{"id":63229,"date":"2021-03-05T12:38:42","date_gmt":"2021-03-05T15:38:42","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63229"},"modified":"2021-03-05T12:38:42","modified_gmt":"2021-03-05T15:38:42","slug":"8m-as-mais-essenciais-as-mais-precarizadas-assim-nao-ha-mudanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/05\/8m-as-mais-essenciais-as-mais-precarizadas-assim-nao-ha-mudanca\/","title":{"rendered":"8M |As mais essenciais, as mais precarizadas: Assim n\u00e3o h\u00e1 mudan\u00e7a!"},"content":{"rendered":"<p><em>Celebramos este 8M no meio da pior pandemia do s\u00e9culo. Uma pandemia que revelou a desgra\u00e7a deste sistema capitalista que se apoia na explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na viol\u00eancia, na desigualdade e nas diferentes formas de opress\u00e3o. A Covid agravou os problemas que n\u00f3s mulheres v\u00ednhamos sofrendo ap\u00f3s a \u00faltima crise, da qual nunca sa\u00edmos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Corriente Roja<\/p>\n<p>No Estado Espanhol, a crise sanit\u00e1ria, econ\u00f4mica e social desta pandemia produzida pela gest\u00e3o por parte dos governos, ataca com for\u00e7a a classe trabalhadora e, especialmente, as mulheres.<\/p>\n<p>A pandemia agravou o desemprego feminino e a disparidade salarial. Os ERTEs (Expedientes Tempor\u00e1rios de Regulamenta\u00e7\u00e3o do Trabalho) afetaram fortemente a hotelaria, o com\u00e9rcio e o turismo, onde se concentram os empregos femininos. De cada quatro novas\/os desempregadas\/os, tr\u00eas s\u00e3o mulheres e, com isso, ainda continuamos sendo 90% dos contratos em tempo parcial.<\/p>\n<p>Pior ainda se voc\u00ea for jovem. O desemprego juvenil, \u00e0 frente da Europa, disparou para 40,1%, quase 10 pontos a mais que h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de g\u00eanero no valor das aposentadorias, resultado da nossa discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho, chega a 35%. Mais da metade de n\u00f3s recebemos aposentadorias que n\u00e3o ultrapassam 750 euros. Este governo \u00e9 respons\u00e1vel por manter a discrimina\u00e7\u00e3o de quase cinco milh\u00f5es de aposentadas: a reforma de Jos\u00e9 Luis Escriv\u00e1 (ministro), ditada pela Uni\u00e3o Europeia (EU), \u00e9 um novo ataque \u00e0s aposentadorias p\u00fablicas, piorando as nossas.<\/p>\n<p>Os decretos para alcan\u00e7ar a igualdade de remunera\u00e7\u00e3o e regular os planos de igualdade, s\u00e3o insuficientes. Para acabar com a precariza\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho que sofremos hoje, devemos lutar pela revoga\u00e7\u00e3o das reformas trabalhistas e previdenci\u00e1rias e contra os novos ataques que j\u00e1 se anunciam.<\/p>\n<p><strong>A pandemia nos deixou mais pobres<\/strong><\/p>\n<p>Em Madri, uma em cada tr\u00eas casas empobreceu em 2020. Um empobrecimento que se repete em outros lugares e onde n\u00f3s mulheres levamos a pior parte. As migrantes em situa\u00e7\u00e3o irregular viram piorar sua situa\u00e7\u00e3o catastroficamente.\u00a0 Empregadas dom\u00e9sticas em condi\u00e7\u00f5es de semiescravid\u00e3o, na economia subterr\u00e2nea ou obrigadas a se prostituir, s\u00e3o infectadas enquanto s\u00e3o exclu\u00eddas dos sistemas de sa\u00fade e das miser\u00e1veis ajudas sociais. Este governo se nega a fechar os CIEs (Centro de Interna\u00e7\u00e3o para Estrangeiros, ndt.), a revogar a Lei de imigra\u00e7\u00e3o e a aplicar uma regulariza\u00e7\u00e3o imediata que h\u00e1 meses reivindicamos. A Renda M\u00ednima Vital com seus tediosos e complicados tr\u00e2mites burocr\u00e1ticos deixa de fora muitas mulheres e n\u00e3o serve para acabar com as filas da fome. Exigimos um subs\u00eddio de desemprego, por tempo indeterminado, digno para quem necessita de renda ou tenham rendas abaixo do SMI (Sal\u00e1rio M\u00ednimo Interprofessional, ndt.).