{"id":63461,"date":"2021-03-31T10:47:17","date_gmt":"2021-03-31T13:47:17","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63461"},"modified":"2021-03-31T10:47:17","modified_gmt":"2021-03-31T13:47:17","slug":"myanmar-burma-a-classe-operaria-na-linha-de-frente-contra-o-golpe-militar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/31\/myanmar-burma-a-classe-operaria-na-linha-de-frente-contra-o-golpe-militar\/","title":{"rendered":"Myanmar (Burma): a classe oper\u00e1ria na linha de frente contra o golpe militar"},"content":{"rendered":"<p><em>No\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/pt\/myamar-burma-uma-historia-de-lutas-contra-intervencoes-militares\/\">artigo anterior<\/a>, contamos um pouco da hist\u00f3ria do pa\u00eds do Sudeste Asi\u00e1tico, conhecido como Myamar, Birm\u00e2nia ou Burma, destacando o longo hist\u00f3rico de interven\u00e7\u00f5es imperialistas e militares que mergulharam a popula\u00e7\u00e3o em um c\u00edrculo vicioso de explora\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e opress\u00e3o, apesar dos vigorosos e her\u00f3icos exemplos de resist\u00eancia e luta dos trabalhadores e do povo birmaneses.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Wilson Hon\u00f3rio da Silva<\/p>\n<p>Como vimos, exemplo disto foi a chamada Revolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o, que teve seu pico entre agosto e novembro de 2007, tendo repercutido na queda, em 2010, de uma ditadura instalada em 1962, impulsionada, tamb\u00e9m, por uma poderosa onda de greves, iniciada em 2009, do setor de t\u00eaxtil e de vestu\u00e1rios esportivos, atual carro-chefe das exporta\u00e7\u00f5es em Burma.<\/p>\n<p>De l\u00e1 at\u00e9 o golpe militar dado no dia 1\u00ba de fevereiro passado, o pa\u00eds estava sendo governado pela Liga Nacional para a Democracia (LND), tendo o professor universit\u00e1rio Win Myint como presidente, apesar de que de ele ser considerado apenas um fantoche nas m\u00e3os de Aung San Suu Kyi, que exercendo o cargo de Conselheira de Estado, \u00e9 quem, de fato, controlava o poder.<\/p>\n<div id=\"attachment_63462\" style=\"width: 574px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-63462\" class=\"size-full wp-image-63462\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M-1.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"310\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M-1.jpg 564w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M-1-300x165.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M-1-150x82.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><p id=\"caption-attachment-63462\" class=\"wp-caption-text\">Revolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o<\/p><\/div>\n<p><strong>Um golpe dado \u201cpor dentro\u201d do governo<\/strong><\/p>\n<p>O golpe ocorreu no dia anterior ao previsto para que os parlamentares eleitos em novembro do ano passado assumissem seus mandatos. E, depois de aprisionar os dois l\u00edderes e membros do governo, a Junta Militar, formada pelo \u201cTatmadaw\u201d (nome oficial das For\u00e7as Armadas), declarou Estado de Emerg\u00eancia, empossou o general do Ex\u00e9rcito Min Aung Hlaing, at\u00e9 ent\u00e3o aliado de Suu Kyi, como presidente e partiu para a repress\u00e3o generalizada, prendendo l\u00edderes estudantis e sindicais, dirigentes \u00e9tnicos e centenas de ativistas sociais e pol\u00edticos, matando pessoas no meio das manifesta\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de bloquear o acesso de celulares \u00e0 internet para silenciar tentar protestos.