{"id":64078,"date":"2021-06-02T11:45:02","date_gmt":"2021-06-02T14:45:02","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=64078"},"modified":"2021-06-02T11:45:02","modified_gmt":"2021-06-02T14:45:02","slug":"64078-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/06\/02\/64078-2\/","title":{"rendered":"Declara\u00e7\u00e3o europeia da LIT-QI"},"content":{"rendered":"<p><em>Diante da gest\u00e3o capitalista da pandemia e da nova ofensiva do capital, organizar a resposta aos governos e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A \u201cc\u00fapula social\u201d de Porto deixa a descoberto o verdadeiro rosto da UE.<\/p>\n<p>A autodenominada \u201cc\u00fapula social\u201d de Porto (Portugal) em 7 de maio passado, mostrou a extrema hipocrisia da UE e colocou em evid\u00eancia sua aut\u00eantica natureza.<\/p>\n<p>A C\u00fapula tinha por objetivo disfar\u00e7ar com falsas proclama\u00e7\u00f5es sociais a macro-opera\u00e7\u00e3o dos Fundos de Recupera\u00e7\u00e3o, destinados \u00e0s grandes corpora\u00e7\u00f5es europeias e refor\u00e7ar o dom\u00ednio dos oligop\u00f3lios alem\u00e3es e franceses. Tamb\u00e9m queriam mascarar a nova onda de \u201creformas estruturais\u201d e cortes que acompanham os Fundos.<\/p>\n<p>O comunicado oficial provoca n\u00e1useas por sua falta de vergonha. Dizem que \u201ca Europa, mais do que nunca, deve ser o continente da coes\u00e3o social e da prosperidade\u201d. Mas tr\u00eas anos e meio transcorreram desde a \u201cc\u00fapula social\u201d anterior de Gotemburgo e n\u00e3o tomaram uma s\u00f3 medida contra a amplia\u00e7\u00e3o da precariedade e da pobreza. Pelo contr\u00e1rio, promoveram-nas em todos os pa\u00edses, ao mesmo tempo em que aumentavam as diferen\u00e7as entre os estados membros e acentuavam a depend\u00eancia da periferia em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00edses centrais mais ricos.<\/p>\n<p>Entretanto, a demagogia que planejaram desmoronou, devido \u00e0 sua escandalosa rejei\u00e7\u00e3o, liderada por Merkel, da libera\u00e7\u00e3o das patentes das vacinas contra a Covid 19. Biden alguns dias antes, mudando a posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos (EUA), declarou que estava a favor de liberar as patentes temporariamente, diante do temor de que a grav\u00edssima situa\u00e7\u00e3o da pandemia na Am\u00e9rica Latina, com suas novas variantes, jogasse por terra os esfor\u00e7os de vacina\u00e7\u00e3o nos EUA.<\/p>\n<p>A negativa em liberar as vacinas \u00e9 um crime de massas. A UE tem uma responsabilidade direta na morte de milh\u00f5es de pessoas, sacrificadas no altar dos lucros das grandes farmac\u00eauticas norte-americanas e europeias, entre elas as alem\u00e3s. Isto n\u00e3o \u00e9 mais do que um elemento de barb\u00e1rie, consequ\u00eancia da continuidade do capitalismo na Europa e no mundo.<\/p>\n<p><strong>Uma gest\u00e3o infame da pandemia pelos governos e um sil\u00eancio c\u00famplice da burocracia sindical e da esquerda oficial<\/strong><\/p>\n<p>O conjunto de governos europeus, com a UE completa e diferen\u00e7as relativas entre si, aplicaram desde o in\u00edcio da pandemia, uma pol\u00edtica ditada pelas press\u00f5es das grandes empresas, colocando o lucro capitalista acima das vidas humanas, que j\u00e1 tiveram como consequ\u00eancia 1,2 milh\u00f5es de pessoas falecidas, segundo n\u00fameros oficiais.<\/p>\n<p>Com restri\u00e7\u00f5es diversas em um cont\u00ednuo \u00abstop and go\u00bb, nunca detiveram a atividade dos setores produtivos n\u00e3o essenciais, n\u00e3o refor\u00e7aram uma Sa\u00fade p\u00fablica atingida severamente por duros cortes anteriores, os transportes continuaram abarrotados, as fam\u00edlias mais pobres n\u00e3o tiveram sequer condi\u00e7\u00f5es para fazer o isolamento enquanto os hot\u00e9is estavam fechados e havia um grande atraso na vacina\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sujei\u00e7\u00e3o \u00e0s grandes farmac\u00eauticas e aos acordos comerciais secretos com elas.<\/p>\n<p>Dedicaram enormes somas de dinheiro p\u00fablico para resgatar as grandes empresas, enquanto destinavam as migalhas para os trabalhadores, que viam seus sal\u00e1rios substancialmente reduzidos com as suspens\u00f5es tempor\u00e1rias de trabalho e redu\u00e7\u00f5es de jornada (lay-off). Sem contar os setores mais explorados e precarizados, que n\u00e3o puderam ter acesso \u00e0s magras ajudas oficiais e ficaram em total desamparo. \u00c9 o caso das\/os trabalhadores\/as imigrantes e de muitas mulheres e jovens. Junto com os lay-off, houve um importante aumento do desemprego e do subemprego, que afetaram massivamente os servi\u00e7os, mas tamb\u00e9m a ind\u00fastria. Continuaram os despejos das moradias e formaram-se \u201cfilas da fome\u201d. Ao mesmo tempo, os governos deixaram \u00e0 intemp\u00e9rie os pequenos empres\u00e1rios, muitos dos quais amea\u00e7ados de ru\u00edna, em particular nos pa\u00edses mais dependentes do turismo e dos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, as leis xen\u00f3fobas contra a popula\u00e7\u00e3o migrante e a pol\u00edtica de fechamento de fronteiras, violando de maneira flagrante as pr\u00f3prias leis de asilo e prote\u00e7\u00e3o da UE e seus governos, mais a exclus\u00e3o social de segmentos cada vez maiores de popula\u00e7\u00e3o, est\u00e3o alimentando o racismo e a islamofobia, dos quais a extrema direita se beneficia diretamente.