{"id":63207,"date":"2021-03-03T10:16:59","date_gmt":"2021-03-03T13:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63207"},"modified":"2021-03-03T10:16:59","modified_gmt":"2021-03-03T13:16:59","slug":"8m-lutamos-por-um-mundo-sem-pandemia-sem-machismo-e-sem-capitalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/03\/03\/8m-lutamos-por-um-mundo-sem-pandemia-sem-machismo-e-sem-capitalismo\/","title":{"rendered":"8M: Lutamos por um mundo sem pandemia, sem machismo e sem capitalismo"},"content":{"rendered":"<p><em>A cada 8 de mar\u00e7o vamos \u00e0s ruas para reivindicar a luta pelos direitos das mulheres. Em 2021, o dia internacional da mulher trabalhadora ser\u00e1 muito diferente. A pandemia da COVID-19 j\u00e1 tem um ano e continua sem ser resolvida. As mais de 2.500.000 mortes no mundo e 113 milh\u00f5es de pessoas infectadas (segundo cifras oficiais, embora estudos independentes indiquem o dobro ou mais), revelam um massacre sem final \u00e0 vista.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Secretaria de Mulheres da LIT-QI<\/p>\n<p>Esta crise sanit\u00e1ria sem precedentes se somou \u00e0 crise econ\u00f4mica que j\u00e1 atingia as e os mais pobres do mundo, mostrando com nitidez que a desigualdade capitalista gera uma situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o mais dram\u00e1tica para as mulheres trabalhadoras e pobres.<\/p>\n<p>Fizemos advert\u00eancias, mas a realidade foi mais dura que os progn\u00f3sticos. Fomos atacadas mais fortemente pela pandemia porque os governos de todas as cores priorizaram os privil\u00e9gios e lucros dos capitalistas em detrimento da defesa da sa\u00fade p\u00fablica e a vida de milh\u00f5es. N\u00e3o fizeram quase nada por n\u00f3s nem pela humanidade de conjunto.<\/p>\n<p><strong>Dizem que somos essenciais, mas querem nos tornar invis\u00edveis!<\/strong><\/p>\n<p>Os dados estat\u00edsticos s\u00e3o aterradores. A perda de empregos no mundo \u00e9 gigantesca e as mulheres s\u00e3o as mais afetadas. Em abril de 2020, 55% dos 20,5 milh\u00f5es de postos de trabalho perdidos nos EUA eram de mulheres. O pessoal da sa\u00fade e de assist\u00eancia sociossanit\u00e1ria, composto majoritariamente por mulheres, foi quem ficou mais exposto ao v\u00edrus e tendo jornadas extenuantes e mal remuneradas.<\/p>\n<p>N\u00f3s mulheres somos maioria na economia informal, motivo pelo qual os confinamentos obrigat\u00f3rios e a terr\u00edvel retra\u00e7\u00e3o da economia, nos sujeitou a uma maior precariza\u00e7\u00e3o, ao desemprego ou diretamente \u00e0 mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>As trabalhadoras dom\u00e9sticas e cuidadoras, foram obrigadas a se contagiarem, em absoluta precariedade e com a consequente dupla jornada, que sufocou a maioria das mulheres neste \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Das mulheres que perderam o emprego, a metade abandonou sua busca por trabalho e agora se dedicam ao lar de maneira for\u00e7ada.<\/p>\n<p>As tarefas de cuidado se multiplicaram por mil de maneira muito r\u00e1pida. Ficou sobre nossas costas a escolaridade presencial, o aumento de doentes nas fam\u00edlias, assim como o necess\u00e1rio cuidado dos idosos\/as.