{"id":63248,"date":"2021-03-08T11:21:23","date_gmt":"2021-03-08T14:21:23","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63248"},"modified":"2021-03-08T11:21:23","modified_gmt":"2021-03-08T14:21:23","slug":"chile-encher-as-ruas-no-8m-contra-os-feminicidios-mulheres-em-luta-na-vanguarda-da-classe-trabalhadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/08\/chile-encher-as-ruas-no-8m-contra-os-feminicidios-mulheres-em-luta-na-vanguarda-da-classe-trabalhadora\/","title":{"rendered":"Chile| Encher as ruas no 8M! Contra os feminic\u00eddios: mulheres em luta na vanguarda da classe trabalhadora!"},"content":{"rendered":"<p><em>H\u00e1 poucos dias aconteceu o estupro e feminic\u00eddio de Damaris, de 19 anos, funcion\u00e1ria de um supermercado em Nueva Imperial. Na cabe\u00e7a de milhares de mulheres, certamente existe a ideia de que o perigo de morrer nas m\u00e3os de um homem \u00e9 muito maior do que o risco de um roubo violento. Surge o \u00f3dio, e a necessidade de incutir desconfian\u00e7a em cada menina, de denunciar n\u00e3o s\u00f3 o agressor, mas todo homem pare\u00e7a uma amea\u00e7a, pois o sentimento que cresce \u00e9 de impot\u00eancia diante de uma sociedade que s\u00f3 assiste.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Paz Ibarra<\/p>\n<p>Os femic\u00eddios n\u00e3o s\u00e3o crimes comuns. Existem muitos estudos e propostas para preveni-los: de universidades, governos, ONU Mulheres. Nenhum delas funciona, pois apesar das recomenda\u00e7\u00f5es, o n\u00famero de mulheres assassinadas (cis ou transg\u00eanero e l\u00e9sbicas) n\u00e3o diminui, mas aumenta. Mais ainda na pandemia. O governo Pi\u00f1era gastou milh\u00f5es na divulga\u00e7\u00e3o da campanha \u201cM\u00e1scara 19\u201d, chave para solicitar socorro nas farm\u00e1cias em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia, mas foi mal implementada: poucos trabalhadores das farm\u00e1cias sabiam sobre a palavra chave ou o que fazer diante dela, e a os n\u00fameros de telefone para receber reclama\u00e7\u00f5es em quarentena n\u00e3o eram suficientes.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es feministas falam sobre a &#8220;perspectiva de g\u00eanero&#8221;, enfatizando a mudan\u00e7a cultural para superar a discrimina\u00e7\u00e3o, os abusos e os crimes contra as mulheres. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma mudan\u00e7a de cultura suficiente para erradicar o machismo, sem derrubar tudo o que sustenta essa cultura: a igreja, a publicidade, os pap\u00e9is na fam\u00edlia, as leis que permitem a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>Os grupos separatistas v\u00e3o mais longe e afirmam que todo homem \u00e9 um potencial agressor, devido \u00e0 influ\u00eancia do patriarcado. Que os homens devem ser marginalizados porque s\u00e3o machistas. E que tem que inverter os pap\u00e9is. \u201cManolo, lava a lou\u00e7a sozinho\u201d, para que as mulheres se organizem e discutam os seus problemas. Isso n\u00e3o \u00e9 suficiente. Porque em milhares de lares de mulheres que vivem sozinhas, o trabalho dom\u00e9stico e o cuidado dos filhos n\u00e3o podem ser suprimidos ou compartilhados e, no m\u00e1ximo, podem ser assumidos por outras mulheres. Com esta solu\u00e7\u00e3o separatista, mant\u00e9m-se na esfera individual uma tarefa que deveria ser coletiva, organizada pelo Estado, com financiamento proveniente das empresas.<\/p>\n<p>Diferentes correntes feministas afirmam que para acabar com o machismo \u00e9 preciso opor a for\u00e7a feminina. Mas nem uma mulher na presid\u00eancia da Rep\u00fablica nem a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Mulher e da Equidade de G\u00eanero impediram o feminic\u00eddio e os estupros.