{"id":62717,"date":"2020-12-17T17:01:08","date_gmt":"2020-12-17T20:01:08","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62717"},"modified":"2020-12-17T17:01:08","modified_gmt":"2020-12-17T20:01:08","slug":"engels-e-a-interpretacao-materialista-da-historia-sobre-a-opressao-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/17\/engels-e-a-interpretacao-materialista-da-historia-sobre-a-opressao-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Engels e a interpreta\u00e7\u00e3o materialista da hist\u00f3ria sobre a opress\u00e3o das mulheres"},"content":{"rendered":"<p><em>28 de novembro marcou o 200\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Engels. Em sua homenagem, a Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (LIT-QI) publicou uma s\u00e9rie de artigos em defesa do marxismo e do legado de Engels, resgatando assim sua heran\u00e7a te\u00f3rica e revolucion\u00e1ria como cofundador do socialismo cient\u00edfico. Esta s\u00e9rie de artigos permaneceria inacabada se n\u00e3o abord\u00e1ssemos como suas contribui\u00e7\u00f5es permitiram ao marxismo avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o a uma compreens\u00e3o materialista da opress\u00e3o das mulheres.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Kely N\u00fa\u00f1ez<br \/>\n\u201cO Manifesto do Partido Comunista (primeira edi\u00e7\u00e3o em fevereiro de 1848), de Karl Marx e Friedrich Engels, examina cientificamente o problema das mulheres sob o aspecto da fam\u00edlia e do casamento. O livro A Origem da Fam\u00edlia, da Propriedade Privada e do Estado, de Friedrich Engels, aprofunda e desenvolve os argumentos do Manifesto, enquanto Karl Marx em O Capital, partindo de outra quest\u00e3o, mostra que a extens\u00e3o do trabalho feminino e sua explora\u00e7\u00e3o pelo capitalismo s\u00e3o produto do processo de concentra\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o capitalista \u201d[1]. Com essas palavras, Alexandra Kollontai dirigiu-se aos alunos da Universidade de Sverdlov em Leningrado, durante a primavera de 1921.<br \/>\nA cita\u00e7\u00e3o anterior resume em grande medida que a quest\u00e3o das mulheres j\u00e1 n\u00e3o era mais um aspecto puramente pr\u00e1tico da luta de classes, mas uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m tinha um fundamento te\u00f3rico. Neste contexto, o socialismo cient\u00edfico de Marx e Engels lan\u00e7ou as bases para acabar com a opress\u00e3o das mulheres, situando este problema como parte inexor\u00e1vel da luta pelo socialismo e pela emancipa\u00e7\u00e3o do proletariado como um todo.<br \/>\n<strong>O Manifesto Comunista como ponto de partida<\/strong><br \/>\nNa \u00e9poca em que Marx e Engels escreveram juntos a primeira edi\u00e7\u00e3o do Manifesto Comunista, a revolu\u00e7\u00e3o industrial havia transformado radicalmente a situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de mulheres, ao mesmo tempo em que havia um aumento da atividade revolucion\u00e1ria das mulheres, como consequ\u00eancia das mudan\u00e7as nas rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o propiciadas pelo capitalismo. Essa atividade revolucion\u00e1ria come\u00e7ou antes com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.