{"id":63547,"date":"2021-04-12T19:55:58","date_gmt":"2021-04-12T22:55:58","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63547"},"modified":"2021-04-12T19:55:58","modified_gmt":"2021-04-12T22:55:58","slug":"banqueteando-sobre-caixoes-numero-e-fortuna-de-bilionarios-aumentaram-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/04\/12\/banqueteando-sobre-caixoes-numero-e-fortuna-de-bilionarios-aumentaram-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Banqueteando sobre caix\u00f5es: n\u00famero e fortuna de bilion\u00e1rios aumentaram durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p><em>Em um ano, a pandemia da Covid-19 j\u00e1 matou quase 3 milh\u00f5es de pessoas no mundo, sendo quase 350 mil delas no Brasil que, hoje, carrega a vergonhosa marca de responder por um ter\u00e7o das mortes di\u00e1rias causadas pelo coronav\u00edrus. Enquanto isso, se j\u00e1 n\u00e3o bastasse vivermos em luto permanente, a crise socioecon\u00f4mica avan\u00e7ou a passos largos, deixando como rastro um n\u00famero cada vez maior de desempregados, de gente passando fome ou vivendo na mais absoluta mis\u00e9ria.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Wilson Hon\u00f3rio da Silva<\/p>\n<p>Durante todo este per\u00edodo, escutamos a mesma ladainha mundo afora: n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para vacina\u00e7\u00e3o em massa; n\u00e3o h\u00e1 como construir mais hospitais, aumentar os leitos nas UTIs, comprar insumos e respiradores; \u00e9 imposs\u00edvel promover um \u201clockdown\u201d total, garantindo renda digna para todos. Afinal, dizem eles, \u00e9 preciso \u201cpreservar a sa\u00fade da Economia\u201d, para que o mundo n\u00e3o entre em colapso.<\/p>\n<p>Contudo, s\u00f3 h\u00e1 verdade num lado desta hist\u00f3ria. Por tr\u00e1s de tanto sofrimento, h\u00e1 um punhado de gente rindo \u00e0s gargalhadas e festejando lucros astron\u00f4micos. Por tr\u00e1s dos governantes e parlamentares que t\u00eam contribu\u00eddo para esta trag\u00e9dia sem fim, h\u00e1 aqueles que realmente ditam as regras de um jogo onde s\u00f3 eles podem ganhar. Por tr\u00e1s das mortes e perdas de milh\u00f5es, existe um punhado de banqueiros, empres\u00e1rios e latifundi\u00e1rios que t\u00eam lucrado mais do que nunca.<\/p>\n<p>Um punhadinho de bilion\u00e1rios que, aqui e mundo afora, duplicaram ou triplicaram suas fortunas durante a pandemia; acumulando, literalmente, trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Dinheiro que seria mais do que suficiente n\u00e3o s\u00f3 para o combate o coronav\u00edrus, como tamb\u00e9m para erradicar a fome e o desemprego do mundo. Fortunas incalcul\u00e1veis acumuladas com uma gan\u00e2ncia genocida abomin\u00e1vel, que fica ainda mais evidente quando se sabe que um dos setores que mais lucraram durante a pandemia foi o vinculado \u00e0 sa\u00fade privada.<\/p>\n<p><strong>Dois mil bilion\u00e1rios valem 73 trilh\u00f5es de reais<\/strong><\/p>\n<p>Segundo mat\u00e9ria publicada pela revista \u201cForbes\u201d, no dia 6 de abril, a lamentavelmente famosa lista dos maiores bilion\u00e1rios do mundo bateu um recorde este ano: exatas 2.755 pessoas t\u00eam patrim\u00f4nio maior do que US$ 1 bilh\u00e3o (o equivalente a R$ 5,6 bilh\u00f5es). Esse n\u00famero significa que durante 2020 (ou seja, em plena pandemia) 660 pessoas foram acrescentadas \u00e0 lista dos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas, isto nem \u00e9 tudo nem o pior. Juntos, eles acumulam nada menos que US$ 13,1 trilh\u00f5es; ou seja, R$ 73,3 trilh\u00f5es. Um valor dez vezes maior que todo o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil que, em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE), foi de R$ 7,4 trilh\u00f5es. E mais: na lista anterior, a