{"id":62735,"date":"2020-12-19T10:52:33","date_gmt":"2020-12-19T13:52:33","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62735"},"modified":"2020-12-19T10:52:33","modified_gmt":"2020-12-19T13:52:33","slug":"62735-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/19\/62735-2\/","title":{"rendered":"Dez anos de revolu\u00e7\u00f5es no mundo \u00e1rabe"},"content":{"rendered":"<p><em>Em 17 de dezembro de 2010, o vendedor de frutas de 25 anos de idade Mohamed Bouazizi ateou fogo em seu pr\u00f3prio corpo em protesto contra o confisco de suas ma\u00e7\u00e3s e a corrup\u00e7\u00e3o policial na cidade rural de Sidi Bouzid, no interior da Tun\u00edsia.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: F\u00e1bio Bosco<br \/>\nEm poucos dias, os protestos se expandiram para todo o pa\u00eds, incluindo a capital, Tunes, exigindo o fim do regime do ditador Ben Ali, que caiu em 14 de janeiro de 2011.<br \/>\nEm 25 de janeiro de 2011 foi a vez da juventude oper\u00e1ria e popular eg\u00edpcia iniciar os protestos na agora ic\u00f4nica pra\u00e7a Tahrir no Cairo. \u00c0 palavra de ordem &#8220;O povo quer o fim do regime&#8221; se uniu \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o de &#8220;p\u00e3o, liberdade e justi\u00e7a social&#8221;. Em 11 de fevereiro de 2011, o ditador Hosni Mubarak \u00e9 afastado, uma junta militar assume o poder e a revolu\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria e popular continua ap\u00f3s arrancar seu direito de se manifestar.<br \/>\nAo longo dos meses seguintes ocorreram protestos em todos os pa\u00edses \u00e1rabes, exceto o Qatar, mesmo em terras sob brutal ocupa\u00e7\u00e3o militar como \u00e9 o caso da Palestina, com a participa\u00e7\u00e3o de \u00e1rabes e de outras nacionalidades como os Amazigh presentes no Marrocos, na Arg\u00e9lia e na L\u00edbia, e os curdos presentes no Curdist\u00e3o s\u00edrio, iraquiano, turco e iraniano.<br \/>\nDesta onda de protestos, alguns se transformaram em verdadeiras revolu\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m da Tun\u00edsia e do Egito, esse foi o caso da L\u00edbia, da S\u00edria, do I\u00eamen e do Bahrein.<br \/>\nIsso tudo em uma regi\u00e3o composta por 22 pa\u00edses que al\u00e9m de se constituir historicamente uma \u00e1rea de tr\u00e2nsito entre a Europa e a \u00c1sia, tamb\u00e9m possuem quase metade de todas as reservas conhecidas de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, al\u00e9m de outras riquezas, que a tornaram alvo permanente de pot\u00eancias estrangeiras ao longo dos s\u00e9culos.<br \/>\n<strong>Infitah, a crise econ\u00f4mica de 2007-2008 e o neocolonialismo<\/strong><br \/>\nO desemprego cr\u00f4nico, o aumento da pobreza e a falta de liberdade democr\u00e1ticas est\u00e3o entre as raz\u00f5es imediatas para esta vaga revolucion\u00e1ria.<br \/>\nPor tr\u00e1s destas h\u00e1 quest\u00f5es estruturais.<br \/>\nA primeira delas \u00e9 a chamada Infitah (abertura). Anunciada pelo ex-presidente eg\u00edpcio Anwar Sadat em 1974, ela representou uma mudan\u00e7a de modelo capitalista.<br \/>\nO ex-presidente Abdel Nasser aplicou um modelo capitalista desenvolvimentista baseado em grandes empresas nacionalizadas para promover a substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es pela produ\u00e7\u00e3o nacional. Esse modelo era denominado de \u201csocialismo \u00e1rabe\u201d.<br \/>\nSadat encerrou esse modelo desenvolvimentista e aplicou o receitu\u00e1rio neoliberal do FMI com a abertura de mercado, privatiza\u00e7\u00f5es, redu\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos, revers\u00e3o da reforma agr\u00e1ria, e flexibiliza\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios e direitos trabalhistas para atrair investimentos estrangeiros. Para al\u00e9m disso encerrou a coopera\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica com a URSS e iniciou com os Estados Unidos.<br \/>\nEssa mudan\u00e7a de modelo promoveu um assalto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores e do povo em geral.