<\/p>\n<p>A necessidade de higieniza\u00e7\u00e3o permanente dos lares e objetos cotidianos agravou a escravid\u00e3o dom\u00e9stica. Esta situa\u00e7\u00e3o piorou nos lares mais pobres, que n\u00e3o tem acesso a servi\u00e7os b\u00e1sicos de moradia ou agua pot\u00e1vel e que, al\u00e9m disso, passaram a depender de sal\u00e1rios que foram reduzidos ou de insuficientes ajudas governamentais que atualmente est\u00e3o sendo retiradas em muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p>As trabalhadoras que puderam manter seus empregos trabalhando remotamente a partir de suas casas, triplicaram a jornada de trabalho em uma situa\u00e7\u00e3o de stress e sobrecarga com as tarefas dom\u00e9sticas e de cuidado, que n\u00e3o t\u00eam limites nem hor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Como se isto n\u00e3o bastasse, segundo o informe <a href=\"..\/..\/..\/Downloads\/Mulheres%20e%20crian\u00e7as%20em%20tempos%20de%20%20HYPERLINK%20%22https:\/reliefweb.int\/sites\/reliefweb.int\/files\/resources\/WeWorld-Index-en-2020.pdf%22covid\"><em>Mulheres e crian\u00e7as em tempos de\u00a0 HYPERLINK &#8220;https:\/\/reliefweb.int\/sites\/reliefweb.int\/files\/resources\/WeWorld-Index-en-2020.pdf&#8221;covid<\/em><\/a>, de We World, a viol\u00eancia contra as mulheres aumentou em 25% durante os confinamentos. Os feminic\u00eddios cresceram no mundo, crian\u00e7as foram obrigadas a estar confinadas com seus abusadores, e o corte do or\u00e7amento nas \u00e1reas de atendimento \u00e0 viol\u00eancia provocou o fechamento de casas de abrigo.<\/p>\n<p>Esta pandemia mostrou sem disfarces o criminoso neg\u00f3cio da sa\u00fade, empurrando \u00e0 morte milh\u00f5es que n\u00e3o tem acesso a um direito que se transformou em privil\u00e9gio. O mesmo ocorreu com o acesso \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, que ficou nas m\u00e3os dos pa\u00edses ricos e da ind\u00fastria farmac\u00eautica.<\/p>\n<p>A necessidade de priorizar a pandemia atrasa o atendimento m\u00e9dico geral, condena milhares ao c\u00e2ncer de mama e \u00fatero pela demora nos controles anuais. Assim como a sa\u00fade mental n\u00e3o est\u00e1 concebida como direito necess\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nossa sa\u00fade sexual e reprodutiva tamb\u00e9m est\u00e1 desatendida, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 considerada uma \u201cassist\u00eancia sanit\u00e1ria essencial\u201d, o acesso a anticonceptivos ou interrup\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias da gravidez foram suspensas, e a viol\u00eancia obst\u00e9trica aumentou com discursos de \u201caplica\u00e7\u00e3o de protocolos\u201d. Em 2021, espera-se um milh\u00e3o de gravidezes n\u00e3o desejadas, e milhares de mortes maternas evit\u00e1veis a mais.<\/p>\n<p>As mulheres migrantes, negras, ind\u00edgenas e LGBTI ainda levam a pior parte, s\u00e3o perseguidas, obrigadas a adoecer e a morrer de fome pela grave crise econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Um futuro igualit\u00e1rio no mundo da Covid-19?<\/strong><\/p>\n<p>O lema da ONU deste ano para o 8M \u00e9 \u201cMulheres l\u00edderes: Por um futuro igualit\u00e1rio no mundo da Covid-19\u201d. Prop\u00f5e, al\u00e9m disso, que a \u201csolu\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 ter mais mulheres nos postos de governo, colocando as chefas de Estado atuais como exemplo de gest\u00e3o, devido \u00e0 sua \u201cmaneira am\u00e1vel de comunicar informa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica baseadas nos fatos\u201d.<\/p>\n<p>Os dados colocados no in\u00edcio mostram a fal\u00e1cia e mentira destas afirma\u00e7\u00f5es. As \u201cl\u00edderes\u201d mundiais como chefas de Estado, vice-presidentas, ministras ou parlamentares, s\u00e3o parte da pol\u00edtica criminosa dos governos. Angela Merkel, uma das l\u00edderes exaltadas pela ONU est\u00e1 contra liberar as patentes das vacinas que poderiam salvar milh\u00f5es de vidas nos pa\u00edses pobres.