{"id":64341,"date":"2021-07-01T16:05:34","date_gmt":"2021-07-01T19:05:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64341"},"modified":"2021-07-01T16:05:34","modified_gmt":"2021-07-01T19:05:34","slug":"trotsky-trinta-e-cinco-anos-depois-1871-1906","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/07\/01\/trotsky-trinta-e-cinco-anos-depois-1871-1906\/","title":{"rendered":"Trotsky| Trinta e cinco anos depois (1871-1906)"},"content":{"rendered":"<p><em>Este texto de Le\u00f3n Trotsky sobre a Comuna de Paris \u00e9 pouco conhecido. Foi escrito em 1905, em plena revolu\u00e7\u00e3o russa. \u00c9 uma introdu\u00e7\u00e3o aos escritos de Marx sobre a proeza oper\u00e1ria de 1871. Trotsky aborda a quest\u00e3o do Estado, a ditadura do proletariado, a rela\u00e7\u00e3o entre a classe oper\u00e1ria e o campesinato. \u00c9 interessante tamb\u00e9m porque o futuro chefe do Ex\u00e9rcito Russo responde a quem sustentava que a R\u00fassia era imatura para a revolu\u00e7\u00e3o socialista, desenvolvendo j\u00e1 os principais postulados da teoria-programa da Revolu\u00e7\u00e3o Permanente.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Trinta e cinco anos depois, 1871-1906<\/p>\n<p>Pr\u00f3logo a Karl Marx, Parizhskaya Kommuna (dezembro de 1905)<\/p>\n<p>Le\u00f3n Trotsky<\/p>\n<p><em>[\u2026]Os prolet\u00e1rios, ao presenciar a derrota e a trai\u00e7\u00e3o das classes dominantes, se deram conta de que havia chegado o momento em que eles pr\u00f3prios deveriam salvar o pa\u00eds e tomar o controle dos assuntos sociais em suas pr\u00f3prias m\u00e3os[\u2026] Compreenderam que esta obriga\u00e7\u00e3o havia reca\u00eddo sobre eles e que tinham o direito indiscut\u00edvel de converterem-se em donos de seu pr\u00f3prio destino e de tomar o poder governamental em suas pr\u00f3prias m\u00e3os. (Proclama\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea Central da Guarda Nacional, Paris, 18 de mar\u00e7o de 1871).<\/em><\/p>\n<p>O leitor russo pode conhecer a <a href=\"https:\/\/centromarx.org\/historia-de-la-comuna-de-paris.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">hist\u00f3ria da Comuna de Paris de 1871 no livro de Lissagaray<\/a>, que, se n\u00e3o me engano, logo aparecer\u00e1 em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es. O leitor pode familiarizar-se com o lado filos\u00f3fico dessa hist\u00f3ria ao estudar o folheto atemporal de Marx e sua valiosa introdu\u00e7\u00e3o de Engels. At\u00e9 onde sabemos, a literatura marxista durante os 35 anos seguintes n\u00e3o acrescentou nada de essencial ao que Marx j\u00e1 havia dito sobre a Comuna.\u00a0 E quanto \u00e0 literatura n\u00e3o-marxista, n\u00e3o h\u00e1 nada que valha a pena mencionar: por sua pr\u00f3pria natureza, \u00e9 incapaz de dizer algo a respeito. At\u00e9 que aparecerem as tradu\u00e7\u00f5es recentes, tudo o que estava dispon\u00edvel no idioma russo eram exposi\u00e7\u00f5es descuidadas proporcionadas por mexericos corrompidos da rea\u00e7\u00e3o internacional e condimentadas com os julgamentos filos\u00f3ficos e morais do policial Mymretsov\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote1sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>1<\/sup><\/a>\u00a0.<\/p>\n<p>As condi\u00e7\u00f5es da censura policial tem sido um fator que nos impediu de conhecer a Comuna. Outro fator tem sido o car\u00e1ter pr\u00f3prio das ideologias que prevalecem entre nossos c\u00edrculos progressistas \u2013 as ideologias dos liberais, liberais narodniks e narodnik-socialistas \u2013 que foram completamente hostis ao tipo de rela\u00e7\u00f5es, interesses e paix\u00f5es expressas neste inesquec\u00edvel epis\u00f3dio de luta prolet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, enquanto que h\u00e1 apenas alguns anos parecia que est\u00e1vamos mais longe das tradi\u00e7\u00f5es da Comuna de Paris do que qualquer uma das na\u00e7\u00f5es europeias, agora estamos na primeira fase da nossa pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o, que a luta do proletariado est\u00e1 convertendo em uma revolu\u00e7\u00e3o <em>Permanente<\/em>, ou uma revolu\u00e7\u00e3o <em>ininterrupta<\/em>, e confiamos mais diretamente do que qualquer das na\u00e7\u00f5es europeias no testamento da Comuna de 1871.<\/p>\n<p>Hoje, a hist\u00f3ria da Comuna \u00e9 para n\u00f3s n\u00e3o apenas um grande momento dram\u00e1tico na luta mundial pela emancipa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 uma ilustra\u00e7\u00e3o de algum tipo de enfoque t\u00e1tico, mas tamb\u00e9m uma li\u00e7\u00e3o direta e imediata para o aqui e agora.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>O estado e a luta pelo poder<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma disputa aberta de for\u00e7as sociais na luta pelo poder. As massas populares se levantam, impulsionadas por motivos e interesses vitais e elementares, e com frequ\u00eancia n\u00e3o tem consci\u00eancia dos objetivos do movimento nem dos caminhos que tomar\u00e1: um partido inscreve \u201cdireito e justi\u00e7a\u201d em sua bandeira, outro \u201cordem\u201d; os \u201cher\u00f3is\u201d da revolu\u00e7\u00e3o est\u00e3o impulsionados por um sentido de \u201cdever\u201d ou se deixam levar pela ambi\u00e7\u00e3o; a conduta do ex\u00e9rcito est\u00e1 determinada por uma disciplina incondicional, por um medo que consome a disciplina, ou por uma inten\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria que supera tanto a disciplina como o medo. Entusiasmo, interesse pr\u00f3prio, h\u00e1bito, audazes voos de pensamento, supersti\u00e7\u00e3o e auto sacrif\u00edcio: milhares de sentimentos, ideias, atitudes, talentos e paix\u00f5es s\u00e3o arrastados e tragados por um poderoso redemoinho no qual perecem ou se elevam a novas alturas. Por\u00e9m o significado objetivo da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a luta pelo poder estatal com o prop\u00f3sito de reconstruir rela\u00e7\u00f5es sociais antiquadas.<\/p>\n<p>O estado n\u00e3o \u00e9 um fim em si mesmo. \u00c9 apenas uma m\u00e1quina em funcionamento nas m\u00e3os das for\u00e7as sociais dominantes. Como qualquer m\u00e1quina, o estado tem sua for\u00e7a motriz, seus mecanismos de transmiss\u00e3o e suas partes operativas. A for\u00e7a motriz \u00e9 o interesse de classe; seus mecanismos s\u00e3o a agita\u00e7\u00e3o, a imprensa, a propaganda de igrejas e escolas, partidos, com\u00edcios nas ruas, peti\u00e7\u00f5es e subleva\u00e7\u00f5es. O mecanismo de transmiss\u00e3o \u00e9 a organiza\u00e7\u00e3o legislativa dos interesses de casta, din\u00e1sticos, estamentos ou classes segundo a vontade de Deus (no absolutismo) ou da na\u00e7\u00e3o (no parlamentarismo). Finalmente, o mecanismo executivo \u00e9 a administra\u00e7\u00e3o junto com a pol\u00edcia, os tribunais e c\u00e1rceres e o ex\u00e9rcito.<\/p>\n<p>O estado n\u00e3o e um fim em si mesmo. Entretanto, \u00e9 o melhor meio para organizar, desorganizar e reorganizar as rela\u00e7\u00f5es sociais. Dependendo das m\u00e3os de quem o controla, pode ser uma alavanca para uma transforma\u00e7\u00e3o profunda ou um instrumento de estancamento organizado.<\/p>\n<p>Todo partido pol\u00edtico digno desse nome, se esfor\u00e7a para controlar o poder governamental para que o estado sirva \u00e0 classe cujos interesses expressa. A democracia, como partido do proletariado, busca naturalmente a supremacia pol\u00edtica da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>O proletariado cresce e se fortalece junto com o crescimento do capitalismo. Neste sentido, o crescimento do capitalismo \u00e9 tamb\u00e9m o desenvolvimento do proletariado na dire\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria ditadura. Entretanto, o dia e a hora em que o poder passar\u00e1 para as m\u00e3os da classe oper\u00e1ria n\u00e3o dependem diretamente do n\u00edvel das for\u00e7as produtivas, mas das rela\u00e7\u00f5es da luta de classes, da situa\u00e7\u00e3o internacional e, finalmente, de uma s\u00e9rie de fatores subjetivos que incluem tradi\u00e7\u00e3o, iniciativa e disposi\u00e7\u00e3o para a luta.