{"id":64187,"date":"2021-06-14T11:13:12","date_gmt":"2021-06-14T14:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64187"},"modified":"2021-06-14T11:13:12","modified_gmt":"2021-06-14T14:13:12","slug":"as-consequencias-praticas-das-teorias-pan-africanistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/14\/as-consequencias-praticas-das-teorias-pan-africanistas\/","title":{"rendered":"As consequ\u00eancias pr\u00e1ticas das teorias Pan-africanistas"},"content":{"rendered":"<p><em>Al\u00e9m dos debates te\u00f3ricos, a pol\u00edtica concreta pan-africanista, evidentemente, teve consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Jones Manoel defende que Gana, sob a dire\u00e7\u00e3o de Nkrumah, estava na dire\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista; assim como Burkina Faso, sob o comando de Thomas Sankara. Como tamb\u00e9m argumenta que as ditaduras burocr\u00e1ticas constru\u00eddas em Angola, Mo\u00e7ambique e Guine Bissau, p\u00f3s-independ\u00eancia colonial, seriam exemplos de Estados governados pelos trabalhadores. Mesmo que, \u201cde passagem\u201d, seja obrigado a admitir que estes pa\u00edses \u201cnunca conseguiram planificar a economia\u201d.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p>O fato, contudo, \u00e9 que estes pa\u00edses n\u00e3o estavam, de forma alguma, caminhando na dire\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista. Em Gana, por exemplo, Nkrumah realmente lutou por uma nova ideologia pan-africanista, baseada em um \u201csocialismo com valores africanos\u201d. Ele desenvolveu uma pol\u00edtica externa \u201cn\u00e3o alinhada\u201d, com a capital Acra tornando-se local de uma intensa efervesc\u00eancia pan-africanista, promovendo diversos encontros com vistas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o da unidade continental africana, como as c\u00e9lebres Confer\u00eancia dos Estados Independentes da \u00c1frica (1958) e Confer\u00eancia dos Povos Africanos (1958).<\/p>\n<p><span style=\"background-color: #ffffff;\"><strong><span style=\"background-color: #ff0000; color: #ffffff;\">Leia o parte 1<\/span>\u00a0<\/strong><a style=\"background-color: #ffffff;\" href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/pan-africanismo-e-a-perspectiva-revolucionaria\/\">https:\/\/litci.org\/pt\/pan-africanismo-e-a-perspectiva-revolucionaria\/<\/a><\/span><\/p>\n<p>Nkrumah, que foi eleito primeiro-ministro em 1952 (ainda durante a administra\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica), foi aclamado Osagyefo (\u201credentor\u201d) e quando Gana passou a ser uma rep\u00fablica, foi eleito seu primeiro presidente. Este pequeno, rec\u00e9m-independente, pa\u00eds africano, apesar de ter sido, antes dos saques coloniais e imperialistas, como a Costa do Outo, uma das regi\u00f5es mais desenvolvidas da \u00c1frica e um dos maiores produtores deste min\u00e9rio, era, em meados do s\u00e9culo 20, um pa\u00eds perif\u00e9rico, agroexportador, com parcos recursos financeiros e um profundo d\u00e9ficit educacional, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico e, ao se manter nos marcos do sistema capitalista e dependente do imperialismo, perpetuou seu atraso econ\u00f4mico, aumentou a d\u00edvida p\u00fablica e os impostos dos produtores de cacau.