<\/p>\n<p>Os birmaneses, contudo, n\u00e3o est\u00e3o dando arrego e, apesar de tamb\u00e9m se enfrentarem com a pandemia, no dia seguinte ao golpe, tomaram as ruas em enormes mobiliza\u00e7\u00f5es e iniciaram um vigoroso movimento espont\u00e2neo de desobedi\u00eancia civil, que desembocou na convoca\u00e7\u00e3o, no final de fevereiro, de uma greve geral. Para se ter uma ideia da dimens\u00e3o das manifesta\u00e7\u00f5es, veja este v\u00eddeo, produzido pela ag\u00eancia EuroNews<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Greve geral em clima de grande tens\u00e3o\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-dN3xmAJ_nE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Inspirados na luta da Tail\u00e2ndia contra o regime mon\u00e1rquico e o golpe militar, ocorrido em 2014 (que, por sua vez, tiraram a ideia dos filmes \u201cJogos Vorazes\u201d), o povo de Burma adotou como s\u00edmbolo (al\u00e9m dos capacetes e coletes amarelos) a \u201csauda\u00e7\u00e3o com tr\u00eas dedos\u201d, com o mesmo significado que lhe foi dada no pa\u00eds vizinho: um resgate do lema da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, de 1789 \u2013 \u201cigualdade, liberdade e fraternidade\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-63463\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M2.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"667\" \/><\/p>\n<p>Palavras que, evidentemente, neste momento, sintetizam as necessidades imediatas diante da ditadura. Mas, tamb\u00e9m \u00e9 preciso dizer que n\u00e3o ser\u00e1 nos marcos dos antigos ideais burgueses, muito menos do capitalismo, que os birmaneses poder\u00e3o conquistar o que merecem e precisam. Como tamb\u00e9m n\u00e3o ser\u00e1 a recondu\u00e7\u00e3o de Aung San Suu Kyi e da LND ao poder que ir\u00e1 garantir seus direitos sociais, culturais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos (tema que desenvolveremos no artigo seguinte).<\/p>\n<p>Por isso mesmo, saudamos o protagonismo que a classe oper\u00e1ria est\u00e1 desempenhando na luta contra o golpe, com suas entidades, organiza\u00e7\u00f5es, movimentos e m\u00e9todos de luta, pois \u00e9 isto que aponta na dire\u00e7\u00e3o da \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel para por fim h\u00e1 s\u00e9culos de explora\u00e7\u00e3o, totalitarismo e opress\u00e3o: que os trabalhadores e trabalhadoras e o povo tomem o poder em suas pr\u00f3prias m\u00e3os e governem.<\/p>\n<p><strong>Da desobedi\u00eancia civil \u00e0 greve geral, apesar da repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Mal o golpe se tornou p\u00fablico, a desobedi\u00eancia civil se espalhou pelo pa\u00eds como um rastilho de p\u00f3lvora. Protestos tomaram as ruas e trabalhadores dos mais diversos setores, na cidade e no campo (onde se concentram 60% da popula\u00e7\u00e3o), come\u00e7aram a paralisar suas atividades, incluindo em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, como a empresa de petr\u00f3leo e g\u00e1s, controlada pelo Tatmadaw (ou seja, administrada diretamente pelo Minist\u00e9rio da Defesa), a companhia a\u00e9rea nacional, ferrovias, minas, canteiros de obras e f\u00e1bricas<\/p>\n<p>O movimento tamb\u00e9m atingiu rapidamente os \u00f3rg\u00e3os e institui\u00e7\u00f5es da burocracia do Estado, escolas e hospitais e a popula\u00e7\u00e3o, incluindo a juventude e os setores populares, tamb\u00e9m passou a ocupar escolas, hospitais e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos. Para se ter uma da dimens\u00e3o do processo, na semana passada veio \u00e0 tona que dois policiais da cidade de Kyangin, que postaram v\u00eddeos contra o golpe, est\u00e3o presos desde 3 de fevereiro, como foi publicado, em 17 de mar\u00e7o, no portal em ingl\u00eas da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.laboursolidarity.org\/Myanmar-s-Military-Regime-Hands\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cRede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas\u201d<\/a>, \u00e0 qual a CSP-Conlutas \u00e9 filiada.<\/p>\n<p>Um primeiro chamado \u00e0 greve geral foi feito em 8 de fevereiro pela Confedera\u00e7\u00e3o dos Sindicatos de Mianmar (CTUM), a maior do pa\u00eds. E, segundo o portal especializado em not\u00edcias sindicais\u00a0<a href=\"https:\/\/labornotes.org\/2021\/02\/myanmar-workers-and-unions-front-lines-fight-against-coup\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cLabor Notes\u201d<\/a>, a proposta recebeu rapidamente a ades\u00e3o de coletores de lixo, bombeiros e banc\u00e1rios, dentre outros, al\u00e9m de funcion\u00e1rios dos governos municipais e dos minist\u00e9rios do Com\u00e9rcio, Eletricidade e Energia, Transportes e Comunica\u00e7\u00f5es, e