<\/p>\n<p>Em um pa\u00eds economicamente atrasado, o proletariado pode chegar ao poder antes de um pa\u00eds do capitalismo mais avan\u00e7ado. Em 1871, tomaram deliberadamente \u201co controle dos assuntos sociais em suas pr\u00f3pria m\u00e3os\u201d na Paris pequeno burguesa. \u00c9 verdade que esta foi a situa\u00e7\u00e3o durante s\u00f3 dois meses, mas isto n\u00e3o aconteceu nem por uma s\u00f3 hora nos principais centros capitalistas da Inglaterra ou dos Estados Unidos. Qualquer pensamento de algum tipo de depend\u00eancia autom\u00e1tica da ditadura prolet\u00e1ria da t\u00e9cnica, dos meios e for\u00e7as de um pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 mais que um preconceito do materialismo \u201cecon\u00f4mico\u201d simplificado ao extremo. Esse tipo de pensamento n\u00e3o tem nada em comum com o marxismo.<\/p>\n<p>Os trabalhadores parisienses tomaram o poder em suas pr\u00f3prias m\u00e3os n\u00e3o porque as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o amadureceram para a ditadura do proletariado em 26 de mar\u00e7o, e nem sequer porque lhes pareceu nesse dia que estas rela\u00e7\u00f5es haviam \u201camadurecido\u201d, mas porque estavam obrigados a faz\u00ea-lo pela trai\u00e7\u00e3o da burguesia \u00e0 defesa nacional. Marx ilustra isto. S\u00f3 era poss\u00edvel defender Paris e o resto da Fran\u00e7a armando o proletariado. Mas o proletariado revolucion\u00e1rio era uma amea\u00e7a para a burguesia e um proletariado armado era um amea\u00e7a armada. O governo de Thiers\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote2sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>2<\/sup><\/a>\u00a0, que n\u00e3o tinha nenhum interesse em unir a Fran\u00e7a trabalhadora contra as hordas de soldados de Bismarck que tinham cercado Paris, mas que se comprometeu em unir as hordas reacion\u00e1rias da Fran\u00e7a contra a Paris prolet\u00e1ria, se transferiu para Versalles para continuar suas intrigas e deixou a capital nas m\u00e3os dos trabalhadores, que queriam liberdade para seu pa\u00eds e prosperidade para si e os seus. O proletariado viu que tinha chegado a hora em que devia salvar o pa\u00eds e tornar-se dono de seu pr\u00f3prio destino. N\u00e3o p\u00f4de evitar tomar o poder; viu-se obrigado a faz\u00ea-lo por uma s\u00e9rie de acontecimentos pol\u00edticos. O poder o tomou de surpresa. Entretanto, uma vez que teve poder, foi como se sua pr\u00f3pria lei de gravidade de classe o dirigisse, apesar de um desvio ou outro, pelo caminho correto. Sua posi\u00e7\u00e3o de classe, como Marx e Engels explicam, o obrigou, sobretudo a tomar medidas oportunas para reformar o aparato do poder estatal e o impulsionou a adotar pol\u00edticas adequadas para a economia. Se a Comuna foi destru\u00edda, certamente n\u00e3o foi por nenhuma insufici\u00eancia no desenvolvimento das for\u00e7as produtivas. Por outro lado, deveu-se a toda uma s\u00e9rie de causas pol\u00edticas: o bloqueio de Paris e sua separa\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias, as condi\u00e7\u00f5es internacionais extremamente desfavor\u00e1veis, seus pr\u00f3prios erros, etc.<\/p>\n<ol start=\"2\">\n<li><strong>A rep\u00fablica e a ditadura do proletariado<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A Comuna de Paris de 1871 n\u00e3o foi, com certeza, uma comuna socialista; seu regime nem sequer foi o de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista desenvolvida de maneira consistente. A \u2018Comuna\u2019 n\u00e3o era sen\u00e3o um pr\u00f3logo. Estabeleceu a ditadura do proletariado, que era a condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via necess\u00e1ria para a revolu\u00e7\u00e3o socialista. Paris passou para o regime de ditadura prolet\u00e1ria n\u00e3o proclamando uma rep\u00fablica, mas em virtude de que 72 de seus 90 representantes procediam dos trabalhadores e que estava sob a prote\u00e7\u00e3o da guarda prolet\u00e1ria. Seria mais exato dizer que a pr\u00f3pria rep\u00fablica n\u00e3o foi sen\u00e3o uma express\u00e3o natural e inevit\u00e1vel do fato de que se estabeleceu um \u201cgoverno oper\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Alexandre Millerand\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote3sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>3<\/sup><\/a>\u00a0, que desempenhou o papel de ref\u00e9m \u2018socialista\u2019 no\u00a0 gabinete burgu\u00eas do falecido Waldeck-Rousseau, \u00a0junto ao ex carniceiro da Comuna, o general Gallifet\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote4sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>4<\/sup><\/a>\u00a0, este ex socialista, Millerand, expressou seu lema pol\u00edtico da seguinte maneira: \u201cUma rep\u00fablica \u00e9 a f\u00f3rmula pol\u00edtica do socialismo, e o socialismo \u00e9 o conte\u00fado econ\u00f4mico de uma rep\u00fablica\u201d. Devemos dizer, entretanto, que esta \u201cf\u00f3rmula pol\u00edtica\u201d foi privada de todo \u201cconte\u00fado socialista\u201d. As rep\u00fablicas de hoje, embora sejam organiza\u00e7\u00f5es formalmente democr\u00e1ticas e express\u00f5es da vontade popular, continuam sendo essencialmente uma \u201cf\u00f3rmula\u201d estatal para a ditadura das classes propriet\u00e1rias. Depois que a Noruega se separou da Su\u00e9cia e se converteu em uma rep\u00fablica, poderia facilmente ter conservado o estado no qual se encontrava depois da separa\u00e7\u00e3o; ou seja, poderia ter retido uma rep\u00fablica sem convert\u00ea-la de nenhum modo em uma \u201cforma pol\u00edtica de socialismo\u201d. De t\u00ea-lo feito, podemos estar certos de que nem um s\u00f3 fio de cabelo teria ca\u00eddo da cabe\u00e7a do burgomestre Stockman\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote5sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>5<\/sup><\/a>\u00a0 ou de outros \u201cpilares da sociedade\u201d. Por\u00e9m, a Noruega preferiu buscar um rei \u2013 certamente havia um vasto ex\u00e9rcito de reserva de candidatos augustos \u2013 e assim \u2018coroou\u2019 sua estrutura independente e temporariamente republicana.<\/p>\n<p>Um tal Sr. Grimm, aparentemente professor, escritor liberal e, al\u00e9m disso tudo, colaborador do <em>Polyarnaya Zvezda<\/em>, nos explicou recentemente aos \u2018entusiastas dos livros doutrin\u00e1rios\u2019 que uma \u2018rep\u00fablica democr\u00e1tica\u2019 n\u00e3o \u00e9 uma \u2018panaceia\u2019 nem uma \u2018forma absolutamente perfeita de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u2019. Se o senhor Grimm estivesse familiarizado de forma remota com os doutrin\u00e1rios nos quais se baseia nosso \u201centusiasmo pelos livros\u201d, saberia que os socialdemocratas n\u00e3o t\u00eam ilus\u00f5es de que uma rep\u00fablica democr\u00e1tica seja uma \u201cpanaceia\u201d. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio olhar mais al\u00e9m de Engels, quem em seu prefacio \u00e0 <em>A Guerra Civil<\/em> disse explicitamente o seguinte:<\/p>\n<p>E as pessoas acreditam ter dado um passo enormemente audaz ao livrarem-se da f\u00e9 na monarquia heredit\u00e1ria e jurar pela Rep\u00fablica democr\u00e1tica. Nisto, enfatizou que o Estado \u201cn\u00e3o \u00e9 mais que uma m\u00e1quina para a opress\u00e3o de uma classe pela outra, e de fato na rep\u00fablica democr\u00e1tica n\u00e3o menos do que na monarquia\u2026\u201d<\/p>\n<p>Por\u00e9m, enquanto Grimm apresenta a pequena ideia barata de que o problema real \u00e9 \u201cuma disposi\u00e7\u00e3o adequada dos diversos \u00f3rg\u00e3os do poder estatal\u201d, na qual uma monarquia \u00e9 t\u00e3o adequada quanto uma rep\u00fablica, o socialismo internacional acredita que uma rep\u00fablica \u00e9 a \u00fanica forma poss\u00edvel de emancipa\u00e7\u00e3o social, sempre que o proletariado a arrebate das m\u00e3os da burguesia e a converta de \u201cuma m\u00e1quina para a opress\u00e3o de uma classe pela outra\u201d em um instrumento para a emancipa\u00e7\u00e3o social da humanidade.