<\/p>\n<p>Para se manter no poder, Nkrumah restringiu as liberdades da popula\u00e7\u00e3o, inclusive com um\u00a0\u201cato de deten\u00e7\u00e3o preventiva\u201d, pelo qual qualquer acusado de trai\u00e7\u00e3o poderia ser preso; tornou as greves ilegais, ap\u00f3s a greve dos mineiros de 1955 e mandou prender os trabalhadores ferrovi\u00e1rios, ap\u00f3s a greve de 1961; alegando que estas greves se opunham ao desenvolvimento industrial e defendendo baixos sal\u00e1rios em decorr\u00eancia do dever patri\u00f3tico e o \u201cbem maior\u201d da na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 1964, prop\u00f4s que seu partido, o Partido da Uni\u00e3o Popular (CPP, na sigla original) fosse considerado o \u00fanico partido legal e se tornou presidente vital\u00edcio. Com estas medidas, perdeu apoio popular e foi derrubado em 1966, sendo obrigado a viver no ex\u00edlio at\u00e9 a morte.<\/p>\n<p>Um destino menos tr\u00e1gico quando comparado a outros pan-africanistas, como o congol\u00eas Patrice Lumumba, que exerceu o cargo de primeiro-ministro da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo por apenas 12 semanas, em 1960, foi deposto, preso, torturado e assassinado brutalmente pelo imperialismo belga em 1961, ou Thomas Sankara, de Burkina Faso, assassinado, em 1987, em processos similares.<\/p>\n<p>Exemplos de como, ao n\u00e3o levarem adiante a revolu\u00e7\u00e3o social e a constru\u00e7\u00e3o de um Estado onde os trabalhadores exercessem sua ditadura e defendessem seus direitos, estes representantes do pan-africanismo, uma vez no poder, ficaram vulner\u00e1veis \u00e0s conspira\u00e7\u00f5es dos governos dos pa\u00edses imperialistas, que mantiveram a pol\u00edtica de resguardar o controle de suas ex-col\u00f4nias.<\/p>\n<p><strong>Angola e Mo\u00e7ambique: A constru\u00e7\u00e3o de novas burguesias sob bases autorit\u00e1rias<\/strong><\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique e Angola, os governos das ex-col\u00f4nias portuguesas formados na d\u00e9cada de 1970 estabeleceram ditaduras sanguin\u00e1rias que deram base \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novas burguesias.<\/p>\n<p>No caso de Angola, Agostinho Neto e o Movimento Popular de Liberta\u00e7\u00e3o de Angola (MPLA), sob o pretexto de acabar com qualquer diverg\u00eancia interna, eliminaram fisicamente v\u00e1rios dirigentes e quadros do pr\u00f3prio MPLA, em consecutivos massacres, como o que ocorreu em maio de 1977, quando, calcula-se, foram mortos entre 30.000 e 80.000 pessoas.<\/p>\n<p>Ao falecer em Moscou, em setembro de 1979, Agostinho Neto deixou o pa\u00eds sob o comando do MPLA e de Jos\u00e9 Eduardo dos Santos, que assumiu o cargo de presidente. Neste momento, a cadeia de S\u00e3o Paulo, em Luanda, e campos de concentra\u00e7\u00e3o espalhados em diversas partes do pa\u00eds, estavam repletos de dissidentes do MPLA, intelectuais do movimento \u201cRevolta Ativa\u201d e jovens da \u201cOrganiza\u00e7\u00e3o Comunista de Angola\u201d (OCA).<\/p>\n<p>O governo Santos foi conhecido por ser corrupto, nepotista e ditatorial e, hoje, \u00e9 uma das fam\u00edlias mais poderosas da \u00c1frica, com participa\u00e7\u00f5es nas principais empresas nacionais e at\u00e9 em multinacionais. Sua filha, Isabel dos Santos, \u00e9 considerada a mulher mais rica da \u00c1frica, com investimentos em Portugal que chegam a 3 bilh\u00f5es de euros, sendo casada com o magnata e colecionador de arte congol\u00eas Sindika Dokolo.<\/p>\n<p>Angola \u00e9 o segundo pa\u00eds africano em produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e o quinto produtor mundial de diamantes. Ainda assim, quase 36% da popula\u00e7\u00e3o vivem abaixo da linha da pobreza, 70% vivem com menos de dois d\u00f3lares por dia e, em 2015, o pa\u00eds registrou a maior taxa de mortalidade infantil do mundo e a segunda pior taxa de expectativa de vida, de acordo com o relat\u00f3rio de 2016, da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Al\u00e9m disso, apenas 30% da popula\u00e7\u00e3o t\u00eam acesso \u00e0 eletricidade.