Agricultura, Pecu\u00e1ria e Irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos dias seguintes, sete sindicatos da Educa\u00e7\u00e3o, incluindo a Federa\u00e7\u00e3o de Professores de Mianmar, que abrange o ensino prim\u00e1rio e superior, al\u00e9m das escolas mon\u00e1sticas, tamb\u00e9m paralisaram as atividades, juntamente com os estudantes. Enquanto isso, em protesto contra as amea\u00e7as \u00e0 liberdade de imprensa, membros do Conselho de Imprensa de Mianmar e mais de uma d\u00fazia de jornalistas do \u201cThe Myanmar Times\u201d, o jornal mais importante em l\u00edngua inglesa, se demitiram.<\/p>\n<p>Em meados de fevereiro, 99% dos trabalhadores ferrovi\u00e1rios tamb\u00e9m j\u00e1 estavam em greve, o que levou ao fechamento de todo o sistema, o mesmo ocorrendo na maioria do setor energ\u00e9tico e das f\u00e1bricas dirigidas pelos militares, que tentaram intimidar os trabalhadores amea\u00e7ando-os de expuls\u00e3o dos alojamentos estatais em que muitas fam\u00edlias oper\u00e1rias moram (em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, evidentemente). E, mais uma vez, os trabalhadores deram uma demonstra\u00e7\u00e3o de que est\u00e3o dispostos a tudo: mantiveram-se em greve e abandonaram as moradias.<\/p>\n<div id=\"attachment_63464\" style=\"width: 1210px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-63464\" class=\"size-full wp-image-63464\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3.jpg 1200w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-300x200.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-768x512.jpg 768w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-150x100.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-696x464.jpg 696w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M3-1068x712.jpg 1068w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><p id=\"caption-attachment-63464\" class=\"wp-caption-text\">Ferrovi\u00e1rios em greve abandonam alojamento<\/p><\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, como os militares, em fun\u00e7\u00e3o do hist\u00f3rico apresentado no artigo anterior, controlam diretamente amplos setores da economia (o ditador empossado, por exemplo, \u00e9 um dos maiores acionistas das empresas controladas pelo Tatmadaw), ainda segundo o \u201cLabor Notes\u201d,\u00a0\u201caos trabalhadores, juntaram-se os consumidores, que passaram a boicotar os vastos interesses comerciais dos militares nos setores aliment\u00edcios, de bebidas e cigarros; na ind\u00fastria do entretenimento; de fornecimento de servi\u00e7os de internet, bancos, empresas financeiras, hospitais, companhias petrol\u00edferas, e mercados atacadistas e varejistas\u201d.<\/p>\n<p>A rea\u00e7\u00e3o das For\u00e7as Armadas, como sempre, foi partir para a brutal viol\u00eancia. Em 26 de fevereiro, um comunicado em rede nacional de TV colocou a maioria das entidades sindicais do pa\u00eds na ilegalidade (reeditando um decreto que vigorou at\u00e9 2011). \u00c9 dif\u00edcil obter informa\u00e7\u00f5es precisas, j\u00e1 que al\u00e9m de um forte bloqueio nos servidores da internet, os militares fecharam \u00f3rg\u00e3os de imprensa e aprisionaram dezenas de jornalistas.<\/p>\n<p>Contudo, segundo a ag\u00eancia internacional de not\u00edcias\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-56265962\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">BBC News<\/a>, somente no dia 3 de mar\u00e7o, pelo menos 38 pessoas foram mortas em um protesto, incluindo dois jovens, de 14 e 19 anos. J\u00e1 de acordo com a ONG\u00a0<a href=\"https:\/\/www.heraldextra.com\/news\/world\/striking-myanmar-rail-workers-move-out-as-protests-continue\/article_cbd068cb-9fb4-5fe7-a6f8-c7d344c385dd.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cIndependent Assistance Association for Political Prisioners\u201d<\/a>\u00a0(que presta assist\u00eancia a prisioneiros pol\u00edticos), em 20 de mar\u00e7o, contabilizavam-se 2.330 deten\u00e7\u00f5es (dentre elas centenas de crian\u00e7as e adolescente) e 235 mortes, al\u00e9m de existirem relatos de invas\u00f5es de casas e at\u00e9 de escolas.