{"id":63733,"date":"2021-04-30T17:52:33","date_gmt":"2021-04-30T20:52:33","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63733"},"modified":"2021-04-30T17:52:33","modified_gmt":"2021-04-30T20:52:33","slug":"as-mulheres-no-1o-de-maio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/04\/30\/as-mulheres-no-1o-de-maio\/","title":{"rendered":"As mulheres no 1\u00ba de Maio"},"content":{"rendered":"<p><em>O envolvimento das mulheres na hist\u00f3ria das lutas oper\u00e1rias, na maioria das vezes, n\u00e3o aparece nem nos livros nem na m\u00eddia. Apesar disso, nossa participa\u00e7\u00e3o e o papel que desempenhamos na organiza\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foram enormes e v\u00e1rias \u00e1reas. N\u00f3s, mulheres, sempre estivemos \u00e0 frente, contribuindo de forma inestim\u00e1vel para o movimento oper\u00e1rio e suas conquistas, nas lutas por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho, no combate pela jornada de oito horas ou na exig\u00eancia de sal\u00e1rio igual para trabalho igual, entre outras reivindica\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Erika Andreassy<\/p>\n<p>Uma dessas mulheres foi Lucy Parsons que, em 1886, que, al\u00e9m de ter ajudado a organizar os trabalhadores e trabalhadoras na greve do 1\u00ba de maio daquele ano, tornou-se vi\u00fava de um dos chamados \u201cM\u00e1rtires de Chicago\u201d e, at\u00e9 o fim da sua vida, se dedicou \u00e0 um combate sem tr\u00e9guas contra o capitalismo, o machismo, o racismo e todas demais mazelas decorrentes da explora\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<p>Neste 1\u00ba de Maio, marcado pelo debate entre independ\u00eancia ou concilia\u00e7\u00e3o de classe, estamos resgatando um pouco de sua hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 como uma homenagem a ela, mas tamb\u00e9m para lembrarmos que todas aquelas que, de fato, se rebelaram contra a opress\u00e3o, a submiss\u00e3o das mulheres e o machismo, tamb\u00e9m se levantaram, obrigatoriamente, contra o sistema que as promove e delas se beneficia.<\/p>\n<p><strong>Uma mulher negra na raiz do \u201cDia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Parsons, filha de uma negra escravizada, era casada com o anarquista e ativista Albert Parsons, um dos m\u00e1rtires de Chicago, e, durante os protestos, em 1886, juntamente com seus dois filhos, conduziu cerca de 80 mil trabalhadores, numa passeata pela Michigan Avenue, uma das principais avenidas da cidade.<\/p>\n<p>Como se sabe, os eventos posteriores \u00e0s manifesta\u00e7\u00f5es do dia 1\u00ba de maio, em Chicago, conhecido como Revolta de Haymarket, deram origem ao Dia Internacional do Trabalhador. Mas, esta n\u00e3o foi a primeira vez que os Parsons lideravam protestos de trabalhadores.<\/p>\n<p>No dia de \u201cA\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as\u201d de 1884, por exemplo, milhares de desempregados caminharam pela Prairie Avenue, uma avenida habitada pela nata dos empres\u00e1rios e banqueiros da cidade, num criativo protesto: Lucy seguia \u00e0 frente do pelot\u00e3o de despossu\u00eddos, como s\u00edmbolo do qu\u00e3o pouco os pobres tinham que ser gratos \u00e0queles que diziam \u201cproduzir as riquezas do pa\u00eds\u201d e, enquanto isto, os trabalhadores tocavam as campainhas, ao mesmo tempo em que lan\u00e7avam furiosas palavras de ordem e insultos contra seus exploradores.<\/p>\n<p>Poucos meses depois, em 28 de abril de 1885, um grupo de trabalhadores tomou outro importante ponto da cidade, a Rua LaSalle, protestando contra um luxuoso jantar promovido para celebrar a abertura do novo pr\u00e9dio da Junta Comercial de Chicago. E, mais uma vez, Lucy Parsons estava na linha de frente, carregando, orgulhosamente, uma bandeira vermelha.