<\/p>\n<p>Em Mo\u00e7ambique, ainda antes da independ\u00eancia, quando o pa\u00eds estava sob a vig\u00eancia do governo de transi\u00e7\u00e3o partilhado com Portugal, a Frente de Liberta\u00e7\u00e3o de Mo\u00e7ambique (FRELIMO) tamb\u00e9m eliminou a oposi\u00e7\u00e3o e seus dissidentes no melhor (ou pior) estilo stalinista, detendo v\u00e1rios deles sob a alega\u00e7\u00e3o de que eram aliados da comunidade branca, sendo, por isso, classificados como \u201ctraidores\u201d e \u201cinimigos\u201d e sujeitos a julgamentos sum\u00e1rios, presididos pelo pr\u00f3prio Samora Machel. Muitos acabaram presos em \u201ccampos de reeduca\u00e7\u00e3o\u201d, sendo assassinados num espet\u00e1culo macabro, em 25 de junho de 1977 (segundo anivers\u00e1rio da independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique), quando os prisioneiros pol\u00edticos foram queimados vivos, enquanto soldados cantavam hinos revolucion\u00e1rios ao redor da \u201cvala\u201d, enquanto despejavam gasolina.<\/p>\n<p>Enquanto no poder, a FRELIMO desenvolveu uma pol\u00edtica externa de colabora\u00e7\u00e3o com o imperialismo, sendo que Machel, inclusive, foi recebido por Ronald Reagan, al\u00e9m de assinar um acordo de boa-vizinhan\u00e7a com Pieter Botha, presidente da \u00c1frica do Sul durante o ultra-racista regime do apartheid.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, organizou acordos com o Banco Mundial e o FMI. Suas boas rela\u00e7\u00f5es com a antiga metr\u00f3pole chegaram ao ponto de que, em agosto de 1982, ele recebeu o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal. Internamente, os \u201cquadros\u201d da FRELIMO ganharam cada mais vez mais privil\u00e9gios, se apropriando de bens vetados ao demais cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>Em suma, governos como de Angola e Mo\u00e7ambique formaram novas burguesias negras que continuaram e continuam explorando e oprimindo a maioria da popula\u00e7\u00e3o negra de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Enfim, do ponto de vista pr\u00e1tico, a pol\u00edtica policlassista do pan-africanismo nos pa\u00edses em que chegaram ao poder manteve a explora\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora negra, al\u00e9m de rela\u00e7\u00f5es e subordina\u00e7\u00e3o ao imperialismo. Consequentemente, de uma forma ou outra, essa situa\u00e7\u00e3o levou \u00e0 perda de apoio popular e a um fortalecimento do imperialismo, que se v\u00ea em melhores condi\u00e7\u00f5es para derrubar estes governos, instaurando nefastas ditaduras com dirigentes negros. Ou, ainda, cooptando diretamente estes dirigentes para fazerem o trabalho sujo em seu nome.<\/p>\n<p>Diante disto, podemos constatar que a estrat\u00e9gia pan-africanista, que dirigiu v\u00e1rias lutas anticoloniais e teve valentes dirigentes, ao ter se pautado na pol\u00edtica de colabora\u00e7\u00e3o de classes, fracassou em derrotar a domina\u00e7\u00e3o semicolonial e a opress\u00e3o do povo negro.<\/p>\n<p>A necessidade da revolu\u00e7\u00e3o social e de um governo da classe trabalhadora<\/p>\n<p>Uma pol\u00edtica marxista revolucion\u00e1ria para a \u00c1frica n\u00e3o pode passar por uma alian\u00e7a com a burguesia nacional, que sempre ser\u00e1 subordinada ao imperialismo. Muito pelo contr\u00e1rio. Uma pol\u00edtica revolucion\u00e1ria para os pa\u00edses africanos tem que ser baseada solidamente na independ\u00eancia de classe do proletariado negro e na luta unificada com outras na\u00e7\u00f5es e povos oprimidos no mundo.