soma dos bens desses bilion\u00e1rios era de US$ 8 trilh\u00f5es (R$ 44,8 trilh\u00f5es); ou seja, durante a pandemia, as fortunas dos super-ricos quase duplicaram, com um aumento de quase US$ $5.1 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p>No topo da lista (pela quarta vez consecutiva) est\u00e1 Jeff Bezos, dono da rede varejista on-line Amazon e do jornal \u201cThe Washington Post\u201d, com uma fortuna calculada em US$ 177 bilh\u00f5es (ou R$ 990 bilh\u00f5es). O segundo \u00e9 o sul-africano, radicado nos EUA, Elon Musk, presidente da Tesla Motors, empresa automotiva e de armazenamento de energia, que saltou da 31\u00aa coloca\u00e7\u00e3o ao acrescentar nada menos que US$ 126,4 bilh\u00f5es \u00e0 sua fortuna, acumulando US$ 151 bilh\u00f5es (cerca de R$ 845 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>O terceiro, e particularmente exemplar de que a burguesia n\u00e3o d\u00e1 a m\u00ednima para o sofrimento da popula\u00e7\u00e3o mundial, cuidando apenas de seus interesses mesquinhos e futilidade, \u00e9 Bernard Arnault, presidente da companhia de artigos de luxo LVMH, dona de marcas como Louis Vuitton, Christian Dior e Sephora e, mais recentemente, da joalheria Tiffany\u2019s, que dobrou sua fortuna, chegando a US$ 150 bilh\u00f5es, boa parte atrav\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o financeira e valoriza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os \u201ctop 5\u201d s\u00e3o completados por dois homens que fizeram fortuna com a computa\u00e7\u00e3o e as m\u00eddias digitais: o fundador da Microsoft, Bill Gates (4\u00ba lugar, com US$ 124 bilh\u00f5es), seguido por Mark Zuckerberg, l\u00edder do Facebook, com US$ 94 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Dentre as mulheres, que s\u00e3o 328 entre os 2.755 super-ricos, as mais endinheiradas s\u00e3o a norte-americana Miriam Adelson, que herdou do marido um complexo de cassinos em Nevada, com fortuna de US$ 38,2 bilh\u00f5es; a francesa Francoise Bettencourt Meyers, herdeira do imp\u00e9rio de cosm\u00e9ticos L\u2019\u00d3real (US$ 24,7 bilh\u00f5es) e Alice Walton (US$ 61,8 bilh\u00f5es), uma das herdeiras da varejista Walmart.<\/p>\n<p>Prova inquestion\u00e1vel de que n\u00e3o h\u00e1 nada de \u201ccomunista\u201d na China e, sim, uma ditadura capitalista a servi\u00e7o da superexplora\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria, o pa\u00eds asi\u00e1tico (incluindo Hong Kong) foi o que mais acumulou novos bilion\u00e1rios em 2020 (210), sendo respons\u00e1vel por 724 membros da lista; seguido pelos Estados Unidos, com 626 bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas, a gananciosa burguesia do Brasil, um dos pa\u00edses com o maior \u00edndice de desigualdade socioecon\u00f4mica no mundo, n\u00e3o poderia ficar atr\u00e1s. O Brasil ficou em 7\u00b0 colocado no ranking de pa\u00edses que mais adicionaram bilion\u00e1rios \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o em 2020, com o acr\u00e9scimo de 20 novos super-ricos.<\/p>\n<p>Na lista anterior, eram 45. Agora, s\u00e3o 65, que, juntos, durante a pandemia, viram suas fortunas saltarem de US$ 127,1 bilh\u00f5es para US$ 219,1 bilh\u00f5es. Um salto de 71%, equivalentes a R$ 477,15 bilh\u00f5es, o que faz com que, hoje, eles acumulem nada menos do que R$ 1,2 trilh\u00e3o.<\/p>\n<p>E como nossa burguesia, desde sempre, n\u00e3o tem nada de \u201cnacionalista\u201d, parte dessa fortuna est\u00e1 no exterior, onde muitos deles residem, a come\u00e7ar pelos que est\u00e3o no topo da lista: Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira (do grupo Ambev), que vivem na Su\u00ed\u00e7a, e Antonio Luiz Seabra, cofundador da Natura, que tem domic\u00edlio no Reino Unido.