{"id":64269,"date":"2021-06-23T13:26:04","date_gmt":"2021-06-23T16:26:04","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64269"},"modified":"2021-06-23T13:26:04","modified_gmt":"2021-06-23T16:26:04","slug":"64269-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/23\/64269-2\/","title":{"rendered":"Restaura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e a sexta extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O dia mundial do meio ambiente \u00e9 celebrado em 5 de junho desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 1972. Neste ano de 2021, adotou como tema a restaura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e demarcou o lan\u00e7amento de mais uma D\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas pela Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas (2021-2030). Sabemos que a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma necessidade, \u00e9 tamb\u00e9m um imperativo para manter a vida no planeta, pois para ficarmos somente em um exemplo, a cada tr\u00eas segundos o mundo perde uma \u00e1rea de floresta que daria para cobrir um campo de futebol. S\u00f3 no Brasil, no ano de 2020, foram derrubadas 24 \u00e1rvores por segundo.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a> No entanto, fica uma pergunta: ser\u00e1 poss\u00edvel recompor os ecossistemas considerando as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do sistema capitalista?<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Lena Souza<\/p>\n<p><strong>De d\u00e9cada em d\u00e9cada se perde mais biodiversidade e as metas de restaura\u00e7\u00e3o nunca s\u00e3o cumpridas<\/strong><\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o sobre a biodiversidade do planeta se iniciou na d\u00e9cada de 80, quando a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas come\u00e7ou a reunir os pa\u00edses para debater esse tema, sua conserva\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o. Depois de mais de uma d\u00e9cada de muito debate resultou na Conven\u00e7\u00e3o sobre a Diversidade Biol\u00f3gica (CDB) apresentada em 1992 na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), realizada na cidade do Rio de Janeiro. Nessa Confer\u00eancia, al\u00e9m da CDB, tamb\u00e9m foi elaborada e apresentada a Declara\u00e7\u00e3o do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e mais tr\u00eas documentos conhecidos como: Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, Agenda 21 e Declara\u00e7\u00e3o de Princ\u00edpios para um Consenso Global sobre Manejo, Conserva\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel de Todos os Tipos de Florestas.<\/p>\n<p>O texto da CDB diz que seus dispositivos e princ\u00edpios<em> \u201cest\u00e3o voltados para alcan\u00e7ar tr\u00eas objetivos principais: a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de seus componentes e a reparti\u00e7\u00e3o justa e equitativa dos benef\u00edcios derivados da utiliza\u00e7\u00e3o dos recursos naturais&#8221;. <\/em>Importante ressaltar que<em> \u201cTanto o pre\u00e2mbulo quanto os artigos da Conven\u00e7\u00e3o citam a import\u00e2ncia do conhecimento tradicional e dos povos tradicionais\u201d.<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Como outras conven\u00e7\u00f5es relacionadas ao meio ambiente, ainda que se utilize de bel\u00edssimas palavras e objetivos altamente humanit\u00e1rios e solid\u00e1rios, s\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es, princ\u00edpios e regras n\u00e3o obrigat\u00f3rios e feitos para enrolar, ou seja, fazer de conta que se est\u00e1 fazendo algo, enquanto a destrui\u00e7\u00e3o continua. Assim, em 1993 a CDB j\u00e1 contava com a assinatura de 168 pa\u00edses, pois dessa forma, fica f\u00e1cil para os dirigentes dos pa\u00edses subscreverem o documento e posarem de preservacionistas.