{"id":63535,"date":"2021-04-10T13:23:34","date_gmt":"2021-04-10T16:23:34","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63535"},"modified":"2021-04-10T13:23:34","modified_gmt":"2021-04-10T16:23:34","slug":"os-aspectos-militares-da-comuna-de-paris","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/04\/10\/os-aspectos-militares-da-comuna-de-paris\/","title":{"rendered":"Os aspectos militares da Comuna de Paris"},"content":{"rendered":"<p><em>Em setembro de 1862, o rei Guilherme I da Pr\u00fassia, diante de uma s\u00e9ria crise pol\u00edtica, nomeou como seu homem forte o conde Otto von Bismarck, para chefiar seu governo. Com ele a reestrutura\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito prussiano, em curso, ganha novo impulso, levada a cabo pelo Marechal Helmuth von Moltke, em base a muitas das ideias de Clausewitz.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito passou a ser modernizado, com os canh\u00f5es Krupp (mais fortes, precisos, r\u00e1pidos e resistentes), utilizando amplamente a rede ferrovi\u00e1ria para o transporte de tropas, a conscri\u00e7\u00e3o ampla e novos m\u00e9todos para operar nos campos de batalha.<\/p>\n<p>Com isso a Pr\u00fassia se lan\u00e7a na guerra contra a Dinamarca, derrotando esta em julho de 1864, e a Pr\u00fassia conquista de volta dois territ\u00f3rios, para serem administrados junto com a \u00c1ustria. Uma nova guerra \u00e9 desencadeada contra a \u00c1ustria, em 1866, onde ganha a Pr\u00fassia e com isso constitui a Confedera\u00e7\u00e3o da Alemanha do Norte. Engels considerou este processo como revolucion\u00e1rio.<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a na d\u00e9cada de 1860 houve algumas concess\u00f5es democr\u00e1ticas, como legaliza\u00e7\u00e3o das greves e alguma liberdade de imprensa e de reuni\u00e3o, mas se mantinha como um Estado policial, onde a pol\u00edcia pol\u00edtica controlava os 170 mil parisienses, com 4 mil policiais e incont\u00e1veis infiltrados. O governo de Napole\u00e3o III tinha muitos problemas e por isso decidiu ir \u00e0 guerra contra Alemanha, para ver se recuperava seu desgaste interno. Alegou que os Hohenzollern queriam tomar o trono da Espanha e a Fran\u00e7a ficaria cercada. A guerra foi declarada em julho de 1870.<\/p>\n<p>Diferente do que pretendia Napole\u00e3o III a guerra levou ao desmoronamento do Segundo Imp\u00e9rio Franc\u00eas e a constitui\u00e7\u00e3o da Terceira Republica, com a captura de Napole\u00e3o na Batalha de Sedan, e a perda das regi\u00f5es da Als\u00e1cia e Lorraine<\/p>\n<p>A partir da\u00ed a guerra de defesa da Alemanha, contra Louis Bonaparte, se transforma em uma guerra de conquista contra o povo franc\u00eas<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p><strong>Paris operaria, faminta e armada<\/strong><\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o de Paris foi de 1 milh\u00e3o em 1850 para 2 milh\u00f5es em 1870, 500 mil eram classificados como indigentes. Novas f\u00e1bricas chegaram e a popula\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria cresceu muito. O governo calculava que 70% da popula\u00e7\u00e3o passava fome. A infla\u00e7\u00e3o era alta e os sal\u00e1rios baixos, os sindicatos ilegais.\u00a0Muitas oper\u00e1rias mulheres trabalhavam nas f\u00e1bricas, ganhando metade dos sal\u00e1rios dos homens, principalmente na ind\u00fastria t\u00eaxtil.<\/p>\n<p>Os parisienses aptos a pegar em armas entraram na Guarda Nacional e foram armados, de modo que os oper\u00e1rios formavam agora a sua grande maioria. Eles elegiam seus comandantes de companhia, que elegiam os comandantes de batalh\u00e3o. Eram 254 batalh\u00f5es em finais de setembro de 1870 com cerca de 300 mil combatentes.<\/p>\n<p>As tropas republicanas tentaram mais um ataque contra os alem\u00e3es em 19 de janeiro, com uma for\u00e7a de 100 mil soldados, comandados por Trochu. Avan\u00e7ou sobre as tropas prussianas, mas foram derrotados, com a perda de mais 4 mil soldados. Isso criou uma desmoraliza\u00e7\u00e3o muito grande nas tropas burguesas e a um levante nos bairros oper\u00e1rios de Paris, com nova repress\u00e3o por parte das tropas do governo que atiraram nos manifestantes por ordem de Gustave Chaudey e mataram cinco pessoas.<\/p>\n<p>Finalmente em 26 de janeiro Paris capitulou \u00e0s tropas germ\u00e2nicas e no dia 28 o governo concordou com o armist\u00edcio. A Fran\u00e7a teve que pagar uma grande indeniza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de entregar territ\u00f3rios e o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o foi proclamado no Pal\u00e1cio de Versalhes.