<\/p>\n<p><strong>Uma burguesia parasita<\/strong><\/p>\n<p>E para que se entenda o que queremos dizer com se \u201cbanquetear sobre caix\u00f5es\u201d, basta dizer que, tanto aqui no Brasil quanto no exterior, o perfil destes bilion\u00e1rios reflete caracter\u00edsticas centrais do capitalismo e sua classe dominante: a especula\u00e7\u00e3o financeira, o car\u00e1ter improdutivo e o lucro acumulado, sem d\u00f3 nem piedade, a partir do sofrimento imposto a milh\u00f5es. Afinal, n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia que a maioria dos super-ricos atue como banqueiros ou, exatamente no ano da pandemia, seja composta por donos de hospitais e laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos.<\/p>\n<div id=\"attachment_63548\" style=\"width: 265px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-63548\" class=\"size-full wp-image-63548\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson.jpeg\" alt=\"\" width=\"255\" height=\"420\" \/><p id=\"caption-attachment-63548\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Paulo Lemann<\/p><\/div>\n<p>Aqui, tr\u00eas das cinco maiores fortunas est\u00e3o ligadas \u00e0 Anheuser-Busch InBev (AB Inbev), multinacional de bebidas formada em 2004 pela fus\u00e3o da empresa belga Interbrew com a brasileira Ambev: Jorge Paulo Lemann e fam\u00edlia (primeiro na lista brasileira, 114\u00ba na mundial, com uma fortuna de US$ 16,9 bilh\u00f5es), Marcel Herrmann Telles (US$ 11,5 bilh\u00f5es) e Carlos Alberto Sicupira e fam\u00edlia (US$ 8,7 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Apesar de alguns terem ca\u00eddo no \u201cranking\u201d, em fun\u00e7\u00e3o do fechamento dos bares, os membros deste grupo (donos da 3G Capital) garantiram sua lucratividade apoiados em seus m\u00faltiplos neg\u00f3cios, que incluem investimentos em empresas (como as Lojas Americanas, Telemar, Gafisa) e redes aliment\u00edcias, como Burger King e Heinz.<\/p>\n<p>Outras grandes fortunas est\u00e3o nas m\u00e3os de bilion\u00e1rios atuando em setores igualmente beneficiadas pelas situa\u00e7\u00f5es criadas durante a pandemia, no mercado financeiro ou em empresas distantes do chamado \u201csetor produtivo\u201d.<\/p>\n<p>Exemplo disto \u00e9 Eduardo Saverin (segundo na lista brasileira e 140\u00ba, na mundial), um dos fundadores do Facebook e criador da B Capital, que atua com m\u00eddias digitais e no investimento em \u201cstartups\u201d (as chamadas \u201cempresas emergentes\u201d ou \u201cempreendedoras\u201d), acumulando um patrim\u00f4nio de R$ 81,76 bilh\u00f5es. Outro exemplo \u00e9 Vick Safra, vi\u00fava do banqueiro Joseph Safra, que tamb\u00e9m mora na Su\u00ed\u00e7a, e, sozinha, tem patrim\u00f4nio de R$ 41,42 bilh\u00f5es (um bilh\u00e3o a menos do que o montante acumulado pelos demais herdeiros).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m merece destaque Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza, que, agora, perdeu o posto de mulher mais rica do Brasil para a propriet\u00e1ria da Amil (vide abaixo). Dona de um patrim\u00f4nio de R$ 30,5 bilh\u00f5es, Trajano j\u00e1 foi aventada como candidata a vice numa poss\u00edvel chapa petista, em 2022, e seu projeto de ampla, ampl\u00edssima unidade nacional.\u00a0\u201cEu acho uma super chapa: Haddad\/Luiza Trajano (\u2026). Precisamos nos reconectar com o empresariado que tem rela\u00e7\u00e3o com o mercado interno e com o eleitor de centro, para formar maioria, ganhar e governar\u201d, declarou Washington Quaqu\u00e1, presidente do PT carioca, em entrevista ao jornal \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, em 4 de fevereiro passado.