{"id":62605,"date":"2020-12-02T11:19:16","date_gmt":"2020-12-02T14:19:16","guid":{"rendered":"https:\/\/litci.org\/pt\/?p=62605"},"modified":"2020-12-02T11:19:16","modified_gmt":"2020-12-02T14:19:16","slug":"belarus-entrevista-com-participantes-das-lutas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/litci.org\/pt\/2020\/12\/02\/belarus-entrevista-com-participantes-das-lutas\/","title":{"rendered":"Belarus&#124; Entrevista com participantes das lutas"},"content":{"rendered":"<p><em>O ver\u00e3o passado, na Belarus, trouxe mudan\u00e7as dram\u00e1ticas n\u00e3o s\u00f3 na vida social do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m na vida pessoal dos bielorrussos que lutam contra a ditadura. Conversamos com estudantes d\u0430 Universidade de Medicina (Katya e Lena) e da Universidade de Inform\u00e1tica e Radioeletr\u00f4nica (Ana e Vassiliy.) sobre onde e como encontraram a revolu\u00e7\u00e3o e como se tornaram parte dela. Esperamos que a entrevista ajude o leitor n\u00e3o s\u00f3 a se aprofundar mais nos acontecimentos dos \u00faltimos meses de nosso pa\u00eds, mas tamb\u00e9m a refletir e tirar conclus\u00f5es.<\/em><br \/>\n<!--more--><br \/>\n<strong>Do jornal Revolu\u00e7\u00e3o-Liberdade-Independ\u00eancia<\/strong><br \/>\n<strong>RLI<\/strong>: Como isso come\u00e7ou para voc\u00eas?<br \/>\n<strong><em>Ana<\/em><\/strong> &#8211; Inicialmente, vi uma postagem no Instagram de que precisavam de volunt\u00e1rios para distribuir pulseiras brancas [s\u00edmbolo da campanha da oposi\u00e7\u00e3o] antes das elei\u00e7\u00f5es. Eu achei que, em princ\u00edpio, poderia desta forma dar minha contribui\u00e7\u00e3o (risos). Me inscrevi, peguei essas pulseiras e comecei a distribuir. Ent\u00e3o Vassiliy me escreveu que tamb\u00e9m gostaria de pegar algumas. E come\u00e7amos a distribuir com ele na \u00e1rea.<br \/>\n<strong><em>Vassiliy<\/em><\/strong>. &#8211; Fizemos um piquete, uma esp\u00e9cie de ponto de onde distribu\u00edamos pulseiras. As pessoas vinham at\u00e9 n\u00f3s, pegavam as pulseiras, ficavam satisfeitas e iam embora.<br \/>\n<strong><em>Ana<\/em><\/strong>. &#8211; Mas n\u00e3o durou muito.<br \/>\n<strong><em>Vassiliy<\/em><\/strong>. &#8211; Est\u00e1vamos a menos de meia hora nessa quando a pol\u00edcia chegou. E fomos levados para o posto da pol\u00edcia do bairro. Um processo administrativo foi aberto contra n\u00f3s. Em geral, o interesse pela pol\u00edtica come\u00e7ou a partir do momento em que no canal Nexta [canal de Telegram que se tornou organizador virtual das manifesta\u00e7\u00f5es] saiu um v\u00eddeo sobre Lukashenko. E quando voc\u00ea v\u00ea os fatos, o que h\u00e1 de errado em nosso pa\u00eds, voc\u00ea come\u00e7a a ler mais, a pensar mais. Achava que j\u00e1 estava em uma idade em que precisava pensar n\u00e3o s\u00f3 em mim, mas no pa\u00eds como um todo. E seis meses depois, essa ideia de distribuir pulseiras deu muito certo.<br \/>\n<strong>RLI<\/strong>: E o que aconteceu depois das \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d?<br \/>\n<strong><em>Vassiliy<\/em><\/strong>. &#8211; Durante as elei\u00e7\u00f5es eu estava preso no posto de pol\u00edcia do bairro. N\u00f3s distribu\u00edmos pulseiras em tr\u00eas e me fizeram uma pergunta bem direta: ou eles levavam todos n\u00f3s, ou a mim sozinho. Fui julgado e me deram 7 dias de pris\u00e3o. Passei tr\u00eas dias na minha regi\u00e3o e, os restantes, fui transferido para Zhodino [cidade onde fica a pris\u00e3o para onde foi enviada a maioria dos presos pol\u00edticos] onde estavam os outros presos. Mas fiquei l\u00e1 preso menos de um dia, porque a partir de 13 de agosto, devido \u00e0s grandes manifesta\u00e7\u00f5es exigindo liberdade dos presos pol\u00edticos, come\u00e7aram a liberar todo mundo massivamente. Eu n\u00e3o sabia o que estava acontecendo, as informa\u00e7\u00f5es na pris\u00e3o eram zero. N\u00f3s s\u00f3 sab\u00edamos de algo quando chegavam mais presos.