<\/p>\n<p>As fortifica\u00e7\u00f5es renderam-se, as trincheiras foram desarmadas, as armas da linha e a Guarda M\u00f3vel entregues. Mas a Guarda Nacional conservou as suas armas e canh\u00f5es, e colocou-se apenas em situa\u00e7\u00e3o de armist\u00edcio.<\/p>\n<p>A Guarda Nacional havia se reorganizado desde fevereiro quando o Comit\u00ea Central passou a ser o seu comando geral, eleito pelo conjunto da tropa, e em mar\u00e7o elege o seu Comit\u00ea Executivo. Na v\u00e9spera da entrada dos prussianos em Paris, o Comit\u00e9 Central tomou medidas para o transporte para Montmartre, Belleville e La Vilette dos seus canh\u00f5es e metralhadoras<em>. <\/em>De 300 mil Guardas Nacionais apenas 300 responderam ao chamado de desarmamento de Thiers.<\/p>\n<p>A Guarda Nacional era organizada em companhias formadas com gente dos arredores e dos bairros<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, reunindo vizinhos e colegas de trabalho. Cada companhia elegia um delegado que atuaria como \u201c<em>policial pol\u00edtico e militar<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p><strong>A capitula\u00e7\u00e3o e o novo governo<\/strong><\/p>\n<p>Adolphe Thiers foi eleito em 08 de fevereiro para o novo governo da Rep\u00fablica, dias depois se estabeleceu em Versalhes, distante da Paris prolet\u00e1ria, onde j\u00e1 se encontrava a alta burguesia como os Rothschild, apoiado majoritariamente pelos parlamentares conservadores, mas tamb\u00e9m por setores da esquerda tradicional.<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>A Assembleia Nacional da Rep\u00fablica aprovou leis que prejudicavam os trabalhadores, proibiu os jornais de esquerda e condenou a pris\u00e3o August Blanqui e Gustave Flourens, este a revelia. Suspendeu o pagamento dos guardas nacionais, deixando milhares de fam\u00edlias sem rendimentos. Isso porque seu principal objetivo era desarmar a classe operaria na cidade.<\/p>\n<p><strong>A provoca\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Thiers necessitava desarmar a classe operaria e para isso desencadeou uma guerra civil, enviando o general Vinoy, com os <em>sergents-de-ville <\/em>e alguns regimentos de linha numa expedi\u00e7\u00e3o noturna contra Montmartre, para tomar ali, de surpresa, a artilharia da Guarda Nacional, em 18 de Mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular os impediu, tendo \u00e0 frente dirigentes altamente populares<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a> como Louise Michel, Emile Duval e \u00a0Eugene Varlin, o presidente do Comit\u00ea Central da Guarda Nacional era um florista, Edouard Moreau, \u201c<em>um enxame de mulheres e crian\u00e7as subiu as encostas dos morros<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a> O oficial bonapartista, general Lecomte, tinha dado a ordem de fazer fogo contra a popula\u00e7\u00e3o desarmada na Place Pigalle, seus homens se recusaram, e em vez de atirar sobre as mulheres e crian\u00e7as, atiraram sobre ele e executaram Cl\u00e9ment Thomas.<\/p>\n<p>A partir da\u00ed os oper\u00e1rios tomaram posse de Paris e o Comit\u00e9 Central da Guarda Nacional passou a ser o governo provis\u00f3rio. Tomaram a sede da pol\u00edcia e o Hotel de Ville.<\/p>\n<p>Em 26 de mar\u00e7o foi feita a elei\u00e7\u00e3o para a Comuna, composta tamb\u00e9m por membros da Guarda Nacional. Politicamente a maioria era blanquista. O Comit\u00e9 Central da Guarda Nacional, que at\u00e9 o momento dirigia o governo provis\u00f3rio, demitiu-se a favor dela.<\/p>\n<p>Para garantir seu governo os membros da Comuna pediram empr\u00e9stimos ao Banco de Fran\u00e7a e foram prontamente atendidos, mas nunca confiscaram nenhum tost\u00e3o dos bancos. Tiveram um \u201csagrado respeito\u201d com o Banco de Fran\u00e7a. Que \u201cvalia mais do que dez mil ref\u00e9ns\u201d.<\/p>\n<p>\u201c<em>A <\/em><em>Comuna<\/em><em> era, assim, o verdadeiro representante de todos os elementos s\u00e3os da sociedade francesa e, portanto, o verdadeiro governo nacional, ela era ao mesmo tempo, como governo de oper\u00e1rios, como campe\u00e3 intr\u00e9pida da emancipa\u00e7\u00e3o do trabalho, expressivamente internacional.