{"id":63272,"date":"2021-03-09T12:20:41","date_gmt":"2021-03-09T15:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63272"},"modified":"2021-03-09T12:20:41","modified_gmt":"2021-03-09T15:20:41","slug":"costa-rica-tomar-as-ruas-este-8m-por-emprego-salario-digno-e-o-direito-de-decidir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/09\/costa-rica-tomar-as-ruas-este-8m-por-emprego-salario-digno-e-o-direito-de-decidir\/","title":{"rendered":"Costa Rica| Tomar as ruas este 8M por emprego, sal\u00e1rio digno e o \u00a0direito de decidir"},"content":{"rendered":"<p><em>A pandemia abriu uma nova \u00e9poca em todo o mundo, colocando em evidencia um sistema assassino e atroz. As grandes quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas pelo capitalismo ficaram ainda mais expostas com esta crise sanit\u00e1ria. Para os setores mais oprimidos,\u00a0 e em particular as mulheres que desde antes j\u00e1 v\u00ednhamos sofrendo, esta pandemia s\u00f3 veio aprofundar a brutal desigualdade.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: PT-Costa Rica<\/p>\n<p>As conquistas que t\u00ednhamos alcan\u00e7ado, produto de s\u00e9culos de lutas, retrocederam de maneira esmagadora em apenas alguns meses como consequ\u00eancia da pandemia. Isto evidencia a fragilidade do capitalismo, onde nossos direitos est\u00e3o por um fio, e que, diante de qualquer\u00a0 tens\u00e3o, n\u00e3o duvida em acabar com eles.<\/p>\n<p>A volta das mulheres ao lar, marcado pelas pol\u00edticas dos governos em todo o mundo, est\u00e1 tendo consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas. E embora o controle da pandemia requeira confinamento, n\u00e3o foi s\u00f3 por uma pol\u00edtica de confinamento que voltamos para casa, mas fundamentalmente pela quantidade massiva de demiss\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>As mais prejudicadas com o desemprego foram as mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que, tanto mulheres como homens foram afetados pela perda de postos de trabalho, o impacto mais severo sobre o emprego ocorreu\u00a0 com as mulheres, devido a que a quantidade de empregadas\u2013 846 mil em 2019\u2013 era consideravelmente menor em rela\u00e7\u00e3o aos homens empregados &#8211; \u20131,3 milh\u00e3o\u2013, portanto em termos porcentuais o impacto \u00e9 ainda mais significativo. Dos postos perdidos em 2020,\u00a0 52,5% s\u00e3o mulheres(229.728) e a taxa de emprego feminina se situa em 31%, \u00a0o que implica um retrocesso de 30 anos, pois o pa\u00eds apresentava esse mesmo n\u00famero no in\u00edcio da d\u00e9cada dos noventa.<\/p>\n<p>A falta de acesso a um sal\u00e1rio digno, se traduz em um aprofundamento na pobreza e em julho de 2020 o pa\u00eds alcan\u00e7ou n\u00fameros escandalosos, com 30% da popula\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00e3o de pobreza, ou seja, mais de um milh\u00e3o e meio de pessoas [1].<\/p>\n<p>O acesso ao emprego e sal\u00e1rio dignos s\u00e3o elementos centrais para a independ\u00eancia de qualquer pessoa, e especialmente no caso das mulheres, para que se possa minimizar a opress\u00e3o, a viol\u00eancia e a mis\u00e9ria, j\u00e1 que a autonomia de uma pessoa \u00e9 imposs\u00edvel se ela n\u00e3o tem de renda pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>Pobreza, confinamento e viol\u00eancia: uma terr\u00edvel combina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Antes da apari\u00e7\u00e3o da COVID-19, \u201cem todo o mundo 243 milh\u00f5es de mulheres e meninas foram maltratadas por seus companheiros sentimentais no \u00faltimo ano\u201d, segundo dados das Na\u00e7\u00f5es Unidas.<\/p>\n<p>Mas em tempos de crise, o risco para as mulheres pobres aumenta, j\u00e1 que diante da falta de renda econ\u00f4mica pr\u00f3pria, as mulheres se veem atadas aos seus companheiros para garantir as necessidades mais b\u00e1sicas como o pagamento de uma moradia ou a compra de alimentos. \u00c9 por isso que dizemos que a depend\u00eancia econ\u00f4mica das mulheres est\u00e1 vinculada \u00e0 viol\u00eancia, j\u00e1 que se torna ainda mais dif\u00edcil romper com uma rela\u00e7\u00e3o estando nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As diretrizes que foram impostas para limitar a mobilidade das pessoas como medida de resposta \u00e0 pandemia, se converteram em um panorama ideal para os agressores, que encontraram a desculpa perfeita para impor o isolamento. Por isso enquanto que para o mundo inteiro, o confinamento significava uma medida de prote\u00e7\u00e3o, para as v\u00edtimas da viol\u00eancia significou um verdadeiro pesadelo, pois voltaram a ficar presas no lugar mais perigoso: sua pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p><strong>A pandemia deixou em evid\u00eancia a terr\u00edvel crise dos cuidados<\/strong><\/p>\n<p>Ao enfrentar uma emerg\u00eancia sanit\u00e1ria que requeria o cuidado de crian\u00e7as, pessoas doentes, idosos, o acompanhamento de trabalhos virtuais assim como a permanente higieniza\u00e7\u00e3o dos domic\u00edlios e objetos do cotidiano, para o capitalismo foi muito f\u00e1cil descarregar essas tarefas sobre as mulheres e aprofundar a escravid\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho em todos os pa\u00edses, as mulheres ainda n\u00e3o conseguem reincorporar-se ao mercado de trabalho, porque conv\u00e9m a este sistema econ\u00f4mico garantir todas essas tarefas de maneira gratuita em seus lares.