<\/p>\n<p>A \u201cTese Sobre a Quest\u00e3o Negra\u201d, aprovada no 4\u00ba Congresso da Internacional Comunista, em novembro de 1922, caracterizou que depois da Primeira Guerra, o movimento revolucion\u00e1rio entre os povos coloniais e semicoloniais cresceu se enfrentando com a domina\u00e7\u00e3o do capital mundial, declarando em seu terceiro ponto:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) A luta internacional da ra\u00e7a negra \u00e9 uma luta contra o inimigo comum. Um movimento negro internacional com base nesta luta deve ser organizado: nos Estados Unidos, o centro da cultura negra e protesto negro; na \u00c1frica, com a sua reserva de m\u00e3o-de-obra humana para o desenvolvimento do capitalismo; na Am\u00e9rica Central (Costa Rica, Guatemala, Col\u00f4mbia, Nicar\u00e1gua e outros pa\u00edses \u201cindependentes\u201d), onde o dom\u00ednio do capitalismo Americano \u00e9 absoluto; em Porto Rico, Haiti, S\u00e3o Domingos e outras ilhas do Caribe, onde o tratamento brutal dos nossos irm\u00e3os negros pela ocupa\u00e7\u00e3o Americana provocou um protesto em todo o mundo de negros conscientes e trabalhadores brancos revolucion\u00e1rios; na \u00c1frica do Sul e Congo, onde a industrializa\u00e7\u00e3o crescente da popula\u00e7\u00e3o negra levou a todos os tipos de revoltas; e no leste da \u00c1frica, onde as incurs\u00f5es do capital mundial levou a popula\u00e7\u00e3o local a iniciar um ativo movimento anti-imperialista (\u2026)\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, a Internacional Comunista se colocava como tarefa \u201cmostrar aos negros que eles n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos a sofrer a opress\u00e3o capitalista e imperialista, que os trabalhadores e camponeses da Europa, \u00c1sia e Am\u00e9rica tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00edtimas do imperialismo, que a luta negra contra o imperialismo n\u00e3o \u00e9 a luta de um \u00fanico povo, mas de todos os povos do mundo\u201d. Por isso, \u201ca quest\u00e3o negra tornou-se parte integrante da revolu\u00e7\u00e3o mundial\u201d.<\/p>\n<p>No marco de defender a unidade da nossa classe devemos levantar, como Trotsky fez, a necessidade de constru\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Negras nos pa\u00edses da \u00c1frica, com maioria da popula\u00e7\u00e3o negra. O que n\u00e3o exclui a igualdade total para os brancos, nem \u201cas rela\u00e7\u00f5es fraternas entre as duas ra\u00e7as, dependendo principalmente da conduta dos brancos\u201d, como o dirigente russo escreveu no documento\u00a0\u201cAs quest\u00f5es agr\u00e1ria e nacional: observa\u00e7\u00f5es sobre o Projeto de Teses do Partido dos Trabalhadores da \u00c1frica do Sul\u201d, em abril de 1935.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a maioria predominante da popula\u00e7\u00e3o, libertada da depend\u00eancia escravista, teria que deixar sua \u201cmarca\u201d no Estado. No entanto, esta \u201cmarca\u201d n\u00e3o \u00e9 somente de ra\u00e7a, mas tamb\u00e9m de classe. Esta \u00e9 a \u00fanica forma para mudar radicalmente a rela\u00e7\u00e3o entre as classes e entre as ra\u00e7as, assegurando ao proletariado negro o lugar no Estado que realmente lhes corresponde.<\/p>\n<p>Isto dentro da mesma perspectiva e com o mesmo objetivo apontado por Nahuel Moreno, quando o dirigente trotskista argentino discutiu a revolu\u00e7\u00e3o em Angola: a constru\u00e7\u00e3o de uma \u201cUni\u00e3o dos Estados do Sul Africano, em uma grande Federa\u00e7\u00e3o de Rep\u00fablicas Socialistas Negras\u201d.