<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p><strong>A base da contrarrevolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A primeira tentativa de Thiers subjugar Paris foi atrav\u00e9s dos prussianos para ocup\u00e1-la, mas Bismarck se recusou, com medo das repercuss\u00f5es deste enfrentamento. A segunda foi em 18 de mar\u00e7o e fracassou frente a resist\u00eancia parisiense.<\/p>\n<p>No entanto, gra\u00e7as a falta de iniciativa de Comuna em atacar, Thiers teve tempo para preparar uma nova ofensiva. Seu primeiro passo foi reconstruir o ex\u00e9rcito, baseado nos bonapartistas da \u201cSociedade dos Amigos da Ordem\u201d<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, al\u00e9m de uma horda de bonapartistas, orlenanistas, cl\u00e9rigos e conservadores, que formaram um agrupamento paramilitar destes setores de direita, decididos a destruir a rep\u00fablica democr\u00e1tica e social. Mas foi decisivo foi \u201cmendigar\u201d ao governo prussiano, a restitui\u00e7\u00e3o dos soldados franceses prisioneiros de Sedan e Metz. Com a assinatura do Tratado de Frankfurt Bismark liberou os soldados presos para o Ex\u00e9rcito de Versalhes. Eles representavam 25% dos 130 mil soldados. <a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a><\/p>\n<p>Com isso os combates voltaram a se dar em 30 de mar\u00e7o com os versalheses sob o comando do general Gaston Gallifet, nos arredores de Paris, e os comunardos fugindo destes pequenos embates. Em 02 de abril os versalhenses venceram a resist\u00eancia e tomaram Couerbevoie, ponto chave na defesa de Paris. Os trinta soldados da Guarda Nacional feitos prisioneiros foram fuzilados.<\/p>\n<p>Somente quando receberam esta not\u00edcia alguns membros da Comuna como Duval passaram a defender um ataque a Versalhes. Realizaram um ataque em 03 de abril, com 20 mil combatentes, chefiados por Emile Eudes, Gustave Flourens e Duval. Mas foram derrotados, frente ao violento bombardeio que se iniciou logo a sa\u00edda de Paris. Somente a tropa de Eudes teve algum avan\u00e7o, e logo teve que recuar. Duval e Flourens foram capturados. Flourens foi retalhado ali mesmo as margens do Sena e o fundidor Duval fuzilado pelas tropas, sem nenhum julgamento. Como resultado os versalhenses lan\u00e7aram um contra-ataque no dia seguinte capturando v\u00e1rias \u00e1reas perto de Paris.<\/p>\n<p>Entre 12 e 15 de abril os versalhenses atacaram e ocuparam v\u00e1rios fortes como Vanves Issys, a comuna perdeu cerca de 3 mil combatentes.<\/p>\n<p>Enquanto isso os prisioneiros parisienses levados para Versalhes eram submetidos a atrocidades, massacrados a sangue-frio.<\/p>\n<p>Com a assinatura final do tratado de paz entre Fran\u00e7a e Alemanha em 20 de maio o ataque total que era programado para o dia 22 ou 23, se antecipou para o dia 21. As tropas comandadas pelo general Felix Douay entraram na capital pela Ponte de Saint Cloud apoiados pelos \u201cVolunt\u00e1rios do Sena\u201d que entraram em Paris comandados por Arthur Grandeffe.<\/p>\n<p><strong>Os desencontros do comando<\/strong><\/p>\n<p>Quando realizavam as reuni\u00f5es da Comiss\u00e3o de Guerra, com os comandantes Jaroslaw Dombrowsky, Walery Wroblewski e Napole\u00e3o La Cecilia, ficava n\u00edtida a debilidade do comando e a desordem total. Al\u00e9m disso, havia os conflitos entre o Comit\u00ea Executivo da Comuna e o CC da Guarda Nacional constantemente, cada um tendo sua diretriz, n\u00e3o s\u00f3 sem coordena\u00e7\u00e3o, mas muitas vezes em sentidos opostos<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Era constante nas legi\u00f5es de combate o rumor de uma ruptura entre o CC da Guarda Nacional e o Comit\u00ea de Salva\u00e7\u00e3o Publica.<\/p>\n<p>Apesar de haver informa\u00e7\u00f5es centralizadas no Hotel de Ville, havia uma aus\u00eancia de lideran\u00e7a militar efetiva. Os soldados descreviam um clima de completa improvisa\u00e7\u00e3o, incoer\u00eancia e caos, com um cen\u00e1rio de turba, \u201c<em>em que todo mundo comanda e ningu\u00e9m obedece<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>\u201d A Comiss\u00e3o Executiva n\u00e3o sabia comandar, o Comit\u00ea Central n\u00e3o queria se subordinar. O Comit\u00ea Central reclama da incompet\u00eancia da Comuna, mas era incapaz de articular uma orienta\u00e7\u00e3o precisa<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Quando decidiam atacar o faziam de maneira desordenada e sem um plano pr\u00e9-concebido rumando para verdadeiras aventuras, como o ataque de 3 de abril<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. \u201c<em>A aus\u00eancia de um planejamento centralizado para a defesa da capital