<\/p>\n<p>Frontex (ou seja, a UE) e os pa\u00edses fronteiri\u00e7os s\u00e3o respons\u00e1veis diretos pelo assassinato, em 2020, de 2.000 pessoas expressamente jogadas em balsas \u00e0 deriva no mar Egeu, em uma modalidade criminosa de devolu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria (no momento que cruza a fronteira, ndt.) al\u00e9m dos migrantes afogados no trajeto do Norte da \u00c1frica e para as Ilhas Can\u00e1rias. Isto \u00e9 acompanhado pela subcontrata\u00e7\u00e3o por parte de Erdogan, da m\u00e1fia oficial da L\u00edbia ou do governo marroquino para interceptar e reter em condi\u00e7\u00f5es desumanas refugiad@s\u00a0e migrantes. A \u00faltima \u201cfa\u00e7anha\u201d europeia foi a atua\u00e7\u00e3o criminosa, hip\u00f3crita e desumana no enclave colonial de Ceuta, com a devolu\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria de milhares de migrantes. A UE e os governos prendem os migrantes que n\u00e3o podem expulsar em campos de refugiados em Lesbos, Lampedusa ou nas Ilhas Can\u00e1rias, em condi\u00e7\u00f5es de superlota\u00e7\u00e3o e total desprote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>.Os governos, quase sem exce\u00e7\u00f5es, aproveitaram tamb\u00e9m a pandemia para restringir direitos e liberdades e intensificar a repress\u00e3o e a impunidade policial. Em nome da sa\u00fade p\u00fablica decretaram estados de emerg\u00eancia que utilizaram para proibir o direito de greve e manifesta\u00e7\u00e3o, enquanto davam r\u00e9dea solta a uma repress\u00e3o arbitr\u00e1ria, particularmente nos bairros mais pobres e perif\u00e9ricos. Em v\u00e1rios pa\u00edses, vemos um recurso cada vez mais frequente aos militares, novos cortes de direitos democr\u00e1ticos e a concess\u00e3o de mais poderes \u00e0 pol\u00edcia, como a Lei de Seguran\u00e7a Global na Fran\u00e7a, a Lei de Pol\u00edcia e Delinqu\u00eancia no Reino Unido ou a Lei da Morda\u00e7a espanhola, que o governo de coaliz\u00e3o PSOE-UP disse que ia revogar e, no entanto, est\u00e1 usando de maneira generalizada.<\/p>\n<p>Por\u00e9m n\u00e3o podemos nos esquecer de que se os governos puderam agir assim foi porque o tempo todo foram apoiados pelas burocracias das grandes centrais sindicais que, em \u00edntima alian\u00e7a com as patronais, foram c\u00famplices necess\u00e1rios de suas medidas. No terreno propriamente pol\u00edtico, a esquerda oficial tamb\u00e9m apoiou a atua\u00e7\u00e3o dos governos, sem critic\u00e1-la nem apresentar qualquer alternativa.<\/p>\n<p><strong>A fraude da \u00absolidariedade europeia\u00bb e os fundos de recupera\u00e7\u00e3o da UE<\/strong><\/p>\n<p>A UE se apresenta atualmente como uma estrutura \u201ccoesa\u201d, com sua hierarquia e os la\u00e7os de depend\u00eancia entre os pa\u00edses neste momento semiocultos sob a fal\u00e1cia da \u201csolidariedade europeia\u201d, cujas maiores express\u00f5es s\u00e3o a compra conjunta das vacinas e dos fundos de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A compra unificada das vacinas, ap\u00f3s o esc\u00e2ndalo inicial em que a Alemanha e a Fran\u00e7a proibiram a exporta\u00e7\u00e3o de material sanit\u00e1rio para outros pa\u00edses da UE, era algo obrigado: n\u00e3o podiam permitir, sob o risco de provocar uma crise de enorme envergadura, que uma parte da UE ficasse sem vacinas (ou fossem compradas pela R\u00fassia ou China) enquanto eles garantiam seu pr\u00f3prio o abastecimento. Embora a desastrosa gest\u00e3o da Comiss\u00e3o Europeia, ocultando informa\u00e7\u00e3o, submetendo-se \u00e0s grandes farmac\u00eauticas e envolvendo-se em suas disputas comerciais j\u00e1 tivesse rompido esta unanimidade.<\/p>\n<p>A UE e seus governos est\u00e3o agora em plena campanha de propaganda dos fundos de recupera\u00e7\u00e3o (\u00abNext Generativo\u00bb), que apresentam como express\u00e3o da solidariedade europeia e como panaceia para a cria\u00e7\u00e3o de emprego e prosperidade geral.<\/p>\n<p>Mas estes fundos nada t\u00eam a ver com a solidariedade entre os povos europeus. N\u00e3o v\u00e3o compensar em absoluto a perda global de emprego e o que v\u00e3o gerar ser\u00e1, antes de tudo, emprego prec\u00e1rio. \u00c9 dinheiro p\u00fablico subordinado aos planos do capitalismo alem\u00e3o e franc\u00eas, que ir\u00e3o refor\u00e7ar a depend\u00eancia da periferia e seu lugar subordinado na divis\u00e3o europeia do trabalho, com pa\u00edses rebaixados a um estatuto semicolonial, como a Gr\u00e9cia, e outros como os pa\u00edses do Leste, que j\u00e1 entraram na UE como semicol\u00f4nias econ\u00f4micas da Alemanha.