<br \/>\n<strong><em>Ana<\/em><\/strong>. &#8211; Nesses dias eu estava preocupada com Vassiliy, ficava em casa, n\u00e3o ia a lugar nenhum. Eu sou de uma cidade pequena, onde n\u00e3o havia nada, e no centro houve pequenos protestos, mas eles foram dispersados muito rapidamente e as pessoas foram mandadas para o mesmo lugar onde Vassiliy estava.<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; Parece-me que para todos tudo come\u00e7ou no dia 9 de agosto, depois das \u201celei\u00e7\u00f5es\u201d. A Internet foi desligada. Fui ver televis\u00e3o, mostravam os resultados preliminares: 80% para o nosso agora j\u00e1 ileg\u00edtimo presidente. E todo mundo viu o que se passou. E ent\u00e3o percebi que algo estava errado. Era 8 de agosto, quando os n\u00fameros oficiais foram anunciados. Ent\u00e3o, eles anunciaram oficialmente que nosso atual, digamos, presidente, havia vencido. As pessoas sa\u00edram para a rua para mostrar que n\u00e3o concordavam com o resultado, para mostrar que os votos tinham sido roubados, e eu vi o quanto eles foram espancados, vi essa viol\u00eancia. E quando eles ligaram a Internet, eu vi como as c\u00e9dulas eram jogadas pelas janelas, como o pessoal da limpeza jogava fora essas c\u00e9dulas com os nossos votos, e a tropa de choque OMON os protegiam&#8230; Esses &#8220;votos errados&#8221; est\u00e3o em algum lugar agora.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; N\u00f3s tamb\u00e9m est\u00e1vamos perto da escola, esperando pelos resultados, quando a tropa de choque OMON expulsou todos os professores da comiss\u00e3o eleitoral. Eles foram colocados em um \u00f4nibus. Mas as pessoas bloquearam a estrada, bloquearam completamente por uma hora e eles n\u00e3o puderam sair. E por uma hora as pessoas exigiram, gritaram &#8220;entreguem o protocolo [com o resultado da vota\u00e7\u00e3o]!&#8221; Ao final, jogaram contra n\u00f3s bombas de efeito moral.<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; E percebi que havia que fazer algo. Mas sair \u00e0 noite era muito assustador. Porque eu, por exemplo, n\u00e3o corro muito r\u00e1pido e sei que n\u00e3o consigo fugir da tropa de choque OMON. Minha primeira a\u00e7\u00e3o foi em 12 ou 11 de agosto, quando come\u00e7aram os cord\u00f5es de solidariedade das mulheres ao longo das estradas. Eu estava ent\u00e3o na minha cidade. Permanecemos no primeiro cord\u00e3o de solidariedade de mulheres por cinco horas. Quase todos os cord\u00f5es de solidariedade de mulheres duravam cinco horas. Eu vi conhecidos l\u00e1. E conheci muitas pessoas, ainda me comunico com elas. Agosto passou. Quando chegamos \u00e0 universidade em setembro, fiquei com muito medo de que pudessem nos obrigar a participar de algum com\u00edcio pr\u00f3-governo. Mas n\u00e3o houve nada parecido. As pessoas sa\u00edram para os cord\u00f5es de solidariedade no dia 1\u00ba de setembro. Em 3 de setembro, eu tamb\u00e9m fui ao cord\u00e3o de solidariedade. E naquele dia conhecemos Lena e outras garotas tamb\u00e9m.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; N\u00f3s estudamos na mesma universidade, em faculdades diferentes. Mas est\u00e1vamos l\u00e1, no mesmo cord\u00e3o de solidariedade e acidentalmente nos cruzamos perto dos alojamentos. Conversamos sobre tudo. Encontramos companhia no alojamento. \u00c9 muito mais agrad\u00e1vel do que participar sozinho. \u00c9 melhor quando h\u00e1 companhia. Eu confio em Lena, e sei que ela n\u00e3o vai me abandonar. Se fugirmos, fugimos juntas. Fomos de m\u00e3os dadas para o cambur\u00e3o!<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; E sa\u00edmos de m\u00e3os dadas da Okrestina [pris\u00e3o de deten\u00e7\u00e3o provis\u00f3ria em Minsk, para onde foram enviados todos os presos e que ficou conhecida pelas torturas e viol\u00eancias efetuadas dentro pela pol\u00edcia no princ\u00edpio de agosto]. Passamos por tudo isso juntas. Houve tamb\u00e9m um cord\u00e3o de solidariedade em frente \u00e0 universidade. A tropa de choque OMON veio do lado onde fica o metr\u00f4.