{"id":63116,"date":"2021-02-19T16:44:46","date_gmt":"2021-02-19T19:44:46","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=63116"},"modified":"2021-02-19T16:44:46","modified_gmt":"2021-02-19T19:44:46","slug":"o-messias-e-o-judas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2021\/02\/19\/o-messias-e-o-judas-2\/","title":{"rendered":"O Messias e o Judas"},"content":{"rendered":"<p><em>Um exemplo de como atuam os aparatos de repress\u00e3o em um Estado burgu\u00eas.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 est\u00e1 sendo anunciada a estreia, no Brasil, do filme &#8220;<a href=\"https:\/\/guia.folha.uol.com.br\/cinema\/drama\/judas-e-o-messias-negro-reserva-cultural-bela-vista-3830809298.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Judas e o Messias Negro<\/a>&#8220;, dirigido por Shaka King que estreou na semana passada nos Estados Unidos, sobre a vida do dirigente do Panteras Negras: Fred Hampton, e que demonstra como o FBI, e as outras agencias ligadas ao Estado, atuaram para destruir o Partido dos Panteras Negras (BPP &#8211; por suas siglas em ingl\u00eas) e seus dirigentes.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por: Am\u00e9rico Gomes<\/p>\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es est\u00e1 o planejamento e o assassinato de Hampton em 4 de dezembro de 1969, quando ele tinha 21 anos de idade. Hampton foi morto em uma invas\u00e3o da pol\u00edcia em seu apartamento, onde estava dormindo com outros membros dos Panteras Negras. A a\u00e7\u00e3o foi organizada e seu assassinato deliberado, a partir das informa\u00e7\u00f5es do infiltrado e provocador William O&#8217;Neal, um informante do FBI.<\/p>\n<p><strong>Um dirigente talentoso<\/strong><\/p>\n<p>Hampton era um dos mais talentosos e capazes organizadores dos Panteras Negras e atuava centralmente na cidade de Chicago. Quando era adolescente atuou na NAACP (Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor), uma das principais organiza\u00e7\u00f5es de direitos civis dos EUA. Organizou manifesta\u00e7\u00f5es contra o racismo e pela contrata\u00e7\u00e3o de mais professores e administradores negros, no ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Dirigente e organizador do Partido dos Panteras Negras em Illinois, Hampton estabeleceu programas comunit\u00e1rios e, entre eles, o que teve mais proje\u00e7\u00e3o foi o do caf\u00e9 da manh\u00e3 gratuito para crian\u00e7as em idade escolar. Tamb\u00e9m planejou a instala\u00e7\u00e3o de uma cl\u00ednica m\u00e9dica.<\/p>\n<p>Construiu alian\u00e7as e unidade de a\u00e7\u00e3o com outros grupos que lutavam por direitos civis, contra o racismo, a brutalidade policial e a pobreza, uma pol\u00edtica que a maioria dos dirigentes dos Panteras tinha dificuldade de desenvolver. Entre estes grupos estavam os Young Lords (porto-riquenhos) e os Young Patriots (ativistas brancos do sul do pa\u00eds que lutavam contra a pobreza). Habilidoso, negociou tr\u00e9guas entre algumas das mais violentas gangues de Chicago, com o objetivo de poupar vidas negras.<\/p>\n<p><strong>Monitoramento, infiltra\u00e7\u00e3o e provoca\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>Aproveitando o lan\u00e7amento deste filme vale a pena recordar como os aparatos de repress\u00e3o do Estado burgu\u00eas atuam para destruir os movimentos sociais e as organiza\u00e7\u00f5es que lutam pelos direitos de nossa classe. N\u00e3o h\u00e1 regras, nem moral, nem leis, \u00e9 o vale tudo da repress\u00e3o para destruir o inimigo.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, considerado uma rep\u00fablica democr\u00e1tica, o FBI, se utilizou de todos os meios, legais e ilegais, para destruir o movimento negro e os levantes insurgentes da d\u00e9cada de 1960, em um programa que chamaram de COINTELPRO<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>.