<\/p>\n<p>O machismo mata. \u00c9 por isso que n\u00e3o pode ser combatido seriamente apenas apelando para a mudan\u00e7a cultural. A den\u00fancia p\u00fablica do machismo tem conseguido delatar abertamente casos quando eles permanecem ocultos, mas infelizmente n\u00e3o det\u00e9m a viol\u00eancia contra as mulheres. A paridade de g\u00eanero n\u00e3o ataca o machismo, apenas garante a coloca\u00e7\u00e3o das mulheres burguesas em posi\u00e7\u00f5es de poder, e essas mulheres se esfor\u00e7am para garantir os privil\u00e9gios de sua pr\u00f3pria classe (empresarial ou burguesia), n\u00e3o de seu g\u00eanero. Assim fazem as mulheres da UDI (Uni\u00e3o Democr\u00e1tica Independente), RN (Renova\u00e7\u00e3o Nacional), DC (Democracia Crist\u00e3), PS (Partido Socialista) ou Ev\u00f3poli (Evolu\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica). Ent\u00e3o, por que insistir que o separatismo ou uma perspectiva de g\u00eanero muda a realidade das mulheres trabalhadoras e pobres?<\/p>\n<p>Os crimes contra as mulheres expressam a podrid\u00e3o da sociedade capitalista em n\u00edvel global, como o trabalho infantil, a explora\u00e7\u00e3o sexual de crian\u00e7as, adolescentes e mulheres, o tr\u00e1fico de pessoas. Revela o sentimento de propriedade sobre o corpo e a vida daqueles que s\u00e3o considerados fracos ou inferiores, em n\u00edvel individual, assim como um punhado de milhares de indiv\u00edduos exercem a propriedade sobre os corpos e as vidas de milh\u00f5es em n\u00edvel global.<\/p>\n<p><strong>Espa\u00e7os s\u00f3 para mulheres, sim; lutar separadamente n\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra as mulheres exige, em primeiro lugar, a solidariedade entre as mulheres. \u00c9 necess\u00e1rio e saud\u00e1vel garantir espa\u00e7os apenas para mulheres. Mas na luta contra o machismo, que mata as mulheres da classe trabalhadora, devemos estar todos. Com as mulheres na vanguarda dessa luta. Em nossas organiza\u00e7\u00f5es, devemos convocar os homens a agirem contra seu pr\u00f3prio machismo, e n\u00e3o exclu\u00ed-los de antem\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que a uni\u00e3o faz a for\u00e7a. Principalmente na luta contra o capitalismo pela conquista de uma vida melhor. Se a classe trabalhadora j\u00e1 est\u00e1 fragmentada em milhares de sindicatos enquanto os empregadores (homens e mulheres) se unem em organiza\u00e7\u00f5es sindicais fortes (SOFOFA, CPC, C\u00e2mara da Constru\u00e7\u00e3o) de que serviria a separa\u00e7\u00e3o de trabalhadores e trabalhadoras em sindicatos diferentes? Ou a organiza\u00e7\u00e3o em assembleias territoriais de mulheres separadas dos homens?<\/p>\n<p>Para enfrentar a quarentena e o desemprego, moradoras e moradores dos bairros pobres se organizaram em brigadas de saneamento e panelas comunit\u00e1rias; ajudando a fortalecer o tecido social e a identidade de nossa classe. Desde a eclos\u00e3o desta revolu\u00e7\u00e3o, milhares de homens e mulheres se organizaram em brigadas de sa\u00fade e de Primeira Linha, lutando lado a lado contra a repress\u00e3o. Por que no pr\u00f3ximo dia 8 de mar\u00e7o seria diferente?<\/p>\n<p><strong>Por um 8M Classista<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres trabalhadoras e dos bairros pobres devem se juntar aos homens para educ\u00e1-los na luta contra o machismo e liderar essa luta contra as bases do machismo, que n\u00e3o \u00e9 o patriarcado, mas o capitalismo, que se aproveita de todas as diferen\u00e7as para criar desigualdades e opress\u00f5es e nos manter divididos por causa dessas desigualdades.<\/p>\n<p>Nas organiza\u00e7\u00f5es territoriais e sindicais, a prote\u00e7\u00e3o da mulher no local de trabalho e no bairro, a forma\u00e7\u00e3o de brigadas de apoio e autodefesa devem ser discutidas para realmente reduzir a ocorr\u00eancia de feminic\u00eddios e estupros contra mulheres trabalhadoras e pobres. Sistemas de alerta de vizinhan\u00e7a, nos quais toda a popula\u00e7\u00e3o se mobiliza contra os agressores, e n\u00e3o apenas as mulheres.