{"id":62746,"date":"2020-12-22T16:28:41","date_gmt":"2020-12-22T19:28:41","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62746"},"modified":"2020-12-22T16:28:41","modified_gmt":"2020-12-22T19:28:41","slug":"2020-o-ano-que-vivemos-em-perigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/22\/2020-o-ano-que-vivemos-em-perigo\/","title":{"rendered":"2020, o ano que vivemos em perigo"},"content":{"rendered":"<p><em>Termina um ano que foi marcado pelas consequ\u00eancias da pandemia da Covid-19 e seu impacto na din\u00e2mica da economia e da luta de classes mundiais. Qual \u00e9 o balan\u00e7o e quais s\u00e3o as perspectivas?<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Alejandro Iturbe<br \/>\nEste ano que est\u00e1 terminando, come\u00e7ou com uma continuidade de dois processos combinados, que j\u00e1 vinham do ano anterior. O primeiro era uma din\u00e2mica recessiva e descendente da economia mundial [1]. O segundo, uma onda de processos revolucion\u00e1rios e de rebeli\u00f5es de massas que percorria o mundo, e se manifestava com muita for\u00e7a na Am\u00e9rica Latina, com destaque para o Chile [2]. Nesse contexto, em fevereiro de 2020, j\u00e1 era evidente a expans\u00e3o acelerada da pandemia da Covid-19, cujo surto inicial tinha acontecido em uma cidade da China, dois meses antes.<br \/>\nA vida cotidiana pareceu transformar-se em um filme de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, ao estilo de <em>Mad Max<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>Os 12 Macacos:<\/em> medo de contato com outras pessoas, m\u00e1scaras faciais para n\u00e3o ser contagiado, confinamento obrigat\u00f3rio e separa\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias e amigos, desabastecimento de produtos que passaram a ser essenciais, como o \u00e1lcool em gel\u2026As manchetes habituais dos jornais foram substitu\u00eddas pelos n\u00fameros de infectados e mortos di\u00e1rios. A dura realidade da classe trabalhadora e do povo se tornava ainda mais dura.<br \/>\nAssustados diante do monstro onipresente que tinham deixado disseminar, o capitalismo imperialista e os governos burgueses adotaram diversas medidas restritivas \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Estas medidas foram insuficientes para parar a pandemia (\u00e0s vezes at\u00e9 para frear um pouco) porque n\u00e3o era parte de uma emerg\u00eancia sanit\u00e1ria nem de uma verdadeira estrat\u00e9gia para combat\u00ea-la.<br \/>\nAssim como denunciamos em diversos artigos, foi um combate \u201ccom uma m\u00e3o amarrada\u201d: sistemas de sa\u00fade arruinados por d\u00e9cadas, falta de investimentos necess\u00e1rios para realizar testes em massa, milh\u00f5es de trabalhadores obrigados a irem aos seus locais de trabalho (sendo essenciais ou n\u00e3o), \u201cvista grossa\u201d frente ao descumprimento das medidas sanit\u00e1rias por parte das empresas\u2026Ao mesmo tempo, com a desculpa de fazer cumprir o isolamento obrigat\u00f3rio, montavam operativos repressivos contra os trabalhadores e o povo enquanto \u201cos ricos e famosos\u201d tinham, de fato, \u201cpasse livre\u201d [3].<br \/>\nOutros governos, diretamente \u201camarraram as duas m\u00e3os\u201d com uma criminosa pol\u00edtica negacionista sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e sua din\u00e2mica. Foi o caso de Donald Trump nos Estados Unidos e de Jair Bolsonaro no Brasil, que expressaram, em frases parecidas: <em>\u201cnada vai parar por causa da gripe\u201d.<\/em><br \/>\n<strong>O colapso da economia e os ataques \u00e0 classe trabalhadora<\/strong><br \/>\nAs medidas restritivas (ainda que insuficientes para derrotar a pandemia) potencializaram ao m\u00e1ximo a din\u00e2mica recessiva da economia mundial que j\u00e1 vinha desde 2019 e provocaram um verdadeiro colapso, com cifras de retrocesso no PIB mundial que n\u00e3o eram vistas desde a crise de 1929 [4].