<\/p>\n<p>Dentre os primeiros mortos, o Movimento pela Desobedi\u00eancia Civil deu destaque para o assassinato de Ko Htet Wai Htoo, apresentado numa postagem como\u00a0\u201cum membro LGBTQ de nossa revolu\u00e7\u00e3o\u201d. A pot\u00eancia do movimento oper\u00e1rio neste processo, bem como o temor dos militares, lamentavelmente tamb\u00e9m pode ser exemplificada pelo maior foco da repress\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com um artigo publicado, em 23 de mar\u00e7o, pela R\u00e1dio P\u00fablica Nacional (NPR), dos Estados Unidos:\u00a0\u201cde longe, o pior massacre ocorreu no munic\u00edpio de Hlaing Tharya, uma \u00e1rea com mais de 850 f\u00e1bricas e uma enorme popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores. Acredita-se que mais de 50 pessoas tenham sido mortas somente no dia 14 de mar\u00e7o, provocando um \u00eaxodo em massa de milhares de pessoas que fugiram da \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>Mas as massas n\u00e3o voltaram ao trabalho nem sa\u00edram das ruas. No dia 07 de mar\u00e7o, quando o pa\u00eds j\u00e1 estava praticamente paralisado h\u00e1 quase um m\u00eas, 18 federa\u00e7\u00f5es e entidades sindicais lan\u00e7aram um manifesto defendendo uma greve geral unificada at\u00e9 a derrubada do regime militar. A nota foi assinada por todas as principais federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es nacionais, al\u00e9m de entidades dos setores agr\u00edcola, energ\u00e9tico, da constru\u00e7\u00e3o civil e de empresas madeireiras, da alimenta\u00e7\u00e3o e do transporte, dentre outras.<\/p>\n<p><strong>Mulheres trabalhadoras na vanguarda da luta<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-63465\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M4.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"739\" srcset=\"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M4.jpg 750w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M4-300x296.jpg 300w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M4-150x148.jpg 150w, https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M4-696x686.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>Como mencionado no artigo anterior, a rebeli\u00e3o antiditatorial em Burma est\u00e1 sendo chamada de \u201cMovimento Sarong\u201d, em refer\u00eancia ao traje t\u00edpico da regi\u00e3o e, particularmente, ao papel que as mulheres est\u00e3o cumprindo. Lamentavelmente, n\u00e3o \u00e9 um acaso que a primeira pessoa morta pelas for\u00e7as de repress\u00e3o durante os protestos tenha sido a atendente de supermercado Mya Thwe Thwe, assassinada a tiros, dias antes de completar 20 anos, numa manifesta\u00e7\u00e3o na capital do pa\u00eds, Nay Pyi Taw.<\/p>\n<p>A incr\u00edvel disposi\u00e7\u00e3o de luta que as mulheres t\u00eam demonstrado tem a ver tanto com uma hist\u00f3ria marcada por n\u00edveis absurdos de opress\u00e3o e machismo quanto pela atual localiza\u00e7\u00e3o das mulheres na estrutura econ\u00f4mica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jacobinmag.com\/2021\/02\/myanmar-labor-movement-authoritarianism-coup\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista ao portal \u201cJacobin\u201d<\/a>, em 02\/03\/2021, Ma Moe Sandar Myint, dirigente da Federa\u00e7\u00e3o de Trabalhadores do Vestu\u00e1rio de Mianmar, sintetizou um pouco desta hist\u00f3ria e da situa\u00e7\u00e3o atual:\u00a0\u201c(\u2026) contra todas as probabilidades, as mulheres t\u00eam assumido a dire\u00e7\u00e3o, abandonando seus costumes e tradi\u00e7\u00f5es, e lutando. Nas federa\u00e7\u00f5es, especialmente, a maioria dos dirigentes s\u00e3o mulheres jovens, que d\u00e3o seu tempo e energia para lutar pelos trabalhadores, e sacrificam muito. Elas est\u00e3o at\u00e9 mesmo dispostas a divorciarem-se de seus c\u00f4njuges. E quando entram em greve, essas mulheres dirigentes n\u00e3o t\u00eam medo de serem demitidas. Elas superam seu medo e comprometem suas mentes. Tenho muito orgulho das mulheres trabalhadoras que lideram as greves e o movimento\u201d.