<\/p>\n<p>Em 2002, a c\u00fapula ambiental (COP6) avan\u00e7ou para a defini\u00e7\u00e3o de um conjunto de metas para o per\u00edodo que iria at\u00e9 2010. Considerando que tais metas tamb\u00e9m se enquadravam em compromissos feitos por governos que apenas pretendiam deix\u00e1-los no papel, quando foram avaliadas, na COP10 (2010), realizada na cidade de Nagoya, Prov\u00edncia de Aichi no Jap\u00e3o, a conclus\u00e3o foi que as metas n\u00e3o tinham sido alcan\u00e7adas.<\/p>\n<p>Novamente, na COP10, l\u00edderes de 196 pa\u00edses aprovaram um novo Plano Estrat\u00e9gico de Biodiversidade para o per\u00edodo de 2011 a 2020.\u00a0Dessa vez o plano denominado Metas de Aichi para a Biodiversidade, se concretizou em 20 proposi\u00e7\u00f5es e em cinco grandes objetivos estrat\u00e9gicos<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>: 1- tratar das causas fundamentais de perda de biodiversidade, atrav\u00e9s da conscientiza\u00e7\u00e3o do governo e sociedade das preocupa\u00e7\u00f5es com a biodiversidade; 2- reduzir as press\u00f5es diretas sobre a biodiversidade e promover o uso sustent\u00e1vel; 3- melhorar a situa\u00e7\u00e3o da biodiversidade, atrav\u00e9s da salvaguarda de ecossistemas, esp\u00e9cies e diversidade gen\u00e9tica; 4- aumentar os benef\u00edcios de biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos para todos; e 5- aumentar a implanta\u00e7\u00e3o, por meio de planejamento participativo, da gest\u00e3o de conhecimento e capacita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foram 196 pa\u00edses que concordaram com o plano e o estabelecimento dos objetivos estrat\u00e9gicos para a conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade do planeta. O leitor desse artigo, sem necessidade de muita pesquisa, j\u00e1 deve ter uma conclus\u00e3o pr\u00e9via de qual foi o balan\u00e7o dos resultados obtidos no ano de 2020. Mas, de qualquer forma, \u00e9 importante refor\u00e7ar que a pr\u00f3pria ONU, em um balan\u00e7o feito no ano passado chega \u00e0 conclus\u00e3o que nenhuma das metas foi alcan\u00e7ada, ao contr\u00e1rio, todos os fatores que pressionam para a perda de biodiversidade se intensificaram<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Em que ponto chegamos?<\/strong><\/p>\n<p>No dia 22 de maio deste ano: <em>\u201cO Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) alertou, por ocasi\u00e3o do Dia Internacional da Biodiversidade, sobre a destrui\u00e7\u00e3o do ecossistema e o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas no Mar Mediterr\u00e2neo<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> Segundo este artigo, a perda da biodiversidade, os impactos da crise clim\u00e1tica, somados \u00e0 press\u00e3o dos setores econ\u00f4micos, podem causar mudan\u00e7as irrevers\u00edveis no Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Vemos esse tipo de alerta todos os dias na m\u00eddia, feita por estudiosos, cientistas e organismos governamentais e n\u00e3o governamentais que estudam e acompanham a destrui\u00e7\u00e3o e as modifica\u00e7\u00f5es dos ecossistemas, pois o mundo j\u00e1 est\u00e1 h\u00e1 d\u00e9cadas nesse descompasso. Utilizam-se mais recursos naturais do planeta do que ele \u00e9 capaz de regenerar, considerando os recursos renov\u00e1veis, por\u00e9m temos tamb\u00e9m os n\u00e3o renov\u00e1veis que est\u00e3o se escasseando. A vegeta\u00e7\u00e3o, por exemplo, \u00e9 cortada a uma velocidade que, mesmo que se tentasse plantar outras enquanto se destr\u00f3i as florestas, o ritmo de crescimento n\u00e3o teria capacidade de acompanhar o corte. Assim como se capturam mais peixes do que a velocidade de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies&#8230;.. e assim por diante. A chamada pegada ecol\u00f3gica<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a> m\u00e9dia geral do planeta est\u00e1 em 1,5, ou seja, o planeta precisa de 1,5 anos para regenerar os recursos renov\u00e1veis que s\u00e3o consumidos em 1 ano.