<br \/>\nAp\u00f3s sua ado\u00e7\u00e3o no Egito, a Infitah foi aplicada em v\u00e1rios outros pa\u00edses da regi\u00e3o ao longo dos anos e se tornou modelo dos programas de ajuste econ\u00f4mico do FMI nos anos 80 em todo o mundo. Os demais regimes nacionalistas \u00e1rabes tamb\u00e9m, um a um, se associaram e passaram a ser agentes da ordem imperialista na regi\u00e3o.<br \/>\nA outra quest\u00e3o foi a crise econ\u00f4mica mundial de 2007-2008 nos Estados Unidos, Europa e Jap\u00e3o que tamb\u00e9m afetou os pa\u00edses \u00e1rabes, particularmente quanto ao pre\u00e7o dos alimentos b\u00e1sicos, o trigo e o arroz.<br \/>\nH\u00e1 tamb\u00e9m a quest\u00e3o do neocolonialismo que imp\u00f4s uma inser\u00e7\u00e3o subordinada da regi\u00e3o \u00e0 divis\u00e3o mundial do trabalho e \u00e0 ordem mundial capitalista. A maioria dos pa\u00edses se encontra sob a \u00e1rea de influ\u00eancia do imperialismo estadunidense. As exce\u00e7\u00f5es s\u00e3o a Tun\u00edsia, a Arg\u00e9lia e o Marrocos, sob a hegemonia do imperialismo franc\u00eas, a L\u00edbia sob a hegemonia do imperialismo italiano e a S\u00edria sob hegemonia russa. Esta condi\u00e7\u00e3o semicolonial implica no aprofundamento da explora\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, na apreens\u00e3o do produto do trabalho pelas empresas transnacionais al\u00e9m da opress\u00e3o do povo em geral.<br \/>\nPor fim, a derrota pol\u00edtico-militar das invas\u00f5es americanas no Afeganist\u00e3o e no Iraque ampliou o sentimento anti-imperialista das massas e dificulta at\u00e9 os dias de hoje qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o imperialista seja ela pol\u00edtica ou militar.<br \/>\n<strong>Primavera ou revolu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nA for\u00e7a e a extens\u00e3o dessas revolu\u00e7\u00f5es suscitaram uma s\u00e9rie de debates. Nesse artigo trataremos de um deles relativo \u00e0 natureza dessa onda revolucion\u00e1ria.<br \/>\nO imperialismo, seus ide\u00f3logos e sua m\u00eddia propagam a suposta incompatibilidade da cultura \u00e1rabe e\/ou isl\u00e2mica com os valores democr\u00e1ticos.<br \/>\nEssa ideologia sempre esteve colocada a servi\u00e7o de legitimar o apoio das diferentes pot\u00eancias imperialistas aos regimes ditatoriais, mon\u00e1rquicos ou republicanos, nos pa\u00edses \u00e1rabes.<br \/>\nA eclos\u00e3o de centenas de milhares de \u00e1rabes nas ruas das principais cidades da regi\u00e3o exigindo liberdade e o fim do regime demonstrou que n\u00e3o eram os trabalhadores e o povo que gostavam de ditaduras mas sim as burguesias \u00e1rabes e seus s\u00f3cios imperialistas.<br \/>\nApesar dos povos \u00e1rabes e seus ativistas denominarem esses levantes de revolu\u00e7\u00f5es, a m\u00eddia ocidental adotou outra nomenclatura: a primavera \u00e1rabe. Esta simp\u00e1tica denomina\u00e7\u00e3o dilui o conte\u00fado de transforma\u00e7\u00e3o radical dessas revolu\u00e7\u00f5es que amea\u00e7am n\u00e3o apenas as ditaduras e a ordem regional imperialista, mas tamb\u00e9m pode influenciar a emerg\u00eancia de movimentos similares em todo o mundo. Primavera tamb\u00e9m evoca a ideia de temporalidade, de dura\u00e7\u00e3o limitada, como a primavera dos povos de 1848, mas que n\u00e3o foi o caso das revolu\u00e7\u00f5es em quest\u00e3o.<br \/>\nUma das melhores defini\u00e7\u00f5es de revolu\u00e7\u00e3o foi dada pelo revolucion\u00e1rio russo Le\u00f3n Trotski no pref\u00e1cio de sua obra Hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. Em nossa opini\u00e3o, essa defini\u00e7\u00e3o de revolu\u00e7\u00e3o representa o conte\u00fado das revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes:<br \/>\n\u201cO tra\u00e7o mais incontest\u00e1vel da Revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 a interven\u00e7\u00e3o direta das massas nos acontecimentos hist\u00f3ricos. Habitualmente, o Estado, mon\u00e1rquico ou democr\u00e1tico, domina a na\u00e7\u00e3o; a hist\u00f3ria \u00e9 feita pelos especialistas do of\u00edcio: monarcas, ministros, burocratas, deputados, jornalistas. Mas, nos momentos decisivos, quando um velho regime se torna intoler\u00e1vel para as massas, estas quebram as muralhas que os separam da arena pol\u00edtica, derrubam os seus representantes tradicionais, e, intervindo assim, criam o ponto de partida para um novo regime. Que seja bem ou mal, os moralistas que julguem. Quanto a n\u00f3s, tomamos os fatos tal como eles se apresentam, no seu desenvolvimento objetivo. A hist\u00f3ria da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 para n\u00f3s, antes de mais nada, a narra\u00e7\u00e3o de uma irrup\u00e7\u00e3o violenta das massas no dom\u00ednio onde se regulam os seus pr\u00f3prios destinos.\u201d (I)<br \/>\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o ou contrarrevolu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nOutro debate ocorreu entre as fileiras da chamada esquerda mundial. A maioria das organiza\u00e7\u00f5es de esquerda, em particular as de matriz estalinista e neo-estalinista, sa\u00edram em defesa dos velhos regimes oriundos do nacionalismo \u00e1rabe como o L\u00edbio e o S\u00edrio e denominaram os levantes oper\u00e1rios e populares de contrarrevolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo regra, essas organiza\u00e7\u00f5es desprezam o protagonismo das massas \u00e1rabes e atribuem os levantes \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o imperialista ou isl\u00e2mica.<br \/>\nUm exemplo concreto foi a tentativa dessas organiza\u00e7\u00f5es de esquerda reformistas de associar a revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria ao grupo auto-intitulado Estado Isl\u00e2mico (Daesh), organiza\u00e7\u00e3o de extrema-direita de origem iraquiana que reuniu integrantes de todo o mundo e se dedicou prioritariamente a atacar as zonas liberadas sob o controle do Ex\u00e9rcito Livre da S\u00edria e, posteriormente, as cidades curdas na S\u00edria.<br \/>\nHouve tamb\u00e9m organiza\u00e7\u00f5es da esquerda trotskista como o PTS argentino que n\u00e3o apoiaram as revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes e portanto, objetivamente, ficaram ao lado dos ditadores e do imperialismo.<br \/>\nReproduzimos abaixo trechos de dois artigos de jornalistas marxistas vinculados \u00e0 Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) que debatem essa quest\u00e3o:<br \/>\n<strong>O caso l\u00edbio<\/strong><br \/>\nNeste artigo \u201cOnde est\u00e1 a revolu\u00e7\u00e3o e onde est\u00e1 a contrarrevolu\u00e7\u00e3o na L\u00edbia?\u201d, a LIT-QI explica sua posi\u00e7\u00e3o:<br \/>\n\u201cN\u00f3s da LIT, pelo contr\u00e1rio, sustentamos desde o come\u00e7o que na L\u00edbia o que se passava era uma revolu\u00e7\u00e3o popular e antiimperialista, pois enfrentava a ditadura sanguin\u00e1ria de Kadafi, um dos principais agentes do imperialismo na regi\u00e3o. Coerentemente com esta caracteriza\u00e7\u00e3o de onde estava a revolu\u00e7\u00e3o e onde estava a contrarrevolu\u00e7\u00e3o, nos colocamos ao lado das massas l\u00edbias e saudamos como uma tremenda conquista democr\u00e1tica a destrui\u00e7\u00e3o do regime Kadafista e o justi\u00e7amento do ditador pelas m\u00e3os das mil\u00edcias populares.<br \/>\nCom a mesma for\u00e7a, tamb\u00e9m desde o primeiro momento, denunciamos a interven\u00e7\u00e3o imperialista da OTAN como contrarrevolucion\u00e1ria. Levantando a palavra de ordem \u201cN\u00e3o \u00e0 OTAN, Fora Kadafi\u201d, explicamos que a contradi\u00e7\u00e3o, expressa no fato de a interven\u00e7\u00e3o imperialista ter se dado durante a guerra civil no mesmo campo militar das massas armadas e contra seu agente, Kadafi, se devia \u00e0 dificuldade pol\u00edtica que tem atualmente o imperialismo para invadir de forma direta com suas tropas e ao fato de que se viu obrigado a intervir por dentro de um levante popular armado para disput\u00e1-lo e derrot\u00e1-lo, tarefa primordial que Kadafi demonstrou ser incapaz de cumprir, convertendo-se assim em um elemento descart\u00e1vel.