{"id":63333,"date":"2021-03-18T04:53:18","date_gmt":"2021-03-18T07:53:18","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63333"},"modified":"2021-03-18T04:53:18","modified_gmt":"2021-03-18T07:53:18","slug":"as-petroleuses-as-mulheres-que-incendiaram-a-comuna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/18\/as-petroleuses-as-mulheres-que-incendiaram-a-comuna\/","title":{"rendered":"As Petroleuses: as mulheres que \u201cincendiaram\u201d a Comuna"},"content":{"rendered":"<p>Os retratos das mulheres que participaram da Comuna tornaram-se uma met\u00e1fora da atitude dos historiadores em rela\u00e7\u00e3o a essa experi\u00eancia revolucion\u00e1ria. <em>Petroleuses<\/em> \u00e9 o termo franc\u00eas utilizado para designar as mulheres acusadas de terem provocado inc\u00eandios com petr\u00f3leo em 1871: sobre estes inc\u00eandios historicamente discutiu-se longamente, no entanto, a consulta dos documentos oficiais dos julgamentos realizados pelas autoridades de Versalhes revela que estas acusa\u00e7\u00f5es s\u00e3o infundadas, pois nenhuma <em>communard<\/em> foi realmente condenada como incendi\u00e1ria.<!--more--><\/p>\n<p>Por: Laura Sguazzabia<\/p>\n<p>\u00c9 uma imagem criada pela burguesia reacion\u00e1ria, para a qual as c<em>ommunards<\/em> eram mulheres mis\u00f3ginas enlouquecidas, vadias sanguin\u00e1rias e fan\u00e1ticas incendi\u00e1rias que, nos \u00faltimos dias da Comuna, com seus filhos inocentes sobre os ombros, teriam incendiado grandes pr\u00e9dios de Paris. Com esta inven\u00e7\u00e3o, a burguesia tentou esconder o que realmente acontecera, ou seja, que dezenas de milhares de prolet\u00e1rios, mulheres e crian\u00e7as foram massacradas em um mar de sangue, presas e deportadas em condi\u00e7\u00f5es desumanas.<\/p>\n<p>Naquela extraordin\u00e1ria experi\u00eancia revolucion\u00e1ria que foi a Comuna parisiense, pela primeira vez na hist\u00f3ria das sociedades modernas assistimos a uma maci\u00e7a interven\u00e7\u00e3o das mulheres na cena pol\u00edtica, tamb\u00e9m atrav\u00e9s de uma participa\u00e7\u00e3o ativa na vida econ\u00f3mica e na luta armada. Durante a Comuna, milhares de mulheres da classe trabalhadora e algumas intelectuais conquistadas para as ideias socialistas foram exemplos de coragem e devo\u00e7\u00e3o, bem como arautos de ideias inovadoras. Esta \u00e9, sem d\u00favida, a raz\u00e3o pela qual elas, mais do que os homens, foram punidas e condenadas em Versalhes, v\u00edtimas tamb\u00e9m de cal\u00fanias infames.<\/p>\n<p>Em abril de 2013, a associa\u00e7\u00e3o parisiense \u201cOs Amigos da Comuna de Paris 1871\u201d publicou um pequeno dicion\u00e1rio das <em>Comunardas,<\/em> na tentativa de tirar das sombras as muitas figuras femininas que &#8220;incendiaram&#8221; com coragem e paix\u00e3o os 72 dias parisienses. A leitura desta breve resenha nos permite compreender a quantidade e a qualidade da a\u00e7\u00e3o das mulheres na experi\u00eancia parisiense e tornar seu exemplo atual na situa\u00e7\u00e3o de crise econ\u00f4mica e opress\u00e3o social a que as mulheres de hoje est\u00e3o submetidas em um grau semelhante ao de 1871. ( 1)<\/p>\n<p><strong>A condi\u00e7\u00e3o das mulheres (e das oper\u00e1rias)<\/strong><\/p>\n<p>Durante o Segundo Imp\u00e9rio, as mulheres eram reduzidas a um estado de submiss\u00e3o total. O c\u00f3digo civil de 1804 considera as mulheres legalmente inferiores e t\u00e3o dependentes de seus maridos que elas nem podem trabalhar sem sua autoriza\u00e7\u00e3o. Geralmente menos instru\u00eddas do que os homens, aquelas que t\u00eam acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o frequentam escolas para meninas dirigidas por freiras onde, al\u00e9m de uma r\u00edgida moralidade crist\u00e3, elas s\u00e3o ensinadas a se tornarem boas esposas. Al\u00e9m disso, as mulheres n\u00e3o t\u00eam direito a voto.