<\/p>\n<p>Este programa inclu\u00eda orienta\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas para o bloqueio e o ataque \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas negras consideradas radicais e \u00e0 dirigentes como Martin Luther King, Stokely Carmichael, H. Rap Brown, Maxwell Stanford y Elija Mohamed. Com uma pol\u00edtica de \u201cneutraliza\u00e7\u00e3o\u201d buscando \u201cdesacredit\u00e1-los\u201d negando-lhes \u201crespeitabilidade\u201d e \u201cimpedindo\u201d o crescimento destas organiza\u00e7\u00f5es, especialmente entre a juventude<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>O FBI, em conjunto com outras ag\u00eancias policiais do Estado, empregou t\u00e1ticas legais e ilegais em opera\u00e7\u00f5es clandestinas naquilo que chamaram de \u201cdirty tricks\u201d ou \u201cjogos sujos\u201d.<\/p>\n<p>As t\u00e1ticas inclu\u00edam intercepta\u00e7\u00e3o de correspond\u00eancia e comunica\u00e7\u00f5es; escutas telef\u00f3nicas; infiltra\u00e7\u00f5es de agentes; coopta\u00e7\u00e3o de militantes; incita\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia; produ\u00e7\u00e3o de intrigas e rumores inter y entre organiza\u00e7\u00f5es; inc\u00eandios criminosos, dissemina\u00e7\u00e3o de drogas entre a popula\u00e7\u00e3o dos bairros mais pobres e at\u00e9 assassinatos. O \u201cTerrorismo de Estado\u201d em nome da \u201cSeguran\u00e7a Nacional\u201d.<\/p>\n<p>O programa j\u00e1 existia desde agosto de 1956, quando foi utilizado contra o Partido Comunista, (em 1965, se calcula que cerca de um ter\u00e7o da ades\u00e3o nominal ao PC era de infiltrados do FBI). Em 1961 aplicaram contra o Socialist Workers Party (SWP) e personagens como John Lennon, Martin Luther King, Ernest Hemingway e Charlie Chaplin. Assim como fizeram com o l\u00edder nacionalista negro Marcus Garvey, em 1918.<\/p>\n<p>A partir de 1967 o projeto foi reorientado contra o movimento negro. O memorando do FBI determinava: \u201cEvitar que militantes e l\u00edderes negros de grupos nacionalistas negros ganhem respeitabilidade\u201d, desacreditando-os e, com isso, visando impedir o crescimento destas organiza\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>Direcionava-se a organiza\u00e7\u00f5es como a Confer\u00eancia de Dirigentes Crist\u00e3os do Sul (SCLC), a Coordena\u00e7\u00e3o de Comiss\u00f5es de Estudantes N\u00e3o Violentos (SNCC); mas tamb\u00e9m ao Movimento de A\u00e7\u00e3o Revolucion\u00e1ria (MAR) e \u00e0 Na\u00e7\u00e3o Isl\u00e2mica, e todos os que tinham liga\u00e7\u00f5es com eles, como o Partido de la Paz y la Libertad (PPL), os Boinas Marr\u00f5es, Estudantes por uma Sociedade Democr\u00e1tica (SDS), Mar\u00e7o dos Pobres, American Indian Movement, Jovens Hermanos Portorrique\u00f1os, e outros.<\/p>\n<p>Em 1967, J. Edgar Hoover instruiu a 1.246 agentes do FBI sobre o controle de intelig\u00eancia racial a cada m\u00eas. Orientava os agentes a \u201cexpor\u201d, \u201cenganar\u201d, \u201cprovocar desentendimentos\u201d, \u201cdestruir a credibilidade\u201d, \u201crealizar intrigas, sabotagens, intimida\u00e7\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o de \u201cindiv\u00edduos alvos\u201d. Em 1968, o n\u00famero de agentes envolvidos diretamente nestas miss\u00f5es subiu para 1.678.<\/p>\n<p>O memorando de 22 de janeiro de 1969 da Oficina do Bur\u00f3 de Chicago detalha a\u00e7\u00f5es deliberadas atrav\u00e9s de \u201cinfiltra\u00e7\u00f5es\u201d para aumentar os \u201cdebates c\u00e1usticos dentro da organiza\u00e7\u00e3o\u201d, \u201crumores\u201d, e outras t\u00e1ticas destinadas a fomentar \u201cdisputas internas\u201d. O agente especial Marlin Johnson<a href=\"#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a> chegou a afirmar que o assassinato de Malcolm X era uma esp\u00e9cie de modelo para as opera\u00e7\u00f5es de contraintelig\u00eancia \u201cexitosas\u201d<a href=\"#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>.