<\/p>\n<p>Para tentar n\u00e3o ser atropelado pelo enfrentamento entre EUA e China, o capitalismo alem\u00e3o e franc\u00eas precisam da UE. Os fundos de recupera\u00e7\u00e3o devem servir tamb\u00e9m para fechar a passagem ao capital chin\u00eas de maneira que n\u00e3o se repita a compra de ativos e infraestruturas que efetuou na crise anterior, como ocorreu particularmente em Portugal (a empresa energ\u00e9tica EDP) ou na Gr\u00e9cia (porto de Pireu).<\/p>\n<p>A UE justifica os fundos como necess\u00e1rios para avan\u00e7ar na \u201ctransi\u00e7\u00e3o verde e digital\u201d. Mas o aquecimento global e a emerg\u00eancia ambiental, pelos quais s\u00e3o grandes correspons\u00e1veis, \u00e9 o que menos os preocupa. Sua principal inquietude \u00e9 como fazer frente ao esgotamento dos combust\u00edveis f\u00f3sseis (e minerais) e continuar ao mesmo tempo com seus neg\u00f3cios e seus lucros oligopol\u00edsticos.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum plano para mudar a l\u00f3gica do sistema produtivo capitalista e o brutal desperd\u00edcio que o acompanha, que nos leva diretamente ao desastre ambiental e social. Sua redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de CO2 se baseia mais na sua \u201ccaptura\u201d que na sua elimina\u00e7\u00e3o, em f\u00f3rmulas como o chamado \u201chidrog\u00eanio verde\u201d (energeticamente ineficiente, com uma produ\u00e7\u00e3o associada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de ecossistemas naturais e agr\u00edcolas e dissimula\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio) e finalmente em uma enxurrada de impostos \u201cverdes\u201d sobre as costas da grande maioria trabalhadora da popula\u00e7\u00e3o. A \u201ctransi\u00e7\u00e3o verde\u201d anda tamb\u00e9m de m\u00e3os dadas com o saque, a superexplora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra e a destrui\u00e7\u00e3o ambiental nos pa\u00edses semicoloniais que concentram os recursos minerais.<\/p>\n<p>O apoio \u00e0 \u201cmobilidade el\u00e9trica\u201d \u00e9 tamb\u00e9m um financiamento p\u00fablico massivo para a reestrutura\u00e7\u00e3o das grandes multinacionais automotivas alem\u00e3s e francesas assim como uma transfer\u00eancia de fundos para setores sociais mais abastados, que s\u00e3o subvencionados para a compra de carros el\u00e9tricos de ponta, os \u00fanicos com uma real sa\u00edda comercial. A \u201ctransi\u00e7\u00e3o digital\u201d ou a chamada \u00abind\u00fastria 4.0\u00bb, desenvolvida sob controle dos grandes capitalistas e seus governos, ao inv\u00e9s de refletir na redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e em uma consequente melhoria de vida dos trabalhadores, vem para causar grandes perdas de emprego e uma maior precariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Querem nos impor um novo retrocesso social generalizado como na crise de 2008-2015<\/strong><\/p>\n<p>A aprova\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o dos fundos de recupera\u00e7\u00e3o est\u00e3o expressamente condicionadas ao acatamento das \u201crecomenda\u00e7\u00f5es\u201d da Comiss\u00e3o Europeia, que deve dar sua aprova\u00e7\u00e3o. Isto quer dizer que n\u00e3o s\u00f3 que devem ser investidos em projetos de acordo com os interesses da grande ind\u00fastria e das finan\u00e7as alem\u00e3s e francesas, mas tamb\u00e9m que os governos dever\u00e3o cumprir rigorosamente as \u201creformas estruturais\u201d e as medidas de austeridade ditadas pela Comiss\u00e3o Europeia.<\/p>\n<p>Algumas das medidas concretas dos planos que os governos pactuaram com Bruxelas e que mant\u00eam em segredo v\u00e3o se tornando conhecidas a conta gotas. Em primeiro plano est\u00e3o os ataques ao sistema p\u00fablico de aposentadorias e aos direitos trabalhistas (negocia\u00e7\u00e3o coletiva, estabilidade no emprego, demiss\u00f5es, seguro desemprego\u2026) ou ajustes na tributa\u00e7\u00e3o \u00e0 custa da maioria trabalhadora. Os sistemas p\u00fablicos de Sa\u00fade e Educa\u00e7\u00e3o ser\u00e3o gravemente afetados. Os cortes no gasto social ser\u00e3o acelerados quando o Pacto de Estabilidade e Crescimento for reativado, o que planejam fazer em 2022.<\/p>\n<p>Sem esperar o fim da pandemia, j\u00e1 estamos sofrendo o in\u00edcio da ofensiva da UE e seus governos, para nos impor um novo retrocesso trabalhista e social generalizado, um novo padr\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, quando ainda est\u00e1 quente a brutal regress\u00e3o que nos impuseram nestes anos passados. S\u00f3 que agora grande parte do colch\u00e3o social do qual as fam\u00edlias trabalhadoras dispunham est\u00e1 consumido e para o novo retrocesso partem de um n\u00edvel social j\u00e1 muito degradado.