{"id":63710,"date":"2021-04-29T18:52:49","date_gmt":"2021-04-29T21:52:49","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63710"},"modified":"2021-04-29T18:52:49","modified_gmt":"2021-04-29T21:52:49","slug":"a-luta-por-uma-irlanda-unificada-e-socialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/04\/29\/a-luta-por-uma-irlanda-unificada-e-socialista\/","title":{"rendered":"A Luta por uma Irlanda Unificada e Socialista"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 cem anos, em 6 de dezembro de 1921, o colonialismo brit\u00e2nico e uma parte dos republicanos nacionalistas irlandeses assinaram o Tratado Anglo-Irland\u00eas. Ao inv\u00e9s da independ\u00eancia, a Irlanda foi dividida entre o sul com 26 condados e os 6 condados do norte.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por Fabio Bosco e Martin Ralph<\/p>\n<p>O Tratado foi precedido por uma feroz resist\u00eancia anticolonial. Em 1916, os republicanos nacionalistas irlandeses realizaram o Levante da P\u00e1scoa liderado por Padraig Pearse e James Connolly. Pearse representava a pequena burguesia revolucion\u00e1ria e Connolly representava o setor mais avan\u00e7ado da classe trabalhadora irlandesa. Em 1918, o partido republicano nacionalista irland\u00eas Sinn Fein obteve uma vit\u00f3ria esmagadora nas elei\u00e7\u00f5es gerais irlandesas. A recusa das autoridades brit\u00e2nicas em aceitar a liberdade da Irlanda levou \u00e0 Guerra da Independ\u00eancia da Irlanda de 1919-1921.<\/p>\n<p>Diante desse levante irland\u00eas, as autoridades brit\u00e2nicas conclu\u00edram que n\u00e3o era mais poss\u00edvel continuar a governar a Irlanda como antes e levantaram uma proposta que visava manter seus principais interesses coloniais e dividir e derrotar os republicanos irlandeses.<\/p>\n<p>Assim, o Tratado Anglo-Irland\u00eas criou um \u201cdom\u00ednio\u201d auto-governado sob o imp\u00e9rio brit\u00e2nico envolvendo os 26 condados do sul, mas mantendo os 6 condados do norte como parte do Reino Unido, territ\u00f3rio que viria a se constituir a Irlanda do Norte. Esses seis condados eram a maior por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio irland\u00eas com uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente unionista (a favor da Uni\u00e3o com o Reino Unido)\u00a0 e protestante &#8211; o que foi resultado da coloniza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica organizada das terras agr\u00edcolas do norte irland\u00eas no s\u00e9culo XVII.<\/p>\n<p>O Tratado foi seguido por uma guerra civil de um ano. De um lado, estava o governo provis\u00f3rio irland\u00eas, favor\u00e1vel ao tratado, apoiado pela burguesia irlandesa e o campesinato &#8211; ambos interessados \u200b\u200bem manter conex\u00f5es econ\u00f4micas com a Gr\u00e3-Bretanha &#8211; e tamb\u00e9m apoiado pela Igreja Cat\u00f3lica Romana. Do outro lado, os republicanos nacionalistas irlandeses contr\u00e1rios ao tratado que recusaram o status de \u201cdom\u00ednio\u201d brit\u00e2nico e a parti\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Depois que as for\u00e7as favor\u00e1veis ao tratado, apoiadas pelos brit\u00e2nicos, derrotaram a oposi\u00e7\u00e3o, nasceu o Estado Livre Irland\u00eas baseado nos 26 condados e com status de \u201cdom\u00ednio\u201d brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de 1937 mudou o status de \u201cdom\u00ednio\u201d do Estado Livre Irland\u00eas e em 1949 a Irlanda foi declarada rep\u00fablica. Embora esta decis\u00e3o tenha retirado a Irlanda da Comunidade Brit\u00e2nica, ela n\u00e3o mudou o status semicolonial da Rep\u00fablica da Irlanda, j\u00e1 que sua economia \u00e9 dominada por corpora\u00e7\u00f5es transnacionais brit\u00e2nicas, europeias e americanas at\u00e9 os nossos dias.