<\/p>\n<p>Muitas mulheres trabalham em Paris, em particular est\u00e3o empregadas na produ\u00e7\u00e3o t\u00eaxtil industrial: o anu\u00e1rio estat\u00edstico de 1871 indica que de 114.000 trabalhadoras, 62.000 s\u00e3o oper\u00e1rias. S\u00e3o as primeiras v\u00edtimas da industrializa\u00e7\u00e3o: al\u00e9m da aliena\u00e7\u00e3o que da\u00ed decorre, elas t\u00eam que enfrentar a concorr\u00eancia de m\u00e1quinas e a dos conventos que oferecem m\u00e3o de obra a custo menor. Elas tamb\u00e9m sofrem diariamente preconceitos, mis\u00f3ginos de seus colegas de trabalho, inspirados no pensamento de Proudhon. (2) As mulheres trabalham de doze a quatorze horas por dia por um sal\u00e1rio di\u00e1rio insignificante, entre 50 centavos e 2,50 francos, a metade dos homens. Se pensarmos que, na \u00e9poca, um quarto era alugado entre 100 e 200 francos ao ano, \u00e9 claro que uma mulher sozinha n\u00e3o podia enfrentar as suas pr\u00f3prias necessidades, especialmente porque ela muitas vezes tinha filhos e parentes idosos dependentes. Neste contexto, a prostitui\u00e7\u00e3o assume importantes implica\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, mesmo para as mulheres casadas que podiam, portanto, unir os seus rendimentos com os do marido ou companheiro: o recurso \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o, muitas vezes n\u00e3o pontual, corresponde ao que elas chamam de &#8220;quinto quarto&#8221; do seu dia.<\/p>\n<p>Apesar dessas condi\u00e7\u00f5es, as mulheres s\u00e3o ativas e participam da vida pol\u00edtica. J\u00e1 em 1870, durante os acontecimentos franco-prussianos, elas s\u00e3o presen\u00e7as numerosas: em 4 de setembro estiveram entre a multid\u00e3o que derruba o Imp\u00e9rio e proclama a Rep\u00fablica; em 8 de setembro, uma manifesta\u00e7\u00e3o de mulheres em frente ao H\u00f4tel de Ville exige armas para lutar contra os prussianos; no dia 7 de outubro, as mulheres exigiram o direito de participar dos postos avan\u00e7ados para socorrer os feridos (direito que s\u00f3 obt\u00eam com a Comuna).<\/p>\n<p>A partir de janeiro de 1871, algumas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres s\u00e3o ativadas ou reativadas: s\u00e3o pequenos grupos como os comit\u00eas das cidad\u00e3s, grupos femininos que tentam fazer valer os direitos das mulheres, clubes muito ativos como o de Madame Allix no VI bairro, que re\u00fane cerca de 300 ades\u00f5es de mulheres que querem se armar para ir lutar nas barricadas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s dessas experi\u00eancias, as mulheres compreendem que t\u00eam muito a ganhar, principalmente o que mais desejam, ou seja, o reconhecimento de sua dignidade. Elas t\u00eam total confian\u00e7a no que est\u00e1 acontecendo e protegem, participando ativamente, as mudan\u00e7as que levar\u00e3o ao nascimento da Comuna, desde os primeiros dias at\u00e9 o fim sangrento da experi\u00eancia revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p>Na madrugada de 18 de mar\u00e7o de 1871, quando as tropas de Thiers tentam confiscar os canh\u00f5es dos parisienses, elas se op\u00f5em fisicamente dirigindo-se aos soldados que simpatizam com a popula\u00e7\u00e3o e que se recusam a cumprir a ordem, dada tr\u00eas vezes pelos oficiais, de atirar nos manifestantes. Edith Thomas escreve que \u201cseria um exagero dizer que este dia revolucion\u00e1rio foi o das mulheres, mas elas contribu\u00edram decisivamente para isso\u201d. (3)<\/p>\n<p>Nos dias seguintes, Paris \u00e9 uma grande festa popular, cujo ponto culminante \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o da Comuna em 28 de mar\u00e7o. As mulheres confiam nas resolu\u00e7\u00f5es imediatamente tomadas que, embora simples e pr\u00e1ticas, permitem vislumbrar uma nova justi\u00e7a e, sobretudo, aliviar as agruras sofridas pela popula\u00e7\u00e3o parisiense, especialmente pelas mulheres, durante o longo cerco prussiano. Desde esses primeiros dias, as mulheres se mobilizam socorrendo os enfermos e necessitados, discutindo e propondo ideias inovadoras, movendo-se sempre em uma l\u00f3gica de classe, n\u00e3o de sexo ou g\u00eanero: elas compreendem que s\u00f3 gra\u00e7as \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o social poder\u00e3o ter garantidos os seus direitos.<\/p>\n<p>Em 3 de abril de 1871, quinhentas mulheres deixam a <em>Place de La Concorde<\/em> para marchar sobre Versalhes. Na ponte Grenelle, elas se juntam a outras setecentas. Os l\u00edderes da Comuna pedem que n\u00e3o saiam de Paris. Diante de um anseio t\u00e3o revolucion\u00e1rio, surge a necessidade de uma organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A Uni\u00e3o das mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Duas organiza\u00e7\u00f5es de mulheres desempenharam um papel predominante na Comuna: o Comit\u00ea de Supervis\u00e3o de Montmartre, de orienta\u00e7\u00e3o blanquista, e a Uni\u00e3o de Mulheres para a Defesa de Paris e Ajuda