{"id":62680,"date":"2020-12-14T12:10:33","date_gmt":"2020-12-14T15:10:33","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62680"},"modified":"2020-12-14T12:10:33","modified_gmt":"2020-12-14T15:10:33","slug":"argentina-de-volta-as-ruas-para-um-aborto-legal-seguro-e-gratuito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/14\/argentina-de-volta-as-ruas-para-um-aborto-legal-seguro-e-gratuito\/","title":{"rendered":"Argentina&#124; De volta \u00e0s ruas para um aborto legal, seguro e gratuito!"},"content":{"rendered":"<p><em>Dois anos depois que a mar\u00e9 verde inundou as ruas da Argentina, a m\u00eddia mais uma vez volta a falar em aborto legal, seguro e gratuito, j\u00e1 que o governo se apressou em levar seu projeto ao Congresso. A luta \u00e9 definida nas ruas e n\u00e3o no Parlamento, embora a meia san\u00e7\u00e3o j\u00e1 esteja em vigor, como sempre, e como deveria ser em 2018. Seja como for, o aborto deve ser legal desta vez.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\nPor: Secretaria de Mulheres -PSTU-Argentina<br \/>\n<strong>V\u00e1rios projetos, muitos obst\u00e1culos<\/strong><br \/>\nO Projeto de Descriminaliza\u00e7\u00e3o e Legaliza\u00e7\u00e3o do Aborto de Alberto Fern\u00e1ndez e sua Ministra da Mulher, Elizabeth G\u00f3mez Alcorta, tem limita\u00e7\u00f5es: obje\u00e7\u00e3o de consci\u00eancia e falta de or\u00e7amento espec\u00edfico em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para 2021. Na sa\u00fade para garantir o cumprimento, na educa\u00e7\u00e3o para poder aplicar e ampliar a Educa\u00e7\u00e3o Sexual Integral (ESI) e, assim, avan\u00e7ar na preven\u00e7\u00e3o da gravidez indesejada. Tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma descriminaliza\u00e7\u00e3o total, j\u00e1 que as mulheres que realizarem o aborto ap\u00f3s 14 semanas e fora das causas contempladas no projeto, ser\u00e3o processadas, assim como os profissionais de sa\u00fade envolvidos nesse procedimento.<br \/>\nTodos esses pontos ser\u00e3o obst\u00e1culos legais para que mulheres e \u00a0pessoas gestantes dos setores populares tenham acesso ao aborto nas condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para isso. A\u00ed temos que colocar a lupa, pois todos\/as sabemos que, tendo dinheiro para fazer um aborto, as coisas ficam mais f\u00e1ceis. S\u00e3o dif\u00edceis para quem n\u00e3o tem esse dinheiro e colocam suas vidas em risco, se expondo a ir para a cadeia por isso. E se adicionarmos a isso a aprova\u00e7\u00e3o do Plano de 1000 Dias (um aceno total \u00e0s igrejas antidireitos, para convencer as mulheres a dar \u00e0 luz em qualquer circunst\u00e2ncia) [1], temos mais travas que derrubar para alcan\u00e7ar o aborto legal para todos .<br \/>\nA falta de or\u00e7amento para \u00e1reas-chave como sa\u00fade (especialmente neste contexto de uma pandemia global) e educa\u00e7\u00e3o em 2021 \u00e9 uma espada na cabe\u00e7a dos trabalhadores e do povo. O or\u00e7amento total para o pr\u00f3ximo ano est\u00e1 sujeito \u00e0 continuidade do pagamento da D\u00edvida Externa e ao cumprimento dos compromissos de redu\u00e7\u00e3o de \u201cgastos\u201d com o FMI. Enquanto isso, o projeto da Campanha Nacional pelo Aborto Legal n\u00e3o informa de onde viria o dinheiro para sua aplica\u00e7\u00e3o.<br \/>\n\u00c9 preciso ressaltar a quest\u00e3o porque, como todos\/as sabemos, sem dinheiro para garantir a aplica\u00e7\u00e3o de qualquer lei, fica apenas letra morta no papel, sen\u00e3o vejamos quais s\u00e3o os resultados at\u00e9 agora da Lei de Cotas de Trabalho de Travesti Trans, ou o escasso dinheiro que conta o Plano contra a Viol\u00eancia de G\u00eanero. Nada mudou, mesmo para quem de n\u00f3s precisa de respostas o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<br \/>\n<strong>\u00c9 urgente, basta de continuar esperando<\/strong><br \/>\nHoje temos um primeiro turno vencido na batalha pela legaliza\u00e7\u00e3o do aborto na Argentina (de novo). Como em 2018, sa\u00edmos \u00e0s ruas de todo o pa\u00eds, embora n\u00e3o tenhamos esquecido que naquele ano o Parlamento acabou por nos dar as costas, deixando em risco a vida de milhares de mulheres pobres e trabalhadoras. Por isso a mobiliza\u00e7\u00e3o deve continuar: n\u00e3o confiemos nesses legisladores que vivem uma vida privilegiada, t\u00e3o distante da realidade dos bairros onde mulheres morrem de abortos ilegais, ou s\u00e3o for\u00e7adas a dar \u00e0 luz e criar filhos\/as na pobreza. .