<\/p>\n<p><strong>E agravou nossa opress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O fechamento parcial ou total de servi\u00e7os p\u00fablicos ou salas de aulas, necess\u00e1rios para enfrentar a pandemia, sup\u00f5e uma sobrecarga de tarefas dom\u00e9sticas e de cuidados que os governos ignoram. Somos n\u00f3s quem nos vemos obrigadas a reduzir a jornada de trabalho ou pedir uma licen\u00e7a para as tarefas de cuidados. A divis\u00e3o destas tarefas entre homens e mulheres n\u00e3o basta. O teletrabalho \u00e0 medida das empresas, N\u00c3O \u00e9 concilia\u00e7\u00e3o, mas mais precariedade!<\/p>\n<p>\u00c9 preciso um aumento dr\u00e1stico do gasto social para garantir servi\u00e7os de qualidade no atendimento a pessoas idosas, menores ou dependentes. \u00c9 a \u00fanica forma de acabar com a escravid\u00e3o do trabalho gratuito de cuidados dom\u00e9sticos.<\/p>\n<p><strong>Colocar os cuidados no centro: o que isto significa para este governo? <\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s mulheres somos 76% do pessoal da sa\u00fade e a imensa maioria em asilos, limpeza de hospitais, empregadas dom\u00e9sticas, ou trabalhadoras do Servi\u00e7o de Ajuda Domiciliar. S\u00e3o estes servi\u00e7os os que apresentam maior incid\u00eancia de cont\u00e1gios, segundo o \u00faltimo estudo de soropreval\u00eancia. O governo reconheceu a Covid como doen\u00e7a profissional, mas s\u00f3 para o pessoal da sa\u00fade.<\/p>\n<p>Este governo afirma que \u201c\u00e9 necess\u00e1rio colocar no centro os cuidados e abordar com perspectiva de g\u00eanero\u201d as pol\u00edticas que v\u00e3o implementar com os fundos europeus de reconstru\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s isso significa acabar com a precariedade das sanit\u00e1rias que encadeiam contratos durante anos e garantir equipamentos de prote\u00e7\u00e3o suficientes contra o v\u00edrus para todas as trabalhadoras de servi\u00e7os s\u00f3cios sanit\u00e1rios e vacinas J\u00e1!<\/p>\n<p>Significa acabar com a discrimina\u00e7\u00e3o no trabalho das cerca de 600.000 empregadas dom\u00e9sticas, das quais menos de 400.000 est\u00e3o registradas na Previd\u00eancia Social. Que o governo comece ratificando o conv\u00eanio 189 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) como se comprometeu h\u00e1 meses!<\/p>\n<p>A Sa\u00fade, os asilos privados e o Servi\u00e7o de Ajuda Domiciliar, devem passar para m\u00e3os p\u00fablicas, como as trabalhadoras exigem h\u00e1 anos, assim como todos os servi\u00e7os p\u00fablicos agora terceirizados. Essa \u00e9 a maneira de dignificar estes servi\u00e7os para que deixem de ser um neg\u00f3cio. Mas n\u00e3o \u00e9 isso o que est\u00e3o fazendo nem ao que v\u00e3o dedicar os bilh\u00f5es do fundo de reconstru\u00e7\u00e3o europeu, que ir\u00e3o parar nas m\u00e3os das grandes multinacionais do Ibex 35 (\u00edndice de refer\u00eancia da bolsa de valores espanhola, ndt).<\/p>\n<p><strong>A viol\u00eancia machista continua n\u00e3o sendo prioridade <\/strong><\/p>\n<p>O confinamento domiciliar da primeira onda deixou aquelas que sofrem viol\u00eancia machista presas com seu agressor, em quarentenas sem medidas sociais e com um agravamento cont\u00ednuo das condi\u00e7\u00f5es materiais, dificultando assim sua sa\u00edda da viol\u00eancia machista ou seu enfrentamento diante de qualquer agress\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas medidas como as necess\u00e1rias para atender as v\u00edtimas de viol\u00eancia sexual, nem sequer existem em algumas Comunidades Aut\u00f4nomas. Precisamos de mais alojamentos seguros contra a Covid e a viol\u00eancia machista. Continuamos exigindo a depura\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes e ju\u00edzas machistas e franquistas e uma educa\u00e7\u00e3o sexual e em valores de igualdade como disciplina curricular, que a Lei Cela\u00e1 n\u00e3o garante. Acabar com a prostitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 fechar bord\u00e9is. Implica enfrentar o milion\u00e1rio neg\u00f3cio dos cafet\u00f5es e do sexo e oferecer prote\u00e7\u00e3o, renda, forma\u00e7\u00e3o e oportunidade de trabalho digno, a quem o exerce.