aos Feridos, de orienta\u00e7\u00e3o marxista. A Uni\u00e3o, cujos princ\u00edpios refletiam a perspectiva revolucion\u00e1ria da ala marxista da Primeira Internacional, revelou-se a mais importante forma\u00e7\u00e3o feminina, agrupando mais de seis mil membros. Destacou-se n\u00e3o s\u00f3 pela sua import\u00e2ncia num\u00e9rica, mas tamb\u00e9m pelo seu funcionamento muito rigoroso e ao mesmo tempo muito democr\u00e1tico. Foi capaz de guiar e organizar o profundo fermento popular entre as mulheres e tornou-se o elo entre as mulheres da cidade e o governo da Comuna. Nenhum outro grupo teve uma influ\u00eancia estendida a toda a cidade e t\u00e3o duradoura, desde a sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 a queda da Comuna nas barricadas.<\/p>\n<p>Em 11 de abril de 1871, o jornal oficial da Comuna publica um longo \u201cApelo \u00e0s cidad\u00e3s de Paris\u201d, no qual, segundo as signat\u00e1rias, sintetizam-se o esp\u00edrito e as aspira\u00e7\u00f5es da Comuna. Este texto explica \u00e0s mulheres parisienses que a melhor forma de defender o que elas amam \u00e9 lutar contra o inimigo impiedoso. O apelo \u00e9 seguido de um aviso convidando-as para uma reuni\u00e3o naquela mesma noite. Com a sua primeira reuni\u00e3o, a Uni\u00e3o das Mulheres prop\u00f5e ao comit\u00ea executivo da Comuna que ajude materialmente a constitui\u00e7\u00e3o de estruturas em cada conselho distrital, que subsidie a imprensa com circulares e cartazes e a distribui\u00e7\u00e3o de avisos. A comiss\u00e3o executiva come\u00e7a imediatamente a implementar as propostas da reuni\u00e3o, imprimindo o texto integral das diretrizes da Uni\u00e3o no Jornal Oficial do dia 14 de abril, acompanhado de um resumo das decis\u00f5es tomadas pela assembleia.<\/p>\n<p>As diretrizes destacam qual era a ideia da Uni\u00e3o das Mulheres sobre a origem da opress\u00e3o feminina. O t\u00edtulo &#8220;oper\u00e1ria\u201d foi colocado ao lado do nome de seis das sete signat\u00e1rias para indicar sua origem prolet\u00e1ria. As diretrizes referiam-se \u00e0 Comuna como a um governo cujo objetivo final devia ser a aboli\u00e7\u00e3o de todas as formas de desigualdade social, incluindo a discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres. Fundamentalmente, elas descreviam a discrimina\u00e7\u00e3o das mulheres como um instrumento para manter o poder das classes dominantes: &#8220;A Comuna, que representa o princ\u00edpio da extin\u00e7\u00e3o de todos os privil\u00e9gios e desigualdades, dever\u00e1, portanto, considerar leg\u00edtimos todos os protestos de cada setor da popula\u00e7\u00e3o, sem nenhuma discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero, discrimina\u00e7\u00f5es que foram criadas e perpetuadas para manter os privil\u00e9gios da classe dominante. O sucesso da atual luta, cujo objetivo \u00e9 (&#8230;) em \u00faltima an\u00e1lise o de regenerar a sociedade, garantindo o dom\u00ednio de trabalho e justi\u00e7a, \u00e9 t\u00e3o importante para as mulheres quanto para os homens de Paris \u201d.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o tem sede no 10\u00ba distrito. Um comit\u00ea central composto por 20 delegadas nomeia uma comiss\u00e3o executiva de sete membros, com a tarefa de fazer a liga\u00e7\u00e3o com as principais comiss\u00f5es do governo da Comuna: desta forma, elas podem transmitir de forma eficaz e r\u00e1pida as reivindica\u00e7\u00f5es das mulheres ao governo central. Cada militante deve contribuir com dez centavos e reconhecer a autoridade do comit\u00ea central da Uni\u00e3o. Os comit\u00eas distritais institu\u00eddos pela Uni\u00e3o das mulheres s\u00e3o coordenados por uma presidente rotativa, coadjuvada por um comit\u00ea que pode ser revogado pelos militantes.<\/p>\n<p>A comiss\u00e3o executiva \u00e9 composta de quatro oper\u00e1rias (Nathalie Le Mel, Blanche Lef\u00e8vre, Marie Leloup e Aline Jacquier) e tr\u00eas mulheres sem profiss\u00e3o (Elisabeth Dmitrieff, Agla\u00e9 Jarry, Th\u00e9r\u00e8se Colin). Na pr\u00e1tica, as duas grandes impulsionadoras da comiss\u00e3o foram Natahalie Le Mel e Elisabeth Dmitrieff.