<\/p>\n<p><strong>O programa de transi\u00e7\u00e3o e a combina\u00e7\u00e3o das tarefas democr\u00e1ticas e socialistas<\/strong><\/p>\n<p>Para se alcan\u00e7ar este objetivo, diferentemente da pol\u00edtica policlassista e centrada na quest\u00e3o racial, defendida pelo pan-africanismo, o socialismo revolucion\u00e1rio (que nada tem a ver com o stalinismo) t\u00eam como m\u00e9todo o Programa de Transi\u00e7\u00e3o, que prop\u00f5e a luta combinada, e dial\u00e9tica, pelas quest\u00f5es \u201cdemocr\u00e1ticas\u201d (que inclui o combate ao racismo e \u00e0 opress\u00e3o) com o combate pelo socialismo. Ou seja, que defende de necessidade de:<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Combinar a luta pelas tarefas mais elementares da independ\u00eancia nacional e da democracia burguesa com a luta socialista contra o imperialismo mundial. Nessa luta, as palavras-de-ordem democr\u00e1ticas, as reivindica\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias e as tarefas da revolu\u00e7\u00e3o socialista n\u00e3o est\u00e3o separadas em \u00e9pocas hist\u00f3ricas distintas, mas decorrem umas das outras. (\u2026) O peso espec\u00edfico das diversas reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas na luta do proletariado, suas m\u00fatuas rela\u00e7\u00f5es e sua ordem de sucess\u00e3o est\u00e3o determinados pelas particularidades e pelas condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias a cada pa\u00eds atrasado, em particular pelo grau de seu atraso. Entretanto, a dire\u00e7\u00e3o geral do desenvolvimento revolucion\u00e1rio pode ser determinada pela f\u00f3rmula da REVOLU\u00c7\u00c3O PERMANENTE, no sentido que Ihe foi definitivamente dado pelas tr\u00eas revolu\u00e7\u00f5es na R\u00fassia (1905, fevereiro de 1917, outubro de 1917)\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 fundamentalmente neste sentido que as diferen\u00e7as te\u00f3ricas program\u00e1ticas entre o panafricanismo e o marxismo t\u00eam consequ\u00eancias pr\u00e1ticas e concretas.<\/p>\n<p>Nossos irm\u00e3os no continente africano realizaram revolu\u00e7\u00f5es, como as que ocorreram em Angola, Mo\u00e7ambique, \u00c1frica do Sul etc. Revolu\u00e7\u00f5es que, de conte\u00fado, eram socialistas, seja pelos inimigos que enfrentavam ou pelas necessidades que estavam colocadas, mesmo que se apresentassem com uma forma democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Foram revolu\u00e7\u00f5es vitoriosas, mas que n\u00e3o avan\u00e7aram em dire\u00e7\u00e3o ao socialismo porque suas dire\u00e7\u00f5es impediram que estas revolu\u00e7\u00f5es dos oprimidos questionassem a explora\u00e7\u00e3o capitalista. Diferentemente da Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, que chegou \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o da burguesia, com a dire\u00e7\u00e3o cubana sendo obrigada a ir mais longe do que pretendia, como previu Trotsky no Programa de Transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os processos revolucion\u00e1rios continuam a ocorrer em todos os continentes, no entanto o desafio que est\u00e1 colocado para o proletariado e o povo pobre na \u00c1frica \u00e9 o mesmo que temos que solucionar na Am\u00e9rica do Sul e no resto do mundo: superar as dire\u00e7\u00f5es reformistas e n\u00e3o revolucionarias e construir um verdadeiro partido revolucion\u00e1rio do proletariado levando a classe trabalhadora a se libertar definitivamente de seus grilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/p>\n<p>MATEUS, Dalila Cabrita. A luta pela independ\u00eancia: a forma\u00e7\u00e3o das elites fundadoras da FRELIMO, MPLA e PAIGC. Lisboa: Editora Inqu\u00e9rito, 1999<\/p>\n<p>MATEUS, \u00c1lvaro e MATEUS, Dalila Cabrita. Purga em Angola: o 27 de maio de 1977. Lisboa: Texto Editores, 2009.