<\/p>\n<p>Em 1975, as atividades de COINTELPRO foram investigadas pela Comiss\u00e3o Church do Senado, e suas atividades consideradas ilegais<a href=\"#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>. O FBI reconheceu haver realizado 2.218 a\u00e7\u00f5es ilegais; a partir de 1956 at\u00e9 meados de 1971, 2.305 grampos telef\u00f4nicos sem mandato; e haver enviado 57.846 cartas<a href=\"#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Os assassinatos<\/strong><\/p>\n<p>O FBI realizou o que para eles eram assassinatos cir\u00fargicos, matando alguns dos principais membros do movimento e dos Panteras Negras, combinado com as den\u00fancias, pris\u00f5es de militantes e guerra psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Bobby Hutton, tesoureiro do partido, foi assassinado covardemente em 1968, desarmado, em um tiroteio no qual estava envolvido um dos dirigentes, Eldridge Cleaver, em Oakland. Levou doze tiros e Cleaver foi ferido. Um provocador infiltrado da pol\u00edcia do \u201cEsquadr\u00e3o Panther\u201d, chamado Ray Brown, foi quem provocou o incidente. O funeral de Hutton foi assistido por mais de 2.000 personas, incluindo Marlon Brando y James Baldwin.<\/p>\n<p>Entre outros mortos encontraremos os l\u00edderes do SNCC: Ralph Featherstone e Che Payne, assassinados em 9 de mar\u00e7o de 1970, quando uma bomba explodiu em seu autom\u00f3vel em Maryland. George Jackson, dirigente do grupo \u201cGuerrilha Fam\u00edlia Negra\u201d assassinado na pris\u00e3o de San Quentin em 1971.<\/p>\n<p>Mas um dos mais importantes golpes sofridos pelo movimento e pelo BPP foi o assassinato de Fred Hampton, vice-presidente nacional e dirigente da se\u00e7\u00e3o dos Panteras Negras no Estado de Illinois. O FBI infiltrou v\u00e1rios informantes e provocadores na se\u00e7\u00e3o de Chicago para minar suas atividades. Um deles era William O\u2019Neal, que logo assumiu a localiza\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, guarda-costas pessoal de Hampton e chefe de seguran\u00e7a do BPP na cidade.<\/p>\n<p>Em 1966, aos 17 anos, O&#8217;Neal havia sido preso por roubo de carro usando um distintivo falso da pol\u00edcia. Para n\u00e3o ficar preso ele se infiltrou nos Panteras Negras.<\/p>\n<p>Dentro do BPP, como chefe da seguran\u00e7a, O\u2019Neal realizava investiga\u00e7\u00f5es e interrogat\u00f3rios para \u201cca\u00e7ar\u201d suspeitos de informantes da pol\u00edcia, para isso construiu uma cadeira el\u00e9ctrica para intimidar suas v\u00edtimas. Isso contra a pol\u00edtica de Hampton, que estava preso na \u00e9poca e que quando saiu da cadeia se contrap\u00f4s a brutalidades de O\u2019Neal. Al\u00e9m disso O\u2019Neal envolveu os membros do Partido em atividades criminosas, como bombardear a prefeitura, participa\u00e7\u00e3o em assaltos e roubos, e tr\u00e1fico de drogas, inclusive pelo telefone da sede do Partido.<\/p>\n<p>Em meados de 1969 ele entregou uma planta detalhada do apartamento de Hampton ao agente do FBI Roy Mitchell. Mitchell, junto com a unidade policial especial montou a invas\u00e3o a casa de Hampton<a href=\"#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Na madrugada de 4 para 5 de dezembro de 1969, 14 policiais invadiram o apartamento e deram entre 82 e 99 tiros. A opera\u00e7\u00e3o foi feita sob ordens de Edward Hanrahan, promotor do condado de Cook. Hampton e outro l\u00edder do grupo, Mark Clark, de 22 anos, foram mortos, Clark, era o l\u00edder do partido na cidade de Peoria. Quatro Panteras Negras e dois policiais ficaram feridos.