{"id":63829,"date":"2021-05-08T14:46:55","date_gmt":"2021-05-08T17:46:55","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63829"},"modified":"2021-05-08T14:46:55","modified_gmt":"2021-05-08T17:46:55","slug":"63829-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/05\/08\/63829-2\/","title":{"rendered":"Brasil| S\u00f3 a classe trabalhadora pode apontar uma sa\u00edda para a crise do pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><em>No dia 29 de abril, o Brasil chegou \u00e0 terr\u00edvel marca das 400 mil mortes oficiais por COVID-19. Antes de o m\u00eas terminar, j\u00e1 havia mais mortes pela pandemia, em 2021, do que durante todo o ano de 2020.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PSTU Brasil<\/p>\n<p>No 1\u00ba de Maio, \u201cDia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora\u201d, seria o momento de a classe trabalhadora se unir para lutar contra a mortandade, a pobreza e a mis\u00e9ria que capitalistas e o governo imp\u00f5em aos mais pobres. Mas, tivemos, de um lado, atos pr\u00f3-governo e golpistas. Foram manifesta\u00e7\u00f5es pequenas, agitadas por figuras como o ex-presidi\u00e1rio Roberto Jefferson, que moveram setores de classe m\u00e9dia, de meia idade, e que foram, na verdade, uma pol\u00edtica do governo para buscar f\u00f4lego perante seu desgaste.<\/p>\n<p>De outro lado, houve um ato virtual, promovido pelas maiores centrais sindicais, como CUT, For\u00e7a Sindical, UGT, CTB, que juntou, num mesmo palanque, o PT, o PCdoB, o presidente do PSOL, Juliano Medeiros, e Guilherme Boulos, com pol\u00edticos como FHC (PSDB), Ciro Gomes (PDT) e o presidente do MDB, Baleia Rossi. Um ato eleitoral, mirando 2022, que, sendo oposi\u00e7\u00e3o a Bolsonaro, n\u00e3o prop\u00f4s uma pol\u00edtica econ\u00f4mica de fundo, diferente da de Guedes e Cia., uma vez que defendeu a uni\u00e3o com empres\u00e1rios e banqueiros que a ap\u00f3iam.<\/p>\n<p>Coube \u00e0 CSP-Conlutas e \u00e0 Intersindical \u2013 Instrumento de Luta e Organiza\u00e7\u00e3o da Classe Trabalhadora, aglutinar um p\u00f3lo classista, de luta e internacionalista, mantendo a bandeira da independ\u00eancia de classe dos trabalhadores e as nossas reivindica\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da \u201clive\u201d, foram realizados atos, como em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos (SP), reunindo as trabalhadoras das empresas fornecedoras da LG.<\/p>\n<p><strong>Derrotar Bolsonaro, a pandemia, a fome, o desemprego e os baixos sal\u00e1rios<\/strong><\/p>\n<p>A pobreza segue se aprofundando, enquanto os bancos, o agroneg\u00f3cio, as grandes mineradoras e os\u00a0bilion\u00e1rios v\u00e3o indo muito bem. Enquanto isso, o pa\u00eds se v\u00ea cada vez mais num processo acelerado de decad\u00eancia, recoloniza\u00e7\u00e3o e regress\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa crise acirra a disputa interburguesa no \u201candar de cima\u201d. Apesar de um setor burgu\u00eas estar indo \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o, ainda mant\u00e9m Bolsonaro, pelo menos enquanto este mantiver sua governabilidade. Esse processo vem se expressando na\u00a0CPI da Pandemia. Embora seja uma derrota ao governo, seu objetivo \u00e9 manter tudo nos limites da institucionalidade.<\/p>\n<p>A classe trabalhadora, por sua vez, enfrenta, al\u00e9m da pandemia, o desemprego recorde em uma combina\u00e7\u00e3o que dificulta a mobiliza\u00e7\u00e3o. As dire\u00e7\u00f5es das grandes centrais e dos partidos de oposi\u00e7\u00e3o poderiam se unir e atuar para destravar a generaliza\u00e7\u00e3o das lutas. Mas, ao inv\u00e9s disto, s\u00f3 apostam numa sa\u00edda eleitoral.