<br \/>\nComo sempre acontece nestas crises, este colapso recaiu sobre as costas da classe trabalhadora e do povo, atrav\u00e9s de dur\u00edssimos ataques e com suas conhecidas consequ\u00eancias: demiss\u00f5es em massa, redu\u00e7\u00f5es salariais e elimina\u00e7\u00e3o compulsiva de conquistas, fort\u00edssimo aumento da pobreza, da mis\u00e9ria e da fome..<br \/>\nMas os capitalistas n\u00e3o s\u00f3 descarregavam o custo da crise como tamb\u00e9m aproveitavam para avan\u00e7ar nos planos mais estrat\u00e9gicos de reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva e de consolida\u00e7\u00e3o de um rebaixamento do n\u00edvel de vida das massas [5].<br \/>\nEnquanto aumentava o sofrimento da classe trabalhadora, os setores mais concentrados do capitalismo imperialista e de outros pa\u00edses obtinham fabulosos lucros, e os burgueses mais ricos do mundo acumulavam diariamente quantidades indecentes, como Jeff Bezos (dono da Amazon) [6].<br \/>\n<strong>A \u201cnova normalidade\u201d<\/strong><br \/>\nEntretanto, se estes setores minorit\u00e1rios lucravam mais do que nunca em meio ao desastre, a burguesia em seu conjunto via diminuir seus lucros.\u00a0 Por isso, a partir de junho\/julho come\u00e7aram a impulsionar a criminosa pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d. Isto \u00e9, a reabertura cada vez maior das atividades econ\u00f4micas e a elimina\u00e7\u00e3o progressiva das restri\u00e7\u00f5es e dos testes massivos.<br \/>\nEsta pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d mostrou o verdadeiro rosto do capitalismo: a sa\u00fade e a vida da classe trabalhadora importavam menos que a recupera\u00e7\u00e3o de seus n\u00edveis habituais de explora\u00e7\u00e3o e lucros. Todos os governos burgueses endossaram esta pol\u00edtica, e nisso n\u00e3o se diferenciaram os \u201cnegacionistas reacion\u00e1rios\u201d como Trump e Bolsonaro dos \u201cprogressistas preocupados\u201d como alguns governos europeus ou de Alberto Fern\u00e1ndez-Cristina Kirchner na Argentina<br \/>\nDissemos que foi uma pol\u00edtica criminosa porque sem ter derrotado (em alguns casos nem mesmo freado) a primeira onda da pandemia, se assentaram as bases para uma segunda onda superior e mais letal do que a primeira. As f\u00e1bricas e outros locais de trabalho, como os meios de transporte p\u00fablico, somado ao descumprimento de verdadeiras medidas de seguran\u00e7a sanit\u00e1ria por parte das empresas, se transformaram em fontes de cont\u00e1gio em massa [7].<br \/>\nNesse contexto, se produziu o que denominamos de \u201ccorrida pela vacina\u201d: a busca de uma vacina eficaz que possa ser de aplica\u00e7\u00e3o em massa. Uma corrida que esteve marcada novamente pelas caracter\u00edsticas mais negativas do capitalismo. Por um lado, um investimento real que era pouco para a necessidade e, por outro, uma feroz competi\u00e7\u00e3o entre empresas e governos para \u201cchegar primeiro\u201d e n\u00e3o uma a\u00e7\u00e3o coletiva e cooperativa a n\u00edvel internacional, como a situa\u00e7\u00e3o requeria. Novamente, a busca do lucro ou do rendimento pol\u00edtico se impunha sobre as necessidades da humanidade [8].<br \/>\nA verdade \u00e9 que uma vacina eficaz de aplica\u00e7\u00e3o em massa \u00e9 esperada com ansiedade pela burguesia, por interesses que n\u00e3o s\u00e3o \u201chumanit\u00e1rios\u201d e sim mesquinhos. Mas tamb\u00e9m pela classe trabalhadora que precisa trabalhar com menores riscos para sua sa\u00fade e para recuperar seus poucos momentos de lazer.