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o apenas alguns exemplos das manifesta\u00e7\u00f5es em que ela se envolveu num momento em que a luta de classes era intensa nos Estados Unidos. Os \u00edndices de desemprego eram alt\u00edssimos, os sal\u00e1rios baixos e os pre\u00e7os dos alimentos estavam subindo vertiginosamente. E o descontentamento e revolta dos trabalhadores contra a injusti\u00e7a e \u00e0 fome, em meio a tanta riqueza e opul\u00eancia, explodiam em constantes protestos.<\/p>\n<p><strong>Mas quem foi Lucy Parsons?<\/strong><\/p>\n<p>Em 7 de mar\u00e7o de 1942, um inc\u00eandio envolveu a casa simples de Lucy Gonzales Parsons, de 89 anos, na periferia de Chicago, encerrando uma vida inteira dedicada \u00e0 luta da classe trabalhadora. Autodidata, era se fez uma oradora brilhante, escritora ativa e din\u00e2mica e militante incans\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nascida em 1853, no Texas escravista, de ascend\u00eancia afro-americana e, tamb\u00e9m, provavelmente, mexicana, foi constante testemunha das formas mais cru\u00e9is de racismo, incluindo os linchamentos promovidos pela Ku Klux Klan, grupo supremacista branco, criado no final da Guerra Civil, em meados dos anos 1860. Em 1870, conheceu Albert Parsons, um ex-soldado branco Confederado (ou seja, que lutou contra o Sul escravocrata) com quem se casou. A ascens\u00e3o do terror Klan e a profunda persegui\u00e7\u00e3o que varreu o Sul depois da aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o for\u00e7aram o jovem casal interracial a se mudar para Chicago, em 1873.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-63735 alignleft\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/opressao_lucy_parsons_1880s.jpg\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/opressao_lucy_parsons_1880s.jpg 257w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/opressao_lucy_parsons_1880s-232x300.jpg 232w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/opressao_lucy_parsons_1880s-150x194.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 257px) 100vw, 257px\" \/><\/p>\n<p>Na cidade, Lucy e Albert se lan\u00e7aram em dois novos movimentos militantes: um para construir sindicatos industriais fortes e outro para agitar pelo socialismo. Lucy concentrou-se em organizar as mulheres trabalhadoras e Albert tornou-se um famoso organizador e orador radical, um dos poucos l\u00edderes sindicais importantes em Chicago que n\u00e3o era imigrante.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, Lucy colaborava, como jornalista, em v\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es socialistas, anarquistas e de entidades da classe trabalhadora e a falava publicamente pela Uni\u00e3o das Mulheres Trabalhadoras, uma entidade onde ela cumpriu um destacado papel como organizadora, expondo os horrores da vida fabril e da opress\u00e3o vivida pelas mulheres, tratadas como servas.<\/p>\n<p>Naquele momento, Parsons era militante do Partido Socialista Trabalhista, com o qual viria a romper mais tarde, ao se enfrentar com a ala que adotou uma estrat\u00e9gia reformista, j\u00e1 que estava convencida de que somente uma revolu\u00e7\u00e3o poderia acabar com o sistema capitalista. Apesar de transitar tanto por grupos socialistas quanto anarquistas, Lucy sempre manteve uma inabal\u00e1vel postura classista, algo que, inclusive, lhe rendeu muitas pol\u00eamicas com outras mulheres que atuavam na \u00e9poca na luta contra o machismo.