<\/p>\n<p><strong>Est\u00e1 em curso a sexta extin\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Alguns cientistas dizem que, nos \u00faltimos 500 anos se desencadeou, e se acelerou nas \u00faltimas d\u00e9cadas, uma destrui\u00e7\u00e3o da biodiversidade do planeta com decl\u00ednio populacional que se compara em taxa e magnitude \u00e0s cinco extin\u00e7\u00f5es em massa das esp\u00e9cies vegetais e animais j\u00e1 ocorridas na hist\u00f3ria do planeta.<\/p>\n<p>Nos 4,5 bilh\u00f5es de anos (estimados) de exist\u00eancia da Terra, o planeta passou por diversos per\u00edodos em que quase chegou ao fim. Essas cat\u00e1strofes s\u00e3o caracterizadas pelos paleont\u00f3logos como as maiores extin\u00e7\u00f5es ou extin\u00e7\u00f5es em massa. Nos \u00faltimos 500 milh\u00f5es de anos, segundo esses estudiosos, a vida na terra foi quase extinta por cinco vezes<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n<p>Essas cinco extin\u00e7\u00f5es, de maneira resumida foram: A\u00a0primeira h\u00e1 cerca de 443 milh\u00f5es de anos, no Per\u00edodo Ordoviciano, que extinguiu entre 60% e 70% das esp\u00e9cies do planeta; a\u00a0segunda, h\u00e1 aproximadamente 354 milh\u00f5es de anos, no per\u00edodo Devoniano, que incidiu sobre 75% das esp\u00e9cies; a\u00a0terceira ocorreu por volta de 248 milh\u00f5es de anos, no per\u00edodo Permiano e aproximadamente 95% das esp\u00e9cies do planeta foram extintas; a quarta foi h\u00e1 cerca de 200 milh\u00f5es de anos, no final do Per\u00edodo Tri\u00e1ssico, na qual por volta de 85% das esp\u00e9cies desapareceram; e a quinta faz mais ou menos 65 milh\u00f5es de anos, no final per\u00edodo Cret\u00e1ceo, que acabou com os dinossauros (n\u00e3o voadores) e uma grande parte das demais esp\u00e9cies existentes na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Para parte dos cientistas j\u00e1 estamos vivendo a sexta extin\u00e7\u00e3o, como consequ\u00eancia das atividades humanas em si e do aquecimento global a elas relacionado. De acordo com estudos desenvolvidos \u201c<em>u<\/em><em>m crescente corpo de evid\u00eancias indica que as taxas atuais de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies s\u00e3o mais altas do que a taxa de fundo pr\u00e9-humana &#8230;\u201d<\/em><a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>\u00a0A taxa de fundo \u00e9 a taxa normal de extin\u00e7\u00e3o no planeta<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>.<\/p>\n<p>A sexta extin\u00e7\u00e3o pode ser mais aniquiladora que as cinco precedentes, pois ela n\u00e3o \u00e9 resultado de um evento excepcional, mas consequ\u00eancia de um processo que vem se amplificando a partir da destrui\u00e7\u00e3o inerente ao modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. E junto com a sexta extin\u00e7\u00e3o est\u00e1 o risco para a esp\u00e9cie humana, pois a vida humana na terra \u00e9 totalmente condicionada pela biodiversidade para sua sustenta\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que \u00e9 parte e ao mesmo tempo dependente dela.<\/p>\n<p>A sexta extin\u00e7\u00e3o, segundo os cientistas tamb\u00e9m \u00e9 mais aniquiladora devido \u00e0 sua rapidez. De Acordo com um estudo relatado em um artigo da PNAS<em>:<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> &#8230; s<\/em><em>ob a taxa de fundo dos \u00faltimos 2 milh\u00f5es de anos, espera-se que 2 esp\u00e9cies sejam extintas em um s\u00e9culo para cada 10.000 esp\u00e9cies.