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de todos problemas que marcam a vida das mulheres mundo afora, as birmanesas ainda se confrontam com as pesadas restri\u00e7\u00f5es impostas pelas conservadoras tradi\u00e7\u00f5es locais e um dos crimes mais b\u00e1rbaros contra a humanidade: o tr\u00e1fico humano.<\/p>\n<p>Segundo a ONU, o pa\u00eds alimenta uma das maiores redes mundiais de tr\u00e1fico, que leva mulheres (e, tamb\u00e9m, crian\u00e7as e homens jovens) para o trabalho for\u00e7ado e\/ou escravo e a explora\u00e7\u00e3o sexual, principalmente para pa\u00edses da Mal\u00e1sia, a China e a Tail\u00e2ndia. Um crime diante do qual tanto os militares quanto o governo da LND sempre fizeram vistas grossas. Segundo o \u201c<a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20180725003051\/https:\/www.state.gov\/j\/tip\/rls\/tiprpt\/countries\/2018\/282623.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Relat\u00f3rio de Tr\u00e1fico de Pessoas 2018<\/a>\u201d, ainda hoje,\u00a0\u201co governo de Burma n\u00e3o cumpre plenamente as normas m\u00ednimas para a elimina\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico humano\u201d,\u00a0havendo ind\u00edcios concretos de que a rede tamb\u00e9m \u00e9 alimentada pelas For\u00e7as Armadas (Tatmadaw).<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, evidentemente, as mulheres est\u00e3o dentre as que mais sofreram e continuam sofrendo com a persegui\u00e7\u00e3o \u00e9tnica e todos os mecanismos opressivos e repressivos que caracterizaram os sucessivos governos autorit\u00e1rios, principalmente porque a presen\u00e7a de mulheres \u00e9 praticamente nula na principal institui\u00e7\u00e3o que tem controlado o poder, as For\u00e7as Armadas, que, al\u00e9m disto, s\u00e3o conhecidas n\u00e3o s\u00f3 pelo seu envolvimento com o tr\u00e1fico, mas tamb\u00e9m por incont\u00e1veis estupros e abusos.<\/p>\n<p><strong>Barricadas contra a explora\u00e7\u00e3o burguesa e imperialista<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, a forte presen\u00e7a de mulheres no atual processo de luta tem muito a ver com sua atual localiza\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho do capitalismo birman\u00eas. Mulheres s\u00e3o a gigantesca maioria (90%) num dos setores mais importantes da economia: a ind\u00fastria t\u00eaxtil e de cal\u00e7ados, principalmente de vestu\u00e1rio e produtos esportivos destinados para exporta\u00e7\u00e3o. E, por isso mesmo, n\u00e3o s\u00f3 foram as primeiras a colocarem suas entidades a servi\u00e7o da luta contra a ditadura como, ao paralisarem o trabalho, deram o exemplo para a popula\u00e7\u00e3o, afetando, ainda, todos demais setores da economia.<\/p>\n<p>Segundo o\u00a0<a href=\"https:\/\/asia.nikkei.com\/Spotlight\/Myanmar-Coup\/Myanmar-coup-clouds-future-of-country-s-crucial-garment-industry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site especializado em Economia \u201cNikkei Asia\u201d<\/a>, antes da pandemia, o setor empregava cerca de 700 mil pessoas (sendo que, s\u00f3 no ano passado, cerca de 100 mil j\u00e1 foram demitidas), movimentando US$ 6 bilh\u00f5es (cerca de 33 bilh\u00f5es de reais) e, alicer\u00e7ado na explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra barata, cresceu particularmente sob o chamado \u201cper\u00edodo democr\u00e1tico\u201d: at\u00e9 2011, correspondia a 7% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds, mas, em 2019, sob a batuta das pol\u00edticas neoliberais do LND, o \u00edndice j\u00e1 correspondia a 30% do total.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-63466\" src=\"http:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M5.jpg\" alt=\"\" width=\"976\" height=\"549\" \/><\/p>\n<p>Ainda segundo o \u201cNikkei Asia\u201d, a maioria das empresas \u00e9 de propriedade estrangeira (principalmente da Uni\u00e3o Europeia, que recebe metade dos produtos birmaneses), muitas delas em estreita parceria com os militares que tamb\u00e9m t\u00eam investimentos no setor. Dentre elas, destacam-se marcas como a Adidas (Alemanha), Benetton (It\u00e1lia), C&amp;A (Alemanha\/Pa\u00edses Baixos), H&amp;M (Su\u00e9cia), Le Coq Sportif (Fran\u00e7a), Next (Reino Unido), Calvin Klein, GAP, JCPenny (Estados Unidos) e Mizumo (Jap\u00e3o).