<\/p>\n<p>Antes da Covid-19, a Pesquisa Nacional do Uso do Tempo destacava que as mulheres dedicavam mais do dobro do tempo que os homens ao trabalho dom\u00e9stico n\u00e3o remunerado (36:01 e 13:55 horas semanais respectivamente)<a href=\"http:\/\/ptcostarica.org\/8m-tomar-las-calles-por-empleo-salario-digno-y-derecho-a-decidir\/#_ftn2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a>. Por\u00e9m em tempos de pandemia, os limites foram ultrapassados e mascarados, ao se converter os pr\u00f3prios lares em espa\u00e7os de trabalho para muitas pessoas que realizam trabalhos de forma virtual.<\/p>\n<p><strong>Os direitos sexuais e reprodutivos est\u00e3o amea\u00e7ados<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a uma crise sanit\u00e1ria como a que continuamos enfrentando, reorientar as prioridades no sistema de sa\u00fade, pode gerar graves consequ\u00eancias para o acesso aos servi\u00e7os de atendimento para as mulheres na distribui\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos anticonceptivos, o tratamento hormonal para as pessoas trans ou o acesso ao aborto.<\/p>\n<p>Isto se torna especialmente preocupante em um contexto como o da pandemia, onde aumentou a viol\u00eancia sexual contra meninas e mulheres, e onde a discuss\u00e3o do acesso ao aborto legal tem sido postergada.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso lembrar que a Costa Rica demorou d\u00e9cadas para aprovar uma norma t\u00e9cnica para a interrup\u00e7\u00e3o terap\u00eautica da gravidez e \u00e9 de se supor, que em um contexto como o atual, o governo utilize a pandemia como uma desculpa para n\u00e3o aprovar o aborto legal, seguro e gratuito, o que est\u00e1 sendo impulsionado por um projeto de lei elaborado por organiza\u00e7\u00f5es do movimento de mulheres.<\/p>\n<p><strong>Neste 8M vamos \u00e0s ruas para recuperar nosso espa\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p>A libera\u00e7\u00e3o da mulher n\u00e3o poder\u00e1 ser resolvida no marco do sistema capitalista, e por mais conquistas que alcancemos, apesar de importantes, ser\u00e3o inst\u00e1veis. A pandemia deixou isto em evid\u00eancia, porque demonstrou que em alguns meses o capitalismo pode derrubar s\u00e9culos de conquistas.<\/p>\n<p>A opress\u00e3o da mulher s\u00f3 poder\u00e1 ser resolvida rompendo com a ordem econ\u00f4mica vigente, porque como vamos exigir que as mulheres se liberem sem pleno emprego? Como vamos alcan\u00e7ar a legaliza\u00e7\u00e3o do aborto e evitar a morte de milhares de mulheres pobres no mundo, se a sa\u00fade se converte em um grande neg\u00f3cio? Como podemos viver maternidades livres se a pobreza e o desemprego atam as mulheres ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, sem possibilidades de lazer? \u00a0Como conciliar a igualdade, a diversidade e o respeito pelos direitos humanos com a realidade de mis\u00e9ria e explora\u00e7\u00e3o na qual vive a classe trabalhadora?<\/p>\n<p>S\u00f3 uma revolu\u00e7\u00e3o socialista poder\u00e1 garantir que n\u00f3s, as mulheres, possamos viver uma vida digna. Por isso lutamos de maneira permanente para construir uma alternativa socialista e tamb\u00e9m vamos neste 8 de mar\u00e7o \u00e0s ruas para exigir:<\/p>\n<p>Sal\u00e1rio e emprego digno para as mulheres!<\/p>\n<p>Socializa\u00e7\u00e3o das tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados!<\/p>\n<p>Aborto livre, seguro e gratuito!<\/p>\n<p>Notas:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ptcostarica.org\/8m-tomar-las-calles-por-empleo-salario-digno-y-derecho-a-decidir\/#_ftnref1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[1]<\/a>\u00a0INEC. Pesquisa Nacional de Domic\u00edlios, julho 2020.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ptcostarica.org\/8m-tomar-las-calles-por-empleo-salario-digno-y-derecho-a-decidir\/#_ftnref2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[2]<\/a>\u00a0INEC, 2018.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia abriu uma nova \u00e9poca em todo o mundo, colocando em evidencia um sistema assassino e atroz. As grandes quest\u00f5es n\u00e3o resolvidas pelo capitalismo ficaram ainda mais expostas com esta crise sanit\u00e1ria. Para os setores mais oprimidos,\u00a0 e em particular as mulheres que desde antes j\u00e1 v\u00ednhamos sofrendo, esta pandemia s\u00f3 veio aprofundar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":63273,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[729,287,3493],"tags":[2184,3713],"class_list":["post-63272","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2021","category-costa-rica","category-mulheres","tag-8m-2021","tag-pt-costa-rica"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/imagen-8M.jpg","categories_names":["8M 2021","Costa Rica","Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63272","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63272"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63272\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63273"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63272"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63272"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63272"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}