\u201d (II)<br \/>\n<strong>O caso s\u00edrio<\/strong><br \/>\nNo artigo \u201cExigir ou n\u00e3o armas do imperialismo\u201d, o jornalista marxista Daniel Sugasti explica a posi\u00e7\u00e3o da LIT-QI:<br \/>\n\u201ca LIT-QI defende a necessidade de desenvolver uma pol\u00edtica de ampla solidariedade internacional com a causa do povo s\u00edrio. Isto significa, concretamente, uma campanha de apoio, incondicional e em todos os sentidos, para a vit\u00f3ria militar rebelde.<br \/>\nAssim, sustentamos que uma tarefa imperiosa \u00e9 impulsionar a mais ampla mobiliza\u00e7\u00e3o para exigir dos governos de nossos pa\u00edses e de todos os governos do mundo, inclusive os dos pa\u00edses imperialistas, o envio imediato de modernas armas pesadas, medicamentos e todo tipo de ajuda material para as mil\u00edcias rebeldes do ELS e aos Comit\u00eas de Coordena\u00e7\u00e3o Local, sem condi\u00e7\u00f5es de nenhuma natureza.<br \/>\nNossa exig\u00eancia de armas n\u00e3o inclui as brigadas unidas \u00e0 al-Qaeda ou ao Estado Isl\u00e2mico do Iraque e do Levante, cuja vis\u00e3o sect\u00e1ria e confessional-religiosa do conflito levou-as a romper a frente militar contra a ditadura e, em v\u00e1rias zonas, come\u00e7aram a atacar mil\u00edcias curdas e do ELS, atuando como \u201cquinta coluna\u201d do regime.\u201d (III)<br \/>\n<strong>Partido revolucion\u00e1rio, o grande ausente<\/strong><br \/>\nA for\u00e7a das revolu\u00e7\u00f5es abalou os regimes em toda a regi\u00e3o mas das reivindica\u00e7\u00f5es de p\u00e3o, liberdade e justi\u00e7a social, apenas a revolu\u00e7\u00e3o tunisiana conquistou liberdades democr\u00e1ticas.<br \/>\nNa Tun\u00edsia, houve uma mudan\u00e7a do regime pol\u00edtico de bonapartista para democr\u00e1tico-burgu\u00eas que n\u00e3o desmantelou os servi\u00e7os de intelig\u00eancia e nem afetou a estrutura capitalista do pa\u00eds. Duas coaliz\u00f5es eleitorais burguesas se revezam no poder sem prover qualquer solu\u00e7\u00e3o para a pobreza, o desemprego, a flexibiliza\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas, e o corte de investimentos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<br \/>\nNo Egito, em meio a um levante popular contra o presidente eleito Mohammad Morsi, os militares tomaram o poder e restauraram o velho regime em base a massacres como o de Rabaa al-Adawiya e \u00e0 repress\u00e3o generalizada. Vale lembrar que a revolu\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia conseguiu levantar o cerco criminoso aos palestinos na Faixa de Gaza por 30 meses entre 2011 e 2013, al\u00e9m de promover uma ocupa\u00e7\u00e3o da embaixada israelense no Cairo.<br \/>\nNa L\u00edbia, o estado l\u00edbio e suas for\u00e7as armadas foram desmantelados, mas hoje o poder est\u00e1 em disputa entre duas fra\u00e7\u00f5es burguesas pr\u00f3-imperialistas.<br \/>\nNo Bahrein, as for\u00e7as armadas sauditas invadiram o sultanato e afogaram em sangue a revolu\u00e7\u00e3o.<br \/>\nNo I\u00eamen, o regime na pr\u00e1tica foi desmantelado. A regi\u00e3o mais rica do pa\u00eds, o norte, est\u00e1 sob o controle das mil\u00edcias houthis que s\u00e3o apoiadas pelo regime iraniano e est\u00e3o sob intenso bombardeio das for\u00e7as armadas sauditas h\u00e1 cinco anos. No sul, as mil\u00edcias separatistas do Conselho Transicional Meridional (STC) t\u00eam o controle apoiadas pelos Emirados \u00c1rabes Unidos. O presidente \u201creconhecido\u201d pela comunidade internacional e apoiado pela Arabia Saudita, Abd Rabbuh Mansur Hadi, vive no ex\u00edlio com poucas mil\u00edcias leais.<br \/>\nNa S\u00edria, o enfraquecido regime Assadista governa um pa\u00eds com \u00e1reas inteiras destru\u00eddas, a economia em frangalhos e racionamento de p\u00e3o. Ele \u00e9 sustentado pelas for\u00e7as militares da R\u00fassia e as mil\u00edcias pr\u00f3-Ir\u00e3. Mil\u00edcias curdas e tropas americanas controlam cerca de 25% do territ\u00f3rio s\u00edrio no nordeste do pa\u00eds. Por fim as for\u00e7as turcas controlam uma extensa faixa fronteiri\u00e7a al\u00e9m das prov\u00edncias setentrionais de Idlib e Afrin.