{"id":64335,"date":"2021-06-29T12:05:37","date_gmt":"2021-06-29T15:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64335"},"modified":"2021-06-29T12:05:37","modified_gmt":"2021-06-29T15:05:37","slug":"a-superliga-e-a-tendencia-imparavel-do-futebol-moderno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/29\/a-superliga-e-a-tendencia-imparavel-do-futebol-moderno\/","title":{"rendered":"A Superliga e a tend\u00eancia impar\u00e1vel do futebol moderno"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 18 de abril, 12 dos clubes de futebol mais poderosos da Europa anunciaram,\u00a0<\/em><em>atrav\u00e9s de um comunicado, o que vinha fermentando h\u00e1 muito tempo: a constitui\u00e7\u00e3o\u00a0<\/em><em>da nova \u201cSuperliga Europeia\u201d.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Antonio Rodr\u00edguez<\/p>\n<p><strong>O futebol e suas origens<\/strong><\/p>\n<p>O futebol, esse esporte que cativa as massas e que faz s\u00e9culos que nos acompanha, <strong>h\u00e1 muito tempo deixou de ser uma paix\u00e3o de muitos\/as para ser um neg\u00f3cio de poucos<\/strong>. Nas suas origens, o futebol come\u00e7ou a ser praticado de forma amadora e em cada local tinha suas pr\u00f3prias regras. Algumas pessoas se divertiam praticando e outras se divertiam assistindo.<\/p>\n<p>\u00c9 em Londres, em 1863, que as regras do futebol s\u00e3o unificadas e se cria a \u201c<em>The Football Association<\/em>&#8220;. Em 1871 foi criada a \u201c<em>FA Cup<\/em>\u201d e os ingressos come\u00e7am a ser cobrados para poder assistir \u00e0s partidas. A partir da\u00ed os jogadores de futebol come\u00e7am a receber ofertas econ\u00f4micas para jogar em cada clube. Em 1904 foi criada a FIFA e em 1930 foi organizado o primeiro campeonato mundial de futebol no Uruguai.<\/p>\n<p>O dinheiro come\u00e7ou a circular em torno do futebol e para que os jogadores de futebol se dedicassem de maneira exclusiva deveriam ser pagos. A partir da\u00ed, os clubes tiveram que gerar receitas e estas vieram da venda de ingressos nos est\u00e1dios. Uma boa fonte de receita, considerando que os est\u00e1dios recebiam muitos espectadores. Em 30 de julho de 1930, 93.000 espectadores lotaram o Est\u00e1dio Centen\u00e1rio de Montevid\u00e9u para ver a final da primeira Copa do Mundo entre as sele\u00e7\u00f5es da Argentina e do Uruguai.<\/p>\n<p><strong>Do futebol amador para uma grande ind\u00fastria<\/strong><\/p>\n<p>Desde h\u00e1 muito tempo, em alguns est\u00e1dios, podemos ver algumas faixas ou cartazes que p\u00f5em em cheque o futebol atual e tudo o que o rodeia: \u201c<em>\u00d3dio eterno ao futebol moderno<\/em>&#8220;.<strong> E o que \u00e9 o futebol moderno?<\/strong> O futebol moderno \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias que, na maioria dos casos, fazem com que muitas\/os torcedoras\/es sintam-se frustrados com o tratamento que recebem de alguns (Tebas\u00b9 e companhia) e outros (os dirigentes que estragaram o futuro de numerosas equipes). A Lei Bosman, permitindo grandes milion\u00e1rios como Roman Abramovich e Xeiques \u00c1rabes se apossassem dos clubes, as grandes diferen\u00e7as na distribui\u00e7\u00e3o de contratos de televis\u00e3o, entre outras quest\u00f5es, foram deixando de fora a opini\u00e3o dos\/as s\u00f3cios\/as e decretando os primeiros passos do que acontece hoje em dia.