<br \/>\nNesta quest\u00e3o, os burgueses e seus governos voltam a ser mesquinhos quando se trata de investir na sa\u00fade da classe trabalhadora e do povo. Alguns, como o de Jair Bolsonaro no Brasil, se negam diretamente a impulsionar a vacina\u00e7\u00e3o. Outros, supostamente \u201cpreocupados\u201d, como o da Espanha ou da Argentina, anunciaram planos de vacina\u00e7\u00e3o para 2021 muito inferiores \u00e0 porcentagem de popula\u00e7\u00e3o requerida pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) para conseguir o que se denomina \u201cimunidade de rebanho\u201d (70%). A exig\u00eancia de uma vacina\u00e7\u00e3o gratuita e obrigat\u00f3ria para todos, em especial para a classe trabalhadora, passa ent\u00e3o a ser uma luta de vida ou morte [9].<br \/>\nA verdade \u00e9 que entre este fim de ano e uma verdadeira vacina\u00e7\u00e3o em massa se abre uma \u201cterra de ningu\u00e9m\u201d, na qual a pandemia amea\u00e7a chegar a seus piores picos em muitos pa\u00edses. Assim o apontam, por um lado, os cientistas. Por exemplo, a pneumologista brasileira Margareth Dalcolmo (considerada a maior especialista em Covid-19 no pa\u00eds) declarou : <em>\u201cO Brasil ter\u00e1 o janeiro mais triste de sua hist\u00f3ria\u201d<\/em> devido a uma potente segunda onda da pandemia [10]. Por outro lado, um grande burgu\u00eas muito inteligente como Bill Gates, expressou: <em>\u201cOs pr\u00f3ximos 4 ou 6 meses poder\u00e3o ser os piores nos Estados Unidos\u201d<\/em> [11].<br \/>\n<strong>A din\u00e2mica da economia mundial<\/strong><br \/>\nDissemos que o ano de 2020 iniciou com uma din\u00e2mica recessiva e descendente da economia mundial, e que as medidas restritivas adotadas para combater a pandemia (ainda que parciais) provocaram um salto nessa din\u00e2mica. E tamb\u00e9m, que a pol\u00edtica da \u201cnova normalidade\u201d, promovida por empresas e governos, estava destinada a tentar reverter essa din\u00e2mica.<br \/>\nNeste sentido, a partir do ponto de vista da burguesia, essa pol\u00edtica teve um \u00eaxito parcial. Por um lado, conseguiu uma revers\u00e3o da din\u00e2mica descendente e o terceiro trimestre de 2020 mostrou indicadores positivos de crescimento do PIB mundial e de quase todos os pa\u00edses. Ao mesmo tempo, essa tend\u00eancia se manteria em 2021.<br \/>\nMas foi uma recupera\u00e7\u00e3o menor que a queda anterior, e 2020 fechar\u00e1 com saldos negativos para o PIB mundial e da maioria dos pa\u00edses (com exce\u00e7\u00e3o da China) e, nas previs\u00f5es mais otimistas, s\u00f3 em fins de 2021 se recuperariam os n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o de 2019, ano em que, como vimos, era gestada uma nova recess\u00e3o. Nesse marco, inclusive com esta recupera\u00e7\u00e3o, as burguesias preparam e desenvolvem novos e mais duros ataques \u00e0 classe trabalhadora [12].<br \/>\n<strong>As rebeli\u00f5es antirracistas nos Estados Unidos<\/strong><br \/>\nA onda de revolu\u00e7\u00f5es e rebeli\u00f5es de massas que percorria o mundo sofreu um impasse com o impacto da pandemia, pelas dif\u00edceis condi\u00e7\u00f5es da classe oper\u00e1ria e do povo e pelo risco de cont\u00e1gio que as mobiliza\u00e7\u00f5es e manifesta\u00e7\u00f5es implicavam. As massas passaram a ficar na defensiva frente aos ataques da burguesia e das pr\u00f3prias consequ\u00eancias da pandemia. Mas as causas estruturais e pol\u00edticas que geram suas lutas (agora ainda mais agravadas) n\u00e3o tardaram a voltar a empurr\u00e1-las a sair novamente para o combate.<br \/>\nO processo mais explosivo ocorreu nos Estados Unidos com as rebeli\u00f5es antirracistas \u2013 depois do assassinato do jovem George Floyd pela pol\u00edcia \u2013 e seus duros choques com a repress\u00e3o. A juventude negra atuou como a centelha que incendiou a raiva acumulada de numerosos setores da popula\u00e7\u00e3o explorada, negra, latina e da juventude branca empobrecida.