<\/p>\n<p>Poucas horas depois da invas\u00e3o, Hanrahan deu uma entrevista coletiva na qual afirmou que a pol\u00edcia estava cumprindo um mandado de busca e apreens\u00e3o procurando por armas ilegais e foi recebida a tiros pelos ocupantes do apartamento, matando Hampton e Clark em autodefesa. Uma mentira deslavada.<\/p>\n<p>Um j\u00fari federal concluiu que quase todos os cartuchos e balas encontrados na cena haviam sido disparados por armas da pol\u00edcia. Somente um disparo havia sido feito pelos ocupantes do apartamento, provavelmente em autodefesa. Hampton foi morto na cama, dormindo. Baleado duas vezes na cabe\u00e7a, uma no bra\u00e7o e no ombro; outras tr\u00eas pessoas que dormiam na mesma cama escaparam ilesas. A esposa de Hampton, carregando o filho de oito meses, foi baleada, mas sobreviveu. Todos os membros sobreviventes foram presos acusados de \u201ctentativa de homic\u00eddio da pol\u00edcia e agress\u00e3o agravada\u201d. Mas as acusa\u00e7\u00f5es foram posteriormente descartadas quando testes de bal\u00edstica deixaram n\u00edtido que a vers\u00e3o da pol\u00edcia n\u00e3o encaixava com as evid\u00eancias na cena do crime.<\/p>\n<p>Hanrahan e 13 policiais acabaram sendo indiciados por obstru\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a e conspira\u00e7\u00e3o para apresentar falsas evid\u00eancias, mas foram absolvidos. O\u2019Neal recebeu um \u201cB\u00f4nus\u201d de 300 d\u00f3lares, por haver montado a provoca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dias depois um cen\u00e1rio semelhante foi montado em Los \u00c1ngeles, desta vez o infiltrado era Melvin \u201cCoton\u201d Smith, que tamb\u00e9m se havia tornado chefe de seguran\u00e7a do BPP local.<\/p>\n<p>O advogado Charles R. Garry declarou que Hampton y Clark eram \u201co vig\u00e9simo s\u00e9timo y vig\u00e9simo oitavo panteras assassinados pela pol\u00edcia\u201d, e que as mortes eram parte de uma pol\u00edtica nacional para destruir e realizar um genoc\u00eddio aos membros do Partido<a href=\"#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Provocadores <\/strong><\/p>\n<p>Em 1968, se calcula que o FBI tinha 3.300 informantes dentro do movimento negro nos Estados Unidos. Em 1971, o n\u00famero havia subido para 7.500. Acredita-se que dez por cento do total de membros do BPP, at\u00e9 finais de 1969, se constitu\u00eda de \u201cagentes da lei\u201d<a href=\"#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n<p>O mais destacado provocador infiltrado foi o descendente de japoneses Richard Masato Aoki. Habilidoso na luta de rua, de comportamento audaz, intimidador de rivais, roubava lojas, assaltava casas e pe\u00e7as de autom\u00f3veis. Foi preso diversas vezes por \u201ccoisas pequenas\u201d. No Ex\u00e9rcito se formou como especialista em armas de fogo. No FBI investigava organiza\u00e7\u00f5es conspirativas. Passou por v\u00e1rios grupos considerados radicais como o Partido Comunista e o SWP e participou de comit\u00eas contra a guerra do Vietn\u00e3. Em 1965, conheceu Huey Newton e Bobby Seale e, em 1966, forneceu aos Panteras suas primeiras armas. Em 1967 se juntou ao Partido, trouxe armas e treinou seus membros a manej\u00e1-las, enquanto dava informa\u00e7\u00f5es ao FBI.