bico<\/strong><\/p>\n<p>Verificando as a\u00e7\u00f5es do Poder Executivo, Poder Legislativo e o Judici\u00e1rio constatamos que a xenofobia \u00e9 uma pol\u00edtica do Estado capitalista sul africano.<\/p>\n<p>O Poder Executivo comandado por Cyril Ramaphosa, conforme demonstramos acima tem um discurso bastante afinado com os promotores da Opera\u00e7\u00e3o Dudula, ainda que n\u00e3o fa\u00e7a referencia aos imigrantes, tamb\u00e9m se cala frente a xenofobia. \u00a0Khumbudzo Ntshavheni, Ministro de Desenvolvimento de Pequenas Empresas, tem uma posi\u00e7\u00e3o mais n\u00edtida frente a causa do desemprego: &#8220;Banir os estrangeiros ou pelo menos, proibi-los de ter acesso aos empregos na economia informal&#8221;<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p>O Poder Legislativo composto por 400 deputados vem, ano ap\u00f3s ano, votando leis contra os imigrantes. &#8220;Entre essas leis tem a Lei de Refugiados de 1998, a Lei de Imigra\u00e7\u00e3o de 2002, a Lei de Altera\u00e7\u00e3o de Imigra\u00e7\u00e3o de 2011 e a Lei de Altera\u00e7\u00e3o de Refugiados, a Lei de Altera\u00e7\u00e3o de Imigra\u00e7\u00e3o de 2016, a Lei de Altera\u00e7\u00e3o de Refugiados de 2017, \u00e0 qual deve ser adicionado o Projeto de Lei da Autoridade de Gerenciamento de Fronteiras de 2016 e o \u200b\u200bLivro Branco de 2017 sobre Migra\u00e7\u00e3o internacional&#8221;<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>O Poder Judici\u00e1rio n\u00e3o condenou nenhum crime de racismo nos \u00faltimos cinco anos. Ao contr\u00e1rio soube condenar os organizadores da ocupa\u00e7\u00e3o do andar t\u00e9rreo do edif\u00edcio onde estava instalada a ACNUR (Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Refugiados).<\/p>\n<p>Por todos esses motivos, afirmamos que a xenofobia \u00e9 uma pol\u00edtica consciente do Estado sul africano. Entender quem s\u00e3o os inimigos nos ajuda a entender contra quem devemos lutar.<\/p>\n<p><strong>Caberia alguma den\u00fancia \u00e0 ACNUR?<\/strong><\/p>\n<p>Muitos ativistas honestos dizem que talvez fosse necess\u00e1rio denunciar os casos de xenofobia \u00e0 ONU ou ao seu organismo especializado, a ACNUR.<\/p>\n<p>Para desfazer ilus\u00f5es \u00e9 bom lembrar que a ACNUR considera \u00a0a \u00c1frica do Sul<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> como &#8220;um pa\u00eds anfitri\u00e3o generoso, com pol\u00edticas progressivas de asilo&#8221; e que &#8220;continuar\u00e3o a apoiar o governo na presta\u00e7\u00e3o de assist\u00eancia aos refugiados e requerentes de asilo&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apoiar o governo em suas pol\u00edticas migrat\u00f3rias, a ACNUR apoiou a violenta expuls\u00e3o por parte da Policia dos migrantes que protestavam no hall de entrada do edif\u00edcio onde tem seus escrit\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>O sil\u00eancio c\u00famplice das organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>Seria natural que as organiza\u00e7\u00f5es dos trabalhadores apoiassem seus irm\u00e3os imigrantes econ\u00f4micos ou imigrantes v\u00edtimas da viol\u00eancia das mil\u00edcias e das guerras. A solidariedade deveria ser algo natural, mas n\u00e3o \u00e9. As centrais sindicais COSATU e NUMSA n\u00e3o prestam a menor aten\u00e7\u00e3o a este grave problema. Os partidos pol\u00edticos CNA e SRWP (Socialist Revolutionary Workers Party) tamb\u00e9m n\u00e3o se preocupam com a xenofobia. Sequer fazem campanhas claras de denuncia com os grupos xen\u00f3fobos, a pol\u00edtica governamental ou dos \u00f3rg\u00e3os do Estado.<\/p>\n<p><strong>Os imigrantes s\u00f3 podem contar com a solidariedade dos trabalhadores de outros pa\u00edses<\/strong><\/p>\n<p>Em 2019 diante de um ataque xenof\u00f3bico, se deram importantes manifesta\u00e7\u00f5es contra empresas e neg\u00f3cios sul africanos que tem sucursais em outros pa\u00edses. Em Mo\u00e7ambique, 300 caminh\u00f5es ficaram parados na fronteira causando um preju\u00edzo estimado de mais de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares ao dia. Na Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, instala\u00e7\u00f5es de uma rede de lojas de roupas, de capital sul-africano foi saqueada. Em Gana, Zimb\u00e1bue e Z\u00e2mbia houveram ataques as empresas da \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>A resposta mais contundente veio da Nig\u00e9ria onde a popula\u00e7\u00e3o foi \u00e0s ruas e invadiu e saqueou as instala\u00e7\u00f5es das redes de supermercados Shoprite e Pink\u2019n Pay, al\u00e9m da empresa telef\u00f4nica MTN, todas de capital sul africano. At\u00e9 mesmo a Embaixada do pa\u00eds em Abuja, na Nig\u00e9ria foi fechada por medo que fosse atacada<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Organizar a autodefesa<\/strong><\/p>\n<p>No atual momento hist\u00f3rico que estamos vivendo de crise econ\u00f4mica, desemprego , fome e tamb\u00e9m de pandemia, h\u00e1 um forte processo de polariza\u00e7\u00e3o social. Os trabalhadores e o povo pobre busca preservar o m\u00ednimo de dignidade para poder viver e para isso sai para lutar. A burguesia sabe que os seus lucros dependem de aumentar a mis\u00e9ria das massas. Vivemos tempos onde n\u00e3o h\u00e1 meio termo. \u00c9 aceitar mais pobreza ou lutar. Por isso dizemos que