estava mais tristemente aparente<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a> A \u00fanica ordem que os oficiais recebiam \u00e9 \u201c<em>Defendei-vos<\/em>\u201d. N\u00e3o houve plano geral, nem Conselho Geral de defesa e nem fiscaliza\u00e7\u00e3o das ordens dadas. Havia um clima de neglig\u00eancia e indisciplina. A Corte Marcial que tentava dar puni\u00e7\u00f5es aos relapsos logo era desautorizada pelo Comit\u00ea Executivo que cassava suas senten\u00e7as alegando que tinha \u201cespirito politic\u201d<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>No dia 21 de maio, logo da invas\u00e3o de Paris, a \u00faltima sess\u00e3o do Conselho da Comuna n\u00e3o deliberou sobre nada, nem apontou uma Assembleia permanente ou a convocar o Comit\u00ea de Salva\u00e7\u00e3o Nacional<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Enfim nenhuma delibera\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> O Estado Maior negou a entrada dos versalhenses, o delegado civil do comit\u00ea de Guerra: Louis Charles Delescluze se recusou a aceitar a not\u00edcia e dar o alerta.<\/p>\n<p>\u201c<em>Se a m\u00ednima vis\u00e3o de conjunto dirigisse tal esfor\u00e7o, se Montmartre e o Pantheon cruzassem os seus fogos, se houvesse alguma explos\u00e3o habilmente preparada, o Ex\u00e9rcito Versalhes bem depressa teria dado meia-volta. Mas os federados sem dire\u00e7\u00e3o, sem conhecimento de guerra, n\u00e3o enxergaram para al\u00e9m de seus bairros, quando n\u00e3o de suas ruas<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a><\/p>\n<p><strong>Provocadores<\/strong><\/p>\n<p>Havia tamb\u00e9m a a\u00e7\u00e3o dos infiltrados e provocadores, muitos deles sobre o comando de Le Mere de Beaufond, ex-oficial da marinha. Seus principais ajudantes eram antigos funcion\u00e1rio p\u00fablicos e do banco, e ex-militares da Legi\u00e3o como Schoelcher Lasnier. Eles tinham contato na Escola Militar, na Comiss\u00e3o de Guerra e com oficiais nas legi\u00f5es da Guarda Nacional. Realizavam intrigas estre estes oficiais e faziam circular boatos sobre os enfrentamentos entre a Comuna e o Comit\u00ea Central. Tentaram inclusive comprar os comandantes da Comuna<a href=\"#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a>.<\/p>\n<p>O blanquista Raoul Rigault assumiu a chefatura da pol\u00edcia, mantendo uma parte do pessoal, substituindo todos os diretores<a href=\"#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. Libertou os revolucion\u00e1rios que estavam presos, vasculhou os arquivos, que evitou que fossem destru\u00eddos, com objetivo de descobrir o nome dos espi\u00f5es. Realizou um grande arquivo com todos os poss\u00edveis infiltrados, fazendo verifica\u00e7\u00f5es cruzadas, com seus endere\u00e7os, suas fun\u00e7\u00f5es e seus h\u00e1bitos, e organizou a persegui\u00e7\u00e3o aos provocadores, enquanto cumpria as resolu\u00e7\u00f5es da Comuna no que dizia respeito a melhorar o regime de carcer\u00e1rio e a legalidade das deten\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a><\/p>\n<p>Cournet, seu substituto, foi mais relapso e deixou v\u00e1rios provocadores versalhenses fugirem<a href=\"#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>O centro de paris<\/strong><\/p>\n<p>Inicialmente entraram 50 mil soldados de Versalhes na cidade, mas logo todos os 130 mil ocuparam v\u00e1rios distritos e o dep\u00f3sito de p\u00f3lvora. Surpreendentemente nenhum fogo de canh\u00e3o os recebeu demonstrando a falta de coordena\u00e7\u00e3o e adequa\u00e7\u00e3o da defesa militar da Comuna.<a href=\"#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p>Em Trocero fizeram 1,5 mil prisioneiros e acabaram com as ilus\u00f5es iniciais da Comuna. Seguiram para o Champs-Elysees e tomaram o Pal\u00e1cio da Ind\u00fastria. A bandeira tricolor foi posta no Arco do Triunfo. Os comunardos simplesmente abandonaram a defesa oeste de Paris. Em 24 horas j\u00e1 tinham ocupado um ter\u00e7o da cidade, executando sumariamente os comunardos.<\/p>\n<p>A coluna dos versalhenses ent\u00e3o se dirigiu a Montemartre, passando pelas barricadas organizadas por Jaros\u0142aw Dombrowski<a href=\"#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Deleschuze chamou os parisienses a assumir a luta \u201c<em>A guerra revolucion\u00e1ria<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>, mas somente na \u00faltima hora, ao mesmo tempo em que decretou o alistamento em massa.