<\/p>\n<p>Por isso mesmo, o protagonismo das mulheres n\u00e3o \u00e9 de hoje. Elas tamb\u00e9m estiveram na linha de frente das lutas mais importantes da hist\u00f3ria recente do pa\u00eds. \u00a0Foram destaques na Revolu\u00e7\u00e3o do A\u00e7afr\u00e3o, em 2007. Em 2011, quando um decreto que proibia a organiza\u00e7\u00e3o sindical foi derrubado, estavam dentre as primeiras na reorganiza\u00e7\u00e3o das entidades oper\u00e1rias. E, em 2019, ainda sob o governo da LND, as oper\u00e1rias t\u00eaxteis sacudiram o pa\u00eds com uma onda de greves que foi interrompida pela eclos\u00e3o da pandemia do Covid-19.<\/p>\n<p>Momento, diga-se de passagem, bastante revelador do car\u00e1ter do governo de Aung San Suu Kyi e sua LND, como foi destacado, em 02 de mar\u00e7o, pela dirigente da Federa\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Vestu\u00e1rio de Mianmar, na mesma entrevista dada ao \u201cJacobin\u201d, mencionada acima:\u00a0\u201cquando a COVID-19 atingiu o pa\u00eds, o governo imp\u00f4s restri\u00e7\u00f5es \u00e0 reuni\u00e3o de pessoas\u201d, impedindo que se organizassem e se manifestassem fora das f\u00e1bricas, o que, na pr\u00e1tica, os\u00a0\u201cos impedia de entrar em greve\u201d, disse Ma Moe Sandar Myint.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como tamb\u00e9m aconteceu no resto do mundo, a patronal se aproveitou da pandemia para penalizar as trabalhadoras e suas entidades:\u00a0\u201ca COVID-19 tamb\u00e9m deu aos empregadores as vantagens para oprimir os trabalhadores, demit\u00ed-los e destruir seus sindicatos. Como a baixa nas encomendas, os empregadores come\u00e7aram a reduzir a m\u00e3o-de-obra\u201d, concluiu a dirigente sindical.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m foi abordada no portal \u201cLabor Notes\u201d em um\u00a0<a href=\"https:\/\/labornotes.org\/2021\/02\/myanmar-workers-and-unions-front-lines-fight-against-coup\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo publicado em 26 de fevereiro<\/a>, denunciando que o in\u00edcio da pandemia significou\u00a0\u201cum rev\u00e9s para as lutas sindicais militantes, interrompendo a onda de greve e a crescente sindicaliza\u00e7\u00e3o no setor\u201d, com os empregadores, ainda, tirando partido da situa\u00e7\u00e3o\u00a0\u201cpara intervir nos sindicatos, despedindo os seus membros\u201d, barrar as lutas por aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo e por condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais seguras, impondo, al\u00e9m disso,\u00a0\u201ccortes salariais ou atrasos no pagamento de sal\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<p><strong>Um pa\u00eds paralisado contra o golpe militar!<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de todos estes ataques e obst\u00e1culos, o setor composto por 90% de mulheres n\u00e3o s\u00f3 manteve alerta como tamb\u00e9m se transformou em exemplo quando os militares tomaram o poder de assalto:\u00a0\u201cOs trabalhadores j\u00e1 estavam zangados, j\u00e1 estavam mobilizados (\u2026). Um sentimento familiar de sofrimento regressou e eles n\u00e3o podiam ficar calados\u201d, declarou a sindicalista Ma Moe Sandar Myint, na mat\u00e9ria do \u201cLabor Notes\u201d mencionada acima.<\/p>\n<p>Ainda segundo o artigo,\u00a0\u201cas trabalhadoras do setor de vestu\u00e1rio estiveram dentre as primeiros a convocar protestos de rua e a se mobilizarem na rua\u201d, apesar das severas amea\u00e7as feitas pelos l\u00edderes golpistas e\u00a0\u201cisto ajudou a aumentar a confian\u00e7a do movimento de desobedi\u00eancia civil\u201d, como foi destacado por Andrew Tillett-Saks, que trabalha com organiza\u00e7\u00f5es sindicais birmanesas:\u00a0\u201ca vis\u00e3o dos trabalhadores industriais, em grande parte jovens e trabalhadoras do setor de vestu\u00e1rio, parece ter inspirado profundamente o p\u00fablico em geral, derrubando parte do medo e fomentando os protestos maci\u00e7os e a greve geral que estamos vendo agora\u201d.<\/p>\n<p>Movimento cuja dimens\u00e3o foi sintetizada em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2021\/03\/19\/world\/asia\/myanmar-workers-strike.