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Eles nos cercaram e disseram: &#8220;Entrem no cambur\u00e3o.&#8221;<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; Havia muito mais OMON. N\u00e3o sei o que poder\u00edamos fazer. Disseram-nos que pod\u00edamos ir por bem ou por mal. Decidimos que n\u00e3o valia a pena resistir ali. Fomos para o cambur\u00e3o, sentamos, procuramos saber para onde nos levariam, para contar aos nossos parentes onde nos procurar, pelo menos. Naturalmente, nada nos foi dito. Consegui escrever aos meus vizinhos e \u00e0 minha m\u00e3e \u201cEstou no cambur\u00e3o\u201d. Nada mais. E ent\u00e3o Lena conseguiu escrever para o canal dos estudantes no Telegram que est\u00e1vamos sendo detidas. Gra\u00e7as a isso, ficaram sabendo de n\u00f3s. Em geral, ningu\u00e9m sabia se voltar\u00edamos \u00e0 universidade ou se ser\u00edamos expulsas e o que aconteceria conosco em geral. Fomos levadas primeiramente para o posto de pol\u00edcia do bairro, onde ficamos detidas por tr\u00eas horas. Todos nos disseram para n\u00e3o nos preocuparmos, que liberariam a gente, pois era a nossa primeira vez. Mas n\u00e3o, eles n\u00e3o nos soltaram, eles nos levaram para a Okrestina, passamos um dia l\u00e1. O julgamento foi realizado online. N\u00e3o foi um julgamento, mas uma esp\u00e9cie de chacota: n\u00e3o importa o que diss\u00e9ssemos, a decis\u00e3o estava tomada, provavelmente ainda quando t\u00ednhamos sido detidas. Pod\u00edamos n\u00e3o dizer nada. Depois fomos liberadas &#8211; e voltamos \u00e0s aulas.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; No geral, comigo foi mais pesado. Comecei mais ou menos em maio, quando houve correntes para coletar assinaturas. Eu era volunt\u00e1ria na sede de Tsepkalo [um candidato de oposi\u00e7\u00e3o que foi impedido de participar das elei\u00e7\u00f5es e fugiu do pa\u00eds]. Fui a todos os atos quando as assinaturas de Babariko [outro candidato de oposi\u00e7\u00e3o que foi impedido de participar das elei\u00e7\u00f5es e foi preso] n\u00e3o foram reconhecidas. Ent\u00e3o eles detiveram meu amigo, n\u00f3s o encontramos na Okrestina. Em 9 de agosto, fui \u00e0 minha cidade, especialmente para votar, e voltei para Minsk o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Disse a minha m\u00e3e que n\u00e3o ficaria em casa. Primeiro, fomos com meus amigos esperar os resultados na escola onde eles haviam votado. Esperamos por volta de quatro horas o protocolo. Ent\u00e3o a OMON chegou, todos foram retirados da se\u00e7\u00e3o e disseram que Lukashenko tinha recebido 93% dos votos. N\u00e3o havia internet. Pegamos o carro e fomos at\u00e9 \u00e0 Stella [grande pra\u00e7a com um monumento da Segunda Guerra Mundial, lugar dos maiores enfrentamentos deste dia]. J\u00e1 era cerca de meia-noite, tinha muita gente, eu diria cinquenta mil. Recebemos uma chuva de bombas de efeito moral. O cara que estava ao meu lado, jogaram uma granada a seus p\u00e9s. Eu fugi, mas quando me virei, vi que seus p\u00e9s estavam em peda\u00e7os. Eu n\u00e3o sabia o que fazer. Algu\u00e9m gritou, vamos ajudar. Corri e comecei a cuidar de seus p\u00e9s de alguma forma. Algu\u00e9m trouxe bandagens, come\u00e7amos a tratar o que havia sobrado de seus p\u00e9s. E outra granada foi lan\u00e7ada contra n\u00f3s, bem onde est\u00e1vamos sentados. Ao final, conseguiram tirar o rapaz de l\u00e1. Todos n\u00f3s nos dispersamos. Ent\u00e3o vieram os canh\u00f5es de \u00e1gua, come\u00e7aram a disparar. Isso foi simplesmente horr\u00edvel. Isso durou at\u00e9 cerca de duas da manh\u00e3. Algu\u00e9m de algum lugar atirou, lan\u00e7aram bombas de efeito moral. Houve g\u00e1s lacrimog\u00eaneo. Eu simplesmente n\u00e3o conseguia ficar em p\u00e9. Voltamos para casa na ponta dos p\u00e9s, porque a OMON estava vasculhando as ruas. No dia seguinte, acordamos &#8211; havia