<br \/>\nEngels e Marx questionaram a fam\u00edlia burguesa e o casamento no Manifesto Comunista:<br \/>\n<em>\u201cEm que se baseia a fam\u00edlia atual, a fam\u00edlia burguesa? No capital, no lucro privado. A fam\u00edlia plenamente desenvolvida existe apenas para a burguesia; mas encontra seu complemento na supress\u00e3o for\u00e7ada de todos os la\u00e7os familiares para o proletariado e na prostitui\u00e7\u00e3o p\u00fablica. (&#8230;) a grande ind\u00fastria destr\u00f3i todos os la\u00e7os familiares do proletariado e transforma as crian\u00e7as em simples artigos de com\u00e9rcio, em simples instrumentos de trabalho. (&#8230;) Para o burgu\u00eas, sua mulher n\u00e3o passa de um instrumento de produ\u00e7\u00e3o. Ouviu dizer que os instrumentos de produ\u00e7\u00e3o deveriam ser de uso comum e, naturalmente, n\u00e3o p\u00f4de chegar a outra conclus\u00e3o de que o mesmo acontecer\u00e1 com as mulheres no socialismo. N\u00e3o desconfia que se trate precisamente de acabar com esta situa\u00e7\u00e3o da mulher como simples instrumento de produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/em> [2]<br \/>\nNaqueles anos, o trabalho de mulheres e crian\u00e7as come\u00e7ou a ser naturalizado, e tamb\u00e9m recebiam uma remunera\u00e7\u00e3o inferior ao trabalho de um homem, por dois motivos fundamentais: o primeiro, seu trabalho era considerado menos produtivo. O segundo, no c\u00e1lculo do sal\u00e1rio, foi levado em considera\u00e7\u00e3o o papel do homem como principal meio de sustento econ\u00f4mico da fam\u00edlia. Desta forma, o trabalho feminino foi desvalorizado. A burguesia conseguiu jogar toda a fam\u00edlia na f\u00e1brica. Isso levou \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia prolet\u00e1ria. Ainda que, contraditoriamente, a mulher foi incorporada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s anos de servid\u00e3o dom\u00e9stica. Mas este passo decisivo foi aproveitado pelo capitalismo para aumentar seus lucros com base na superexplora\u00e7\u00e3o da mulher e de sua fam\u00edlia inteira. O que significava que a fam\u00edlia da classe oper\u00e1ria n\u00e3o vivia nas mesmas circunst\u00e2ncias que a fam\u00edlia burguesa. Marx tamb\u00e9m falou em O Capital sobre o valor da for\u00e7a de trabalho da fam\u00edlia, mas n\u00e3o \u00e9 nosso objetivo estender nesta parte.<br \/>\nAntes da elabora\u00e7\u00e3o do Manifesto Comunista, junto com Marx, o jovem Engels j\u00e1 vinha observando a situa\u00e7\u00e3o da mulher. Em seu livro <em>A situa\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora na Inglaterra<\/em> (1845), embora escrito quase em meados do s\u00e9culo XIX, j\u00e1 descrevia as condi\u00e7\u00f5es de trabalho enfrentadas pelas mulheres: jornadas intermin\u00e1veis \u200b\u200bde 12 horas ou mais, baixos sal\u00e1rios, repugnantes condi\u00e7\u00f5es de moradia, nenhuma prote\u00e7\u00e3o no trabalho, nem seguridade social, doen\u00e7as ocupacionais, alta mortalidade e medo constante de perder o emprego [3].<br \/>\nCom esses primeiros apontamentos, Marx e Engels come\u00e7aram a tra\u00e7ar a an\u00e1lise materialista da hist\u00f3ria da opress\u00e3o das mulheres. Mais tarde, outros dirigentes da \u00e9poca eles se interessavam pelo assunto. August Bebel, da Socialdemocracia Alem\u00e3, publicou <em>A Mulher no Passado, Presente e Futuro<\/em> (1879), que seria reeditado anos depois com o t\u00edtulo de <em>O Socialismo e a mulher<\/em> (1883), apenas um ano antes da primeira edi\u00e7\u00e3o da <em>Origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e o Estado<\/em> (1884) por Engels. A origem &#8230; em certo sentido seria uma resposta \u00e0 abordagem geral de Bebel em seu livro: &#8220;<em>Desde o in\u00edcio dos tempos, a opress\u00e3o tem sido o destino comum dos trabalhadores e trabalhadoras<\/em>&#8220;, uma abordagem semelhante teve Karl Kautsky em uma s\u00e9rie de artigos sobre rela\u00e7\u00f5es sexuais primitivas, <em>A origem do casamento e da fam\u00edlia<\/em> (1882-83). [4] Ao contr\u00e1rio de Bebel e Kautsky, Engels mostraria que a opress\u00e3o das mulheres nem sempre existiu. Ambas as elabora\u00e7\u00f5es foram cruciais para a compreens\u00e3o da quest\u00e3o entre os marxistas da \u00e9poca.