<\/p>\n<p>O centro de Paris ficou nas m\u00e3os das tropas contrarrevolucionarias, com o comando de Ernest Cissey, avan\u00e7aram para Los Invalides e Escole Militaire, enquanto os comunardos fugiam para salvar a pr\u00f3pria vida atravessando o Sena com destino a Tulherias. Os moradores ricos de Paris come\u00e7aram a voltar.<\/p>\n<p>Os comunardos recuavam para os bairros mais pobres, ao leste, e organizavam a resist\u00eancia nos \u201c<em>quartiers populaires<\/em>\u201d. \u00a0Neste momento contra os 130 mil soldados de Versalhes, a Comuna tinha somente 20 mil<a href=\"#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Os inc\u00eandios<\/strong><\/p>\n<p>Os comunardos passaram a queimar os pr\u00e9dios dos bairros que abandonavam, na \u00faltima tentativa de resist\u00eancia. Delescluze e Alfred Edouard Billioray assinaram uma ordem que dizia \u201c<em>Explodam ou incendeiem as casas que possam interferir em seu sistema de defesa. As barricadas n\u00e3o devem estar sujeitas a ataques vindos das casas<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>Rigoult prop\u00f4s explodir as pontes. A ordem da dire\u00e7\u00e3o militar era queimar as casas de onde partissem tiros contra as barricadas. Incendiaram o Pal\u00e1cio das Tulherias, s\u00edmbolo da autoridade governamental; o Palais de Justice , as Cour des Comptes, o Palais de la L\u00e9gion d&#8217;Honneur, e parte do Palais-Royal al\u00e9m de outros edif\u00edcios e antigas institui\u00e7\u00f5es governamentais.<\/p>\n<p>Oliver Lissagaray afirmava que era melhor queimar as casas que deix\u00e1-las ao inimigo e Louise Michell amea\u00e7ou \u201c<em>Paris ser\u00e1 nossa ou deixar\u00e1 de existir<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. Para Marx \u201c<em>O governo de Versalhes grita: \u00abIncendiarismo!\u00bb e sussurra a deixa a todos os seus agentes at\u00e9 ao mais remoto povoado: dar ca\u00e7a por toda a parte aos seus inimigos como suspeitos de profissionais do incendiarismo. A burguesia do mundo inteiro, que olha complacentemente o massacre em grande escala depois da batalha, fica convulsiva de horror \u00e0 profana\u00e7\u00e3o do tijolo e da argamassa!\u201d<a href=\"#_ftn31\" name=\"_ftnref31\"><strong>[31]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p><strong>As barricadas<\/strong><\/p>\n<p>Era dif\u00edcil fazer barricadas nos bulevares, diferente das ruas estreitas, e o ex\u00e9rcito de Versalhes as explodia quando podia ou atacava pelos flancos, correndo pelas ruas adjacentes ou entrando em pr\u00e9dios pr\u00f3ximos, em casas correndo pelos telhados (ainda mais se estas casas eram habitadas por gente rica), e assim atirando nas barricadas.<a href=\"#_ftn32\" name=\"_ftnref32\">[32]<\/a> Um dos erros t\u00e1ticos dos comunardos eram n\u00e3o proteger estes flancos.<\/p>\n<p><em>\u201cEm lugar de duzentas barricadas estrat\u00e9gicas, solid\u00e1rias, f\u00e1ceis de defender, com 7000 ou 8000 homens, foram semeadas centenas, imposs\u00edveis de guarnecer. O erro geral foi acreditar que o ataque viria de frente, ao passo que os versalhenses executaram por toda parte movimentos de contorno<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn33\" name=\"_ftnref33\">[33]<\/a><\/p>\n<p>As mulheres estiveram na linha de frente de defesa das barricadas, Nathalie Lemel foi uma das hero\u00ednas na barricada de Place Blanche, com mais 120 comunardas em seu \u201cbatalh\u00e3o de amazonas\u201d<a href=\"#_ftn34\" name=\"_ftnref34\">[34]<\/a>, ofereceu forte resist\u00eancia aos invasores, as \u201cHero\u00ednas de Paris\u201d.<a href=\"#_ftn35\" name=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n<p>\u201c<em>Ent\u00e3o foi inventada a lenda das petroleiras, que, difundida pela imprensa custou a vida de centenas de infelizes. Correu o rumor que megeras atiravam petr\u00f3leo em chamas no por\u00e3o. Toda mulher malvestida carregando uma lata de leite, um frasco, uma garrafa vazia, pode ser acusada de petroleira. Arrastada em farrapos at\u00e9 o muro mais pr\u00f3ximo, e morta a tiro de revolver<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn36\" name=\"_ftnref36\">[36]<\/a><\/p>\n<p><strong>A resist\u00eancia em montmartre<\/strong><\/p>\n<p>Em Montmartre, onde a Comuna tinha tido in\u00edcio, era o ponto mais forte para a defesa. Quem comandou a resist\u00eancia foi o general Napole\u00e3o La Cecilia, mas como era corso tinha dificuldade com o franc\u00eas, talvez por isso reclamasse \u201cN\u00e3o me obedecem\u201d<a href=\"#_ftn37\" name=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. As barricadas estavam desorganizadas e os soldados da Guarda Nacional abatidos. Ele encontrou 85 canh\u00f5es sem uso h\u00e1 dois meses, alguns totalmente inutilizados. As granadas de Montmartre, Belleville e Menilmontant n\u00e3o iam longe.