sil\u00eancio e apenas \u00e0s vezes os cambur\u00f5es da pol\u00edcia passavam perto. Em 10 de agosto, fomos para a rua Pushkinskaya [outro local de enfrentamentos] &#8211; naquele dia, um homem foi morto l\u00e1. Em 11 de agosto, fui \u00e0 Pra\u00e7a Bangalore &#8211; eles estavam jogando bombas de efeito moral l\u00e1. N\u00f3s fugimos da OMON, nos escondemos na portaria de um pr\u00e9dio, \u00e9ramos umas 50 pessoas. Fechamos a porta, mas era de grades. Ficamos parados como sardinhas em lata, e eles jogaram g\u00e1s lacrimog\u00eaneo em n\u00f3s. A tropa de choque OMON toda protegida do g\u00e1s e n\u00f3s, 50 pessoas, sem prote\u00e7\u00e3o e presos ali. O g\u00e1s come\u00e7ou a se espalhar e n\u00e3o consegu\u00edamos respirar. Abrimos a porta &#8211; e eles come\u00e7aram a nos levar, um por um. Gra\u00e7as a Deus, de alguma forma eu consegui escapar. Algu\u00e9m me jogou uns trapos molhados de uma sacada e gritou para que respir\u00e1ssemos por eles. Depois disso, vieram os cord\u00f5es de solidariedade, as marchas e a Okrestina.<br \/>\n<strong>RLI<\/strong>: Ent\u00e3o voc\u00eas foram asfixiados com g\u00e1s?<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Sim. Era um espa\u00e7o de uns 15 por 15 metros e 50 pessoas dentro. Eles nos viram e deliberadamente jogaram essa coisa l\u00e1. Foi simplesmente terr\u00edvel.<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; Sobre as brutalidades da OMON se pode contar muitas coisas. Quando est\u00e1vamos no posto da pol\u00edcia, tinha uma garota com um corte de cabelo curto conosco, e ela estava indignada. E ent\u00e3o um policial se aproximou dela e deu um forte tapa na t\u00eampora, na orelha dela. Quando come\u00e7amos a gritar que se tratava de uma garota, o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo, ele disse: &#8220;Oh, desculpe.&#8221; Ele riu, dizendo: &#8220;Isso \u00e9 uma garota?&#8221; e foi chutar um rapaz.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Apanhei de cacetete da OMON numa passeata. Tinha acabado de descer do \u00f4nibus, queria me encontrar com amigos, mas eles me pegaram pelos bra\u00e7os e me levaram para o cambur\u00e3o.<br \/>\n<strong>RLI<\/strong>: Eles alegaram o qu\u00ea?<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Havia apenas uma concentra\u00e7\u00e3o de pessoas. Eles simplesmente chegaram e o \u00f4nibus parou atr\u00e1s deles. Eles agarraram todo mundo &#8211; e a\u00ed fui no bolo. E eu tinha um bottom branco-vermelho-branco [cores nacionais bielorrussas e s\u00edmbolo da revolu\u00e7\u00e3o] na minha pasta. Como resultado, eles me levaram para o cambur\u00e3o. Esta foi a segunda vez. Achei que na segunda vez seria definitivamente expulsa da universidade.<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; Fomos avisados que se nos pegassem uma segunda vez, seria um adeus.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Bem, agora eu j\u00e1 estou conformada quanto \u00e0 possibilidade de expuls\u00e3o. Mas ent\u00e3o me colocaram no cambur\u00e3o, j\u00e1 tinha uma multid\u00e3o de gente, e eu tive um ataque de p\u00e2nico, comecei a ficar sem ar, n\u00e3o tinha ar suficiente, comecei a chorar. Os OMON gritaram comigo, para eu calar a boca. Como resultado, no caminho, eles simplesmente me jogaram para fora do cambur\u00e3o e seguiram em frente.<br \/>\n<strong><em>\u041aatya<\/em><\/strong>. &#8211; Voc\u00ea disse que bateram em voc\u00ea?<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Sim, bateram-me, bateram-me um pouco nas pernas, mas isso j\u00e1 \u00e9 detalhe.<br \/>\n<strong><em>\u041aatya<\/em><\/strong>. &#8211; Como que detalhe? Isso n\u00e3o \u00e9 detalhe.<br \/>\n<strong>RLI<\/strong>: O que mais revolta voc\u00ea e o pessoal da sua universidade?