<\/p>\n<p><strong>A luta na Irlanda do Norte<\/strong><\/p>\n<p>A parti\u00e7\u00e3o, inicialmente um arranjo tempor\u00e1rio, estabeleceu um governo local unionista protestante com um consequente establishment unionista (um &#8220;parlamento protestante e um estado protestante&#8221;) que deu continuidade \u00e0s pol\u00edticas sect\u00e1rias que discriminavam a popula\u00e7\u00e3o nacionalista cat\u00f3lica irlandesa em todas as \u00e1reas de suas vidas para manter o controle unionista.<\/p>\n<p>Inspirado por movimentos internacionais pelos direitos civis tanto nos Estados Unidos por afro-americanos como na \u00c1frica do Sul, o movimento pelos direitos civis irland\u00eas surgiu em 1964 exigindo o fim da discrimina\u00e7\u00e3o no emprego e na aloca\u00e7\u00e3o de moradias p\u00fablicas; elei\u00e7\u00f5es livres; o fim dos poderes arbitr\u00e1rios da Lei de Poderes Especiais (1922) e a reforma das for\u00e7as policiais locais &#8211; a Royal Ulster Constabulary (RUC) e a dissolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas sect\u00e1rias &#8211; os notoriouos B-Specials, que perseguiam, humilhavam e atacavam as comunidades nacionalistas irlandesas. O movimento pelos direitos civis foi confrontado com forte viol\u00eancia sect\u00e1ria levada a cabo primeiro pelo RUC, os B-Specials e outras for\u00e7as paramilitares unionistas e, posteriormente, pelas pr\u00f3prias tropas brit\u00e2nicas, dando origem a uma guerra contra a Gr\u00e3-Bretanha e a sua ocupa\u00e7\u00e3o do norte da Irlanda chamada de \u201ctroubles\u201d.<\/p>\n<p>O Ex\u00e9rcito Republicano Irland\u00eas (IRA) ligado ao partido nacionalista irland\u00eas Sinn Fein ressurgiu neste per\u00edodo, primeiro como uma for\u00e7a de autodefesa, depois como uma organiza\u00e7\u00e3o guerrilheira aut\u00f4noma que passou por v\u00e1rias cis\u00f5es. Em geral, as m\u00faltiplas fac\u00e7\u00f5es do IRA eram organiza\u00e7\u00f5es nacionalistas irlandesas pequeno-burguesas em luta por uma Irlanda Unida e Independente com alguns tons socialistas e conex\u00f5es com outras organiza\u00e7\u00f5es igualmente guerrilheiras, como o ETA do pa\u00eds Basco, as FARC colombianas, fac\u00e7\u00f5es da OLP, alguns regimes \u00e1rabes al\u00e9m da forte comunidade irlandesa nos EUA.<\/p>\n<p>Em 10 de abril de 1998, o Sinn Fein e o IRA Provis\u00f3rio (que era o grupo guerrilheiro nacionalista dominante) capitularam e o Acordo da Sexta-feira Santa (GFA) foi assinado em Belfast. O GFA foi, na realidade, um acordo duplo: primeiro entre oito partidos da Irlanda do Norte (tanto os partidos unionistas, exceto o DUP, como os republicanos nacionalistas irlandeses) e, em segundo lugar, entre o Reino Unido e a Rep\u00fablica da Irlanda. A GFA implicou no reconhecimento da parti\u00e7\u00e3o do pa\u00eds pela Rep\u00fablica da Irlanda e todos os partidos republicanos, e estabeleceu o direito exclusivo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da Irlanda do Norte, cuja maioria \u00e9 composta por protestantes unionistas, de qualquer decis\u00e3o sobre a parti\u00e7\u00e3o. O acordo obrigou a Rep\u00fablica da Irlanda a mudar sua constitui\u00e7\u00e3o para legitimar a parti\u00e7\u00e3o, e o IRA a depor as armas. Ao mesmo tempo,\u00a0 foram formados o governo e a Assembleia da Irlanda do Norte, projetados para serem \u201cequilibrados\u201d, ou seja, n\u00e3o para eliminar o sectarismo mas para administrar suas manifesta\u00e7\u00f5es. Inevitavelmente, as atitudes sect\u00e1rias se tornaram mais enraizadas na cultura pol\u00edtica dominante da Irlanda do Norte.<\/p>\n<p><strong>Nas m\u00e3os da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>A luta por uma Irlanda Unida e Independente foi abandonada tanto pela burguesia irlandesa quanto pelo partido pequeno-burgu\u00eas Sinn Fein e o IRA.