{"id":63578,"date":"2021-04-16T12:22:45","date_gmt":"2021-04-16T15:22:45","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63578"},"modified":"2021-04-16T12:22:45","modified_gmt":"2021-04-16T15:22:45","slug":"do-brasil-a-palestina-fome-e-falta-de-vacinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/04\/16\/do-brasil-a-palestina-fome-e-falta-de-vacinas\/","title":{"rendered":"Do Brasil \u00e0 Palestina, fome e falta de vacinas"},"content":{"rendered":"<p><em>Os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes e mostram que o pico pand\u00eamico tem ainda outra variante: a fome. Para al\u00e9m da viol\u00eancia a que s\u00e3o submetidos cotidianamente, pobres aqui e palestinos sob ocupa\u00e7\u00e3o est\u00e3o neste momento entre morrer porque n\u00e3o t\u00eam o que comer ou por falta de vacina.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Soraya Misleh<\/p>\n<p>Conforme o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Seguran\u00e7a Alimentar no contexto da pandemia de Covid-19, realizado em dezembro de 2020 pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o enfrenta inseguran\u00e7a alimentar. S\u00e3o 116,8 milh\u00f5es sem acesso pleno e permanente a alimentos. Para 19,1 milh\u00f5es destes \u2013 9% dos brasileiros \u2013 a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grave: est\u00e3o passando fome. O quadro se agrava nas regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds: no Norte, em 18,1% dos lares as pessoas n\u00e3o t\u00eam o que comer. No Nordeste, s\u00e3o 13,8%.<\/p>\n<p>Na Palestina sob ocupa\u00e7\u00e3o, conforme a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), metade da popula\u00e7\u00e3o tem dieta nutricional comprometida e 32,7% enfrentam o agravamento da inseguran\u00e7a alimentar em meio \u00e0 pandemia. Em Gaza, cuja situa\u00e7\u00e3o dos 2 milh\u00f5es de habitantes \u00e9 ainda mais dram\u00e1tica em fun\u00e7\u00e3o do cerco israelense desumano h\u00e1 quase 14 anos e bombardeios frequentes, s\u00e3o 68,5%. Metade das crian\u00e7as vive quadro de desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica. Mais de um milh\u00e3o depende de ajuda humanit\u00e1ria para se alimentar.<\/p>\n<p>A fome tamb\u00e9m tem g\u00eanero e ra\u00e7a. De acordo com as mesmas fontes, em Gaza, 54% das fam\u00edlias chefiadas por mulheres enfrentam inseguran\u00e7a alimentar. No Brasil, 11,1% est\u00e3o sem ter o que comer e entre pretos e pardos, 10,7%.<\/p>\n<p><strong>Inseguran\u00e7a h\u00eddrica<\/strong><\/p>\n<p>O relat\u00f3rio brasileiro constata ainda que \u201ca fome vem acompanhada de muitas outras car\u00eancias, destacadamente a falta de \u00e1gua. A inseguran\u00e7a h\u00eddrica [\u2026] atingiu em 2020 40,2% e 38,4% dos domic\u00edlios do Nordeste e Norte, respectivamente, percentuais quase tr\u00eas vezes superiores aos das demais regi\u00f5es. O abastecimento irregular de \u00e1gua \u00e9 uma das condi\u00e7\u00f5es que aumentam a transmiss\u00e3o [\u2026] da Covid-19, ocorrendo com maior frequ\u00eancia em domic\u00edlios e regi\u00f5es mais pobres do pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Na Palestina, a ocupa\u00e7\u00e3o sionista, como denuncia a organiza\u00e7\u00e3o de direitos humanos Al Haq em informe, mina a capacidade da popula\u00e7\u00e3o \u201cde prevenir e mitigar adequadamente os impactos da pandemia\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO acesso dos palestinos \u00e0 \u00e1gua na Cisjord\u00e2nia ocupada \u00e9 negado em favor do fornecimento a assentamentos israelenses ilegais. Assim, quase 50 mil palestinos que residem na \u00c1rea C [sob controle militar sionista, na divis\u00e3o feita pelos desastrosos acordos de Oslo em 1993] vivem sem acesso \u00e0 \u00e1gua limpa. Al\u00e9m disso, s\u00e3o impedidos de construir e renovar sua pr\u00f3pria infraestrutura de \u00e1gua por meio de severas restri\u00e7\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o impostas pela administra\u00e7\u00e3o israelense, tornando dif\u00edcil ter \u00e1gua suficiente para consumo dom\u00e9stico e para manter a autossufici\u00eancia e independ\u00eancia alimentar\u201d, aponta a Al Haq.<\/p>\n<p>E continua: \u201cDiante disso, em 2016, os palestinos na Cisjord\u00e2nia ocupada consumiam em m\u00e9dia apenas 73 litros de \u00e1gua por dia, bem abaixo dos 100 litros recomendados pela OMS [Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade], enquanto os colonos israelenses consumiam aproximadamente 369 litros por dia, mais de tr\u00eas vezes a m\u00e9dia recomendada.\u201d Segundo a organiza\u00e7\u00e3o, hoje, esses residentes ilegais consomem tr\u00eas a oito vezes mais \u00e1gua do que toda a popula\u00e7\u00e3o palestina da Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o em Gaza, como continua a Al Haq, \u00e9 \u201cparticularmente preocupante\u201d. Em seu texto, demonstra: \u201cDe acordo com o Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), a partir de 2019, apenas uma em cada dez fam\u00edlias de Gaza tinha acesso \u00e0 \u00e1gua limpa e segura. Apenas 5% do abastecimento \u00e9 fornecido por Israel, a pot\u00eancia ocupante, enquanto o restante vem do aqu\u00edfero costeiro, que est\u00e1 amplamente contaminado, ou de po\u00e7os privados, inacess\u00edveis para a maioria dos palestinos. Al\u00e9m disso, menos de 4% da \u00e1gua doce de Gaza \u00e9 pr\u00f3pria para uso e consumo humano.