<\/p>\n<p>O futebol se tornou o esporte mais popular do mundo, e com isso o avan\u00e7o da tecnologia foi decisivo. O papel da televis\u00e3o liderando os grandes campeonatos do est\u00e1dio \u00e0 poltrona de cada casa foi um grande salto que transformou a ind\u00fastria do futebol. Passaram da venda de milhares de ingressos \u00e0 venda de direitos de transmiss\u00e3o para bilh\u00f5es de pessoas no mundo. Se adicionarmos o marketing a isso, as\/os torcedoras\/es deixaram de ser meros espectadores e passaram a ser vistos como clientes, aos quais se vende um produto criado pelos clubes. J\u00e1 n\u00e3o se investe em jogadores com talento \u00fanica e exclusivamente com o prop\u00f3sito de ganhar campeonatos, mas sim desenvolver a marca do clube por meio deles. <strong>Ganhar o campeonato n\u00e3o \u00e9 tudo, o importante \u00e9 obter o maior n\u00famero de torcedoras\/es que pagam para ver os jogos, se tornem s\u00f3cios, comprem a camisa do clube e todo o merchandising que se move ao redor. Em outras palavras, o neg\u00f3cio dos clubes de futebol \u00e9 o marketing e os direitos televisivos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>A Superliga <\/strong><\/p>\n<p>E buscando espremer ainda mais um neg\u00f3cio que depois da pandemia foi seriamente afetado, doze dos clubes mais poderosos da Europa anunciaram por meio de um comunicado que vinha sendo gestado h\u00e1 muito tempo: a constitui\u00e7\u00e3o da nova \u201c<strong><em>Superliga Europeia<\/em><\/strong>\u201d. A iniciativa, que estava em andamento h\u00e1 anos por Andrea Agnelli (empres\u00e1rio italiano que desde 2010 ocupou o cargo de presidente da Juventus) e Florentino P\u00e9rez, aconteceu definitivamente no dia 18 de abril e pretende se tornar o arcabou\u00e7o de uma nova Federa\u00e7\u00e3o governada pelos seus clubes fundadores: Milan, Arsenal, Atl\u00e9tico de Madrid, Chelsea, Barcelona, \u200b\u200bInter de Mil\u00e3o, Juventus, Liverpool, Manchester City, Manchester United, Real Madrid e Tottenham Hotspur.<\/p>\n<p>O aumento de receitas e as d\u00edvidas que esses clubes acumulam s\u00e3o os principais motivos que explicam o interesse por esta Superliga. Em janeiro de 2021 eles divulgaram passivos que chegam a 1.1 bilh\u00f5es de euros no caso de Barcelona e 901 milh\u00f5es de euros no caso do Real Madrid. Milan e Juventus da It\u00e1lia, por sua vez, acumulam d\u00edvidas por 151,8 milh\u00f5es e 458,3 milh\u00f5es de euros respectivamente. Tottenham e Manchester United tamb\u00e9m est\u00e3o entre os clubes mais endividados do planeta (933 e 581 milh\u00f5es de euros apenas na temporada 2019\/2020, per\u00edodo mais atingido pela pandemia). <strong>Nem o rico futebol europeu, cheio de estrelas e jogadores estelares, escapa da crise mundial.<\/strong><\/p>\n<p>Florentino P\u00e9rez, empres\u00e1rio milion\u00e1rio e presidente do Real Madrid, que h\u00e1 muito tempo encabe\u00e7a uma luta interna no futebol europeu para obter uma fatia melhor do neg\u00f3cio de televis\u00e3o, sempre teve contra esse projeto nada mais, nada menos que Gianni Infantino, presidente da FIFA (\u00f3rg\u00e3o que dirige o futebol mundial) e Aleksander Ceferin, chefe da UEFA (Confedera\u00e7\u00e3o Europeia).<strong> O projeto de Florentino e seus s\u00f3cios seria reunir os clubes mais poderosos a fim de concentrar a maior parte dos lucros<\/strong>. Uma iniciativa que afastaria ainda mais os grandes clubes dos pequenos em uma tend\u00eancia que j\u00e1 existe h\u00e1 40 anos.<\/p>\n<p>Se este novo formato for adiante, significaria um grande salto no processo de elitiza\u00e7\u00e3o do futebol europeu e mundial. Desde o in\u00edcio da antiga \u201c<em>Copa da Europa<\/em>\u201d at\u00e9 o formato atual, est\u00e3o <strong>aumentando os obst\u00e1culos para que os clubes pequenos e as ligas menores possam fazer seu caminho em um futebol que deixa cada vez mais evidente a concentra\u00e7\u00e3o do capital privado<\/strong>. Por exemplo, em seus primeiros anos, a competi\u00e7\u00e3o continental inclu\u00eda uma equipe por pa\u00eds, mais o campe\u00e3o do ano anterior. Isso permitiu que equipes de n\u00edvel inferior ou at\u00e9 mesmo desconhecidas chegassem a uma final ou mesmo ser campe\u00f5es da Europa (Malmoe da Su\u00e9cia, Partizan e Estrela Vermelha da Iugosl\u00e1via, Nottingham Forest, Leeds United e Aston Villa da Inglaterra, o alem\u00e3o Hamburgo, o franc\u00eas Stade de Remis e muitos outros). Hoje tudo isso acabou.