<\/p>\n<p>Somente a classe trabalhadora do norte e do sul tem interesse econ\u00f4mico e pol\u00edtico para cumprir esta tarefa hist\u00f3rica. No norte, os trabalhadores precisam lutar para acabar com toda a discrimina\u00e7\u00e3o sect\u00e1ria que desaparecer\u00e1 com a reunifica\u00e7\u00e3o da Irlanda. No sul, os trabalhadores precisam libertar seu pa\u00eds das transnacionais e do capitalismo para ter empregos para todos, moradia acess\u00edvel, educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de alta qualidade e sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar essas demandas, \u00e9 necess\u00e1rio unir as lutas dos trabalhadores ao norte e ao sul da fronteira e buscar solidariedade oper\u00e1ria em todo o mundo, em primeiro lugar com a classe trabalhadora brit\u00e2nica.<\/p>\n<p>A luta democr\u00e1tica pela autodetermina\u00e7\u00e3o irlandesa anda de m\u00e3os dadas com a luta por uma Irlanda Socialista pois tendo derrotado o imperialismo e seus aliados locais, a classe trabalhadora irlandesa necessariamente abordar\u00e1 as rela\u00e7\u00f5es de propriedade e trabalhar\u00e1 por uma Irlanda Unida e Socialista como parte da futura Federa\u00e7\u00e3o dos Estados Socialistas da Europa.<\/p>\n<p><strong>Marx e Engels contra o Imp\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Os revolucion\u00e1rios solidarizaram-se com o povo irland\u00eas na sua luta pela autodetermina\u00e7\u00e3o que significa o direito da totalidade do povo irland\u00eas, do norte e do sul, de decidir se querem uma Irlanda unida e independente das pot\u00eancias coloniais ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Karl Marx e Friederich Engels t\u00eam pelo menos 258 artigos, cartas ou discursos com refer\u00eancias \u00e0 Irlanda (I). Eles defenderam o auto-governo irland\u00eas e a independ\u00eancia da Inglaterra. Eles tamb\u00e9m entenderam que defender a emancipa\u00e7\u00e3o nacional irlandesa era uma condi\u00e7\u00e3o para a unidade da classe trabalhadora brit\u00e2nica para levar a cabo a revolu\u00e7\u00e3o social em casa.<\/p>\n<p>\u201cA Irlanda \u00e9 o baluarte da aristocracia latifundi\u00e1ria inglesa. A explora\u00e7\u00e3o daquele pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 apenas uma das principais fontes de sua riqueza material; \u00e9 sua maior for\u00e7a moral. Eles, de fato, representam o dom\u00ednio sobre a Irlanda. A Irlanda \u00e9, portanto, o meio cardeal pelo qual a aristocracia inglesa mant\u00e9m seu dom\u00ednio na pr\u00f3pria Inglaterra.\u201d<\/p>\n<p>\u201cE o mais importante de tudo! Cada centro industrial e comercial na Inglaterra possui agora uma classe trabalhadora dividida em dois campos hostis, os prolet\u00e1rios ingleses e os prolet\u00e1rios irlandeses \u201d.<\/p>\n<p>\u201cEsse antagonismo \u00e9 o segredo da impot\u00eancia da classe trabalhadora inglesa, apesar de sua organiza\u00e7\u00e3o. \u00c9 o segredo pelo qual a classe capitalista mant\u00e9m seu poder. E est\u00e1 bem ciente disso.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 tarefa especial do Conselho Central de Londres fazer com que os trabalhadores ingleses percebam que para eles a emancipa\u00e7\u00e3o nacional da Irlanda n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de justi\u00e7a abstrata ou sentimento humanit\u00e1rio, mas a primeira condi\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria emancipa\u00e7\u00e3o social.\u201d (II)<\/p>\n<p>Esta posi\u00e7\u00e3o para ficar do lado dos trabalhadores irlandeses foi disputada e conquistada no Conselho Geral da Primeira Internacional embora a quest\u00e3o irlandesa tenha criado um conflito profundo com alguns l\u00edderes sindicais.<\/p>\n<p>O l\u00edder da oposi\u00e7\u00e3o a esta pol\u00edtica no Conselho Geral foi John Hales, um l\u00edder dos tecel\u00f5es, que foi membro do Conselho Geral de 1866-72, e seu secret\u00e1rio de maio de 1881 a julho de 1882.<\/p>\n<p>O Conselho Geral expressou em muitas ocasi\u00f5es sua solidariedade pelo movimento de liberta\u00e7\u00e3o nacional irland\u00eas liderado pelos fenianos irlandeses. Embora Marx fosse cr\u00edtico de suas t\u00e1ticas de conspira\u00e7\u00e3o, ele lutou para convencer a classe trabalhadora brit\u00e2nica a apoiar a liberdade para a Irlanda. Os membros do Conselho Geral iniciaram e organizaram a campanha pela anistia para os prisioneiros fenianos em 1869 e um protesto com quase 100.000 trabalhadores foi realizado em Londres em outubro do mesmo ano.