s\u00e3o \u00e9pocas de polariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As lutas s\u00e3o tratadas com cada vez mais viol\u00eancia. No Lesoto (\u00c1frica), no final de maio, uma greve de 40.000 trabalhadores da ind\u00fastria do vestu\u00e1rio foram mortos dois trabalhadores que participavam da greve que reivindicava aumento de sal\u00e1rio de 20%. <a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>Na Suazil\u00e2ndia, esse pequeno pa\u00eds da \u00c1frica que tem menos de um milh\u00e3o de habitantes, o assassinato de um jovem estudante\u00a0 praticado\u00a0 &#8211; possivelmente &#8211; pela policia, gerou uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es juvenis. As manifesta\u00e7\u00f5es com mais de 3.000 estudantes se enfrentaram com a policia nas ruas quando iam levar uma peti\u00e7\u00e3o ao Delegado Regional de Policia na qual acusavam que o jovem havia sido assassinado pelos pr\u00f3prios policiais. G\u00e1s lacrimog\u00eaneo foi lan\u00e7ado na Igreja Metodista onde a fam\u00edlia participava de culto em mem\u00f3ria do jovem morto. Nas ruas mais g\u00e1s lacrimog\u00eaneo e balas de borracha. Um beb\u00ea no colo da m\u00e3e, que estava na parada de \u00f4nibus, morreu asfixiado pelo g\u00e1s lacrimog\u00eaneo; \u00a0um estudante ficou cego ao ser atingido por uma bala de borracha.<\/p>\n<p>Mas se a burguesia radicaliza na repress\u00e3o, a resposta do movimento \u00e9 cada vez mais radical tamb\u00e9m.\u00a0 A luta pelo fim da policia #endsars na Nig\u00e9ria, contra o governo de Macky Sall no Senegal, as greves do Mali, entre outras lutas mostra a radicaliza\u00e7\u00e3o do movimento de massas.<\/p>\n<p>Nessa situa\u00e7\u00e3o de polariza\u00e7\u00e3o social, o espectro das insurrei\u00e7\u00f5es, assusta a burguesia. A xenofobia \u00e9 usada para dividir os trabalhadores entre migrantes e n\u00e3o migrantes e\u00a0 desse modo dividir a classe trabalhadora e o povo pobre. O sil\u00eancio c\u00famplice das organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias n\u00e3o serve para unificar os debaixo.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, aos migrantes, resta concluir que os grupos xenof\u00f3bicos atuam com a cumplicidade e responsabilidade dos governos e do Estado sul africano. O \u00f3rg\u00e3o da ONU, a ACNUR que poderia ser um ponto de apoio aos migrantes, escolheu o lado dos xen\u00f3fobos conforme se conclui das declara\u00e7\u00f5es acima mencionadas e da responsabilidade na repress\u00e3o aos refugiados que ocuparam o hall de entrada do edif\u00edcio sede da ACNUR em Cape Town.<\/p>\n<p>Assim, cabe aos trabalhadores organizarem sua autodefesa. Hoje em algumas townships em Cape Town as mulheres se defendem dos violadores atrav\u00e9s de um apito. Essa \u00e9 um primeira forma de autodefesa. Mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar mais na organiza\u00e7\u00e3o. O primeiro passo \u00e9 discutir a xenofobia e explicar bem que n\u00e3o se pode esperar nada da Policia, do Estado e da ACNUR. O segundo passo \u00e9 que todos entendam que os sindicatos e as organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas da classe trabalhadora n\u00e3o podem assistir aos ataques e n\u00e3o fazer nada. E por ultimo, entre todos \u00e9 preciso conversar sobre formas de defender-se dos ataques. Afinal como dizem os movimentos sociais da \u00c1frica do Sul: &#8220;United we stand, divided we fall&#8221;\u00a0 (unidos ficamos em p\u00e9, divididos ca\u00edmos)<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.dailymaverick.co.za\/article\/2021-06-18-immigrant-shop-owners-plead-to-be-allowed-to-continue-trading-in-diepkloof-following-threats-and-violence\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> https:\/\/www.theguardian.com\/world\/2015\/may\/19\/marikana-massacre-untold-story-strike-leader-died-workers-rights<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> https:\/\/www.voanews.com\/africa\/south-african-minister-ban-migrant-workers-informal-jobs<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/www.pstu.org.br\/africa-do-sul-refugiados-vao-a-luta\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/www.sabcnews.com\/sabcnews\/respect-sa-laws-unhcr-to-protesting-refugees-and-asylum-seekers\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> https:\/\/litci.org\/pt\/a-crise-economica-esta-de-volta-e-a-xenofobia-tambem\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/sourcingjournal.com\/topics\/labor\/lesotho-garment-worker-minimum-wage-protests-deaths-industriall-unions-284200\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cNenhum africano \u00e9 estrangeiro na\u00a0\u00c1frica \u2013 exceto estando na \u00c1frica do Sul!\u201d Achille Mbembe<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64346,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[4053,3970],"tags":[4081,1574,4082,311],"class_list":["post-64345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa-do-sul","category-imigrantes","tag-africa-do-sul","tag-ashura-nassor","tag-operacao-dudula","tag-xenofobia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/Xenofobia.jpg","categories_names":["\u00c1frica do Sul","Imigrantes"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64345\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}