<\/p>\n<p><strong>Elisabeth Dmitrieff<\/strong><\/p>\n<p>Elizaveta Loukinitcha Kouceleva nasce em 1\u00ba de novembro de 1851 em uma fam\u00edlia nobre russa. Ela recebe uma boa educa\u00e7\u00e3o e \u00e9 fluente em v\u00e1rios idiomas. Mora em S\u00e3o Petersburgo, onde milita nos c\u00edrculos socialistas desde muito jovem, sonhando com a emancipa\u00e7\u00e3o para ela e para outras mulheres. O casamento branco com o coronel Toumanovki permite que ela v\u00e1 para o exterior. Em 1868 ele emigra para a Su\u00ed\u00e7a, onde participa da funda\u00e7\u00e3o da se\u00e7\u00e3o russa da Internacional. Delegada em Londres, em 1870, frequenta a fam\u00edlia de Marx com quem mant\u00e9m longas conversas: o autor do <em>Capital<\/em> est\u00e1 empenhado neste per\u00edodo em aprender a l\u00edngua russa. Elizaveta permanece tr\u00eas meses em Londres durante os quais, al\u00e9m de se encontrar com Marx e sua fam\u00edlia, pode conhecer os seus colaboradores mais pr\u00f3ximos, em particular Engels, e participar de numerosas reuni\u00f5es da Internacional. A \u00fanica fonte que nos permite conhecer, pelo menos em parte, o conte\u00fado dessas reuni\u00f5es \u00e9 dada por uma carta escrita em 7 de janeiro de 1871 a Marx por Elizaveta, que adoecera com bronquite: a discuss\u00e3o est\u00e1 centrada na comuna rural russa.<\/p>\n<p>Marx a envia a Paris em mar\u00e7o de 1871 para ser sua correspondente nos acontecimentos da Comuna, como representante do Conselho Geral da Internacional. Sob o pseud\u00f4nimo de Dmitrieff, durante a Comuna ela cria a Uni\u00e3o das mulheres: \u00e9 membro do comit\u00ea executivo da Uni\u00e3o e idealizadora de um plano de reorganiza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino, que foi apenas parcialmente implementado. Sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incisiva que uma disposi\u00e7\u00e3o do comit\u00ea central da organiza\u00e7\u00e3o feminina concede-lhe a cidadania parisiense, aguardando que a futura Rep\u00fablica lhe reconhe\u00e7a o t\u00edtulo de cidad\u00e3 da humanidade.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s lutar corajosamente com armas na chamada <em>semana sangrenta<\/em>, consegue escapar de Paris, refugiando-se primeiro em Genebra e depois voltando para a R\u00fassia. Condenada \u00e0 revelia \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o, em uma pris\u00e3o fortificada, pelo conselho de guerra em 26 de outubro de 1872, foi perdoada em 1880. Entre 1900 e 1902 muda-se para Moscou e, a partir desse momento, as pesquisas hist\u00f3ricas tornam-se confusas. A data de sua morte n\u00e3o \u00e9 clara, embora algumas pesquisas de historiadores sovi\u00e9ticos pare\u00e7am confirmar que ela morreu em 1918 em circunst\u00e2ncias pouco claras.<\/p>\n<p><strong>Nathalie Le Mel<\/strong><\/p>\n<p>Nathalie Duval, 1827, faz seus primeiros estudos em Brest, onde seus pais dirigiam um caf\u00e9. Desde os 12 anos trabalha como oper\u00e1ria encadernadora. Em 1845 casou-se com um colega seu, J\u00e9rome Le Mel, com quem teve tr\u00eas filhos. Sem conseguir trabalho, eles se mudam para Paris em busca de novas oportunidades de trabalho. Na capital, Nathalie ainda trabalha como encadernadora e participa das greves que em 1864 agitaram sua categoria. Ela faz parte do comit\u00ea de greve que exigia paridade de sal\u00e1rios para as mulheres e \u00e9 notada pela pol\u00edcia do regime que, em um relat\u00f3rio, a descreve como \u201cuma exaltada que estava envolvida em pol\u00edtica; nas f\u00e1bricas, ela lia jornais ruins em voz alta; frequentava clubes assiduamente &#8220;. Em 1865 juntou-se \u00e0 Internacional. Em 1868, depois de deixar o marido, fundou com outras uma cooperativa que cuidava da alimenta\u00e7\u00e3o, chegando a dar trabalho a 8.000 pessoas, al\u00e9m de um restaurante popular onde trabalhava na prepara\u00e7\u00e3o das refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Durante a Comuna, ela fundou e dirigiu a \u00a0\u201cUni\u00e3o das mulheres para a defesa de Paris e o socorro dos feridos\u201d com Elisabeth Dmitrieff. Quando as tropas de Versalhes entram em Paris, ela luta nas barricadas \u00e0 frente de um batalh\u00e3o de cerca de cinquenta mulheres e constroem a barricada da <em>Place Pigalle<\/em> hasteando uma bandeira vermelha.