<\/p>\n<p>A vida e a integridade da mulher trabalhadora devem ser responsabilidade da organiza\u00e7\u00e3o e da for\u00e7a de toda a classe trabalhadora, assim como a defesa da vida da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia popular, a luta pelo direito ao aborto, a defesa do trabalho. As vidas das e dos trabalhadores devem estar em primeiro lugar para toda a classe. Os feminic\u00eddios afetam quase 100% as mulheres pobres. A distribui\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia f\u00edsica segue praticamente o mesmo mapa da pobreza. Nas tr\u00eas comunas (divis\u00e3o administrativa, ndt.) mais ricas do pa\u00eds, n\u00e3o h\u00e1 registro de casos, apesar de poder haver subnotifica\u00e7\u00e3o, o que mostra que com maiores n\u00edveis de escolaridade e melhores trabalhos, os n\u00edveis de tens\u00e3o que provocam a viol\u00eancia f\u00edsica contra as mulheres reduzem-se quase a zero. .<\/p>\n<p>O 8M \u00e9 um dia de luta a partir da explora\u00e7\u00e3o das mulheres, desde as greves femininas at\u00e9 o massacre de 120 trabalhadoras em uma f\u00e1brica t\u00eaxtil de Nova York pela repress\u00e3o policial. A solidariedade das mulheres revolucion\u00e1rias impulsionou o reconhecimento internacional do 8M como o dia das mulheres trabalhadoras, somando as experi\u00eancias das greves das trabalhadoras russas na revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro de 1917 e a morte horr\u00edvel de mais de 100 trabalhadores (a maioria de jovens imigrantes) e cerca de vinte homens no inc\u00eandio de uma f\u00e1brica de camisas em Nova York. Foi somente na d\u00e9cada de 1970 que a ONU arrebatou o conte\u00fado de luta classista e estabeleceu o Dia Internacional da Mulher, simplesmente, impondo um falso v\u00e9u de igualdade entre todas as mulheres do mundo. Dos milhares de mulheres que morrem a cada ano em consequ\u00eancia da viol\u00eancia machista, a maioria s\u00e3o trabalhadoras, pobres, imigrantes, negras, l\u00e9sbicas ou trang\u00eanero.<\/p>\n<p>Um artigo da NatGeo de 2018, &#8220;A dolorosa hist\u00f3ria por tr\u00e1s do Dia Internacional da Mulher&#8221;, assinala que, de acordo com o F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial (uma funda\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que re\u00fane lideran\u00e7as empresariais, pol\u00edticos e intelectuais), <strong>ainda faltam 170 anos para o fechamento completo das lacunas de g\u00eanero em n\u00edvel mundial<\/strong> &#8230;<\/p>\n<p>ESTES S\u00c3O OS PRAZOS DO CAPITALISMO. Quantos feminic\u00eddios mais ocorrer\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos mudar comportamentos enraizados na cultura que nos domina, a menos que usemos a unidade da classe trabalhadora e a for\u00e7a da revolu\u00e7\u00e3o para derrubar as institui\u00e7\u00f5es que a sustentam e a maquiam: o estado burgu\u00eas, o parlamento , a igreja, as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>N\u00e3o vamos lutar contra o capitalismo e seu estado burgu\u00eas, que sem d\u00favida se beneficia do machismo e da viol\u00eancia contra as mulheres, com assembleias separatistas ou linguagem inclusiva. Devemos enfrent\u00e1-lo com uma luta decidida e revolucion\u00e1ria, baseada na unidade dos explorados e oprimidos, e n\u00e3o na unidade de g\u00eanero. O machismo que restringe nossa classe deve ser combatido com uma forte organiza\u00e7\u00e3o de trabalhadoras e trabalhadores, levantando um programa revolucion\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00f3s, as mulheres revolucion\u00e1rias estamos chamadas a impulsionar esta luta, de forma implac\u00e1vel diante de nossos pr\u00f3prios companheiros de classe para que nossa unidade seja forte. Nenhuma toler\u00e2ncia para comportamentos machistas de qualquer tipo porque isso enfraquece a confian\u00e7a. Para erradic\u00e1-los devemos educar em como queremos ser consideradas, ningu\u00e9m pode ensinar isso em nosso lugar.<\/p>\n<p>N\u00f3s, trabalhadoras e trabalhadores e a juventude, estamos convocados a mudar as coisas pela raiz. Abaixo o machismo e o capitalismo! Por uma sociedade socialista livre de toda opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 poucos dias aconteceu o estupro e feminic\u00eddio de Damaris, de 19 anos, funcion\u00e1ria de um supermercado em Nueva Imperial. Na cabe\u00e7a de milhares de mulheres, certamente existe a ideia de que o perigo de morrer nas m\u00e3os de um homem \u00e9 muito maior do que o risco de um roubo violento. 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