<br \/>\n<strong>Sobre a origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado<\/strong><br \/>\n<em>\u201cAs p\u00e1ginas seguintes s\u00e3o, em certo sentido, a execu\u00e7\u00e3o de um testamento\u201d<\/em> [5]. Assim come\u00e7a Engels o pref\u00e1cio da primeira edi\u00e7\u00e3o do livro em 1884. Marx, seu insepar\u00e1vel companheiro havia morrido um ano antes da publica\u00e7\u00e3o. Mas Engels estava determinado a come\u00e7ar a edi\u00e7\u00e3o deste livro: <em>\u201cMeu trabalho s\u00f3 pode substituir moderadamente o que meu falecido amigo n\u00e3o conseguiu escrever. No entanto, tenho em vista, juntamente com extratos detalhados que ele fez da obra de Morgan, glosas cr\u00edticas que reproduzo aqui sempre que poss\u00edvel\u201d [<\/em>6]. Marx, pessoalmente, havia pensado em apresentar os resultados das investiga\u00e7\u00f5es de Lewis H. Morgan, pesquisador Norte-americano. At\u00e9 1860 sequer se podia pensar em uma hist\u00f3ria da fam\u00edlia. O livro, para Lenin, representou &#8220;uma das obras fundamentais do socialismo moderno&#8221; [7].<br \/>\nEngels, apoiado nos apontamentos de Marx e nos estudos de Morgan, dedicou-se a descrever o desenvolvimento das sociedades humanas em tr\u00eas fases: selvageria, barb\u00e1rie e civiliza\u00e7\u00e3o. Como o nome indica, a grande premissa de Engels foi localizar como se desenvolveram as for\u00e7as produtivas at\u00e9 o surgimento da propriedade privada, a divis\u00e3o da sociedade em classes e o surgimento do Estado como instrumento de domina\u00e7\u00e3o entre classes.<br \/>\nVerificou-se tamb\u00e9m que esse processo trouxe consequ\u00eancias e mudan\u00e7as na fam\u00edlia, nas rela\u00e7\u00f5es entre seus membros, analisando as formas de organiza\u00e7\u00e3o familiar e a divis\u00e3o sexual do trabalho. Sua an\u00e1lise foi resumida em que <em>&#8220;Segundo a concep\u00e7\u00e3o materialista, o fator determinante da hist\u00f3ria \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o da vida imediata&#8221;<\/em> (Pr\u00f3logo da primeira edi\u00e7\u00e3o em 1884).<br \/>\n<em>A Origem<\/em>\u2026 tornou-se um material de estudo b\u00e1sico para uma compreens\u00e3o materialista da hist\u00f3ria da opress\u00e3o das mulheres. Apesar de qualquer cr\u00edtica ou erro, a grande contribui\u00e7\u00e3o de Engels baseia-se no fato de que as mulheres <strong>nem sempre foram oprimidas<\/strong> e que sua opress\u00e3o coincide na hist\u00f3ria com o surgimento da propriedade privada e das classes sociais. At\u00e9 aquele s\u00e9culo, o que prevalecia era a cren\u00e7a de que sua condi\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o se devia a fatores &#8220;naturais&#8221;, imut\u00e1veis.