\u00a0Portanto, para as 29.400 esp\u00e9cies de vertebrados avaliadas em nosso estudo, seriam esperadas 9 extin\u00e7\u00f5es nos 150 anos entre 1900 e 2050. Em vez das 9 extin\u00e7\u00f5es esperadas no cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, 1.058 esp\u00e9cies seriam extintas at\u00e9 2050. Portanto, a taxa de extin\u00e7\u00e3o em 2050 seria 117 vezes maior do que a taxa de fundo.\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Das 29.400 esp\u00e9cies de vertebrados terrestres analisados nesse estudo, 515 j\u00e1 est\u00e3o \u00e0 beira da extin\u00e7\u00e3o por terem menos de 1.000 indiv\u00edduos, sendo que cerca de metade destas tinha menos de 250 indiv\u00edduos restantes. O relat\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre biodiversidade e servi\u00e7os ecossist\u00eamicos avalia que 25% de todas as esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, e parte delas em apenas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Como estamos bombardeados por ideias negacionistas, poderia se pensar que vinte e cinco por cento \u00e9 pouco, no entanto para aqueles\/as que pensam apenas matematicamente e individualmente, \u00e9 preciso considerar que quando uma esp\u00e9cie desaparece tem impacto em todo o ecossistema, o que pode fazer com que o processo se acelere ainda mais. Como indica o mesmo relat\u00f3rio quando diz que <em>\u201cOs efeitos das extin\u00e7\u00f5es v\u00e3o se agravar nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, \u00e0 medida que perdas de unidades funcionais, redund\u00e2ncia e variabilidade gen\u00e9tica e cultural mudam ecossistemas inteiros\u201d.<\/em><\/p>\n<p>A uma pergunta feita em uma entrevista \u00e0 Elizabeth Colbert, autora do livro <em>A sexta extin\u00e7\u00e3o<\/em>, sobre o debate se realmente estamos na sexta extin\u00e7\u00e3o ela responde: \u201c<em>Para ser honesta, esse \u00e9 um daqueles debates em que acho que estamos nos concentrando na coisa errada. Quando tivermos respostas definitivas para essa pergunta, \u00e9 poss\u00edvel que tr\u00eas quartos de todas as esp\u00e9cies na Terra possam ter desaparecido. N\u00f3s realmente n\u00e3o queremos chegar ao ponto em que definitivamente podemos responder a essa pergunta\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><strong>De onde vem tamanha destrui\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Essa verdadeira destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas vem por duas vias complementares, como consequ\u00eancia direta e imediata das atividades de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida no sistema capitalista e atrav\u00e9s do reflexo sist\u00eamico de potencializa\u00e7\u00e3o de impactos.<\/p>\n<p>As principais causas dessa aniquila\u00e7\u00e3o do planeta s\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o de florestas para atividades agr\u00edcola, pecu\u00e1ria, minera\u00e7\u00e3o, garimpo, explora\u00e7\u00e3o madeireira, etc.. que ao mesmo tempo em que priva o planeta das florestas, que s\u00e3o os sumidouros de carbono, tamb\u00e9m emitem CO2 que alimenta o aquecimento global.<\/p>\n<p>Agrega-se a isso o tr\u00e1fico ilegal de esp\u00e9cies que tamb\u00e9m passou a ser um neg\u00f3cio lucrativo dentro do capitalismo. \u00c9 considerada a terceira maior atividade il\u00edcita do mundo, uma das atividades mais lucrativas atualmente. O com\u00e9rcio ilegal \u00e9 centrado em animais raros para colecionadores, para pesquisa e produ\u00e7\u00e3o de medicamentos e ainda para utiliza\u00e7\u00e3o do couro, penas, garras e presas pela ind\u00fastria da moda. \u00a0Al\u00e9m disso, de acordo com a Rede Nacional de Combate ao Tr\u00e1fico de Animais Silvestres (Renctas \u2013 Brasil), 9 em cada 10 animais traficados morrem antes de chegar \u00e0s m\u00e3os do consumidor final.