<\/p>\n<p>Esta regress\u00e3o, de alcance geral, tem um impacto especialmente virulento na periferia da UE, como ocorreu na crise de 2008-2014. O enorme endividamento com que pa\u00edses como Gr\u00e9cia, Portugal, o Estado Espanhol ou tamb\u00e9m a It\u00e1lia j\u00e1 entraram na pandemia, disparou em 2020, continua a aumentar em 2021 e deixa estes pa\u00edses a expensas do BCE e da Comiss\u00e3o Europeia. O governo grego, um verdadeiro representante da UE, j\u00e1 apresentou um projeto de lei para flexibilizar a jornada de trabalho, acabar com as 8 horas e permitir aos empres\u00e1rios estender a jornada de trabalho ordin\u00e1ria at\u00e9 10 horas. Em Portugal se tornou p\u00fablico em plena pandemia! o compromisso do governo Costa de cortar os servi\u00e7os de emerg\u00eancia hospitalares.<\/p>\n<p>A outra face da precariedade, da pobreza e da desigualdade social \u00e9 o impulso da concentra\u00e7\u00e3o empresarial e centraliza\u00e7\u00e3o de capitais, em torno dos mais poderosos e \u00e0 custa dos capitais mais d\u00e9beis. Este movimento se beneficia do impacto desigual da pandemia entre os diferentes setores econ\u00f4micos e se nutre de uma liquidez nunca vista, alimentada pela \u201cbarra livre\u201d do Banco Central Europeu (BCE), pelos apoios financeiros dos governos \u00e0s grandes empresas e pelos fundos europeus de recupera\u00e7\u00e3o. Um exemplo eloquente \u00e9 o acordo de fus\u00e3o de Peugeot com Fiat-Chrysler (Stellantis) ou a atua\u00e7\u00e3o de rapina dos fundos de investimento.<\/p>\n<p><strong>Uma explosividade latente, enquanto os povos do Leste europeu mostram o caminho<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 agora mencionamos basicamente a Europa Ocidental, mas n\u00e3o podemos falar da Europa sem ter em conta Belar\u00fas (Bielorr\u00fassia), R\u00fassia ou Ucr\u00e2nia. O que acontece ali afeta diretamente os pa\u00edses do Leste da UE, a Alemanha e o equil\u00edbrio europeu como um todo.<br \/>\n\u00c9 de especial relev\u00e2ncia o levante revolucion\u00e1rio do povo de Belar\u00fas, iniciado em setembro do ano passado, com a classe oper\u00e1ria como principal protagonista, com o objetivo de derrubar Lukashenko e seu regime burgu\u00eas corrupto, baseado na pol\u00edcia pol\u00edtica (KGB), nos antidist\u00farbios (OMON) e nos militares. Se o regime de Lukashenko persiste \u00e9, antes de tudo, pelo apoio de Putin, mas tamb\u00e9m pela passividade c\u00famplice, tingida de verborragia, da UE e pela pr\u00f3pria impot\u00eancia da dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica burguesa da revolta. Mas a revolu\u00e7\u00e3o de Belar\u00fas n\u00e3o foi derrotada, continua viva e buscar\u00e1 seus caminhos.<\/p>\n<p>Da mesma forma as manifesta\u00e7\u00f5es pela liberdade de Navalny e contra a corrup\u00e7\u00e3o do regime bonapartista de Putin. Desafiando uma brutal repress\u00e3o, dezenas de milhares de manifestantes sa\u00edram repetidamente \u00e0s ruas de Moscou e outras 140 cidades do pa\u00eds, dando um giro na situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e apontando, pela primeira vez, o in\u00edcio de uma crise do regime de Putin, amigo da extrema direita europeias e um dos pilares da rea\u00e7\u00e3o no continente e no Oriente M\u00e9dio.<br \/>\nDentro da UE, \u00e9 necess\u00e1rio mencionar, devido \u00e0 sua relev\u00e2ncia, as manifesta\u00e7\u00f5es de centenas de milhares de pessoas, principalmente mulheres, que com um apoio popular massivo tomaram as cidades da Pol\u00f4nia em outubro do ano passado em defesa do direito ao aborto e contra o regime pseudo parlamentar e clerical de Kaczy\u0144ski. Estas manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o continuidade das que ocorreram em 2016 e na primavera de 2020, e constituem a maior mobiliza\u00e7\u00e3o social do pa\u00eds desde o movimento de Solidarnosc (Solidariedade) na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>Com a marca ainda viva do movimento popular dos Coletes Amarelos e da luta contra a reforma das aposentadorias, temos que destacar as grandes manifesta\u00e7\u00f5es no final de 2020 na Fran\u00e7a contra a Lei de Seguran\u00e7a Global de Macron e o bonapartismo cada vez mais acentuado do regime franc\u00eas. Da mesma forma, temos que nos referir ao movimento de protesto desenvolvido no Estado Espanhol, com forte protagonismo juvenil, contra o encarceramento do rapper Pablo Has\u00e9l em fevereiro de 2021. Um movimento que deixou em evid\u00eancia a pesada heran\u00e7a franquista do regime mon\u00e1rquico e a cumplicidade do governo de coaliz\u00e3o do PSOE- Unidas Podemos.<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 numerosas lutas oper\u00e1rias, sociais e ambientais. H\u00e1 muitas lutas contra as demiss\u00f5es e fechamento de empresas. Entretanto, o enorme freio das burocracias sindicais e a debilidade do sindicalismo combativo, fazem com que se mantenham isoladas e n\u00e3o se unifiquem em uma resposta geral que permita modificar a rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e frear os ataques patronais e governamentais.