<\/p>\n<p>Como tantas outras mulheres, ela ainda trabalhava como costureira no pequeno ateli\u00ea que montou para sustentar a fam\u00edlia, depois que Albert foi demitido por suas atividades pol\u00edticas. Tendo, ainda, que amargar diversas pris\u00f5es, em decorr\u00eancia de sua participa\u00e7\u00e3o em protestos antirracistas, de mulheres ou junto aos movimentos sem-teto e de imigrantes.<\/p>\n<p><strong>As execu\u00e7\u00f5es de Haymarket<\/strong><\/p>\n<p>O ano de 1886 marcou um ponto de virada na hist\u00f3ria estadunidense. No dia 1\u00ba de maio, foi declarada uma greve geral, tendo a jornada de oito horas como sua principal reivindica\u00e7\u00e3o. Em Chicago, as f\u00e1bricas e as ruas se converteram num vulc\u00e3o de ira oper\u00e1ria. E, como mencionado, Lucy, Albert e seus dois filhos se colocaram \u00e0 frente da gigantesca passeata que tomou a cidade.<\/p>\n<p>Imediatamente, a rica elite industrial e banc\u00e1ria de Chicago transformou Albert e outras figuras \u201cradicais\u201d em alvos a serem eliminados, na tentativa de \u201ccortar pela cabe\u00e7a\u201d do crescente movimento sindical e pol\u00edtico. Brutal repress\u00e3o policial, invas\u00f5es de moradia e locais de reuni\u00e3o se tornaram constantes e, como resposta, milhares se reuniram na Pra\u00e7a Haymarket, no centro da cidade, numa manifesta\u00e7\u00e3o convocada por Albert, alguns dias depois do 1\u00ba de maio.<\/p>\n<p>Ali, a pol\u00edcia se lan\u00e7ou contra os trabalhadores e militantes socialistas e anarquistas e, em meio ao tumulto, sete policiais morreram em uma explos\u00e3o. E, em repres\u00e1lia, oito trabalhadores foram falsamente acusados de usar uma bomba, dentre eles, Albert Parsons. Nunca foi encontrada qualquer evid\u00eancia sobre quem fez ou detou a bomba, mesmo assim, Parsons e outros sete l\u00edderes sindicais imigrantes foram presos e, com o aux\u00edlio da imprensa corporativa, que estimulava o fervor patri\u00f3tico, a lei e a ordem, foi montado um \u201ccirco jur\u00eddico\u201d, completamente fraudulento, que levou os oito a condena\u00e7\u00f5es e senten\u00e7as de morte.<\/p>\n<p>Com a pris\u00e3o de Albert, Lucy passou a liderar uma campanha nacional para que um novo julgamento fosse realizado. Durante o ano e meio em que Albert esteve preso, esperando a execu\u00e7\u00e3o, ela viajou pelo o pa\u00eds (percorrendo 17 estados), distribuindo panfletos e proferindo discursos para grandes multid\u00f5es que se reuniam para ouvi-la, isto sem nunca deixa de costurar, para sustentar sua fam\u00edlia.<\/p>\n<p>O impacto de seus discursos produziu, inclusive, um cruel coment\u00e1rio sarc\u00e1stico por parte de um jornal de Nova York: \u201cQue Albert Parsons seja solto, como um compromisso de que a Sra. Parsons pare de falar.\u201d. Como se sabe, os esfor\u00e7os de Lucy e o poderoso movimento que varreu o pa\u00eds, ganhando apoio e solidariedade internacionais, n\u00e3o foram suficientes para barrar o \u00f3dio da burguesia e seu desejo por sangue, diante da ousadia daqueles que se rebelaram.<\/p>\n<p>Lucy tamb\u00e9m foi brutalmente agredida. Na manh\u00e3 das execu\u00e7\u00f5es, ela e seus filhos foram despidos e jogados nus em uma cela de pris\u00e3o e liberados somente ap\u00f3s o enforcamento. No dia seguinte, o caix\u00e3o de Albert foi levado para sua casa e, num gesto que revelou, ao mesmo tempo, sua emo\u00e7\u00e3o e for\u00e7a, ela resgatou a mesma bandeira vermelha que carregou na demonstra\u00e7\u00e3o da Junta Comercial e a usou para cobrir o corpo de marido. Durante a noite, um cortejo de 10 mil trabalhadores passou pela resid\u00eancia e, no dia seguinte, mais de 200 mil pessoas tomaram as para a prociss\u00e3o f\u00fanebre de Albert e seus companheiros m\u00e1rtires.