<\/p>\n<p>E essa explora\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o desenfreadas em busca do lucro n\u00e3o s\u00e3o insustent\u00e1veis somente do ponto de vista da destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas em si, mas tamb\u00e9m do ponto de vista das possibilidades de proximidade com v\u00edrus e bact\u00e9rias com os quais tomamos contato a partir da destrui\u00e7\u00e3o das florestas para campos de cultivo, cria\u00e7\u00e3o de animais e outras atividades, nos laborat\u00f3rios de investiga\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica para melhoramento da produ\u00e7\u00e3o, no tr\u00e1fico de animais, etc&#8230;<\/p>\n<p>O aumento da produ\u00e7\u00e3o do \u00f3leo de palma na Guin\u00e9-Bissau, por exemplo, n\u00e3o s\u00f3 destruiu florestas, mas tamb\u00e9m propiciou o surto do ebola em 2013. J\u00e1 a gripe avi\u00e1ria e a gripe su\u00edna, se desenvolveram a partir do processo de industrializa\u00e7\u00e3o intensiva na cria\u00e7\u00e3o de aves e porcos. A mudan\u00e7a no clima global agregado \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o das florestas para tais atividades econ\u00f4micas s\u00e3o respons\u00e1veis tamb\u00e9m pela concentra\u00e7\u00e3o de morcegos, considerados reservat\u00f3rios de v\u00edrus, em pequenas \u00e1reas e, em geral, pr\u00f3ximas ao ser humano.<\/p>\n<p>O conjunto desses processos e suas consequ\u00eancias j\u00e1 geraram 50 surtos epid\u00eamicos de doen\u00e7as virais ou bacterianas que afetaram o ser humano nos \u00faltimos trinta anos, provando assim que os impactos s\u00e3o sist\u00eamicos e se retroalimentam. Para aqueles que achavam que estava faltando o ser humano ou se perguntavam o que temos a ver com isso, al\u00e9m de perdermos a fonte de sobreviv\u00eancia com a destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, sermos v\u00edtimas de desastres e desequil\u00edbrios ambientais provocados pelo aquecimento global, tamb\u00e9m h\u00e1 uma acelera\u00e7\u00e3o no exterm\u00ednio do pr\u00f3prio ser humano e a pandemia do coronav\u00edrus \u00e9 a prova disso.<\/p>\n<p><strong>Os ricos destroem e os pobres sofrem as consequ\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>Diante das consequ\u00eancias que o colapso ambiental vem causando e que se prev\u00ea que vai causar, tanto os governantes como seus patrocinadores, os ricos, querem nos fazer acreditar que estamos no mesmo barco e que os impactos nos atingem da mesma forma. Infelizmente esse argumento convence um setor da popula\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m de ambientalistas.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 importante destacar que todos esses impactos, provenientes da destrui\u00e7\u00e3o dos recursos naturais do planeta, como a perda de moradias, da terra f\u00e9rtil for\u00e7ando a migra\u00e7\u00e3o e trazendo a fome, as epidemias e pandemias que tiram a vida de milh\u00f5es de pessoas atingem em cheio o ser humano pobre. Enquanto isso o ser humano rico, respons\u00e1vel por essa devasta\u00e7\u00e3o possui meios para se proteger. Esses impactos agravam as vulnerabilidades e aumentam as amea\u00e7as \u00e0s popula\u00e7\u00f5es mais pobres em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ricas, aumentando as grandes desigualdades j\u00e1 existentes entre elas assim como tamb\u00e9m aumentam as desigualdades entre pa\u00edses pobres e ricos.<\/p>\n<p>A pandemia que estamos sofrendo \u00e9 o mais evidente exemplo global disso, embora tenhamos muitos outros exemplos localizados de impactos provenientes de desastres ambientais ou epidemias que ceifaram ou impactaram a vida de milh\u00f5es de seres humanos pobres.