<\/p>\n<ol start=\"3\">\n<li><strong>Desenvolvimento econ\u00f4mico e ditadura do proletariado<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Quando a imprensa socialista formulou a ideia de <em>revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta<\/em>, vinculando a liquida\u00e7\u00e3o do absolutismo e da servid\u00e3o civil com a revolu\u00e7\u00e3o socialista atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie dos conflitos sociais cada vez mais intensos, levantamentos de novos setores de massas e cont\u00ednuos ataques do proletariado aos privil\u00e9gios pol\u00edticos e econ\u00f4micos das classes dominantes, nossa imprensa \u201cprogressista\u201d lan\u00e7ou unanimemente um malicioso grito de indigna\u00e7\u00e3o. Oh, podem suportar muito, mas isto foi demais. Uma revolu\u00e7\u00e3o, exclamavam, n\u00e3o se pode \u201clegalizar\u201d. O uso de meios extraordin\u00e1rios s\u00f3 est\u00e1 permitido em circunst\u00e2ncias extraordin\u00e1rias. O objetivo do movimento de emancipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 perpetuar a revolu\u00e7\u00e3o, mas dirigi-la o mais rapidamente poss\u00edvel para canais <em>legais<\/em>. E assim continuaram, v\u00e1rias vezes. Esta \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o adotada pela maioria dos chamados \u2018democratas constitucionais\u2019. Os cronistas deste partido, inclu\u00eddos os Srs. Struve, Hessen e Milyukov\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote6sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>6<\/sup><\/a>\u00a0, que t\u00e3o incansavelmente se comprometem em todos seus planos, predi\u00e7\u00f5es e advert\u00eancias, se levantaram h\u00e1 muito tempo contra a revolu\u00e7\u00e3o em nome dos \u201cdireitos\u201d j\u00e1 ganhos. Antes da greve de outubro, tentaram dirigir a revolu\u00e7\u00e3o (com seus lamentos!) em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Duma de Bulygin,15 \u00a0argumentando que toda luta <em>direta <\/em>\u00a0contra esta \u00faltima favorecia a rea\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s o manifesto de 17 de outubro, finalmente decidiram autorizar a revolu\u00e7\u00e3o retrospectivamente durante tr\u00eas meses e meio (de 6 de agosto a 17 de outubro), adotaram magnanimamente a greve de outubro e lhe deram o t\u00edtulo de \u201cgloriosa\u201d. Por\u00e9m para garantir que ningu\u00e9m tivesse a impress\u00e3o de que haviam aprendido algo, com surpreendente capacidade tamb\u00e9m exigiram que a revolu\u00e7\u00e3o se encaixasse no leito de Procusto da constitui\u00e7\u00e3o de Witte\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote7sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>7<\/sup><\/a>\u00a0, declarando que qualquer outra luta direta contra esta \u00faltima tamb\u00e9m favorecia a rea\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 de se estranhar que estes senhores, depois de dar \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o um <em>respiro post facto<\/em>\u00a0de tr\u00eas meses, rangeram os dentes em oposi\u00e7\u00e3o a qualquer ideia de uma revolu\u00e7\u00e3o <em>permanente<\/em>.\u00a0 \u00a0S\u00f3 um constitucionalismo completamente estabilizado, com elei\u00e7\u00f5es peculiares e, se poss\u00edvel, leis extraordin\u00e1rias contra a socialdemocracia (contra as quais os liberais protestariam condicionalmente), e com adormecidas interpela\u00e7\u00f5es da oposi\u00e7\u00e3o combinadas com acordos vitais de bastidores \u2013 s\u00f3 esta condi\u00e7\u00e3o de \u201clei\u201d, sempre e quando se baseasse na explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das massas populares e fosse reprimida constitucionalmente com a ajuda da monarquia, duas casas e o ex\u00e9rcito imperial \u2013 poderia recompensar adequadamente estes pol\u00edticos por todos os males que haviam sofrido e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, criar as condi\u00e7\u00f5es nas quais poderia desempenhar um papel de \u201cestado\u201d. Por\u00e9m os acontecimentos enganaram estes caciques, revelaram sem piedade sua cegueira e sua impot\u00eancia, e desde h\u00e1 muito tempo nos liberaram de qualquer necessidade de solicitar sua permiss\u00e3o para a continua\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os membros menos corruptos dessa mesma democracia n\u00e3o correm o risco de manifestarem-se contra a revolu\u00e7\u00e3o a partir do ponto de vista dos \u2018resultados\u2019 constitucionais existentes: inclusive eles pensam que este cretinismo parlamentar, que na realidade impediu o surgimento do parlamentarismo, n\u00e3o \u00e9 uma arma eficaz de luta contra o proletariado revolucion\u00e1rio. Escolhem um curso diferente: se posicionam n\u00e3o sobre a lei, mas sobre o que consideram fatos, sobre as \u201cpossibilidades\u201d hist\u00f3ricas e o \u201crealismo\u201d pol\u00edtico, e finalmente\u2026finalmente, inclusive sobre o pr\u00f3prio \u201cmarxismo\u201d. Por que n\u00e3o? Como disse brevemente Antonio, o piedoso burgu\u00eas de Veneza:<\/p>\n<p>O mesmo diabo citar\u00e1 as sagradas escrituras se vierem de encontro aos seus prop\u00f3sitos.\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote8sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>8<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Estes cavalheiros, frequentemente ex \u2018marxistas\u2019 que agora tem a preciosa liberdade de esp\u00edrito que prov\u00e9m apenas da aus\u00eancia de uma cosmovis\u00e3o coerente, todos t\u00eam a mesma inclina\u00e7\u00e3o a abandonar as conclus\u00f5es revolucion\u00e1rias do marxismo sob o manto da \u2018cr\u00edtica\u2019 e ao mesmo tempo utilizar o pr\u00f3prio marxismo contra as t\u00e1ticas revolucion\u00e1rias da socialdemocracia. Todos eles nos acusam resolutamente de nos envolver servilmente a doutrinas fora de moda e de trair fundamentalmente a teoria evolucionista do marxismo.<\/p>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o interrompida? Uma revolu\u00e7\u00e3o socialista? Mas, o marxismo n\u00e3o ensina que nenhuma ordem social avan\u00e7a para uma nova sociedade sem antes dar-se conta plenamente de seu pr\u00f3prio potencial e desenvolver ao <em>m\u00e1ximo<\/em>\u00a0suas pr\u00f3prias tend\u00eancias?<em>\u00a0<\/em>Esgotou-se realmente o capitalismo russo? Ou os socialdemocratas pensam, como os subjetivistas, que \u00e9 poss\u00edvel superar ideologicamente o capitalismo? E assim sucessivamente. Os liberais mais obstinados, aqueles que pensam que inclusive os democratas constitucionais s\u00e3o muito imoderados, \u00e0s vezes adotam este tipo de argumento dos antigos \u201cmarxistas\u201d que querem citar as conclus\u00f5es das sagradas \u201cEscrituras\u201d. Assim, o senhor Alexander Kaufman exclamou com bastante seriedade,\u00a0<em>no Polyarnaya Zvezda<\/em>, que:<\/p>\n<p>Muitos de n\u00f3s que acreditamos no triunfo final do ideal socialista compartilhamos a opini\u00e3o de Rodbertus\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote9sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>9<\/sup><\/a>\u00a0de que o homem moderno[quem?] ainda n\u00e3o est\u00e1 suficientemente maduro para a \u2018Terra Prometida do socialismo\u2019, e junto com Marx estamos convencidos de que a socializa\u00e7\u00e3o dos meios de produ\u00e7\u00e3o s\u00f3 pode ser resultado do desenvolvimento gradual das for\u00e7as produtivas do povo e do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este Sr.Kaufman, quem para seus pr\u00f3prios prop\u00f3sitos jura simultaneamente por Rodbertus e Marx, o Papa e Lutero, \u00e9 um exemplo vivo da ignor\u00e2ncia maliciosa que os cr\u00edticos liberais fazem alarde a cada passo quando tratam com quest\u00f5es do socialismo.<\/p>\n<p>O capitalismo deve \u201cesgotar-se\u201d antes que o proletariado possa tomar o poder do Estado em suas pr\u00f3prias m\u00e3os. O que significa isso? Desenvolver ao m\u00e1ximo as for\u00e7as produtivas? Maximizar a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o? Mas nesse caso, qual \u00e9 o m\u00e1ximo? Como se determina objetivamente?