<\/p>\n<p>A Primeira Internacional organizou filiais entre os trabalhadores irlandeses em 1871 e 1872. Havia v\u00e1rias filiais na Inglaterra. Na Irlanda, havia apoiadores ou filiais em Limerick, Tipperary, Belfast, Dublin e Cork. Policiais, patr\u00f5es e padres perseguiram os membros da Internacional. Em uma reuni\u00e3o do Conselho Geral em 9 de abril de 1872, McDonnell, o secret\u00e1rio correspondente para a Irlanda, relatou o &#8220;terr\u00edvel estado de terrorismo&#8221; contra a Internacional em Cork.<\/p>\n<p>O Conselho Geral emitiu uma declara\u00e7\u00e3o contra o terrorismo policial na Irlanda, afirmando que o governo brit\u00e2nico buscava cortar pela raiz o estabelecimento da Primeira Internacional porque o antagonismo nacional entre os trabalhadores ingleses e irlandeses, na Inglaterra, tem sido at\u00e9 agora um dos os principais entraves no caminho de todos os esfor\u00e7os pela emancipa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora e, portanto, um dos esteios\u00a0da domina\u00e7\u00e3o de classe na Inglaterra, bem como na Irlanda.<\/p>\n<p>Hale retomou sua oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 luta irlandesa um m\u00eas depois. Em 14 de maio de 1872, ele prop\u00f4s uma resolu\u00e7\u00e3o contra a forma\u00e7\u00e3o de filiais irlandesas na Inglaterra, que era o mesmo modelo organizacional de outros grupos nacionais, declarando que isso s\u00f3 levaria a manter vivos os antagonismos nacionais.<\/p>\n<p>McDonnell comentou que parecia \u201cmuito estranho que o Secret\u00e1rio-Geral, no momento em que havia perigos e dificuldades no trabalho de propaganda na Irlanda, apresentasse uma mo\u00e7\u00e3o que virtualmente destruiria o que havia sido feito\u201d.<\/p>\n<p>Engels declarou que Hale estava pedindo a um povo conquistado que esquecesse sua nacionalidade. \u201cAs se\u00e7\u00f5es irlandesas, portanto, n\u00e3o apenas se justificavam, mas tinham mesmo a necessidade de declarar no pre\u00e2mbulo de suas regras que seu primeiro e mais urgente dever como irlandeses era estabelecer sua pr\u00f3pria independ\u00eancia nacional.\u201d<\/p>\n<p><strong>Lenin e Trotsky seguiram o exemplo<\/strong><\/p>\n<p>Lenin manteve a tradi\u00e7\u00e3o de Marx e Engels sobre a Irlanda. Ele apoiou fortemente o levante da P\u00e1scoa irlandesa de 1916, bem como o direito das nacionalidades oprimidas \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o. Em julho de 1920, ele recebeu calorosamente Roddy Connolly, filho do l\u00edder socialista irland\u00eas James Connolly, no segundo congresso do Komintern. Em seu livro de 1914 \u201cO Direito das Na\u00e7\u00f5es \u00e0 Autodetermina\u00e7\u00e3o\u201d, Lenin aponta:<\/p>\n<p>\u201cMarx questiona um socialista pertencente a uma na\u00e7\u00e3o opressora sobre sua atitude para com a na\u00e7\u00e3o oprimida e imediatamente revela um defeito comum aos socialistas das na\u00e7\u00f5es dominantes (os ingleses e os russos): o fracasso em compreender seus deveres socialistas para com as na\u00e7\u00f5es oprimidas, seu eco aos preconceitos adquiridos da burguesia da \u201cna\u00e7\u00e3o dominante\u201d. \u201d<\/p>\n<p>\u201cA pol\u00edtica de Marx e Engels sobre a quest\u00e3o irlandesa \u00e9 um exemplo espl\u00eandido da atitude que o proletariado das na\u00e7\u00f5es opressoras deve adotar em rela\u00e7\u00e3o aos movimentos nacionais, um exemplo que n\u00e3o perdeu nada de sua imensa import\u00e2ncia pr\u00e1tica. \u00c9 um alerta contra aquela \u201cpressa servil\u201d com que os filisteus de todos os pa\u00edses, cores e l\u00ednguas se apressam em rotular de \u201cut\u00f3pica\u201d a ideia de alterar as fronteiras dos Estados que foram estabelecidas pela viol\u00eancia para privilegiar os latifundi\u00e1rios e a burguesia de uma na\u00e7\u00e3o. \u201d<\/p>\n<p>\u201cSe os proletariados irland\u00eas e ingl\u00eas n\u00e3o tivessem aceito a pol\u00edtica de Marx e n\u00e3o tivessem feito da secess\u00e3o da Irlanda seu slogan, este teria sido o pior tipo de oportunismo, uma neglig\u00eancia de seus deveres como democratas e socialistas, e uma concess\u00e3o \u00e0 rea\u00e7\u00e3o e \u00e0 burguesia inglesa.