<\/p>\n<p>Aoki se suicidou com um tiro, em 2009, em sua casa de Berkeley. Em seu vel\u00f3rio, Bobby Seale o saudou como um \u201cl\u00edder audaz e servo do povo\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo em 2012, quando veio a p\u00fablico suas liga\u00e7\u00f5es com o FBI, Seale considerou que era uma difama\u00e7\u00e3o, e outro dirigente, Harvey Dong<a href=\"#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a> afirmou \u201cOs pr\u00f3prios documentos mostram, que ele n\u00e3o cooperava plenamente com seus manipuladores do FBI, grande parte das informa\u00e7\u00f5es [que ele] divulgava era de conhecimento p\u00fablico\u201d<a href=\"#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n<p>Outro infiltrado e provocador importante foi Darthard Perry, de apelido Otelo, no FBI, militar especialista em intelig\u00eancia, que se infiltrou nos Panteras de Los \u00c1ngeles. Para criar confronto com a \u201cUS Organization\u201d contra os Panteras Negras, agrediu fisicamente membros desta organiza\u00e7\u00e3o, a fim de facilitar \u201ca disc\u00f3rdia promovida entre os membros da US e do BPP em Los \u00c1ngeles\u201d. Estas provoca\u00e7\u00f5es levaram a conflitos entre as organiza\u00e7\u00f5es e a morte de Carter y Huggins.<\/p>\n<p>Um infiltrado que trabalhava na opera\u00e7\u00e3o na \u00e9poca, M. Wesley Swearingen, contou que: \u201cme foi dito\u2026 que outro agente na equipe havia organizado para [seus] informantes na US (United Slaves), assassinar a Alprentice Carter e a John Huggins\u201d (\u2026) \u201cposteriormente, revisando os arquivos de Los \u00c1ngeles se verificou que os irm\u00e3os Stiner eram informantes do FBI\u201d. Perry, que estava presente identificou o atirador, Claude Hubert, como agente do FBI dentro de la US. Tamb\u00e9m identificou aos irm\u00e3o George y Larry Stiner como infiltrados<a href=\"#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>.<\/p>\n<p>Otelo (Perry) trabalhou no FBI de 1970 a 1975, p\u00f4s escutas nas sedes, distribuiu literatura radical no BPP, construiu \u201cbombas rel\u00f3gio\u201d, tirou fotos da comunidade y de reuni\u00f5es de membros dos Panteras Negras e da Uni\u00e3o dos Estudantes Negros. Havia sido recrutado na pris\u00e3o de Sacramento<a href=\"#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>.<\/p>\n<p>O infiltrado Eugene Roberts foi guarda costas de Malcolm X, assim como Willian O\u2019Neal e Ralph White chegou a ser da unidade de \u201cca\u00e7a infiltrados\u201d de Nova York assim como Melvin Smith, encarregado da seguran\u00e7a da sede de Los \u00c1ngeles. O provocador Wilbert Thomas, no Brooklyn, organizou um roubo a um hotel que terminou em um cerco policial que levou a pris\u00e3o do dirigente do partido Alfred Cain. E um atentado a bomba em Seattle, que levou a morte de Larry Ward, jovem desempregado veterano de Vietn\u00e3, que havia ingressado no partido, a bomba tinha sido feita por Alfred Burnett, outro agente do FBI<a href=\"#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n<p>George Sams, \u201cespecialista em seguran\u00e7a\u201d do partido, que comandou a tortura de Alex Rackley (acusado por ser infiltrado no BPP), era tamb\u00e9m um provocador policial, entregou Bobby Seale ao poder judici\u00e1rio, afirmando ser ele o mentor da tortura<a href=\"#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>.<\/p>\n<p>Caso similar, em 1970, dezessete Panteras de Baltimore, foram acusados de conspira\u00e7\u00e3o para assassinato de um agente infiltrado, Eugene Anderson. Entre os principais participantes e testemunhas do crime estavam: Mahoney Kebe, Donald Vaughn y Arnold Loney, que eram agentes do FBI de Baltimore.<\/p>\n<p>O infiltrado Peter Cardoz<a href=\"#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a> forjou documentos fazendo parecer que Stokely Carmichael, de quem era seguran\u00e7a, era informante da CIA. Na \u00e9poca Stokely teve que deixar Nova York e ir para \u00c1frica, temendo por sua vida<a href=\"#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>.