<\/p>\n<p>O desenvolvimento econ\u00f4mico das \u00faltimas d\u00e9cadas demonstrou que o capitalismo n\u00e3o s\u00f3 concentra os principais ramos da ind\u00fastria em algumas poucas m\u00e3os, mas tamb\u00e9m cerca organismos econ\u00f4micos gigantes com ramifica\u00e7\u00f5es parasit\u00e1rias na forma de pequenas empresas industriais e comerciais. Na agricultura, o capitalismo \u00e0s vezes acaba com a produ\u00e7\u00e3o em pequena escala, transformando o campon\u00eas em um trabalhador sem terra, um trabalhador industrial, um comerciante de rua ou um vagabundo; em outros casos, preserva a propriedade rural enquanto a domina com suas pr\u00f3prias garras de ferro; e em outros casos cria pequenas e min\u00fasculas granjas enquanto escraviza os camponeses a servi\u00e7o dos grandes latifundi\u00e1rios. O que se desprende da enorme massa de acontecimentos e fatos entrela\u00e7ados que caracterizam o desenvolvimento capitalista \u00e9 que os valores criados pelas grandes empresas, que prevalecem nos principais ramos do trabalho social, crescem continuamente em compara\u00e7\u00e3o aos valores criados nas pequenas empresas, e isto facilita cada vez mais a socializa\u00e7\u00e3o dos principais ramos da economia. Mas, qual deve ser, na opini\u00e3o de nossos cr\u00edticos, a rela\u00e7\u00e3o porcentual entre estes dois setores da produ\u00e7\u00e3o social antes que possamos dizer que o capitalismo esgotou seu potencial e que o proletariado tem o direito de decidir que chegou a hora de estender a m\u00e3o e arrancar a fruta madura?<\/p>\n<p>Nosso partido n\u00e3o tem ilus\u00f5es sobre tomar o poder e depois produzir o socialismo do interior de sua pr\u00f3pria vontade socialista; na constru\u00e7\u00e3o socialista, pode e deve depender unicamente do desenvolvimento econ\u00f4mico objetivo que devemos assumir que continuar\u00e1 quando o proletariado estiver no poder. Mas o ponto \u00e9 \u00a0\u2013<em>e esta \u00e9 uma parte extremamente importante da quest\u00e3o\u2013\u00a0<\/em> que, em primeiro lugar, o desenvolvimento econ\u00f4mico j\u00e1 fez do socialismo um sistema objetivamente vantajoso, e em segundo lugar que este desenvolvimento econ\u00f4mico n\u00e3o envolve no m\u00ednimo que seja alguns pontos objetivos que primeiro devem ser superados antes de que seja poss\u00edvel que o estado comece uma interven\u00e7\u00e3o planificada na evolu\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea com o objetivo de substituir a economia privada por uma economia social.<\/p>\n<p>\u00c9 correto, sem d\u00favida, que quanto mais alta for a forma de desenvolvimento capitalista que obriga o proletariado a tomar o poder, mais f\u00e1cil ser\u00e1 a gest\u00e3o de suas tarefas socialistas, mais diretamente poder\u00e1 dirigir-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma economia social, e mais curto\u2013\u00a0<em>ceteris paribus<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote10sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><sup>10<\/sup><\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>\u2013 ser\u00e1 o per\u00edodo da revolu\u00e7\u00e3o social. Por\u00e9m o fato \u00e9,<em> e esta \u00e9 outra parte importante da quest\u00e3o<\/em>, que a escolha do momento em que se poderia tomar o poder estatal n\u00e3o depende de modo algum do proletariado. Desenvolvida sobre a base da evolu\u00e7\u00e3o capitalista, a luta de classes \u00e9 o tipo de processo <em>objetivo<\/em>\u00a0que tem suas pr\u00f3prias tend\u00eancias internas irrevers\u00edveis, como a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Lamentavelmente, a l\u00f3gica da luta de classes n\u00e3o \u00e9 mais que uma frase vazia para todos os pol\u00edticos burgueses, inclu\u00eddos os que flertam com o marxismo te\u00f3rico para lutar ainda mais \u00abindependentemente\u00bb contra sua express\u00e3o pol\u00edtica na socialdemocracia. Cada argumento que come\u00e7a com as rela\u00e7\u00f5es da luta de classes toca em sua consci\u00eancia como cristal lapidado. S\u00f3 conseguiram memorizar alguns elementos isolados da teoria marxista do desenvolvimento capitalista, mas se mantiveram b\u00e1rbaros burgueses primitivos em tudo o que concerne \u00e0 luta de classes e sua l\u00f3gica objetiva. Quando apelam ao \u2018desenvolvimento social objetivo\u2019 em resposta \u00e0 ideia de revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta, que para n\u00f3s \u00e9 uma conclus\u00e3o que deriva das rela\u00e7\u00f5es sociopol\u00edticas, esquecem que este mesmo desenvolvimento inclui n\u00e3o meramente a evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que entendem t\u00e3o superficialmente, mas tamb\u00e9m a l\u00f3gica revolucion\u00e1ria das rela\u00e7\u00f5es de classe, que nem sequer se atrevem a considerar.<\/p>\n<p>A socialdemocracia quer ser, e deve ser, uma express\u00e3o consciente do desenvolvimento objetivo. Mas, uma vez que chega o momento em que o desenvolvimento objetivo da luta de classes confronta o proletariado, em uma determinada etapa da revolu\u00e7\u00e3o, com a alternativa de assumir os direitos e deveres do poder estatal ou renunciar \u00e0 sua posi\u00e7\u00e3o de classe, a socialdemocracia faz da conquista do poder estatal seu objetivo <em>imediato<\/em>. Ao faz\u00ea-lo, n\u00e3o ignora o m\u00ednimo que seja, os processos mais profundos de desenvolvimento objetivo, inclu\u00eddos os processos de crescimento e concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Mas se diz que, uma vez que a l\u00f3gica da luta de classes, que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, depende do curso do desenvolvimento econ\u00f4mico, impulsiona o proletariado a instaurar sua ditadura inclusive antes de que a burguesia tenha \u201cesgotado\u201d sua miss\u00e3o econ\u00f4mica ( inclusive s\u00f3 iniciou sua miss\u00e3o pol\u00edtica), isto s\u00f3 pode significar que a hist\u00f3ria imp\u00f4s ao proletariado tarefas de dificuldade colossal. Pode acontecer que o proletariado se esgote na luta e inclusive tombe sob este peso, essa \u00e9 uma possibilidade. Entretanto, n\u00e3o pode fugir destas tarefas sem correr o risco da desmoraliza\u00e7\u00e3o de classe e o descenso de todo o pa\u00eds \u00e0 barb\u00e1rie.<\/p>\n<ol start=\"4\">\n<li><strong>Revolu\u00e7\u00e3o, burguesia e proletariado<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>Uma revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um pe\u00e3o que possa ser girado com um chicote. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 um Mar Vermelho obediente que os liberais, como Mois\u00e9s, possam separar gritando ou agitando uma vara. Quando falamos de revolu\u00e7\u00e3o ininterrupta, n\u00e3o \u00e9 porque sejamos relutantes em dirigir o movimento oper\u00e1rio por canais \u201clegais\u201d. (a Lei de quem? a do autocrata, do Sr. Witte, do Sr. Durnovo\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote11sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>11<\/sup><\/a>\u00a0, ou os esquemas legais do Sr. Struve? a lei de quem?). Come\u00e7amos com nossa an\u00e1lise das rela\u00e7\u00f5es de classe no desenvolvimento da luta revolucion\u00e1ria. Realizamos esta an\u00e1lise dezenas de vezes. Analisamos a quest\u00e3o a partir de todas as perspectivas e cada vez os fatos justificaram nossa an\u00e1lise pol\u00edtica. Os pol\u00edticos e cronistas burgueses se queixaram contra n\u00f3s, mas nunca tentaram uma resposta real.<\/p>\n<p>No ano passado, a revolu\u00e7\u00e3o demonstrou uma energia e uma resist\u00eancia colossais. Entretanto, ainda tem que criar uma s\u00f3 institui\u00e7\u00e3o estatal como um verdadeiro apoio e \u201cgarantia\u201d da \u201cliberdade\u201d. A Duma de 6 de agosto morreu. A Duma de 17 de outubro a 11 de dezembro est\u00e1 condenada ao fracasso\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote12sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>12<\/sup><\/a>\u00a0. Os liberais,\u00a0 que sempre esperam com impaci\u00eancia que a montanha revolucion\u00e1ria finalmente d\u00ea \u00e0 luz ao seu rato, se horrorizam com a \u201cfutilidade\u201d da revolu\u00e7\u00e3o. Entretanto, a revolu\u00e7\u00e3o tem todo o direito de estar orgulhosa desta \u201cfutilidade\u201d, que \u00e9 simplesmente a express\u00e3o externa de sua for\u00e7a interior. Cada vez que o absolutismo tenta colocar-se de acordo com os confusos representantes das classes propriet\u00e1rias e, contando com seu apoio, come\u00e7a a redigir o esquema de uma constitui\u00e7\u00e3o, surge uma nova onda revolucion\u00e1ria, muito mais poderosa que todas as anteriores, que desvanece os planos e atira ou barra os projetistas burocr\u00e1ticos e liberais.