<\/p>\n<p>A\u00ed entra o sistema de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o, ao qual os\/as trabalhadores\/as, popula\u00e7\u00e3o pobre e os recursos naturais do planeta est\u00e3o submetidos\/as, onde um punhado de ricos tem como principal e \u00fanico objetivo explorar os recursos naturais e a m\u00e3o de obra para transform\u00e1-los em mercadorias visando unicamente o lucro, sem nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o do planeta e a vida presente nele.<\/p>\n<p><strong>V\u00e1rias fontes de destrui\u00e7\u00e3o e um \u00fanico culpado: o sistema capitalista, incapaz de reverter o processo<\/strong><\/p>\n<p>No capitalismo, o alimento, o rem\u00e9dio, a moradia e tudo que envolve a vida, se transforma em mercadoria, que necessariamente tem que gerar o lucro que fica concentrado nas m\u00e3os de uma minoria. Minoria esta que se divide entre aqueles que negam qualquer possibilidade de colapso ambiental do planeta e outros que pregam a ilus\u00e3o de que o pr\u00f3prio sistema \u00e9 capaz de reverter a tend\u00eancia a esse colapso. Mas os dois setores t\u00eam um ponto em comum: a manuten\u00e7\u00e3o desse sistema que os privilegia a qualquer custo, inclusive ao custo do colapso do planeta e da vida humana.<\/p>\n<p>Entre aqueles que se denominam de esquerda, infelizmente, \u00a0h\u00e1 um setor de ativistas e organiza\u00e7\u00f5es que disseminam essa ideia de que \u00e9 poss\u00edvel um capitalismo sustent\u00e1vel, fortalecendo uma ilus\u00e3o, no m\u00ednimo, perigosa se considerarmos a realidade atual e todo o hist\u00f3rico nesse tema. O capitalismo por sua pr\u00f3pria anarquia de funcionamento n\u00e3o \u00e9 capaz de se enquadrar em marcos regulat\u00f3rios ambientais em n\u00edvel mundial, pois sua din\u00e2mica \u00e9 predat\u00f3ria. N\u00e3o foi por falta de marcos regulat\u00f3rios que a din\u00e2mica n\u00e3o se reverteu, mas sim porque a classe que hoje est\u00e1 no poder \u00e9 incapaz de fazer isso, j\u00e1 que seria em seu pr\u00f3prio preju\u00edzo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que setores da burguesia mundial n\u00e3o se aproveitem dos gordos investimentos p\u00fablicos em \u00e1reas que buscam outra fonte energ\u00e9tica, como os carros el\u00e9tricos, que governos como o de Biden est\u00e3o incentivando e investindo, com o \u00fanico objetivo de tirar proveito e lucro de um dinheiro que \u00e9 p\u00fablico. Iniciativas como essas, t\u00eam como objetivo incentivar as ilus\u00f5es e tentar apaziguar o movimento ambientalista enquanto continua, em ess\u00eancia tudo como est\u00e1 e piorando, pois em longo prazo o capitalismo sempre vai priorizar os lucros. Mesmo o desenvolvimento de uma tecnologia que aparentemente poderia permitir menos impactos ambientais como o carro el\u00e9trico, por utilizar bateria e energia el\u00e9trica e consequentemente n\u00e3o emitir g\u00e1s carbono (CO<sub>2<\/sub>) durante o seu uso, pode servir apenas para encher os bolsos de alguns ricos empres\u00e1rios do setor automobil\u00edstico, j\u00e1 que no mundo, grande parte dos pa\u00edses ainda utilizam o carv\u00e3o, g\u00e1s natural e combust\u00edveis f\u00f3sseis em sua matriz energ\u00e9tica. Ent\u00e3o a sa\u00edda deveria ser inundar o mercado de carros el\u00e9tricos ou discutir o modelo de transporte?<\/p>\n<p>N\u00f3s continuamos dizendo que a \u00fanica sa\u00edda que realmente pode resolver o problema da destrui\u00e7\u00e3o dos ecossistemas, assim como o aquecimento global e junto com isso a amea\u00e7a \u00e0 vida no planeta, ser\u00e1 a mudan\u00e7a do sistema capitalista para o sistema socialista. O que n\u00f3s trabalhadores e trabalhadoras e popula\u00e7\u00e3o pobre do planeta precisamos \u00e9 organizar a nossa classe para impedir que um punhado de ricos, total minoria no mundo, direcione nossas vidas e a vida na terra para uma cat\u00e1strofe. N\u00e3o podemos dizer que isso nos pegou de surpresa. Temos duas possibilidades: ou mudamos o sistema completamente para um verdadeiro sistema socialista mundial, ou iremos \u00e0 barb\u00e1rie da qual j\u00e1 temos v\u00e1rias amostras.