<\/p>\n<div id=\"attachment_63549\" style=\"width: 1096px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-63549\" class=\"size-full wp-image-63549\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"1086\" height=\"652\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1.jpeg 1086w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-300x180.jpeg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-1024x615.jpeg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-768x461.jpeg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-150x90.jpeg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-696x418.jpeg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/Wilson-1-1068x641.jpeg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1086px) 100vw, 1086px\" \/><p id=\"caption-attachment-63549\" class=\"wp-caption-text\">Luiza Trajano, cotada a vice de Lula em 2022<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m destes, dentre os brasileiros h\u00e1 nomes como Rubens Menin Teixeira, da construtora MRV; os membros da fam\u00edlia Feffer, controladora da gigante de celulose Suzano; David V\u00e9lez, presidente do Nubank, especializada em servi\u00e7os financeiros e na opera\u00e7\u00e3o de cart\u00f5es de cr\u00e9dito e Anne Marie Werninghaus, acionista da fabricante de motores WEG.<\/p>\n<p><strong>No Brasil, lucros banhados em dor e sangue<\/strong><\/p>\n<p>Em 5 de fevereiro de 2021, o portal da \u201cForbes Brasil\u201d publicou uma mat\u00e9ria cujo t\u00edtulo sintetiza o quanto, al\u00e9m de parasita, a burguesia brasileira tamb\u00e9m \u00e9 carniceira:\u00a0\u201cBilion\u00e1rios brasileiros da \u00e1rea da sa\u00fade s\u00e3o os que mais ganharam dinheiro durante a pandemia\u201d.<\/p>\n<p>Foi explorando a desgra\u00e7a alheia que os empres\u00e1rios do setor da sa\u00fade privada viram suas fortunas aumentarem em R$ 78 bilh\u00f5es. Um lament\u00e1vel contraponto para as centenas de milhares de mortos, para os milh\u00f5es de pessoas doentes, para o colapso da rede hospitalar, para todos aqueles que morreram esperando uma vaga nas UTIs ou por falta de insumos e, tamb\u00e9m, para o esfor\u00e7o sobrehumano dos profissionais da sa\u00fade, trabalhando sob p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es e recebendo sal\u00e1rios aviltantes.<\/p>\n<p>No topo desta lista de abrutres, est\u00e1 a fam\u00edlia de Jorge Moll Filho, cuja fortuna cresceu 550%, pulando de US$ 2 bilh\u00f5es, em abril de 2020, para US$ 13 bilh\u00f5es, em janeiro de 2021 (R$ 11,3 bilh\u00f5es e R$ 63,9 bilh\u00f5es, respectivamente). Moll Filho, que \u00e9 dono da rede de hospitais privados D\u2019Or S\u00e3o Luiz e do grupo de laborat\u00f3rio Labs, quintuplicou sua riqueza atrav\u00e9s da abertura da venda p\u00fablica de a\u00e7\u00f5es nas bolsas de valores e saltou da 16\u00aa posi\u00e7\u00e3o do \u201cranking\u201d de bilion\u00e1rios brasileiros da Forbes para a terceira.<\/p>\n<p>O mesmo caminho que levou Dulce Pugliese de Godoy Bueno a se tornar a mulher mais rica do Brasil (com uma fortuna que saltou de R$ 19,7 para R$ 34 bilh\u00f5es, uma valoriza\u00e7\u00e3o de 82,85%) e fez com que seu enteado, Pedro de Godoy Bueno, se tornasse, aos 30 anos, o mais jovem bilion\u00e1rio brasileiro, quase triplicando sua fortuna em 2020 (de R$ 6,2 para R$ 17 bilh\u00f5es). A fam\u00edlia \u00e9 dona do plano de sa\u00fade Amil, da Rede \u00cdmpar de hospitais e da rede Dasa, que controla 34 laborat\u00f3rios de diagn\u00f3sticos (como o Delboni Auriemo, Lavoisier, Alta, Salom\u00e3o Zoppi, S\u00e9rgio Franco e Bronstein), com 700 unidades de atendimento, que encheram os tubos de dinheiro durante a pandemia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Candido Pinheiro Koren de Lima, presidente do Grupo Hapvida e maior operador de planos de sa\u00fade do Norte e Nordeste brasileiro (e o terceiro maior do pa\u00eds em benefici\u00e1rios), que teve seu patrim\u00f4nio valorizado em 175%, saltando de US$ 1,6 bilh\u00e3o, em abril de 2020, para US$ 4,4 bilh\u00f5es, em janeiro de 2021.