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u00e9 preciso ressaltar a mobiliza\u00e7\u00e3o das\/os trabalhadores\/as da Alitalia contra seu desmantelamento e na defesa de uma companhia p\u00fablica, unida e sem demiss\u00f5es. \u00c9 o primeiro grande movimento de trabalhadores contra o novo e flamante governo Draghi. Sua luta \u00e9 provavelmente a mais importante atualmente na Europa. Por sua relev\u00e2ncia econ\u00f4mica e pol\u00edtica, pela massividade e combatividade de sua mobiliza\u00e7\u00e3o, pelo amplo transbordamento das burocracia sindicais e a disputa das\/os trabalhadores\/as para tomar diretamente em suas m\u00e3os o controle da luta, dando um exemplo \u00e0 classe trabalhadora europeia.<\/p>\n<p>Nos diferentes pa\u00edses h\u00e1 experi\u00eancias parciais de ruptura com a burocracia das grandes centrais sindicais, existindo sindicatos alternativos em muitos setores e empresas. Entretanto, \u00e9 frequente a dispers\u00e3o entre eles, uma parte dos quais sofre press\u00f5es corporativistas e em alguns outros se manifestam tend\u00eancias burocr\u00e1ticas contr\u00e1rias a dar protagonismo \u00e0 base e a avan\u00e7ar na unidade de a\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, sobretudo nos sindicatos alternativos de maior implanta\u00e7\u00e3o, nota-se press\u00f5es a favor da concilia\u00e7\u00e3o com as grandes burocracias. Ainda temos um longo caminho a percorrer at\u00e9 construirmos alternativas sindicais capazes de desafiar e derrotar as grandes burocracias.<\/p>\n<p>O atraso na organiza\u00e7\u00e3o do movimento e na constru\u00e7\u00e3o de uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica revolucion\u00e1ria que permita dirigir os choques com os governos apontam para um cen\u00e1rio de explos\u00f5es sociais com grande carga de espontaneidade e com um forte protagonismo da juventude precarizada.<\/p>\n<p><strong>Uma estabilidade pol\u00edtica aparente, com muitas fissuras e com a extrema direita em ascens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Temos, em particular na UE, uma situa\u00e7\u00e3o de estabilidade pol\u00edtica e institucional que, entretanto, esconde grandes fragilidades. Este \u00e9 o caso da It\u00e1lia, com um governo \u00abt\u00e9cnico-pol\u00edtico\u00bb de \u00abunidade nacional\u00bb em torno do \u00absalvador\u00bb Draghi, distinto representante do grande capital italiano e da diretoria da UE, que \u00e9 apoiado por um leque que vai desde a extrema direita de Salvini, ao Movimento 5 Estrelas, Partido Democr\u00e1tico e setores da \u201cesquerda\u201d (LEU). \u00c9 um governo formado para prevenir a instabilidade na It\u00e1lia e para que esta n\u00e3o alcance o centro da UE. Por\u00e9m, paradoxalmente, sua constitui\u00e7\u00e3o reflete uma grande instabilidade pol\u00edtica e institucional de fundo, que ressurgir\u00e1 com o desenvolvimento da crise e implanta\u00e7\u00e3o das medidas antissociais.<\/p>\n<p>Os recentes resultados eleitorais da comunidade aut\u00f4noma de Madri, no Estado Espanhol, expuseram a enorme debilidade do governo de coaliz\u00e3o PSOE-UP que, com suas promessas n\u00e3o cumpridas e seu falso \u00abescudo social\u00bb diante da pandemia, favoreceu o voto \u00e0 direita e o refor\u00e7o da extrema direita. Macron, por seu lado, com uma base social minguante, tenta recuperar terreno pela direita promovendo a islamofobia, os ataques \u00e0s liberdades e relan\u00e7ando sua ofensiva antissocial, agora contra o subs\u00eddio de desemprego e em breve, de novo, com a reforma das aposentadorias. Esta pol\u00edtica, entretanto, refor\u00e7a a extrema direita (RN), que aspira \u00e0 presid\u00eancia, enquanto incentiva um nutrido grupo de generais e oficiais na reserva que clamam por uma maior interven\u00e7\u00e3o militar, em uma proclama\u00e7\u00e3o raivosamente chauvinista, racista e islamof\u00f3bica.<\/p>\n<p>O caso mais recente \u00e9 o de Portugal, onde pela primeira vez desde a revolu\u00e7\u00e3o de Abril de 1974, um partido de extrema direita, \u00abChega\u00bb, irrompeu na cena pol\u00edtica obtendo 12% da vota\u00e7\u00e3o nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 24 de janeiro passado. Em lugares como a B\u00e9lgica, em particular na regi\u00e3o de Flandres, os partidos de extrema direita chegaram a ser majorit\u00e1rios e em uma cidade franc\u00f3fona como Li\u00e8ge, a extrema direita se atreveu a lan\u00e7ar no 1\u00ba. de Maio a provoca\u00e7\u00e3o de chamar seus seguidores a \u201climpar\u201d a cidade de imigrantes.