<br \/>\nEstas rebeli\u00f5es agravaram as rachaduras que um regime pol\u00edtico bipartid\u00e1rio deteriorado j\u00e1 mostrava e originaram uma nova situa\u00e7\u00e3o cujas caracter\u00edsticas foram vistas poucas vezes no pa\u00eds. Foi um processo muito importante por suas repercuss\u00f5es em todo o mundo e por tratar-se da principal pot\u00eancia imperialista do planeta [13]. Ainda que menos vis\u00edveis que estas rebeli\u00f5es, outro processo estava em curso: desde o in\u00edcio da pandemia registrou-se um recorde de conflitos e de greves no pa\u00eds, especialmente no setor da educa\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os e com\u00e9rcio. Lutas que surgiam da base e que refletiam o esgotamento dos trabalhadores pelos baixos sal\u00e1rios e a falta de prote\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria por parte das empresas [14].<br \/>\nA burguesia estadunidense procurou utilizar a campanha eleitoral presidencial em curso como uma ferramenta para tentar \u201capagar o inc\u00eandio\u201d ou ao menos desvi\u00e1-lo para o falso caminho das elei\u00e7\u00f5es burguesas [15]. Temporariamente conseguiram um primeiro objetivo: o n\u00famero de eleitores totais (e o de cada candidato de modo individual) foi recorde na hist\u00f3ria do pa\u00eds.<br \/>\nA burguesia estadunidense tamb\u00e9m definia qual seria o estilo t\u00e1tico para a tarefa de encerrar a situa\u00e7\u00e3o descrita e voltar a uma \u201cnormalidade\u201d de explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores: se o frontal e mais brutal de Trump e dos republicanos ou o mais hip\u00f3crita de Joe Biden e dos democratas. Nesse contexto, grande parte da esquerda estadunidense e do mundo caiu na armadilha de chamar a apoiar o \u201cdemocr\u00e1tico\u201d Biden contra o \u201cfascista\u201d Trump. Por seu lado, as organiza\u00e7\u00f5es da LIT-QI no pa\u00eds, embora mantivessem seu impulso na luta contra Trump, chamaram a n\u00e3o votar por nenhum dos dois candidatos da burguesia imperialista [16].<br \/>\n<strong>Um primeiro triunfo no Chile<\/strong><br \/>\nO processo revolucion\u00e1rio chileno contra o regime pol\u00edtico surgido depois da sa\u00edda do pinochetismo e sua heran\u00e7a socioecon\u00f4mica (mantida por todos os governos posteriores, como as miser\u00e1veis aposentadorias pagas pelos fundos privados), tamb\u00e9m sofreu o impasse provocado pela pandemia. Haviam muitos presos pol\u00edticos como resultado da feroz repress\u00e3o do governo de Sebasti\u00e1n Pi\u00f1era. Entretanto, pouco a pouco voltou a se expressar, com mobiliza\u00e7\u00f5es que ganhavam em massividade e recuperavam espa\u00e7os simb\u00f3licos de luta como a \u201cPra\u00e7a da Dignidade\u201d [17].<br \/>\nAs mobiliza\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias e sua continuidade em 2020 obrigaram o governo de Pi\u00f1era a convocar um plebiscito que aprovaria ou recha\u00e7aria a convocat\u00f3ria de uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova Constitui\u00e7\u00e3o. A vit\u00f3ria da aprova\u00e7\u00e3o foi esmagadora. Foi um triunfo que s\u00f3 pode ser entendido como uma express\u00e3o da dura luta popular, com um alto custo de presos e mortos [18].<br \/>\nEntretanto, ao mesmo tempo em que expressa um grande triunfo, a convocat\u00f3ria da Assembleia Constituinte tamb\u00e9m representa a armadilha de tentar desviar a revolu\u00e7\u00e3o para o est\u00e9ril caminho das elei\u00e7\u00f5es burguesas e do parlamentarismo, com a colabora\u00e7\u00e3o da esquerda reformista e da burocracia sindical. Frente a essa armadilha, o MIT, se\u00e7\u00e3o chilena da LIT-QI, mant\u00e9m seu chamado \u00e0 luta para expulsar o assassino Pi\u00f1era e julg\u00e1-lo por seus crimes [19].<br \/>\nAo mesmo tempo, dialoga com as expectativas das massas nesta Assembleia Constituinte e disputa a sua consci\u00eancia: apresentar\u00e1 a candidatura independente e revolucion\u00e1ria de Mar\u00eda Rivera, dirigente do MIT e reconhecida defensora dos presos pol\u00edticos. [20] E chama \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de uma Plataforma Oper\u00e1ria e Popular, com uma proposta program\u00e1tica clara, para impulsionar de maneira unit\u00e1ria Mar\u00eda Rivera e outros candidatos independentes. [21]<br \/>\n<strong>Outros processos de luta<\/strong><br \/>\nDetivemos-nos nas situa\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos e Chile pela import\u00e2ncia que tem no contexto mundial. Mas n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos processos de luta no mundo.