<\/p>\n<p>As leis aprovadas ou que est\u00e3o previstas, como a Lei de liberdade sexual para que \u201cs\u00f3 SIM seja SIM\u201d, n\u00e3o s\u00e3o um presente deste governo, s\u00e3o fruto da luta e mobiliza\u00e7\u00e3o destes anos. Em meio a uma crise descomunal, nossos direitos continuam sendo utilizados como arma de impulsionamento para fins eleitorais, como a pol\u00eamica Lei Trans, sobre a qual n\u00e3o tem acordo. Enquanto isso, a taxa de desemprego das mulheres trans \u00e9 de 85% e as agress\u00f5es n\u00e3o param de crescer. Exigimos medidas sanit\u00e1rias, econ\u00f4micas e sociais, reais e eficazes para combater a pandemia, a viol\u00eancia machista, a LGTBIfobia e a desigualdade!<\/p>\n<p><strong>Como continuar a luta?<\/strong><\/p>\n<p>Para arrancar dos governos as medidas que precisamos, \u00e9 necess\u00e1rio organizar-se a partir de baixo, assim como um plano de luta sustentado no tempo no qual n\u00f3s mulheres possamos nos somar como parte da classe trabalhadora. Isto implica em combater o machismo de forma cotidiana nas organiza\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias, estudantis e populares.<\/p>\n<p>N\u00f3s da Corriente Roja endossamos as mobiliza\u00e7\u00f5es neste 8M, tomando as medidas de precau\u00e7\u00e3o necess\u00e1rias, e batalhamos para que este seja um dia de luta de toda a classe, com as trabalhadoras \u00e0 frente.<\/p>\n<p>N\u00e3o esque\u00e7amos neste dia que a direita e a ultradireita continuam criminalizando a luta feminista, tentando acabar com as poucas conquistas que conseguimos nestes anos. N\u00e3o t\u00eam NENHUMA legitimidade para criticar a gest\u00e3o da pandemia pela qual s\u00e3o correspons\u00e1veis onde governam. S\u00e3o diretamente respons\u00e1veis pela privatiza\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade P\u00fablica e da assist\u00eancia social, que \u00e9 uma das causas da ca\u00f3tica situa\u00e7\u00e3o s\u00f3cio sanit\u00e1ria que estamos vivendo. Chamamos a repudiar e desmascarar, em nossos bairros e locais de trabalho ou estudo, seu discurso racista e machista, populista e demagogo!<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a tarefa com a qual as e os militantes de CR estamos comprometidas\/os. A luta das mulheres \u00e9 parte da luta de classes que percorre todos os continentes, para derrotar os governos servis aos amos do mundo, at\u00e9 acabar com o capitalismo. Se voc\u00ea n\u00e3o se resigna ao machismo e \u00e0 sua viol\u00eancia, nem ao futuro miser\u00e1vel ao qual este sistema quer nos condenar, venha construir uma organiza\u00e7\u00e3o com um programa revolucion\u00e1rio e socialista, que levanta com orgulho as bandeiras pelos direitos das mulheres!<\/p>\n<p><strong>Viva o 8M!<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viva a luta da mulher trabalhadora!<\/strong><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Celebramos este 8M no meio da pior pandemia do s\u00e9culo. Uma pandemia que revelou a desgra\u00e7a deste sistema capitalista que se apoia na explora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m na viol\u00eancia, na desigualdade e nas diferentes formas de opress\u00e3o. A Covid agravou os problemas que n\u00f3s mulheres v\u00ednhamos sofrendo ap\u00f3s a \u00faltima crise, da qual nunca sa\u00edmos.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":70264,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[729,3512,238,3493],"tags":[2184,229,3726,3723],"class_list":["post-63229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-8m-2021","category-estado-espanhol","category-lgbt","category-mulheres","tag-8m-2021","tag-corriente-roja","tag-mulheres-e-coronavirus","tag-opressao-as-mulheres"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Espanha.jpg","categories_names":["8M 2021","Estado Espanhol","LGBT","Mulheres"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63229"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63229\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}