<\/p>\n<p>Os canh\u00f5es tinham sido tratados de maneira negligente em sua manuten\u00e7\u00e3o e demoraram muito a disparar, s\u00f3 o fazendo quando os versalhenses j\u00e1 estavam bem protegidos. \u201c<em>Oitenta e cinco canh\u00f5es e cerca de 20 metralhadoras jazem a\u00ed em sujos, desordem<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn38\" name=\"_ftnref38\">[38]<\/a>, n\u00e3o h\u00e1 parapeitos, blindagens ou plataformas.<\/p>\n<p>O que somente foi compensado pela bravura dos combatentes e seus comandantes como Benoit Malon, Elisabeth Dimitrieff e Louise Michel, que quando n\u00e3o\u00a0 tinham mais muni\u00e7\u00e3o e obuses usam pedras e betume, mas recusam a se render.<\/p>\n<p>Os versalhenses, por tr\u00eas posi\u00e7\u00f5es diferentes e comandados por Chinchant, passaram por Batignolles e avan\u00e7am para Montmartre. Dombroski foi morto na barricada da rua Myrha.<\/p>\n<p>A fama de Montmartre era t\u00e3o grande que Mac-Mahon somente atacou quando chegaram suas melhores tropas, estes milhares de soldados levaram horas, s vezes, para tomar barricadas defendidas por uma dezena de atiradores. Os que resistiam praticamente n\u00e3o tinham nem comida nem muni\u00e7\u00e3o. Os \u201cVolunt\u00e1rios do Sena\u201d fizeram 2 mil prisioneiros nas buscas de casa em casa. Instalaram uma corte marcial onde centenas foram executados. A queda de Montmartre foi o golpe moral na resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Os versalhenses matavam indiscriminadamente ao longo do caminho, homens, mulheres, crian\u00e7as, m\u00e9dicos que tratavam os feridos e seus soldados que se recusavam a matar mulheres e crian\u00e7as. Um verdadeiro massacre foi realizado neste bairro.<\/p>\n<p>Avan\u00e7aram para Bellaville, onde os comunardos ainda resistiam com artilharia e muni\u00e7\u00e3o. A 11a Legi\u00e3o da Guarda Nacional passa a ser a tropa central para a defesa . Onde a resist\u00eancia foi tenaz e destemida, neste bairro que tinha uma organiza\u00e7\u00e3o mais eficiente que qualquer outra regi\u00e3o, mas ainda com barricadas inadequadas e canh\u00f5es insuficientes. Mas o elemento fundamental para sua derrota foi o isolamento<a href=\"#_ftn39\" name=\"_ftnref39\">[39]<\/a>.<\/p>\n<p>O \u00faltimo lugar importante a ser tomado foi a Bastilha. Wroblewski organizou a brava resist\u00eancia no local, for\u00e7ado a retirar-se ele recua e cruza o Sena ainda com mil combatentes e alguns canh\u00f5es<a href=\"#_ftn40\" name=\"_ftnref40\">[40]<\/a>. \u201c<em>Nesta batalha de rua, como em campo aberto, as crian\u00e7as se mostraram grandes como os homens<\/em>\u201d<a href=\"#_ftn41\" name=\"_ftnref41\">[41]<\/a>.<\/p>\n<p>Em 25 de maio Eugene Varlin substituiu Delescluze como secret\u00e1rio para guerra, mas por pouco tempo. Foi um dos \u00faltimos a abandonar o comando recuando at\u00e9 Belleville e foi morto ap\u00f3s a tomada deste basti\u00e3o. Junto com Ranvier \u201ca alma de La Villete e de Belleville\u201d<a href=\"#_ftn42\" name=\"_ftnref42\">[42]<\/a>, comandam a resist\u00eancia ao lado do que sobrou do Comit\u00ea Central da Guarda Nacional.<\/p>\n<p><em>Em 28 de Maio, os \u00faltimos combatentes <\/em>da Comuna sucumbiram, nas encostas de Belleville e Montmartre.<\/p>\n<p><strong>O fim da semana sangrenta<\/strong><\/p>\n<p>O massacre durante toda a semana foi grande e teve seu ponto culminante com centenas de vencidos abatidos \u00e0 metralhadora. As baixas do ex\u00e9rcito de Versalhes totalizaram 873 mortos e 6.424 feridos. As v\u00edtimas da Comuna nunca foram contadas oficialmente, mas se estima 6 a 7 mil combatentes al\u00e9m de cerca de 17 mil fuzilamentos sem julgamentos, chegando com a um total de 35 mil mortos, somando-se todas as v\u00edtimas, o que \u00e9 poss\u00edvel j\u00e1 que em Belleville foram 2 mil.<a href=\"#_ftn43\" name=\"_ftnref43\">[43]<\/a> Tamb\u00e9m foram feitos cerca de 35.000 prisioneiros levados a ferros, em navios, para a Bretanha, e 4.500 degredados para a Nova Caled\u00f4nia<\/p>\n<p>O \u00abMuro dos Federados\u00bb no Cemit\u00e9rio do P\u00e8re-Lachaise foi um dos lugares dos fuzilamentos em massa. Os prisioneiros que foram levados para o quartel Lobau em Varsalhes, chamado o \u201cAbate de Versalhes\u201d, tamb\u00e9m eram sumariamente mortos.