<\/p>\n<p>Figura 1 https:\/\/revistaamazonia.com.br\/sexta-extincao-em-massa-de-animais-selvagens\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> https:\/\/www.pstu.org.br\/brasil-perdeu-24-arvores-por-segundo-em-2020\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Revista de Direito da Cidade, vol 5, n\u00ba2, p. 106-136 . Desafios da Conven\u00e7\u00e3o sobre a diversidade biol\u00f3gica. Rosemary de Sampaio Godinho e Maur\u00edcio Jorge Pereira da Mota.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> ttps:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/especiais\/biodiversidade\/dialogos_biodiversidade\/metas\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/90967-relatorio-das-nacoes-unidas-alerta-para-perda-de-biodiversidade-sem-precedentes-na-historia<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> https:\/\/greensavers.sapo.pt\/onu-alerta-para-a-destruicao-do-ecossistema-do-mar-mediterraneo\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> A Pegada Ecol\u00f3gica \u00e9 uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a press\u00e3o do consumo das popula\u00e7\u00f5es humanas sobre os recursos naturais. Ler mais em: https:\/\/www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/especiais\/pegada_ecologica\/o_que_e_pegada_ecologica\/<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/historia\/2020\/01\/terra-passou-por-mais-extincoes-em-massa-do-que-imaginavamos<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/1\/5\/e1400253<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> http:\/\/ecologia.ib.usp.br\/evosite\/evo101\/VIIB1dMassExtinctions.shtml<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Publica\u00e7\u00e3o oficial da Academia Nacional de Ci\u00eancias dos Estados Unidos (PNAS) em: https:\/\/www.pnas.org\/content\/117\/24\/13596#sec-6<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> https:\/\/www.nationalgeographicbrasil.com\/meio-ambiente\/humanos-sobreviverao-sexta-grande-extincao<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dia mundial do meio ambiente \u00e9 celebrado em 5 de junho desde a sua cria\u00e7\u00e3o em 1972. Neste ano de 2021, adotou como tema a restaura\u00e7\u00e3o dos ecossistemas e demarcou o lan\u00e7amento de mais uma D\u00e9cada das Na\u00e7\u00f5es Unidas pela Restaura\u00e7\u00e3o de Ecossistemas (2021-2030). Sabemos que a restaura\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 uma necessidade, \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":64270,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3498,31,3766,30],"tags":[3788,4063,3764,935,4064,4065],"class_list":["post-64269","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-crise-climatica-e-ambiental","category-ecologia","category-meio-ambiente","category-coronavirus","tag-capitalismo-e-colapso-ambiental","tag-catastrofe-ambiental-e-coronavirus","tag-crise-climatica-e-ambiental","tag-lena-souza","tag-preservacao-ecossistema","tag-sexta-extincao"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Lena-1.jpg","categories_names":["Crise clim\u00e1tica e ambiental","Ecolog\u00eda","Meio Ambiente","Pandemia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64269","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64269"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64269\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64270"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64269"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64269"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64269"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}