<\/p>\n<p>O descompasso destes n\u00fameros n\u00e3o \u00e9 gritante apenas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise sanit\u00e1ria. Como destacado no artigo da \u201cForbes Brasil\u201d, a\u00a0\u201cvaloriza\u00e7\u00e3o\u00a0do patrim\u00f4nio l\u00edquido dos bilion\u00e1rios da \u00e1rea da sa\u00fade foi astronomicamente superior\u201d\u00a0mesmo quando comparado com a dos demais super-ricos:\u00a0\u201cem n\u00fameros, a m\u00e9dia das fortunas dos 53 membros brasileiros da lista dos mais ricos do mundo saltou de US$ 2,28 bilh\u00f5es para US$ 3,53 bilh\u00f5es, uma valoriza\u00e7\u00e3o de 54,82%, em menos de um ano. J\u00e1 o recorte do patrim\u00f4nio l\u00edquido dos bilion\u00e1rios da \u00e1rea da sa\u00fade mostra que o valor m\u00e9dio saiu de US$ 1,64 bilh\u00e3o em 2020 para US$ 3,85 em 2021, crescimento de 134,76% \u2013 80% a mais que a m\u00e9dia geral.\u201d<\/p>\n<p><strong>Um novo bilion\u00e1rio a cada 17 horas. 13 mil mortos por Covid e 2.600 de fome por dia<\/strong><\/p>\n<p>A reportagem da \u201cForbes\u201d tamb\u00e9m revelou que, durante a pandemia, houve um recorde no n\u00famero de pessoas que aparecem pela primeira vez no \u201cranking\u201d global, cruzando a linha do que poderia ser chamada de \u201criqueza extrema\u201d. Foram 493 novos bilion\u00e1rios, o que equivale a um novo super-rico a cada 17 horas.<\/p>\n<p>Enquanto isso, segundo o portal \u201cWorldometer\u201d, especializado em estat\u00edsticas globais atualizadas diariamente, somente no dia 9 de abril, cerca de 2.600 pessoas morreram de fome e exatas 13.268 vidas foram ceifadas pelo coronav\u00edrus. Uma situa\u00e7\u00e3o que, particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mis\u00e9ria e a fome, s\u00f3 tende a piorar na esteira das consequ\u00eancias socioecon\u00f4micas da pandemia e no acirramento da crise do capitalismo.<\/p>\n<p>Em 9 de julho de 2020, o jornal brit\u00e2nico \u201cThe Guardian\u201d noticiou um relat\u00f3rio da ONG Oxfam, que previa que\u00a0\u201cmilh\u00f5es de pessoas est\u00e3o sendo empurradas para a fome pela pandemia do coronav\u00edrus, o que pode acabar matando mais pessoas, por falta de alimentos, do que pela pr\u00f3pria doen\u00e7a\u201d. Algo que s\u00f3 n\u00e3o se comprovou inteiramente em fun\u00e7\u00e3o do descaso genocida dos governantes mundiais, que levou ao descontrole sobre a pandemia. O que, de forma alguma, significa que a fome n\u00e3o esteja aumentando e matando milh\u00f5es mundo afora.<\/p>\n<p>Na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do \u201cOpini\u00e3o Socialista\u201d,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.pstu.org.br\/uma-batalha-diaria-pela-sobrevivencia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">noticiamos<\/a>\u00a0que, segundo um levantamento feito em dezembro de 2020, pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan), 19 milh\u00f5es de brasileiros passaram fome no ano passado e que 116,8 milh\u00f5es sofriam algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar (ou seja, n\u00e3o tinham o suficiente para se alimentar adequadamente), correspondendo a 55,2% dos domic\u00edlios brasileiros.<\/p>\n<p>Como tamb\u00e9m destacado pelo jornal do PSTU, esse per\u00edodo coincidiu com a redu\u00e7\u00e3o pela metade do aux\u00edlio emergencial de R$ 600,00 (R$ 1.200,00 para m\u00e3es chefes de fam\u00edlia), mesmo que o valor inicial nem de longe fosse suficiente para combater o problema, j\u00e1 que 28% dos domic\u00edlios que receberam o aux\u00edlio viveram inseguran\u00e7a alimentar \u201cgrave\u201d e outros 37,6%, \u201cleve\u201d.