<\/p>\n<p>Embora usem palavras mais \u201cdelicadas\u201d, estas mulheres no poder privilegiam os lucros das multinacionais em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da humanidade, priorizam sua localiza\u00e7\u00e3o de classe, n\u00e3o o seu pertencimento ao g\u00eanero feminino.\u00a0 Enquanto Kamala Harris tomava posse da vice-presidencia americana, milhares de mulheres pobres morriam asfixiadas por falta de oxig\u00eanio no Amazonas, milhares de haitianas continuaram sofrendo todo tipo de viol\u00eancias, enquanto que altos dirigentes do partido democrata lucraram explorando seu trabalho nas zonas francas desses lugares.<\/p>\n<p>As dire\u00e7\u00f5es feministas majorit\u00e1rias ficaram em sil\u00eancio durante a pandemia, e chamam a confiar nestas l\u00edderes ou a votar em mulheres parlamentares enquanto as mais pobres morrem aos milhares por dia. Aquelas que se reivindicam representantes do movimento de mulheres se tornaram o bra\u00e7o feminino dos governos que posam de alternativos ou denunciantes inativas nos outros. E sustentam o discurso do empoderamento individual como sa\u00edda para esta situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 nitidamente um problema social e coletivo.<\/p>\n<p>Para estas dire\u00e7\u00f5es feministas dizemos abertamente, que, embora estejamos dispostas \u00e0 mais ampla unidade de a\u00e7\u00e3o na exig\u00eancia de mais vacinas ou mais investimentos contra a viol\u00eancia machista, as mulheres da burguesia nunca ser\u00e3o aliadas das trabalhadoras.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o de fundo para a opress\u00e3o dentro do capitalismo, nem com reformas mais ou menos radicais, nem com l\u00edderes femininas conseguiremos nossa total emancipa\u00e7\u00e3o. Para sermos verdadeiramente livres precisamos da derrota do sistema capitalista mundial e da conquista de uma sociedade socialista.<\/p>\n<p><strong>Os governos aproveitam<\/strong><\/p>\n<p>Em meio a esta situa\u00e7\u00e3o, setores de ultradireita, apoiados em organiza\u00e7\u00f5es fundamentalistas internacionais, igrejas e fac\u00e7\u00f5es religiosas, promovem uma ofensiva ideol\u00f3gica reacion\u00e1ria, de intoler\u00e2ncia e \u00f3dio aos direitos humanos, \u00e0 igualdade de g\u00eanero, \u00e0 luta contra o racismo e \u00e0 LGBTIfobia.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que governos ultranacionalistas utilizam a desculpa da pandemia para atacar as liberdades e direitos democr\u00e1ticos, como a restri\u00e7\u00e3o do aborto na Pol\u00f4nia e Honduras, a proibi\u00e7\u00e3o das ado\u00e7\u00f5es por casais gays na Hungria, etc.<\/p>\n<p>Em todo o mundo, os diferentes governos aproveitam as necess\u00e1rias restri\u00e7\u00f5es e medidas de distanciamento social, para proibir e criminalizar as mobiliza\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora e das mulheres, quando sa\u00edmos para exigir um plano de emerg\u00eancia social e sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Com discursos de \u00f3dio ou com fraseologia progressista tentam dividir e debilitar a classe trabalhadora, utilizam a crise econ\u00f4mica que se aprofundou com a pandemia, para justificar a retirada de ajudas estatais aos setores mais oprimidos, justo quando mais necessitam, no entanto aumentam os subs\u00eddios \u00e0s grandes multinacionais.<\/p>\n<p><strong>Contra a pandemia e apesar dela, n\u00f3s mulheres continuaremos lutando!