<\/p>\n<p><strong>Nasce o Dia Internacional dos Trabalhadores<\/strong><\/p>\n<p>Com a execu\u00e7\u00e3o de Albert e tr\u00eas de seus companheiros e a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua dos outros quatro, a burguesia tentou silenciar o movimento, impor uma derrota aos sindicatos e por um ponto final \u00e0 luta pela jornada de oito horas. Contudo, a hist\u00f3ria foi diferente.<\/p>\n<p>O movimento se espalhou pelo mundo e, no ano seguinte, trabalhadores de pa\u00edses europeus tamb\u00e9m decidiram realizar protestos e paralisa\u00e7\u00f5es. Em 1889, oper\u00e1rios reunidos em Paris, na Fran\u00e7a, decidiram que a data se tornaria uma homenagem aos trabalhadores que haviam tombado tr\u00eas anos antes e, por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores, o dia 1\u00ba de Maio foi institu\u00eddo como o Dia Internacional do Trabalhador.<\/p>\n<p>Paradoxalmente, diga-se de passagem, os Estados Unidos \u00e9 um dos poucos pa\u00edses do mundo em que a data n\u00e3o \u00e9 celebrada. L\u00e1, o \u201cdia do trabalhador\u201d \u00e9 comemorado na primeira segunda-feira de setembro, temendo que a mem\u00f3ria dos eventos Chicago fortale\u00e7am o movimento oper\u00e1rio e, em particular, o socialista.<\/p>\n<p><strong>\u201cMais perigosa do que mil manifestantes\u201d<\/strong><\/p>\n<p>A execu\u00e7\u00e3o de Albert e seus companheiros n\u00e3o conseguiu deter a militante revolucion\u00e1ria. Pelo contr\u00e1rio, s\u00f3 aumentou seu \u00f3dio contra a classe dominante e seus representantes nos governos.<\/p>\n<p>Quando o Jos\u00e9 Mart\u00ed atuava como correspondente do jornal argentino \u201cLa Naci\u00f3n\u201d e produziu um artigo cobrindo os eventos de Chicago, ele n\u00e3o poupou palavras de admira\u00e7\u00e3o ao referir-se a Parsons, apresentando-a como \u201ca apaixonada mesti\u00e7a, em cujo cora\u00e7\u00e3o vibram, como punhais, as dores da gente trabalhadora\u201d, que ela expressava com \u201celoqu\u00eancia, rude e vibrante, descrevendo, como nunca havia se visto, o tormento das classes exploradas\u201d.<\/p>\n<p>Em sua cruzada contra o capitalismo e em mem\u00f3ria dos \u201cM\u00e1rtires de Haymarket\u201d, Lucy liderou mulheres pobres em bairros ricos \u201cpara confrontar os ricos em suas portas\u201d, desafiou pol\u00edticos em reuni\u00f5es p\u00fablicas, marchou em piquetes e continuou a redigir manifestos e artigos para os movimentos e publica\u00e7\u00f5es de grupos de trabalhadores, muito al\u00e9m de Chicago.<\/p>\n<p>Ainda se manifestou contra a guerra imperialista dos EUA com a Espanha, em 1898, e tamb\u00e9m se fez presente e extremamente ativa em todos os principais casos de defesa dos trabalhadores do s\u00e9culo 20, incluindo o de Sacco e Vanzetti (trabalhadores imigrantes italianos, condenados \u00e0 morte, na d\u00e9cada de 1920) e dos \u201cGarotos de Scottsboro\u201d (nove jovens negros, acusados injustamente de estupro e sentenciados \u00e0 forca, no Alabama).<\/p>\n<p>Sua milit\u00e2ncia nas d\u00e9cadas seguintes foi intensa, tendo participado de v\u00e1rios movimentos, com destaque para a funda\u00e7\u00e3o, em 1905, da \u201cIndustrial Workers of the World\u201d (IWW, \u201cTrabalhadores Industriais do Mundo\u201d), uma das primeiras e a mais importante organiza\u00e7\u00e3o sindical a permitir n\u00e3o-brancos em suas fileiras e a defender o \u201csindicalismo industrial revolucion\u00e1rio\u201d, organizando socialistas e anarquistas em suas fileiras.<\/p>\n<p>Em seu discurso, ela disse: \u201cTomo a palavra porque nenhuma mulher fez isto (\u2026). N\u00f3s, as mulheres deste pa\u00eds, n\u00e3o temos sequer direito ao voto (\u2026). Somos escravas dos escravos. Exploram-nos mais impiedosamente que aos homens. Onde queira que os sal\u00e1rios devam ser reduzidos, os capitalistas utilizam as mulheres para reduzi-los, e se h\u00e1 qualquer coisa que voc\u00eas os homens devem fazer no futuro, \u00e9 ajudar na organiza\u00e7\u00e3o das mulheres\u201d.