<\/p>\n<p><strong>Florentino P\u00e9rez, um ladr\u00e3o vestido de &#8220;<em>salvador<\/em>&#8220;<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que por tr\u00e1s deste projeto est\u00e1 Florentino P\u00e9rez, o presidente do Real Madrid e um dos mais importantes empres\u00e1rios espanh\u00f3is. Florentino dirige o grupo de constru\u00e7\u00e3o e servi\u00e7os ACS desde 1997, com um faturamento pr\u00f3ximo a 35 bilh\u00f5es de euros. ACS \u00e9 uma grande construtora que se desenvolveu e expandiu no auge dos contratos urban\u00edsticos concedidos pelos governos de esquerda e direita, estabelecendo assim uma rede que tem penetrado cada vez em mais espa\u00e7os de mercado, em alian\u00e7a com o poder estatal. Tamb\u00e9m aparece como um de seus impulsionadores a grande JP Morgan, associado a especula\u00e7\u00f5es de todos os tipos. De acordo com a Forbes a fortuna de Florentino P\u00e9rez \u00e9 estimada em cerca de 2.3 bilh\u00f5es de euros. Sob a batuta de Florentino P\u00e9rez os camarotes do est\u00e1dio Santiago Bernab\u00e9u tornou-se o ponto de encontro onde as elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas do pa\u00eds fecham muitos dos seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><em>\u201cVamos ajudar o futebol de todos os n\u00edveis a ocupar o seu devido lugar no mundo. O futebol \u00e9 o \u00fanico esporte global do mundo, com mais de 4 bilh\u00f5es de torcedoras\/es e nossa responsabilidade como grandes clubes \u00e9 atender aos desejos das\/dos torcedoras\/es\u201d<\/em>.<strong> Na verdade, por tr\u00e1s dessas palavras de Florentino o que est\u00e1 em jogo \u00e9 aumentar as receitas (7 bilh\u00f5es de euros) e concentr\u00e1-las<\/strong>. \u201c<em>Mais de 3.5 Bilh\u00f5es ficariam para os clubes mais importantes, distribu\u00eddos da seguinte forma: \u201c350 milh\u00f5es de euros para seis clubes, 225 para quatro, 112,5 para dois e 100 para tr\u00eas clubes, distribu\u00eddos de acordo com um sistema interno n\u00e3o sujeito \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o de cada ano<\/em> \u201d(El Pa\u00eds, 19\/4). Um montante ao que se deve somar 4 bilh\u00f5es de euros em lucros da televis\u00e3o cujo destino ainda n\u00e3o foi determinado. <strong>Portanto, n\u00e3o \u00e9 uma liga para salvar o futebol, mas para aumentar a dist\u00e2ncia entre os clubes mais poderosos e os demais, independente do impacto que isso possa gerar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Uma resposta que n\u00e3o demorou a chegar<\/strong><\/p>\n<p>As tens\u00f5es pela condu\u00e7\u00e3o do futebol n\u00e3o demoraram. O presidente da FIFA Gianni Infantino anunciou imediatamente san\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 para os clubes, mas tamb\u00e9m para jogadores que competem com suas sele\u00e7\u00f5es. O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, tamb\u00e9m estava muito irritado e disse que se sentia tra\u00eddo: \u201cA Superliga \u00e9 uma cusparada na cara do futebol e da nossa sociedade&#8221;.<\/p>\n<p>Outras vozes tamb\u00e9m foram ouvidas, como a do atual diretor geral do Bayern de Munique Karl-Heinz Rummenigge, que em sua opini\u00e3o considera \u201c<em>que a Superliga n\u00e3o vai resolver os problemas econ\u00f4micos dos clubes europeus derivados do coronav\u00edrus\u201d.