<br \/>\nEm meio a este cen\u00e1rio no qual as for\u00e7as da contrarrevolu\u00e7\u00e3o (regimes \u00e1rabes e pot\u00eancias regionais e imperialistas) n\u00e3o economizam esfor\u00e7os para esmagar as revolu\u00e7\u00f5es, em dezembro de 2018 eclodiu uma segunda onda de revolu\u00e7\u00f5es a partir do Sud\u00e3o, e depois Arg\u00e9lia, Iraque e L\u00edbano.<br \/>\nPor um lado, as revolu\u00e7\u00f5es enfrentam enormes obst\u00e1culos para se impor. Por outro lado, as for\u00e7as da contrarrevolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguem estabilizar a situa\u00e7\u00e3o, seja pela via militar, seja pela via de concess\u00f5es econ\u00f4micas que est\u00e3o ainda mais distantes devido \u00e0 pandemia do coronav\u00edrus e \u00e0 subsequente recess\u00e3o mundial.<br \/>\nEntre as debilidades das revolu\u00e7\u00f5es, a principal \u00e9 a aus\u00eancia de um partido revolucion\u00e1rio implantado nos locais de trabalho e nos bairros populares. Um partido que constru\u00edsse uma alternativa independente dos trabalhadores na L\u00edbia e na Tun\u00edsia contra as duas coaliz\u00f5es burguesas. Um partido que alertasse a juventude e os trabalhadores eg\u00edpcios que o povo e o ex\u00e9rcito n\u00e3o s\u00e3o uma \u00fanica m\u00e3o. Um partido que fosse uma alternativa \u00e0s dire\u00e7\u00f5es do conselho e depois coaliz\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o s\u00edria e ao PYD, que defendesse a unidade das for\u00e7as da revolu\u00e7\u00e3o s\u00edria e curdas contra Assad. Um partido que unisse a resist\u00eancia palestina \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es \u00e1rabes em uma \u00fanica luta contra o Estado de Israel, os regimes \u00e1rabes e o imperialismo.<br \/>\nA Liga Internacional dos Trabalhadores (Quarta Internacional) apoiou e continua apoiando todas as lutas, protestos e revolu\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias e populares no mundo \u00e1rabe. Para a LIT-QI a luta contra os regimes ditatoriais e por liberdades democr\u00e1ticas devem ser encaradas como parte de um programa oper\u00e1rio e socialista que tenha como o objetivo a tomada do poder pela classe trabalhadora para que sejam atendidas n\u00e3o apenas as reivindica\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas mas principalmente as reivindica\u00e7\u00f5es oper\u00e1rias contra o capitalismo. E chama os\/as ativistas a unir-se conosco para construir partidos revolucion\u00e1rios em todos os pa\u00edses \u00e1rabes.<br \/>\nNOTAS<br \/>\n(I) https:\/\/www.marxists.org\/portugues\/trotsky\/1930\/historia\/prefacio.htm<br \/>\n(II) https:\/\/litci.org\/pt\/onde-esta-a-revolucao-e-onde-esta-a-contrarrevolucao-na-libia\/<br \/>\n(III) https:\/\/litci.org\/pt\/exigir-ou-nao-armas-do-imperialismo\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 17 de dezembro de 2010, o vendedor de frutas de 25 anos de idade Mohamed Bouazizi ateou fogo em seu pr\u00f3prio corpo em protesto contra o confisco de suas ma\u00e7\u00e3s e a corrup\u00e7\u00e3o policial na cidade rural de Sidi Bouzid, no interior da Tun\u00edsia.<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":62736,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[3770,6030,412,3688,83,228,569,3585],"tags":[180,1665,6031],"class_list":["post-62735","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-egito","category-iemen","category-libia","category-marrocos","category-mundo","category-palestina","category-siria","category-tunisia","tag-fabio-bosco","tag-primavera-arabe","tag-revolucoes-arabes"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Primavera-arabe.jpg","categories_names":["Egito","I\u00eamen","L\u00edbia","Marrocos","Mundo","Palestina","S\u00edria","Tun\u00edsia"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62735\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}