<\/p>\n<p><strong>Destruir o inimigo <\/strong><\/p>\n<p>Fica n\u00edtido que mesmo os governos que se apresentam como \u201cdemocr\u00e1ticos\u201d, utilizam t\u00e1ticas, legais e ilegais, para destruir, golpear e eliminar as organiza\u00e7\u00f5es que conspiram contra este regime e sistema, defendendo os interesses da classe trabalhadora e os setores mais oprimidos da sociedade.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi somente a repress\u00e3o que levou a destrui\u00e7\u00e3o do Partido dos Panteras Negras, foi tamb\u00e9m o abandono de seu programa original, sua adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia burguesa, e at\u00e9 os desvios de seus dirigentes. Mas a repress\u00e3o ilegal do Estado foi um elemento agravante e potencial nesta escalada.<\/p>\n<p>Apesar de sua ousadia pol\u00edtica, da coragem individual de seus dirigentes e militantes e do discurso revolucion\u00e1rio e antiregime, o BPP n\u00e3o se preparou adequadamente para o enfrentamento que estava envolvido, de certa maneira subestimando a determina\u00e7\u00e3o da burguesia em destruir seus inimigos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o que todos os lutadores revolucion\u00e1rios sociais t\u00eam que aprender, para melhor nos prepararmos na organiza\u00e7\u00e3o de nossas defesas. Neste sentido ganha relev\u00e2ncia a constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia de nossa classe contra a repress\u00e3o estatal.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> The COINTELPRO Papers Documents from the FBI&#8217;s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO &#8211; Black Liberation Movement pag 91, file:\/\/\/C:\/Users\/Windows%208.1\/Desktop\/Cointelpro_Papers.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> COINTELPRO: The FBI&#8217;s Covert Action Programs Against American Citizens.&#8221;, http:\/\/terrasol.home.igc.org\/HooverPlan.htm<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> The COINTELPRO Papers Documents from the FBI&#8217;s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO &#8211; Black Liberation Movement, p.\u00a0 91, file:\/\/\/C:\/Users\/Windows%208.1\/Desktop\/Cointelpro_Papers.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> Noam Chomsky, in The COINTELPRO Papers Documents from the FBI&#8217;s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO &#8211; Black Liberation Movement, p.\u00a0 91, file:\/\/\/C:\/Users\/Windows%208.1\/Desktop\/Cointelpro_Papers.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> Posteriormente investigar\u00eda los asesinatos de dirigentes de los Panteras Negras en Illinois, Fred Hampton y Mark Clark.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> The COINTELPRO Papers Documents from the FBI&#8217;s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO &#8211; Black Liberation Movement, p. 91, file:\/\/\/C:\/Users\/Windows%208.1\/Desktop\/Cointelpro_Papers.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> History News Network | Congressional Oversight and the Crippling of the CIA<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> Ward Churchil, &#8220;Para romper, desacreditar e destruir&#8221;, Guerra Secreta do FBI contra o Black Panther Party, http:\/\/propagandhi.com\/wp-content\/empires\/Ward_Churchill.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> The COINTELPRO Papers Documents from the FBI&#8217;s Secret Wars Against Domestic Dissent, by Ward Churchill and Jim Vander Wall, Capitulo 5. COINTELPRO &#8211; Black Liberation Movement, p. 91, file:\/\/\/C:\/Users\/Windows%208.1\/Desktop\/Cointelpro_Papers.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> <a href=\"http:\/\/www.edwardjayepstein.com\/archived\/panthers_print.