<\/p>\n<p>A burguesia \u00e9 incapaz de levar o povo a conquistar uma ordem parlamentar com a<em> derrocada<\/em> do absolutismo. E o povo, em forma de proletariado, est\u00e1 impedindo que a burguesia conquiste garantias constitucionais atrav\u00e9s de qualquer <em>acordo<\/em> com o absolutismo. Os democratas burgueses n\u00e3o podem dirigir o proletariado porque o proletariado \u00e9 muito maduro para segui-los e quer tomar a iniciativa ele pr\u00f3prio. E os democratas revelaram ser inclusive mais impotentes que os liberais. Est\u00e3o isolados do povo como o liberalismo, mas n\u00e3o tem as vantagens sociais da burguesia. S\u00e3o simplesmente uma nulidade.<\/p>\n<p>O proletariado \u00e9 a <em>\u00fanica<\/em>\u00a0for\u00e7a que dirige a revolu\u00e7\u00e3o e o <em>principal<\/em>\u00a0 lutador em seu nome. O proletariado se apodera de todo o campo e nunca est\u00e1 satisfeito, nem estar\u00e1 satisfeito, com nenhuma concess\u00e3o; atrav\u00e9s de cada respiro ou retirada tempor\u00e1ria, levar\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o \u00e0 vit\u00f3ria na qual tomar\u00e1 o poder.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que relatemos os fatos do ano passado. O leitor pode consultar a literatura socialdemocrata da \u00e9poca<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote13sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>13<\/sup><\/a>\u00a0.<\/p>\n<p>Aqui, apenas necessitamos dar uma ilustra\u00e7\u00e3o da impot\u00eancia da burguesia na luta por uma ordem parlamentar.<\/p>\n<p>A representa\u00e7\u00e3o popular, o pre\u00e7o de um trato entre a burguesia e a monarquia e a quest\u00e3o que esses acordos sempre implicam, \u00e9 assassinado pela revolu\u00e7\u00e3o cada vez que est\u00e1 a ponto de surgir. A outra institui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das revolu\u00e7\u00f5es burguesas, uma mil\u00edcia civil, foi assassinada no embri\u00e3o, inclusive no momento da concep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma mil\u00edcia (ou guarda nacional) foi o primeiro slogan e a primeira conquista de todas as revolu\u00e7\u00f5es: em 1789 e 1848 em Paris, em todos os estados italianos, em Viena e em Berlim. Em 1848 a guarda nacional (o armamento dos propriet\u00e1rios e as classes \u201ceducadas\u201d) era a consigna de toda a oposi\u00e7\u00e3o burguesa, inclusive dos elementos mais moderados. Seu prop\u00f3sito n\u00e3o era s\u00f3 salvaguardar as liberdades extra\u00eddas, ou simplesmente a ponto de ser \u201cconcedidas\u201d, contra a derrocada a partir de cima, mas tamb\u00e9m proteger a propriedade burguesa das usurpa\u00e7\u00f5es por parte do proletariado. Assim, a exig\u00eancia de uma mil\u00edcia foi uma exig\u00eancia de classe inflex\u00edvel da burguesia. Um historiador ingl\u00eas liberal da unifica\u00e7\u00e3o da It\u00e1lia disse:<\/p>\n<p>Os italianos entenderam muito bem que armar uma mil\u00edcia civil tornaria imposs\u00edvel a continuidade do despotismo. Ademais, para as classes possuidoras isto era uma garantia contra a possibilidade da anarquia e todas as desordens que se escondem por debaixo.\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote14sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>14<\/sup><\/a><\/p>\n<p>Os reacion\u00e1rios governantes, ao n\u00e3o possuir for\u00e7as militares suficientes nos centros de atividade, armaram a burguesia para fazer frente \u00e0 \u00abanarquia\u00bb, ou seja, \u00e0s massas revolucion\u00e1rias. O absolutismo permitiu, prontamente, aos burgueses reprimir e pacificar os oper\u00e1rios, para depois desarmar e pacificar os pr\u00f3prios burgueses.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s, a consigna de uma mil\u00edcia n\u00e3o tem nenhum cr\u00e9dito entre os partidos burgueses. Os liberais certamente devem compreender a import\u00e2ncia das armas; o absolutismo ensinou algumas li\u00e7\u00f5es objetivas a este respeito. Mas tamb\u00e9m compreendem a total impossibilidade de criar uma mil\u00edcia em nosso pa\u00eds sem o proletariado ou em oposi\u00e7\u00e3o ao proletariado. Os trabalhadores russos n\u00e3o se parecem aos trabalhadores de 1848, que enchiam seus bolsos com pedras ou seguravam alavancas enquanto os comerciantes, estudantes e advogados levavam mosquetes reais ao ombro e tinham sabres ao seu alcance.<\/p>\n<p>Armar a revolu\u00e7\u00e3o significa, antes de tudo, em nosso caso, armar os trabalhadores. Sabendo e temendo este fato, os liberais repudiam uma mil\u00edcia. Sobre esta quest\u00e3o, se rendem ao absolutismo sem lutar, como a burguesia de Thiers entregou Paris e a Fran\u00e7a a Bismarck ao inv\u00e9s de armar os trabalhadores.<\/p>\n<p>Em uma cole\u00e7\u00e3o intitulada <em>O Estado constitucional,<\/em> um manifesto da coaliz\u00e3o liberal-democr\u00e1tica, o Sr. Dzhivelegov, que discute a possibilidade da revolu\u00e7\u00e3o, disse com bastante raz\u00e3o que \u201ca pr\u00f3pria sociedade, no momento necess\u00e1rio, deve estar preparada para levantar-se em defesa de sua Constitui\u00e7\u00e3o\u201d. Mas dado que a conclus\u00e3o \u00f3bvia que segue \u00e9 a exig\u00eancia de armar o povo, este fil\u00f3sofo liberal acredita que \u00e9 \u2018necess\u00e1rio agregar\u2019 que \u2018n\u00e3o \u00e9 em absoluto necess\u00e1rio que todos portem armas\u2019 para evitar golpes de Estado\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote15sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>15<\/sup><\/a>\u00a0. S\u00f3 \u00e9 necess\u00e1rio que a pr\u00f3pria sociedade esteja preparada para resistir; embora n\u00e3o nos diga como. Se for poss\u00edvel tirar alguma conclus\u00e3o deste subterf\u00fagio, s\u00f3 pode ser que, no cora\u00e7\u00e3o de nossos democratas, o medo do proletariado armado \u00e9 maior que o medo das tropas autocratas.<\/p>\n<p>Disso se deduz que a tarefa de armar a revolu\u00e7\u00e3o recai inteiramente sobre o proletariado. Uma mil\u00edcia civil, que era a demanda de classe da burguesia em 1848, \u00e9 na R\u00fassia desde o princ\u00edpio uma demanda para armar o povo e, sobretudo o proletariado. Nesta quest\u00e3o se resume todo o destino da revolu\u00e7\u00e3o russa.<\/p>\n<ol start=\"5\">\n<li><strong>O proletariado e o campesinato<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>As primeiras tarefas que o proletariado enfrentar\u00e1 imediatamente depois da tomada de poder ser\u00e3o as pol\u00edticas: fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o, armar a revolu\u00e7\u00e3o, desarmar a rea\u00e7\u00e3o, estender a base da revolu\u00e7\u00e3o e reconstruir o Estado. Ao completar estas tarefas, particularmente a \u00faltima, os trabalhadores russos n\u00e3o esquecer\u00e3o a experi\u00eancia da Comuna de Paris. Aboli\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente e da pol\u00edcia, armamento do povo, elimina\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o burocr\u00e1tica, introdu\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es para todos os servidores p\u00fablicos, equidade de seus sal\u00e1rios e separa\u00e7\u00e3o da igreja do estado: estas s\u00e3o as medidas que devem ser primeiro implementadas, seguindo o exemplo da Comuna.<\/p>\n<p>Por\u00e9m o proletariado n\u00e3o poder\u00e1 estabilizar seu poder sem ampliar a base da pr\u00f3pria revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitos estratos das massas trabalhadoras, especialmente no campo, ser\u00e3o arrastados para a revolu\u00e7\u00e3o pela primeira vez e se organizar\u00e3o politicamente s\u00f3 depois que a vanguarda da revolu\u00e7\u00e3o, o proletariado urbano, j\u00e1 tenha tomado o tim\u00e3o do Estado. A agita\u00e7\u00e3o e a organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1rias ser\u00e3o levadas a cabo com a ajuda de recursos estatais. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o poder legislativo se converter\u00e1 em si pr\u00f3prio em um poderoso instrumento para revolucionar as massas populares.<\/p>\n<p>Nestas circunst\u00e2ncias, o car\u00e1ter das nossas rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3rico-sociais ser\u00e1 tal que colocar\u00e1 sobre os ombros do proletariado todos os encargos da revolu\u00e7\u00e3o burguesa e n\u00e3o apenas criar\u00e1 enormes dificuldades para o governo oper\u00e1rio como tamb\u00e9m lhe dar\u00e1 uma vantagem inestim\u00e1vel em termos de rela\u00e7\u00f5es entre o proletariado e o campesinato.