<\/p>\n<p>Presa em 21 de junho de 1871, foi condenada \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o para a Nova Caled\u00f4nia em 10 de setembro de 1872. Quando os seus amigos apresentam um pedido de perd\u00e3o em seu nome, da pris\u00e3o de La Rochelle onde est\u00e1 detida, ela comunica ao chefe da pol\u00edcia de Paris que desautoriza \u201ctodos aqueles que agiram ou ir\u00e3o agir sem seu conhecimento\u201d. Em 24 de agosto de 1873, ela embarcou no Virginie para ser deportada para a Nova Caled\u00f4nia onde chegou em 14 de dezembro. Aqui, a mando dos carcereiros para separar os homens das mulheres durante o encarceramento, ela se recusa a descer do navio e amea\u00e7a pular no mar se a divis\u00e3o n\u00e3o for abolida: seguida no protesto por muitas outras mulheres, ela consegue que a deten\u00e7\u00e3o seja comum. Durante sua pris\u00e3o, seu nome frequentemente reaparece na lista de prisioneiros sujeito a san\u00e7\u00f5es, demonstrando que seu esp\u00edrito indom\u00e1vel n\u00e3o se dobra nem mesmo durante esta experi\u00eancia pesada; ao contr\u00e1rio de muitos deportados da Comuna, ela se solidariza com os Kanaki, que em 1878 se revoltaram contra os colonizadores franceses.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a anistia de 1880, ela retornou a Paris, onde conseguiu um emprego no jornal <em>L&#8217;Intransigeant<\/em>. Passou os \u00faltimos anos de sua vida na pobreza e, tendo ficado cega, foi acolhida, em 1915, no asilo \u00a0Ivry, onde faleceu em 1921.<\/p>\n<p><strong>Conquistas sociais<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres da Uni\u00e3o pretendem \u201ctrabalhar juntas pelo triunfo da causa do povo\u201d, \u201cbater e vencer ou morrer pela defesa dos (&#8230;) direitos comuns\u201d. O primeiro objetivo \u00e9, pois, certamente o de participar na defesa de Paris: para permitir a participa\u00e7\u00e3o do maior n\u00famero de mulheres, a Uni\u00e3o preconiza a utiliza\u00e7\u00e3o de salas para a organiza\u00e7\u00e3o de confer\u00eancias. (4)<\/p>\n<p>Elas discutem muito, inclusive sobre decis\u00f5es militares que consideram indispens\u00e1veis, como, por exemplo, a necessidade de marchar sobre Versalhes. Inicialmente, as mulheres conseguem estar presentes em postos avan\u00e7ados de combate para criar um servi\u00e7o de primeiros socorros aos feridos: a Uni\u00e3o das mulheres recruta mais de mil socorristas que recebem o mesmo pagamento e a mesma alimenta\u00e7\u00e3o dos guardas nacionais, segundo o princ\u00edpio de \u201ctrabalho igual, sal\u00e1rio igual&#8221;. No \u00e2mbito militar, nem sempre s\u00e3o bem recebidas e o jornal <em>La Sociale<\/em> costuma denunciar a misoginia de alguns oficiais ou m\u00e9dicos cirurgi\u00f5es que perseguem mulheres em postos avan\u00e7ados. Al\u00e9m de casos isolados, somente durante a \u201csemana sangrenta\u201d as mulheres lutam nas barricadas. A forma\u00e7\u00e3o de departamentos femininos era uma ideia j\u00e1 acalentada durante o cerco parisiense: as &#8220;Amazonas do Sena&#8221;, uma ambiciosa proposta de batalh\u00f5es femininos avan\u00e7ada em 1870 por F\u00e9lix Belly, n\u00e3o ser\u00e1 implementada, mas atesta a necessidade de responder aos pedidos das mulheres para serem autorizadas a participar em combates armados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 evid\u00eancias hist\u00f3ricas da exist\u00eancia da \u201cLegi\u00e3o das federadas do 12\u00ba do distrito\u201d, formada na primeira quinzena de maio, comandada e composta exclusivamente por mulheres. (5)<\/p>\n<p>Ferozmente laicistas e anticlericais, como pode ser visto em algumas interven\u00e7\u00f5es nas assembleias distritais (6), as mulheres substituem as religiosas em asilos, nos orfanatos, nas escolas e nas pris\u00f5es com volunt\u00e1rias laicistas. Nesse clima, amadurece a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso atuar tamb\u00e9m na educa\u00e7\u00e3o das mulheres e das jovens: uma vez empossada a Comiss\u00e3o de Ensino, Marguerite Tinayre, professora militante da Uni\u00e3o e da Internacional, foi nomeada no dia 11 de abril \u201cinspetora geral dos livros e dos m\u00e9todos de ensino\u201d em escolas para meninas; sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 marcada por prop\u00f3sitos inovadores e laicistas. Algumas iniciativas haviam sido lan\u00e7adas em n\u00edvel distrital antes da posse de Tinayre: uma &#8220;nova escola&#8221; para meninas \u00e9 inaugurada no VII bairro com uma oficina adjacente, um abrigo para \u00f3rf\u00e3s e jovens mulheres desempregadas; no dia 26 de mar\u00e7o, surge uma Sociedade da Educa\u00e7\u00e3o nova (entre cujas delegadas constam duas mulheres que vamos encontrar nas organiza\u00e7\u00f5es femininas sucessivas \u00e0 Comuna) que prop\u00f5e uma reformula\u00e7\u00e3o geral dos programas escolares e o uso de m\u00e9todos pedag\u00f3gicos inovadores; por fim, j\u00e1 funcionam um <em>atelier \u00e9cole<\/em> para o ensino profissional e uma escola de desenho, mais conhecida como escola de arte industrial para mo\u00e7as.