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um artigo publicado pelo jornal \u201cThe New York Times\u201d, no dia 19 de mar\u00e7o<\/a>:\u00a0\u201cAs janelas dos caixas dos bancos est\u00e3o ganhando p\u00f3. A carga nos portos n\u00e3o \u00e9 recolhida. E nos grandes minist\u00e9rios do governo em Naypyidaw, a capital de Mianmar, pilhas de documentos est\u00e3o se enrolando na umidade. H\u00e1 poucas pessoas para processar toda a papelada. Desde que os militares tomaram o poder (\u2026), uma na\u00e7\u00e3o inteira parou. Desde hospitais, ferrovias e estaleiros, at\u00e9 escolas, lojas e casas comerciais, grande parte da sociedade deixou de aparecer para o trabalho na tentativa de travar o regime militar e for\u00e7\u00e1-lo a devolver a autoridade a um governo civil.\u201d<\/p>\n<p>Ainda segundo o jornal norte-americano, a greve geral lan\u00e7ou o pa\u00eds numa situa\u00e7\u00e3o de completa paralisia e quase desgoverno:\u00a0\u201cos impostos n\u00e3o est\u00e3o sendo cobrados (\u2026), a maior parte das licen\u00e7as de importa\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o e muitas outras n\u00e3o est\u00e3o mais sendo concedidas. Com a ades\u00e3o de funcion\u00e1rios de bancos privados \u00e0 greve, a maioria dos fluxos de dinheiro que entram e saem do pa\u00eds pararam.\u201d<\/p>\n<p>Enquanto isso, o povo tem dado exemplo de auto-organiza\u00e7\u00e3o e solidariedade, inclusive atrav\u00e9s das redes sociais:\u00a0\u201cEm Mandalay, a segunda maior cidade de Mianmar, um \u00fanico grupo do Facebook dirigido por cidad\u00e3os comuns levantou fundos para apoiar quase 5.000 pessoas que est\u00e3o participando do movimento de desobedi\u00eancia civil, que \u00e9 conhecido pela abrevia\u00e7\u00e3o C.D.M.\u201d<\/p>\n<p><strong>A import\u00e2ncia do apoio da classe oper\u00e1ria internacional<\/strong><\/p>\n<p>Nesta s\u00e9rie de artigos, estamos fazendo o esfor\u00e7o de apresentar o m\u00e1ximo poss\u00edvel de elementos sobre a hist\u00f3ria e o atual processo de lutas para que, superando o desconhecimento que h\u00e1 sobre o pa\u00eds, os trabalhadores, trabalhadoras e ativistas brasileiros entendam a import\u00e2ncia de acompanharem e se solidarizarem com a luta do povo birman\u00eas; pois, como foi destacado por Thet Swe Win, ativista sindical e de direitos humanos, em entrevista tamb\u00e9m concedida para o \u201cLabor Notes\u201d, em 26 de fevereiro:\u00a0\u201co apoio internacional significa muito para n\u00f3s; ele nos ajuda a sentir que n\u00e3o estamos sozinhos e a saber que h\u00e1 pessoas l\u00e1 fora apoiando nossa liberdade.\u201d<\/p>\n<p>Apesar da pandemia, j\u00e1 ocorreram manifesta\u00e7\u00f5es em embaixadas de Burma, principalmente nos pa\u00edses vizinhos, muitos deles repletos de imigrantes birmaneses ou que compartilham com o pa\u00eds lutas recentes contra regimes autorit\u00e1rios e repressivos, como Tail\u00e2ndia, Hong Kong, Filipinas e Camboja e Taiwan. Aqui, no Brasil, a CSP-Conlutas tamb\u00e9m est\u00e1 engajada nesta luta, j\u00e1 tendo enviado uma\u00a0<a href=\"http:\/\/cspconlutas.org.br\/2021\/02\/abaixo-golpe-militar-myanmar\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mo\u00e7\u00e3o<\/a>, aprovada por sua coordena\u00e7\u00e3o nacional, no in\u00edcio de fevereiro, como tamb\u00e9m tem mantido atualiza\u00e7\u00f5es freq\u00fcentes sobre a luta contra o golpe atrav\u00e9s da p\u00e1gina da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.laboursolidarity.org\/?lang=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u201cRede Internacional Sindical de Solidariedade e Lutas<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, \u00e9 preciso intensificar estas a\u00e7\u00f5es. A solidariedade fundamental para impedir que se repita, mais uma vez, a trag\u00e9dia dos longos per\u00edodos ditatoriais que infectam a hist\u00f3ria do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, uma vit\u00f3ria, agora, em Burma, pode significar um importante impulso para a luta dos trabalhadores e trabalhadores em todo mundo. Por isso, de imediato, \u00e9 preciso que exijamos o afastamento dos