<\/p>\n<p>Nas revolu\u00e7\u00f5es de 1789-1793 e 1848, o poder passou do absolutismo para elementos moderados da burguesia, que, por sua vez, emanciparam o campesinato (<em>como,<\/em> \u00e9 outra quest\u00e3o) antes que a democracia revolucion\u00e1ria tomasse o poder ou inclusive estivesse preparada para tomar o poder em suas pr\u00f3prias m\u00e3os. O campesinato emancipado perdeu todo interesse nos empreendimentos pol\u00edticos do \u2018povo das cidades\u2019, isto \u00e9, em um maior desenvolvimento da revolu\u00e7\u00e3o, e se converteu em uma base s\u00f3lida no apoio da \u2018ordem\u2019, entregando assim a cabe\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o para uma rea\u00e7\u00e3o cesarista ou absolutista.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o russa, como j\u00e1 dissemos, n\u00e3o permite o estabelecimento de nenhum tipo de ordem constitucional burguesa que possa resolver nem sequer as tarefas mais elementares da democracia. E quanto aos burocratas reformistas como Witte, todos seus esfor\u00e7os ilustrados se arruinar\u00e3o na luta pela sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia. Como resultado, o destino dos interesses revolucion\u00e1rios mais b\u00e1sicos do campesinato, inclusive os do campesinato em <em>seu conjunto<\/em>, como\u00a0<em>estamento<\/em>, est\u00e1 ligado ao destino de toda a revolu\u00e7\u00e3o, o que significa que est\u00e1 ligado ao destino do proletariado.<\/p>\n<p><em>O proletariado no \u00a0poder se apresentar\u00e1 diante do campesinato como a classe que o emancipa.<\/em><\/p>\n<p>Como no caso da Comuna, estar\u00e1 totalmente justificado dizer ao campesinato: \u201cNossa vit\u00f3ria \u00e9 vossa vit\u00f3ria!\u201d.<\/p>\n<p>A supremacia do proletariado significar\u00e1 n\u00e3o apenas igualdade democr\u00e1tica, autogoverno livre, transfer\u00eancia de toda a carga tribut\u00e1ria para as classes propriet\u00e1rias, dissolu\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito permanente e sua substitui\u00e7\u00e3o pelo povo armado, e a elimina\u00e7\u00e3o das requisi\u00e7\u00f5es obrigat\u00f3rias por parte da igreja, mas tamb\u00e9m reconhecimento de todas as redistribui\u00e7\u00f5es (expropria\u00e7\u00f5es) revolucion\u00e1rias de terra empreendidas pelo campesinato. O proletariado converter\u00e1 estas transforma\u00e7\u00f5es no ponto de partida de medidas governamentais ulteriores na esfera da agricultura. Nestas condi\u00e7\u00f5es, o campesinato russo estar\u00e1 pelo menos t\u00e3o interessado, desde o princ\u00edpio e durante o per\u00edodo inicial mais dif\u00edcil, em apoiar o regime prolet\u00e1rio (democracia oper\u00e1ria) como o campesinato franc\u00eas em apoiar o regime militar de Napole\u00e3o Bonaparte, que utilizou suas baionetas para garantir aos novos propriet\u00e1rios a seguran\u00e7a de suas propriedades. Isto significa que o governo popular, convocado sob a dire\u00e7\u00e3o do proletariado e com o apoio do campesinato, n\u00e3o ser\u00e1 outra coisa que a forma democr\u00e1tica da supremacia da democracia oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 poss\u00edvel que o pr\u00f3prio campesinato coloque de lado o proletariado e tome seu lugar?<\/p>\n<p>Isto \u00e9 imposs\u00edvel. Toda a experi\u00eancia hist\u00f3rica protesta contra este pressuposto e demonstra que o campesinato \u00e9 completamente incapaz de um papel pol\u00edtico<em> independente<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote16sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em><sup>16<\/sup><\/em><\/a><em>\u00a0<\/em>.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do capitalismo \u00e9 a hist\u00f3ria da subordina\u00e7\u00e3o do campo \u00e0 cidade. Em seu pr\u00f3prio tempo, o desenvolvimento industrial das cidades europeias tornou imposs\u00edvel a continua\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es feudais na esfera da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Por\u00e9m o campo mesmo nunca produziu o tipo de classe capaz de gerenciar a tarefa revolucion\u00e1ria de abolir o feudalismo. A pr\u00f3pria cidade que subordinou a agricultura ao capital, tamb\u00e9m produziu as for\u00e7as revolucion\u00e1rias que tomaram a hegemonia pol\u00edtica sobre o campo e estenderam a revolu\u00e7\u00e3o nas rela\u00e7\u00f5es estatais e de propriedade. Com um maior desenvolvimento, o campo finalmente caiu na servid\u00e3o econ\u00f4mica do capital e o campesinato na servid\u00e3o pol\u00edtica dos partidos capitalistas. Restabeleceram o feudalismo na pol\u00edtica parlamentar ao converter o campesinato em seu pr\u00f3prio <em>latif\u00fandio<\/em> pol\u00edtico com fins de busca de votos. O estado burgu\u00eas moderno, por meio dos impostos e do militarismo, empurra o campon\u00eas para as garras do capital usur\u00e1rio; e por meio dos sacerdotes estatais, das escolas estatais e da corrup\u00e7\u00e3o da vida dos quart\u00e9is, o converte em v\u00edtima da pol\u00edtica usur\u00e1ria.<\/p>\n<p>A burguesia russa entregar\u00e1 todas suas posi\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias ao proletariado. Do mesmo modo, ter\u00e1 que entregar a dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria do campesinato. Na situa\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 criada com a transfer\u00eancia do poder ao proletariado, o campesinato n\u00e3o ter\u00e1 mais op\u00e7\u00e3o que aliar-se com o regime de democracia oper\u00e1ria, ainda que o fa\u00e7a sem um compromisso mais consciente do que costuma mostrar ao associar-se com o regime burgu\u00eas! Mas enquanto todo partido burgu\u00eas, depois de ganhar os votos dos camponeses, se apressa em usar o poder para depenar o campesinato, engan\u00e1-lo e trair todas suas expectativas e todas as promessas que lhes fazem, e depois, no pior dos casos, d\u00e1 lugar a outro partido capitalista; o proletariado, apoiando-se no campesinato, colocar\u00e1 em movimento todas as for\u00e7as poss\u00edveis para elevar o n\u00edvel cultural do campo e desenvolver a consci\u00eancia pol\u00edtica do campesinato.<\/p>\n<p>Marx disse que os preconceitos do campon\u00eas franc\u00eas n\u00e3o podiam resistir ao chamado da Comuna aos interesses vitais e as necessidades essenciais dos camponeses. Os latifundi\u00e1rios entendiam muito bem (e temiam, sobretudo) que, se a Paris da Comuna tivesse se comunicado livremente com as prov\u00edncias, em alguns tr\u00eas meses eclodiria uma insurrei\u00e7\u00e3o camponesa geral. Por isso se apressaram t\u00e3o freneticamente a cercar Paris com um bloqueio policial para deter a propaga\u00e7\u00e3o da infec\u00e7\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>Como consideramos a ideia de uma \u201cditadura do proletariado e do campesinato\u201d ficar\u00e1 n\u00edtido \u00a0por tudo que dissemos at\u00e9 agora. O ponto essencial n\u00e3o \u00e9 se a consideramos admiss\u00edvel em princ\u00edpio, se \u201cqueremos\u201d ou \u201cn\u00e3o queremos\u201d tal forma de coopera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A consideramos incapaz de ser realizada, ao menos em um sentido direto e imediato.<\/p>\n<p>De fato, tal coaliz\u00e3o pressup\u00f5e que um dos partidos burgueses existentes tome o controle do campesinato, ou que o campesinato crie seu pr\u00f3prio partido poderoso e independente. Ambos os resultados, como tentamos demonstrar, s\u00e3o imposs\u00edveis.<\/p>\n<p>Entretanto, a ditadura do proletariado sem d\u00favida representar\u00e1 todos os interesses progressistas e reais do campesinato, e n\u00e3o s\u00f3 do campesinato, mas tamb\u00e9m da pequena burguesia e da intelectualidade. \u201cA Comuna\u201d, disse Marx, \u201cserviu como o verdadeiro representante de todos os elementos saud\u00e1veis da sociedade francesa; por essa raz\u00e3o, era um <em>governo nacional<\/em> genu\u00edno\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m continuou sendo \u00a0a <em>ditadura do proletariado.