<\/p>\n<p>Em 2 de abril de 1871, a Comuna vota a lei de separa\u00e7\u00e3o entre Igreja e Estado: assim, em uma \u00e9poca em que era inevit\u00e1vel seguir a ordem moral imposta pela Igreja, se estabelece o direito ao div\u00f3rcio e o reconhecimento da uni\u00e3o livre, como tamb\u00e9m, a pens\u00e3o de 600 francos \u00e0 mulher, casada ou companheira, de membros da Guarda Nacional falecidos em combate, e pens\u00e3o de 365 francos aos filhos leg\u00edtimos ou naturais dos mortos.<\/p>\n<p>A Comuna tamb\u00e9m pro\u00edbe a prostitui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 declarada uma &#8220;forma de explora\u00e7\u00e3o comercial de criaturas humanas por outras criaturas humanas&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o do trabalho feminino<\/strong><\/p>\n<p>Muito em breve, por\u00e9m, a Uni\u00e3o se depara com um problema urgente, a saber, o da organiza\u00e7\u00e3o do trabalho feminino. Elisabeth Dmitrieff adverte logo de in\u00edcio a Comuna: &#8220;na presen\u00e7a dos acontecimentos atuais, devido \u00e0 mis\u00e9ria crescente em uma propor\u00e7\u00e3o incr\u00edvel [&#8230;] deve-se considerar que o elemento feminino da popula\u00e7\u00e3o parisiense, momentaneamente revolucion\u00e1rio, pode retornar, devido priva\u00e7\u00f5es cont\u00ednuas, ao estado passivo mais ou menos reacion\u00e1rio que a ordem social do passado havia criado &#8211; um retorno fatal e perigoso para os interesses revolucion\u00e1rios e internacionais dos povos e, consequentemente, para a Comuna\u201d. A Rep\u00fablica j\u00e1 havia organizado o trabalho das mulheres durante o cerco: 32.000 mulheres receberam trabalho para confeccionar os uniformes da Guarda Nacional, mas ap\u00f3s o armist\u00edcio, todas as atividades foram interrompidas.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das comiss\u00f5es distritais, as mulheres da Uni\u00e3o fazem novo cadastro das desempregadas e, por for\u00e7a do decreto da C\u00e2mara Municipal de 16 de abril sobre a requisi\u00e7\u00e3o das oficinas abandonadas pelos patr\u00f5es refugiados em Versalhes, identifica os locais a serem utilizados para a cria\u00e7\u00e3o dos chamados &#8220;ateliers cooperatifs&#8221;.<\/p>\n<p>O projeto desenvolvido pela Uni\u00e3o das mulheres e encaminhado \u00e0 Comiss\u00e3o do Trabalho, previa a cria\u00e7\u00e3o de uma associa\u00e7\u00e3o de produtores em cada distrito, aut\u00f4noma, mas com regras coerentes com os princ\u00edpios gerais da Uni\u00e3o, dotada de oficinas, armaz\u00e9ns e encomendas igualmente repartidas para evitar a competi\u00e7\u00e3o; estabelecia pre\u00e7os de venda e tarifas para as trabalhadoras, de acordo com o princ\u00edpio de &#8220;sal\u00e1rio iguais por n\u00famero igual de horas&#8221;. As associa\u00e7\u00f5es produtivas elegiam internamente duas respons\u00e1veis e, por meio da media\u00e7\u00e3o do comit\u00ea central da Uni\u00e3o, deviam entrar em contato com as associa\u00e7\u00f5es do mesmo tipo na Fran\u00e7a e no exterior para estimular a exporta\u00e7\u00e3o e o interc\u00e2mbio de produtos.<\/p>\n<p>A ambi\u00e7\u00e3o era reorganizar o mercado de trabalho feminino de forma mais geral, segundo o modelo j\u00e1 adotado com os homens, de modo que se pudesse &#8220;garantir o produto ao produtor [&#8230;] retirando o trabalho do jugo do capital opressor&#8221;; garantir a gest\u00e3o de seus neg\u00f3cios aos trabalhadores: diminuir a jornada de trabalho; eliminar a competi\u00e7\u00e3o entre trabalhadores de ambos os sexos, pois seus interesses s\u00e3o completamente id\u00eanticos; igualar sal\u00e1rios entre os dois sexos (este \u00faltimo pedido encontra aceita\u00e7\u00e3o parcial na igualdade de sal\u00e1rios de professores e professoras, em \u00a0maio de 1871).<\/p>\n<p>Inicialmente, o projeto dizia respeito ao setor t\u00eaxtil (Paris, em particular, ostentava uma excelente reputa\u00e7\u00e3o internacional na produ\u00e7\u00e3o de roupas), mas deveria ter se expandido para todos os setores profissionais nos quais as mulheres tivessem demonstrado excel\u00eancia. No curto per\u00edodo de funcionamento da Comuna, \u00e9 tamb\u00e9m lan\u00e7ada no Pal\u00e1cio da Ind\u00fastria uma comiss\u00e3o encarregada de organizar o trabalho &#8220;livre&#8221; das mulheres associadas nos ateliers, com a tarefa de adquirir mat\u00e9rias-primas, repartir os rendimentos e distribuir o trabalho nos vinte distritos.