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.edwardjayepstein.com\/archived\/panthers_print.htm<\/a> citado el <em>New York Times<\/em> y el <em>Washington Post<\/em>.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy\u201dThe FBI\u2019s Secret War against the Black Panther Party, https:\/\/webcache.googleusercontent.com\/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https:\/\/propagandhi.com\/wp-content\/empires\/Ward_Churchill.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Profesor en Berkeley.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> <a href=\"http:\/\/apublica.org\/2012\/09\/um-infiltrado-fbi-entre-os-panteras-negras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/apublica.org\/2012\/09\/um-infiltrado-fbi-entre-os-panteras-negras\/<\/a>. Seth Rosenfeld es el autor del libro, Subversivos: Guerra del FBI en estudiantes radicales, y el ascenso de Reagan al poder. \u00c9l ya escribi\u00f3 sobre Aoki para el Center for Investigative Reporting en 2012.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Ward Churchill, War at Home: Covert action against U.S. activists and what we can do about it (South End Press Pamphlet Series). https:\/\/fightgangstalking.files.wordpress.com\/2013\/05\/war-at-home-1989.pdf<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> https:\/\/archive.org\/stream\/nsia-FBIPerryDarthardME\/nsia-FBIPerryDarthardME\/FBI%20Perry%20Darthard%20M%20E%2001_djvu.txt<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy \u201cThe FBI\u2019s Secret War against the Black Panther Party, https:\/\/webcache.googleusercontent.com\/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https:\/\/propagandhi.com\/wp-content\/empires\/Ward_Churchill.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Ward Churchill, To Disrupt, Discredit and Destroy \u201cThe FBI\u2019s Secret War against the Black Panther Party, https:\/\/webcache.googleusercontent.com\/search?q=cache:VgQQFUFuy2IJ:https:\/\/propagandhi.com\/wp-content\/empires\/Ward_Churchill.pdf+&amp;cd=1&amp;hl=pt-BR&amp;ct=clnk&amp;gl=br<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> Sospechoso de varios asesinatos.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> Memorando de Nueva York Oficina de Campo a la sede del FBI, 9\/9\/68, p. 2. 60- http:\/\/www.assatashakur.com\/cointelpro-blackpanthers2.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um exemplo de como atuam os aparatos de repress\u00e3o em um Estado burgu\u00eas.\u00a0 J\u00e1 est\u00e1 sendo anunciada a estreia, no Brasil, do filme &#8220;Judas e o Messias Negro&#8220;, dirigido por Shaka King que estreou na semana passada nos Estados Unidos, sobre a vida do dirigente do Panteras Negras: Fred Hampton, e que demonstra como o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":63110,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[38,3519,8,3501,3523],"tags":[620,3682,3683,2186,3684,2187],"class_list":["post-63116","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-eua","category-historia","category-negras-os","category-opiniao","tag-americo-gomes","tag-fbi","tag-fred-hampton","tag-infiltrados-fbi","tag-judas-e-o-messias-negro","tag-panteras-negras"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/opera-2.jpg","categories_names":["Cultura","Estados Unidos","Hist\u00f3ria","Negras\/os","Opini\u00e3o"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63116","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63116"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63116\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63110"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63116"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63116"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63116"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}