<\/p>\n<p>Aos bandos paramilitares foram distribu\u00eddas bra\u00e7adeiras tricolores, para que oficialmente pudessem realizar a matan\u00e7a, muitos deles que n\u00e3o participaram dos combates.<a href=\"#_ftn44\" name=\"_ftnref44\">[44]<\/a> O general Gaston Gallifet ficou conhecido como \u201cA estrela do Terror Tricolor\u201d e afirmava preferir ser conhecido como \u201cum grande assassino do que como um pequeno homicida\u201d<a href=\"#_ftn45\" name=\"_ftnref45\">[45]<\/a>. Mas o arquiteto de tudo era Thiers que queria que a maior quantidade de combatentes fosse mortos em Paris para que o m\u00ednimo chegasse a Versalhes. Foi proclamado presidente da Terceira Rep\u00fablica em agosto deste ano.<\/p>\n<p>Cerca de 1.500 comunardos chegaram a B\u00e9lgica, 2.500 a Su\u00ed\u00e7a e poucos a Inglaterra e Espanha.<a href=\"#_ftn46\" name=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/p>\n<p><strong>Aprender com os erros<\/strong><\/p>\n<p>A Comuna de Paris foi, e \u00e9, reivindicada por todos os que se consideram revolucion\u00e1rios, mas do ponto de vista militar a Comuna sofreu uma derrota, a despeito da magnifica capacidade militar dos oper\u00e1rios parisienses. Por isso \u00e9 muito importante identificar os erros que levaram a isso, inclusive para poder corrigi-los.<\/p>\n<p>Que poderiam ser sintetizados como fruto da indecis\u00e3o e o espirito conciliador das esferas dirigentes, que levou a sua desagrega\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn47\" name=\"_ftnref47\">[47]<\/a><\/p>\n<p>Marx achava que o Comit\u00ea Central da Guarda Nacional cedeu prematuramente o lugar dirigente ao Comit\u00ea Executivo da Comuna eleita. Pois a primeira tarefa deveria pertencer a um \u00f3rg\u00e3o de combate, que deveria coordenar o centro da insurrei\u00e7\u00e3o e das opera\u00e7\u00f5es militares e n\u00e3o uma administra\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma da democracia oper\u00e1ria.<a href=\"#_ftn48\" name=\"_ftnref48\">[48]<\/a> Pois a Comuna deveria ter tomado imediatamente a ofensiva contra Versalhes, al\u00e9m de n\u00e3o ter expropriado os bancos, um \u201c<em>erro cem vezes pior<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn49\" name=\"_ftnref49\">[49]<\/a> Lassagaray afirma que a Comuna<em> \u201cera uma barricada e n\u00e3o uma administra\u00e7\u00e3o<\/em>.<a href=\"#_ftn50\" name=\"_ftnref50\">[50]<\/a><\/p>\n<p>Para Lenin os principais erros da Comuna se concentraram na insufici\u00eancia da ofensiva, a insufici\u00eancia da consci\u00eancia e decis\u00e3o de destruir a m\u00e1quina burocr\u00e1tica e militar do Estado e o poder da burguesia<a href=\"#_ftn51\" name=\"_ftnref51\">[51]<\/a><\/p>\n<p>Para Trotsky a Comuna de Paris foi uma \u201c<em>experiencia demasiadamente restrita<\/em>\u201d combinada com a \u201c<em>falta de prepara\u00e7\u00e3o dos seus militantes, a confus\u00e3o do programa, a falta de unidade entre os dirigentes, a indecis\u00e3o dos projetos, a excessiva perturba\u00e7\u00e3o na execu\u00e7\u00e3o e o terr\u00edvel desastre que da\u00ed resultou<\/em>\u201d.<a href=\"#_ftn52\" name=\"_ftnref52\">[52]<\/a><\/p>\n<p>\u201c<em>A Comuna n\u00e3o \u00e9 uma Assembleia Constituinte (&#8230;) \u00e9 um conselho de guerra, ela s\u00f3 deve ter um fim: a vit\u00f3ria; uma arma: a for\u00e7a; uma lei: a salva\u00e7\u00e3o p\u00fablica\u201d.<a href=\"#_ftn53\" name=\"_ftnref53\"><strong>[53]<\/strong><\/a><\/em><\/p>\n<p>Com certeza Lenin e Trotsky utilizaram os ensinamentos e o erros da Comuna de Paris para preparar a tomada do poder na R\u00fassia em 1917.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> O papel da viol\u00eancia na historia<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>Introdu\u00e7\u00e3o de Friedrich Engels \u00e0 Edi\u00e7\u00e3o de 1891, em A Guerra Civil em Fran\u00e7a, de Marx<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Arrondissements<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: origens e massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXIII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: Origem e Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: Origem e Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>Marx, A Guerra Civil em Fran\u00e7a, Capitulo III<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: origens e massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris 1871, origens e massacres.