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, em 6 de maio de 1871, Leo Frankel (7), chefe da Comiss\u00e3o do Trabalho, publica um longo relat\u00f3rio cujo sentido pode ser entendido pela seguinte frase: \u201cO trabalho feminino \u00e9 o mais oprimido, sua imediata reorganiza\u00e7\u00e3o \u00e9 de todo urgente &#8220;. Para tanto, anuncia reuni\u00e3o de todas as corpora\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias de ambos os sexos e convoca os representantes da Uni\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de c\u00e2maras sindicais que enviem delegadas \u00e0 C\u00e2mara federal. O encontro, que deveria ocorrer no dia 21 de maio, n\u00e3o acontecer\u00e1 pela a entrada das tropas de Versalhes em Paris.<\/p>\n<p><strong>A repress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A maioria das mulheres que participaram da Comuna morreram nas barricadas da \u201csemana sangrenta\u201d, ou em confrontos ou fuziladas no campo pelas tropas de Versalhes.<\/p>\n<p>Segundo inqu\u00e9rito parlamentar apresentado pelo Capit\u00e3o Briot, mais de mil mulheres foram presas: os motivos das pris\u00f5es tentam justificar uma condena\u00e7\u00e3o criminal. Juntamente com a acusa\u00e7\u00e3o de terem participado das agita\u00e7\u00f5es da Comuna, muitas vezes s\u00e3o acusadas \u200b\u200bde roubo ou vadiagem, de prostitui\u00e7\u00e3o por viverem em uma rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o sancionada pela Igreja, de serem exaltadas por ter falado em p\u00fablico durante as assembleias, de serem incendi\u00e1rias porque elas tinham a tarefa de distribuir armas e petr\u00f3leo durante os combates.<\/p>\n<p>As mulheres presas cruzam Paris em dire\u00e7\u00e3o a Versalhes em meio aos insultos da burguesia que veio assistir ao show. Presas na pris\u00e3o Chantiers, eles passam por condi\u00e7\u00f5es degradantes, jogadas em cub\u00edculos cheios de vermes. A obra de uma delas testemunha o horror desta deten\u00e7\u00e3o que durou v\u00e1rios meses, mas tamb\u00e9m a solidariedade com que as reclusas enfrentam a experi\u00eancia apesar da degrada\u00e7\u00e3o, da falta de higiene e das puni\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias. (8) Uma vez pronunciadas as senten\u00e7as, elas s\u00e3o transferidas para outras pris\u00f5es, onde aguardam a viagem para o per\u00edodo de deporta\u00e7\u00e3o: 31 mulheres s\u00e3o condenadas a trabalhos for\u00e7ados, 20 \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o em uma pris\u00e3o fortificada, 16 \u00e0 deporta\u00e7\u00e3o simples. A fragata Virginie parte em 10 de agosto de 1873 (dois anos ap\u00f3s a Comuna) e leva 120 dias para tocar a costa da Nova Caled\u00f4nia.<\/p>\n<p>Todas essas mulheres pagaram um alto pre\u00e7o na esperan\u00e7a de fazer triunfar seu ideal de justi\u00e7a social e de igualdade, lutando em um contexto dif\u00edcil. Investiram todas as suas for\u00e7as, convencidas de que seu destino dependia do resultado da experi\u00eancia da Comuna. Organizaram-se em um movimento e impuseram-se no terreno pol\u00edtico, conscientes de que, somente derrubando o sistema de explora\u00e7\u00e3o de uma classe sobre a outra, o problema da desigualdade entre os sexos poderia ser resolvido. Com a mesma convic\u00e7\u00e3o que hoje as mulheres da S\u00edria, Egito, Tun\u00edsia, Espanha, Brasil, de todo os lugares do mundo se manifestam contra a viol\u00eancia, o estupro como arma de guerra, as discrimina\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho, a precariedade, as diferen\u00e7as salariais, o direito \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o e ao aborto.<\/p>\n<p>NOTA<\/p>\n<p>(1) C. Rey &#8211; A. Gayat &#8211; S. Pepino, <em>Petit dictionnaire des femmes de la Commune<\/em> [Pequeno dicion\u00e1rio das mulheres da Comuna], Editions Le bruits des autres, 2013.<\/p>\n<p>Em geral, todo o artigo \u00e9 baseado em materiais consultados em Paris na associa\u00e7\u00e3o Os Amigos da Comuna de Paris 1871 (http:\/\/www.commune1871.org) e no centro CERMTRI (www.trotsky.com.fr).