<\/em><\/p>\n<p>Boris Johnson, primeiro-ministro brit\u00e2nico, foi o mais cr\u00edtico: \u201c<em>Os planos de uma Superliga Europeia seria muito prejudicial para o futebol<\/em>\u201d. O presidente franc\u00eas, Emmanuel Macron, se colocou ao lado dos clubes franceses para rejeitar sua participa\u00e7\u00e3o em um projeto que amea\u00e7a o princ\u00edpio da solidariedade e do m\u00e9rito desportivo.<\/p>\n<p><strong>Faz muito tempo que testemunhamos como est\u00e3o tirando das\/dos torcedoras\/es uma das divers\u00f5es que possuem no fim de semana, ap\u00f3s as longas jornadas de trabalho que a maioria tem quase todos os dias.<\/strong> A resposta das \/os torcedoras\/es do Liverpool pendurando faixas em Anfield com os dizeres: \u201cRIP LFC\u201d. Na Alemanha, colocando-se na vanguarda da luta contra as reformas da Liga dos Campe\u00f5es a uma cria\u00e7\u00e3o da SuperLiga. A torcida do Manchester City reunindo assinaturas para o clube desistir de participar desta Superliga. Na It\u00e1lia, onde grupos de torcedoras\/es mais organizadas est\u00e3o iniciando campanhas desde o ano passado.<\/p>\n<p>Tudo parecia estar indo bem. Florentino P\u00e9rez inflou o peito, mas a press\u00e3o das \/ dos torcedoras\/es ingleses, amea\u00e7aram em todos os n\u00edveis e a retirada de times da Pemier finalmente frustrraram seu plano em menos de 48 horas. P\u00e9rez, o instigador desta Superliga sai como o grande perdedor deste projeto.<strong> Por\u00e9m n\u00e3o devemos descartar que, longe desse fracasso, um novo cen\u00e1rio se abra para poder de negociar com a UEFA e for\u00e7\u00e1-la a distribuir uma parte maior do bolo entre as equipes campe\u00e3s.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Capitalismo, futebol e o povo<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo tende a destruir e tirar at\u00e9 mesmo o que nos permitiu sentir como nosso em algum momento de nossas vidas. <strong>Isso n\u00e3o significa que o futebol seja um espa\u00e7o descontaminado pela l\u00f3gica capitalista<\/strong>. Muito pelo contr\u00e1rio: o projeto da SuperLiga \u00e9 simplesmente mais um reflexo dos processos de concentra\u00e7\u00e3o de capital global e uma tentativa dos clubes mais ricos de garantir seus lucros ap\u00f3s a crise do COVID.<\/p>\n<p><strong>No entanto, n\u00e3o defender este novo modelo n\u00e3o significa sentir saudade do antigo modelo que levou \u00e0 situa\u00e7\u00e3o atual<\/strong>. O que aconteceu \u00e9 parte de uma acirrada disputa entre os grandes clubes europeus e a UEFA sobre a distribui\u00e7\u00e3o do suculento bolo que \u00e9 a Champions League. A FIFA e a UEFA agora falam de solidariedade e acusam que querem quebrar o futebol, <strong>mas na realidade estes dirigentes milion\u00e1rios apenas cuidam de seus interesses<\/strong>. Eles n\u00e3o buscam o bem do futebol de base nem se preocupam com os clubes mais humildes, o que procuram \u00e9 aumentar os seus lucros. E se n\u00e3o \u00e9 esse o caso, diga-nos por que a FIFA agora aposta em um Mundialzinho de 32 clubes e a UEFA criam uma Copa das Na\u00e7\u00f5es, e a Liga da Confedera\u00e7\u00f5es, se n\u00e3o \u00e9 porque apostam em mais jogos e mais dinheiro. <strong>Aqui est\u00e1 um duplo discurso bastante hip\u00f3crita: eles defendem o futebol e a integridade quando \u00e9 conveniente, mas enquanto isso, n\u00e3o param de criar competi\u00e7\u00f5es e de incluir mais partidas no calend\u00e1rio.