<br \/>\nVamos revisar, agora, algumas considera\u00e7\u00f5es levantadas em <em>A origem &#8230;:<\/em><br \/>\nNo que diz respeito \u00e0 fam\u00edlia, conclui que ela tem origem material. Nem sempre foi igual \u00e0 fam\u00edlia da \u00e9poca ou a que conhecemos hoje. Portanto, as mulheres nem sempre tiveram a mesma localiza\u00e7\u00e3o com o passar das sociedades, na verdade isso dependia de sua localiza\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o. O excedente deu lugar ao surgimento da propriedade privada, sendo necess\u00e1ria uma nova organiza\u00e7\u00e3o na fam\u00edlia que permitisse a continuidade dessa propriedade. Assim, a fam\u00edlia monog\u00e2mica foi estabelecida. Era preciso suprimir o \u201cdireito materno\u201d [8] da gens para que prevalecesse o \u201cdireito paterno\u201d e com ele a heran\u00e7a do pai (e, desta forma, perpetuar a propriedade privada):<br \/>\n\u201c<em>A fam\u00edlia monog\u00e2mica (&#8230;) baseia-se no predom\u00ednio do homem; sua finalidade expressa \u00e9 procriar filhos cuja paternidade seja indiscut\u00edvel; e essa indiscut\u00edvel paternidade \u00e9 exigida porque os filhos, como herdeiros diretos, um dia devem tomar posse dos bens do pai. (\u2026) A exist\u00eancia da escravid\u00e3o junto com a monogamia, a presen\u00e7a de jovens e belas cativas que pertencem em corpo e alma ao homem, \u00e9 o que imprime um car\u00e1ter espec\u00edfico \u00e0 monogamia desde sua origem, que s\u00f3 \u00e9 monogamia para a mulher , e n\u00e3o para o homem\u201d [9<\/em>].<br \/>\nA monogamia significou para Engels a derrota hist\u00f3rica das mulheres: <em>\u201cA derrubada dos direitos maternos foi a grande derrota hist\u00f3rica do sexo feminino em todo o mundo. O homem tamb\u00e9m tomou as r\u00e9deas da casa; a mulher foi degradada, transformada em serva, em escrava da lux\u00faria do homem, em simples instrumento de reprodu\u00e7\u00e3o\u201d <\/em>[10].<br \/>\nA fam\u00edlia monog\u00e2mica \u00e9 a forma de fam\u00edlia que conhecemos hoje e que foi transformada pelo capitalismo. Para Engels, as rela\u00e7\u00f5es sociais que se estabeleceram no seio da fam\u00edlia s\u00e3o decisivas para a institucionaliza\u00e7\u00e3o da opress\u00e3o das mulheres, uma vez que j\u00e1 n\u00e3o se trata apenas da linhagem do pai:<br \/>\n<em>\u201cEssa foi a origem da monogamia, como pudemos acompanh\u00e1-la no povo mais culto e desenvolvido da antiguidade. De forma alguma foi fruto do amor sexual individual, com o qual nada tinha em comum, sendo o c\u00e1lculo, agora como antes, o motivo dos casamentos. Foi a primeira forma de fam\u00edlia que n\u00e3o se baseou nas condi\u00e7\u00f5es naturais, mas econ\u00f4micas, e especificamente no triunfo da propriedade privada sobre a propriedade comum primitiva, originada espontaneamente<\/em> \u201d[11].<br \/>\nA passagem do direito materno ao paterno converteu a mulher em propriedade do homem, lan\u00e7ando-a na servid\u00e3o dom\u00e9stica e, portanto, na exclus\u00e3o do trabalho social produtivo, o que implicou um retrocesso hist\u00f3rico em rela\u00e7\u00e3o ao comunismo primitivo, onde o seu papel na produ\u00e7\u00e3o (como coletora de alimentos) havia dado a ela uma condi\u00e7\u00e3o importante, e at\u00e9 respeit\u00e1vel: \u201c<em>Parece que a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher, sua igualdade de condi\u00e7\u00e3o com o homem, \u00e9, e continua sendo, imposs\u00edvel, enquanto as mulheres permanecerem exclu\u00eddas do trabalho social produtivo e deve ser limitado ao trabalho privado dom\u00e9stico &#8230; A primeira condi\u00e7\u00e3o para a liberta\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 a incorpora\u00e7\u00e3o de todo o sexo na ind\u00fastria p\u00fablica<\/em> \u201d[12].