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: origens e massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitluo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XIV capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: origens e massacre. A morte chega para o arcebispo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201cQue n\u00e3o da orienta\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 prodigo em proclama\u00e7\u00f5es\u201d, Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXVI capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> Frente a ordem de Thiers da pol\u00edcia abandonar Paris, cerca de 2,5 mil policiais ingressaram nas tropas a caminho de Versalhes. Cerca de 1,5 deles n\u00e3o seguiram o caminho, com uma parte ficando com as tropas revolucionarias, em: John Merriman, A Comuna de Paris, 1871: origens e massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXI capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, A batalha se volta contra os comunards<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, come\u00e7a a Semana Sangrenta<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, come\u00e7a a Semana Sangrenta<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, come\u00e7a a Semana Sangrenta<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref31\" name=\"_ftn31\">[31]<\/a> A Guerra Civil em Fran\u00e7a, capitulo IV<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref32\" name=\"_ftn32\">[32]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref33\" name=\"_ftn33\">[33]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref34\" name=\"_ftn34\">[34]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, As cortes marciais em a\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref35\" name=\"_ftn35\">[35]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref36\" name=\"_ftn36\">[36]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XIX capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref37\" name=\"_ftn37\">[37]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVIII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref38\" name=\"_ftn38\">[38]<\/a>Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XVII capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref39\" name=\"_ftn39\">[39]<\/a> Jonh Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref40\" name=\"_ftn40\">[40]<\/a> \u201cConsiderado como Dombrowski o \u00fanico comandante com qualidades para comandar\u201d, Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXX capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref41\" name=\"_ftn41\">[41]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXX capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref42\" name=\"_ftn42\">[42]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XXXI capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref43\" name=\"_ftn43\">[43]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref44\" name=\"_ftn44\">[44]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref45\" name=\"_ftn45\">[45]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref46\" name=\"_ftn46\">[46]<\/a> John Merriman, A Comuna de Paris, 1871 a origem do massacre, Massacre<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref47\" name=\"_ftn47\">[47]<\/a> Trotsky, Comunismo e Terrorismo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref48\" name=\"_ftn48\">[48]<\/a> Trotsky, Comunismo e Terrorismo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref49\" name=\"_ftn49\">[49]<\/a> Prosper-Oliver Lissagaray, Hist\u00f3ria da Comuna de 1871.XIV capitulo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref50\" name=\"_ftn50\">[50]<\/a> Trotsky, Comunismo e Terrorismo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref51\" name=\"_ftn51\">[51]<\/a> Materiais preparat\u00f3rios do Livro \u201cO Estado e a Revolu\u00e7\u00e3o\u201d<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref52\" name=\"_ftn52\">[52]<\/a> Trotsky, Comunismo e Terrorismo<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref53\" name=\"_ftn53\">[53]<\/a> Trotsky, Comunismo e Terrorismo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro de 1862, o rei Guilherme I da Pr\u00fassia, diante de uma s\u00e9ria crise pol\u00edtica, nomeou como seu homem forte o conde Otto von Bismarck, para chefiar seu governo. 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