militares, a liberta\u00e7\u00e3o de todos os presos pol\u00edticos e a liberdade de organiza\u00e7\u00e3o e manifesta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, n\u00e3o se pode ter ilus\u00e3o alguma sequer nas declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas da burguesia e governos internacionais que t\u00eam, formalmente, condenado o golpe e \u201cexigido\u201d o retorno \u00e0 democracia. Primeiro porque eles s\u00e3o guiados apenas seus interesses econ\u00f4micos, e n\u00e3o, de forma alguma, pelo \u00f3dio aos militares, com os quais, at\u00e9 \u201contem\u201d e ainda hoje, eles mant\u00eam parcerias empresariais.<\/p>\n<p>Algo que fica evidente num comunicado da gigante sueca no setor esportivo, a H&amp;M, reproduzido pelo portal \u201cNikei Asia\u201d:\u00a0\u201cEstamos tamb\u00e9m em di\u00e1logo com ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias, representantes diplom\u00e1ticos, peritos em direitos humanos e outras empresas multinacionais (\u2026). Estas consultas nos guiar\u00e3o em qualquer decis\u00e3o futura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 melhor forma, como n\u00f3s, como empresa, podemos apoiar os desenvolvimentos positivos em Mianmar\u201d. (<a href=\"https:\/\/asia.nikkei.com\/Spotlight\/Myanmar-Coup\/Myanmar-coup-clouds-future-of-country-s-crucial-garment-industry\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/asia.nikkei.com\/Spotlight\/Myanmar-Coup\/Myanmar-coup-clouds-future-of-country-s-crucial-garment-industry<\/a>)<\/p>\n<p>Enfim, o que est\u00e3o esperando \u00e9 ver se os militares lhes garantir\u00e3o os neg\u00f3cios, como fizeram por d\u00e9cadas. Al\u00e9m disso, o que eles querem, no m\u00e1ximo, \u00e9 o retorno \u00e0 \u201cnormalidade\u201d assegurada por Aung San Suu Kyi e sua Liga Nacional para a Democracia, que, desde sempre, al\u00e9m de ser conivente com a estrutura econ\u00f4mica e pol\u00edtica que permitiu que os militares se movimentassem livremente e articulassem o golpe, t\u00eam mantido os trabalhadores e a juventude sob os absurdos n\u00edveis de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por mais que a imagem da l\u00edder birmanesa, hoje, seja um s\u00edmbolo das lutas que tomam as ruas \u00e9 preciso que os trabalhadores construam, no processo de luta contra a ditadura, uma alternativa de poder que represente suas verdadeiras necessidades. Que apontem para uma sa\u00edda realmente socialista para o pa\u00eds. Estes s\u00e3o os temas do artigo final desta s\u00e9rie.<\/p>\n<p>(*) Com a colabora\u00e7\u00e3o de Herbert Claros, militante do PSTU de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos, e dirigente da Secretaria Executiva e do Setorial Internacional da CSP-Conlutas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No\u00a0artigo anterior, contamos um pouco da hist\u00f3ria do pa\u00eds do Sudeste Asi\u00e1tico, conhecido como Myamar, Birm\u00e2nia ou Burma, destacando o longo hist\u00f3rico de interven\u00e7\u00f5es imperialistas e militares que mergulharam a popula\u00e7\u00e3o em um c\u00edrculo vicioso de explora\u00e7\u00e3o, repress\u00e3o e opress\u00e3o, apesar dos vigorosos e her\u00f3icos exemplos de resist\u00eancia e luta dos trabalhadores e do povo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":63467,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3493,2109],"tags":[3674,3802,735],"class_list":["post-63461","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mulheres","category-myanmar","tag-golpe-em-myanmar","tag-mulheres-myanmar","tag-wilson-honorio-da-silva"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/M6.jpg","categories_names":["Mulheres","Myanmar"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63461","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63461"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63461\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63467"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63461"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63461"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63461"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}