<\/p>\n<p>FIGUEIREDO, Leonor. O fim da extrema-esquerda em Angola: como o MPLA dizimou os Comit\u00eas Am\u00edlcar Cabral e a OCA (1974-1980). Lisboa: Guerra e Paz<\/p>\n<p>MANOEL, Jones (org.), Revolu\u00e7\u00e3o Africana, uma antologia do pensamento marxista. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2019.<\/p>\n<p>Rafael Marques: Diamantes de Sangu, Corrup\u00e7\u00e3o e tortura em Angola, Tinta da China Edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Jean Michel Mabeko Tali: Guerrilhas e lutas sociais, o MPLA perante si pr\u00f3prio, Mercado das Letras<\/p>\n<p>Lara Pawson: Em nome do Povo, Tintas da China<\/p>\n<p>Nahuel Moreno Angola: La Revoluci\u00f3n Negra en marcha.<\/p>\n<p>George Padmore: \u201cComo a R\u00fassia transformou seu imp\u00e9rio colonial: um desafio para as pot\u00eancias imperialistas\u201d (1946).<\/p>\n<p>George Padmore, Os Trabalhadores Brancos e os Negros, maio de 1938<\/p>\n<ol>\n<li>Du Bois \u201cA reconstru\u00e7\u00e3o negra na Am\u00e9rica\u201d (1935);<\/li>\n<li>R. James \u201cJacobinos Negros\u201d, (1938)<\/li>\n<\/ol>\n<p>Eric Williams \u201cO negro e o caribe\u201d (1944).<\/p>\n<p>Franz Fanon, \u201cPele negra, m\u00e1scaras brancas\u201d (1951); \u201cRacismo e cultura\u201d; Os condenados da Terra (1961)<\/p>\n<p>Kwane Nkrumah \u201cA \u00c1frica precisa se unir (1963)\u201d e \u201cNeocolonialismo: fase superior do imperialismo (1965)\u201d.<\/p>\n<p>Am\u00edlcar Cabral, \u201cA Arma da Teoria (1966)\u201d.<\/p>\n<p>Trotsky: \u201cCarta aos revolucion\u00e1rios sul-africanos (1933)\u201d<\/p>\n<p>Resolu\u00e7\u00e3o dos Quatro Congressos da Terceira Internacional<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m dos debates te\u00f3ricos, a pol\u00edtica concreta pan-africanista, evidentemente, teve consequ\u00eancias pr\u00e1ticas. Jones Manoel defende que Gana, sob a dire\u00e7\u00e3o de Nkrumah, estava na dire\u00e7\u00e3o de uma sociedade socialista; assim como Burkina Faso, sob o comando de Thomas Sankara. Como tamb\u00e9m argumenta que as ditaduras burocr\u00e1ticas constru\u00eddas em Angola, Mo\u00e7ambique e Guine Bissau, p\u00f3s-independ\u00eancia colonial, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":64188,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[208,8,49],"tags":[620,2737,4005,4006],"class_list":["post-64187","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-africa","category-historia","category-polemica","tag-americo-gomes","tag-jones-manoel","tag-marxismo-e-pan-africanismo","tag-pan-africanismo"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/Americo.jpg","categories_names":["\u00c1frica","Hist\u00f3ria","Pol\u00eamica"],"author_info":{"name":"LIT\u2013CI ICTs administrator","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/0973b89b04bbda111defa87e3f860ce865242776607022a1de5d57af162e61ab?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64187","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64187"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64187\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64188"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64187"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64187"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64187"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}