<\/em><\/p>\n<ol start=\"6\">\n<li><strong>Os m\u00e9todos e objetivos da ditadura do proletariado<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<p>A ditadura do proletariado n\u00e3o significa em absoluto a ditadura de uma organiza\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria <em>sobre<\/em>\u00a0o proletariado e, atrav\u00e9s dele, sobre o conjunto da sociedade. Isto fica mais bem demonstrado na experi\u00eancia da Comuna de Paris.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o de Viena em mar\u00e7o de 1848 entregou o poder aos estudantes, a \u00fanica parte da sociedade burguesa que ainda era capaz de uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria decisiva. O proletariado, desorganizado e carente de experi\u00eancia pol\u00edtica e de lideran\u00e7a independente, seguiu os estudantes. A cada momento cr\u00edtico, os oper\u00e1rios ofereciam firmemente aos \u201csenhores que trabalham com a cabe\u00e7a\u201d a ajuda dos \u201cque trabalham com as m\u00e3os\u201d. Os estudantes primeiro chamaram os trabalhadores, por\u00e9m depois eles mesmos bloquearam seu caminho a partir dos sub\u00farbios. Ocasionalmente, utilizando a for\u00e7a de sua pr\u00f3pria autoridade pol\u00edtica e apoiando-se nas armas da Legi\u00e3o Acad\u00eamica, impediram os trabalhadores de apresentar suas pr\u00f3prias exig\u00eancias independentes. Esta foi uma forma cl\u00e1ssica e \u00f3bvia de ditadura revolucion\u00e1ria benevolente <em>sobre<\/em>\u00a0o proletariado.<\/p>\n<p>Na Comuna de Paris, tudo dependia da atividade pol\u00edtica independente dos trabalhadores. O Comit\u00ea Central da Guarda Nacional aconselhou aos eleitores prolet\u00e1rios da Comuna que lembrassem que as \u00fanicas pessoas que lhes serviriam bem, seriam aquelas selecionadas entre os pr\u00f3prios trabalhadores. O Comit\u00ea Central escreveu: \u201cEvitem os que tem propriedades, porque \u00e9 um acontecimento extremamente incomum quando um homem acomodado considera o trabalhador como seu irm\u00e3o\u201d. A Comuna era uma junta prolet\u00e1ria com uma atitude s\u00e9ria, a Guarda Nacional era seu ex\u00e9rcito e os funcion\u00e1rios eram seus servidores respons\u00e1veis. Olhai a Comuna de Paris: eis a\u00eds a ditadura do proletariado!<\/p>\n<p>A classe trabalhadora russa de 1906 n\u00e3o se parece em absoluto com a de Viena em 1848. A melhor prova \u00e9 o fato de que surgem sovietes de deputados oper\u00e1rios em toda a R\u00fassia. N\u00e3o se trata de organiza\u00e7\u00f5es conspirativas que se prepararam de antem\u00e3o e tomaram o poder sobre as massas prolet\u00e1rias no momento em que eclodiu a como\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, estes \u00f3rg\u00e3os foram criados deliberadamente pelas pr\u00f3prias massas para coordenar sua luta revolucion\u00e1ria. E estes sovietes, eleitos pelas massas e respons\u00e1veis ante eles como institui\u00e7\u00f5es incondicionalmente democr\u00e1ticas, est\u00e3o seguindo a pol\u00edtica de classes mais resoluta no esp\u00edrito do socialismo revolucion\u00e1rio. Isto ainda est\u00e1 longe de ter um governo provis\u00f3rio e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, poderiam dar em nada, mas certamente vemos aqui os futuros \u00f3rg\u00e3os de apoio local para um governo provis\u00f3rio. Toda a atividade dos sovietes oper\u00e1rios demonstra claramente que a pol\u00edtica do proletariado russo no poder ser\u00e1 um novo e colossal passo adiante em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 Comuna de 1871.<\/p>\n<p>Os trabalhadores parisienses, disse Marx, n\u00e3o exigiram milagres da Comuna. Tamb\u00e9m n\u00e3o podemos esperar todo tipo de milagres da ditadura do proletariado hoje. O poder estatal n\u00e3o \u00e9 onipotente. Seria uma estupidez pensar que tudo o que o proletariado deve fazer \u00e9 aplicar toda sua energia no uso do poder estatal para facilitar e encurtar o caminho da evolu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na dire\u00e7\u00e3o do coletivismo.<\/p>\n<p>O proletariado come\u00e7ar\u00e1 com aquelas reformas que est\u00e3o inclu\u00eddas em seu chamado programa m\u00ednimo, e depois, pela pr\u00f3pria l\u00f3gica de sua posi\u00e7\u00e3o, se ver\u00e1 obrigado a avan\u00e7ar diretamente para pr\u00e1ticas coletivistas.<\/p>\n<p>A introdu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho de oito horas e um imposto sobre a renda marcadamente progressivo ser\u00e1 relativamente f\u00e1cil, embora, tamb\u00e9m aqui, o ponto central n\u00e3o \u00e9 emitir a \u201clei\u201d, mas sim organizar sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica. Mas a principal dificuldade, e aqui temos a transi\u00e7\u00e3o ao coletivismo!- ser\u00e1 que o estado organize a produ\u00e7\u00e3o naquelas f\u00e1bricas e plantas que ser\u00e3o fechadas por seus donos em resposta \u00e0 publica\u00e7\u00e3o destas leis.<\/p>\n<p>Emitir e colocar em pr\u00e1tica uma lei que revogue o direito \u00e0 heran\u00e7a ser\u00e1 igualmente um assunto comparativamente simples. Os pequenos legados em forma de capital pecuni\u00e1rio tampouco s\u00e3o um problema para o proletariado e n\u00e3o imp\u00f5em nenhum encargo \u00e0 sua economia. Por\u00e9m converter-se em herdeiro do capital industrial e da terra significa que o estado oper\u00e1rio deve encarregar-se de organizar a economia para fins p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O mesmo acontecer\u00e1, em escala ainda maior, em mat\u00e9ria de desapropria\u00e7\u00e3o, com ou sem indeniza\u00e7\u00e3o. A expropria\u00e7\u00e3o com compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 politicamente vantajosa, mas cria um encargo financeiro, enquanto a expropria\u00e7\u00e3o sem compensa\u00e7\u00e3o \u00e9 economicamente vantajosa, mas politicamente dif\u00edcil. Mas essas e outras dificuldades semelhantes permanecer\u00e3o sendo secund\u00e1rias em compara\u00e7\u00e3o com as envolvidas na gest\u00e3o e na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Repito: o governo do proletariado n\u00e3o significa um governo de milagres.<\/p>\n<p>A socializa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ar\u00e1 pelos ramos que apresentam menos dificuldade. No primeiro per\u00edodo, a produ\u00e7\u00e3o socializada ser\u00e1 como o\u00e1sis, ligada \u00e0s empresas econ\u00f4micas privadas pelas leis da circula\u00e7\u00e3o de mercadorias. Quanto mais amplo for o campo da produ\u00e7\u00e3o socializada, mais evidentes ser\u00e3o suas vantagens, mais seguro se sentir\u00e1 o novo regime pol\u00edtico e mais audaciosas ser\u00e3o as medidas econ\u00f4micas subsequentes do proletariado. Ao tomar essas medidas, pode e vai depender n\u00e3o apenas das for\u00e7as produtivas nacionais, mas tamb\u00e9m da tecnologia internacional, assim como em sua pol\u00edtica revolucion\u00e1ria se baseia n\u00e3o apenas nos fatos imediatos das rela\u00e7\u00f5es nacionais de classe, mas tamb\u00e9m em toda a experi\u00eancia hist\u00f3rica. do proletariado internacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tendo tomado o poder atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o, o proletariado russo far\u00e1 tudo o que as circunst\u00e2ncias lhe permitam para vincular o destino de sua causa nacional imediata e diretamente \u00e0 causa do socialismo mundial<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote16sym\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><sup>16<\/sup><\/a>. Estamos chamados a faz\u00ea-lo n\u00e3o s\u00f3 pelos princ\u00edpios internacionais comuns da pol\u00edtica prolet\u00e1ria, mas tamb\u00e9m pela poderosa voz de auto conserva\u00e7\u00e3o de classe, que nos obriga a avan\u00e7ar nesta dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O proletariado russo n\u00e3o ser\u00e1 obrigado a retroceder, mas s\u00f3 poder\u00e1 levar sua grande causa at\u00e9 o final se conseguir expandir os limites de nossa grande revolu\u00e7\u00e3o e convert\u00ea-la no pr\u00f3logo da vit\u00f3ria mundial do Trabalho.