<\/strong> Na verdade, a proposta dos novos campeonatos que a UEFA defende n\u00e3o \u00e9 mais do que uma superliga secreta, projetada para que os grandes ganhem mais. <strong>Para a UEFA as\/os torcedoras\/es importam pouco<\/strong>, algo que \u00e9 claramente demonstrado em cada final da Liga dos Campe\u00f5es, onde entregam apenas dez por cento do que ganham para os finalistas. A UEFA pensa nos adeptos? N\u00e3o, est\u00e3o pensando nos seus patrocinadores, que recebem muito mais do que as equipes que chegam \u00e0 final.<\/p>\n<p><strong>Volta \u00e0s origens e resgate do futebol para as\/os torcedoras\/es<\/strong><\/p>\n<p>Que as\/os torcedoras\/es se sintam mais pr\u00f3ximas\/os do futebol de novo e recuperem esse romantismo que nunca deveria ter sido perdido significa certamente apostar em um modelo que desprivatize os times e desmercantilize as competi\u00e7\u00f5es. Uma tarefa muito complicada, mas necess\u00e1ria, que implicaria limitar os sal\u00e1rios dos jogadores de futebol e limitar os or\u00e7amentos dos clubes. Um futebol em que os membros s\u00e3o os que decidem e mandam: um futebol que seja de todas as pessoas que gostam de um esporte, que n\u00e3o vamos esquecer, sempre foi vivido e produzido pela classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Pode parecer uma utopia, mas na Espanha est\u00e3o surgindo em pequena escala experi\u00eancias de clubes populares de futebol, autogeridos por assembleia e enraizados em seus bairros e comunidades (Unionistas de Salamanca, Xerez, CD Ourense), ou o caso do Independiente de Vallecas<em> \u201cFutebol popular, em termos de bairro\u201d<\/em>, <strong>que nos mostra que outro futebol \u00e9 poss\u00edvel e definitivamente nos afasta de macroeventos criminosos como a Copa do Mundo de Futebol, a servi\u00e7o de ditaduras e constru\u00edda com a explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores,<\/strong> como se v\u00ea claramente em tudo o que cerca a Copa do Mundo do Catar (com mais de 6.500 trabalhadores migrantes mortos nas obras, de acordo com o The Guardian). N\u00e3o vamos negar que a tend\u00eancia que o atual futebol assumiu h\u00e1 anos parece impar\u00e1vel. No entanto, se o que queremos \u00e9 voltar \u00e0s origens e recuperar o futebol para as\/os torcedoras\/es, isso passa inexoravelmente por recuperar o que outrora deu sentido a este esporte:<strong><em> trabalho duro, apoiando o futebol de base e vivendo e sentindo a competi\u00e7\u00e3o sem outro objetivo que n\u00e3o seja a inestim\u00e1vel gl\u00f3ria e emo\u00e7\u00e3o de ganhar todos os domingos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>\u00b9 Javier Tebas, presidente da Liga Espanhola de Futebol<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 18 de abril, 12 dos clubes de futebol mais poderosos da Europa anunciaram,\u00a0atrav\u00e9s de um comunicado, o que vinha fermentando h\u00e1 muito tempo: a constitui\u00e7\u00e3o\u00a0da nova \u201cSuperliga Europeia\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64336,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[38,3677,49],"tags":[4076,4077,4078],"class_list":["post-64335","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-europa-mundo","category-polemica","tag-antonio-rodriguez","tag-futebol-europeu","tag-superliga"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Liga.png","categories_names":["Cultura","Europa","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64335","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64335"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64335\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64335"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64335"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64335"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}