<br \/>\nO trabalho dom\u00e9stico da mulher foi degradado e perdeu import\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho produtivo masculino. \u00c9 por isso que Marx e Engels estudaram cuidadosamente a entrada das mulheres para as f\u00e1bricas em seu tempo, como um passo decisivo para sua emancipa\u00e7\u00e3o. Mas logo surgiram as contradi\u00e7\u00f5es dessa incorpora\u00e7\u00e3o, originando uma dupla opress\u00e3o para a mulher como dona de casa e como trabalhadora assalariada. Assim, o marxismo come\u00e7ou a estudar a rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o que n\u00e3o poderia ser entendida sem as contribui\u00e7\u00f5es de Engels.<br \/>\nEm suma, Engels n\u00e3o se enganou ao afirmar que a opress\u00e3o das mulheres tem uma origem hist\u00f3rica baseada nas condi\u00e7\u00f5es materiais e n\u00e3o &#8220;biol\u00f3gicas ou naturais&#8221;. Desta forma, o marxismo aponta que, embora seja necess\u00e1rio lutar cotidianamente contra a opress\u00e3o das mulheres, essa luta \u00e9 imposs\u00edvel se n\u00e3o for combinada com a luta contra o capitalismo, pois a \u00fanica sa\u00edda poss\u00edvel para a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e9 a aboli\u00e7\u00e3o da propriedade privada e o fim de todos os tipos de explora\u00e7\u00e3o. Isso s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel sob as bandeiras do socialismo cient\u00edfico.<br \/>\nNotas:<br \/>\n[1] Kollontai, Alexandra. Mulheres no desenvolvimento social (1925). Ed. Esp. Editorial Labor, S.A. Calabria, 235-239, Barcelona-15, 1976, p. 164<br \/>\nNeste livro Alexandra Kollontai exp\u00f5e &#8211; catorze li\u00e7\u00f5es &#8211; sobre o ponto de vista marxista sobre o problema das mulheres, abordando a situa\u00e7\u00e3o das mulheres desde o comunismo primitivo at\u00e9 os primeiros anos da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<br \/>\n[2] C. Marx e F. Engels. O Manifesto Comunista.<br \/>\n[3] Kollontai, Alexandra. Mulheres no desenvolvimento social (1925). Ed. Esp. Editorial Labor, S.A. Calabria, 235-239, Barcelona-15, 1976, p. 113<br \/>\n[4] HUNT, Tristam. Comunista de casaco. Uma vida revolucion\u00e1ria de Friedrich Engels. S\u00e3o Paulo: Recorde, 2010.<br \/>\n[5] Engels, Friedrich. A origem da fam\u00edlia, da propriedade privada e do Estado. Funda\u00e7\u00e3o Federico Engels, p. onze.<br \/>\n[6] Idem. p. 11 Primitive Society \u00e9 o trabalho de Lewis Morgan referido.<br \/>\n[7] Idem. p. 8<br \/>\n[8] Fam\u00edlias fundadas na lei materna, ou o que Engels chama de &#8220;matriarcado&#8221;, se refere a fam\u00edlias matrilineares ou matrilocais. \u00c9 importante notar que Engels e os antrop\u00f3logos da \u00e9poca erraram ao propor uma esp\u00e9cie de &#8220;matriarcado generalizado&#8221;, uma vez que se constatou a coexist\u00eancia das duas formas em lugares distintos (matrilinear e patrilinear). O que Engels n\u00e3o se engana em detectar \u00e9 como as mudan\u00e7as nas for\u00e7as produtivas deram origem aos primeiros estratos sociais e, com isso, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de classe e poder que definiriam um antes e um depois na situa\u00e7\u00e3o das mulheres.<br \/>\n[9] Idem, p. 68<br \/>\n[10] Idem, p. 64<br \/>\n[11] Idem, p. 72<br \/>\n[12] Idem, p. 175<br \/>\ntradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>28 de novembro marcou o 200\u00ba anivers\u00e1rio do nascimento de Engels. Em sua homenagem, a Liga Internacional dos Trabalhadores &#8211; Quarta Internacional (LIT-QI) publicou uma s\u00e9rie de artigos em defesa do marxismo e do legado de Engels, resgatando assim sua heran\u00e7a te\u00f3rica e revolucion\u00e1ria como cofundador do socialismo cient\u00edfico. 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