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote1anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1<\/a>\u00a0Mymretsov: um personagem de Budka (<em>A \u00a0Guarita<\/em>) de G. I. Ouspensky, um tipo de policial tosco e grosseiro de uma pequena cidade afastada da R\u00fassia czarista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote2anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">2<\/a>\u00a0[Louis-Adolphe Thiers (1797-1877), desencadeou a guerra com a Pr\u00fassia diante do temor de uma revolu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m posteriormente, como presidente da Rep\u00fablica, capitulou ante Bismarck e colaborou com ele \u00a0para esmagar a Comuna].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote3anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">3<\/a>\u00a0[Alexandre Millerand (1859-1943) eleito deputado socialista em 1885,\u00a0 uniu-se ao governo de Ren\u00e9 Waldeck-Rousseau em 1899 como Ministro do Com\u00e9rcio.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote4anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">4<\/a>\u00a0[Gaston-Alexandre-Auguste Gallifet (1830-1909) reprimiu selvagemente a Comuna em 1871.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote5anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">5<\/a>\u00a0[Na obra de Henrik Ibsen,\u00a0<em>Um inimigo do povo<\/em>, o burgomestre Stockman declara que seu irm\u00e3o, um m\u00e9dico, \u00e9 um inimigo do povo por descobrir que os banheiros est\u00e3o contaminados e tornar p\u00fablica a not\u00edcia depois. O burgomestre prefere a contamina\u00e7\u00e3o aos custos que as repara\u00e7\u00f5es implicariam.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote6anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">6<\/a>\u00a0[IV Hessen e PN Milyukov editaram o di\u00e1rio\u00a0<em>Rech\u2019<\/em>, que desde mar\u00e7o de 1906 serviu como a publica\u00e7\u00e3o central do partido dos Democratas Constitucionais (os Cadetes). Struve foi um colaborador pr\u00f3ximo.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote7anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">7<\/a>\u00a0[Em fevereiro de 1905, o czar ordenou a AG Bulygin, que substituiu \u00a0Svyatopolk-Mirsky como ministro do Interior, que redigira um plano para uma assembleia consultiva limitada na qual a maioria das classes da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o estariam representadas. A proposta foi abandonada ap\u00f3s as greves de outubro, que levaram o czar a emitir um manifesto prometendo um organismo mais representativo].<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote8anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8<\/a>\u00a0[<em>O\u00a0Mercador de Veneza<\/em>\u00a0de Shakespeare (Ato I, cena III).]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote9anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">9<\/a>\u00a0[Karl Johann Rodbertus (1805-1875) economista e reformador social alem\u00e3o que considerava poss\u00edvel uma rep\u00fablica socialista, mas tamb\u00e9m esperava que um imperador alem\u00e3o pudesse surgir como imperador social.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote10anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a>\u00a0[Sendo todas as demais condi\u00e7\u00f5es iguais]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote11anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">11<\/a>\u00a0[Pyotr Nikolaevich Durnovo (1845-1915) chefe de seguran\u00e7a sob o czar Nicolau e respons\u00e1vel por reprimir a revolu\u00e7\u00e3o.]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote12anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">12<\/a>\u00a0[Em 6 de agosto (19 de agosto novo estilo) o czar emitiu um manifesto sobre a convocat\u00f3ria de uma Duma consultiva. Entretanto, atrav\u00e9s do Conselho de Estado designado, o czar teria podido aprovar leis apesar da opini\u00e3o da Duma. Em 17 de outubro (30 de outubro), o czar emitiu um novo manifesto prometendo que nenhuma lei entraria em vigor sem a aprova\u00e7\u00e3o da Duma. ]<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote13anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">13<\/a>\u00a0Ver nosso folheto\u00a0<em>At\u00e9 o nove de janeiro<\/em>\u00a0e especialmente o pr\u00f3logo do camarada Parvus. Ademais, remetemos o leitor a determinados artigos de\u00a0<em>Nachalo<\/em>\u00a0e nosso pr\u00f3logo ao <em>discurso de Lassalle ao j\u00fari<\/em>. Este pr\u00f3logo, escrito em julho de 1905, \u00a0teve uma hist\u00f3ria complexa e somente agora aparece na imprensa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote14anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">14<\/a>\u00a0King 1901, p\u00e1g. 220.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote15anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">15<\/a>\u00a0<em>O Estado constitucional: cole\u00e7\u00e3o de artigos,<\/em>\u00a01\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p\u00e1g. 49.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote16anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">16<\/a>\u00a0O surgimento e desenvolvimento da \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d n\u00e3o contradizem estes e argumentos posteriores? De modo algum. O que \u00e9 a \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d? \u00c9 uma associa\u00e7\u00e3o de certos elementos da democracia radical, que buscam o apoio das massas, com os elementos mais conscientes do campesinato \u2013 evidentemente <em>n\u00e3o<\/em> os estratos mais baixos- em nome da revolu\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica e da reforma agr\u00e1ria. Por mais r\u00e1pido que tenha crescido a \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que est\u00e1 muito longe de se converter em uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das massas campesinas. Deixando de lado todas as demais considera\u00e7\u00f5es, a revolu\u00e7\u00e3o avan\u00e7a a tal ritmo que n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de esperar que a \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d possa, no momento da derrocada final do absolutismo e da transfer\u00eancia do poder para m\u00e3os revolucion\u00e1rias, converter-se em um s\u00e9rio competidor do proletariado organizado. Al\u00e9m disso, n\u00e3o devemos esquecer que as principais batalhas revolucion\u00e1rias est\u00e3o ocorrendo nas cidades, e este fato por si s\u00f3 relega a \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d ao papel de um destacamento de combate subordinado, que por sua vez determina seu lugar na escala das for\u00e7as pol\u00edticas.<\/p>\n<p>E quanto ao programa agr\u00e1rio da \u201cUni\u00e3o Camponesa\u201d (\u2018igualiza\u00e7\u00e3o da posse da terra\u2019), que \u00e9 sua principal raz\u00e3o de exist\u00eancia, h\u00e1 que se dizer o seguinte: quanto mais amplo e profundo o movimento agr\u00e1rio se tornar, mais rapidamente chegar\u00e1 \u00e0s confisca\u00e7\u00f5es e redistribui\u00e7\u00f5es, o que significa que a \u201cUni\u00e3o Campesina\u201d se dissolver\u00e1 com maior rapidez como resultado de mil contradi\u00e7\u00f5es entre classes, localidades, vida cotidiana e t\u00e9cnica. Seus integrantes exercer\u00e3o sua parte de influ\u00eancia nos <em>comit\u00eas campesinos<\/em>, como \u00f3rg\u00e3os locais da revolu\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria, mas \u00e9 desnecess\u00e1rio dizer que os comit\u00eas campesinos, como<em> institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4mico-administrativas<\/em>, n\u00e3o alterar\u00e3o a depend\u00eancia <em>pol\u00edtica\u00a0<\/em>do campo da cidade, o que \u00e9 uma das caracter\u00edsticas fundamentais da sociedade moderna.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/centromarx.org\/documentos\/historia\/europa\/178-treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html#sdfootnote16anc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">29<\/a>Comentamos em termos gerais as perspectivas internacionais da revolu\u00e7\u00e3o no pr\u00f3logo antes mencionado ao discurso de Lassalle<\/p>\n<p>Fonte: &lt;\u00a0<a href=\"https:\/\/centromarx.org\/treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/centromarx.org\/treinta-y-cinco-anos-despues-1871-1906.html<\/a>\u00a0&gt;.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este texto de Le\u00f3n Trotsky sobre a Comuna de Paris \u00e9 pouco conhecido. 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