<\/p>\n<p>(2) Pierre Joseph Proudhon, fil\u00f3sofo e economista franc\u00eas, 1809 &#8211; 1865. Respeitado na esfera pol\u00edtica, inclusive pela esquerda, e entre intelectuais e trabalhadores de toda a Europa, Proudhon defendeu a ideia de que as fun\u00e7\u00f5es das mulheres eram a procria\u00e7\u00e3o e o trabalho dom\u00e9stico. A mulher que trabalhava (fora de casa) roubava o emprego do homem. Proudhon chegou a propor que o marido tivesse o direito de vida ou de morte sobre a esposa que tivesse desobedecido ou tivesse mau car\u00e1ter, e demonstrou, por meio de uma rela\u00e7\u00e3o aritm\u00e9tica, a inferioridade do c\u00e9rebro feminino sobre o masculino.<\/p>\n<p>(3) Edith Thomas, <em>Les P\u00e9troleuses<\/em> [As Petroleiras], Gallimard, 1963.<\/p>\n<p>(4) Ap\u00f3s o decreto de 2 de abril de 1871 sobre a separa\u00e7\u00e3o entre estado e Igreja, algumas igrejas s\u00e3o requisitadas para servir como locais de reuni\u00e3o para clubes da cidade.<\/p>\n<p>(5) Em 14 de maio, um comunicado aos guardas nacionais da 12\u00aa Legi\u00e3o informa aos soldados que as mulheres pediram para poder se organizar militarmente, para participar mais ativamente da defesa da cidade: \u201cUm grande exemplo \u00e9 dado a voc\u00eas, cidad\u00e3s, mulheres heroicas pediram armas para defender, como todas n\u00f3s, a Comuna e a Rep\u00fablica &#8230; A primeira companhia de cidad\u00e3s volunt\u00e1rias ser\u00e1 formada imediatamente\u201d.<\/p>\n<p>(6) Em 15 de maio uma mulher chamada Andr\u00e9, conhecida como &#8220;Matelassi\u00e9re&#8221; por suas habilidades dial\u00e9ticas, em uma reuni\u00e3o do clube Ambroise afirmou que &#8220;todos os representantes da Igreja deveriam ser fuzilados em 24 horas [&#8230;] N\u00e3o adianta prender os padres, devemos declar\u00e1-los fora da lei para que todo cidad\u00e3o possa mat\u00e1-los como se matasse um cachorro raivoso\u201d. Em 20 de maio, em Nicolas des Champs, uma mulher desconhecida prop\u00f4s, pela defesa de Paris, a substitui\u00e7\u00e3o dos sacos de terra pelos cad\u00e1veres de 60.000 padres e 60.000 freiras da cidade.<\/p>\n<p>(7) Leo Frankel, 1844 &#8211; 1896, pol\u00edtico h\u00fangaro, membro da Internacional desde 1867, representou a se\u00e7\u00e3o alem\u00e3 em Paris onde trabalha como oper\u00e1rio joalheiro. Durante a experi\u00eancia da Comuna foi membro da Guarda Nacional, do Comit\u00e9 Central e presidente de v\u00e1rias comiss\u00f5es, incluindo a de trabalho. Ferido na semana de sangue nas barricadas, \u00e9 socorrido por Elisabeth Dmitrieff, por quem parece fosse apaixonado e n\u00e3o correspondido, ele se refugiou primeiro na Su\u00ed\u00e7a e depois na Inglaterra, enquanto na Fran\u00e7a o Conselho de Guerra o sentenciou \u00e0 morte \u00e0 revelia.<\/p>\n<p>(8) C\u00e9lestine Hardoin, <em>La D\u00e9tenue de Versailles en 1871 [<\/em>A Deten\u00e7\u00e3o de Versalhes em 1871], obra reeditada em 2005 pela associa\u00e7\u00e3o <em>Les Amis de la Commune de Paris<\/em> [Os Amigos da Comuna de Paris].<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o Maria Teresa Albiero e Alberto Albiero.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os retratos das mulheres que participaram da Comuna tornaram-se uma met\u00e1fora da atitude dos historiadores em rela\u00e7\u00e3o a essa experi\u00eancia revolucion\u00e1ria. Petroleuses \u00e9 o termo franc\u00eas utilizado para designar as mulheres acusadas de terem provocado inc\u00eandios com petr\u00f3leo em 1871: sobre estes inc\u00eandios historicamente discutiu-se longamente, no entanto, a consulta dos documentos oficiais dos julgamentos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70279,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3695,3493,10],"tags":[3741,2285,3494],"class_list":["post-63333","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-150-anos-da-comuna-de-paris","category-mulheres","category-teoria","tag-150-anos-da-comuna-de-paris","tag-comuna-de-paris","tag-mulheres"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-16-at-14.28.48.jpeg","categories_names":["150 anos da Comuna de Paris","Mulheres","TEORIA"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63333","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63333"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63333\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70279"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63333"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}