<\/strong><\/p>\n<p>Mas n\u00f3s mulheres n\u00e3o somos s\u00f3 v\u00edtimas indefesas, estamos \u00e0 frente de v\u00e1rios processos de luta. Em Myanmar, as mulheres s\u00e3o a linha de frente contra o golpe militar de 1\u00ba de fevereiro. Na Pol\u00f4nia resistiram e impediram a revoga\u00e7\u00e3o da lei do aborto. Na Argentina, conseguiram uma vit\u00f3ria hist\u00f3rica ao aprovar a lei do aborto, apesar das dire\u00e7\u00f5es do movimento. As afro-americanas, junto aos seus irm\u00e3os de classe, forma em massa \u00e0s ruas norte-americanas. As mulheres na Belarus s\u00e3o vanguarda nas mobiliza\u00e7\u00f5es contra o autoritarismo.<\/p>\n<p>As professoras decretam greves e planos de luta em v\u00e1rios pa\u00edses, em defesa de sua vida e a das fam\u00edlias. E a denuncia \u00e0 viol\u00eancia machista gerou mobiliza\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas muito grandes, como por exemplo, ocorreu na Costa Rica ou no Chile.<\/p>\n<p>No Chile, nossa companheira Mar\u00eda Rivera, advogada, revolucion\u00e1ria e ativista de direitos humanos \u00e9 um exemplo de mulheres lutadoras que saem para a luta e s\u00e3o reprimidas por isso. Ela est\u00e1 sendo acusada agora penalmente porque pediu aos carabineiros, a pol\u00edcia nacional chilena, para que n\u00e3o atirassem contra os manifestantes. \u00c9 uma persegui\u00e7\u00e3o para evitar sua candidatura \u00e0 Constituinte. Mas n\u00e3o ir\u00e3o nos deter!<\/p>\n<p><strong>Acabar com o machismo, lutar contra o capitalismo!<\/strong><\/p>\n<p>Em todos os lugares os planos multimilion\u00e1rios apresentados pelos governos burgueses de qualquer tipo tem cinco, dez, vinte vezes mais dinheiro para resgatar as multinacionais do que para proteger a vida e a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. N\u00e3o podemos aceitar que se perca nem mais uma vida! N\u00e3o aguentamos mais continuar enterrando nossos entes queridos!<\/p>\n<p>Temos que arrancar as patentes das m\u00e3os das multinacionais e obrigar a todos os governos a ter um verdadeiro plano de vacina\u00e7\u00e3o que chegue a todos os rinc\u00f5es do mundo, at\u00e9 que a pandemia deixe de ser uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Tomando todas as medidas sanit\u00e1rias e de distanciamento social necess\u00e1rias, sairemos novamente \u00e0s ruas onde for poss\u00edvel neste 8M, e queremos que esta mobiliza\u00e7\u00e3o sirva para impulsionar a luta de toda a classe trabalhadora.<\/p>\n<p>Para que nossas reivindica\u00e7\u00f5es sejam conquistadas, precisamos unir toda a classe trabalhadora e lutar pelo socialismo. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel unir a classe quando n\u00f3s mulheres somos massacradas e quando s\u00e3o nossos pr\u00f3prios companheiros os que produzem e reproduzem a opress\u00e3o. Neste 8 de mar\u00e7o fa\u00e7amos um chamado aos nossos companheiros para que rompam com seu machismo e lutem conosco por nossas bandeiras.<\/p>\n<p>Lutamos por um mundo sem pandemia, sem machismo e sem capitalismo. Queremos fazer uma revolu\u00e7\u00e3o socialista que conquiste um mundo para sermos verdadeiramente livres.<\/p>\n<p>Nossas vidas importam! Libera\u00e7\u00e3o das patentes e vacinas para todas e todos!<\/p>\n<p>Basta de viol\u00eancia machista!<\/p>\n<p>Basta de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada 8 de mar\u00e7o vamos \u00e0s ruas para reivindicar a luta pelos direitos das mulheres. Em 2021, o dia internacional da mulher trabalhadora ser\u00e1 muito diferente. A pandemia da COVID-19 j\u00e1 tem um ano e continua sem ser resolvida. 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