<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; Primeiro, que nossos votos foram roubados. E depois a viol\u00eancia das autoridades: atiraram granadas, espancaram-nos, dispararam contra as pessoas. No dia 9 de agosto foram \u00e0s ruas pessoas que queriam defender o seu voto. E no dia 10 foram \u00e0s ruas pessoas que viram o que tinha acontecido no dia 9, que se revoltaram com a viol\u00eancia.<br \/>\n<strong><em>Ana<\/em><\/strong>. &#8211; Viol\u00eancia nas ruas. Isso \u00e9 um absurdo, quando a lei atua com rigidez s\u00f3 para um lado e para o outro n\u00e3o. As pessoas s\u00e3o julgadas por artigos incompreens\u00edveis, sem motivo algum.<br \/>\n<strong><em>Vassiliy<\/em><\/strong>. \u2013 Revolta ver como as pessoas s\u00e3o tratadas como gado. Tendo estado em centros de deten\u00e7\u00e3o, posso afirmar isso com certeza. A abordagem em rela\u00e7\u00e3o a voc\u00ea, das pessoas que est\u00e3o do lado de fora das grades e das que est\u00e3o presas junto com voc\u00ea, \u00e9 muito diferente. Percebe-se, sentado atr\u00e1s das grades, que as pessoas que est\u00e3o do outro lado das grades tratam voc\u00ea com desprezo, como traidor. E n\u00f3s, que est\u00e1vamos atr\u00e1s das grades (\u00e9ramos uns vinte), nos sent\u00edamos muito unidos. Revolta a atitude em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas, como gado, a viol\u00eancia nas ruas. E isso n\u00e3o para. De 9 a 11 de agosto foram dias absolutamente terr\u00edveis, mas at\u00e9 agora vemos como voc\u00ea pode simplesmente sair para jogar fora o lixo e ir parar num cambur\u00e3o, ir preso e seus parentes n\u00e3o o encontrar\u00e3o nos pr\u00f3ximos 30 dias. Tamb\u00e9m n\u00e3o gosto da posi\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da universidade. Mas \u00e9 claro que os reitores e decanos est\u00e3o sob press\u00e3o de cima.<br \/>\n<strong><em>Lena<\/em><\/strong>. &#8211; Acho que, em primeiro lugar, as pessoas ficaram indignadas com a atitude tosca(1) em rela\u00e7\u00e3o ao Covid, que agora se repete em dobro. Em seguida, roubaram os votos. E a maioria das pessoas se manifestou contra a viol\u00eancia.<br \/>\n<strong><em>Katya<\/em><\/strong>. &#8211; O Covid, na minha opini\u00e3o, foi a raz\u00e3o pela qual n\u00e3o se votou em Lukashenko.<br \/>\n(continua)<br \/>\n(1) Lukashenko negou desde o in\u00edcio a pandemia, disse que o v\u00edrus n\u00e3o existia. Se recusou a tomar medidas de restri\u00e7\u00e3o e isolamento, afirmou que vodca e sauna eram suficientes contra o Coronav\u00edrus<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ver\u00e3o passado, na Belarus, trouxe mudan\u00e7as dram\u00e1ticas n\u00e3o s\u00f3 na vida social do pa\u00eds, mas tamb\u00e9m na vida pessoal dos bielorrussos que lutam contra a ditadura. Conversamos com estudantes d\u0430 Universidade de Medicina (Katya e Lena) e da Universidade de Inform\u00e1tica e Radioeletr\u00f4nica (Ana e Vassiliy.) sobre onde e como encontraram a revolu\u00e7\u00e3o e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":13,"featured_media":62606,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"litci_post_political_author":"","footnotes":""},"categories":[1459],"tags":[5893,4317,6002,5736],"class_list":["post-62605","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-belarus","tag-abaixo-lukashenco","tag-aleksandr-lukashenko","tag-entrevistas-belarus","tag-protestos-belarus"],"fimg_url":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/Belarus-1.jpg","categories_names":["Belar\u00fas"],"author_info":{"name":"Javier f","pic":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/38f104112503b4b2d43a8972576238b0824db79ccc991f981595fcbc569b0601?s=96&d=mm&r=g"},"political_author":null,"tagline":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62605","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/13"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62605"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62605\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62606"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/litci.org\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}