\u201d(III)<\/p>\n<p>Trotsky tamb\u00e9m escreveu sobre o levante irland\u00eas da P\u00e1scoa, em seu artigo de 1916 \u201cOn the Events in Dublin\u201c (IV) e sobre o direito dos povos oprimidos \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cDesde os meus primeiros dias tenho, atrav\u00e9s de Marx e Engels, a maior simpatia e estima pela luta her\u00f3ica dos irlandeses pela sua independ\u00eancia.\u201d (V)<\/p>\n<p>\u201cA autodetermina\u00e7\u00e3o nacional \u00e9 a f\u00f3rmula democr\u00e1tica fundamental para as na\u00e7\u00f5es oprimidas. Onde quer que a opress\u00e3o de classe seja complicada pela opress\u00e3o nacional, as demandas democr\u00e1ticas assumem, antes de tudo, a forma de demandas por igualdade nacional de direitos &#8211; por autonomia ou independ\u00eancia\u201d. (VI)<\/p>\n<p>A posi\u00e7\u00e3o de Marx, Engels, Lenin e Trotsky \u00e9 de grande import\u00e2ncia at\u00e9 os nossos dias. Os nomes e as situa\u00e7\u00f5es mudam, mas a Gr\u00e3-Bretanha continua sendo uma na\u00e7\u00e3o opressora contra a unidade da Irlanda.<\/p>\n<p>Infelizmente, algumas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda se colocam ao lado do colonialismo brit\u00e2nico quando defendem o \u201cdireito\u201d da comunidade unionista protestante de manter a Irlanda dividida, o que significa na realidade apoiar o direito dos opressores contra o direito dos oprimidos.<\/p>\n<p>A Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) se mant\u00e9m fiel \u00e0 perspectiva de Marx, Engels, Lenin e Trotsky em defesa do direito dos irlandeses \u00e0 autodetermina\u00e7\u00e3o contra o imperialismo brit\u00e2nico.<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p>(I) https:\/\/arrow.tudublin.ie\/cserrep\/21\/<\/p>\n<p>(II) https:\/\/www.marxists.org\/archive\/marx\/works\/1870\/letters\/70_04_09.htm#ireland<\/p>\n<p>(III) https:\/\/www.marxists.org\/archive\/lenin\/works\/1914\/self-det\/ch08.htm<\/p>\n<p>(IV) https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1916\/07\/dublin.htm<\/p>\n<p>(V) Trotsky reply to Nora Connolly O\u2019Brien, James Connoly\u2019s daughter, on June 6, 1936<\/p>\n<p>(VI) https:\/\/www.marxists.org\/archive\/trotsky\/1922\/red-white\/ch09.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 cem anos, em 6 de dezembro de 1921, o colonialismo brit\u00e2nico e uma parte dos republicanos nacionalistas irlandeses assinaram o Tratado Anglo-Irland\u00eas. Ao inv\u00e9s da independ\u00eancia, a Irlanda foi dividida entre o sul com 26 condados e os 6 condados do norte.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":63711,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[8,3478,10],"tags":[180,3883,3132],"class_list":["post-63710","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","category-irlanda","category-teoria","tag-fabio-bosco","tag-independencia-da-irlanda","tag-martin-ralph"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Irlanda.jpg","categories_names":["Hist\u00f3ria","Irlanda","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63710","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63710"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63710\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63711"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63710"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63710"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63710"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}