<br \/>\nTodas as dire\u00e7\u00f5es do movimento feminista devem assumir de uma vez por todas que n\u00e3o h\u00e1 mais tempo. \u00c9 urgente e \u00e9 preciso ir por tudo. Embora agora chamem para ir \u00e0s ruas novamente, tanto a Campanha quanto a <em>Ni una menos<\/em> t\u00eam sido muito pacientes, enquanto as mulheres continuam sofrendo a pior viol\u00eancia neste sistema. No caso da Campanha, nem condiz com a defesa do seu pr\u00f3prio projeto de lei, que ainda est\u00e1 em vigor no Parlamento. E isso porque eles nos chamam a confiar que este Governo nos conceder\u00e1 nossos direitos sem mais delongas. Mas j\u00e1 temos experi\u00eancia: apenas fazer declara\u00e7\u00f5es combativas n\u00e3o \u00e9 suficiente. A legaliza\u00e7\u00e3o deve ser conquistada nas ruas, com milh\u00f5es como em 2018, sem colocar ilus\u00f5es na &#8220;boa vontade&#8221; do governo da Frente de Todos, que tem at\u00e9 figuras nefastas de antidireitos que continuar\u00e3o a votar contra, mesmo do Projeto de seu pr\u00f3prio governo.<br \/>\nPor outro lado, as centrais CGT e as CTAs pouco se envolveram, como se fosse um assunto apenas de organiza\u00e7\u00f5es de mulheres. Em seu interior, existem milhares de mulheres trabalhadoras organizadas em seus sindicatos. Ou as mulheres de seus trabalhadores, ou de suas filhas ou parentes, que sofrem as consequ\u00eancias da ilegalidade. Eles t\u00eam que assumir esta bandeira em suas m\u00e3os e se mobilizar nos dias em que ela for discutida no Parlamento. \u00c9 assim que se defendem os direitos dos seus trabalhadores, concretamente e colocando todas as suas for\u00e7as para conquistar.<br \/>\n<strong>S\u00f3 a mobiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 garantia<\/strong><br \/>\nNossa luta de anos conquistou uma primeira vit\u00f3ria que \u00e9 a meia san\u00e7\u00e3o na c\u00e2mara de Deputados. A experi\u00eancia j\u00e1 nos ensinou que a obten\u00e7\u00e3o da legaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 garantida. Al\u00e9m do obst\u00e1culo que significa o pr\u00f3prio Senado, este receber\u00e1 press\u00f5es de grupos conservadores e poderosos. As igrejas se op\u00f5em, os antidireitos tamb\u00e9m. E setores do pr\u00f3prio governo fazem isso! Por isso, desta vez, precisamos superar a mobiliza\u00e7\u00e3o de 2018 e agir com firmeza para atingir nosso objetivo. N\u00e3o deixemos um cent\u00edmetro das nossas vidas nas m\u00e3os do Parlamento.<br \/>\nPor isso, e se \u00e9 verdade que o Governo de Alberto Fern\u00e1ndez tem vontade pol\u00edtica de legalizar, ainda tem a op\u00e7\u00e3o de colocar em pr\u00e1tica por decreto, caso o Parlamento volte a se colocar contra o povo trabalhador, \u00e0s mulheres e pessoas gr\u00e1vidas.<br \/>\n<strong>De qualquer maneira, mas agora, precisamos de Educa\u00e7\u00e3o Sexual para Decidir, de Anticoncepcionais para que n\u00e3o tenhamos que abortar e de Aborto Legal, Seguro e Gratuito para n\u00e3o morrermos!<\/strong><br \/>\nNota:<br \/>\n[1] https:\/\/www.pstu.com.ar\/no-podemos-esperar-mas-legalizacion-por-decreto-ya\/<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Lena Souza<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois anos depois que a mar\u00e9 verde inundou as ruas da Argentina, a m\u00eddia mais uma vez volta a falar em aborto legal, seguro e gratuito, j\u00e1 que o governo se apressou em levar seu projeto ao Congresso. 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