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o dos governos, tanto da direita tradicional como da \u201cesquerda\u201d, provoca desencanto nos trabalhadores, desespero nos setores sociais mais precarizados e sem apoio social oficial, e empobrecimento e ru\u00edna em amplos setores de pequenos empres\u00e1rios e profissionais. A esquerda oficial e a burocracia sindical n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o oferecem alternativa alguma como afogam a combatividade dos trabalhadores com sua pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o com os grandes capitalistas. Com isso, abrem espa\u00e7o \u00e0 extrema direita para fingir que t\u00eam alternativas, quando seu projeto \u00e9 aumentar a explora\u00e7\u00e3o para n\u00edveis ainda mais b\u00e1rbaros e jogar a culpa nos setores mais explorados e oprimidos.<\/p>\n<p><strong>A esquerda reformista em bancarrota. Temos que construir partidos revolucion\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente j\u00e1 n\u00e3o nos encontramos nas mesmas condi\u00e7\u00f5es de quando estourou a crise anterior, quando partidos como o Syriza na Gr\u00e9cia, Podemos no Estado Espanhol ou o Bloco de Esquerda em Portugal, apareciam perante amplos setores do ativismo e da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora como uma verdadeira alternativa de esquerda frente aos velhos partidos socialistas, convertidos h\u00e1 muitos anos em gestores do capital, altern\u00e2ncia dos partidos da direita.<\/p>\n<p>O Syriza chegou ao governo em janeiro de 2015 como a grande esperan\u00e7a e em apenas seis meses traiu o povo grego (que havia votado massivamente contra o memorando da UE) para converter-se no novo sic\u00e1rio da troika na Gr\u00e9cia. Foi Tsipras quem aplicou os planos de saque do pa\u00eds e os ataques mais brutais aos direitos e condi\u00e7\u00f5es de vida do povo grego. Depois de algum tempo, acabou se integrando oficiosamente na c\u00fapula dos partidos \u201csocialistas\u201d europeus.<\/p>\n<p>O espanhol Podemos, cavalgando o movimento dos indignados do 15M o esterilizou trazendo para os trilhos do regime mon\u00e1rquico. Salvou o PSOE da bancarrota e acabou se transformando em uma for\u00e7a subalterna do governo S\u00e1nchez, que legitimou e a quem acompanha em seu descr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a trai\u00e7\u00e3o do Syriza, o Podemos se converteu na grande refer\u00eancia internacional da nova esquerda. Entretanto, em um tempo recorde entrou em queda vertiginosa. As recentes elei\u00e7\u00f5es de Madri simbolizam seu fracasso, que inclui o abandono de seu caudilho Pablo Iglesias, agora j\u00e1 sem rabo de cavalo. A sucessora que ele designou, a ministra Yolanda D\u00edaz (PCE), n\u00e3o demorou em declarar que a miss\u00e3o de Podemos-UP \u00e9 \u201cgerar sossego e tranquilidade\u201d e que se trata de dialogar e ir de m\u00e3os dadas com Biden, a UE, a OIT\u2026\u201dporque mudou o senso comum da \u00e9poca\u201d (sic). Tamb\u00e9m n\u00e3o abriram a boca diante do drama humano de Ceuta.<\/p>\n<p>O Bloco de Esquerda, que junto com o PCP foi decisivo para salvar o PS portugu\u00eas atrav\u00e9s da Geringon\u00e7a, \u00e9 um partido institucionalizado e integrado ao regime portugu\u00eas, com presen\u00e7a inclu\u00edda no Conselho de Estado. Os corbynistas brit\u00e2nicos, que n\u00e3o puderam nem quiseram enfrentar o aparato burgu\u00eas do Labour Party, ficaram reduzidos a um inofensivo grupo de press\u00e3o dentro do Labour, com o qual s\u00e3o incapazes de romper.<\/p>\n<p>O NPA (Novo Partido Anticapitalista), embora tenha perdido sua relev\u00e2ncia h\u00e1 anos, foi durante um tempo uma referencia importante da \u201cextrema esquerda\u201d francesa e europeia. Atualmente vive uma crise aguda de decomposi\u00e7\u00e3o. Foi fundado h\u00e1 12 anos pela LCR (se\u00e7\u00e3o francesa do Secretariado Unificado), que depois se dissolveu nele. Diziam que t\u00ednhamos entrado em uma \u201cnova \u00e9poca\u201d na qual a revolu\u00e7\u00e3o socialista tinha desaparecido do horizonte; que era preciso um \u201cnovo programa\u201d, no qual a luta pela tomada de poder pela classe trabalhadora desaparecia em favor de \u201cradicalizar a democracia\u201d; onde o partido leninista deixava de ter sentido e devia ser substitu\u00eddo por um partido de novo tipo, que agrupasse os \u201canticapitalistas\u201d, como o NPA.<\/p>\n<p>Mas a barb\u00e1rie social, ecol\u00f3gica e sanit\u00e1ria \u00e0 qual o sistema imperialista nos arrasta e a exacerba\u00e7\u00e3o da luta de classes que a acompanha e que vai se agravar, colocam na ordem do dia com extrema urg\u00eancia a necessidade de avan\u00e7ar, no curso das lutas atuais e explos\u00f5es que vir\u00e3o, na constru\u00e7\u00e3o de partidos revolucion\u00e1rios e de uma internacional revolucion\u00e1ria. Alguns partidos e uma internacional sustentados na tradi\u00e7\u00e3o marxista e apoiados em um programa que fa\u00e7a uma ponte entre as reivindica\u00e7\u00f5es mais urgentes do momento e a luta para derrotar o capitalismo e abrir a via revolucion\u00e1ria ao socialismo. Esta \u00e9 a tarefa na qual n\u00f3s os partidos da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), estamos comprometidos.