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa realizada pelo portal \u201cPoder 360\u201d e publicada em 01\/04\/2021, 36% dos brasileiros dizem ter passado fome ou comido menos durante a pandemia, um \u00edndice composto pela soma do percentual dos que dizem ter deixado de fazer refei\u00e7\u00f5es (7%) com o dos que passaram a comer menos do que o de costume (29%), o que equivale a 14,9 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Uma triste realidade que, contudo, n\u00e3o \u00e9 exclusividade do Brasil. De acordo com um artigo publicado, em 21 de mar\u00e7o, no portal do Programa Alimentar Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas, ao redor do mundo, antes da pandemia da Covid-19, j\u00e1 havia cerca de 135 milh\u00f5es de pessoas enfrentando uma grave inseguran\u00e7a alimentar e j\u00e1 se esperava que esse n\u00famero duplicasse no decorrer de 2020.<\/p>\n<p>Alguns dos pa\u00edses mais atingidos por esta calamidade eram I\u00eamen, Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Venezuela, Sahel da \u00c1frica Ocidental, Eti\u00f3pia, Sud\u00e3o, Sud\u00e3o do Sul, S\u00edria e Haiti. Mas isto est\u00e1 longe de se restringir aos pa\u00edses da periferia do capitalismo. De acordo com o jornal \u201cThe Washington Post\u201d (06\/01\/2021), um Censo nacional realizado nos EUA, em novembro passado, revelou que cerca de 26 milh\u00f5es de norte-americanos (que totalizam uma popula\u00e7\u00e3o de 329 milh\u00f5es) afirmaram n\u00e3o ter o suficiente para comer.<\/p>\n<p>L\u00e1, onde a pol\u00edtica igualmente genocida do melhor amigo de Bolsonaro, Donald Trump, fez com que o pa\u00eds acumulasse 550 mil mortos por Covid, a fome est\u00e1 se alastrando. Segundo o boletim \u201cO Impacto do Coronav\u00edrus na Inseguran\u00e7a Alimentar em 2020 e 2021\u201d, publicado pela ONG \u201cFeeding America\u201d (\u201cAlimentando os EUA\u201d), a estimativa \u00e9 que, em 2021,\u00a0\u201c42 milh\u00f5es de pessoas (1 em cada 8), incluindo 13 milh\u00f5es de crian\u00e7as (1 em cada 6), podem experimentar inseguran\u00e7a alimentar\u201d.<\/p>\n<p>E n\u00e3o chamada \u201cmaior democracia do mundo\u201d se repete a mesma hist\u00f3ria que vemos aqui, onde se alimenta a igualmente ilus\u00f3ria e falsa \u201cdemocracia racial\u201d:\u00a0\u201cAs significativas disparidades raciais quanto \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar que existiam antes da COVID-19 permanecem na esteira da pandemia\u201d, a estimativa \u00e9 que, no decorrer do ano,\u00a0\u201c21% dos indiv\u00edduos negros (1 em cada 5) podem sofrer de inseguran\u00e7a alimentar, em compara\u00e7\u00e3o com 11% dos indiv\u00edduos brancos (1 em cada 9).\u201d<\/p>\n<p>Ainda segundo o Programa Alimentar Mundial das Na\u00e7\u00f5es Unidas, hoje, j\u00e1 h\u00e1 cerca de 34 milh\u00f5es habitantes do planeta que est\u00e3o, literalmente, \u00e0 beira de morrer de fome caso nenhuma medida seja tomada imediatamente, o que exigiria o investimento anual, urgente, de 5,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (ou algo perto de R$ 30 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>N\u00fameros que podem parecer absurdos e \u201cde outro mundo\u201d para a maioria de n\u00f3s. Mas que se tornam simplesmente odiosos, considerando que esta dinheirama toda \u00e9 trocado nas m\u00e3os dos dois mil e tanto bilion\u00e1rios citados acima e seus R$ 73 trilh\u00f5es. Um n\u00famero ainda mais inaceit\u00e1vel quando comparado \u00e0 perda de renda da enorme maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial.<\/p>\n<p><strong>Os \u201cde cima\u201d enriquecem, os \u201cde baixo\u201d perdem emprego e renda<\/strong><\/p>\n<p>Como<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/63407-2\/\">\u00a0noticiado<\/a>\u00a0no site da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), em 24\/03\/2021, no artigo \u201cDesemprego, flagelo do capitalismo\u201d,\u00a0\u201csegundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego mundial antes da pandemia era de 187,7 milh\u00f5es, em 2019, em si um n\u00famero escandaloso, que se agravou com (\u2026) a pandemia do Covid-19, arrastando consequ\u00eancias como a recess\u00e3o econ\u00f4mica mundial, chegando a 190,3 milh\u00f5es de desempregados em 2020.\u201d\u00a0Uma taxa que, em 2021, deve crescer em 5,5%, saltando para 193,7 milh\u00f5es de desempregados.<\/p>\n<p>E isto ainda n\u00e3o \u00e9 tudo. Ao lado dos 187,7 milh\u00f5es de desempregados, h\u00e1 165 milh\u00f5es de subempregados (pessoas que trabalham menos horas remuneradas do que o desejado) e 119 milh\u00f5es que simplesmente deixaram de procurar emprego.<\/p>\n<p>Como noticiado pela BBC News Brasil, em 11\/10\/2020, em base a dados divulgados pelo Banco Mundial, em um artigo intitulado \u201cOs c\u00e1lculos preveem mais 115 milh\u00f5es de pessoas na mis\u00e9ria no mundo, enquanto a fortuna de bilion\u00e1rios cresceu 27%\u201d, anunciando que este n\u00famero, em 2021, pode crescer para 150 milh\u00f5es. E isto considerando o absurdo crit\u00e9rio internacional para defini\u00e7\u00e3o de \u201cextrema pobreza\u201d: uma renda di\u00e1ria de at\u00e9 US$ 1,9 (cerca de R$ 10).<\/p>\n<p>Em 2020, as maiores perdas de empregos foram registradas nas Am\u00e9ricas (10,3%), particularmente a Am\u00e9rica Latina, onde, segundo a Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal),\u00a0a pandemia est\u00e1 causando um aumento sem precedentes nos n\u00edveis de pobreza.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio \u201cPanorama Social da Am\u00e9rica Latina 2020\u201d, divulgado em mar\u00e7o de 2021, no ano passado a Am\u00e9rica Latina registrou em 22 milh\u00f5es de novos pobres, totalizando 209 milh\u00f5es de indiv\u00edduos em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. Destes, 78 milh\u00f5es (12,5% da popula\u00e7\u00e3o total) est\u00e3o em extrema pobreza, 8 milh\u00f5es a mais do que em 2019, os n\u00fameros mais altos desde 2008 e particularmente elevados entre as mulheres, que t\u00eam sido as mais afetadas pela crise.<\/p>\n<p>Aqui, no Brasil, como no resto do mundo, o desemprego vem acompanhado do aumento da mis\u00e9ria. Segundo a Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV), durante a pandemia, cerca de 18 milh\u00f5es de pessoas passaram a viver abaixo da linha de pobreza. Em agosto de 2020, era 9,5 milh\u00f5es (4,5% da popula\u00e7\u00e3o). Em fevereiro de 2021, se contabilizavam 27,2 milh\u00f5es de famintos (12,8% da popula\u00e7\u00e3o). E vale lembrar que o conceito de \u201cpobreza\u201d nestas pesquisas, na verdade, define a pr\u00f3pria mis\u00e9ria: para eles, \u201cpobre\u201d \u00e9 quem sobrevive com at\u00e9 R$ 246,00 por m\u00eas; ou seja, pouco mais de R$ 8,00 por dia.<\/p>\n<p>Ainda segundo a FGV, somente no primeiro trimestre da pandemia, a\u00a0renda individual do trabalho do brasileiro teve uma queda m\u00e9dia de 20,1%. E, como acontece em rela\u00e7\u00e3o a todos os demais dados relativos \u00e0 desigualdade socioecon\u00f4mica no Brasil (inclusive o n\u00fameros relativos \u00e0s mortes pela Covid e \u00edndices sobre a fome), as maiores quedas foram registradas entre os n\u00e3o-brancos, os n\u00e3o-alfabetizados e os mais jovens.<\/p>\n<p><strong>Para por fim \u00e0 gan\u00e2ncia, \u00e9 preciso lhes tirar o poder<\/strong><\/p>\n<p>Como vimos, os 2.755 super-ricos acumularam seus R$ 73 trilh\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 em meio a maior crise sanit\u00e1ria da Hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m quando o capitalismo atravessa sua maior crise desde os anos 1930. Prova de que n\u00e3o estamos, de forma alguma, no \u201cmesmo barco\u201d. O nosso est\u00e1 apinhado de dor e sofrimento, tal qual os tumbeiros da \u00e9poca da escravid\u00e3o. O deles \u00e9 um iate de luxo, navegando alegremente em um oceano de dinheiro.