\u201d<\/p>\n<p>Nos campos de refugiados na regi\u00e3o do Oriente M\u00e9dio, em que vivem 5 milh\u00f5es de palestinos impedidos de retornar \u00e0s suas terras, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 de extrema vulnerabilidade. Grassam a pobreza, condi\u00e7\u00f5es insalubres e falta de \u00e1gua pot\u00e1vel em habita\u00e7\u00f5es e ruas estreitas que lembram as favelas brasileiras.<\/p>\n<p>Visita a um deles relatada por Philippe Lazzarini, comiss\u00e1rio geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a estados-membros durante um encontro online no dia 7 de abril d\u00e1 uma mostra: \u201cNa semana passada, estive no campo Ein El Hilweh, no sul do L\u00edbano, e um jovem refugiado palestino desempregado me disse que constantemente se pergunta se morreria de Covid, de fome ou tentando atravessar o Mediterr\u00e2neo em um bote. As pessoas lutam diariamente para garantir uma refei\u00e7\u00e3o para a fam\u00edlia. [\u2026] Ningu\u00e9m deveria ter que escolher entre essas tr\u00eas op\u00e7\u00f5es mortais.\u201d<\/p>\n<p>ANakba (cat\u00e1strofe) continua. N\u00e3o obstante, o Estado racista de Israel segue a se apresentar como bom mo\u00e7o na luta contra a fome no Brasil. A iniciativa de dar migalhas para limpar sua imagem enquanto regime institucionalizado de apartheid n\u00e3o passa de propaganda para encobrir seus crimes contra a humanidade. Inclusive os cometidos nos locais em que o sionismo fala em matar a fome, onde armas e tecnologias militares israelenses est\u00e3o nas m\u00e3os das pol\u00edcias. Derramam o sangue jovem e negro nas periferias brasileiras, depois de testadas nas cobaias humanas palestinas.<\/p>\n<p><strong>Apartheid sanit\u00e1rio e genoc\u00eddio<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto isso, a vacina\u00e7\u00e3o caminha a passos tragicamente lentos. No Brasil, cujo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) tem capacidade de vacinar mais de 2 milh\u00f5es por dia, pouco mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o tomou a primeira dose desde o in\u00edcio da campanha, em janeiro \u00faltimo. O respons\u00e1vel direto \u00e9 o desgoverno genocida de Bolsonaro, que optou pelo caminho do vale da morte \u2013 ao n\u00e3o comprar as doses necess\u00e1rias e atuar contra as medidas de conten\u00e7\u00e3o recomendadas pela ci\u00eancia, fazendo mesmo campanha contra elas. O saldo \u00e9 de mais de 340 mil mortos \u2013 quatro a cada cinco poderiam ter sido evitadas em 2021, com vacina\u00e7\u00e3o e lockdown, segundo afirmou em uma de suas lives semanais o bi\u00f3logo, pesquisador e doutor em virologia \u00c1tila Iamarino.<\/p>\n<p>Na Palestina ocupada, em que at\u00e9 o momento a imuniza\u00e7\u00e3o atingiu o irris\u00f3rio percentual de 0,2% de uma popula\u00e7\u00e3o de 5 milh\u00f5es, a Covid-19 tem sido mais um instrumento de puni\u00e7\u00e3o coletiva combinada com limpeza \u00e9tnica planejada e seletiva \u2013 apartheid sanit\u00e1rio como cap\u00edtulo dos crimes sionistas contra a humanidade em curso h\u00e1 mais de 72 anos. O impacto pol\u00edtico na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 demonstrado pela m\u00e9dica palestina Samah Jabr em live promovida pelo movimento BDS Brasil no dia 18 de mar\u00e7o \u00faltimo, como parte da Semana contra o Apartheid Israelense.<\/p>\n<p>O sionismo tem usado a vacina como moeda de troca, chantagem, puni\u00e7\u00e3o coletiva, limpeza \u00e9tnica e tamb\u00e9m propaganda. Agora o marketing se voltou para o chamado \u201cprojeto S\u201d do Instituto Butantan em Serrana, interior paulista, cidade de pouco mais de 45 mil habitantes escolhida para estudo sobre imuniza\u00e7\u00e3o em massa. Conforme divulgado pela m\u00eddia, o c\u00f4nsul-geral de Israel em S\u00e3o Paulo, Alon Lavi, se reuniu com o prefeito do munic\u00edpio, L\u00e9o Capitelli (MDB) no dia 6 de abril para \u201cproduzir conhecimento\u201d sobre o assunto e firmar acordo de coopera\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica que pode se estender para \u00e1reas como inova\u00e7\u00e3o, agricultura e gest\u00e3o da \u00e1gua.<\/p>\n<p>O \u201cestudo\u201d \u00e9 a desculpa perfeita para avan\u00e7ar em acordos que em nada v\u00e3o beneficiar os brasileiros, enquanto servir\u00e3o para sustentar a ocupa\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Fonte: www.monitordooriente.com<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os n\u00fameros s\u00e3o alarmantes e mostram que o pico pand\u00eamico tem ainda outra variante: a fome. 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