<\/p>\n<p><strong>Por um programa de resgate dos trabalhadores e dos povos, preparar-nos para as explos\u00f5es que vir\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os governos europeus se apressam a anunciar o fim pr\u00f3ximo da pandemia. Dizem isso quando a situa\u00e7\u00e3o na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina se encontra bem longe de ser controlada e ningu\u00e9m pode assegurar que a expans\u00e3o de novas variantes do v\u00edrus nestas regi\u00f5es, \u00e0s quais a vacina \u00e9 negada, v\u00e3o provocar o retorno da pandemia. A libera\u00e7\u00e3o imediata das patentes das vacinas, sua comercializa\u00e7\u00e3o a pre\u00e7o de custo e a vacina\u00e7\u00e3o massiva gratuita da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma exig\u00eancia elementar frente ao crime de massas das grandes farmac\u00eauticas e dos governos imperialistas. \u00c9 tamb\u00e9m essencial o refor\u00e7o da sa\u00fade p\u00fablica, algo que se choca de frente com as normas constitutivas da UE, defensoras da privatiza\u00e7\u00e3o e da submiss\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e0 l\u00f3gica mercantil.<\/p>\n<p>O per\u00edodo no qual entramos est\u00e1 marcado por demiss\u00f5es e fechamentos de empresas, desemprego estrutural, redu\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, novos ataques \u00e0s aposentadorias, \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o p\u00fablicas e novos recordes na precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, na pobreza, nos despejos e na degrada\u00e7\u00e3o ambiental. Esta ofensiva \u00e9 dirigida especialmente \u00e0 periferia e aos setores mais explorados de nossa classe: os imigrantes, as mulheres e os jovens e est\u00e1 intimamente ligada com a exacerba\u00e7\u00e3o da xenofobia, do racismo e do machismo, assim como com os ataques \u00e0s liberdades.<\/p>\n<p>Tudo isto coloca em primeiro plano a luta pela rejei\u00e7\u00e3o dos tratados da UE, do Pacto de Estabilidade e Crescimento e das reformas e cortes associados aos fundos de recupera\u00e7\u00e3o. Volta a ter toda sua import\u00e2ncia a batalha pelo n\u00e3o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica dos pa\u00edses; contra a precariedade e a discrimina\u00e7\u00e3o, as demiss\u00f5es e os fechamentos de empresas; pela distribui\u00e7\u00e3o do trabalho sem redu\u00e7\u00e3o salarial e por uma reestrutura\u00e7\u00e3o geral da ind\u00fastria e da economia a servi\u00e7o das necessidades populares, o pleno emprego e um programa real de sustentabilidade ambiental.<\/p>\n<p>Um programa que n\u00e3o tem nada a ver com a fraude do \u00abcapitalismo verde\u00bb da UE e seu Green New Deal. Isto exige a expropria\u00e7\u00e3o das grandes empresas energ\u00e9ticas, dos bancos e dos setores e empresas estrat\u00e9gicas, seu controle democr\u00e1tico pelos trabalhadores e do povo. Exige expropriar as moradias vazias em m\u00e3os de bancos, de fundos de investimento e grandes propriet\u00e1rios e construir com elas um grande parque de moradia p\u00fablica de aluguel social. Nada disto ser\u00e1 poss\u00edvel sem romper com a UE, a grande m\u00e1quina de guerra do capital europeu contra os servi\u00e7os p\u00fablicos, os direitos trabalhistas e os direitos sociais.<\/p>\n<p>A ofensiva do capital inclui uma nova rodada de ataques \u00e0s liberdades democr\u00e1ticas, o refor\u00e7o da legisla\u00e7\u00e3o repressiva e da impunidade policial e, de forma mais geral, o fortalecimento das tend\u00eancias autorit\u00e1rias dos Estados. Por isso temos que lutar para revogar as leis repressivas, punir exemplarmente os abusos policiais, dissolver os corpos especiais de repress\u00e3o e eliminar os ex\u00e9rcitos profissionais. Frente a isto devemos opor ex\u00e9rcitos baseados no princ\u00edpio democr\u00e1tico do povo em armas, ex\u00e9rcitos de mil\u00edcias volunt\u00e1rias e instru\u00e7\u00e3o militar universal.<\/p>\n<p>Temos que garantir o respeito aos direitos democr\u00e1ticos b\u00e1sicos como o da autodetermina\u00e7\u00e3o nacional dos povos, algo b\u00e1sico em Estados como o espanhol. Nenhuma uni\u00e3o \u00e0 for\u00e7a!<\/p>\n<p>A batalha contra a extrema direita desempenha um papel cada vez mais fundamental. A recente resposta do bairro oper\u00e1rio de Vallescas (Madri) \u00e9 um magn\u00edfico exemplo a seguir. A ultradireita do Vox queria iniciar sua campanha eleitoral madrilenha convocando um ato no principal bairro oper\u00e1rio e de esquerda de Madri, uma provoca\u00e7\u00e3o total. A esquerda governamental do PSOE e Podemos chamaram a \u201cignor\u00e1-los\u201d, ou seja, a n\u00e3o fazer nada, deixar o campo livre e permitir que sua provoca\u00e7\u00e3o ficasse impune. Para eles, a resposta se reduzia a pedir o voto para seus candidatos. Entretanto, centenas de ativistas e jovens do bairro, longe de seguir seus conselhos, resistindo \u00e0 pol\u00edcia e enfrentando uma forte repress\u00e3o, impediram a realiza\u00e7\u00e3o do ato. H\u00e1 pouco se celebrou o 1\u00ba de Maio e a manifesta\u00e7\u00e3o unit\u00e1ria do sindicalismo alternativo organizou em Madri um dispositivo de autodefesa em colabora\u00e7\u00e3o com os jovens antifascistas, para prevenir e enfrentar qualquer provoca\u00e7\u00e3o da ultradireita. Este \u00e9 o caminho a percorrer e aprofundar, o da organiza\u00e7\u00e3o da autodefesa oper\u00e1ria e popular.