<br \/>\nNa Am\u00e9rica Latina, tamb\u00e9m \u00e9 importante nos referir \u00e0 luta do povo boliviano que derrotou o regime golpista surgido da derrocada de Evo Morales [22]; a tomada do Parlamento da Guatemala por parte dos manifestantes [23]; as numerosas greves e lutas parciais em diversos pa\u00edses, e a continuidade da luta pelo direito ao aborto legal, seguro e gratuito na Argentina [24]. \u00c9 preciso destacar a situa\u00e7\u00e3o peruana, na qual as mobiliza\u00e7\u00f5es populares acabam de derrubar v\u00e1rios governos, e aquele que consegue se manter (o de Francisco Sagasti) n\u00e3o consegue estabilizar a situa\u00e7\u00e3o [25].<br \/>\nEste retorno das lutas oper\u00e1rias e populares tamb\u00e9m se manifesta em outras regi\u00f5es no mundo: na Belar\u00fas (uma pequena rep\u00fablica muito industrializada independizada ap\u00f3s a restaura\u00e7\u00e3o do capitalismo e da dissolu\u00e7\u00e3o da ex Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica) os trabalhadores de numerosas f\u00e1bricas e a juventude sa\u00edram \u00e0s ruas para enfrentar a ditadura p\u00f3s-estalinista de Aleksandr Lukashenko [26], ainda que agora o processo parece ter retrocedido como resultado da repress\u00e3o. Em outra rep\u00fablica da ex URSS, em Quirguist\u00e3o acaba de explodir um processo revolucion\u00e1rio contra o regime, que obteve um primeiro triunfo [27]. Na Fran\u00e7a, mobiliza\u00e7\u00f5es juvenis contra a nova Lei de Seguran\u00e7a se enfrentam com a repress\u00e3o policial [28]. No continente africano, h\u00e1 processos de luta muito importantes na Nig\u00e9ria e Sud\u00e3o [29]. No mundo \u00e1rabe, continua a luta no L\u00edbano e nunca cessa a heroica resist\u00eancia do povo palestino [30].<br \/>\nN\u00e3o queremos terminar este panorama, certamente incompleto, sem nos referir, ainda que seja brevemente, ao que est\u00e1 acontecendo na \u00cdndia, o segundo pa\u00eds mais populoso do mundo: no final de novembro se realizou uma greve nacional, da qual participaram 250 milh\u00f5es de trabalhadores, pela revoga\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos de trabalho antioper\u00e1rios [31]. Em v\u00e1rios artigos deste site, escritos por militantes da LIT naquele pa\u00eds, apresentamos o contexto em que se produz esta gigantesca a\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora indiana [32].<br \/>\n<strong>Balan\u00e7o e perspectivas<\/strong><br \/>\nEste ano 2020 ficar\u00e1 certamente como um triste registro na hist\u00f3ria contempor\u00e2nea: a crise econ\u00f4mica e o impacto da pandemia fizeram retroceder enormemente o n\u00edvel de vida das massas e aumentaram seus sofrimentos para n\u00edveis muitas vezes intoler\u00e1veis. Mas n\u00e3o se trata s\u00f3 de 2020: \u00e9 o presente e o futuro que o capitalismo imperialista nos oferece na medida em que n\u00e3o for derrubado em todo o planeta e substitu\u00eddo por um sistema muito mais justo e humano, atrav\u00e9s da revolu\u00e7\u00e3o socialista.<br \/>\nA LIT-QI tenta apresentar uma proposta program\u00e1tica que parta das lutas concretas e das necessidades imediatas das massas, e que ajude a avan\u00e7ar nesse caminho, com um \u201cPrograma de Emerg\u00eancia contra a pandemia e a crise econ\u00f4mica\u201d [33]. Tamb\u00e9m reivindicamos aqueles que consideramos nossos mestres e seus ensinamentos, como o Especial que dedicamos a Friedrich Engels (fundador junto com Karl Marx da corrente marxista) no 200\u00b0 aniversario de seu nascimento [34].