<\/p>\n<p>Em 1917, entrou em rota de colis\u00e3o com seus companheiros anarquistas, apoiando a Revolu\u00e7\u00e3o Russa. E, em fun\u00e7\u00e3o de suas atividades, na d\u00e9cada de 1920, o Departamento de Pol\u00edcia de Chicago a descreveu como\u00a0\u201cmais perigosa do que mil manifestantes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Uma vida devotada aos trabalhadores e oprimidos<\/strong><\/p>\n<p>Em seus artigos e discursos, Lucy abordou, repetidamente, as opress\u00f5es espec\u00edficas enfrentadas pelos negros e as mulheres, fazendo campanha contra linchamentos racistas e injusti\u00e7as criminais, lutou pelo sufr\u00e1gio das mulheres, igualdade salarial, acesso ao controle de natalidade e direitos ao aborto.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1930, Parsons, com cerca de 80 anos, e muito pobre para pagar pela passagem nos bondes, caminhava regularmente 10 km at\u00e9 o centro de Chicago, para distribuir panfletos e, frequentemente, ela vista em piquetes e com\u00edcios contra as injusti\u00e7as capitalistas. Nesta \u00e9poca, seu foco era a organiza\u00e7\u00e3o dos desempregados, frequentemente assumindo a lideran\u00e7a nas chamadas \u201cMarchas da Fome\u201d, organizadas pelos movimentos populares.<\/p>\n<p>Preocupada com as t\u00e1ticas e m\u00e9todos de luta da classe, Lucy tinha uma posi\u00e7\u00e3o bastante avan\u00e7ada para a \u00e9poca em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s greves. \u201cA minha concep\u00e7\u00e3o de greve, para o futuro, n\u00e3o \u00e9 atacar e sair, para morrer \u00e0 fome; mas atacar e permanecer dentro [ocupar] e tomar posse da propriedade necess\u00e1ria da produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em 1941, em uma de suas \u00faltimas apari\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, Lucy falou com grevistas da International Harvester, uma empresa fabricante de maquin\u00e1rio agr\u00edcola, onde o assassinato de seis trabalhadores serviu como estopim para uma revolta. Nem temperatura g\u00e9lida nem a quase cegueira, nem seus 88 anos, amansaram seu discurso, no qual ela ressaltou a continuidade da luta contra os capitalistas e a pol\u00edcia, convocando os trabalhadores a continuar lutando at\u00e9 a vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Lucy morreu em 1942. Seu fog\u00e3o de madeira pegou fogo e ela ficou presa na casa em chamas. Na sequ\u00eancia, a pol\u00edcia invadiu seu apartamento, confiscando sua impressionante biblioteca (com 1.500 livros) e documentos pessoais, depois entregues ao FBI.<\/p>\n<p>Mas, se \u00e9 certo que a perda foi grande, o legado de Lucy Parsons, a mulher que ajudou a inscrever o \u201cPrimeiro de Maio\u201d na Hist\u00f3ria, continua vivo em cada ato de resist\u00eancia das trabalhadoras e trabalhadores contra a opress\u00e3o e a explora\u00e7\u00e3o. E, tamb\u00e9m, na defesa da independ\u00eancia da classe trabalhadora, em rela\u00e7\u00e3o aos patr\u00f5es, aos governos e todos os inimigos dos que se rebelam contra a explora\u00e7\u00e3o e a opress\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O envolvimento das mulheres na hist\u00f3ria das lutas oper\u00e1rias, na maioria das vezes, n\u00e3o aparece nem nos livros nem na m\u00eddia. Apesar disso, nossa participa\u00e7\u00e3o e o papel que desempenhamos na organiza\u00e7\u00e3o, sindicaliza\u00e7\u00e3o, mobiliza\u00e7\u00e3o, documenta\u00e7\u00e3o e inspira\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foram enormes e v\u00e1rias \u00e1reas. 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