<\/p>\n<p>A UE que fecha suas portas aos que v\u00eam de fora \u00e9 a mesma cujas multinacionais saqueiam os recursos de seus pa\u00edses e superexploram seus povos; a mesma cuja popula\u00e7\u00e3o, quando das grandes guerras, emigrou em massa para o mundo inteiro. Devemos nos opor frontalmente \u00e0s pol\u00edticas da UE e seus governos que, primeiro, condenam milh\u00f5es \u00e0 mis\u00e9ria e depois levantam fronteiras e leis condenando-os, seja a morrer no Mediterr\u00e2neo quando tentam fugir da fome, ou a viver confinados em campos de refugiados que reproduzem os guetos de outros tempos. \u00c9 necess\u00e1ria a revoga\u00e7\u00e3o das leis de estrangeiros e a legaliza\u00e7\u00e3o das pessoas imigrantes; o fechamento dos acampamentos e dos Centros de Interna\u00e7\u00e3o; o reconhecimento dos direitos de nacionalidade dos nascidos em solo europeu e do direito de ref\u00fagio aos que fogem das guerras e da morte e a dissolu\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Europeia da Guarda de Fronteiras e Costas (Frontex) . Nativa ou estrangeira, a mesma classe oper\u00e1ria!<\/p>\n<p>A UE \u00e9 o instrumento das grandes pot\u00eancias europeias para defender seus interesses econ\u00f4micos e geopol\u00edticos no mundo. Por isso, exigimos a retirada de todos os destacamentos militares europeus da \u00c1frica, L\u00edbano ou \u00c1sia, a dissolu\u00e7\u00e3o da OTAN e o desmantelamento das bases americanas na Europa.<\/p>\n<p>O aprofundamento da crise voltar\u00e1 a colocar nos pr\u00f3ximos tempos, com especial for\u00e7a na periferia, a necessidade da ruptura com a UE e o euro. A batalha para derrotar os planos do capital \u00e9 uma luta conjunta contra os governos pr\u00f3prios e contra a UE porque ambos formam um pacote insepar\u00e1vel, imperialista, antioper\u00e1rio e antipopular.<br \/>\nA batalha pelas reivindica\u00e7\u00f5es, contra os governos e a UE, exige abrir a perspectiva estrat\u00e9gica de luta para construir governos dos trabalhadores\/as apoiados em organismos de base, democr\u00e1ticos e de luta. Governos que ser\u00e3o o primeiro ato da batalha por uma Europa dos trabalhadores e dos povos, por uma uni\u00e3o livre e volunt\u00e1ria em alguns Estados unidos socialistas da Europa. Este continua sendo o eixo estrat\u00e9gico de todo programa revolucion\u00e1rio em cada um dos pa\u00edses da UE e mais, da Belar\u00fas, Ucr\u00e2nia e R\u00fassia.<\/p>\n<p><strong>Organizar para lutar por uma sa\u00edda oper\u00e1ria e democr\u00e1tica \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o capitalista!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por uma Europa socialista das\/os trabalhadores\/as e dos povos!<\/strong><\/p>\n<p>Maio 2021<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es europeias da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)<\/p>\n<p><strong>Pd\u2019AC (Partito di Alternativa Comunista) &#8211; It\u00e1lia<\/strong><br \/>\n<strong>Corriente Roja &#8211; Estado Espanhol<\/strong><br \/>\n<strong>Em Luta &#8211; Portugal<\/strong><br \/>\n<strong>ISL (International Socialist League) &#8211; Reino Unido<\/strong><br \/>\n<strong>LCT\/CWB (Liga Comunista dos Trabalhadores) &#8211; B\u00e9lgica<\/strong><br \/>\n<strong>POI (Partido Oper\u00e1rio Internacionalista) &#8211; R\u00fassia<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante da gest\u00e3o capitalista da pandemia e da nova ofensiva do capital, organizar a resposta aos governos e \u00e0 Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70361,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1177,3512,3677,3558,218,30,140,3658],"tags":[3998,3999,515,3611,4000],"class_list":["post-64078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belgica","category-estado-espanhol","category-europa-mundo","category-gra-bretanha","category-italia","category-coronavirus","category-portugal","category-russia","tag-coronavirus-uniao-europeia","tag-declaracao-europeia","tag-especial-coronavirus","tag-lit-qi","tag-uniao-europeia"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/protestos_Fotomovimiento__2_.jpg","categories_names":["B\u00e9lgica","Estado Espanhol","Europa","Gr\u00e3-Bretanha","It\u00e1lia","Pandemia","Portugal","R\u00fassia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}