<br \/>\nA respeito das perspectivas, vemos uma possibilidade real de retomada da onda de revolu\u00e7\u00f5es e rebeli\u00f5es de massas que vivemos em 2019. Como vimos, j\u00e1 h\u00e1 muitos sintomas disso. A \u201cintoler\u00e2ncia\u201d \u00e0 qual nos referimos \u00e9 a causa profunda deste progn\u00f3stico. Seguramente esta tend\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 determinada de antem\u00e3o, e muito menos o triunfo dessas revolu\u00e7\u00f5es. A burguesia responder\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 com um aumento da repress\u00e3o como tamb\u00e9m com as armadilhas da democracia burguesa e, nelas, contar\u00e1 com a colabora\u00e7\u00e3o da esquerda reformista e das burocracias sindicais.<br \/>\nCom confian\u00e7a nas lutas do movimento de massas e no avan\u00e7o na consci\u00eancia que estas lutas podem gerar, a LIT-QI coloca suas for\u00e7as a servi\u00e7o de impulsion\u00e1-las e, nelas, tentar avan\u00e7ar no caminho da constru\u00e7\u00e3o de dire\u00e7\u00f5es revolucion\u00e1rias nacionais e uma dire\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria internacional que permita \u00e0 classe trabalhadora e aos setores populares avan\u00e7ar na perspectiva da revolu\u00e7\u00e3o socialista em cada pa\u00eds e a n\u00edvel mundial.<br \/>\nNotas:<br \/>\n[1] Sobre este tema, ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/estamos-diante-do-inicio-de-uma-nova-recessao-mundial\/<br \/>\n[2] Ver, entre outros artigos:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/tempos-de-rebeliao\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/tempos-de-rebeliao-na-america-latina\/<br \/>\n[3] Ver, entre outros artigos: https:\/\/litci.org\/pt\/a-pandemia-continua-crescendo\/<br \/>\n[4] Ver: https:\/\/litci.org\/pt\/a-recessao-ja-chegou-e-depois\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/62598-2\/<br \/>\n[5] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/um-presente-muito-duro-e-um-futuro-ainda-pior-para-os-trabalhadores\/<br \/>\n[6] Ver:\u00a0https:\/\/www.pstu.org.br\/em-plena-pandemia-os-ricos-ficam-mais-ricos\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/brasil-na-pandemia-tragedia-social-aumenta-fortuna-dos-bilionarios\/<br \/>\n[7] Ver: https:\/\/litci.org\/pt\/62684-2\/<br \/>\n[8] Ver v\u00e1rios artigos publicados sobre este ponto em:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/?s=vacina<br \/>\n[9] Sobre este tema, ver a parte espec\u00edfica do artigo citado na nota [7].<br \/>\n[10]\u00a0<a href=\"https:\/\/saude.ig.com.br\/2020-12-14\/covid-19-brasil-tera-janeiro-mais-triste-de-sua-historia-preve-pneumologista.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/saude.ig.com.br\/2020-12-14\/covid-19-brasil-tera-janeiro-mais-triste-de-sua-historia-preve-pneumologista.html<\/a><br \/>\n[11]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lanacion.com.ar\/el-mundo\/coronavirus-bill-gates-los-proximos-4-6-meses-nid2539964\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.lanacion.com.ar\/el-mundo\/coronavirus-bill-gates-los-proximos-4-6-meses-nid2539964<\/a><br \/>\n[12] Sobre este tema ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/62598-2\/<br \/>\n[13] Ver, entre outros artigos:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/um-processo-revolucionario-sacode-os-eua\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/o-assassinato-de-george-floyd-percorre-o-mundo\/<br \/>\n[14]\u00a0<a href=\"https:\/\/www.smh.com.au\/world\/north-america\/wave-of-1000-strikes-ripples-across-the-us-as-crisis-bites-20200929-p5606t.html?fbclid=IwAR18IEkXZYTySoMSe09REwoKMrokXws-tEgqdPyF7ap4yA8sHkHLDb5GUEM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.smh.com.au\/world\/north-america\/wave-of-1000-strikes-ripples-across-the-us-as-crisis-bites-20200929-p5606t.html?fbclid=IwAR18IEkXZYTySoMSe09REwoKMrokXws-tEgqdPyF7ap4yA8sHkHLDb5GUEM<\/a><br \/>\n[15]\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/estados-unidos-entre-a-rebeliao-negra-e-as-eleicoes\/<br \/>\n[16] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/62206-2\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/62294-2\/<br \/>\n[17] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/chile-plaza-dignidad-recuperada-para-manter-e-ampliar-a-luta\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/chile-18-de-outubro-a-revolucao-continua-viva\/<br \/>\n[18] Ver: https:\/\/litci.org\/pt\/62255-2\/<br \/>\n[19] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/chile-3\/<br \/>\n[20]\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/chile-5\/<br \/>\n[21]\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/chile-4\/<br \/>\n[22]\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/bolivia-vitoria-esmagadora-contra-o-golpe\/<br \/>\n[23]\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-toma-parlamento-aviva-crisis-politica-guatemala-202011230230_noticia.html?ref=https:%2F%2Fwww.google.com%2F\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.abc.es\/internacional\/abci-toma-parlamento-aviva-crisis-politica-guatemala-202011230230_noticia.html?ref=https:%2F%2Fwww.google.com%2F<\/a><\/u><br \/>\n[24] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/argentina-de-volta-as-ruas-para-um-aborto-legal-seguro-e-gratuito\/<br \/>\n[25] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/peru-o-que-vem-depois-do-triunfo-da-luta-juvenil-e-popular\/<br \/>\n[26] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/uma-revolucao-sacode-a-bielorrussia\/<br \/>\n[27] Ver:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/revolucao-no-quirguistao-contra-a-miseria-a-corrupcao-e-a-pilhagem-do-pais\/<br \/>\n[28]\u00a0<u><a href=\"https:\/\/www.pagina12.com.ar\/308689-maradona-presente-en-las-movilizaciones-contra-la-nueva-ley-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.pagina12.com.ar\/308689-maradona-presente-en-las-movilizaciones-contra-la-nueva-ley-<\/a><\/u><br \/>\n[29] Sobre a Nig\u00e9ria, ver\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/nigeria-2\/\u00a0e sobre o Sud\u00e3o\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/continua-a-revolucao-no-sudao\/<br \/>\n[30] Sobre o L\u00edbano, ver\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/o-que-esta-acontecendo-no-libano\/\u00a0e sobre a Palestina, entre outros artigos:\u00a0https:\/\/litci.org\/pt\/contra-a-nakba-continua-resistencia-permanente\/\u00a0<strong>\u00a0\u00a0<\/strong><br \/>\n[31]\u00a0<u><a href=\"http:\/\/www.industriall-union.org\/es\/mas-de-250-millones-de-trabajadores-se-unen-a-la-huelga-nacional-en-india\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.industriall-union.org\/es\/mas-de-250-millones-de-trabajadores-se-unen-a-la-huelga-nacional-en-india<\/a><\/u><br \/>\n[32] Ver: https:\/\/litci.org\/pt\/declaracao-sobre-a-situacao-politica-na-india\/\u00a0e https:\/\/litci.org\/pt\/uma-crise-profunda-do-capitalismo-indiano\/<br \/>\n[33]\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Programa-de-emergencia-contra-la-pandemia-y-la-crisis-econ%C3%B3mica.pdf\">https:\/\/litci.org\/es\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Programa-de-emergencia-contra-la-pandemia-y-la-crisis-econ%C3%B3mica.pdf<\/a><br \/>\n[34]\u00a0<a href=\"https:\/\/litci.org\/es\/category\/menu\/especial\/200-anos-de-engels\/\">https:\/\/litci.org\/es\/category\/menu\/especial\/200-anos-de-engels\/<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lilian Enck<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Termina um ano que foi marcado pelas consequ\u00eancias da pandemia da Covid-19 e seu impacto na din\u00e2mica da economia e da luta de classes mundiais. 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