<\/p>\n<p>O papel do PT, de Lula, seguido pela dire\u00e7\u00e3o e setores do PSOL, como Freixo, no Rio, e Boulos, em S\u00e3o Paulo, \u00e9 o de negociar uma\u00a0frente ampla com a burguesia, canalizando a insatisfa\u00e7\u00e3o crescente para a via eleitoral. Isso, al\u00e9m de manter Bolsonaro, implica em promover um projeto de concilia\u00e7\u00e3o de classes com banqueiros e grandes empres\u00e1rios, o que, inevitavelmente, levar\u00e1 \u00e0 continuidade dos ataques aos trabalhadores para tirar o pa\u00eds da crise sob a \u00f3tica da burguesia, nos marcos, inclusive, desse processo de recoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os trabalhadores na Am\u00e9rica Latina t\u00eam apontado um caminho que a classe dominante teme. Depois do Chile e Paraguai, agora, as\u00a0massas na Col\u00f4mbia entram em cena\u00a0e, mesmo na pandemia, acabam de derrubar um ministro e uma Reforma Tribut\u00e1ria que atacavam os mais pobres.<\/p>\n<p><strong>A necessidade da greve geral sanit\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>A fim de enfrentar a pandemia, seria necess\u00e1ria uma greve geral sanit\u00e1ria. A classe trabalhadora teria mais confian\u00e7a para isso se houvesse a unidade e uma pauta n\u00edtida, de luta, contra a pandemia e a crise social e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Para caminhar nesse sentido, \u00e9 preciso, al\u00e9m de cercar de solidariedade as lutas que est\u00e3o ocorrendo, como a\u00a0das trabalhadoras da LG e de suas fornecedoras, exigir das centrais, sindicatos e partidos que defendam a necessidade da greve, apontem esse caminho e fa\u00e7am o que estiver em seus alcances para prepar\u00e1-la.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o a seguir. N\u00e3o deixar Bolsonaro destruindo o pa\u00eds, enquanto se espera por 2022. Nem defender uma frente com a burguesia, para governar com um programa de concilia\u00e7\u00e3o que, como vimos l\u00e1 atr\u00e1s, n\u00e3o resolve problema algum. Mais ainda, nas circunst\u00e2ncias atuais, um programa desses precisaria despejar a crise, com mais for\u00e7a, nas nossas costas, para continuar beneficiando banqueiros.<\/p>\n<p><strong>Por um programa de emerg\u00eancia e um p\u00f3lo classista e socialista<\/strong><\/p>\n<p>Para enfrentar esta situa\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso botar a economia do pa\u00eds a servi\u00e7o de acabar com a pandemia, o desemprego e a fome, e n\u00e3o continuar enriquecendo banqueiros e um punhado de bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio quebrar as patentes e garantir vacina para todos, j\u00e1; suspender o pagamento da d\u00edvida aos banqueiros; acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal e instituir a Lei de Responsabilidade Social; taxar, em 40%, a fortuna dos 65 bilion\u00e1rios; estatizar, sob controle dos trabalhadores, o sistema financeiro e pagar R$ 600 de aux\u00edlio-emergencial, at\u00e9 o final da pandemia; dar aux\u00edlio financeiro aos pequenos comerciantes e cancelar as d\u00edvidas dos trabalhadores e do pequenos propriet\u00e1rios, para poder garantir um lockdown de verdade; investir maci\u00e7amente no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e realizar um plano de obras p\u00fablicas essenciais, que gere empregos e um plano de habita\u00e7\u00e3o popular, al\u00e9m de resolver o problema do saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio lutar pela auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. Por isso, assim como fizemos no \u201c1\u00ba de maio classista, de luta e internacionalista\u201d, \u00e9 preciso fortalecer, no dia a dia, um p\u00f3lo de luta, classista e socialista, que ajude a avan\u00e7ar na auto-organiza\u00e7\u00e3o da classe, pela base. E fortalecer, assim, um projeto socialista de sociedade, que tenha como horizonte um governo socialista dos trabalhadores, baseado em conselhos populares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 29 de abril, o Brasil chegou \u00e0 terr\u00edvel marca das 400 mil mortes oficiais por COVID-19. 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