<\/p>\n<p>E a prova contundente de que eles n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed \u00e9 que, para aumentar ainda mais suas fortunas, a burguesia amplia ainda mais o abismo entre os pobres e um prato de comida descente. No mesmo per\u00edodo em que duplicaram, triplicaram ou at\u00e9 quintuplicaram suas fortunas, tamb\u00e9m houve um aumento astron\u00f4mico dos pre\u00e7os, principalmente de alimentos e bebidas (alguns dos setores que mais lucraram em 2020), cujos pre\u00e7os subiram, em m\u00e9dia, 15% no \u00faltimo ano, quase tr\u00eas vezes a infla\u00e7\u00e3o oficial, que atingiu 5,2%, conforme o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA).<\/p>\n<p>Aumentos que atingiram principalmente os itens da cesta b\u00e1sica, como o arroz, que ficou quase 70% mais caro nos \u00faltimos 12 meses, do feij\u00e3o preto (50%), da batata inglesa (47%), da cebola (69%), do lim\u00e3o (79%).<\/p>\n<p>Diante de tudo isto, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o remediada. N\u00e3o h\u00e1 reforma poss\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 como conciliar os interesses de um punhado de 1% de seres desumanos com as necessidades extremas de 99% da humanidade. Seja em uma \u201cunidade nacional\u201d, como querem as dire\u00e7\u00f5es do PT, do PSOL, do PCdoB etc.,\u00a0 constru\u00edda num muito distante 2022 e num processo eleitoral de cartas marcadas; seja, muito menos, se subordinando ao capital estrangeiro, ao imperialismo mundial, aos banqueiros, latifundi\u00e1rios e a patronal de conjunto.<\/p>\n<p>O abismo cavado pela burguesia n\u00e3o pode ser remendado. \u00c9 preciso aterr\u00e1-lo por completo. E, pra isto, \u00e9 preciso que os trabalhadores e trabalhadoras, o povo pobre e oprimido retomem para suas m\u00e3os as riquezas que eles pr\u00f3prios produzem. Por isso, o PSTU defende a necessidade da expropria\u00e7\u00e3o dos grandes grupos nacionais e estrangeiros \u2013 ind\u00fastria, com\u00e9rcio, latif\u00fandios e servi\u00e7os \u2013, a expropria\u00e7\u00e3o dos bancos e a centraliza\u00e7\u00e3o de todo o sistema financeiro em um \u00fanico banco nacional.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 necess\u00e1rio que se suspenda o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica, que se coloque um final na indecente ciranda da especula\u00e7\u00e3o financeira e nas privatiza\u00e7\u00f5es, reestatizando as empresas privatizadas, acabando com os subs\u00eddios e ren\u00fancias fiscais que beneficiam ainda mais os super-ricos.<\/p>\n<p>Contudo, isso s\u00f3 significaria assentar os alicerces para acabar com a enorme desigualdade socioecon\u00f4mica em que vivemos. A constru\u00e7\u00e3o de mundo novo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando os trabalhadores assumam o controle da economia e, assim, possam definir o destino da humanidade, arrancando-a da barb\u00e1rie vigente. Algo que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel com um governo socialista dos trabalhadores, baseado na mobiliza\u00e7\u00e3o popular e em conselhos populares eleitos democraticamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um ano, a pandemia da Covid-19 j\u00e1 matou quase 3 milh\u00f5es de pessoas no mundo, sendo quase 350 mil delas no Brasil que, hoje, carrega a vergonhosa marca de responder por um ter\u00e7o das mortes di\u00e1rias causadas pelo coronav\u00edrus. 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